Cessna T-37C Tweety Bird no Brasil

História e Desenvolvimento. 

No início da década de 1950 a era da aviação de combate a jato já estava plenamente estabelecida e fazia e necessário adequar as tarefas de instrução básica e e avançada a esta nova realidade, evitando assim qualquer problemas de adaptação as aeronaves de linha de frente, melhorando a qualidade de formação e consequentemente custos. Desta maneira o comando da Força Aérea Americana estabeleceu os requisitos básicos para a abertura de um processo de concorrência para o desenvolvimento de uma aeronave de treinamento básico com dois assentos a reação , este programa foi lançado em maio de 1952 e foi designado como Trainer Experimental (TX).

Foram apresentados 15 projetos distintos oriundos de oito empresas aeronáuticas americanas, a Cessna Aircraft Company, de Witchita Kansas foi uma das duas únicas companhias que optaram por um modelo com dois motores, sendo denominado pelo fabricante como "Modelo 318", apresentava como diferencial  a disposição dos assentos lado a lado, ao invés do tradicional perfil “tandem”, esta nova configuração permitia uma maior interação entre o instrutor e o aluno. O projeto apresentado pela Cessna foi declarado vencedor e o comando da USAF autorizou a construção de três protótipos que receberam a designação de de XT-37. O  voo da primeira aeronave ocorreu em 12 de outubro de 1954 propulsado por dois motores turbojato J69 Continental-Teledyne -T-9
Infelizmente o primeiro protótipo sofre um grave acidente quando o piloto de testes não conseguiu recuperar o controle da aeronave após efetuar uma manobra de parafuso. Ensaios e pesquisas aerodinâmicas indicaram que o XT-37 apresentava uma tendencia a não sair do parafuso casos algumas condições especificas não fossem observadas. Uma delas era a tensão correta nos cabos de comando que, em caso de pouca tensão, impedia a deflexão total das superfícies de comando, impedindo a saída da aeronave de manobra por causa das forças aerodinâmicas resultantes. Estas atestações levaram a implementação de mudanças aerodinâmicas na aeronave, e em junho de 1956 a Cessna entregou oficialmente a USAF a primeira celula do T-37A, o som agudo de suas duas turbinas J69 Continental-Teledyne -T-9 motivaram os pilotos a apelidarem jocosamente o modelo de Tweety Bird (canário), apesar da ironia o emprego do modelo demandou a obrigatoriedade do uso de equipamento de proteção auricular para todo o pessoal de terra, bem com a adaptação das instalações das bases aéreas com janelas anti ruido.

A encomenda inicial previa a entrega de 444 aeronaves, que foram complementados por mais um contrato atingindo a casa e 534 células entregues até 1959, a Força Aérea Americana após dois anos de uso do modelo solicitou ao fabricante uma nova versão com maior potencia, nascendo assim o T-37B  com dois novo motores J-69-T-25 uprated que forneceram cerca de 10% a mais de empuxo, além de uma nova aviônica. Os contratos para esta versão envolveram a entrega de 552 até meados de 1973. A aeronave da Cessna representaram o sustentáculo do processo de treinamento da USAF até o inicio do ano 2000 quando passaram a ser substituídos pelos novos Beechcraft T-6 Texan II. A última unidade americana a operar o modelo foi 80th Flying Training Wing que o empregou até 31 de julho de 2009. Células em bom estado de conservação foram repassadas a nações amigas, entre elas Colômbia, Equador, Bangladesh, Chile, Alemanha, Grécia, Jordânia, República Khmer, Peru, Vietnã do Sul e Tailândia.
A demanda do mercado internacional por aeronaves para combate a guerrilha (COIN) levaram a Cessna a desenvolver uma versão customizada denominada Model 318C, que agregava a plataforma do T-37B possibilidade de realizar missões táticas, sendo equipado com visor de tiro e provisão para emprego de bombas, lançadores de foguete e pods de metralhadoras em quatro pontos fixos sob as asas Esta versão recebeu a designação militar de T-37C, sendo dotado com uma moderna aviônica, sendo equipado com ADF e VOR, que permitia a instrução  e ataque em ambientes diurno e noturno. Por ser uma variante destinada a exportação não foi adotada pela USAF, ao todo foram produzidas 269 aeronaves que foram empregadas pelo Brasil, Colômbia, Paquistão, Birmânia, Chile, Grécia, Portugal, Turquia e Coreia do Sul.

Emprego no Brasil. 

Entre meados da década de de 1960 a Força Aérea Brasileira já mantinha em sua primeira linha de defesa aeronaves a reação e necessitava melhor a sistemática de treinamento, visando reduzir o período de adaptação entre os cadetes formados nos já obsoletos North American T-6 com a realidade de operação dos caças Gloster F-8 Meteor e Lockheed F-80C. Este processo buscava também reduzir custos de tempo e atrito de material. Para se atender a esta demanda o Ministério da Aeronáutica abriu uma concorrência internacional para a aquisição de até 50 aeronaves de treinamento a reação, a exemplo da USAF a FAB optou pelo Cessna Model 318 em fins de 1966, em sua versão de exportação T-37C, além da decisão técnica pendeu também sobre a escolha devido ao excelente planos de pagamento.

