Boeing 707-320C - KC-137E na FAB

História e Desenvolvimento.

Após o termino da Segunda Guerra Mundial a diretoria da Boeing Aircraft iniciou estudos para o desenvolvimento de produtos para o mercado civil, com o objetivo de se equipar a Douglas seu principal concorrente. Como a empresa tinha o viés natural no segmento militar a ideia natural se baseava em desenvolver uma plataforma a jato comum para os dois segmentos. Apesar de não receber recursos governamentais a Boeing decidiu investir recursos próprios para o projeto e construção dos primeiros protótipos da linhagem que seria conhecido como Boeing 367-80 ou Dash80 que derivava das linhas originas do Boeing 367 (KC-97). 

O primeiro protótipo matriculado N70700 alçou voo em 15 de julho de 1954, em Seatle no estado de Washington, seus primeiros resultados foram promissores dando a força a empresa para prosseguir com o desenvolvimento da versão civil B707 e a versão militar B717 que receberia a designação de KC-135E. O primeiro contrato para o mercado civil foi celebrado em 13 de outubro de 1955 quando a Pan Am encomendou 20 células do modelo que começaram a ser entregues dois anos depois. O primeiro voo oficial ocorreu em 17 de outubro de 1958, com a presença do presidente Eisenhower e outras personalidades importantes no trajeto de Baltimore nos Estados Unidos para Paris na França, a primeira linha comercial transcontinental do 707 foi inaugurada em 26 de outubro do mesmo mês. O sucesso da operação junto a Pan Am, motivaria encomendas de empresas americanas como American Air Lines , TWA, Delta e United, a Qantas australiana foi a primeira empresa estrangeira adquirir o modelo.
O  Boeing 707 rapidamente se tornou o avião mais popular de seu tempo, sendo responsável por todo o desenvolvimento em infraestrutura aeroportuária para operação destes grandes jatos, foi produzido em quatro versões B707-100, B707-200, B707-300 e B707-400, com a versão 300 sendo a mais produzida com 580 células, a todo seriam entregues 1010 aeronaves até o ano de 1991. A versão militar denominada KC-135 diferia da civil por contar com motores mais potentes, inicialmente desenvolvidos aeronaves de transporte e reabastecimento em voo, e devido a versatilidade da plataforma começaram a ser empregados em versões de guerra eletrônica, transporte Vip, reconhecimento, alarme aéreo antecipado, comando e controle, meteorologia e interferência eletrônica, atingindo a cifra de 850 células, das quais cerca de 400 ainda permanecem em serviço no Estados Unidos, França, Turquia, Cingapura e Chile.

Com base no B707-300C surgiram versões militares de reabastecimento em voo e transporte como o CC-137, KC-137E, EB 707, KC-707 e KE-3A, entre outras, todas convertidas de células civis usadas, e utilizadas pelas forças militares da Arábia Saudita, Austrália, Canada, Colômbia, Irã, Israel, Itália e Venezuela, este movimento foi impulsionado pela desativação gradativa  do modelo no meio comercial geraria um excedente de aeronaves a baixo custo com poucas horas de voo e amplo estoque de peças de reposição. Durante o conflito das Falklands Malvinas a Força Aérea Argentina empregou aeronaves 707 de transporte para tarefas de localização dos navios ingleses que rumavam para as ilhas, buscando assim vetorar o ataque de caças bombardeiros argentinos, estas aeronaves foram caçadas pelos caças britânicos e quase um 707 da Varig  em viagem da Africa do Sul para o Brasil foi alvejado por ser confundido com uma aeronave argentina, felizmente os pilotos ingleses buscaram o reconhecimento visual evitando uma possível tragédia.
As operações dos Boeing 707 foram ameaçadas pela promulgação de regulamentos internacionais do ruído em 1985, a empresa Shannon Engineering de Seatle desenvolveu um kit de silenciadores para os motores, sendo implementados em 172 aeronaves, apesar das restrições existem ainda centenas de 707 convertidos em cargueiros em operação no mundo em aéreas onde não existem as mesmas normas de restrição. As versões do KC-135 passaram por diversas atualizações entre elas a remotorização com os JT8D-219 que permitirá as aeronaves da Força Aérea Americana e da OTAN nas versões E-3 Sentry e E-8 Joint Stars continuem em serviço por mais uma década.

Emprego no Brasil.

No princípio da década de 1980 a Força Aérea Brasileira buscava incrementar sua capacidade de reabastecimento em voo para o atendimento dos novos Embraer A-1 AMX que estariam em breve  em processo de recebimento, e a frota de reabastecedores estava baseada em apenas dois Lockheed KC-130H, e  a aquisição de mais células do Hercules foi logo descartada pois haviam também as necessidades de se dispor de um vetor para transporte estratégico e VIP, e os reduzidos recursos disponíveis deviam contemplar uma solução que atendesse a todas as demandas. Outro ponto decisório é que o novo vetor teria de ter a capacidade de realizar missões de reabastecimento em voo (REVO) a grandes altitudes e elevadas velocidades mais aptas aos caças supersônicos.

