Veículo Blindado de Engenharia M4

História e Desenvolvimento. 

Atentos as ameaças protagonizadas pelo programa de rearmamento da Alemanha, o comando do Exército Americano iniciou em fins da década de 1930 estudos visando o desenvolvimento de blindados que pudessem a rivalizar com os novos carros de combate alemães. A premissa básica era criar um novo modelo que pudesse fazer uso de armas de 75 mm, nascendo assim em 1941 o primeiro protótipo do tanque médio M-3, apesar de atender a demanda básica no porte do canhão de 75 mm, o blindado apresentava três pontos negativos graves, como perfil elevado, baixa relação de peso e potência e pequeno deslocamento lateral do canhão pois o mesmo estava instalado no chassi

A primeira versão a entrar em produção foi o M4A1, em fevereiro de 1942, seu chassi era uma única peça fundida e composta por bordas arredondadas, estava equipado com um motor   Wright Continental R975 Whirlwind a gasolina. O primeiro semestre do ano de 1942 presenciou o recebimento no Exército Americano em larga escala do novo tanque médio M4A1 Sherman, que tinha por finalidade a substituição nas unidades de linha de frente os antigos modelos M3 Lee/Grant, que representavam até então o esteio de força blindada norte americana, visando a padronização da linha de suprimentos de peças de reposição, decidiu-se também desenvolver uma versão de viatura blindada especial de socorro que viesse a substituir os atuais M31 nesta função.
A base para a concepção do novo veículo, se deu a partir do modelo M4A1 Sherman, que era facilmente reconhecido por dispor de escotilhas ovais menores para o motorista e seu auxiliar, empregava ainda o casco soldado em ângulo acentuado, não contemplando ainda as usuais blindagens extras externas. Os primeiros modelos começaram a ser entregues em meados de 1942, sendo montados a partir de carros já produzidos originalmente como carro de combate. Basicamente toda a estrutura dedicada as operações de socorro e manutenção foram incluídas sobre a base padrão das versões do M4 Sherman, infelizmente a necessidade em se entregar o máximo possível de carros de combate, limitou em muito o emprego imediato do M32 Recovery Vehicle nos teatros de operações europeu e asiático, tendo participado ativamente do conflito a partir dos desembarques aliados na Itália e na Normandia.

Em fins da década de 1960 o Parque Regional de Motomecanização da 2º Região Militar (PqRMM/2) estava empenhado em desenvolver estudos relativos para a modernização de sua já obsoleta frota de carros de combate, entre eles o M3, M3A1 Stuart e M4 Sherman, visando adequar estes carros da década de 1940 as ameaças atuais. Assim em 1969 as primeiras aplicações práticas começaram a tomar forma quando dois M3A1 Stuart e um M4 Composite Hull foram entregues ao PqRMM/2 para a implementação de trabalhos de remotorização.. Apesar conceitualmente haver a possibilidade de se trocar motor original a gasolina do M4  pelo MWM Diesel de quatro tempos, o projeto Stuart foi considerado como prioritário, levando assim a paralização temporária do programa Sherman.
Em 1974 este projeto seria retomado em 1974, motivado principalmente pelo sucesso operacional dos M4 israelenses modernizados, e desta maneira no mesmo ano o o EB11-721 foi remotorizado com o MWM Diesel TD232 V12 modificado para atingir 500cv, após as adaptações necessárias internas para acomodação do motor, turbo compressor e sistema de refrigeração o veículo foi entregue para testes em 1975. Porém neste mesmo período iniciavam se os estudos para a modernização dos M41 Walker Buldog o que representava ser mais atrativo em termos e investimentos de recursos. Com esta decisão o comando do Exercito Brasileiro decidiu que, caso houvesse alguma modernização dos Sherman, estes iriam se transformar em veículos de serviço, pois seu conceito como carro de combate estava obsoleto.

Emprego no Brasil.

No início da década de 1980 estavam em curso no Exército Brasileiro, diversões estudos para a concepção de programas de modernização ou conversão de carros de combate M4 Sherman, entre estes figurava um que visava o desenvolvimento de uma viatura blindada especial de engenharia, que teria como proposito atender a demandas do exército por veículos deste tipo, pois até então a força dispunha de poucas unidades dos modelos M74 e M578. Neste contexto em 1982, uma parceria foi formada entre o Centro Tecnológico do Exército (CTEx) e a empresa Moto Peças S/A, para desenvolveram a partir do chassi do modelo original  M-4A1 uma versão especializada em atividades de engenharia de campo, que receberia a designação de M4 Viatura Blindada Especial de Engenharia (VBE-ENG-M4-30t-Lag).

