Volkswagen Kombi Modelo 261

História e Desenvolvimento. 

O projeto do utilitário mais famoso do mundo começou a ser esboçado em Wolfsburg, na Alemanha, logo após a Segunda Guerra Mundial. Nesta época, a fábrica da Volkswagen ainda não estava completamente refeita dos danos do conflito e dos bombardeios, embora já estivesse produzindo razoavelmente o Sedan., o conceito por trás da Kombi  ou Kombinationsfahrzeug  ("veículo combinado" em alemão), surgiu no final dos anos 1940, sendo fruto da ideia  do importador holandês Ben Pon, que anotou em sua agenda desenhos de um tipo de veículo inédito até então, baseando-se em uma perua feita sobre o chassi do sedan e Kubelwagen. O primeiro protótipo era basicamente um utilitário com a cabine sobre o motor (de Fusca) na parte traseira e uma plataforma à frente, com óbvias simplificações de produção e redução de custos. Mas problemas de resistência logo apareceram, levando a VW a desenvolver um novo chassi que suportasse o peso previsto. Resolveu-se partir para uma estrutura monobloco, solução mais moderna, neste mesmo tempo uma equipe de projetos da Faculdade Técnica de Braunschweig estudou alterações no desing original e apesar de ainda apresentar forma pouco convencional, demonstrou uma aerodinâmica melhor que a dos protótipos iniciais com frente reta. Após constantes alterações no projeto o primeiro carro de produção em série ganhou as ruas em 8 de março de 1950 na Alemanha.

Sua construção robusta monobloco (sem chassi), suspensão independente com barras de torção, além da excêntrica posição do motorista no carro (sentado sobre o eixo dianteiro e com a coluna de direção praticamente vertical), o tornavam um veículo simples e robusto, de baixo custo de manutenção. Embora a Kombi tivesse um monobloco próprio e não o chassi do Sedan, muitos componentes mecânicos eram comuns entre os dois modelos, a começar pelo robusto motor tradicional "boxer" com refrigeração a ar, simples e muito resistente. de 1,1 litro e modestos 25 cv. O sucesso foi tal que a produção de 60 veículos por dia não foi suficiente para abastecer o mercado. A VW chegou a produzir 90 diferentes arranjos de carroceria nos cinco primeiros anos, incluindo míni-ônibus, picapes, carros do corpo de bombeiros, ambulâncias, transportadores de cerveja, furgões refrigerados para sorvetes, carros de leiteiro, de padeiro, açougues volantes, carros-mercearia, carros de entrega e veículos para camping. Internamente o volante de três raios era quase horizontal, como num ônibus, e abaixo deste ficava um mostrador redondo com o velocímetro, graduado até 100 km/h, e hodômetro. O marcador de combustível só era oferecido para a versão ambulância. Nas demais havia uma parte do tanque destinada a reserva (cinco litros), acionada por meio de um botão de puxar na base do assento dianteiro. Quando acabava o tanque principal podia-se rodar cerca de 50 quilômetros, o suficiente para encontrar um posto.
O veículo chegou ao Brasil no ano de 1950 através de uma importação realizada grupo Brasmotor (proprietário da marca Brastemp), a grande aceitação do modelo pelo mercado comercial levou a empresa a decidir pela montagem do veículo no país, recebendo os kits dos veículos no "sistema CKD", "Completely Knocked Down e montando os manualmente em suas instalações a partir do ano de 1953.  Em seu processo mundial de expansão a Volkswagen inaugurou sua primeira unidade fabril no Brasil, na cidade de São Bernardo do Campo – SP, cabendo a à Kombi inaugurar a linha de produção em 1957, neste estágio o veiculo já apresentava um índice de nacionalização de 50%, e além de ser o primeiro modelo fabricado pela montadora no país foi também e o que esteve por mais tempo em produção. Durante a década seguinte o modelo seguiu obtendo excelentes resultados e vendas, recebendo também uma série de melhorias em itens de conforto, elétrica e mecânica. Em 1952 chegava a versão picape. Além de ótima área de carga, tinha um compartimento para volumes menores entre a caçamba e o piso inferior. Para todos os tipos de carroceria, o motor era o mesmo de 1.131 cm3, com potência de 25 cv a 3.300 rpm e taxa de compressão de 5,8:1. A bateria de seis volts ficava dentro do compartimento do motor e os pneus vinham na medida 5,50.

