M3A1 & XM3D/E Viatura de Combate AA

História e Desenvolvimento. 

No final da década de 1930, o comando do Exército Americano, tinha plena ciência que seus principais modelos de carros leve de combate, estavam completamente obsoletos quando comparados a seus principais rivais alemães. Para se atender a esta demanda surgiria o M3 Light Tank, que teve como ponto e partida a adoção do canhão M22 de 37mm, com sua blindagem projetada para resistir a tiros de armas antitanque do mesmo calibre da arma principal, para suportar o peso adicional empregou-se uma nova suspensão redesenhada para assim suportar o peso excedente proveniente da blindagem, ganhando nas lagartas uma polia extensora traseira de maior diâmetro, também seria desenvolvida uma nova torre. Com as definições alinhadas iniciou-se de imediato a produção em larga escala a fins de se atender as demandas emergenciais de reequipamento do Exército Americano

Os Stuarts foram os primeiros carros de combate exportados às pressas para os ingleses poderem enfrentar os blindados das forças do Eixo no deserto, nos termos do Leand & Lease Act, dentro deste mesmo programa de auxílio a União Soviética se tornaria um dos maiores operadores do veículo. No início da participação americana na Segunda Guerra Mundial, as diversas versões do carro leve de combate M3 Stuart estavam presentes em todos os fronts, estando em serviço também em nações aliadas. As experiências obtidas em campo nos primeiros dois anos do conflito evidenciavam deficiências básicas no projeto, sendo baseadas no baixo desempenho do canhão de 37 mm e limitação de sua capacidade blindada frente as ameaças dos blindados alemães e japoneses.
Sendo considerado o principal carro de combate leve das Forças Aliadas, sua produção, mediante os contratos firmados nos primeiros anos da Segunda Guerra Mundial, levaram a necessidade de maximizar o potencial de todo o equipamento produzido para o esforço de guerra, com o intuito de melhorar a logistica no fluxo de peças de reposição e consequente facilitar a manutenção em campo. Assim iniciaram-se estudos visando o desenvolvimento de variantes de serviço dos carros de combate em serviço, entre eles a família M3 Stuart, partindo não só para a produção de novos veículos como também a conversão de carros de combate já entregues anteriormente.

As primeiras versões começaram a ser entregues em 1941, e entre elas destacam-se o M3/M5 Command Tank. – Carro Comando, T8 Reconnaissance Vehicle – Carro de Reconhecimento leve sob esteiras, M5 Dozer – Veiculo de Engenharia, M8/M8A1 Scott – Obuseiro autopropulsado de 75mm; M3 Maxson Turret – Versão Anti Aérea dotada com 4 metralhadoras .50; Stuart Race – Versão britânica para reconhecimento e M3/M3A1 Flame Gun -  Carro lancha chamas. Estima-se que cerca de 2.450 unidades destas variantes foram produzidas ou convertidas durante a Segunda Guerra Mundial.
Estas versões proporcionaram um novo alento na contribuição da família M3/M5 Stuart no esforço de guerra aliado. No período pós-guerra os volumes excedentes foram transferidos a nações amigas que no anseio por estender a vida útil de seus veículos procederam inúmeros processos de modernizações ou conversões. Garantindo assim uma sobrevida até pelo menos meados da década de 1980.

Emprego no Brasil. 

Em fins da década de 1960, a frota brasileira de carros de combate leve M3/M3A1 Stuart completava quase vinte anos de operação no Exército Brasileiro, apresentando índices críticos de disponibilidade, devido à falta de peças de reposição, mais notadamente aquelas destinadas aos motores a gasolina. Também pesava contra o modelo sua natural obsolescência, onde o canhão de 37 mm era completamente ineficiente frente as possíveis ameaças naturais da força blindada brasileira. Apesar deste último fator, a grande quantidade de carros disponíveis motivou os primeiros estudos referentes a modernização e aproveitamento destes veículos em novas atividades.

