P-47D Thunderbolt Blocks 27/28/30

História e Desenvolvimento. 

A origem do  Republic P-47 Thunderbolt, também conhecido como "Jug", o maior, mais caro e mais pesado caça monomotor na Segunda Guerra Mundial,  remonta o ano de 1939 em processo de reequipamento do Corpo Aéreo dos Estados Unidos, quando a Republic Aviation projetou o caça bombardeio XP-41, esta nova aeronave estava equipada com um motor radial Pratt & Whitney R-1830 com sistema turbo compressor, trem de pouso retrátil e armado com duas metralhadoras .50. Apesar de ser uma promissora aeronave a USAAC rejeitou o projeto com alegação de que o mesmo apresentava desempenho insuficiente, por ser uma proposta interessante o corpo técnico militar chegou a propor a incorporação do mesmo turbo compressor empregado nos bombardeiros B-17.  Com base nesta orientação a aeronave foi reprojetada para acomodar o turbo compressor, este novo modelo receberia a designação de YP-43 e teve seu primeiro protótipo entregue em setembro de 1940, paralelamente os engenheiros Seversky e Kartvelli propuseram um novo conceito, no qual o a aeronave apresentaria uma cabine mais aerodinâmica e um cubo de hélice encobrindo o motor, de forma a reduzir o arrasto aerodinâmico imposto pela grande área frontal do motor radial, as qualidades previstas no projeto impressionaram tanto o comando da USAAC, que 80 unidades foram encomendadas antes mesmo da construção do primeiro protótipo.

O iniciar das hostilidades na Europa deixou claro que tanto o P-43 quanto o P-44 eram inferiores aos novos Mersserschimit ME-109, levando assim ao cancelamento desta encomenda, mediante este novo cenário a Republic viria apresentar uma versão melhorada denominada XP-47A , porém a mesma foi rejeitada novamente, na necessidade de se evitar a perda de um novo contrato, os engenheiros Seversky e Kartvelli projetaram uma nova aeronave que apesar de diferir completamente da anterior recebeu a designação de XP-47B. Esta nova aeronave apresentava uma construção toda em metal (exceto para as superfícies de controle da cauda cobertas de tecido) com asas elípticas, com um bordo de ataque direto, que foi um pouco puxado para trás. Dispunha de uma cabine era espaçosa com um confortável assento para o piloto, era equipado com tanques de combustível auto selantes, contava com um motor Pratt & Whitney R-2800 Duplo Wasp de duas linhas de 18 cilindros produzindo 2.000 hp (1.500 kW), estes parâmetros de projeto renderam a contratação para a produção de um protótipo que alçou voo em 6 de maio 1941 com Lowry P. Brabham nos controles, novamente pequenos problemas de desempenho surgiram, motivando muitas modificações, até que a primeira versão recebeu a encomenda de 171 células, sendo a primeira entregue em maio de 1942.
As mudanças no projeto e produção resolveram os problemas com o Republic P-47B Thunderboly , assim a USAAC decidiu que o modelo era uma aeronave importante, gerando assim uma nova encomenda de mais 602 exemplares de uma versão melhorada denominada P-47C. A primeira célula seria entregue em setembro de 1942, era essencialmente similar ao P-47B, mas diferenciava por contar com reforços em todas as superfícies de controle de metal, foi dotado ainda com um regulador turbosupercharger de GE. Após a fabricação inicial de um lote de  P-47C novas melhorias seriam aplicadas, com produção sendo alterada para o modelo P-47C-1, a estes se seguiram o P-47C-2 e o P-47C-5. No final de 1942, a maioria dos problemas presentes haviam sido eliminados e assim decidiu-se enviar para a Inglaterra o 56º Fighter Group equipado com os novos P-47C-5, para assim se juntar a Oitava Força Aérea. Experiencias colhidas em batalha pelo, culminaram na versão P-47D. As primeiras células produzidas deste no modelo eram na verdade em suma o mesmo P-47C, sendo designadas como P-47D-1-RA. O modelo "D" na verdade consistia em uma série de blocos de produção em evolução, sendo que o último deles era visivelmente diferente do primeiro, sendo que as subversões P-47D-1 a P-47D-6, o P-47D-10 e o P-47D-11 incorporaram sucessivamente mudanças tais como a adição de mais flaps de refrigeração do motor ao redor do dorso do capuz para reduzir o sobreaquecimento do motor, problemas que tinham sido observados no campo. Já o P-47D-15 foi produzido em resposta a solicitações dos grupos de caça da USAAC e RAF em atendimento a necessidade de ampliação de alcance. Já os P-47D-16, D-20, D-22 e D-23 eram semelhantes aos P-47D-15 contando apenas com sistema de combustível melhorado, subsistemas do motor e inclusão do motor R-2800-59 a partir da versão D-20.

