Sikorsky H-19D no Brasil

História e Desenvolvimento. 

No final da década de 1940 a Sikorsky Aircraft vislumbrou as oportunidades que o segmento de aeronaves de asas rotativas poderia trazer nos próximos anos, assim desta maneira através de uma iniciativa independente, iniciou uma série de estudos visando o desenvolvimento de um novo helicóptero de médio porte. Este projeto tinha por finalidade, testar novos conceitos de design que visavam proporcionar uma maior capacidade de transporte em carga combinado com facilidade de manutenção. Definindo os parâmetros da nova aeronave a Sikorsky investiu recursos próprios para a construção do primeiro protótipo, e assim sobre os auspícios do designer Edward F. Katzenberger, o mesmo foi concluído em novembro de 1949. Paralelamente alguns meses antes do voo do primeiro protótipo, o comando da Força Aérea Americana emitira uma solicitação para a criação de um helicóptero de transporte capaz de transportar até 10 soldados totalmente equipados, além de 2 pilotos.

O modelo designado pelo fabricante como S-55 fez seu primeiro voo em 21 de novembro de 1949, sendo rapidamente incluído na concorrência para a USAF, e quando comparado aos demais participantes deste processo que possuíam projetos complexos com penalidades em termos de peso envolvendo dois rotores verificou se que a simplicidade do projeto da Sikorsky era a solução procurada pela força aérea. A decisão em se instalar o grupo motopropulsor no nariz, proporcionou uma volumosa cabine de carga e passageiros posicionada diretamente abaixo do rotor principal, assim a aeronave tinha a capacidade de transportar uma variada composição de cargas sem afetar de forma adversa seu centro de gravidade. A disposição do motor ainda facilitava as operações de manutenção em solo através das portas duplas, sendo ainda possível realizar a troca do grupo motriz em apenas duas horas.Com estas características a seu favor o modelo designado pela USAF como YH-19 é declarado vencedor da concorrência.
Os primeiros cinco helicópteros pré serie foram entregues a USAF no início de 1950, para serem empregados em um amplo processo de ensaios em voo, sendo validado para aquisição e emprego operacional. Com o reconhecimento das inerentes qualidades daquele helicóptero, em rápida sucessão, a parti de 1950, Marinha Americana (US Navy), o Corpo de Fuzileiros (USMC), o Exército (Us Army) e Guarda Costeira (USCG), passam a formalizar contratos de aquisição de várias versões customizadas, se tornando rapidamente assim o principal helicóptero de transporte das forças armadas americana. Em 1952 a versão civil denominada S-55 foi homologada em 25 de marco de 1952, se tornando um sucesso imediato nas operações comerciais de transporte de cargas.

No primeiro trimestre de 1951 o comando da USAF decide testar operacionalmente o Sikorsky S-55  em um cenário de combate real, deslocando duas células do modelo H-19A/B para o teatro de operações da Guerra da Coréia, onde passara a ser inicialmente empregados em missões de busca e salvamento (SAR) e transporte, novamente as mesmas características positivas são verificadas, motivando o comando do Corpo de Fuzileiros Navais Americano (USMC),  a transferir varias células da versão S-55, que em 20 de setembro de 1951 efetuariam a primeira operação de helidesembarque do mundo, quando 12 destes helicópteros transportaram 224 fuzileiros totalmente equipados até o cume da colina 884. 
Suas qualidades também despertaram o interesse das forças armadas britânicas, com uma unidade do S-55 sendo entregue a Westland Aircraft em 2 de maio de 1951 para que fossem iniciados os estudos para a produção sob licença, sendo este processo seguido por concessões para a montagem no Japão pela Mitsubishi e na França pela Sud Aviation, totalizando 547 células produzidas. O modelo deixou as linhas da Sikorsky Aircraft em 1960 com a entrega de 1.061 unidades divididas em versões civis e militares. Versões francesas foram ainda empregadas como plataforma de ataque durante a guerra da Argélia. A partir de 1969 o modelo ´passou a ser retirado do serviço ativo junto as forças armadas americanas, sendo repassadas a nações como Argentina, Brasil, Canada, Bélgica, Chile, Cuba, Dinamarca, República Dominicana, Grécia, Guatemala, Haiti, Israel, Itália, Índia, Noruega, Paquistão, Filipinas, Portugal, Vietnã do Sul, Espanha, Tailândia, Peru e Peru.

Emprego no Brasil. 

Em meados da década de 1950 a Força Aérea Brasileira buscava se adequar aos tratados internacionais de busca e salvamento, e havia uma lacuna no que se tratava de vetores adequados a esta atividade, assim em 1957 foram consolidados os estudos visando a aquisição de uma aeronave de asas rotativas, com a escolha recaindo sobre o modelo Sikorsky H-19D ( versão originalmente  destinada ao Exército Americano), e se valendo dos termos do Plano de Ajuda Mútua (MAP) firmado entre o Brasil e Estados Unidos, foram solicitados quatro células usadas que foram recebidas pelas tripulações no pais de origem para realizar todo o processo de treinamento e conversão , visando assim capacitar as equipagens a realizar todo o escopo de missões SAR.

