Sikorsky SH-34J no Brasil

História e Desenvolvimento.

No inicio da década de 1950 com, a Guerra da Coreia em pleno curso, a Marinha dos Estados Unidos (USN) decidiu aprimorar sua capacidade de guerra antissubmarino para assim poder rivalizar com a crescente ameaça soviética que sistematicamente aumentava sua frota de submarinos de ataque. Naquele período o Sikorsky S-55 representava a plataforma padrão para este tipo de missão, e apresentava limitações de projeto. Assim desta maneira o comando da US Navy definiu a  necessidade de se dispor de um vetor de asas rotativas com uma melhor performance e com a possibilidade de poder portar além de armamento um varia suíte eletrônica e sistemas de sonar e radar destinados a guerra antissubmarino (ASW). Com a definição dos requisitos técnicos, a US Navy no inicio de 1952 emitiu uma solicitação de propostas  para concorrência para contratos de aquisição a  diversas empresas, entre elas Sikorsky Aircraft Corporation que já detinha grande experiencia na produção de aeronaves militares de asas rotativas. 

Sagrando se como vencedora a Sikorsky apresentou seu projeto denominado como S-58, esta nova aeronave apresentava desempenho e eficiência superiores aos modelos em uso pela US Navy em missões de guerra antissubmarino, com a celebração do contrato de produção o helicóptero recebeu a designação militar de HSS-1. Seu desempenho superior era proporcionado por soluções inovadoras como a instalação de um motor de maior potência, rotor principal de maior diâmetro e quadripá e sistema de transmissão de confiabilidade e eficiência muito superiores ao já obsoleto S-55. Com o primeiro contrato assinado em 1953 o período de desenvolvimento foi relativamente rápido, com o primeiro de três protótipos realizando seu primeiro voo em 8 de março de 1954, após um extensivo programa de ensaios e voo o modelo foi liberado para produção em série no mesmo ano. Os primeiros HSS-1 começaram a ser recebidos nos esquadrões de helicópteros de guerra antissubmarino entre agosto de 1955 e abril de 1956 quando foi feita a entrega da última aeronave de uma encomenda de 385 unidades nas versões HSS-1 e HSS-1N.
Com a produção a pleno vapor em meados de 1954, as múltiplas qualidades do S-58 atraíram ainda o interesse do United States Army (US Army) e do United States Marine Corps (USMC), que buscavam uma aeronave de asas rotativas de grande porte para o transporte de tropas. Assim estas duas forças não tardaram em assinar contratos de encomenda, com a USMC adquirindo 515 exemplares sob a designação de HUS, enquanto o US Army contratou a produção de 437 desses helicópteros que passaram a receber a designação de H-34A. O quarto cliente militar da aeronave foi a Força Aérea Americana que contratou a aquisição da versão S-58 em distintos lotes que totalizariam 23 aeronaves designadas HH-34D e UH-34D, com alguns sendo destinados a exportação para países amigos. De todos os operadores do S-58, coube ao Corpo de Fuzileiros Navais (USMC) o batismo de fogo destes helicópteros, empregando os extensivamente em missões de transporte de tropas, cargas e evacuação aeromédica os anos iniciais do envolvimento norte americano na Guerra do Vietnã. Em 1962 o modelo teve sua designação alterada na Marinha Americana, para SH-34G e SH-34J, com muitos destes retirados dos estoques da USN, revisados e exportados para diversas nações amigas dentro dos tramites do Programa de Assistência e Defesa Mutua (MDMAP). Ao terminar da década de 1950 coube ainda ao USMC operar oito aeronaves na versão HUS-1Z destinados ao transporte do presidente dos Estados Unidos, sendo o primeiro chefe de estado a empregar regularmente o helicóptero como meio de transporte.

