Ford - Kaiser M-151A1/C Mutt no Brasil

História e Desenvolvimento.

Em fins da década de 1940 o exército americano estava equipado em quase que sua totalidade com os jeeps  M-38 e M-38A1, dentro de plano de renovação de meios das forças armadas norte americanas o departamento de Comando da Força Automotriz e tanques do Exército (U.S. Army's Ordnance Tank Automotive), lançou no mercado uma concorrência entre as empresas automotivas americanas para o desenvolvimento de um novo veículo utilitário de 1/4 Ton com tração nas 4 rodas, devendo o mesmo manter os mesmos parâmetros de ótima relação de custo benefício operacional a exemplo de seus antecessores.

Ao todo, sete empresas fabricantes de carros e caminhões apresentaram suas propostas, tendo sido escolhido em maio de 1951 pelo U.S. Army's Ordnance Tank Automotive o projeto desenvolvido pela Ford Motors Co. Embora este novo utilitário tenha mantido o mesmo lay básico e as dimensões de predecessores, seu desing final era completamente novo, pois ao contrário dos projetos de jipe anteriores, cuja estrutura consistiu em uma cuba de aço aparafusada em uma estrutura de aço separada, o agora designado M151 empregava um novo conceito de quadro integrado, combinando os trilhos da estrutura no chassi do veículo composto por chapas soldadas. A adoção deste sistema em substituição ao quadro separado concebeu ao M-151 uma distância maior do solo, baixando assim o centro de gravidade, este processo ocasionou em um pequeno aumento no comprimento, tornando o também mais confortável, outra melhoria resultante foi implementada na suspensão, através da eliminação dos eixos rígidos dianteiros e traseiros, lhe permitindo viagens em alta velocidade em terrenos acidentados.
A produção em larga escala industrial teve início em junho de 1959, seu emprego inicial nas unidades militares principalmente na Guerra do Vietnã, logo demonstraria a tendência a instabilidade quando empregado em altas velocidades podendo provocar acidentes, como medida paliativa os motoristas militares costumavam colocar uma caixa de munição cheia de areia debaixo do banco traseiro quando nenhuma outra carga estava sendo carregada. A documentação destes acidentes em operação viria a gerar uma não conformidade junto aos órgãos americanos federais para a regulamentação de segurança rodoviária para veículos civis. Este limitante impediria a comercialização do M151 no mercado civil, não só de unidades novas, mas também posteriormente a entusiastas e colecionadores militares.

No anseio de eliminar esta falha original do projeto, engenheiros Ford Motors redesenharam o sistema de suspensão, empregando o sistema semi-trailing arm suspension, nascendo assim em 1970 a versão M151A2, neste cenário visando ampliar a produção para as demandas emergenciais o Comando do Exércitos dos Estados unidos concedeu as empresas Kaiser Motors e à AM General Corp encomendas para produção sob licença da Ford. A versão A2 podia ser destinguida pela combinação do posicionamento das luzes de direção o que levaram a alteração no formato dos para lamas. A exemplo do  M151,  a nova versão seria a base para a criação de variantes especializadas como a ambulância M718A1, porta canhao sem recuo M825, versão de ataque rápido aerotransportado  M151A2 FAV e a versão anti tanque equipadas com misseis M151A2 TOW. O Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha dos Estados Unidos se tornaria o segundo maior operador da família, iniciando suas primeiras aquisições em 1971 com versões customizadas para esta força como Marine FAV Mk I e MKII "Super Jeep, Airborne Marine FAV, MRC108 e M1051 dedicada a combate a incêndios. 
Até meados da década de 1980 a família M151 foi responsável pelo sustentáculo das forças americanas no segmento de utilitários de 1/4 Ton com tração 4X4, neste momento eles começaram a ser substituídos pelos primeiros modelos do AM General Humvee. Este movimento gerou um grande estoque de unidades excedentes que começaram a ser fornecidas a nações amigas nos termos do Foreign Military Sales (FMS), sendo empregados pela Argélia, Argentina, Bolivia, Bahrein, Camarões, Canadá, Chile, Colômbia, República Democrática do Congo, Dinamarca, Egito, El Salvador, Etiópia, França, Gana, Grécia, Honduras, Guatemala, Indonésia, Israel, Jordania, Kuwait, Luxemburgo, México, Marrocos, Paquistão, Panamá, Portugal, Peru, Filipinas, Portugal, Arábia Saudita, Coreia do Sul, Espanha, Reino Unido, Vietnã do Sul, Iêmen, Zaire e Líbia. Sua produção foi encerrada em fins de 1982 pelas três empresas, atingindo aproximadamente 100.000 unidades entregues.

Emprego no Brasil.

Em meados da década de 1960 o Exército Brasileiro ainda dispunha em suas fileiras de centenas de Jeeps Willys e Ford, e começava a receber as primeiras unidades de modelos mais novos como os M-38 americanos oriundos dos estoques do US Army e os primeiros nacionais CJ-2A militarizados. No contexto da realidade das forças armadas sul americanas, podemos considerar que nosso exército estava bem equipado em termos de quantidade e modelos de utilitários 4X4 na faixa de 1/4 Ton, este fato aliado ao esforços de incentivo a indústria automotiva nacional, inviabilizava qualquer aquisição de veículos especializados militares americanos.

