Workers da Volkswagen no Exército

História e Desenvolvimento. 

A Volkswagen do Brasil foi fundada em 1953 iniciando suas operações em um pequeno galpão alugado na rua do Manifesto, no bairro do Ipiranga, em São Paulo, onde passou a montar o veiculo Kombi, que eram recebidos desmontados no "sistema CKD", "Completely Knocked Down. Apenas seis anos depois, em 18 de novembro de 1959, a empresa já inaugurava sua primeira unidade industrial as margens da Rodovia Anchieta, na cidade de São Bernardo do Campo, cabendo a à Kombi inaugurar a linha de produção em 1957, neste estágio o veículo já apresentava um índice de nacionalização de 50%. Nos anos seguintes novos modelos foram lançados, inclusive alguns com grande sucesso comercial, gerando recursos necessários para uma nova expansão. No ano de 1976 a Volkswagen do Brasil inaugurava uma nova planta industrial para a produção da família de veículos BX (Gol/Voyage/Parati/Saveiro) concretizando assim seu parque fabril para a produção de carros, permitindo neste novo cenário estudar o desenvolvimento de sua divisão de caminhões que passaria a operar a partir do ano de 1979, com o estabelecimento de uma fábrica na cidade de Resende no estado do Rio de Janeiro, o primeiro modelo de sucesso foi o VW 6.90, família que viria a tornar a marca referencia nos mercados brasileiro e sul americano.

Durante os anos 60, o Brasil vivia uma época de pleno crescimento na quantidade de empresas produtoras de veículos no país. Além da Volkswagen, outras empresas se estabeleceram no pais, entre elas a Chrysler Corporation, que iniciou suas operações no pais através de uma parceria com o grupo Brasmotor para a montagem de carros de passeio em  regime CKD, para participar mais ativamente  no mercado brasileiro, a solução encontrada foi a aquisição da Simca do Brasil, divisão da francesa Simca, cuja propriedade e direitos foram adquiridos, em nível mundial. Esta aquisição previa a melhoria da fábrica e ampliação de portfólio, incluindo também a partir de 1969 a produção de 1969 três modelos de caminhões Dodge; o grande D-700, o médio D-400, e a pick-up D 100 (1969 a 1971). Em fins da década de 1970 a Volkswagen negocia a aquisição de ações ordinárias da Chrysler, desligando o controle americano sobre a filial brasileira, isto visando aumentar seu mercado de veículos passeio e preparar o terreno para a introdução no mercado de caminhões, assumindo principalmente a rede de distribuidores. Desde modo, em 1981 a Chrysler do Brasil encerrou suas atividades, mantendo apenas a produção de uma espécie de caminhão voltada para o uso rural, até 1984, este período gerou o know how necessário para o lançamento da linha de caminhões da Volkwagen. Um dos elementos de sucesso do VW, além da inédita cabina basculante apresentada inicialmente em 1981, era o trem de força composto por elementos consagrados, como o motor MWM D-229, a caixa Clark e os eixos Rockwell.
Em 1989 a Volkswagen iniciou a comercialização de uma nova linha de caminhões leves e desde o ano de 1994, os modelos 7100 e 8140 permitiram a empresa alemã a competir no segmento com motores a partir de 120 cv. Mas sem dúvida um dos artífices da consolidação da marca no mercado sul americano foi o 8150, lançado em 1995 com uma excelente relação de custo benefício. Com dimensões externas compactas o modelo era ideal para transportar cargas leves, além de ser ágil no trafego das grandes cidades, sendo utilizado desta forma em serviços entregas rápidas em centros urbanos, nos quais a pontualidade representa um fator essencial. Outro fator apreciado por seus usuários era sua facilidade de condução, devido ao seu reduzido diâmetro de viragem. Sua cabine de nariz chato contribuía para suas dimensões exteriores, que combinada com a boa visibilidade oferecida ao motorista, para os clientes que necessitavam de maior espaço de comprimento de carga, existiam diversas configurações com distancia curta e longa entre eixos, e comprimentos totais que podiam alcançar 7,6 m. Além disso para garantir uma correta mobilidade inclusive sobre terrenos irregulares, a altura livre até o solo era de 19,7 cm.

