Chevrolet C-60 e D-60 Militar

História e Desenvolvimento.

A General Motors iniciou suas atividades no Brasil em janeiro de 1925 em resultado da estratégia de expansão internacional do grupo norte-americano, decisão que o levou naquele mesmo ano a inaugurar diversas filiais em países estrangeiros. Arrendando um prédio industrial , na cidade de São Paulo, em setembro a GM entregou seu primeiro carro montado no país  um furgão leve Chevrolet. Os veículos ali fabricados (automóveis, caminhões e comerciais leves) eram importados sob a forma CKD, porém com motores e transmissões totalmente montados. Praticamente não havia agregação de componentes nacionais, a menos de algumas partes não metálicas da carroceria. Os carros eram entregues completos ou em conjuntos compostos por chassi nu e capô para encarroçamento por terceiros. Ao final de 1927 a GM iniciou a construção de uma fábrica própria em São Caetano do Sul (então distrito de São Bernardo do Campo, do qual se emanciparia em 1948). A unidade foi inaugurada em agosto de 1930, em meio à depressão econômica mundial gerada pela quebra da Bolsa de Nova Iorque. Vendendo menos de 1.600 veículos em 1932, a empresa foi salva, por ironia, pela chamada Revolução Constitucionalista ocasião na qual a administração estadual adquiriu toda a produção da GM, ao mesmo tempo em que a contratava para a adaptação dos veículos ao uso militar. Em 1940, 75% dos furgões e caminhões aqui vendidos pela GM tinham carrocerias por ela localmente fabricadas. Com isto a empresa firmou posição como fabricante, atingindo, em 1942, a marca de 150.000 veículos montados no país.

Terminada a guerra, a empresa retomou a montagem de caminhões e automóveis (inclusive Opel alemães e Bedford ingleses), mas não abandonou a bem-sucedida trilha da fabricação de ônibus. Assim, em 1948 lançou sua primeira carroceria totalmente metálica – uma das primeiras do país –, construída com matérias-primas 100% nacionais (àquela altura todo o material necessário podia ser obtido no país. Em 1950, o presidente da república Getúlio Vargas, criou a Comissão de Desenvolvimento Nacional, cuja principal tarefa seria a coordenação do grande surto industrial do pós-guerra. Um dos setores que mais preocupavam o governo era o automobilístico, devido às perdas de divisas geradas pela importação de veículos> Integrando-se à nacionalização, a GMB passou a equipar suas camionetas com caçambas metálicas brasileiras e Visando a diminuir a perda de divisas, o governo brasileiro resolveu limitar em 1953, a importação de peças e componentes mecânicos, decidindo que só poderiam ser comprados nos exterior os que não tivessem similares fabricados no Brasil; além disso, vetou totalmente a importação de veículos a motor já montados. Como consequência da política governamental, criou-se em 1956 o GEIA – Grupo Executivo da Indústria Automobilística -, que, no mesmo ano, aprovou o plano de fabricação de caminhões Chevrolet. Em junho de 1957 os caminhões Chevrolet já contavam com cerca de 40% (em peso) de componentes nacionais; naquele ano foram fabricadas 5.370 unidades do modelo 6503, para seis toneladas.
Se no setor de carros a estratégia de crescimento da GM parecia segura, o mesmo não acontecia com os caminhões, que passaram a ser motivo de preocupação para a empresa. Ainda que a Chevrolet fosse líder inconteste no segmento de caminhões médios a gasolina (71,7% do mercado, em 1974, contra 24,4% da Ford) e ocupasse o segundo posto no mercado total (respondendo por 25,6%, depois da líder Mercedes-Benz), sua presença na frota diesel era inexpressiva, em especial nas unidades de maior porte, cuja demanda vinha crescendo ininterruptamente. Ora, o perfil do mercado vinha se transformando rapidamente nos últimos anos (mais de ¾ da frota nacional já era diesel) e a GM apenas timidamente tentou segui-lo, com o lançamento tardio (em 1965) de alguns poucos modelos diesel, sempre apoiados nos seus ultrapassados modelos de caminhões médios, vindos dos anos quarenta. Em meados da década de 70 a GM decidiu pela construção de uma fábrica de motores Detroit Diesel no país. O lançamento da família de caminhões médios C-60 4X4 e 6X6 traria um novo alento as vendas da marca no Brasil e foi primeiro caminhão médio planejado e ferramentado totalmente no Brasil em 1964, utilizando o chassi e mecânica do seu antecessor, o famoso Chevrolet Brasil. No começo dos anos 70, com o grande aumento de preço do petróleo e o subsídio ao diesel, deixou-se de fabricar motores a gasolina para veículos de carga e muitos, inclusive, tiveram os motores adaptados, nascia assim a versão D-60 que passou a ser dotada com motores Perkins. 

