North American B-25B Mitchel

Historia e Desenvolvimento. 

Em 11 de marco de 1938, o USAAC (United States Army Air Corps, Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos), emitiu especificações para o desenvolvimento de uma aeronave monoplana bimotora para atuar como bombardeiro médio de ataque. Empresas como Bell Aircraft, Boeing Stearman, Douglas, Martin e North American apresentaram seus projetos, no entanto uma série de percalços acompanharia esta concorrência, com vários acidentes ocorrendo com os protótipos envolvidos. Esta sequência de infortúnios levaria ao cancelamento do processo de concorrência CPN 38-385, um novo processo sobre a égide do ACP 39-640 seria lançado em março de 1939, como uma ano havia se passado desde a primeira iniciativa, ficava cada vez mais latente a necessidade em se dispor de uma aeronave deste porte, muito em função do agravamento das tensões na Europa. Este cenário levaria a USAAC a enveredar por um caminho arriscado , examinando as propostas e definindo o vencedor sem contar com um protótipo funcional, desta maneira foram estudadas as propostas apresentadas pela Martin com o Model 179 e a North American com o NA-62, sendo desenhado pelos projetistas R.H Rice e John Leland Atwood, se apresentando como uma aeronave de médio porte, veloz e com capacidade para transportar até 3.600 lbs de bombas, tendo dupla deriva e um sistema de armamento defensivo.

Após detalhado exame do NA-62 e do Model 179, o Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC) acabou 10 de agosto de 1939 decidindo pela adoção de ambos os modelos, ocasião em que foram celebrados acordos para a produção de 184 exemplares do modelo da North American designado como B-25 e 201 do modelo da Martin que receberam a designação de B-26. A aeronave da North American possuía configuração normal, apesar das muitas semelhanças com o  projeto original NA-40 que fora desenvolvido para a concorrência CPN 38-385, o novo B-25 era uma aeronaves fisicamente maior  e significadamente mais pesada, de fato, quase quatro toneladas a mais . Apesar de prever o uso de motores radiais Wright R-2600 de 1.700 hp. Depois de refinar o projeto original e introduzir alterações solicitadas pela USAAC, a construção do primeiro protótipo foi concluído em agosto de 1940, com seu primeiro voo ocorrendo no dia 19 do mesmo mês. A aeronave seria batizada como Mitchel em homenagem ao brigadeiro general  Willian Lendbrum “Billy” Mitchell, que foi um grande estudioso e defensor das estratégias de emprego do poder aéreo norte americano entre os anos de 1920 e 1930.
Os protótipos foram exaustivamente testados e após o encerramento desta campanha e sua consequente validação, foi definida a abertura da linha de produção em série, com a primeira aeronave de um contrato inicial de 24 aeronaves sendo entregue a USAAC em meados do fevereiro de 1941. Neste interim algumas novas alterações foram implementadas gerando a versão B-25A com quarenta aeronaves produzidas. Relatórios da inteligência militar americana com base em informações do front de batalha aéreo europeu levariam a grandes mudanças no projeto original do NA-62, sendo incorporados várias melhorias entre elas adoção de sistema de blindagem para os tripulantes, tanques de combustível auto selantes, o que porém reduziria a capacidade interna de combustível de 912 galões para 694 galões, o que gerou a necessidade da inclusão de um novo tanque de combustível removível no bomb bay para emprego em viagens de grande distância.

Estas alterações geraram a versão B-25B, que em função de novos relatórios inteligência introduziria um um sistema defensivo mais elaborado, contemplando uma torreta elétrica Bendix tipo L com duas metralhadoras .50 instaladas na parte traseira superior e outra torre retrátil similar na parte inferior da aeronave próximo ao bomb bay com o mesmo armamento, deste modelo foram produzidas 120 células, sendo distribuídos em regime de urgência as unidades da USAAC dispostas no continente e nas bases áreas localizadas no Pacifico. Apesar de serem construídas em números muito inferiores as versões subsequentes, os  North American B-25B Mitchel, foram eternizados por participar da histórica e arriscada missão de bombardeio ao Japão, em 18 de abril de 1942, quando 16 aeronaves decolaram do porta aviões USS Hornet para atacar alvos nas cidades de Tóquio, Kobe, Yokohama e Nagoya, e apesar dos danos materiais não terem sido consideráveis , o impacto motivacional foi enorme para o moral das forças militares norte americanas.
Novas versões foram produzidas até o final do conflito, totalizando 9.816 células entregues em várias versões que além do bombardeiro vertical, incluindo variantes de transporte, VIP, treinamento, antissubmarino e reconhecimento meteorológico, além dos Estados Unidos durante o conflito o modelo foi fornecido nos termos do Leand Lease Act, ao Brasil, União Soviética, Inglaterra e Canadá. No pós-guerra o modelo foi empregado pela Austrália, Biafra, Bolívia, Chile, Colômbia, Cuba República Dominicana, Indonésia, México, Peru, Polônia, Espanha, Uruguai e Venezuela,  sendo operados até meados da década de 1970.