Em 2003, a Volkswagen implantou diversas melhorias no 8150, novamente em 2005 novas modificações foram implementadas criando uma geração denominada como Delivery 8150 que passou a contar com um novo motor adequado a normativa ambiental Euro III, capaz de responder de forma mais rápida e flexível as aplicações, principalmente urbanas, do modelo. No ano de 2007 a família Delivery iria proporcionar a Volkswagen pela primeira vez a liderança no mercado brasileiro com um total de 6.144 unidades licenciadas. Os caminhões e ônibus Volkswagen são produzidos no Brasil (em Resende) e mandados em regime CKD para África do Sul, México e Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Novos mercados estão sendo vistos nas regiões do Oriente Médio e Austrália. Atualmente a VW Caminhões e Ônibus faz parte do grupo MAN AG, que estendeu suas operações na América do Sul.
Atualmente os VW Delivery continuam como um dos pilares da série de caminhões leves da Volkswagen do Brasil, que abrange desde o modelo 5150 dotado com um motor Cummins de 3,8 litros com 150 cv de potência, até os modelos 8160, 9160,10160, sendo a linha complementada pelos modelos Worker 8150, 9150 e 10150. A próxima evolução foi baseada na família 15.190, que viria a gerar a versão militarizada atual. 

Emprego no Brasil. 

Durante as décadas de 1970 e 1980 as Forças Armadas Brasileiras continuaram o plano de fomento a indústria de defesa nacional, e no que tange a caminhões utilitários médios e leves, continuaram a ser celebrados acordos de fornecimento junto a Ford, General Motors e  Dodge – Chrysler. O fato da produção da linha da Dodge ser descontinuada em definitivo no ano de 1984, abriu espaço para os novos caminhões leves da Volkswagen de primeira geração. Os primeiros modelos a serem adquiridos pelo Exército e Força Aérea foram os VW 11-130 e 13-130, caminhões médios peso bruto total de 11 e 13 toneladas projetados na Alemanha e com protótipos e testes desenvolvidos no Brasil. Estavam destinados a tarefas utilitárias e não diferiam em nada das versões civis, foram entregues na configuração baú com carroceria em alumino, e carga seca. A partir de 1982 seriam adquiridas as versões de 6 toneladas como os modelos VW 6.80 e 6.90, que apresentavam respectivamente motores a diesel Perkins de 3.860 cm3 e 85 cv e MWM de 3.920 cm3 e 91 cv, ambos com câmbio de cinco marchas, freios hidráulicos assistidos a vácuo, direção mecânica e cabine avançada basculante, sendo entregues nas versões de cisterna, baú e basculante. Na década de 1990 as três forças continuariam adquirindo pequenos lotes de caminhões da Volkswagen nas versões truck e toco, entre eles os modelos VW 12-140, VW 12-170, VW 12-180, VW 12-220, VW 13-130, VW 14-140, VW 14-150, VW 14-170, VW 14-180, VW 14-200, VW 14-220, VW 16-170, VW 16-200, VW 16-220, VW 17-180, VW 17-210 e VW 17-220.

Apesar estar continuamente fornecendo caminhões básico para as três forças armadas brasileiras, a Volkswagem s ressentia em não penetrar no segmento de caminhões militarizados do exército, que representava um dos maiores nichos do mercado militar. Este cenário começaria a mudar a partir do final da década de 1990, quando passou a ocorrer uma maior integração da divisão de caminhões da Volkswagen com a MAN Latin America criaria as condições favoráveis para o desenvolvimento de versões militares, tendo em vista a experiencia da matriz alemã na produção de caminhões militares fora de estrada. Neste mesmo período o Exercito Brasileiro já desenvolvia estudos a fim de promover a gradual renovação de sua frota de caminhões 4X4 e 6X6 que até então estava composta por milhares de unidades dos modelos militarizados das Mercedez Bens adquiridos entre as décadas de 1980 e 1990. O primeiro contrato de fornecimento da Volkswagen/Man para o Exército Brasileiro ocorreu no ano de 2007, quando uma encomenda de 14 unidades do modelo VW Worker 15210 4X4  para emprego na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN). Este contrato quebrou uma hegemonia de quase 50 anos da Mercedes Benz como principal fornecedor das forças armadas brasileiras, esta unidade foi escolhida incialmente por ser a mais próxima das instalações fabris na cidade de Rezende no estado do Rio de Janeiro, facilitando assim o acompanhamento do processo de avaliação do modelo.
A militarização dos veículos foi feita em parceria com a empresa Techno Car Guevel sediada na cidade de Itaquaquecetuba no estado de São Paulo que foi responsável pela implantação de diversas modificações. O processo de avaliação das viaturas envolveu um ano de testes junto ao Centro de Avaliações do Exército (CAEx), no Rio de Janeiro, submetendo os protótipos a percorrer 34.000 km em terrenos arenosos, alagados e com lama, participando ainda de manobras de embarque aéreo e marítimo, transportes de pontes, testes balísticos, conferindo a resistência da cabine a estilhaçamentos , sendo ainda submetido ao emprego de biodiesel em mistura B2, 2% de mistura ao diesel convencional, ao final deste processo o modelo foi homologado pelo Exército Brasileiro, uma vez que tenha atendido a todos os parâmetros exigidos no ROB (requisitos operacionais básicos). Com a homologação se seguiram novas encomendas do agora denominado VTNE 4X4 5ton VW Worker 15.210, para emprego nas versões de transporte de carga, tropas, cisterna. A principal diferença da versão civil além da tração 4x4 é a adoção de soluções para que o mesmo ganhasse robustez e altura do solo em relação aos modelos tradicionais, uma destas foi a inclusão de um sub-chassis para receber o agregado de eixo e molas traseiras, com esta solução e outras também importantes o veículo ganhou grandes capacidades no off Road e nas características de travessia de terrenos alagados.

