D-11000 FNM - Alfa Romeo Militar

História e Desenvolvimento. 

A empresa italiana  Alfa Romeo Automobiles S.p.A, foi fundada e pelo francês Alexandre Darracq  em 24 de junho de 1910, na cidade de  Milão, rapidamente ganhou notoriedade de marca devido a fabricação e carros esportivos de competição. Em 1932 a empresa foi encampada pelo pelo grupo estatal Istituto per la Ricostruzione Industriale, nesta fase ampliaria seu portifolio de produtos com a produção de caminhões ônibus e componentes militares. No período pós guerra conseguiu se consolidar no mercado de caminhões Europeu, através de sua linha de veículos comerciais de pequena e média tonelagem. O próximo passo definido em sua estratégia de expansão, seria o de buscar novos mercados potenciais, entre eles a América do Sul, tendo como ponto de partida o Brasil, onde após estudos e análises seria firmado um acordo de colaboração com a Fabrica Nacional de Motores (FNM), empresa estatal brasileira que teve sua origem no ano de 1942 mediante a fabricação sob licença de motores para aviação para suprir a demanda de conjuntos motrizes para o esforço de guerra aliado através de sua unidade fabril no município de Duque de Caxias no Rio de Janeiro.

As origens deste acordo remontam a o termino da Segunda Guerra Mundial em 1945, que levaria a uma drástica redução nos contratos de fornecimento de motores aeronáuticos para o governo brasileiro, sendo este seu principal produto, responsável por quase 70% das receitas da empresa neste período. Com base nesta necessidade, a diretoria da Fabrica Nacional de Motores (FNM) buscou opções para diversificar sua linha de produtos. A fim de se preparar para esta nova fase a empresa abriu seu capital, se tornado uma sociedade anônima em 1947,  este movimento jurídico permitiu a aproximação com empresa multinacionais interessadas em se estabelecer no mercado brasileiro. Dentre as opções estudadas destacou se uma parceria de colaboração com empresa italiana Isotta Fraschini, para a montagem local de um caminhão médio da marca denominado B-7300 com motor a diesel e capacidade para 7,5 toneladas de carga. , infelizmente esta empresa atravessa um grave período de instabilidade financeira na Itália, o que acarretaria da falência da mesma, antes deste processo seriam ainda produzidos no Brasil somente 200 unidades , atingindo um índice de nacionalização de 30%.

Visando dar sequencia ao seu planejamento estratégico de parcerias industriais e comerciais, a Fabrica Nacional de Motores (FNM), se lançou em busca de novas opções, vindo a celebrar em 1948 um contrato de cooperação com a empresa estatal italiana Alfa Romeo. Em 1951, deu-se início a fabricação de caminhões, reativando assim  em 1951 a linha de produção da empresa em Xerén no Rio de Janeiro. O modelo escolhido para inaugurar esta parceria estava baseado no caminhão médio Alfa Romeo Tipo 800,  modelo este  lançado na década de 1940 para o mercado civil e militar, tendo participado inclusive de ações de combate nos teatros de operação Europeu e Asiático. A versão nacional contando com melhorias sobre o projeto original foi denominado pelo fabricante como FNM D-9500, sendo popularmente chamado de "cara chata". O FNM D-9500 não demorou a ser um caminhão popular e de boa aceitação no mercado brasileiro, destacava-se devido à grande robustez, e por isso, era indicado para o transporte de cargas pesadas. Apesar de suas dimensões comedidas, pois mal superava 7 metros de comprimento total, ele suportava o transporte de cargas entre 8 e 10 toneladas, estando preparado também para puxar com um reboque de até 14 toneladas e, com isso, sua capacidade máxima de carga alcançava 22 toneladas.

Durante o transcorrer dos próximos anos a Fabrica Nacional de Motores (FNM), aplicou um gradativo processo de nacionalização, atingindo em 1958 um percentual de 90%, quando do segundo modelo a ser produzido pela empresa o FNM D-11000 que  também derivado dos caminhões Alfa italianos. Este novo modelo teve ampla aceitação pelo mercado civil brasileiro, sendo considerado por seus clientes como o veículo de transporte de carga mais resistente do Brasil. Estava dotado com o novo e confiável motor italiano  Alfa Romeo  diesel de 150 HP de seis cilindros em linha, injeção a quatro tempos, relação de compressão de 17:1, 11050 cilindradas e rotação máxima de 2.000 por minuto. Grande parte do sucesso do do FNM D-11000 se deu pela adoção do motor a diesel, sendo considerado uma novidade na época, a maioria dos veículos comerciais semelhantes usava os dispendioso motores a gasolina.
O sucesso do modelo foi comprovado pela produção de mais 15.000 unidades, em 1968 a Fabrica Nacional de Motores (FNM) foi privatizada, sendo absorvida pela Alfa Romeo , se tornando uma subsidiaria da mesma, nesta fase a empresa lança dois novos modelos o FNM 180 e FNM 210, com 180 CV e 215 CV, respectivamente. No ano de 1973 a FIAT compra 43% das ações da Alfa Romeo, e em 1976 assume o total controle acionário.  A Fiat continuou produzindo os FNM 180 e 210 até 1979, quando os substituiu pelo FIAT 190; Em 1985, já administrada pela Iveco (empresa italiana do grupo FIAT) e com o declínio acentuado na venda de caminhões, encerra as suas atividades no Brasil

Emprego no Brasil. 

