Republic P-47D RE 25 Thunderbolt

História e Desenvolvimento. 

A origem do  Republic P-47 Thunderbolt, também conhecido como "Jug", o maior, mais caro e mais pesado caça monomotor na Segunda Guerra Mundial,  remonta o ano de 1939 em processo de reequipamento do Corpo Aéreo dos Estados Unidos, quando a Republic Aviation projetou o caça bombardeio XP-41, esta nova aeronave estava equipada com um motor radial Pratt & Whitney R-1830 com sistema turbo compressor, trem de pouso retrátil e armado com duas metralhadoras .50. Apesar de ser uma promissora aeronave a USAAC rejeitou o projeto com alegação de que o mesmo apresentava desempenho insuficiente, por ser uma proposta interessante o corpo técnico militar chegou a propor a incorporação do mesmo turbo compressor empregado nos bombardeiros B-17.  Com base nesta orientação a aeronave foi reprojetada para acomodar o turbo compressor, este novo modelo receberia a designação de YP-43 e teve seu primeiro protótipo entregue em setembro de 1940, paralelamente os engenheiros Seversky e Kartvelli propuseram um novo conceito, no qual o a aeronave apresentaria uma cabine mais aerodinâmica e um cubo de hélice encobrindo o motor, de forma a reduzir o arrasto aerodinâmico imposto pela grande área frontal do motor radial, as qualidades previstas no projeto impressionaram tanto o comando da USAAC, que 80 unidades foram encomendadas antes mesmo da construção do primeiro protótipo.
As mudanças no projeto e produção resolveram gradualmente os problemas com o Republic P-47B Thunderboly , em equilíbrio, com a experiência, a USAAC decidiu que o modelo d era uma aeronave importante, gerando assim uma nova encomenda de mais 602 exemplares de uma versão melhorada denominada P-47C. A primeira célula desta nova variante seria entregue em setembro de 1942, era essencialmente similar ao P-47B, mas diferenciava por contar com reforços em todas as superfícies de controle de metal, foi dotado ainda com um regulador turbosupercharger de GE atualizado e um mastro de rádio vertical curto. Após a fabricação inicial de um lote de 57 P-47C novas melhorias correlatas seriam aplicadas, com produção sendo alterada para o modelo P-47C-1 com a contrução de 55 unidades que seriam seguidas por mais 128 aeronaves agora da versão P-47C-2, modelo este que passaria a contar com ponto duro sob a linha central para transporte de bombas ou tanques suplementares. Uma nova variante P-47C-5 introduziria o motor R-2800-59 com injeção de água-metanol. No final de 1942, a maioria dos problemas presentes na primeira versão P-47 haviam sido eliminados e assim decidiu-se enviar para a Inglaterra o 56º Fighter Group equipado com os novos P-47C-5, para assim se juntar a Oitava Força Aérea.

Desde o início, ele era armado com 8 metralhadoras Browning M2 12,7mm (.50) com 2500 cartuchos de vários tipos, apesar do projeto original prever apenas 2 metralhadoras. Experiencias colhidas em batalha pelo 56º Fighter Group, combinadas com novos refinamentos de projeto culminaram na versão P-47D. As primeiras células produzidas deste no modelo eram na verdade em suma o mesmo P-47C, da qual seriam produzidas 110 unidades sendo designadas pela Republic como P-47D-1-RA. A adição do sufixo final na designação do modelo fazia referência a unidade fabril produtora, sendo o RE destinado as aeronaves originarias da planta de Farmingdale, em Long Island, e o RA referente as de Evansville, Indiana. O modelo "D" na verdade consistia em uma série de blocos de produção em evolução, sendo que o último deles era visivelmente diferente do primeiro, sendo que as subversões P-47D-1 a P-47D-6, o P-47D-10 e o P-47D-11 incorporaram sucessivamente mudanças tais como a adição de mais flaps de refrigeração do motor ao redor do dorso do capuz para reduzir o sobreaquecimento do motor, problemas que tinham sido observados no campo. Já o P-47D-15 foi produzido em resposta a solicitações dos grupos de caça da USAAC e RAF em atendimento a necessidade de ampliação de alcance, incluindo sistemas de combustível sob pressão para drenar combustível dos tanques subalares. Já os P-47D-16, D-20, D-22 e D-23 eram semelhantes aos P-47D-15 contando apenas com sistema de combustível melhorado, subsistemas do motor e inclusão do motor R-2800-59 a partir da versão D-20.
Todos os Republic P-47 Thunderbolts produzidos até esta fase apresetavam uma configuração de fuselagem tipo "razorback" equipados com um canopy e pesadas molduras que deslizava para traz, gerando assim problemas de visibilidade na retaguarda da aeronave. Este problema já havia sido identificado pela Royal Force, que sugeriu a instalação de um canopy semelhante ao empregado nos Spitfires que eliminava as molduras. A fim de solucionar esta deficiência a versão P-47D-25 passou a contar com canopy em forma de bolha (bubbletop) que passou a ser entregue para a USAAF a partir de 1944.