A primeira reestilização do D60 ocorreu em 1967, quando foram modificados o capô, o painel de instrumentos, a grade – que ficou mais “harmoniosa”, conforme a propaganda da época reproduzida ao lado – e dois sealed-beans substituíram os quatro faróis. A escolha do motor dependia do uso: ou o torque elevado do motor diesel ou o desempenho e a elasticidade dos 151 cv do motor à gasolina.  O custo do transporte aumentou e ajudou a definir o papel das categorias de caminhões: pesados para a estrada; médios e pequenos para uso urbano. O Chevrolet D60, impulsionado pelo motor Perkins 3567 de seis cilindros (durante algum tempo, também foi utilizado o motor dois-tempos Detroit Diesel, de quatro cilindros), tornou-se então uma solução econômica para trabalhos mais leves e viagens curtas, bem como para usos específicos, como carroceria basculante, compactadores de lixo, entrega de botijões de gás e furgão de entregas e mudanças. A GM também produzia o D70, com maior capacidade de carga, rodas raiadas e motor mais potente, mas o preferido dos transportadores era o D60 no “toco”, porque o terceiro eixo o deixava “meio lento”, segundo alguns motoristas.
Em 1979, o Chevrolet D 60 recebeu uma “maquiagem” que incluía nova grade, painel mais moderno, uma “bolha” no teto para melhorar a ventilação e pequenos detalhes relativos à segurança: barra de direção não-penetrante, volante acolchoado em espuma, retrovisores maiores. Sua carreira se encerrou em 1985, quando sua cabine foi totalmente renovada e recebeu outras denominações: D11000 e D13000. Mas neste período a General Motors do Brasil optou por encerrar a fabricação de caminhões, centrando seus esforços na comercialização dos modelos importados americanos  da marca GMC.

Emprego no Brasil.

Na segunda metade da década de 1950 o Exército Brasileiro ainda dispunha em sua frota de caminhões de transporte dos já obsoletos GMC CCKW e Studebaker fornecidos pelos Estados Unidos nos termos do Leand Lease Act durante a Segunda Guerra Mundial, a idade avançada dos modelos e a deficiência no suprimento de peças de reposição gerava baixos índices de disponibilidade, prejudicando a capacidade de mobilidade da força. Visando atender emergencialmente deficiências em sua frota de combalidos caminhões de transporte o comando do Exército optou por uma solução caseira, adquirindo caminhões nacionais militarizados a partir de 1957, como os FNM D 11.000 e Mercedes Benz LP-321 a partir de 1960.Apesar de atenderem a lacunas emergências com caminhões nacionais, ainda havia muito a se fazer para devolver ao Exército seu poder de mobilidade, estudos para a repotencialização dos GMC CCKW e Studebaker foram conduzidos, porém concluiu-se que tal processo seria extremamente oneroso e de risco por nunca ser realizado no pais um processo desta magnitude, e que seria muito mais viável economicamente encomendar caminhões novos de fabricação nacional. Um dos grandes desafios era o de proporcionar capacidades militares aos modelos civis existentes no mercado, permitindo assim operar nos ambientes fora de estrada característicos dos veículos de emprego militar.

