M32 Recovery Vehicle no Brasil

História e Desenvolvimento.

Atentos as ameaças protagonizadas pelo programa de rearmamento da Alemanha, o comando do Exército Americano iniciou em fins da década de 1930 estudos visando o desenvolvimento de blindados que pudessem a rivalizar com os novos carros de combate alemães. A premissa básica era criar um novo modelo que pudesse fazer uso de armas de 75 mm, nascendo assim em 1941 o primeiro protótipo do tanque médio M-3, apesar de atender a demanda básica no porte do canhão de 75 mm, o blindado apresentava três pontos negativos graves, como perfil elevado, baixa relação de peso e potência e pequeno deslocamento lateral do canhão pois o mesmo estava instalado no chassi.

O desempenho observado em combate real, levou os americanos a repensar seu projeto e assim em outubro de 1941 o protótipo do novo carro denominado como Medium Tank M4 deixava a linha de produção. Basicamente este novo modelo herdava o mesmo chassi e a eficiente suspensão VVSS (Vertical Volute Spring Suspension) de seu antecessor e como novidade principal passa a contar com uma torre giratória com acionamento elétrico ou hidráulico, armada com um canhão de 75mm, sua motorização consistia de um motor radial Wright Continental R975, a gasolina, com peso bruto de 30 ton. O projeto com um todo era pautado pela simplicidade, visando assim facilitar a produção em massa (com uma previsão de entrega de 2.000 unidades mês) no intuito de suportar a crescente demanda dos aliados. 
A primeira versão a entrar em produção foi o M4A1, em fevereiro de 1942, seu chassi era uma única peça fundida e composta por bordas arredondadas, estava equipado com um motor   Wright Continental R975 Whirlwind a gasolina. O primeiro semestre do ano de 1942 presenciou o recebimento no Exército Americano em larga escala do novo tanque médio M4A1 Sherman, que tinha por finalidade a substituição nas unidades de linha de frente os antigos modelos M3 Lee/Grant, que representavam até então o esteio de força blindada norte americana, visando a padronização da linha de suprimentos de peças de reposição, decidiu-se também desenvolver uma versão de viatura blindada especial de socorro que viesse a substituir os atuais M31 nesta função.

A base para a concepção do novo veículo, se deu a partir do modelo M4A1 Sherman, que era facilmente reconhecido por dispor de escotilhas ovais menores para o motorista e seu auxiliar, empregava ainda o casco soldado em ângulo acentuado, não contemplando ainda as usuais blindagens extras externas. Os primeiros modelos começaram a ser entregues em meados de 1942, sendo montados a partir de carros já produzidos originalmente como carro de combate. Basicamente toda a estrutura dedicada as operações de socorro e manutenção foram incluídas sobre a base padrão das versões do M4 Sherman, infelizmente a necessidade em se entregar o máximo possível de carros de combate, limitou em muito o emprego imediato do M32 Recovery Vehicle nos teatros de operações europeu e asiático, tendo participado ativamente do conflito a partir dos desembarques aliados na Itália e na Normandia.
Um fato interessante a se estudar e que apenas 111 veículos foram produzidos especificamente como M32,  sendo que grande maioria foi composta por unidades convertidas de carros prontos, as versões subsequentes a inicial entregue em meados de 1942 foram desenvolvidas acompanhando a evolução da plataforma do M4 Sherman em suas versões melhoradas, tendo atingido a ordem de 1.562 unidades dispostas nos seguintes modelos M32, M32B1, M32B2, M32B3. Nas etapas finais do conflito, a frota de M32 começou a ser recomplementada e substituída pelos novos M74 Recovery Vehicle, sendo este baseado no M4A3E8, dotado de suspensão HVSS,  modelo que apresentava grandes melhorias sobre seu antecessor. Logo após o termino do conflito da Europa e depois na Coreia, algumas centenas de unidades foram cedidas a nações amigas apoio ao enorme acervo de blindados M4 Sherman fornecidos nos termos do Leand Lease Act ou MAP (Military Assistance Program).