Emprego no Brasil. 

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Brasil passou a ter uma posição estratégica tanto no fornecimento de matérias primas quanto no estabelecimento de pontos estratégicos para montagem bases aéreas e operação de portos na região nordeste. Por representar o ponto mais próximo entre o continente americano e africano a costa brasileira seria fundamental no envio de tropas, veículos, suprimentos e aeronaves para emprego no teatro europeu. Como contrapartida e no intuito de se modernizar as forças armadas brasileiras decidiu-se fornecer ao país os meios e as doutrinas para uma ampla modernização. Este processo se daria pela assinatura da adesão do Brasil aos termos do Leand & Lease Bill Act (Lei de Arrendamentos e Empréstimos) ), que viria a criar uma linha inicial de crédito ao país da ordem de cem milhões de dólares, para a aquisição de material bélico, proporcionando ao pais acesso a modernos armamentos, aeronaves, veículos blindados e carros de combate. Paralelamente além do envio de tropas ao teatro de operações europeu foi definido também o envio de uma unidade de combate de caça bombardeio para este mesmo front de batalha. Para atendimento a este acordo, seria criado em 18 de dezembro de 1943, o 1º Grupo de Aviação de Caça, que faria parte da dotação do 350 th Fighter Group da USAAC, para equipar esta unidade seria definido o emprego de caças bombardeiros Republic P-47D Thunderbolt.

O primeiro contado dos pilotos brasileiros com o modelo se deu em Suffolk Field, Long Island em Nova York durante o curso de formação e conversão para a aeronave envolvendo a qualificação e liberação dos brasileiros para o combate. Após este processo todo o contingente da FAB se deslocou por via naval para a Itália, onde chegaram no dia 06 de outubro de 1944. Os primeiros 31 P-47D de um lote original de 68 células destinadas a FAB foram transladados até a base de Tarquinia  a partir de 14 de outubro por pilotos brasileiros e já se encontram com as marcações nacionais, destas, 15 células eram da versão da P-47D-RE-25, e passaram a ostentar as designações "A3" , "A4", "D2", "B1", "C1", "C6" , "B1", "B3","B4","B5" e "D6", cabendo também a esta versão a aeronave emprega pelo comandante  da unidade Coronel Nero Moura o P-47 “1”.  As primeiras missões tiveram início em 31 de outubro, sendo inicialmente empregados em conjunto com esquadrões americanos visando a aclimatação no teatro de operações e as condições reais e combate. Infelizmente em em 08 de novembro ocorreu um acidente com a aeronave pilotada pelo 2º Tenente Aviador Oldegard Olsen, evento este desencadeado por uma por uma deficiência de projeto originada pela alteração do canopy para o tipo “bubbletop” que provocava o travamento do leme em manobras não coordenadas. Este problema só seria sanado com a a adição de uma quilha dorsal que foi fornecida pelo fabricante para instalação in loco.
Fora as 8 metralhadoras Browning M2 calibre .50 que equipavam o P-47D Thunderbolt , a aeronave era capaz ainda transportar uma considerável carga ofensiva e ampla variedade que iam desde bombas de emprego geral AN/M-43 de 500 lb, FTI (tanques de combustível incendiário) até foguetes não guiados M10 e M8A2. Ainda foram instaladas em pelo menos tres aeronaves no bordo de ataque do cabide de bombas, câmeras fotográficas obliqua KA-25 para assim melhor documentar e aferir o resultado das missões. Durante os 184 dias de operação na Itália os P-47D da Força Aérea Brasileira realizaram 2546 surtidas ofensivas e 04 defensivas distribuídas ao logo de 445 missões efetivas, das 15 células do modelo P-47D-RE-25 entregues a FAB na Itália, 5 foram perdidas em acidentes ou abatidas pela  artilharia anti aérea alemã, as restantes logo após o termino das hostilidades foram desmontadas e remetidas ao Brasil por via naval, sendo recebidas em julho de 1945 na cidade do Rio de Janeiro, onde foram montadas na base aérea do Galeão sendo transladadas em voo para a Base área de Santa Cruz, onde junto com células das versões P-47D-25/27/30 veteranas da campanha da Itália foram lotadas na dotação do recém criado 2º Grupo de Caça. 

