Douglas A-26B Invader na FAB

História e Desenvolvimento.

A Douglas Aircraft Company foi fundada por Donald Wills Douglas Sr. em 22 de julho de 1921 em Santa Monica no estado da California, detém a marca mundial e se notabilizou com grandes feitos no mercado aeronáutico, entre eles ter desenvolvido a primeira aeronave norte americana a realizar um voo de circunavegação da terra em 1924. No entanto nos anos que se seguiriam a empresa ficaria famosa por produzir a série de aeronaves comerciais "DC" (Douglas Commercial), incluindo o que é frequentemente considerado o avião de transporte mais significativo já feito: o Douglas DC-3, que também foi produzido como um transporte militar conhecido como C-47 Skytrain ou "Dakota" em serviço britânico, porém também estaria presente  durante a Segunda Guerra Mundial presente com alto grau de importância no segmento de aviões de ataque. Em fins da década de 1930 a diretoria da empresa decidiu investir recursos próprios no desenvolvimento de uma nova aeronave média de bombardeio de alta velocidade deixando este projeto sob a tutela dos engenheiros aeronáuticos Donald Douglas, Jack Northrop e Ed Heinemann. Os trabalhos foram iniciados em fins de 1936, com os primeiros conceitos sendo apresentados no primeiro trimestre do ano seguinte. A aeronave destinada a missões de bombardeio leve, Este primeiro modelo designado Model 7A, porém, não chegou a passar da fase de projeto, sendo esta decisão foi influenciada por relatórios de inteligência sobre a campanha aérea da Guerra Civil Espanhola que apresentavam a necessidade e aeronaves de melhor performance. Em 1938 o United States Air Corp Army USAAC (Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos) deu início a uma concorrência para o desenvolvimento de uma nova aeronave média de bombardeio de alta velocidade, recebendo em sequência diversas propostas de fabricantes.  A fim de atender esta demanda a equipe de projetos da Douglas Aircraft Company apresentou em 26 de outubro o primeiro protótipo do Modelo 7B, apesar de são ser escolhido, o modelo logo lograria contratos de exportação e posteriormente suas novas versões seriam denominadas como A-20 Havoc, marcando importante presença em todos os fronts de combate da Segunda Guerra Mundial.

O B-26 Invader foi o último dos bombardeiros táticos bimotores a pistão dos Estados Unidos, e provavelmente o melhor de todos produzidos durante a Segunda Guerra Mundial, ele foi desenvolvido como substituto natural do A-20 Havoc, pela genial e habilidosa equipe de projetos da Douglas liderada por Edward H. Heinemann, Robert Donovan e  Ted. R. Smith.  O primeiro  protótipo designado como XA-26  voou em 10 de julho de 1942 na base aérea de Mines Field, El Segundo, apesar de mostrar bom perfil operacional foi severamente avaliada pelo corpo técnico da Força Aérea do Exército dos Estados Unidos (USAAF), que elencou uma série de alteração e especificações, com sua totalidade baseada na configuração de armamento ofensivo e defensivo. Estas demandas vieram a estender significativamente o cronograma de desenvolvimento final da aeronave, levando a aprovação da configuração final somente no inicio de 1944. Seu batismo de fogo ocorreria no teatro de operações na Europa quando e julho do mesmo ano uma esquadrilha de aeronaves do 553° Bomb Squadron baseado na Inglaterra, atacou alvos alemães na França ocupada. Apesar de elogios iniciais  das tripulações quanto ao desempenho, alguns problemas de projeto como fragilidade das pernas do trem de pouso e problemas no sistema de refrigeração dos motores, passaram a afligir a frota, reduzindo em muito suas surtidas de combate. Já no teatro de operações do Pacifico, inicialmente o modelo encontrou forte resistência a sua implantação, muito em virtude das tripulações estarem muito bem entrosada com a operação dos A-20 Havoc. O processo de convencimento foi árduo e por fim o A-26 Invader  (já nas versões aprimoradas com a correção das falhas de projeto) foi aceito integralmente por todas a unidades da USAAF naquele teatro, tendo participado das mais importantes batalhas.
O Douglas Invader oi originalmente desenvolvido em duas configurações distintas, com o A-26B dotado com um nariz sólido prevendo a instalação de diversas combinações de armamentos fazendo uso de metralhadoras calibre .50 e canhões de 20 mm, com as configurações mais distintas recebendo os codinomes de "six-gun nose"ou "eight-gun nose,  A versão A-26C era especifica para  missões de bombardeio de queda livre de média altitude, e para isto dispunha do nariz transparente em plexiglass  onde estava instalado um mira Norden, inicialmente duas metralhadoras M2 calibre .50  eram fixadas no nariz na fuselagem a exemplo dos A-20 Havoc, posteriormente a a partir de 1570° célula produzida estas armas foram substituídas por seis metralhadoras alojadas internamente nas asas. Com uma pesada carga útil de bombas e foguetes (até 1.814kg) grande capacidade de autodefesa aliado a um comando dócil e grande manobrabilidade o A-26 Invader reunia qualidades especiais que estavam separados em diversos modelos de aeronaves de ataque e caça. Cabe ainda ao Invader o  possível crédito de vitória em combate aéreo contra um jato alemão Messerschmitt Me-262, quando o A-26 pilotado pelo Major Myron L. Durkee, do 386° BG foi atacado por um grupo destas aeronaves durante o retorno de uma missão. Além do piloto, a tripulação era composta por um navegador que também executava as tarefas de carregador de munição das armas frontais, um terceiro assento estava localizado no compartimento traseiro e tinha por função a operação de controlar remotamente as torretas de metralhadora dorsal e ventral.

