M3 - M3A1 Stuart no Exército Brasileiro

História e Desenvolvimento. 

No final da década de 1930, o comando do Exército Americano tinha plena ciência que seus principais modelos de carros leve de combate M1 e M2 estavam completamente obsoletos quando comparados a seus principais rivais alemães. Fazia se necessário atender a esta demanda, com os primeiros passados sendo tomados em julho de 1940, com a decisão de um novo veículo que culminaria na família M3 Light Tank, o  ponto de partida foi a adoção do canhão M22 de 37mm, sua blindagem foi projetada para resistir a tiros de armas antitanque do mesmo calibre da arma principal, assim partiu se para o emprego de uma nova suspensão redesenhada para assim suportar o peso excedente proveniente da blindagem, ganhando nas lagartas uma polia extensora traseira de maior diâmetro, aumentando assim a superfície de contato com o solo.

Uma nova torre foi desenvolvida, sendo inicialmente soldada e rebitada em formato oitavado, para acelerar a produção foi decidido modificar novamente a torre, utilizando uma única chapa laminada moldada de espessura de 31,75mm para a frente e lateral da torre. A torre foi alvo de diversas alterações ao longo de sua produção. O M3 levava uma tripulação de 4 homens composto por motorista, comandante, municiador e auxiliar. Na torre dos primeiros modelos, o comandante, que era também o artilheiro do canhão, nos modelos mais modernos a partir da adoção de periscópicos para os dois tripulantes da torre, o comandante passou a se posicionar no lado direito, cumprindo a função de municiador. Com as definições de projeto alinhadas, iniciou-se de imediato a produção em larga escala a fins de se atender as demandas emergenciais de reequipamento do US Army.
Os M3 foram os primeiros carros de combate exportados às pressas para os ingleses poderem enfrentar os blindados das forças do Eixo no deserto ao todo seria fornecido 5.532 M3 de diversos modelos nos termos do Leand & Lease Act, dentro deste mesmo programa de auxílio a União Soviética se tornaria um dos maiores operadores, recebendo 1.676 unidades que foram empregadas provisoriamente para reforçar a debilitadas forças blindadas até a recuperação de sua capacidade industrial nas primeiras fases do conflito. Os ensinamentos adquiridos em combate obrigaram os projetistas a proceder uma série de melhorias e modificações, entre estas destaca-se a alteração do motor, pois a escassez de motores radiais a gasolina (que eram destinados com prioridade a indústria aeronáutica), assim o fabricante passou a dotar os novos lotes de produção com motores a diesel, sendo inicialmente destacados para o treinamento de tripulações em território Americano, mas muitos deles chegaram a ser exportados para nações aliadas, sendo entregues 1.285 veículos com esta motorização.

Os britânicos designaram oficialmente o M3 como General Stuart, homenageando um oficial das forças confederadas, sendo este nome adotado oficialmente também pelo US Army que emprego o modelo pela primeira vez em combate contra as forças japonesas em fins de 1941 na defesa das Filipinas. O modelo também seria empregado contra as forças alemães e italianas em 1943 no deserto na Tunísia, quando sofreu pesadas perdas, e isso não se deveu apenas a inferioridade do equipamento, mas, de maneira fundamental, pela inexperiência de suas tripulações. Já durante a segunda fase da campanha do Pacifico esses blindados dominaram o campo de batalha, mostrando superioridade perante qualquer blindado japonês.
Apesar de todas as modernizações implementadas no projeto, o veículo havia chegado ao limite de sua capacidade blindada, com seu projeto não permitindo a adoção de um canhão de maior calibre, e em junho de 1944 suas variantes mais recentes passaram a ser substituídas pelos novos tanques leves M-24 Chaffe. Até junho de 1944 foram produzidas 13.859 unidades (M3/M3A1/M3A3). Após o termino da Segunda Guerra Mundial os Stuart foram empregados em diversas partes do mundo, participando ativamente de conflitos como o da Indochina, Guerra Civil Chinesa e Guine, foram também pelos menos 40 nações amigas, com os últimos exemplares se mantendo na ativa no Paraguai até os dias atuais.

Emprego no Brasil. 

