M60A3 TTS Patton no Brasil

História e Desenvolvimento.

No ano de 1956, o aparecimento dos tanques médios soviéticos T-54 e T-55 clarificou que o carro de combate médio padrão americano o M48 não seria páreo para enfrentar estas novas ameaças nos hipotéticos campos de batalha na Europa durante a Guerra Fria. A fim de atender a esta necessidade, o comando do Exército Americano (US ARMY) tentou modernizar sua frota de M48, porém verificou se que qualquer up grade ainda não representaria significativa melhora, resultando em 1957 na decisão de se desenvolver um novo veiculo que seria o primeiro MBT (Main Battle Tank - Carro de Combate Principal) do US Army, sendo também o primeiro a receber um canhão de 105mm.

O projeto denominado XM60 empregou como base o conceito do M48, portando características do carro de combate pesado M26 Pershing e foi apresentado em agosto de 1957, possuía o casco fundido em uma única peça, redesenhado do M48 com a adição do novo canhão M68, de 105mm (que era uma cópia licenciada da arma britânica L7), apresentava ainda melhorias no sistema de blindagem, que apesar de dispor de 93mm ao invés de 114mm possuía um ângulo mais íngreme, aumentando a eficiência da blindagem, modificações foram implementadas na parte frontal do casco, recebeu ainda o moderno motor a diesel Continental V-12 750 hp Twin Turbo refrigerado a ar. Com as definições oficializadas a produção foi destinada em meados de 1959,  a Detroit Arsenal Tank Plant uma subsidiária da Crysler Automotive Co., com as primeiras entregas sendo feitas ao US Army no início de 1960.
Apesar de representar um grande avanço sobre os M48, verificou se inicialmente durante seu processo de introdução que o MBT carecia ainda de melhorias a serem implementadas, deste demanda nasceria o projeto M60A1 em 21 de março de 1960, que passava a dispor de uma torre com maior proteção balística além de ser equipada com um novo sistema de estabilização para a arma principal, periscópios IR e um motor Continental AVDS-1790-2A e do CD-850-6 que apresentava um perfil de uso mais econômico e com menor emissão de fumaça. Os primeiros carros começaram a ser entregues a partir de outubro de 1962, a este se seguiria o M60A2 que recebeu a designação de “Starship” que apresentou uma torreta de perfil baixo inteiramente nova com uma cúpula de metralhadora do comandante no topo.

No entanto, o M60A1 e M60A2  ainda eram incapazes de disparar com precisão em movimento, esta deficiência começou a ser solucionada a partir de 1978, quando iniciaram-se os trabalhos de desenvolvimento da variante M60A3 que além de agregar um eficiente sistema de estabilização de tiro em movimento que em conjunto com novo computador balístico M21 permitiu criar uma plataforma estabilizada que permitia a realização do tiro a longas distancias, (incluindo munição tipo flecha APFDS ) com elevada probabilidade de acerto no primeiro tiro, mesmo contra alvos em movimento e sob qualquer situação climática e de visibilidade, seu equipamento de visão térmica foi considerada melhor até que a empregada do M1 Abrams. Os primeiros carros começaram a ser entregues as unidades do US Army em meados de 1979.
A produção do M60A3 foi encerrada em 1987, com mais de 15.000 unidades produzidas de todas as versões, muitos dos M60A1 e M60A2 foram reconstruídos na versão A3, e o Exército e o Corpo de Fuzileiros Navais Americanos, mantiveram os carros nas unidades de linha de frente até 1993 tendo destacada participação nas batalhas das duas Guerras do Golfo, quando passaram a ser substituídos pelos novos M1 Abrams, sendo relegados as unidades de treinamento até 2005, quando foram desativados. Além de seu pais de origem os M60 foram fornecidos a Bósnia, Herzegovina, Egito, Grécia, Irã, Jordânia, Líbano, Marrocos, Omã, Portugal, Arábia Saudita, Espanha, Taiwan, Sudão, Tailândia, Tunísia, Brasil, Turquia, Áustria, Etiópia, Itália e Israel.

Emprego no Brasil.

No início da segunda metade da década de 1990, o Exército Brasileiro dentro do seu programa de modernização FT-90 (Força Terrestre), começou a buscar no mercado internacional aquisição de carros de combate modernos, que pudessem prover a substituição dos já ultrapassados M41C Caxias nas unidades de linha de frente. Restrições orçamentarias forçaram a buscas por compras de oportunidade, entre eles Leopard1A1 oriundos do exército e belga em 1996, neste mesmo período o governo norte americano apresentou uma proposta de leasing de 91 carros de combate M60A3 TTS pertencentes aos excedentes do exército norte americano, pelo valor de doze milhões de dólares.