Apesar de receber grandes contratos de produção, estes foram revistos perto de final da Segunda Guerra Mundial, se limitando a apenas 2.452 células entregues até meados de 1945, porém ao contrario da grande maioria das aeronaves de ataque movida com motores a pistão que foram retiradas do serviço ativo após o conflito os Douglas A-26 Invader se manteriam na ativa, seja como vetores de reconhecimento na versão RB-26 ou variantes de ataque dos efetivos da USAAF estacionados na Europa. Durante a Guerra da Coréia (1950 - 1953) os A-26 do 3d Bombardment Group baseados no Sul do Japão,  estiveram entre os primeiros aviões norte americanos a se envolver naquele conflito,realizando missões sobre a Coréia do Sul em 27 e 28 de junho, antes de realizar a primeira missão de bombardeio da USAF em Coréia do Norte em 29 de junho de 1950, quando bombardearam um campo de aviação fora de Pyongyang.  Ao todo neste conflito os Douglas Invader foram responsáveis pela destruição de 38.500 veículos, 406 locomotivas, 3.700 caminhões ferroviários e sete aeronaves inimigas em terra.Além das versões de ataque padrão do B-26, que voavam em missões noturnas de interdição, um pequeno número de WB-26s e RB-26s modificados da 67ª ala de reconhecimento tático voavam missões críticas de observação e reconhecimento climático em papéis de apoio. Na década de 1950 um grande numero de células das versões A-26B e A-26C consideradas como "excedente de guerra", foram cedidas através de programa de apoio e ajuda militar a  França, Brasil, Colômbia, Chile, Republica Dominicana, Guatemala, Indonésia, Laos, Nicarágua, Peru, Portugal, Arabia Saudita, Reino Unido e Turquia.
Os aviões de ataque da Douglas seriam operados ainda em grande numero pela Central de Inteligencia America (CIA), com 20 células sendo entregues em uma base secreta desta organização na Guatemala onde exilados cubanos estavam sendo treinados para a malfada operação de invasão a Baia dos Porcos em 15 de maio de 1961. Sob a tutela da CIA mercenários (veteranos das missões em Cuba) pilotando Invaders modernizados foram empregados em ataques ao solo contra rebeldes Simba na crise do Congo. No entanto a despedida operacional dos A-26 Norte Amercanos aconteceria no Sudeste Asiático, quando seis aeronaves chegaram em Takhli RTAFB, Tailândia,  em dezembro de 1960, sendo operadas por tripulações da CIA, com estra frota sendo incrementada ao longo dos meses seguintes.A  missão de todas essas aeronaves era ajudar o governo do Laos a combater a guerrilha comunista de  Pathet Lao. Já na guerra do Vietnã a USAF faria uso da versão mais moderna da aeronave denominada A-26K Counter-Invader para emprego em missões de ataque e supressão contra as tropas norte vietnamitas principalmente na campanha contra a Trilha Ho Chi Minh, Esta variante  passava a contar com significativas melhorias atualização de motores, hélices, taques de combustível suplementares nas pontas das asas e sistema de FLIR, se mantendo em serviço até fins do ano de 1969.