Todos os Republic P-47 Thunderlbot produzidos até este ponto tinham uma configuração de fuselagem tipo "razorback" com um canopy com pesadas molduras que deslizava para traz, gerando assim problemas de visibilidade na retaguarda da aeronave. Este problema já havia sido identificado pela Royal Force, que sugeriu a instalação de um canopy semelhante ao empregado nos Spitfires que eliminava as molduras. A fim de solucionar esta deficiência a versão P-47D-25 passou a contar com canopy em forma de bolha (bubbletop) que passou a ser entregue para a USAAF a partir de 1944. A alta cadencia de produção aliada as experiências obtidas em combate proporcionaram a inclusão no projeto de novos aperfeiçoamentos originando o P-47D-27 que passava a contar com um sistema de injeção de água melhorado, a versão subsequente a P-47D-28 foi equipada com uma nova hélice Curtiss Electric paddle-blade, em virtude do principal emprego da aeronave em missões de ataque ao solo freios de mergulho foram adicionados no P-47D-30, finalmente a última variante da versão Delta o P-47D-40 passou a contar com  a barbatana dorsal adicionada ao estabilizador vertical.
As últimas versões a serem produzidas foram o P-47M Thunderbolt, que tinha por objetivo ser uma variante de alta velocidade usando o motor R-2800-57 projetada para combater jatos alemães e aeronaves movidas a foguetes, e o P-47N versão de longo alcance projetada para o serviço no Teatro do Pacífico; equipada com o mesmo motor R-2800-57 e  asas maiores com pontas quadradas, com maior  capacidade de combustível. Entre 1942 e 1945 as unidades fabris de Farmingdale, em Long Island e Evansville, Indiana foram produziram 15.636 células de todas as versões.

Emprego no Brasil. 

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Brasil passou a ter uma posição estratégica tanto no fornecimento de matérias primas quanto no estabelecimento de pontos estratégicos para montagem bases aéreas e operação de portos na região nordeste. Por representar o ponto mais próximo entre o continente americano e africano a costa brasileira seria fundamental no envio de tropas, veículos, suprimentos e aeronaves para emprego no teatro europeu. Como contrapartida e no intuito de se modernizar as forças armadas brasileiras decidiu-se fornecer ao país os meios e as doutrinas para uma ampla modernização. Este processo se daria pela assinatura da adesão do Brasil aos termos do Leand & Lease Bill Act (Lei de Arrendamentos e Empréstimos) ), que viria a criar uma linha inicial de crédito ao país da ordem de cem milhões de dólares, para a aquisição de material bélico, proporcionando ao pais acesso a modernos armamentos, aeronaves, veículos blindados e carros de combate. Paralelamente além do envio de tropas ao teatro de operações europeu foi definido também o envio de uma unidade de combate de caça bombardeio para este mesmo front de batalha. Para atendimento a este acordo, seria criado em 18 de dezembro de 1943, o 1º Grupo de Aviação de Caça, que faria parte da dotação do 350 th Fighter Group da USAAC, para equipar esta unidade seria definido o emprego de caças bombardeiros Republic P-47D Thunderbolt.

O primeiro contado dos pilotos brasileiros com o modelo se deu em Suffolk Field, Long Island em Nova York durante o curso de formação e conversão para a aeronave envolvendo a qualificação e liberação dos brasileiros para o combate. Após este processo todo o contingente da FAB se deslocou por via naval para a Itália, onde chegaram no dia 06 de outubro de 1944. Os primeiros 31 P-47D de um lote original de 68 células destinadas a FAB foram transladados até a base de Tarquinia  a partir de 14 de outubro por pilotos brasileiros e já se encontram com as marcações nacionais.  As primeiras missões tiveram início em 31 de outubro, sendo inicialmente empregados em conjunto com esquadrões americanos visando a aclimatação no teatro de operações e as condições reais e combate. Infelizmente em 08 de novembro ocorreu um acidente com a aeronave pilotada pelo 2º Tenente Aviador Oldegard Olsen, evento este desencadeado por uma por uma deficiência de projeto originada pela alteração do canopy para o tipo “bubbletop” que provocava o travamento do leme em manobras não coordenadas. Este problema só seria sanado com a a adição de uma quilha dorsal que foi fornecida pelo fabricante para instalação in loco.Além das  8 metralhadoras Browning M2 calibre .50 que equipavam o P-47D Thunderbolt , a aeronave era capaz ainda transportar uma considerável carga ofensiva e ampla variedade que iam desde bombas de emprego geral AN/M-43 de 500 lb, FTI (tanques de combustível incendiário) até foguetes não guiados M10 e M8A2. Ainda foram instaladas em pelo menos tres aeronaves no bordo de ataque do cabide de bombas, câmeras fotográficas obliqua KA-25 para assim melhor documentar e aferir o resultado das missões.
Durante os 184 dias de operação na Itália os P-47D da Força Aérea Brasileira realizaram 2546 surtidas ofensivas e 04 defensivas distribuídas ao logo de 445 missões efetivas. Logo após o termino das hostilidades foram desmontadas e remetidas ao Brasil por via naval, sendo recebidas em julho de 1945 na cidade do Rio de Janeiro, onde foram montadas na base aérea do Galeão sendo transladadas em voo para a Base área de Santa Cruz, onde junto com células das versões P-47D-25/27/30 veteranas da campanha da Itália foram lotadas na dotação do recém criado 2º Grupo de Caça. Para honrar os acordos feitos antes do início da campanha a Força Aérea Brasileira receberia 19 células novas para recompor a dotação original, estas novas aeronaves eram da versão P-47D-30RA que foram trazidos em voo diretamente dos EUA por pilotos veteranos do 1º Grupo e Aviação de Caça, essas aeronaves diferiam em muito das operadas na Italia, pois dispunham de todas as atualizações incorporadas aos P-47D-40, como o novo visor e sistema de mira K-14B, novos cabides de bombas , provisão para o emprego de traje anti-g, novo sistema de lançamento de foguetes HVAR de 127 mm e também o revolucionário sistema NA/APS-13 que detectava a presença de aeronaves no quadrante traseiro, até uma distância de 8 quilômetros e dentro de um cone de abertura de 60º, dispondo esse dispositivo de um sistema de alerta áudio visual para o piloto.