Coube ainda aos H-34 do Corpo de Fuzileiros Navais (USMC) ser uma das primeiras plataformas de asas rotativas armadas a serem testadas no teatro de operações do Sudeste Asiático, sendo equipados com o Temporary Kit-1 (TK-1), que era or duas metralhadoras M60C e dois foguetes de 19,75 polegadas, Apesar das operações gerarem grandes expectativa por parte das equipes da USMC o H-34 armados conhecidos como "Stingers", foram rapidamente alvejados ou abatidos no campo de batalha, no entanto esta experiencia foi fundamenta para o desenvolvimento do kit  TK-2 que foi aplamente empregado junto aos Bell UH-1E do USMC.  O modelo da Sikorsky  permaneceu em serviço nas unidades de aviação do Exército dos EUA e do Corpo de Fuzileiros Navais até o final da década de 1960; sendo também o equipamento padrão nas unidades de aviação da Reserva do Corpo de Fuzileiros Navais, Reserva do Exército e Guarda Nacional do Exército, sendo eventualmente substituído pelo helicóptero utilitário  Bell UH-1 Iroquis. A Sikorsky encerrou todas as atividades de produção em 1968, tendo sido construídas 1.821 aeronaves. Todos os helicópteros H-34 foram retirados do serviço militar dos EUA no início da década de 1970, e o tipo que tem a distinção de ser o último helicóptero com motor a pistão a ser operado pelo Corpo de Fuzileiros Navais. Em 3 de setembro de 1973,  foi realizado o último vôo de um UH-34 matricula 147191, pertencente ao USMC que estava em serviço junto  ao Esquadrão da Sede, FMF Pacific.
No mercado civil o sucesso se repetiria em função das excelentes características do S-58 e obtendo melhores resultados após a implementação de kits que o dotavam as células originais com o motopropulsor Pratt & Whitney PT6T-3 Turbo-Pac. Além das aeronaves produzidas pela Sikorsky, e também foram produzidas 382 células sob licença pela Westland sob a designação de Wessex HAS.1, HAS.2,HAS.3 e HU.5. Além de Estados Unidos e Inglaterra foram operados pela França, Austrália, Brasil, Brunei, Gana, Iraque, Omã, Uruguai, Canada, Bélgica, Argentina, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Alemanha Ocidental, Haiti, Indonésia, Itália, Israel, Japão, Laos, Holanda, Nicarágua, China, Filipinas e Tailândia.

Emprego no Brasil.

Em 1956 a Marinha do Brasil realizou a aquisição de seu primeiro porta aviões desencadeou, na Força Aérea Brasileira, as primeiras providências para a ativar e dotar uma unidade aérea especificamente destinada a compor o grupo aéreo daquela embarcação, sendo criado em 6 de fevereiro de 1957 o 1º Grupo de Aviação Embarcada (1ºGAE), que deveria ser dotado em sua formatação final por aviões Grumman S2F-1 Tracker e helicópteros Sikorsky HSS-1, sendo fornecidos pelos Estados Unidos sobre a égide do Programa de Assistência e Defesa Mutua (MDMAP). Enquanto aguardava-se o recebiemento dos novos vetores a unidade foi temporariamente equipada com aeronaves North American B-25J e helicópteros Bell H-13J. Concluídos todos os preparativos para o recebimento do novo material, em fevereiro de 1961, a Força Aérea Brasileira recebeu seus dois primeiros helicópteros de guerra antissubmarino. com os demais sendo recebidos semi desmontados a bordo de aeronaves da  C-124 USAF até meados do mesmo ano, sendo então sendo preparadas para voo por mecânicos da FAB e por representantes técnicos do fabricante americano.

Não existem registros exatos sobre a real versão dos S-58 fornecidos a FAB,  e apesar de serem células recém fabricadas para a US Navy do modelo HSS-1, foram logos transferidas a USAF em atenção ao projeto do Programa de Assistência e Defesa Mutua (MDMAP), prevendo assim a transferência a FAB. Algumas fontes indicam que eram versão HSS-1 (posteriormente redesignados SH-34G) e outras sugerem que eram helicópteros HSS-1N (posteriormente redesignados SH-34J), no entanto em face da existência de equipamentos de sonar NA/ASQ-5, radar altímetro NA/APN-117 nos seis helicópteros recebidos, típicos do HSS-1N e não do HSS-1 (SH-34G), assim as evidencias apontam para o fato de que as aeronaves recebidas pela FAB, representavam o modelo mais moderno. Os seis Sikorsky SH-34J foram incorporados ao 2º/1º Grupo de Aviação Embarcada (1º/2ºGAE), que já dispunha de um núcleo de pessoal treinado pela USN para a operação da aeronave, sendo possível dar início ao ano de instrução e em paralelo, formar a doutrina de emprego na FAB de guerra antissubmarino com base em plataformas de asas rotativas. 