Emprego no Brasil.

Logo após o final da Segunda Guerra Mundial a Força Aérea Brasileira despontava com uma das maiores forças áreas do mundo, contando com mais de 1.500 aeronaves de primeira, contando ainda com uma considerável frota de aeronaves de ataque operadas por equipes altamente especializadas com experiencias de combate. Logo no inicio da década seguinte o Departamento de Estado do Governo Norte Americano estava intensificando suas ações de "boa vizinhança" procurando aumentar sua influencia através de programa de auxilio e apoio em diversos setores. Neste momento foi apresentada uma oferta de cessão de aeronaves de ataque Douglas A-26 Invader em condições extremamente favoráveis, esta oportunidade no entanto foi negada pelo Ministério da Aeronáutica pois naquele momento a frota de bombardeiros North American B-25 Mitchel atendia a contento  as demandas em missões de ataque, não sendo recomendada assim a adoção de um novo vetor de ataque. Porém esta realidade se transformaria rapidamente, pois em 1956 chegava ao fim o plano de suporte norte americano a operação dos B-25 Mitchel tendo em vista que sua produção já havia sido descontinuada há mais de 10 anos, este fator aliado ao desgaste natural das células levaria a redução dos índices de disponibilidade da frota. Este cenário levaria ao desenvolvimento de estudos visando a aquisição de uma vetor destinado as missões de bombardeio, com as aspirações do comando da FAB pendendo para a escolha dos bombardeios a reação English Eletric Canberra B.8 e T.4, porém a realidade orçamentaria daquele período inviabilizaria a concretização desta compra.

Diante deste panorama, o Ministério da Aeronáutica, acabou se sensibilizando com uma nova oferta de aeronaves de ataque e bombardeio Douglas A-26  Invaders feita por Washington dentro dos termos do Plano de Ajuda e Defesa Mutua  constantes no Acordo de Assistência Militar para a cessão de  28 aeronaves  dispostas nas versões A-26B e A-26C. Uma equipe de oficiais da FAB se deslocou para a base aérea de Davis em Montana (tradicional base de recolhimento e estoque de aeronaves da Força Aérea Americana) a fim de avaliar e escolher as aeronaves em melhor estado de conservação. As células escolhidas foram transladadas para as instalações de apoio e manutenção da Fairchild localizadas Saint Augustine na Florida e Hagerstown em Maryland a fim de serem submetidas a uma completa revisão estrutural. As primeiras quatro células chegaram ao Brasil em setembro de 1957, sendo seguidas por outros 24 aviões divididos em seis voos de translado com a ultima aeronave chegando em fevereiro do ano seguinte. Foram recebidas 14 aeronaves da versão A-26B que estavam equipados com o formidável arsenal orgânico de seis metralhadoras Browning M2 de 12,7 mm dispostas no nariz, 2 M2 em uma torreta dorsal (salientando que todos os Invaders brasileiros não dispunham da torreta ventral).Ao chegarem ao Brasil, os A-26 ostentavam um acabamento em metal natural, com as naceles dos motores em preto fosco, bem como um painel anti-brilho à frente da cabine de pilotagem; o leme era pintado com as cores verde e amarela. Estas células foram distribuídas ao 1 º e 2 º Esquadrões do 5 º Grupo de Aviação, onde passariam a realizar missões de ataque e bombardeio, tendo como atribuição secundária o  treinamento operacional, neste processo de formação o  1º/5º GAv  estava encarregado das tarefas instrução de ataque e bombardeio e o 2º/5º GAv encarregado pela transição para aeronaves multimotoras
No entanto a operação dos  agora designados na FAB como B-26B revelou-se não ser das mais fáceis, e logo surgiram sérios problemas relacionados a dificuldades com a manutenção e a inexistência de material de reposição em um fluxo adequado, resultando assim em  baixas taxas disponibilidade. Em 1963 devido a este fator o modelo deixou de  utilizado em tarefas de treinamento, com as aeronaves sendo substituídas nas missões de treinamento junto ao 2º/5º GAV por aeronaves Beechcraft H-18S (TC-45T), As células remanescentes operacionais foram concentradas no 1º/5º GAV que passou a desempenhar exclusivamente missões de ataque e bombardeio, subordinado ao Comando Aerotático Terrestre. As aeronaves cedidas a Força Aérea Brasileira em sua maioria foram produzidas entre 1944 e 1945 e no inicio da segunda metade da década de 1960 já mostravam sinais de desgaste operacional, neste período o Programa de Assistência Militar Norte Americano desenvolveu o projeto "Wing Spar", a fim de substituir as longarinas das asas dos A-26 então em uso por várias forças aéreas latino-americanas, curiosamente a FAB optou por não participar deste processo, levando aceleramento do processo de desgaste, levando vários B-26 a apresentarem rachaduras nas longarinas das asas, com o primeiro caso ocorrendo em maio de 1966.De forma a corrigir este problema, em junho de 1967 foram enviados à Hamilton Aircraft Co. (Tucson, Arizona) os dezesseis exemplares em melhores condições (12 B-26B e quatro B-26C). Além dos reparos estruturais, as aeronaves também tiveram modificados seus aviônicos, sistemas de comunicação, canopi e armamento (com a remoção da torreta dorsal).