A melhor proposta baseada na relação de custo benefício se materializou no segundo semestre de 1985 com a aquisição de quatro Boeing 707 da série 300C que estavam em uso na Varig e seriam convertidas pela Boeing Military Company para a versão KC-137E, o contrato foi firmado no valor de U$ 36 milhões que incluía as quatro células revisadas, oito motores sobressalentes, sistemas de reabastecimento em voo, kit presidencial e treinamento para os pilotos e mecânicos nos Estados Unidos. Dentre a frota da Varig que naquele período era um dos maiores operadores do 707 no hemisfério sul, foram escolhidas as seguintes células 707-320C PP-VJH, B707-379C PP-VJK, 707-345C PP-VJK e 707-345C PP-VJX, infelizmente o PP-VJK sofreu um acidente fatal antes da entrega a FAB, sendo substituído pelo 707-324C PP-VLK. Todas estas células foram fabricadas em 1968 e pertenceram a outras empresas antes de serem adquiridas pela Varig, estas aeronaves após retiradas da operação comercial foram enviadas ao Centro de Manutenção de Porto Alegre da Varig, onde foram revisadas, com três aeronaves pintadas em cinza estratégico (FAB 2402,2403 e 2404) e uma configurada no esquema VIP similar as aeronaves do GTE.
Após este processo cada B707 foi encaminhado ao Boeing Modification Center em Wichita, Kansas para aplicação ao processo de conversão para a versão KC-137E, onde receberam o kit composto por pods de reabastecimento em voo Beech 1080 do tipo probe and drogue (mangueira e cesta), um APU (Auxiliary Power Unit), porta de acesso para a tripulação por meio da bequilha e novos sistemas de comunicação e missão. As aeronaves mantiveram a porta de carga dianteira que permitiu operar tanto em missões de transporte de tropas, carga ou combo reversível, já o FAB 2401 recebeu o kit VIP, equipamento este que poderia ser facilmente configurado nas demais aeronaves. A primeira unidade o FAB 2403 foi entregue pela Boeing em 1 de dezembro de 1986 fazendo o voo de translado para o Brasil, partindo de Seattle ao Rio de Janeiro, sendo oficialmente incorporado ao 2º/2º Grupo de Transporte Esquadrão Corsário em 2 de dezembro.

A primeira missão de reabastecimento em voo com os KC-137E, ocorreu em 18 de maio de 1987, quando o FAB 2403 realizou esta tarefa junto aos F-5E Tiger II do 1º Grupo de Aviação de Caça, até 1990 os Tiger foram os únicos “clientes” das aeronaves do Esquadrão Corsário, porém em 17 de julho do mesmo ano se realizaria a primeira missão de reabastecimento em voo com os caças bombardeiros Embraer A-1 AMX do Esquadrão Adelphi, em 1993 este processo foi interrompido pois verificou-se que a cesta reabastecedora causava diversos danos a parte frontal da fuselagem da aeronave, sendo este problema somente solucionado em agosto do ano 2000, quando a cesta original foi substituída por uma soft drogue da Aero Union. Além das tarefas internas cotidianas e exercícios multinacionais como as operações Cruzex e Mistral os KC-137E foram fundamentais nas participações brasileiras em exercícios internacionais como as edições da Red Flag nos Estados Unidos e Salitre no Chile. Também foi agregado ao esquadrão as missões de transporte estratégico de cargas e tropas, muito delas de grande importância como apoio as tropas brasileiras em missões da ONU, no Haiti, Líbano e Timor Leste, missões humanitárias no Brasil e América Latina
A idade das células começou a ficar evidentes quando o FAB 2401 passou a sofrer constantes panes em operações de transporte VIP a partir de 1999, levando a restrições de voo até o ano de 2005 quando foi incorporado o novo Airbus ACJ, relegando a células as missões de transporte e REVO, para sanar problemas com o suprimento de peças de reposição cada vez mais escasso no mercado internacional, a FAB procedeu a aquisição de três novos 707 entre 1996 e 2010 que serviram fonte de peças. Entre 2000 e 2004, a frota foi submetida a uma completa revisão estrutural realizada em parceria entre a Boeing e o PAMA-GL buscando estender a vida útil das aeronaves, porem em 2013 um acidente ocorrido no aeroporto de Porto Príncipe no Haiti determinou o encerramento da carreira do modelo na FAB em outubro do mesmo ano. 

Em Escala.

Para representarmos o KC-137E " FAB 2402", empregamos o kit da Heller na escala 1/72, para compor a versão brasileira procedemos a a inclusão dos dois pods de reabastecimento em voo confeccionados em scratch e a marcação da porta de carga frontal. Fizemos uso de decais produzidos pela FCM presentes no set 72/02, salientando que deve se alterar a matricula da aeronave, pois o decal original represente o "FAB 2401".
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura estratégico empregado nos KC-137E 2402, 2403 e 2404, no ano de 2000 o FAB 2401 também recebeu este padrão, porém foi novamente repintado no padrão VIP a partir de 2004, mantendo o mesmo até a sua desativação.


Bibliografia :

- Boeing 707 -  Wikipédia - http://pt.wikipedia.org/wiki/Boeing_707
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 – Jackson Flores
- História da Força Aérea Brasileira por :  Prof. Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- A Melhor Opção KC-137E - Revista Força Aérea Nº 17