Na Europa (e na maior parte do mundo) a Kombi (conhecida como "Transporter", "Type 2", "Kombi" ou mesmo "Combi") foi produzida em sua forma tradicional até final dos anos 1970, quando deu lugar a um utilitário de tração dianteira e motor refrigerado a água, que chegou a ser importado para o Brasil sob os nomes "Eurovan" e "Transporter". Curiosamente, foi o único modelo derivado do Fusca a evoluir além do motor boxer refrigerado a ar (isso excluindo o VW Gol, que possuía apenas o motor em comum). No Brasil A carroceria se manteve basicamente a mesma do modelo original, sendo que a versão vendida entre 1976 e 1996 era uma amálgama entre as "gerações" 1 e 2 da Kombi alemã, única no mundo (como basicamente toda a linha "a ar" da Volkswagen do Brasil). A versão pós 97 na verdade é praticamente o mesmo modelo produzido na Alemanha entre 1972 e 1979 (T2b, Clipper), com porta lateral corrediça, tampa do porta malas mais larga, redução do número de janelas laterais para três em cada lado, além de teto mais elevado, única alteração verdadeiramente "original" feita nessa ocasião.
Em dezembro de 2005 ocorreu a mais recente modificação implementada pela marca, com adoção de motorização refrigerada a água e painel semelhante aos automóveis "de entrada" da marca (Gol e Fox). A mudança de motorização, para se adequar aos novos padrões brasileiros de emissões, selou, de forma discreta, o fim do motor boxer refrigerado a ar no Brasil. Embora altamente popular, a obrigatoriedade de ABS e air-bags a partir de 01 de janeiro de 2014, fez com que o modelo saísse de linha, ao todo foram entregues mais de 1,5 milhão de unidades em 56 anos  de produção.

Emprego no Brasil. 

Em fins da década de 1950 o Exército Brasileiro dispunha em suas fileiras um elevado número de veículos leves de transporte de origem norte americana, que eram fruto dos fornecimentos nos termos do acordo Leand & Lease Act Bill (Lei de Empréstimos e Arrendamentos) em meados da década passada, no entanto os índices de disponibilidade estavam abaixo do ideal, devido à dificuldade do suprimento de peças de reposição, principalmente por se tratar de modelos de produção descontinuada há mais de 15 anos. Visando resolver esta demanda e no intuito de fomentar a recém-criada indústria nacional automotiva o comando do Exército Brasileiro optou pela aquisição de veículos leves da Volkswagen do Brasil S/A mais notadamente do modelo Kombi, com as primeiras entregas ocorrendo em meados do ano de 1961. As primeiras unidades fornecidas foram da versão tipo furgão  com seis portas, dispostas duas versões: Luxo e Standard para emprego em missões de transporte de pessoal com capacidade de transporte de  e carga leve, já contando com a nova caixa de câmbio  toda sincronizada e a relação da caixa de redução passava a 1,26:1, atingindo um índice de nacionalização atingia 95%. Seguindo a opção do Exército Brasileiro, tanto a Marinha quanto a Força Aérea Brasileira passaram a adotar a Kombi nas mesmas versões a partir de 1962.