Um dos aviões enviados foi substituído por outro, adquirido nos Estados Unidos., por apresentar excessiva corrosão. Outros três foram adquiridos a fim de substituírem aeronaves que haviam sido perdidas durante operação no Brasil.Os B-26 emergiam dessas modificações pintados com a metade superior da fuselagem (incluindo as naceles dos motores) pintados em verde médio, brilhante, e metade inferior em cinza médio. Na deriva, foi pintado um retângulo com as cores verde e amarela. Os primeiros quatro Douglas A-26B Invader retornaram ao Brasil em 7 de setembro de 1968 onde foram reincorporados ao 1º/5º GAv. A partir de 1970, as aeronaves foram sendo progressivamente redesignadas como A-26B e A-26C. Em 1971, nove A-26 foram transferidos para o 1º/10º GAV, então sediado na Base Aérea de São Paulo, tornando-se assim a terceira unidade da FAB a utilizar o tipo. Missões de ataque, reconhecimento fotográfico, esclarecimento marítimo e COIN (contra-inssurreição) foram realizadas por aquela unidade. Uma célula a mais ainda seria incorporada em 1970, sendo fruto da apreensão pela Policia Federal por emprego em contrabando e trafico de drogas, como esta aeronave estava configurada para operação civil de transporte de carga, foi no âmbito da força aérea designada como CB-26B passando a ostentar a matricula FAB 5176.
Apesar de da carreira do modelo estar se aproximando do fim, aparentemente os Invader participaram de algumas ações de combate real em 1972 /1973, quando foram empregados em missões secretas de contra insurreição e reconhecimento fotográfico contra o movimento de luta armada do Partido Comunista do Brasil na região do Araguaia, incursões estas que foram cercadas de grande sigilo naquele conturbado período.Apesar da correção estrutural realizada em 1967, já em 1972 foram detectadas rachaduras nas longarinas das asas. Em meados de 1974, apenas doze exemplares encontravam-se em uso; os B-26/A-26 foram sendo gradualmente retirados do serviço ativo da FAB até dezembro de 1975. Um deles, FAB 5159 (U.S. BuNo 41-39288), originalmente um B-26C e modificado em 1968 para a versão B-26B, encontra-se hoje em exposição no Museu Aeroespacial.

Em Escala.

Para representarmos o A-26B Invader “FAB 5159”, empregamos o novo kit da Revell na escala 1/48 que se utiliza do antigo model da Monogram, apresentando linhas de alto relevo, para se representar a versão modernizada empregada pela Força Aérea Brasileira, temos de remover as torretas de metralhadora dorsais e ventrais. Fizemos uso de decais produzidos pela FCM que estão presentes no antigo Set 48/03.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura tático adotado pelas aeronaves A-26B e A-26C após o programa de retrofit e modernização realizado na Hamilton Aircraft Corp em 1967, mantendo este padrão até o fim de sua carreira.


Bibliografia :

- Douglas A-26 Invader , Wikipedia - https://en.wikipedia.org/wiki/Douglas_A-26_Invader
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 – Jackson Flores
- Invader na FAB , Claudio Lucchesi e José R. Mendonça  - Revista Asas  nº 10