O contrato original previa a aquisição de 40 unidades nova de fabricas do Model 318C  que começaram a ser recebidas por oficiais da Comissão e Fiscalização de Recebimento da FAB (CONFIREM–CESSNA) nas instalações da Cessna Aircraft Company, na cidade de Witchita Kansas, a partir de abril de 1967. As primeiras aeronaves foram transladadas por pilotos da FAB desde os Estados Unidos até o seu destino final na cidade de Pirassununga – SP, onde foram alocadas no Destacamento Precursor da Escola da Aeronáutica (DepeAer). Naquele ano a Escola de Aeronáutica ainda estava dividida e duas, com os primeiros três anos de formação realizados no Campo dos Afonsos e o ultimo ano efetuado em Pirassununga.Os últimos meses de 1967 e os primeiros do ano de 1968 foram empregados na formação de instrutores, equipes de manutenção, elaboração de sistemática de operação e desenvolvimento de manuais de emprego, com o  primeiro voo de instrução ocorrendo em 09 de setembro de 1968.
Percepções obtidas no primeiro ano de operação foram satisfatorias motivando a aquisição de mais 25 células em 1970 para dotarem o recém criado CFPM ( Centro de Formação de Pilotos Militares ) baseado na cidade  de Natal, esta unidade teria a missão de ministrar toda a instrução básica selecionando assim os cadetes que seguiriam para a conclusão do curso na Academia da Força Aérea, porém em 1973 esta sistemática foi modificada, concentrando todo processo de treinamento, na Academia da Força Aérea (AFA) em Pirassununga. A adoção deste treinador revolucionou a formação de pilotos na Força Aérea Brasileira, pois possibilitava aos cadetes em curso, o contato com uma aeronave muito semelhante em características de desempenho, com os modelos de primeira linha que dotavam as unidades de combate naquele período.

Vale ainda mencionar que por iniciativa de um grupo de instrutores da AFA, foi formada em 1968 uma unidade de demonstração aérea batizada de Esquadrão Coringa, que era dotada com nove células pertencentes ao 1º EIA ( Esquadrão de Instrução Aérea ) e tinha por finalidade manter a proficiência das equipagens principalmente nos vôos de formação. A primeira apresentação ocorreu em 10 de julho de 1969, ocorreram posteriormente inúmeras outras demonstrações porém infelizmente em 1978 as operações foram encerradas devido a indisponibilidade de células.
Em meados da década de 1970 o quadro de operação deste modelo na FAB era desalentador, pois além de apresentar um alto índice de acidentes (21 células representando 32,30%), os altos custos de manutenção, falta de peças de reposição apresentavam cada vez mais criticos indices de disponibilidade da frota, afetando todo o processo de instrução na Academia da Força Aérea. A solução encontrada foi a substituição temporária pelo T-25 Universal até a incorporaçao dos novos Embraer T-27 Tucano, encerrando assim uma carreira totalizando cerca de 189.132 horas de voo em proveito de missões de treinamento. Desta maneira as 42 unidades restantes foram armazenadas no Parque de Material de Aeronautica de São Paulo (PAMA SP), sendo posteriormente postas a venda no mercado internacional, onde foram adquiridas pela Coreia do Sul que operou o modelo até fins de 2007.

Em Escala.

Para representarmos o T-37C "FAB 0922", empregamos o kit GIIC (resina) na escala 1/48, modelo este que já apresenta as conversões pertinentes a versão operada pelo Brasil, não necessitando assim de modificações em scratch que devem ser feitas caso o modelista faça a opção por modelos injetados disponíveis no mercado (Revell ou Monogram). Empregamos decais originários do modelo em combinação com decais confeccionados pela uso dos FCM presentes no Set 48/10.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o terceiro padrão de pintura empregado nas aeronaves T-37C em uso pela Força Aérea Brasileira, inicialmente as células foram recebidas nos Estados Unidos com acabamento metálico, sendo depois adicionadas faixas de alta visibilidade no Brasil (empregado na CFPM e AFA), o terceiro padrão foi implementado após as revisões gerais em âmbito de parque (IRAN – Inspecion and Repair as Necessery) e mantido até sua retirada do serviço ativo.



Bibliografia :

- Cessna T-37C , Wikipédia -http://pt.wikipedia.org/wiki/Cessna_T-37
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 / 2015 – Jackson Flores Jr.
- Cessna T-37 Esse eu Voei Cel Av Antônio R. Biasus – Revista Força Aérea Edição 95
- História da Força Aérea Brasileia, Professor Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html