Apesar de limitações de uso, como inspeções regulares e emprego do carro em cenários de conflito com prévia anuência do governo norte americano, sob o ponto de vista econômico e técnico se tratava de uma proposta interessante, sendo aceita em 1996 pelo Comando do Exército Brasileiro. Neste mesmo ano uma equipe de militares foi enviada as instalações do Fort Drum em Nova York para a seleção de 91 carros, outra equipe, desta vez formada por Oficiais e Sargentos de Cavalaria realizou Curso de Guarnição de M60 A3 TTS no Fort Dix em Nova Jérsei.  Os primeiros carros passaram a ser recebidos no Brasil a partir de fevereiro de 1997, sendo direcionados ao Centro de Instrução de Blindados, no Rio de Janeiro (RJ), 4º Regimento de Carros de Combate, em Rosário do Sul (RS), 5º Regimento de Carros de Combate, em Rio Negro (PR) e a Escola de Material Bélico, no Rio de Janeiro(RJ).
A incorporação do M60A3 TTS proporcionou ao Exército Brasileiro o acesso a tecnologias inéditas embarcadas em carros de combate, como os sistemas Tank Thermal Sight (equipamento de visão noturna passiva e residual), tiro estabilizado e indireto, telêmetro laser e computador balístico M21, além possuir uma blindagem mais resistente e armamento mais poderoso (canhão de 105mm com alcance de 4km), gerando assim um importante legado de doutrina operacional. Apesar destes pontos positivos quando comparado ao seu antecessor o M41C Caxias, os M60A3 TTS possuem o inconveniente de que seu peso de deslocamento ser inadequado em algumas regiões devido a estrutura rodoviária e ferroviária nacional não ter sido dimensionada para operação e transporte de blindados desta categoria.

Apesar das unidades recebidas em 1997 apresentarem pequenas diferenças entre si (resultados de programa de melhoria e modernização), como pequenos detalhes externos que variam de carro para carro e alguns componentes mecânicos não estando  presentes em todos eles, estes fatores não comprometeram o seu funcionamento ou operacionalidade ao longo destes anos, ficando toda sua manutenção a cargo do Parque Regional de Manutenção da 5º Região Militar - PqRMnt/5 em Curitiba, que vem obtendo bons resultados e alto índice de disponibilidade, envolvendo inclusive a nacionalização de componentes críticos como, filtro de bomba injetora, óleo lubrificante, filtro de óleo de motor, bateria de 150Ah, filtro primário e combustível, bandagem da cinta da fricção e outros.
Com o recebimento dos carros de combate Leopard 1A5 a partir de 2010, o comando do exército promoveu uma redistribuição de suas forças blindadas, escolhendo os melhores trinta e dois M60A3 TTS para transferência ao Comando Militar do Oeste (CMO) para serem empregados junto ao 20º Regimento de Cavalaria Blindada sediado na cidade de Campo Grande no Mato Grosso do Sul, para assim substituir os derradeiros M41C. Algumas unidades também foram enviadas ao PqRMnt/9 de Campo Grande a fim de serem desmontadas, para aproveitamento de componentes como suprimento de 2º classe. Três blindados ainda foram mantidos no Centro de Instrução de Blindados para serem utilizadas nos estágios de formação. Especula se no entanto a possibilidade de modernizar toda a frota remanescente tendo em vista sucessivos êxitos em projetos semelhantes realizados no exterior.

Em Escala.

Para representarmos o M-60A3 TTS do Exército Brasileiro (lembrando que em função do contrato de leasing os mesmos não receberam marcações ou numeração serial) empregamos o excelente kit da Tamiya na escala 1/35, modelo este que apresenta um excelente nível de detalhamento fornecendo ainda um set extras de equipamentos, tripulação e munição para emprego.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o primeiro padrão de pintura adotado pelo exército americano em sua força de M-60 baseada na Europa, por questões contratuais do processo de leasing sua operação no Brasil manteve esta padronização, não portando ainda nenhuma marcação nacional. Os carros transferidos ao 20º RCB passaram a ostentar a pintura camuflada semelhante a aplicada nos M41C.

Bibliografia :

- Blindados sob lagartas - Expedito Carlos S. Bastos www.ecsbdefesa.com.br/defesa/fts/BSLMPI.pdf
- Blindados no Brasil – Um Longo e Árduo Aprendizado Vol II, por Expedito Carlos S. Bastos
- M60A3 TTS no Brasil – www.defesanet.com
- Viaturas do Exército Brasileiro - http://viaturasdoeb.blogspot.com.br/
- M-60 Patton - http://en.wikipedia.org/wiki/M60_Patton