M109A3 Howitzer no Brasil

História e Desenvolvimento.

A Guerra da Coreia presenciou novamente o emprego dos M7 Priest, que apesar desempenharam com êxito a maioria das missões, verificou se que a limitada elevação de 35 graus do canhão dificultava capacidade de disparar sobre as altas montanhas coreanas. Estava claro que um novo obuseiro autopropulsionado deveria ser desenvolvido, desta maneira em 1953 comando do Exército Americano, emitiu requisitos para abertura de concorrência, visando o desenvolvimento de um novo veículo. Vários projetos foram apresentados entre eles o T195/195E-1 da General Motors Co, que após testes comparativos o definiram como vencedor da concorrência em setembro do mesmo ano. O primeiro mock up foi apresentado no início do ano de 1954, seguido pela construção de alguns protótipos para testes e avaliações. Foi finalmente validado para produção em série em fins de 1959, com as primeiras unidades sendo entregues ao Exército Americano em abril de 1960.

O batismo de fogo do M108 viria com o início da Guerra do Vietnã, quando o terceiro batalhão do 6th Field Artillery Regiment (Regimento de Artilharia de Campo) foi deslocado para cidade de Pleiku em 16 de junho de 1967, sendo seguido por um mais um batalhão de M108 agora do 40th Field Artillery Battalion alocado em Dong Haem em outubro do mesmo ano. Sua possibilidade de girar o canhão em 360 graus, ao contrário da artilharia rebocada o tornou ideal para segurar as posições de fogo, que podiam estar poderiam estar sujeitas a ataques de qualquer direção, porém um ponto negativo foi observado, seu canhão de 105 mm, não atendia as necessidades de cadencia de fogo e eficácia na destruição de alvos, este fato motivou a retirada de ambos os batalhões de artilharia de campo em meados de 1976, encerrando assim a participação do M108 neste conflito.
A experiência obtida nas ações reais no Vietnã levou o US Army a solicitar o reprojeto do modelo, prevendo primordialmente a adoção de um novo canhão de maior calibre.Apesar de possuírem a mesma base conceitual e compartilharem muitos itens, este novo projeto contemplava avanços significativos, entre eles um chassi composto de alumínio blindado oferecendo maior resistência a impactos de armas de calibre médio, novos sistemas de direção de tiro e comunicação, capacidade estendida no transporte de munição, além de contar com um canhão M-185 de 155 mm.

O M-109 teve sua estreia em combate no sudeste asiático, logo em seguida foi empregado pelas forças de defesa de Israel na guerra Guerra do Yom Kippur 1973, e também no Líbano em 1982, foi empregado em larga escala pelas forças iranianas na Guerra Irã e Iraque, esteve presente também outras frentes de combate a serviço das forças britânicas, egípcias e sauditas. Novas versões foram desenvolvidas a partir de 1964, entre elas o M109A1, M109A1B, M109A3, M109A3B, M109A4, M109A5 e M109A5+. Um novo redesenho visando melhorias na blindagem, melhoria no sistema de armazenamento, upgrades nos sistemas de comunicação digital criptografada, mira, visão noturna, navegação por inércia, computador de missão, melhorias no motor e por fim modernização no canhão M284 e M-182A1, geraram uma nova versão que recebeu a designação de M-109A6 Paladin, sendo a versão padrão em maior número presente no Exército Americano.
A versão mais atual em serviço é a M-109A7 (que era anteriormente conhecida como M-109A6 PIM), que passou a deter maior peso de deslocamento que seu antecessor esta nova versão proporcionará maior precisão, melhor mobilidade e velocidade de deslocamento, as primeiras entregas tiveram início em  abril de 2015.Modelos de diversas versões foram fornecidas há mais de 40 países alinhados com os Estado Unidos , estando ainda em serviço ativo em mais de 30 nações até a atualidade, sendo submetidas inclusive a diversos processos de modernização.

Emprego no Brasil. 

Compondo o esforço de modernização do Exército Brasileiro denominado FT-90 (Força Terrestre 1990), foram adquiridos entre os anos de 1999 e 2001, trinta e sete viaturas blindadas do obuseiro Autopropulsado M-109A3, denominadas na força como VB OAP M-109 A3, que eram oriundas de excedentes do exército belga, que antes de serem entregues sofreram um amplo processo de revisão e modernização das células,  realizado nas instalações da empresa belga Sabiex Internacional , sendo recebidas no Brasil em três lotes até abril de 2001. 