Dando preferência a padronização de itens, decidiu-se adotar o motor a diesel, Scania DI-11 Ex1, de seis cilindros, sendo este o mesmo empregado no programa de modernização dos M41 realizados pela Bernardini. Estruturalmente esta nova versão teve muitas alterações, inclusive no chassi, sendo seu motor deslocado para a direita, a fim de se incluir uma porta e permitir o fácil acesso traseiro ao veículo. Foi criada uma estrutura de carroceria inteiramente nova, feita de aço soldado, em formato similar a um M113, só que maior. Em sua parte superior, foi incluído um guincho hidráulico com capacidade de 20t e uma lança articulada para elevação de cargas até 10t e na frente uma lâmina de terraplanagem de 3,00 X 0,95m, além de dispor de uma capacidade de reboque de veículos de até 40t.
Ele poderia transportar, além do condutor e chefe do carro, uma guarnição de até cinco homens totalmente equipados para a missão de engenharia de combate. Também era provido com uma metralhadora Browning M2HB, calibre .50, e quatro lançadores de granadas fumígenas. Ainda seria desenvolvido um novo sistema antiminas , para ser acoplado na parte frontal do veículo, no lugar da lamina de terraplanagem, que consistia de duas pás dotadas de diversas garras, que reviravam a terra a frente do veículo, extraindo minas do solo. O projeto e contrato previa a construção de 15 desses veículos, mas por entraves no projeto e limitação de verbas para investimento, original o lote foi reduzido para um protótipo e cinco unidades operacionais.

Após a entregas das primeiras unidades ao Exército Brasileiro, as mesmas foram submetidas a exaustivos testes em campo nas dependências do Centro de Avaliações do Exército (CAEx) e Centro de Tecnologia do Exército, onde foram observadas deficiências e alterações a serem implementadas, entre elas o cancelamento da versão antiminas, pois foi comprovado que o sistema era ineficaz, pois era incapaz de varrer minas enterradas em terrenos irregulares ou compactos. Ao final do período de testes o laudo final do CAEx não aconselhava a produção de demais unidades do modelo pois o desempenho aferido em campo não atendia as necessidades por completo dos parâmetros estabelecidos pelo Exército Brasileiro para este veículo. Os carros produzidos foram destinados a unidades operacionais de engenharia blindada e a Academia Militar das Agulhas Negras, onde permaneceram em atividade parcial até o ano de 2007.
Atualmente quatro desses veículos ainda constam no inventario, apesar de não estarem operacionais do 5º Batalhão de Engenharia de Combate Blindado, na 11º Companhia de Engenharia de Combate Leve e no 12º Batalhão de Engenharia de Combate Blindado. Além destes existe outro, que pertence ao acervo do Museu Militar de Conde de Linhares que hoje se encontra no PqR-Mnt e que aguarda uma futura restauração para ser assim exposto no museu sediado no Rio de Janeiro.

Em Escala.

Para representarmos o VBE M4 " EB 3460224898" optamos por base o kit da Tamiya na escala 1/35 , aproveitando apenas os componentes básicos como suspensão, esteiras, bogies e casco, sendo o restante  confeccionado em plasticard no modal de scracth, se baseando em plantas e fotos coletas em pesquisa podendo assim não representar o mesmo na fidelidade de estrutura ou detalhes, para conferir detalhes do processo de conversão acesse nossa secção de Reviews  Conversão M4 Sherman – Tamiya. Empregamos decais produzidos pela Decal e Books presentes no set " Forças Armadas do Brasil ".
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o segundo padrão de de pintura camuflada em dois tons, empregado em todos os blindados de combate do Exército Brasileiro, a partir de meados da década de 1980, existe, porém, uma unidade do modelo que está no 12º Batalhão de Engenharia de Combate Blindado, em Alegrete (RS)  preservada no padrão anterior.

Bibliografia :

- Viatura Blindada Especial de Engenharia - Expedito Carlos S. Bastos - http://www.ecsbdefesa.com.br/fts/VBE.pdf
- M-4 Sherman no Brasil – Helio Higuchi e Paulo Roberto Bastos Jr
- Blindados No Brasil Volume I, por Expedito Carlos Stephani Bastos