Bell 47D1 H-13D Sioux na FAB

História e Desenvolvimento. 

O desenvolvimento de aeronaves de asas rotativas apresentou grandes avanços perto do fim da Segunda Guerra Mundial, tendo as primeiras aeronaves do modelo Sikorsky R-4 tendo sido enviadas para o front do Pacifico meses antes do termino das hostilidades, apesar do pouco uso em função do fim do conflito, ficou notório o potencial deste tipo de aeronave. No entanto outras empresas americanas já ensaiavam sua participação neste mercado durante a década de 1940, entre elas a Bell que passou a considerar o projeto de autoria da equipe de Arthur Young apresentado a diretoria da empresa em 03 de setembro de 1941 que visava o desenvolvimento de uma aeronaves de asas rotativas de pequeno porte, este receberia o financiamento por parte do governo norte americano para a produção de dois protótipos que receberam a denominação de fábrica de Model 30 com a primeira célula alçando voo em 26 de junho de 1943. Um completo projeto de ensaios e testes de voo foi aplicado no modelo gerando assim as bases para a formatação do modelo inicial de produção do agora denominado pela fábrica como Bell Model 47.

O protótipo do modelo alçou voo nas instalações da Bell Helicopter em 8 de junho de 1945, possuía um rotor simples com duas hélices de madeira, motor convencional, uma seção tubular de aço soldado desprovida de carenagem e com o cockpit coberto com uma bolha em de plexiglas, cuja seção superior podia ser removida transformando a aeronave em um helicóptero conversível, posteriormente esta bolha passou a ser moldada em uma peça só se tornando visualmente a marca registrada do modelo. Esta concepção final com a cabine apresentando ampla visibilidade, pequena coluna de instrumentos no centro do cockpit e capacidade para transporte de um piloto e maus dois passageiros tornaram rapidamente a aeronave um sucesso comercial. Em 8 de março de 1946 recebeu sua homologação para o mercado civil (H1), e desta maneira o Bell 47A oficialmente se tornou a primeira aeronave comercial de asas rotativas do mundo.
A nova aeronave despertou o interesse do Exército Americano, que com base no projeto civil solicitaram pequenas alterações entre elas a instalação de um motor Franklin de 178 hp, cone de cauda coberto com tecido e trem de pouso com quatro rodas, nascia assim o modelo militar H-13 Sioux com uma encomenda inicial de 28 unidades que passaram a ser entregues no final de 1946 e serviriam de base para avaliação em emprego operacional. Rapidamente a Marinha e Guarda Costeira Americana também celebraram contratos com a Bell para o fornecimento de pequenos lotes do novo modelo. As avaliações reais gerariam mudanças e aperfeiçoamentos que seriam materializados em 1951 com o surgimento do Bell 47D1, que estava equipado com o Franklin o 335-3 de 200 hp, com capacidade de transporte de duas pessoas ou 225 kg de carga útil com trem de pouso do tipo esqui e sem a cobertura de lona na fuselagem. As hastes horizontais de suporte dos esquis eram retas formando ângulos retos entre as hastes e os esquis, o que permitia a colocação de uma maca em cada lado externo da aeronave para o transporte de feridos, agregando as tarefas originais de treinamento e emprego a geral a missão de evacuação aeromédica.

Seu batismo de fogo ocorreu na Guerra da Coreia (1950 a 1953), onde os H-13 das três forças armadas americanas foram empregados em larga escala no transporte de feridos da linha de frente diretamente para os centros médicos de campanha recebendo esta tarefa a denominação de MEDEVAC (Medical Evacuation – Evacuação Aeromédica). Essa nova missão fez aumentar a necessidade de mais aeronaves H-13, que acabaram realizando o salvamento de mais de 15.000 soldados americanos. Enquanto isso nos Estados Unidos o modelo se tornou o treinador primário padrão das aeronaves de asas rotativas, não só formando os pilotos, mas também colaborando para o desenvolvimento da doutrina operacional de emprego de helicópteros. A fabricação do Bell 47D alcançou a cifra de 1.000 células produzidas até 1953, quando começaram a ser desenvolvidas e fabricadas novas variantes para o atendimento de demandas de clientes internacionais nos mercados civil e militar, como Bell 47E, 47F, 47G, 47G2 e versão final Bell 47H foi a projetada para três pessoa contando com a o canopy totalmente fechado.
O modelos e suas variantes se mantiveram em produção ininterrupta por 27 anos sendo fabricados até 1977, e considerado o grande pioneiro das asas rotativas, nesse período foram entregues 2.600 células para emprego civil e 2400 para uso militar,. Sua versão militar foi operada pela Alemanha, Argentina, Austrália, Brasil, Canada, Colômbia, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Franca, Grécia, Israel, Itália, México, Noruega, Nova Zelândia, Paquistão, Paraguai, Peru, Reino Unido, Brasil, Suécia, Tailândia, Turquia e Vietnã do Sul

Emprego no Brasil. 