No início da década de 1940 o crescente alinhamento entre o governo do presidente Getúlio Vargas e o Estados Unidos, resultaria em um amplo programa de assistência militar, englobando modernização de infraestrutura, treinamento de tropas e reequipamento bélico, visando assim prover a guarnição e defesa do território nacional por efetivos brasileiros. Um dos meios deste processo foi a adesão ao Leand Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos). Nesta época o Exército Brasileiro ainda estava dotado com os obsoletos blindados italianos Ansalvo CV3-35 com pouquíssimas unidades disponíveis, assim sendo foi realizada uma encomenda antecipada ainda fora dos termos do Leand Lease de 10 carros de combate M3 Stuart que foram entregues no início de setembro de 1941

O bom desempenho destas unidades iniciais gerou uma segunda encomenda de 20 carros de combate em fevereiro de 1942, que complementadas por mais 200 unidades até 1944. Até o termino do conflito o exército brasileiro viria a receber um total de 437 Stuart sendo dispostos em várias versões, entre elas, M3 Type 2 Stuart MK I, M3 Type 4/5 Stuart MK I/II, M3 Type 6/7 Stuart Hybrid, M3 Type 8/9 Stuart Hybrid e M3A1 Stuart MK III/IV. Inicialmente os Stuart foram deslocados para a região nordeste, visando assim guarnecer as novas instalações militares edificadas pelos Americanos, sendo destinados a 1 e 2 Companhias Independentes de Carros de Combate Leve, que posteriormente passaria a ter denominação de 1 e 2 Batalhão de Carros de Combate (BCC), sendo sediados em Recife e Natal outras unidades localizadas nas regiões sudeste e sul também receberam algumas unidades destes carros de combate. 
Em agosto de 1945 todas as unidades blindadas do exército seriam reorganizadas nos moldes americanos sendo classificadas como Batalhões de Carros de Combate (BCC) e Batalhões de Carros de Combate Leve, sendo dispostas em seis unidades que seriam baseadas nas regiões sudeste, sul e nordeste, se atendo as limitações de infraestrutura ferroviária e rodoviária necessárias ao deslocamento de blindados no território nacional. Apesar de nunca ter entrado em combate no Exército Brasileiro, os Stuart se fizeram presentes como agentes de dissuasão em vários momentos de crise politicas nas décadas de 1940, 1950 e 1960.  Por ser o carro de combate presente em maior número no pais os Stuart, dotaram 34 unidades divididas entre Batalhões de Carro de Combate e Carro de Combate Leve, Regimentos de Reconhecimento Mecanizado, Esquadrões de Reconhecimento Mecanizado, Regimentos de Cavalaria Blindada, Regimentos de Cavalaria Mecanizada e instituições de ensino militares.

Desde os primeiros anos de operação, o Stuart conquistou a simpatia e preferência dos militares mais notadamente por sua simplicidade de operação e manutenção e também por sua agilidade e velocidade recebendo o apelido carinhoso de “Perereca”. O passar dos anos apresentou um agravamento constante nos índices de indisponibilidade que era proporcionado pela escassez de peças sobressalentes, esta dificuldade gerou soluções independentes nas unidades visando a recuperação da capacidade de operação com o emprego de peças de fabricação nacional, porem era apenas uma solução paliativa apesar da recuperação de quase 300 unidades. 

A adoção de grandes lotes dos novos carros de combate M-41 Walker Buldog selou o destino dos Stuart no país, sendo que na metade da década de 1970 muitos carros foram recolhidos ao PqRMM/3 visando uma triagem para identificar quais as células em melhores condições que deveriam ser submetidas futuramente ao processo de transformação nos novos carros de combate X1 a serem produzidos pela empresa paulista Bernardini. A última unidade a operar o Stuart foi o 16º RC Mec baseado na cidade Bayeux (Paraíba), que foi ativada em 1971 com a dotação de 16 carros de combate M3A1 Stuart que foram empregados até fins de 1987, encerrando assim uma carreira de 46 anos junto ao Exército Brasileiro.

Em Escala.

Para representarmos o M-3 Stuart “EB11-464” fizemos uso do excelente kit da Academy na escala 1/35, lembrando que na caixa o mesmo o modelo se apresentam como M3A1, o que na verdade não é, pois refere-se ao M3 Type 6/7/8/9. Empregamos decais Eletric Products pertencentes ao set  "Exército Brasileiro  1942/1982".
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura empregados em todos os modelos dos M3/A1 Stuart operados pelo Exército Brasileiro, sendo as cores originais da fábrica denominadas “ Vitrolack Cor 7043-P-12”, sendo este esquema mantido durante toda a sua carreira.

Bibliografia :

- O Stuart no Brasil – Helio Higuchi, Reginaldo Bachi e Paulo R. Bastos Jr.
- M-3 Stuart Wikipedia - http://en.wikipedia.org/wiki/M3_Stuart
- Blindados no Brasil Volume I, por Expedito Carlos S. Bastos