Embraer EMB 312 T-27 Tucano

História e Desenvolvimento. 

Em meados da década de 1970, o sistema de treinamento de pilotos da FAB era baseado nas aeronaves Aerotec T-23 Uirapuru, Neiva T-25 Universal e jato Cessna T-37. Este último tinha um alto custo operacional e sofria de uma falta crônica de peças, tornando sua operação cada vez mais complicada. Assim, no final da década, começaram a ser substituídos nas tarefas de instrução básica-avançada pelos T-25 Universal. Entretanto, a FAB demandava uma aeronave de treinamento mais moderna, principalmente porque novas e avançadas aeronaves de caça Mirage III e Northrop F-5E iniciavam suas operações. Vislumbrando uma oportunidade de negócio, a Embraer passou a estudar as alternativas disponíveis no mercado que, na época, se resumiam a aeronaves a jato ou aviões de propulsão convencional, adaptados com motorização turboélice. 

Estes estudos concluíram que a opção mais viável em termos de custo benefício, estava baseada em uma aeronave turboélice que principalmente por ser um motor mais econômico, era a mais adequada em cenário permeado pela crise internacional do petróleo que gerava a consequente alta nos preços dos combustíveis, encarecendo assim consideravelmente as horas de voo empregadas no processo de formação e treinamento dos cadetes. Com base neste veredito, em 1977 a Embraer elaborou as primeiras propostas do EMB 312 ao então Ministério da Aeronáutica, seu projeto promissor agradou o comando da Força Aérea Brasileira, definindo assim o acordo para o desenvolvimento da aeronave em fins de 1978, que com a definição das premissas técnicas básicas, levaria ao inicio oficial do projeto do novo treinador em janeiro de 1979.
A aeronave, designada na FAB como T-27, apresentava desenho avançado para a época com várias características inovadoras, que acabaram por se tornar padrão mundial para aeronaves de treinamento básico. O EMB 312 foi o primeiro avião de treinamento desenvolvido e produzido desde o início como turboélice, mas mantendo características operacionais e proximidade de performance das aeronaves a jato. Além disso, e diferente das outras aeronaves de treinamento do inventário da FAB, o T-27 não possuía assentos lado a lado, mas sim na configuração em tandem escalonados, onde o instrutor e aluno se sentavam no eixo longitudinal da aeronave, sendo o posto traseiro mais elevado, permitindo ao instrutor a visão frontal. Esta configuração, além de reduzir a área frontal da aeronave, ainda permitia melhor adaptação do cadete ao ambiente de uma aeronave de caça. Outra característica inovadora foi a adoção de assentos ejetáveis. O T-27 foi o primeiro treinador básico turboélice a ser equipado com esse importante recurso de segurança. Os tripulantes ficavam abrigados sob uma grande capota transparente em peça única de plexiglass, produzida de forma a não gerar distorções óticas

O primeiro protótipo, matriculado como YT-27 1300, foi apresentado oficialmente em cerimônia de rollout no dia 19 de agosto de 1980, ocasião em que a aeronave efetuou seu primeiro voo oficial. O avião logo despertou o interesse internacional e várias nações passaram a testá-lo. As primeiras encomendas partiram de Honduras e Egito. O Tucano foi produzido sob licença no Egito, para a Força Aérea daquele país e para o Iraque, transformando-se na primeira experiência da Embraer na montagem de aeronaves no exterior. Pouco depois, a Real Força Aérea (RAF), do Reino Unido, emitiu os exigentes requisitos de sua futura aeronave de treinamento, dando início à mais acirrada concorrência militar da época. A Embraer estabeleceu parceria com a empresa irlandesa Short Brothers PLC e o Tucano foi extensamente modificado, dando origem ao Shorts Tucano, que venceu a concorrência. Essa vitória foi um marco na história da Embraer, com grande repercussão na mídia internacional, além de gerar uma terceira linha de montagem na Irlanda do Norte para a produção do Shorts Tucano.
Em 1991 foi firmado acordo para venda de um lote de 80 aeronaves EMB 312 Tucano para Força Aérea da França, as entregas do primeiro lote aconteceram a partir de 1994. Ao todo foram construídas 489 células pela Embraer, considerando também as aeronaves produzidas sob licença pela empresa egípcia AOI, que foram destinados ao Iraque e Egito, a versão desenvolvida em conjunto com a Short Brothers , designada  S312 Tucano T1 atingiu a cifra de 148 células que foram empregadas pelas forças aéreas da Gra Bretanha, Kwuait e Quenia.

Emprego no Brasil. 