Como prova de fogo, as primeiras unidades operacionais do segundo lote foram destinadas as Forças Brasileiras de Paz alocadas no Haiti, onde o modelo teve a chance de ser o posto a prova em condições reais de uso, atestando assim a decisão acertada do Exército Brasileiro em sua aquisição. Novas aquisições foram feitas nas versões de 2,5 e 5 toneladas, com novas aplicações e versões entre elas o modelo desenvolvido para operações aéreas que são dotados cabine com cobertura de lona e vidro dianteiro rebatível para transporte aéreo em aeronaves C-130 Hercules ou Embraer KC-390. Os veículos são produzidos na unidade industrial da Man na cidade de Resende no Rio de Janeiro, em um processo e montagem semelhante a um caminhão convencional, no entanto os eixos são reforçados e a suspensão apresenta diferente elevação em relação aos produtos para uso urbano e rodoviário. Em seguida, as unidades passam pelo processo de militarização (realizando pela empresa BMB em instalações anexas a fábrica da Man) para a aplicação de blindagem da cabine e pintura camuflada. Por fim são encaminhados para o processo de beneficiamento, com a aplicação de peças e desenvolvimento de carroceria de acordo com as exigências da encomenda, podendo apresentar cobertura de lona para transporte de soldados ou estrutura para transporte de materiais ou armamentos.
O bom desempenho em uso apresentado pelo VTNE 4X4 5ton VW Worker 15.210, gerou a encomendas ne novas versões entre elas uma 6X6 representada pelo modelo Constelattion 31320 com capacidade para 10 toneladas, sendo empregado para o reboque de peças de artilharia de alto calibre, transporte de carga e cisterna, o último contrato celebrando em 2013 previu a aquisição de mais 860 unidades , elevando para quase cinco mil unidades de caminhões da MAN/VW em uso junto ao Exército Brasileiro, representando uma renovação de 40% da frota de veículos de transporte, sendo o restante complementado por novos modelos a Mercedes Benz.

Em Escala.

Para representarmos o Volkswagen Worker 4X4 15210  “EB-3412170380”, empregamos como base um modelo em die cast da Altaya  na escala 1/43, porem como este originalmente representa um modelo Delivery 8150 e para se configurarmos a versão do exército tivemos de realizar um grande trabalho de conversão envolvendo a alteração da suspensão com elevação; construção em plasticard de uma nova carroceria;remoção dos faróis originais dianteiros; reforço do para-choque frontal com aplicação de luzes de comboio e faróis da versão 15210; aplicação de grade protetora frontal; inclusão protetor de motor e câmbio inferior dianteiro e alteração do chassi originai com disposição de tanque de combustível e reboque. Para finalizarmos o conjunto fizemos a  aplicação de decais confeccionados pela empresa  Eletric Products pertencentes ao set  "Exército Brasileiro  1983/2016".
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura do Exército Brasileiro aplicado em todos seus veículos militares a partir de 1983, existem, no entanto, na frota de VW 15210 alterações no que tange a marcação e posicionamento dos símbolos nacionais e matriculas. Os únicos veículos que receberam um esquema diferente deste foram os destinados ao contingente da Minustah no Haiti onde passaram a ostentar o padrão de pintura padrão das forças de paz das Nações Unidas.


Bibliografia : 

- Caminhões Brasileiros de Outros Tempos VW 8150 – Editora Altaya
- Infodefensa www.infodefensa.com/
- VW Worker 15210 4X4 – Expedito Carlos S. Bastos http://www.ecsbdefesa.com.br/fts/VW15210.pdf
- Lexicar – www.lexicar.com.br