Em 1963 a Volkswagen introduziu a versão utilitária pick-up da Kombi, que estaca equipada com carroceria de aço, que passaria a ser dotada com um motor mais potente o VW 1500 cm3 (52cv a 4600 rpm), Este novo modelo logo chamou a atenção das três forças armadas que passaram a encomendar sucessivos lotes para o emprego em suas unidades operacionais espalhadas por todo o país, com principal tarefa de transporte leve de carga. Neste mesmo período o Exército Brasileiro estava envolvido ativamente nos esforços das Nações Unidas para a manutenção de estado de paz entre israelenses e árabes na região do canal de Suez, as tropas brasileiras estavam localizadas no deserto do Sinai, e se fez necessário além do envio do contingente de pessoal, o envio de veículos de transporte, incialmente foram enviados dezenas de caminhões FNM D-11000, Jeeps e M-3 Scout Car , porém havia a necessidade de veículos de pequeno porte, e neste cenário a VW Kombi se mostrou o veículo leve ideal, pois seu sistema de refrigeração a ar garantia emprego constante, não se enquadrando nas limitações impostas aos veículos leves refrigerados à água, que sempre super aqueciam nas estradas devido ao calor. Os veículos foram enviados via marítima já portando a pintura padrão das forças de paz da UNEF - United Nations Emergency Force, onde estiveram a disposição do Batalhão Suez até fins de 1967, executando tarefas de transporte de suprimentos entre os postos avançados espalhados pelo deserto.
A maior evolução do modelo ocorreu em 1975 , onde a Kombi ganhou uma ganhava nova frente e tornava-se quase idêntico à alemã modelo Clipper, com amplo pára-brisa sem divisões. Neles, os novos limpadores tinham boa área de varredura. As portas dianteiras estavam maiores, facilitando o acesso, e tinham janelas convencionais, além de retrovisores de maior tamanho. Mas o restante da carroceria era igual à anterior, sem a esperada evolução das portas corrediças. Apresentava um motor mais potente, com 1.584 cm3 (85,5 x 69 mm) e 52 cv a 4.200 rpm. O torque chegava a 11,2 m.kgf a 2.600 rpm, providência importante para um veículo que alcançava duas toneladas com carga máxima. Os freios, ainda a tambor nas quatro rodas, ganhavam servo-freio (o que dava falsa sensação de potência freante) e válvula reguladora de pressão nas rodas traseiras. A suspensão dianteira era reforçada com barras de torção com feixes e estabilizador. Atrás, barras de torção cilíndricas e juntas universais de dupla articulação marcavam o fim da funesta suspensão por semi-eixo oscilante. Em seu lugar, um braço semi-arrastado por lado mantinha as rodas traseiras praticamente verticais com qualquer carga a bordo, melhorando em muito a estabilidade. Estes novos parâmetros de desempenho levaram as três forças armadas a renovar suas frotas de Kombi na versão pick up.
Em 1978 recebia novos reforços estruturais e, para a transmissão, juntas homocinéticas. Com a dupla carburação o motor ganhava mais vida. Três anos depois era lançado o motor a diesel para a picape, com cabine simples ou dupla (este com terceira porta no lado direito), e o furgão. Tratava-se de um motor de 1.588 cm3 (76,5 x 86,4 mm, mesmo diâmetro do Passat 1,5 e curso do que viria a ser o motor AP-1800 em 1984), com potência de 50 cv a 4.500 rpm e torque máximo de 9,5 m.kgf. Estas alterações seriam acompanhadas nos anos seguintes pela versão cabine dupla da pick up, provocando um novo ciclo de aquisições das versões militares. Durante as décadas seguintes as três forças continuaram a adquirir as novas versões do modelo, estando em uso até a atualidade, devendo se manter em operação até pelo menos o ano de 2025.

Em Escala.

Para representarmos a VW Kombi Pick Up modelo 1963 pertencentes aos efetivos do Batalhão Suez, fizemos uso de um modelo em Die Cast na escala 1/32 do fabricante RMZ City, como veículo original representa um versão furgão, foi necessário realizar a conversão em scratch para o modelo pick up, procedendo o corte da cabine, construção do piso da caçamba e laterais, além da armação do suporte da lona, utensílios e resina produzidos pela Eletric Products complementaram o conjunto. Empregamos decais na escala 1/35 confeccionados sob encomenda pela mesma empresa, presentes no Set “Suez - 1957 / 1967".
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura padrão empregado em todos os veículos participantes das Forças de Paz da ONU  (Organização das Nações Unidas), em seu emprego no Brasil mantiveram durante toda sua carreira o padrão de pintura verde oliva do Exército Brasileiro.


Bibliografia :

- VW Kombi - http://pt.wikipedia.org/wiki/Volkswagen_Kombi
- Volkswagen do Brasil - www.volkswagen.com.br
- Batalhão Suez - http://www.batalhaosuez.com.br/