A Engesa – Engenheiros Especializados S.A. foi o mais importante produtor de equipamentos militares de uso terrestre do país. Fundada em 1958, por um grupo de liderado por José Luiz Whitaker Ribeiro, a empresa, que nos primeiros anos se dedicou à fabricação de equipamentos para a prospecção. Congregando em seu quadro técnico profissionais de excelente formação, muitos deles oriundos do ITA, a história de sucessos da empresa teve início em 1966, com o projeto e fabricação de um sistema de tração 4×4 para equipar veículos de série nacionais, composto de caixa de transferência com duas tomadas de força, eixo dianteiro direcional e guincho (opcional). Comercialmente anunciado como Tração Total, logo foi seguido das versões 6×4 e 6×6, ambas aproveitando eixos e feixes de molas traseiros originais do veículo. Preparada para as linhas de picapes e caminhões Chevrolet e Ford (e mais tarde Dodge), a Tração Total Engesa dotava-os de comportamento fora-de-estrada de desempenho desconhecido no país em veículos da categoria.  (um caminhão F-100 6×6, por exemplo, tinha a capacidade de carga duplicada, podendo galgar rampas de até 85%). O sistema  assim foi patenteado no Brasil e no exterior, criando interesse também por parte das forças militares brasileiras, chegando em 1967 o projeto de "Tração Total" sendo oficialmente classificado  “de interesse para a Segurança Nacional“.
No início de 1960 o Exército Brasileiro adquiriu algumas unidades da versão civil do caminhão Chevrolet D-60 para tarefas de emprego geral. Sua utilização foi bem avaliada internamente correspondendo as missões a ele destinada, demonstrando ainda que o projeto possui potencial evolutivo. Desta maneira foram solicitados a empresa Engesa S/A estudos para a militarização da família de caminhões da Chevrolet, o ponto de partida deste trabalho estava baseado na conversão realizada por esta empresa anteriormente, nas caminhonetes Chevrolet C-1416 envolvendo a adaptação da tração dianteira. Com o protótipo do caminhão Chevrolet C-60  4X4 levado a testes em 1963, foram definidos os parâmetros finais para a criação de uma nova linha de caminhões militares utilitários com tração 4X4 e 6X6. Os primeiros contratos foram assinados entre as empresas envolvidas e o Ministério do Exército em 1965, com os primeiros lotes sendo entregues a partir do ano seguinte. O modelo final pouco diferia visualmente da versão civil, se destacando a tração 4X4, para-choques reforçados, carroceria modificada e a inclusão de um gancho traseiro para o tracionar reboque ou pequenas peças de artilharia.

Neste estágio tanto as versões básicas utilitárias como cisterna de combustível, socorro e transporte e bombeiro passaram a ser adotadas também pela Força Aérea Brasileira e Marinha do Brasil, após observarem o êxito no emprego das versões militarizadas 4X4 e 6X6 do exército, também celebraram acordos de aquisição destes modelos com tração total da Engesa. Uma versão policial para transporte de tropas de reação rápida em distúrbios urbanos também foi criada, sendo fornecida a diversos estados brasileiros, tendo como seu maior utilizador a Policia Militar de São Paulo Os caminhões militares Chevrolet – Engesa C-60 6X6 apresentavam a capacidade de operar em terrenos difíceis com uma carga útil de 5.000 kg, ou ainda tracionar peças de artilharia com o mesmo peso. As versões a diesel com motor Perkins 3567 de seis cilindros passaram a ser fornecidas ao Exército Brasileiro e demais forças armadas, a partir de 1970 recebendo as designações D-60 nas versões 4X4 e 6X6 para emprego como transporte geral, oficina de reparos gerais, reboque, transporte de combustível, cisterna e basculante.
No inicio da década de 1970 as forças armadas brasileiras continuaram a encomendar lotes sucessivos dos Chevrolet C-60 e D-60, no entanto o advento do lançamento das versões dos caminhões Mercedes Benz 1111 e 1213 militarizadas pela Engesa começaram a ganhar espaço dentro das organizações militares devido a perfil superior de desempenho. Este fator levaria ao fim dos contratos compra dos caminhões da Chevrolet, foi definido que as futuras renovações de frota seriam direcionados a Mercedes. A partir da segunda metade da década de 1980 iniciou-se um gradativo processo de desativação, com dezenas de veículos se mantendo em serviço até meados a década de 1990.

Em Escala.

Para representarmos o Chevrolet C-60 4X4 EB22-35164, empregamos como ponto de partida um modelo em die casta da coleção Caminhões de Outros Tempos da Editora Altaya na escala 1/43, procedendo a customização para a versão militar. Empregamos decais confeccionados pela decais Eletric Products pertencentes ao set  "Exército Brasileiro  1942/1982".

O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura do Exército Brasileiro aplicado em todos seus veículos militares desde a Segunda Guerra Mundial até a o final do ano de 1982, quando foram alteradas com inclusão de um esquema de camuflagem em dois tons, se mantendo este até sua gradativa desativação a até o início da década de 1990.

Bibliografia :

- Caminhões Brasileiros de Outros Tempos  – MB LP-321/331 , editora Altaya
- Veículos Militares Brasileiros – Roberto Pereira de Andrade e José S Fernandes
- Lexicar Brasil – Chevrolet www.lexicar.com.br
- Revista Carga Pesada – Edição 125