O Embraer T-27 Tucano nasceu não só para substituir o Cessna T-37 na Academia da Força Aérea (AFA) na missão de treinamento avançado, mas também para impulsionar a indústria nacional aeroespacial. Assim em outubro de 1980 o Ministério da Aeronáutica viria a assinar com a Embraer, uma encomenda firme de 118 aeronaves com mais 50 células como opção, viabilizando o início da produção seriada nas instalações da empresa em São Jose dos Campos. Os primeiros oito exemplares (FAB 1303 a 1310) na versão de treinamento do T-27 foram entregues a partir de 29 de setembro de 1983 para a Academia de Força Aérea (AFA), onde foram alocados no 1º Esquadrão de Instrução Aérea (EIA), substituindo os T-25 Universal que por sua vez substituíram os T-23 Uirapuru nas tarefas de instrução primária no 2º Esquadrão de Instrução Aérea (EIA).

Das 118 aeronaves iniciais previstas em contrato, 60 células foram destinadas a AFA, onde após um breve período de adaptação ano vetor, viriam a iniciar as missões de instrução dos cadetes a partir de 1 de julho de 1984. O advento da introdução das aeronaves T-27 Tucano nas tarefas de instrução na Academia da Força Aérea, trouxeram uma melhoria significativa nos parâmetros de qualidade de formação dos novos pilotos, pois o novo modelo considerado um turbo hélice de alta performance com características de comandos precisos, boa margem de manobra mesmo à baixa altitude, confiabilidade, visibilidade e capacidade de voo em diferentes condições climáticas o tornaram muito superior aos T-25 Universal, reduzindo assim o tempo de adaptação dos cadetes para o emprego do jato AT-26 Xavante, vetor que seria empregado para a conclusão do processo de formação dos pilotos de caça.
Antecipando o recebimento das novas aeronaves, para fins de 1983, o Ministério da Aeronáutica formalmente reativou a Esquadrilha da Fumaça em 21 de outubro de 1982, unidade que passaria a ser chamada oficialmente de Esquadrão de Demonstração Aérea (EDA), que receberia a dotação de sete aeronaves configuradas com dos pods dispensadores de fumaça branca nos cabides subalares. Após o recebimento das mesmas, o grupo iniciou o treinamento para a realização das futuras apresentações, tendo a primeira ocorrido em 8 de dezembro de 1983 durante a cerimônia de formatura dos cadetes daquele ano. Com o T-27 o EDA realizou em os anos de 1983 e 2013 cerca de 2.363 demonstrações não só no Brasil, mas também na Europa, América do Norte e América Latina, atingindo 21 países nestes trinta anos, após este período a esquadrilha passou por um período de transição e substituiu o T-27 pelo A-29 Super Tucano, com a A despedida do T-27 ocorreu no dia 31 de março de 2013 sobre o Lago Paranoá, em Brasília no Distrito Federal.

No entanto, apesar de ter 151 matriculas alocadas, a Força Aérea Brasileira só recebeu 136 células do T-27, pois 15 deles foram repassados antes de sua entrega a Força Aérea Argentina (FAA). Essas aeronaves foram trocadas por um lote de aviões leves Aero Boero 115 e 180 que, em 1990, passaram a equipar os diversos aeroclubes do país e também o Clube de Voo a Vela da AFA para serem empregados em tarefas de reboque de planadores. Salientando que deste lote 50 aeronaves foram configuradas na versão AT-27 que estavam equipadas com visor de tiro e e provisão para o emprego de casulos de metralhadoras MAG 7,62 mm, lança foguetes SBAT-70/77 e bombas de emprego geral, em quatro pontos fixos sob as asas, a fim de serem usados em missões de contra insurgência e apoio leve aproximado.
Após mais de trinta anos em operação na Academia da Força Aérea, foram registrados 30 acidentes com perda das células, algumas outras foram desativadas por fadiga estrutural ou estocadas como reserva ou base para fornecimento de peças de reposição. Atualmente existem 35 aeronaves em uso pelo 1º Esquadrão de Instrução Aérea (EIA), existem estudos que visam aplicar um processo modernização de sua aviônica e reforço estrutural, semelhante ao desenvolvido pela Embraer e a Força Aérea Colombiana, permitindo a atualização da aeronave, tendo ainda mais de uma década de vida útil na instrução de novos pilotos.

Em Escala.

Para representarmos o T-27 Tucano “FAB 1427 " empregamos o kit em resina De Lima Kits & Dumont Replicas Artesanais na escala 1/48, modelo este de excelente qualidade e bom nível de detalhamento, empregamos decais originais do kit, com os quais se permite configurar até quatro padrões empregados pela Força Aérea Brasileira.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o segundo padrão de pintura de instrução aplicado as aeronaves T-27 empregadas nas esquadrilhas do 1º Esquadrão de Instrução Aérea, tendo este esquema tendo sido adotado no ano de 2001, substituindo o original quando do recebimento das aeronaves, no EDA as células portaram dois esquemas de pintura, incialmente um predominante vermelho com detalhes em branco, e posteriormente em 2012 receberam as cores da bandeira nacional.



 Bibliografia :

- História da Força Aérea Brasileira por :  Prof. Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- Centro Histórico Embraer – T-27 Tucano - http://www.centrohistoricoembraer.com.br
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916/ 2016 – Jackson Flores Jr