Emprego no Brasil.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Brasil passou a ter uma posição estratégica tanto no fornecimento de matérias primas quanto no estabelecimento de pontos bases aéreas e portos na região nordeste destinados ao envio de tropas, suprimentos e armas para os teatros de operações europeu e norte africano. Porém naquele período as forças armadas brasileiras ainda signatárias da doutrina militar francesa estavam equipadas com equipamentos obsoletos oriundos da Primeira Guerra Mundial, e se fazia necessário proceder uma ampla modernização de seus meios e doutrinas, esta necessidade começaria a ser sanada com a adesão do Brasil  aos termos do Leand & Lease Act (Lei de Arrendamentos e Empréstimos), proporcionando ao pais acesso a modernos armamentos, aeronaves, veículos blindados e carros de combate.

Neste pacote estavam 53 unidades de carros de combate Sherman novos divididos entre as versões M4, M4 Composite Hull, que foram recebidos no porto do Rio de Janeiro a partir do primeiro semestre de 1945. A inclusão deste modelo no Exército Brasileiro veio a trazer avanços até então inéditos pois eram superiores aos M3 Stuart e M3 recebidos entre 1941 e 1945. No entanto o porte e peso destes novos blindados traria uma grande dificuldade quanto as tarefas de resgate em campo. Esta necessidade começaria a ser sanada no início da década de 1950, quando o Exército Brasileiro viria a receber nos termos do MAP (Military Assistance Program) começou a receber novos lotes de equipamentos militares oriundos do Estados Unidos, entre estes novos carros M4, peças e reposição e também duas unidades do M32 Recovery Vehicle (viatura blindada especial de socorro), sendo estes da versão inicial do modelo.
Este carro passou a receber a designação no Exército Brasileiro de M32 VBE SOC (Viatura Blindada de Socorro) sendo empregados em conjunto com as unidades operadoras dos carros de combate M4 Sherman. São poucas as informações existentes sobre a operação deste veículo no Exército Brasileiro, principalmente quanto as unidades exatas que os operaram, existem narrativas e registros que em um dado momento os dois carros foram concentrados junto ao 1º Batalhão de Carros de Combate (BCC), baseado no Rio de Janeiro (RJ).

Apesar de serem apenas dois carros, o M32 VBE SOC representou o primeiro modelo do tipo a ser operado no Brasil, contribuindo efetivamente para a criação da doutrina operacional de socorro em campo, juntamente com mais três unidades do unidades do modelo mais recente da família, o M74  VBE SOC que foram recebidos nos termos do Military Assistance Program (MAP) Programa em meados da década de 1950. Registros apontam que estes dois M32  VBE SOC receberam no Exército Brasileiro, os apelidos de “Sansão” e “Dalila”.
Ficaram em operação até o início da década de 1980, sendo substituídos pelos M578 Recovery Vehicles recebidos anteriormente e eram mais adequados para operar em conjunto com os carros de combate M41, pelo menos um dos veículos, o de matricula EB 3-115, hoje apelidado de “Quebra Galho” encontra-se preservado e operacional junto ao 8º Batalhão Logístico, sediado em Porto Alegre no Rio Grande do Sul.

Em Escala.

Para representarmos o M32 “EB 13-115”, fizemos uso do excelente kit da Italeri na escala 1/35, porém para se representar a versão brasileira, deve-se proceder a troca do casco pertencente a versão M4A1 presente no kit da Tamiya, sendo necessário também realizar alterações nos pontos de fixação do guindaste, caixas de ferramentas e suporte do rádio presente na parte frontal do veículo. Empregamos decais confeccionados pela empresa Eletric Products pertencentes ao set “Exército Brasileiro 1942 /1982".
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura empregados pelos veículos M32 em seu período de operação no Brasil e mantido até a atualidade na viatura preservada junto ao acerco do 8º Batalhão Logístico.



Bibliografia:

- M-32 Recovery Veihcle -http://www.usarmymodels.com/AFV%20PHOTOS/M32%20TRV/M32%20TRV.html
- M-4 Sherman  – Wikipedia - https://en.wikipedia.org/wiki/M4_Sherman ttps://en.wikipedia.org/wiki/Curtiss_JN-4
- M-4 Sherman no Brasil – Helio Higuchi e Paulo R. Bastos Junior.