A adoção deste modelo veio prover o Exército Brasileiro de uma capacidade inédita de mobilidade e alto poder de fogo, representando assim um grande avanço em desempenho quando comparado ao M108 AR Howtizer em uso no país. O M109A3 possui a estrutura do chassi em alumínio soldado, provendo proteção aos ocupantes contra armas de leve calibre, o  obuseiro de 155 mm apresenta uma elevação de + 75º, possuindo giro de 360º, motorizada, muito embora exista um controle manual para emergências. Sua cadencia é de 4 tiros por 3 minutos, seguidos de um tiro por minuto na hora seguinte. Tem capacidade de transporte de 28 obuses neste calibre e 500 cartuchos de .50 e, dependendo da munição empregada, seu alcance pode ser de 23,5km. Ainda pode vadear cursos de água com profundidade máxima de 1,82 mts.
Os M109 recebidos pertenciam a versão A3, que se tratavam de carros reconstruídos da versão M109A2, que havia incorporado 27 melhorias sobre a versão M109A1, entre elas a adoção do canhão M185 de 155 mm de cauda longa na nova armação M178 e proteção balística para o telescópio panorâmico. Após revisão inicial de recebimento nos portos do Rio de Janeiro (RJ), Rio Grande (RS) e Paranaguá (PR), os M109A3 foram distribuídos para 15º Grupo de Artilharia de Campanha Autopropulsado, na cidade de Lapa (RS) com 12 unidades, 16º Grupo de Artilharia de Campanha Autopropulsado São Leopoldo ( RS) com mais 12 carros, 29º Grupo de Artilharia de Campanha Autopropulsado de Cruz Alta (RS) com 12 unidades, sendo um carro destinado a a Escola de Material Bélico – EsMB, no Rio de Janeiro.

Apesar de não serem pertencentes a versão mais atualizada em termos de sistemas eletrônicos e direção e controle de tiro, os M109A3 cumpriram exemplarmente sua tarefa de adestramento e manutenção de artilharia autopropulsada no Exército Brasileiro, no entanto ficava cada vez mais evidente a desatualização de seus sistemas, levando ao estudo de opções para modernização da frota, se materializando em negociações concluídas em 2013 para a aquisição de um lote 40 de carros usados da versão M109A5 SPG que foram doados pelo governo americano, através do processo de “excess defence articles” (EDAs). Destes 32 serão modernizados no padrão M109 A5 "Plus" BR pela empresa Bae Systems incorporando medidor da velocidade inicial do tubo, melhorias no sistema de posicionamento e navegação, na unidade de exibição de comando, nos rádios digitais, no sistema de controle de armas e no bloqueio de tubo remotamente acionado.
Especula-se que os 37 carros originais também passarão por este processo de modernização, padronizando toda a frota no mesmo patamar tecnológico. Em julho de 2017 o governo brasileiro iniciou tratativas para a aquisição de mais 60 unidades do M109A5 que seria fornecidas nos termos do programa Foreign Military Sales (FMS), estas novas Viaturas Blindadas de Combate Obus Autopropulsadas (VBCOAP) trarão ao Exército Brasileira uma considerável frota, mais adequada as dimensões continentais do pais.

Em Escala.

Para representarmos o M-109A3 "EB-6057" empregamos o antigo kit da Italeri  - Testors na escala 1/35, modelo este que necessita de diversas modificações para compor a versão nacional. Fizemos uso de decais produzidos pela Decal & Books - Forças Armadas do Brasil 1983 – 2002.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura tático camuflado em dois tons, empregado em todos os blindados de combate do Exército Brasileiro a partir de 1983.


Bibliografia :

- M-109 Howtizer -  Wikipédia - http://en.wikipedia.org/wiki/M109_howitzer
- Obuseiro Autopropulsado M-109A3 - Expedito Carlos S. Bastos - http://www.ecsbdefesa.com.br/fts/M109.pdf
- Blindados No Brasil, por Expedito Carlos Stephani Bastos
- M-109 155 mm - http://www.fas.org/man/dod-101/sys/land/m109.htm