Durante a Segunda Guerra Mundial entre 1942 e 1945 o Exército Brasileiro recebeu mais de 5.000 caminhões militares distribuídos modelos GMC CCKW, G-506 Corbitt e US6G Studebaker que foram fornecidos nos termos do Leand & Lease Act Bill. Esta frota trouxe uma notável capacidade de mobilidade as forças armadas brasileiras presente em diversas unidades motomecanizadas que até antes de 1942 estavam equipados com antigos caminhões civis adaptados a operação militar com tração 4X2, sendo complementados por poucos veículos de transporte alemães 6X6 Henschel & Son e americanos Thornycroft Tartar 6X4. Este cenário de não perduraria por muito tempo, pois em meados da década de 1950 a frota já envelhecida, começava a apresentar um vertiginoso crescimento de seus índices de indisponibilidade, tendo como principal problema no fluxo de suprimento de peças de reposição, mais notadamente dos motores a gasolina, pois tais modelos tiveram sua produção descontinuada há mais de 12 anos.

Apesar da maior parte da frota de caminhões do Exército Brasileiro estar composta por veículos com tração 6X6 para uso em ambientes fora de estrada, uma parcela desta poderia muito ser substituída por veículos mais simples, destinando a estes tarefas mais básicas utilitárias. Assim desta maneira  buscando incentivar a indústria nacional o comando do exército optou pela adoção de caminhões militarizados produzidos no pais. Dentre os fabricantes nacionais destacava a Fabrica Nacional de Motores (FNM), que mantinha em produção dois modelos de caminhões médio o D-9500 e o D-11000, com este último apresentando  uma robustez estrutural que podia atender aos parâmetros exigidos para o processo de militarização, pois eram originalmente dotados  de um chassi reforçado apto a suportar pesadas sobrecargas em estradas de grande precariedade  e terrenos irregulares, possuía sete travessas de aço que reforçavam ainda mais o chassi.

Podia ser configurado em várias versões , cavalo mecânico, caminhão comum e apenas chassi para adaptação como basculante, na versão de chassi alongado poderia ainda receber um terceiro eixo. Seu peso era da ordem de 5.900 kg, podendo transportar uma carga de 8.100 kg e rebocar uma carga de até 18.000 kg. Contava ainda com um novo diferencial na área de segurança, pois possuía circuitos de freios dianteiros e traseiros totalmente independentes, freios pneumáticos Whestinghouse, de ação instantânea, que numa eventualidade de “estourar” um circuito, o motorista poderia prosseguir viagem até a próxima oficina. As primeiras unidades do modelo FNM D-11000 4X2 começaram a ser entregues em 1957 e eram muitos semelhantes as versões civis, com apenas algumas modificações para se atender as necessidades de militarização da viatura, a este modelo se seguiram outras versões em novos contratos, ressaltando ainda que a Marinha e a Aeronáutica também fizerem uso do modelo. Distribuído a diversas unidades do Exército Brasileiro espalhadas por todo o território nacional os FNM em conjunto com modelos da Mercedes Benz, iniciaram o processo de substituição dos GMC CCKW, G-506 Corbitt e US6G Studebaker, melhorando em muito a capacidade de mobilidade da força em termos de disponibilidade e custo benefício de operação e manutenção

Além do Exército Brasileiro, Marinha e Aeronautica passaram a adotar o modelo em 1959, os empregando nas mesmas tarefas de transporte de tropas e carga. O FNM D-11000 foi ainda o primeiro veículo militar produzido no Brasil a ser empregado em condições reais de combate quando dezenas de unidades foram enviados para a região de Gaza, no Oriente Médio para servir como transporte em auxílio às tropas brasileiras que estavam a serviço da ONU (UNEF - United Nations Emergency Force) na região, tentando evitar conflitos entre Árabes e Judeus. Neste teatro de operações especifico apresentavam muitas limitações inerentes ao terreno, pois atolava com frequência na areia fofa do deserto, sendo assim complementados por caminhões ingleses BREDFORD que melhor se locomoviam naquelas condições. Mas mesmo com suas limitações o FNM militar cumpriu seu papel neste esforço de paz.
Em meados da década de 1970 começaram a ser  gradualmente substituídos pelos  versões militarizadas dos caminhões Mercedes Benz 1111 e 1213, sendo relegados as unidades de apoio e suprimentos, com algumas unidades se mantendo ativas por décadas junto as organizações de Intendência e Logística do Exército Brasileiro. Ainda atualmente diversos FNM D-11000 em operação junto a colecionadores e empresas de transporte.

Em Escala.

Para representarmos o FNM D-11000 empregado pelo Exército Brasileiro junto a UNEF - United Nations Emergency Force na região de Gaza, fizemos uso de modelo em die cast da Altaya na escala 1/32, fizemos uso deste artificio por não existir um kit no mercado para este caminhão, como a versão militarizada apresenta mínimas diferenças com a versão civil, a conversão e muito fácil e tranquila para se obter a configuração empregada pelo exército. Empregamos ainda decais confeccionados pela Eletric Products presentes no Set UNEF/SUEZ. 
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura do Exército Brasileiro em todos seus veículos militares desde a Segunda Guerra Mundial até a o final do ano de 1982, tendo como alteração apenas a remoção das marcações nacionais pelo sistema de identificação padrão dos veículos a serviço da ONU – UNEF SUEZ.


Bibliografia : 

- Caminhões Brasileiros de Outros Tempos  – MB LP-321/331 , editora Altaya
- Veículos Militares Brasileiros – Roberto Pereira de Andrade e José S Fernandes
- Manual Técnico – Exército Brasileiro 1976
- Caminhões FNM no Exército - Expedito Carlos S Bastos