No entanto este processo foi prejudicado pelo embate entre a marinha e aeronáutica quanto a jurisdição sobre as aeronaves a serem operadas a partir do convés do navio aeródromo A-11 Minas Gerais, sendo que a maioria do processo de formação de doutrina operacional foi realizado com base em terra, abrindo caminho também para missões de transporte de pessoal e carga, tendo em visto sua capacidade e desempenho. Este impasse só seria resolvido em 26 de janeiro de 1965, onde o Decreto de Lei Federal nº 55.627, determinava a Marinha a operação de aeronaves de asas rotativas embarcadas e a Força Aérea Brasileira o emprego de aeronaves de asas fixas também embarcadas, desta maneira os SH-34J foram transferidos a Marinha em 29 de junho do mesmo ano, sendo os mesmos incorporados aos efetivos do 1º Esquadrão de Helicópteros Antissubmarino (HS-1). De posse de seus novos vetores guerra antissubmarino, a Marinha concentrou todos seus esforços para o treinamento das equipagens com o auxílio da Unidade de Treinamento Militar da da Marinha Americana (MTU-USN), visando assim capacitar o do 1º Esquadrão de Helicópteros Antissubmarino (HS-1) a participar da Operação Unitas VI, um exercício de guerra antissubmarino realizado em cooperação com a USN e marinhas amigas. 

Em 08 de fevereiro de 1966 o HS-1 registrou sua primeira perda, quando o SH-34J teve problemas no motor, vindo a chocar se contra o solo causando a morte de três tripulantes. Quando de sua incorporação em 1961 os sensores da aeronave representavam o estado da arte em termos de detecção e guerra antissubmarino, entretanto o rápido desenvolvimento tecnológico levaram as empresas especializadas a descontinuar a produção de peças de reposição do de sonar NA/ASQ-5, radar altímetro NA/APN-117 e outros sistemas eletrônicos do SH-34J, resultando em baixos índices de disponibilidade dos sistemas de detecção e acompanhamento de submarinos, limitando assim as missões do modelo a tarefas de guarda aviões a bordo do A-11 Minas Gerais. Cabe ainda ao SH-34J o feito de realizar o primeiro lançamento de um torpedo (MK-44) por um helicóptero no Brasil, e também em 1 de maio de 1969 realizar o primeiro voo noturno embarcado a partir do navio aeródromo.
A chegada dos primeiros Sikorsky S-61 Sea King em abril de 1970, encerraria o ciclo dos SH-34J em tarefas de combate, relegando os a missões de transporte de tropas, cargas, busca e salvamento e evacuação aeromédica, até fins de 1972 , quando por fatores econômicos foram suspensos todos os trabalhos de revisão de quarto escalão em curso nas células, neste períodos restavam apenas três unidades operacionais que se mantiveram voando irregularmente até o final de 1974, sendo alienados para a venda a partir do início do ano seguinte.

Em Escala.

Para representarmos o SH-34J "MB 3005", fizemos uso do antigo modelo da Revell na escala 1/48, a simplicidade do kit remete a época de sua produção, como inconveniente temos a citar que algumas arvores estavam sujeitas a quebras devido o manuseio, necessitando assim de uma acurácia maior para montagem. Empregamos decais produzidos pela FCM Decais, presentes no antigo Set 48/7A.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o primeiro padrão de pintura empregado pelos SH-34J, sendo que inicialmente foram recebidos pela FAB em 1961 em um esquema de cor natural de metal e branco, mantendo este padrão no período inicial de sua transferência para a marinha, recebendo este padrão a partir de 1967, mantendo o até sua desativação

Bibliografia :

- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 – Jackson Flores
- Revista ASAS nº 41 " Sikorsky H-34  " História Pictorial da Aeronaves - Aparecido Camazano Alamino
- Aviação Naval Brasileira, Prof Rudnei Dias Cunha  http://www.rudnei.cunha.nom.br/Asas%20sobre%20os%20mares/index.html