Com o recebimento destas novas células determinou se que as aeronaves veteranas da campanha da Itália fossem destinadas ao 2º Grupo de Caça e os P-47D-30RA ao 1º Grupo de Aviação de Caça, onde as duas unidades viriam a executar as tarefas de formação de novos pilotos de combate e manutenção da operacionalidade de ataque. Em 1947 a FAB fazendo uso dos termos do acordo American Republic Project (ARP), viria a receber mais 25 aeronaves P-47D-30RA usadas que se encontravam estocadas nos Estados Unidos, sendo os mesmos revitalizados pela empresa TEMCO e entregues para translado nas instalações da USAAF em San Antonio no Texas, e possuíam poucas horas de voo, sendo que muitas sequer no máximo tinham 200 horas. Estas aeronaves foram distribuídas ao Esquadrão Misto de Instrução do Curso de Tática Aérea (EMICTA), que estava baseada em São Paulo, na Base Aérea de Cumbica. Em 1952 a Força Aérea Brasileira já ensaiava os primeiros passos para a substituição dos P-47D por aeronaves de caça a jato, e foi decido que os mesmo deveriam substituir os North American AT-6D do 3º/1º GAvCa nas tarefas de formação de pilotos, mas para isto necessitava-se recompor a quantidade de células dos já renomeados F-47 Thunderbolt, pois 24 acidentes acumulados desde 1945 aliados a canibalização de um grande número de aeronaves para suprimento de peças de reposição havia reduzido gravemente a disponibilidade do modelo. Assim em 1953, a FAB tratou de obter células adicionais através do Programa de Assistência e Defesa Mutua (MDAP), um total de 25 aeronaves foram escolhidas pela USAF, muitas oriundas de unidades de caça da Virginia Air Nacional Guard (Guarda Aérea Nacional). Novamente a TEMCO a se encarregou de revitalizar e preparar as células para o translado até o Brasil.
Posteriormente todos os F-47D foram transferidos e concentrados na Base Aérea de Natal onde passariam a dotar o novo 2º/5º Grupo de Aviação (Joker), criado com a incumbência de formar os pilotos de caça da FAB. A partir de 12 de outubro de 1956 todos os F-47 remanescentes foram concentrados em Fortaleza onde passariam a equipar o 1º/4º Grupo de Aviação (Esquadrão Pacau), porém infelizmente este processo teve vida curta pois o alto número de acidentes aliado a problemas crônicos de peças de reposição reduziram em muito a disponibilidade das aeronaves, levando a FAB a decidir pela desativação operacional dos F-47 em dezembro de 1957, sendo sua totalidade descarregadas do inventario da FAB em 17 de março de 1958.

Em Escala.

Para representarmos o P-47D "B-5 229265” empregamos o excelente kit da Academy na escala 1/48 embalado pela HTC Modelismo, em conjunto com set de conversão da Commando 5 em resina eu apresenta a barbatana dorsal sendo a mesma facilmente adaptada no modelo original. Fizemos uso de decais confeccionados pela FCM que estão presentes no kit da HTC/Academy.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura padrão presente em algumas das células entregues a FAB no teatro de operações da Itália durante a Segunda Guerra Mundial, após o regresso ao Brasil as aeronaves mantiveram este mesmo padrão principalmente com os insígnias nacionais americanizadas, até passarem pelo processo de revisão em âmbito e parque quando passar a adotar a pintura em metal natural com aplicação de verde oliva para parte superior frontal para evitar reflexos, este último padrão com algumas alterações como a inclusão de marcações de alta visibilidade foi mantido até a desativação do modelo no ano de 1958.


Bibliografia :

- O Trator Voador por Jackson Flores Junior- Revista Força Aérea Nº 2
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 por Jackson Flores
- P-47D Thunderbolt - Wikipédia http://en.wikipedia.org/wiki/Republic_P-47_Thunderbolt
- Republic P-47 Thunderbolt na FAB por Aparecido Camazano Alamino - Revista Asas Nº 62