Fora as 8 metralhadoras Browning M2 calibre .50 que equipavam o P-47D Thunderbolt , a aeronave era capaz ainda transportar uma considerável carga ofensiva e ampla variedade que iam desde bombas de emprego geral AN/M-43 de 500 lb, FTI (tanques de combustível incendiário) até foguetes não guiados M10 e M8A2. Ainda foram instaladas em pelo menos tres aeronaves no bordo de ataque do cabide de bombas, câmeras fotográficas obliqua KA-25 para assim melhor documentar e aferir o resultado das missões. Durante os 184 dias de operação na Itália os P-47D da Força Aérea Brasileira realizaram 2546 surtidas ofensivas e 04 defensivas distribuídas ao logo de 445 missões efetivas, das 15 células do modelo P-47D-RE-25 entregues a FAB na Itália, 5 foram perdidas em acidentes ou abatidas pela  artilharia anti aérea alemã, as restantes logo após o termino das hostilidades foram desmontadas e remetidas ao Brasil por via naval, sendo recebidas em julho de 1945 na cidade do Rio de Janeiro, onde foram montadas na base aérea do Galeão sendo transladadas em voo para a Base área de Santa Cruz, onde junto com células das versões P-47D-25/27/30 veteranas da campanha da Itália foram lotadas na dotação do recém criado 2º Grupo de Caça.
Posteriormente os já renomeados F-47D Thunderbolt foram transferidos para a Base Aérea de Natal onde passariam a dotar o novo 2º/5º Grupo de Aviação (Joker), criado com a incumbência de formar os pilotos de caça da FAB. A partir de 12 de outubro de 1956 todos os F-47 remanescentes foram concentrados em Fortaleza onde passariam a equipar o 1º/4º Grupo de Aviação (Esquadrão Pacau), porém infelizmente este processo teve vida curta pois o alto número de acidentes aliado a problemas crônicos de peças de reposição reduziu em muito a disponibilidade das aeronaves, levando a FAB a decidir pela desativação operacional dos F-47 em dezembro de 1957. Nesta fase restavam em voo somente 5 células do modelo P-47D-RE-25, com das demais estocadas ou perdidas em acidentes, sendo todas descarregas do inventario da FAB em 17 de março de 1958.

Em Escala.

Para representarmos o P-47D "C-1 226762" em seu período de operações na Itália,  empregamos o excelente kit da Academy na escala 1/48 embalado pela HTC Modelismo, que pode ser montado direto da caixa sem a necessidade de qualquer alteração para assim se representar a versão brasileira operada na Itália, antes da adoção uma quilha dorsal. Fizemos uso de decais confeccionados pela FCM que estão presentes no kit da HTC/Academy.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura padrão empregado na maioria das aeronaves recebidas no teatro de operações Italiano, sendo que apenas 3 das 15 aeronaves foram recebidas sem qualquer esquema de camuflagem, após o regresso ao Brasil as células mantiveram o padrão original até passarem pelo processo de revisão em âmbito e parque quando passar a adotar a pintura em metal natural com aplicação de verde oliva para parte superior frontal para evitar reflexos, este último padrão foi mantido até a desativação do modelo no ano de 1958.



Bibliografia :

- O Trator Voador por Jackson Flores Junior- Revista Força Aérea Nº 2
-  P-47D Thunderbolt - Wikipédia http://en.wikipedia.org/wiki/Republic_P-47_Thunderbolt
-  Republic P-47 Thunderbolt na FAB por Aparecido Camazano Alamino - Revista Asas Nº 62