Em 1961, após um período de instabilidade política depois do assassinato do ditador dominicano Rafael Trujillo em 1961, o candidato Juan Bosch, um fundador do Partido Revolucionário Dominicano (PRD), foi eleito presidente em dezembro de 1962. Suas políticas inclinadas a esquerda, incluindo a redistribuição de terras e a nacionalização de certas explorações estrangeiras, levaram a um golpe militar sete meses mais tarde por uma facção militar de direita liderada pelo General Elías Wessin, que também controlava o Centro de Entrenamiento de las Fuerzas Armadas, um grupo de infantaria de elite com cerca de 2000 altamente treinados. Era quase uma organização independente, criada inicialmente por Ramfis Trujillo, filho do ex-ditador, para proteger o governo e assegurar a Guarda Nacional, a Marinha e a Força Aérea, esta organização transferiria o poder a um triunvirato civil, onde seus líderes rapidamente aboliram a Constituição, declarando-a "inexistente". 

Em 24 de abril de 1965, um grupo de jovens oficiais nas forças armadas, liderado pelo coronel Francisco Caamaño, rebelou-se contra o triunvirato. Os rebeldes pró-Bosch, conhecidos como "Constitucionalistas", estes distribuíram armas à população, criando assim um clima de guerra civil, sobre a ótica de um possível agravamento da crise, o governo americano iniciou os preparativos para a evacuação dos seus cidadãos e de outros estrangeiros que poderiam desejar deixar a República Dominicana. O avançar dos rebeldes poderia levar a criação de "uma segunda Cuba", desta maneira o oresidente Lyndon Johnson ordenou forças para restaurar a ordem, alegando como razão oficial para a intervenção a necessidade de proteger a vida dos estrangeiros, uma invasão foi lançada pelos Marines e elementos da 82ª Divisão Aerotransportada. Os Estados Unidos juntamente com a Organização dos Estados Americanos (OEA) formaram uma força militar para ajudar na República Dominicana. Posteriormente, a Força Interamericana de Paz (IAPF) foi formalmente criada em 23 de maio. Contando também com participação de militares  do Brasil, Honduras, Paraguai, Nicarágua, Costa Rica e El Salvador.

Os Estados Unidos ficariam encarregados de prover em termos de suprimento e equipamento as nações participantes da Força Interamericana de Paz, neste pacote estava incluindo o fornecimento ao Exército Brasileiro de 88 unidades das versões, M151A1, M151A1C (equipado com canhão sem recuou e M-718 (ambulância), estes veículos foram entregues as tropas brasileiras, quando do desembarque do primeiro contingente no país caribenho em 25 de maio de 1965. Durante um ano os jeeps da família M151 Mutt participaram ativamente de todas as missões realizadas pelos 4 mil soldados brasileiros que atuaram em turnos junto a tarefas de pacificação na República Dominicana. Com o fim de intervenção da Força Interamericana de Paz (IAPF)  em 21 de setembro de 1966, estes veículos foram doados ao Brasil e  transportados por navios da marinha, juntamente com os efetivos do último contingente do exército. 
Salientamos que o emprego da família M151 Mutt na Republica Dominicana, não foi o primeiro contato do exército com este tipo de carro, pois diversos deles foram empregado pelas tropas brasileiras também quando da participação da Força de Emergência das Nações Unidas (UNEF I), em operação no Egito, ao longo do Canal de Suez.

Após o recebimento e revisão os M151A1, M151A1C e M-718 foram distribuídos a diversas unidades de infantaria motorizada, o bom desempenho do modelo superior aos modelos em uso, lhe conferiram lugar de destaque junto as unidades, o confiável canhão sem recuo modelo M-40A1 de 106 mm que equipava o M151A1C, lhe proporcionava bom poder de fogo e agilidade em terrenos desfavoráveis, provando suas qualidades off road.Em fins de sua carreira já da década de 1990 , as unidades remanescentes foram concentrados no 24º Batalhão de Infantaria Motorizado (BIM) no Rio de Janeiro, apesar se mostrarem ainda confiáveis e com muitos anos de serviço pela frente, o exército encontrava dificuldade no cadeia de peças de reposição do modelo, optando assim pela desativação do mesmo no ano de 2004, sendo substituído por novos modelos Land Rover e Agrale.

Em Escala.

Para representarmos o M-151A1C " EB-22-1430", fizemos uso do excelente kit da Academy, presente na escala 1/35 que nos brinda com um bom detalhamento do grupo motriz e munição para o canhão M-40A1, o kit permite ainda montagem out of box (direto da caixa) para assim se representar a versão brasileira. Empregamos decais confeccionados pela Eletric Products presentes no Set Brasil 1944 / 1982.
O esquema  de cores  ( FS ) descrito abaixo representa o padrão de pintura empregado em todos  os veículos  M151A1, M151A1C e M-718, utilizado desde o recebimento, até o ano de 1982, quando passaram a receber um novo padrão de cores, numeração e marcações nacionais.



Bibliografia : 

- M-151 Truck Utility - Wikipedia http://en.wikipedia.org/wiki/M151_Truck,_Utility,_l/4-Ton
- M-151 no Brasil - Arquivo Pessoal - Paulo Bastos
- O Brasil e a Rep Dominicana  Bruno P . Vilella http://www.uff.br