Com a definição do vetor a ser empregado nesta nova tarefa, o Grupo de Trabalho dedicado a implantação de uma unidade especializada em missões de SAR, deu os passos necessários para a estruturação destes meios, quando em 06 de dezembro de 1957 o Ministério da Aeronáutica através da  Portaria nº 60/GM2 ativou o 2º/10º Gav (Segundo Esquadrão do Décimo Grupo de Aviação) recebendo o codinome "Pelicano", tornando-se assim a primeira unidade especializada em busca e salvamento da Força Aérea Brasileira. Assim desta maneira neste mesmo mês a Diretoria de Material da Aeronáutica (DIRMA) foi instruída a colocar em marcha as providencias necessárias ao recebimento dos helicópteros H-19D. 
Os quatro Sikorsky H-19D foram recebidos 1958 na Base Aérea do Galeão desmontados em fevereiro de 1958, e foram entregues a equipe técnica liderada pelos tenentes Lemar Gonçalves e Jose Marioto Ferreira do 2º/10º Gav que deram início aos trabalhos de montagens e testes em um hangar junto ao prédio de comando. Uma a uma, as aeronaves devidamente operacionais foram transladadas em voo para a Base Aérea de São Paulo (BASP) a partir 02 e maio de 1958, iniciando imediatamente o processo de formatação da doutrina operacional em conjunto com os recém-chegados Grumman SA-16 Albatroz. A primeira ativação real ocorreu em de 21 de maio de 1958, quando o H-19D FAB 8506 realizou missões de busca a sobreviventes de uma lancha que explodira entre a ilha de São Sebastião e Santos.

Esta foi a primeira de muitas missões reais, sendo o Esquadrão Pelicano ativado frequentemente, não só para missões de busca e salvamento, mas também para missões humanitárias e de transporte. A primeira e única perda de aeronave ocorreu em 25 de outubro de 1960, quando o FAB 8504 em proveito de uma missão em apoio a Comissão Nacional de Energia Nuclear na região de Barra do Pirai no Rio de Janeiro, colidiu com o solo, provocando a morte do piloto e do mecânico. Em julho de 1967 em reconhecimento aos trabalhos de busca e salvamento que estes helicópteros realizavam a Diretoria de Material da Aeronáutica (DIRMA) determinou que os H-19D fossem redesignados como SH-19. No entanto no mês seguinte o recebimento dos novos SH-1D Huey, determinaria o fim das missões de busca e salvamento, como resultado em outubro de 1976 ficou determinado que as aeronaves restantes fossem transferidas para o Centro de Instrução e Emprego de Helicópteros (CIEH), unidade recém estabelecido da Base Aérea de Santos.
Entretanto, essa transferência não postergou o inevitável, pois a FAB se encontrava em pleno processo de renovação dos seus meios de asas rotativas com a aquisição de dezenas de células do UH-1H e Bell 206 Jet Ranger, e nesta nova realidade os H-19D estavam completamente obsoletos e enfrentavam altos índices de indisponibilidade devido principalmente a peças de reposição dos antigos motores radias Wright Cyclone R-1300-3, tendo em vista principalmente que este conjunto deixara de ser produzido há alguns anos . Assim em abril de 1969, os três SH-19 da FAB foram preparados para alienação com sua exclusão da carga ocorrendo em 6 de junho do mesmo ano. Como legado os Sikorsky carregam o legado de estabelecimento da doutrina operacional em missões de busca e salvamento.

Em Escala.

Para representarmos o H-19D  "FAB 8506" , fizemos uso do antigo kit da Revell na escala 1/48 (única opção existente no mercado nesta escala), apesar do modelo apresentar um despojamento total no detalhamento interno (o qual deve ser todo realizado em scratch), a opção de apresentarmos o modelo com o compartimento do motor radial aberto sem dúvida compensa o conjunto. Para compormos as marcações nacionais empregamos decais diversos produzidos pela FCM, as marcações seriais foram feitas usando os decais presentes no set 72/13.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o segundo padrão de pintura empregado nos H-19D, pois foram originalmente recebidos com as faixas de alta visibilidade na cor laranja, posteriormente foram alterados para amarelo, após sua transferência para o Centro de Instrução e Emprego de Helicópteros, perderam as marcações padrão SAR e receberam a identificação CIEH marca nas laterais das aeronaves.



Bibliografia :

- Esquadrão Pelicano 50 anos de História - Mauro Lins Barros & Oswaldo Cruz
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 – Jackson Flores Jr
- Sikorsky H-19 Chicksaw - Wikipedia - https://en.wikipedia.org/wiki/Sikorsky_H-19_Chickasaw
- História da Força Aérea Brasileira – Prof Rudnei Dias Cunha
- Sikorsky H-19D Na FAB, por Aparecido Camazano Alamino - Revista Asas Nº 32