No início da década de 1950 a Forca Aérea Brasileira, desenvolvia seu primeiro grande plano de modernização, englobando pela primeira vez a aquisição de aeronaves de asas rotativas, com o objetivo de inicialmente formar a doutrina de operação de helicópteros e prioritariamente prestar apoio no transporte de autoridades de alto escalão do governo brasileiro. Após analises de diversas opções o Ministério de Aeronáutica decidiu pela aquisição dos testados e comprovados Bell 47D1, o contrato celebrado junto a Bell Helicopter Company no início de 1952 e previa a aquisição de quatro células da versão atualizada do modelo, que deveriam ser remetidas desmontadas ao Brasil por via naval e para serem montadas posteriormente na Fábrica do Galeão, por técnicos da Bell Helicopter  e pessoal técnico da Força Aérea Brasileira lotados na própria FGL.

As aeronaves foram recebidas e dezembro de no porto do Rio de Janeiro e foram transportadas por via terrestre até a Fábrica do Galeão. Durante a inspeção de recebimento infelizmente foi constatado que uma das aeronaves sobeu severos danos no transporte durante o translado, não sendo financeiramente aconselhável sua recuperação, sendo destacada como fonte para o fornecimento de peças de reposição. As três células remanescentes foram designadas na FAB como H-13 e receberam as matriculas de FAB 8500 a 8503. Depois do período de treinamento e adaptação das equipagens os novos helicópteros da Bell ficaram inicialmente baseados a partir do Aeroporto Santos Dumont, onde estavam alocadas as aeronaves pertencentes a Seção de Aeronaves de Comando (SAC), unidade está subordinada ao Quartel General da III Zona Aérea, unidade esta que fora criada exclusivamente para o transportes VIP de autoridades do governo brasileiros, este grupamento seria o embrião para a formação do Grupo de Transporte Especial, se transformando no 2º Esquadrão do GTE.
Apesar de estarem inicialmente dedicadas as missões de transporte VIP os Bell H-13D da FAB começaram a ser empregados esporadicamente me missões de Busca e Salvamento, pois juntamente com as células foram fornecidos kits flutuadores intercambiáveis (equipamento até então inédito no pais) com os esquis de pouso normal, podendo receber ainda um par de macas externos, destinados ao transporte de feridos, fornecendo assim as ferramentas necessárias a este emprego. Em 1956 um novo contrato de fornecimento junto a Bell Helicopter iria mudar as tarefas básicas dos H-13D, pois foram encomendadas células da versão Bell 57J especializadas no transporte de autoridades, possibilitando assim a transferência dos H-13D para Quartel General da 3º Zona Aérea no Rio de Janeiro (QG3ºZAé),onde operam até março de 1958, quando foram distribuídos para a 2º Esquadrilha de Ligação e Observação (2ºELO), sediada na Base Aérea do Galeão, onde passaram a realizar atividades de busca e salvamento  em proveito da SALVAERO, se encarregando também de tarefas de ligação e apoio junto a Marinha do Brasil.

Com a criação do 2º/10º Grupo de Aviação (2º/10ºGAv) em 1957, ficou determinado que as tarefa de formação de pilotos de asas rotativas seria destinado a esta unidade sediada na Base Aérea de Cumbica em Guarulhos, assim desta maneira os três H-13D foram transferidos em fins de 1958 onde a partir do ano seguinte passaram em conjuntos com os Bell H-13G2 a executar o treinamento dos pilotos destinados ao Serviço de Busca e Salvamento, ao 1º Grupo Aviação Embarcada (que estava em processo de recebimento dos SH-34J), e ao 1º e 3º Esquadrilhas de Ligação e Observação. Junto ao 2º/10ºGAv os H-13D também tiveram papel importante na construção da doutrina de missões SAR empregando aparelhos de asas rotativas, antecedendo assim a chegada dos H-19D.
No ano de 1959 o Bell 47D-1  "FAB 8500" sofreu um acidente com perda total, desta maneira as duas unidades remanescentes seguiram em serviço até o ano de 1965 quando foram recolhidas ao Parque de Aeronáutica dos Afonsos (PAAF), onde foram convertidas a versão Bel 47G2 (englobando principalmente a troca do grupo motriz), passando a ostentar a designação H-13H, seguindo em operação até o ano de 1982 quando estas duas unidades modernizadas foram retiradas do serviço ativo.

Em Escala.

Para representarmos o H-13D1 " FAB 8502 " empregamos o raro kit da Italeri na escala 1/48, modelo este difícil de ser encontrado em lojas convencionais, seu padrão de qualidade e detalhamento é semelhantes aos demais kits nesta escala. Como não existe um set especifico para esta aeronave na FAB, fizemos a opção de usar decais diversos oriundos de diversos sets da FCM.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o segundo padrão de pintura empregado nos H-13D, pois foram originalmente recebidos na cor azul que era mais adequada as missões de transporte VIP, posteriormente receberam este esquema se mantendo em uso até a transferência para o 2º/10ºGAv, quando passaram a ostentar o padrão de pintura em amarelo das demais versões do modelo em uso na FAB.



Bibliografia :

- História da Força Aérea Brasileira, Prof Rudnei Dias Cunha -  http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 Jackson Flores Jr
- Esquadrão Pelicano 50 anos de História - Mauro Lins Barros & Oswaldo Cruz
- Revista ASAS nº 63 " Bell 47 na Força Aérea Brasileira " - Aparecido Camazano Alamino