Taylorcraft BC- CAP4B - Neiva P56B/D

Historia e Desenvolvimento. 

A origem desta vasta linhagem de aeronaves leves de ligação e instrução tem inicio em 1927 com a fundação da empresa Taylor Brothers Aircraft Manufacturing, tendo como primeiro produto de destaque o Taylor Cub, um pequeno avião biplace de asa alta cuja a produção foi iniciada em 1931 atingindo a cifra de mais quatro mil aeronaves produzidas. Após a formação da Piper Aircraft esta aeronave passou a ser comercializada como Piper Cub, seguindo novamente a linha de sucesso em vendas com emprego também no segmento militar, inclusive comercializando os direitos de produção para empresas aeronáuticas espalhadas ao redor do mundo.

No Brasil o projeto original da Taylor/Piper Cub começou a ganhar forma com o entusiasmo do empresário Francisco Pignatari pela aviação, no final da década de 1930, quando em conjunto com o engenheiro italiano L. Bresciani projetaram e construíram dois protótipos de um modelo monomotor de pequeno porte para dois tripulantes com base no estilo original americano. No final do ano de 1940, foi criada uma divisão industrial voltada a aviação dentro de uma das empresas do grupo, esta unidade tinha como principal missão a construção de planadores civis. A boa recepção dos planadores no meio aeronáutico encorajou Pignatari a criar uma empresa de construção de aviões, assim em agosto de 1942, surgia a Companhia Aeronáutica Paulista – CAP que em associação com Instituto de Pesquisas e Tecnologia de São Paulo, passaram a desenvolver a aeronave IPT-4, que foi renomeada CAP-1 "Planalto" e suas variantes como o CAP-2, o CAP-3 e o CAP-3A.
A evolução denominada CAP4 baseava-se na aeronave EAY-201 Ypiranga, cujos direitos de projeto e fabricação, eram pertencentes à Empresa Aeronáutica Ypiranga, e foram revistos e atualizados pela equipe de engenheiros do IPT. Em 2 de abril de 1943, o primeiro exemplar deixou as linhas de montagem para testes iniciais de aceitação em 2 de abril de 1943. Era uma aeronave robusta, de pilotagem simples e manutenção fácil. Por ser de construção simples, a CAP chegou a fabricar um Paulistinha por dia em 1943, no auge de sua fabricação, que encerrou em 1948. Com exceção dos motores, que vinham dos EUA, praticamente todos os demais itens eram de fabricação nacional. O modelo foi produzido em três versões sendo CAP-4A para instrução, CAP-4B para remoção aero médica w o CAP-4C "Paulistinha Rádio" para regulagem de tiro de artilharia, ao todo seriam produzidas 780 aeronaves.

Em 1955 a Sociedade Construtora Aeronáutica Neiva, adquiriu os direitos de fabricação do Paulistinha CAP-4 com o Ministério da Aeronáutica. O projeto recebeu modificações, entre elas o reposicionamento do tanque e a seletora de combustível, que recebeu uma proteção para evitar o fechamento acidental, a alteração das portas da cabine, as janelas, o capô do motor e os instrumentos, além de utilizar um propulsor mais potente, um Lycoming de 100 hp, e o batizou P-56 (P de Paulistinha e 56 do ano do projeto - 1956). Para motorizar o P-56, a Neiva adotou o Continental C90 8F, de 90 hp, mas como não foi possível adquiri-lo no Brasil, utilizou o Continental C90 14F, também de 90 hp, mas que tinha partida elétrica, e mudou o sistema para manual para certificá-lo em 1957. Em setembro do mesmo ano, o Ministério da Aeronáutica fez uma encomenda de 19 P-56, que receberam os motores Lycoming O235B, de 100 hp, de propriedade do governo brasileiro, e a Neiva o designou P-56B.
Com a aquisição dos motores Continental C90 8F, de 90 hp, a Neiva homologou o P-56C (C de Continental) em 1960. Em seguida, o fabricante criou os modelos P-56B1, que recebeu um motor Lycoming de 115 hp, utilizado para pulverização de lavouras, e o P-56C1, que recebeu o motor Lycoming O320, de 150 hp, e foi usado como rebocador de planadores. Foram fabricados cerca de 260 Neiva P-56 Paulistinhas. A maioria foi comprada pelo Ministério da Aeronáutica e doada aos aeroclubes, que, posteriormente, venderam alguns modelos a pilotos particulares, estando muitos operacionais no meio civil até os dias de hoje.

Emprego no Brasil. 

No início de 1942 foram organizadas diversas campanhas que visavam a doação de aviões a Força Aérea Brasileira, com uma aeronave CAP-4 sendo doada pelo Rotary Club do Rio de Janeiro, estando configurada como avião ambulância, que foi batizada como “Anna Nery”, sendo distribuída a Base Aérea do Galeão. Em maio de 1945, a Subdiretoria Técnica da Aeronáutica (SDTAer), recebeu um CAP-4A Paulistinha, que recebeu a matricula L-CAP4 3055, sendo empregado em missões de ligação e transporte. Quando foram considerados excedentes as necessidades da FAB, a vida operacional das duas aeronaves chegou ao fim, quando em 1947 o CAP-4B foi descarregado e entregue a Fundação Brasil Central, por sua vez o CAP-4A que agora pertencia a Diretoria de Material da Aeronáutica foi transferido ao Departamento de Aviação Civil em novembro de 1948, e repassado para o Aeroclube de Garça(SP).