Emprego no Brasil.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Brasil passou a ter uma posição estratégica tanto no fornecimento de matérias primas quanto no estabelecimento de pontos estratégicos para montagem bases aéreas e operação de portos na região nordeste. Por representar o ponto mais próximo entre o continente americano e africano a costa brasileira seria fundamental no envio de tropas, veículos, suprimentos e aeronaves para emprego no teatro europeu. Como contrapartida e no intuito de se modernizar as forças armadas brasileiras que até então eram ainda signatárias da doutrina militar francesa estavam equipadas com equipamentos obsoletos oriundos da Primeira Guerra Mundial decidiu-se fornecer ao pais os meios e as doutrinas para uma ampla modernização , este processo se daria pela assinatura da adesão do Brasil  aos termos do Leand & Lease Bill Act (Lei de Arrendamentos e Empréstimos) ), que viria a criar uma linha inicial de crédito ao país da ordem de cem milhões de dólares, para a aquisição de material bélico, proporcionando ao pais acesso a modernos armamentos, aeronaves, veículos blindados e carros de combate.

Em 20 de janeiro de 1941 o Brasil assistia a criação  Força Aérea Brasileira, organização militar esta que herdava todo o parque de aeronaves das aviações Militar e Naval mesmo as mais modernas como os Vultee V-11 e Focke Wulf FW-58 Weighe, eram  já obsoletos e completamente inadequados as tarefas de patrulha marítima, missões estas que deveriam compor o imediato esforço de guerra nacional, direcionado principalmente  as atividades relacionadas a busca e destruição de submarinos do Eixo, que até então representavam uma grave ameaça a navegação militar e civil nas costas brasileiras. Era necessário um esforço emergencial para a modernização dos meios da FAB que começou a tomar forma com a criação da Comissão de Compras de Material Aeronáutico, sediada nos Estados Unidos para que com base nos termos do Leand Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos) viesse a selecionar e adquirir os meios necessários.
Desta maneira em janeiro de 1942 se valendo dos termos desta lei, a FAB recebeu seis células usadas do bombardeiro médio North American B-25B Mitchel, aeronaves com poucas horas de voo, que foram customizadas para missões de patrulhamento marítimo e combate antissubmarino. Estas células mantiveram inicialmente as matriculas norte americanas, sendo, após, substituídas por FAB 01 á FAB-06 e, em meados de 1945 passaram a adotar no novo padrão de quatro dígitos.  A primeira unidade a receber este modelo foi o Agrupamento de Aviões de Adaptação (AAA) que fora criado em 4 de fevereiro de 1942, baseado em Fortaleza - CE, que estava sob a supervisão de militares norte-americanos que tinham como missão a transferência de conhecimento para a formação de tripulações aptas a participar de missões reais de combate. A primeira aeronave chegou no dia 4 de abril do mesmo, enquanto os demais exemplares chegaram no transcorrer do mês seguinte. Voando com tripulações mistas, compostas de oficiais e graduados da USAAF (United States Army Air Force) e oficiais da FAB estas aeronaves foram imediatamente postas em ação, executando surtidas de treinamento e patrulha marítima.

Dentro deste escopo de missões de combate do Agrupamento de Aviões de Adaptação (AAA) a ameaça representada pelos submersíveis do Eixo, era seu major foco, podemos destacar assim o batismo de fogo da Força Aérea Brasileira, quando em 22 de maio de 1942 , uma missão de patrulha o B-25B matriculado 40-2245 ( que a posteriormente receberia a designação FAB-01) tripulado por brasileiros e norte-americanos, identificou e efetuou um ataque ao submarino italiano Barbarigo, que estava navegando na superfície nas proximidades entre o Atol das Rocas e Arquipélago de Fernando de Noronha. Foram empregadas oito cargas de profundidade de 45,5 kilos, que provavelmente danificaram a belonave inimiga não resultando em seu afundamento. Em outra ação, na manhã de 257 de maio de 1942, o B-25B 40-2263, atacou o submarino italiano Archimede, que submergia a 120 milhas de Fortaleza, diversos outros encontros com submersíveis inimigos foram registrados ao longo do conflito.
Uma sétima aeronave seria incorporada em 1944 sendo destinada a ETAv (Escola Técnica de Aviação) para fins de instrução em solo. Com o recebimento de mais células do modelo B-25J, os “Bravo” foram realocados em outra unidade como o 6ºRAV (Regimento de Aviação), GAB (Grupo de Aviões Bimotores) e 1ºGBM (Grupo de Bombardeio Médio). Após o término do conflito os B-25B foram concentrados no 1º/6ºGAv Esquadrão Carcará até 1949 quando foram retiradas do serviço ativo, salientando que duas células seriam convertidas em cargueiros e continuariam em operação até fins da década de 1950. A célula destinada ao ETAv (depois EEAR) matriculada como FAB 5144 foi descarregada em outubro de 1956., encerrando assim a carreira dos "Bravos" no Brasil.

Em Escala.

Para representarmos o B-25B “FAB 10” empregamos o excelente kit da Accurate na escala 1/48 , modelo que prima pela qualidade de injeção e pelo nível de detalhamento (acesse o review do modelo). para se configurar a versão brasileira e necessário retirar a torreta ventral armada com duas metralhadoras .50. Fizemos uso de decais confeccionados pela FCM presentes no Set 48/08.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura americano quando do recebimento das aeronaves em 1942 , sendo aplicadas as marcações brasileiras sobre as da USAAF, este padrão de pintura com algumas alterações foi mantida ate as primeiras revisões completas em âmbito de parque quando então passaram a ostentar a pintura metálica ate sua desativação. 


Bibliografia :

- Aviação Militar Brasileira 1916 -/ 1984 - Francisco C. Pereira Netto
- Revista Asas Mº 40 B-25 Mitchell na FAB, por Aparecido Camazano Alamino 
- Historia da Força Aérea Brasileia , Professor Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html 
- Bombardeiros Bimotores na FAB, por Aparecido Camazano Alamino  - Editora C&R