Neste mesmo período, a equipe técnica do Parque Regional de Motomecanizacão de Santa Maria imbuído dentro dos esforços do “Plano Impere” que visava recuperar diversos veículos de combate do III Exército. Nesta época diante da necessidade de um veiculo trator para rebocar os M3 durante o processo de recuperação, um Stuart equipado com motor Guiberson teve sua torre retirada, sofrendo algumas modificações no chassi, transformando o em um trator rebocador de 13 toneladas que se manteve na ativa até meados da década de 1980. Paralelamente a equipe do 1º Batalhão de Carros de Combate Leve (BCCL), procedeu a recuperação de várias unidades do modelo que constavam em seu inventario. Em 1969 a visita de uma delegação israelense que tinha como objetivo a aquisição de plataformas militares antigas para conversão de novas versões de serviço, viria a despertar a atenção do Coronel Oscar de Abreu Paiva (comandante do 1º BCCL)para as possibilidades de emprego dos blindados M3/M3A1 Stuart existentes.
Entre as possibilidades de variantes a serem exploradas, inicialmente ganhou força o conceito desenvolvido pelo Exército Americano de um M3 Stuart para aplicação antiaérea equipado com uma torre elétrica M45 Quadmout. Desta maneira o carro de matricula “EB11-487” foi escolhido para este processo, tendo sua torre do canhão de 37 mm removida, em seu lugar seria adaptado um reparo de metralhadoras antiaéreas quadruplo M55 de calibre .50 que fora fornecido pelo 5º Grupamento de Artilharia Antiaérea 90mm (Gcan90 AAe). Todo o processo de conversão foi executado nas oficinas do 1ºBCCL com o apoio dos técnicos da outra unidade, sendo considerada um sucesso do ponto de vista de funcionamentos dos sistemas elétricos e mecânicos. Apesar de ter participado de testes e exercícios, a falta de interesse do comando do exército levou ao cancelamento do projeto, sendo o veículo restaurado a sua condição original.

O conceito de um veículo antiaéreo nacional ressurgiria no início da década de 1980, tomando por base a plataforma modernizada na versão X1, criando assim o projeto “Viatura de Combate Antiaérea XM3D1”. A exemplo da iniciativa da década de 1960 o armamento estava baseado no reparo antiaéreo M55 que fora modernizado e nacionalizado pela empresa Lysan Indústria e Comercio Ltda, que estava equipado quatro metralhadoras Browning.50. Também foram implementados estudos para a adoção uma torre com dois canhões antiaéreos de 20mm. Um novo carro designado XM3E1 foi projetado inicialmente para operar com um canhão de 40mm/L60, porém devido a restrições o carro foi dotado novamente com o mesmo reparo quadruplo empregado no XM3D1. Um ponto interessante a analisar e que os dois modelos diferiram da versão anterior desenvolvida pelo 1ºBCCL, pois estes possuíam uma nova carroceria desenvolvida para suportar a nova motorização, esta nova configuração ocasionou no descolamento da torre para a esquerda para assim evitar contato com o eixo cardan que estava disposto na diagonal e impedia a instalação dos sistemas elétricos.
Os protótipos foram exaustivamente testados e avaliados pelo Exército Brasileiro, porém a baixa cadencia de fogo e o alcance das armas se mostraram inadequados face a ameaça de aeronaves a reação existentes naquela época, assim sendo o projeto foi cancelado em definitivo. Os dois protótipos foram encaminhados a Campo de Provas da Restinga da Marambaia, sendo que o XM3E1 ainda permaneceu na ativa até recentemente sendo empregado como trator rebocador, o XM3D1 foi empregado como alvo estático durante a campanha de avaliação dos blindados Centauro em 2001.

Em Escala.

Para representarmos o M-3 Stuart Antiaéreo “EB11-487” convertido pelo 1 º BCCL fizemos uso do excelente kit da Academy na escala 1/35, acrescendo no modelo o reparo quadruplo M-55 da Dragon (Quad Gun Trailler), conversão está muito simples e rápida. Empregamos decais Eletric Products pertencentes ao set  "Exército Brasileiro  1942/1982".
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura empregados em todos os modelos dos M3/A1 Stuart operados pelo Exército Brasileiro, sendo as cores originais da fábrica denominadas “ Vitrolack Cor 7043-P-12”, sendo este esquema mantido durante o período de testes e avaliação, um dos carros receberia ainda a pintura camuflada padrão a partir de 1983.

Bibliografia :

- O Stuart no Brasil – Helio Higuchi, Reginaldo Bachi e Paulo R. Bastos Jr.
- M-3 Stuart Wikipedia - http://en.wikipedia.org/wiki/M3_Stuart
- Blindados no Brasil Volume I, por Expedito Carlos S. Bastos