Os primeiros Taylorcraft em serviço foram recebidas em 1955, sendo colocadas em voo por técnicos do Parque de Material dos Afonsos e receberam a designação militar L-2 recebendo as matriculas 3060 e 3061, transferidas as Bases Aéreas do Galeão e Porto Alegre, ficando a disposição do QG da V Zona Aérea. Em 1956 as duas células foram desativadas sendo transferidos ao Departamento de Aviação Civil. Em 1962 uma célula do modelo BC-12D foi incorporada ao Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval, anteriormente a mesma estava em serviço do Curso de Observador Aéreo Naval, para emprego em missões de ligação e transporte, e posteriormente sendo transferida para o Destacamento de Aeronaves da BaeNSPA. Em 1964 foi determinado que o BC-12D fosse alocado junto ao 1º Esquadrão Misto de Aeronaves do Núcleo do Comando de Aviação da Força de Fuzileiros da Esquadra. Em 1965 esta célula foi transferida a FAB quando da promulgação do Decreto 55.627, porem consta nos registros que a mesma foi descarregada do acervo semanas depois, sendo sucateada logo em seguida.  
Em 1962 a Marinha procedeu a aquisição de pelo menos duas células do CAP-4 Paulistinha para emprego junto as atividades do Curso de Observador Aéreo Naval na base aérea de São Pedro da Aldeia, dando continuidade as aulas ministradas anteriormente que eram realizadas por aeronaves civis pertencentes ao aeroclube de Manguinhos, chegando a formar cinco turmas de observadores aéreos navais. No entanto praticamente não se sabe da utilização dada a estas aeronaves, salvo escassas indicações de que realizaram alguns voos de adestramento. A exemplo dos Taylorcraft, os CAP-4 foram transferidos ao 1º Esquadrão Misto de Aeronaves do Núcleo do Comando de Aviação da Força de Fuzileiros da Esquadra, da mesma forma em 1965 foram entregues a FAB após o Decreto 55.627, não sendo também incorporadas ao acervo desta força.

Na primeira metade da década de 1950, a Força Aérea Brasileira, buscava opções para a substituição de sua frota de aeronaves de ligação leve, visando fomentar a indústria nacional o Ministério da Aeronáutica assinou com a Sociedade Aeronáutica Neiva em 1957, um contrato para a aquisição de 20 exemplares do P-56B Paulistinha. A primeira célula que originalmente se tratava do protótipo foi destinada ao CTA, as 12 aeronaves seguintes foram destinadas a 3º Esquadrilha de Ligação e Observação entre junho de 1959 e janeiro de 1960. As células restantes foram distribuídas a 1º Esquadrilha de Ligação e Observação, no entanto os últimos cinco CAP-4 apesar de receberem as matriculas militares foram transferidos diretamente ao Departamento de Aviação Civil (DAC). Nos anos inicias os L-6 careciam de equipamentos especializados para as missões de controle aéreo e observação como rádio e lançadores de foguetes de fosforo branco, restringindo em muitos suas tarefas as missões de ligação. A partir de meados de 1960 algumas células começaram a ser transferidas para outras unidades entre elas a Escola de Aeronáutica e bases aéreas para emprego como aeronaves orgânicas.
Em 1963 mais duas células foram recebidas, ambas entregues ao Grupo de Transporte Especial, porém tiveram uma vida efêmera, com uma transferida a Base Aérea de Brasília e outra para o DAC, neste mesmo ano as últimas unidades foram retiradas do acervo da 3º ELO e alocadas junto a BACO, BAFZ e BASC onde passaram a ser operados por pessoal do 1º/14º Gav e 1º GavC. Em 1965 um P-56D com motor mais potente foi recebido sendo designado como YL-6A com esta aeronave sendo operada pelo CTA, no ano seguinte quatro aeronaves foram revisadas e doadas a Força Aérea Paraguaia. Em meados de 1973 foi iniciado o processo de desativação dos L-6 passando a ser substituídos pelo L-42 Regente, com as aeronaves remanescentes transferidas ao DAC que procedeu sua doação a diversos aeroclubes brasileiros.

Em Escala.

Para representarmos o Paulistinha N-710 da Aviação Naval (que posteriormente teve sua matricula alterada para N-505), fizemos uso do antigo kit da Academy na escala 1/48, a similaridade do projeto da Piper com a aeronave nacional nos permite representarmos o modelo em questão procedendo mínimas alterações. Empregamos decais do fabricante FCM presentes no Set 48/07A.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o primeiro padrão de pintura de alta visibilidade, empregado nas aeronaves de instrução da Marinha Brasileira, durante a sua segunda fase da aviação naval. As aeronaves da FAB empregaram outros esquemas de pintura durante sua carreira.

Bibliografia :

- Averonaves Militares Brasileirsa 1916 – 2015 – Jackson Flores Jr
- História da Força Aérea Brasileira, Professor Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- Aviação Naval Brasileira, Professor Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/Asas%20sobre%20os%20mares/index.html