Beechcraft A-35 Bonanza na FAB

História e Desenvolvimento. 

Logo após o final da Segunda Guerra Mundial, o mercado de aviação leve civil sofreu um grande desenvolvimento, principalmente na América do Norte, neste cenário duas empresas se destacavam na disputa pelo mercado, sendo a Cessna com seu modelo 195 e a Beechcraft com o Bonanza 35, comparativamente o modelo de Beechcraft era superior ao seu concorrente que praticamente herdava a tecnologia aeronáutica do período pré-guerra. Desenvolvido pela equipe do engenheiro Ralph Harmon, o projeto do Model 35 viria a causar uma revolução no segmento de aeronaves civis de pequeno porte, principalmente por ser todo praticamente construído em metais, quando ainda a maioria dos modelos fabricados eram compostos em metal, madeira e tela, seu trem de pouso triciclo retrátil aliado à sua empenagem em V. 

O primeiro protótipo alçou voo em 22 de dezembro de 1945, sendo disposto para um longo processo de avaliação que culminaria em diversas alterações de projeto, sendo o modelo somente liberado para produção em série a partir de 1947 com um atraso significativo quando comparado a outras aeronaves. Logo em seu lançamento o modelo logrou excelente resultados em vendas, porém o Beechcraft Bonanza seria classificado por seus pilotos civis como uma aeronave indócil pelos pilotos menos experientes, gerando assim um índice de acidentes e incidentes acima da média nacional, apesar deste aspecto negativo o modelo seguiu com altas vendas no mercado Norte Americano e internacional.
Além do mercado civil, o Bonanza seria empregado junto a forças áreas de países como Argentina, Bolivia, Brasil, Haiti, Irã, Indonésia, Costa do Marfim, México, Países Baixos, Nicarágua, Paraguai, Arábia Saudita, Espanha e Tailândia, onde executaram primordialmente missões de transporte e ligação. Os Estados Unidos viriam ainda empregar uma versão especializada o QU-22 que era um Beech 36 / A36 Bonanza modificado durante a Guerra do Vietnã para ser uma aeronave de retransmissão de sinal de monitoramento eletrônico, desenvolvido sob o nome do projeto "Pave Eagle" para a Força Aérea dos Estados Unidos. Estes vetores foram empregados para monitorar a movimentação de tropas e suprimentos ao longo da trilha Ho Chi Minh no Laos sendo colocados em operação a partir de 1968.

A produção do modelo atingiu a cifra de 17.000 aeronaves dispostas em três variantes matrizes básicas que seriam divididas em 33 subversões. A primeira série denominada Modelo 35 Bonanza foi produzida de 1947 a 1982 , tendo como principal característica sua empenagem em “V” equipado com um leme de elevador chamado de "ruddervator”, em 1959 surgia o Modelo 33 Debonair que apresentava a cauda no estilo convencional, esta série foi marcada por grandes melhorias no acabamento, posteriormente esta versão seria renomeada como Bonanza. Em 1968 foi lançado o Modelo 36 Bonanza que tinha uma nova fuselagem estendida, se mantendo em produção até a atualidade com mais de 17.000 unidades entregues.
Apesar de não estar em serviço atualmente em nenhuma força área militar, existem ainda milhares de células das versões mais recentes ainda em operação no mercado civil principalmente no segmento de fretamento e taxi aéreo, com uma sobrevida operacional de pelo menos mais 20 anos ainda.

Emprego no Brasil. 

O expressivo crescimento da Força Aérea Brasileira nos anos posteriores nos anos posteriores ao fim da Segunda Guerra Mundial, levando a criação de diversas unidades aéreas, estabelecimentos de ensino e comandos aéreos, gerando assim a necessidade de equipar aquela força com aeronaves utilitárias de pequeno porte para cumprir missões de ligação e transporte em proveito de suas organizações militares, assim em fins desta mesma década a empresa paulista Companhia Carnasciali que representava a empresa Beechcraft no Brasil apresentou ao Ministério da Aeronáutica uma proposta para a venda  dos modelos Beech 35 e A-35 Bonanza, modelos já comercializados no mercado civil brasileiro por este representante.

Avaliações de perfil operacional, relação custo benéfico e proposta comercial demandaram a escolha pelo modelo A-35 Bonanza deste fabricante, assim no final de 1949, a FAB assinou um contrato de encomenda que compreendia a aquisição de cinco exemplares na versão mais moderna do modelo. Até hoje não está claro se as células encomendadas foram produzidas especificadamente em atenção ao contrato do Ministério da Aeronáutica ou se já haviam sido solicitadas pela  Companhia Carnasciali e redirecionadas a aquela força. Seja como for, transportados por via marítima, os cinco aviões chegaram ao porto do Rio de Janeiro no final de março de 1950. As células desmontadas foram encaminhadas por via terrestre ao Parque de Aeronáutica dos Afonsos, neste processo uma das aeronaves foi seriamente danificada, com a extensão dos danos sendo considerada grave, não sendo recomendada sua recuperação, e assim em maio de 1951 foi dado a baixa da célula.
Quanto as células remanescentes, em abril de 1950 sob a designação e UC-BB foram distribuídas á Diretoria de Aeronáutica Civil (DAC) e para a Diretoria de Material Aeronáutica (DIRMA) á disposição do Serviço de Vitoria daquele órgão, onde passaram a ser usados em missões de ligação e para fiscalização de aeroclubes espalhados pelo país. Infelizmente um dos Bonanza da DIRMA sofreu um grave acidente em Lages (SC), oque determinou sua baixa. Em outubro de 1952 a disponibilidade estava reduzida a uma aeronave, tendo em vista que as demais estavam recolhidas ao PAMA AF para recuperação, e a partir deste momento a aeronave passou a designada como C-35. Na última metade de 1953 o PAMA AS recuperou o Bonanza que havia sido danificado quando do recebimento do lote original, sendo destinado a Seção de Aviões de Comando, passando a servir ao adido aeronáutico da FAB no Paraguai.

Em 4 de junho d 1954, a Portaria Nº 6/GM2 estabeleceu a criação do Esquadrão de Transporte Especial, unidade que seria o berço embrionário do Grupo de Transporte (GTE), prevendo que uma esquadrilha deveria ser dotada com os três remanentes A-35 Bonanza, atuando em complemento aos Douglas VC-45 e VC-47 e Vickers VC-90. Também serviriam diretamente ao Gabinete do Ministro da Aeronáutica, para missões de transporte e ligação, pelo menos uma aeronave ainda seria empregada pelo 1º Esquadrão de Ligação e Observação (ELO), por um curto período. Porém esta sistemática não perdurou por muito tempo, pois em agosto de 1956 outra célula foi perdida em um acidente, e logo em seguida outra foi retirada de serviço. Neste mesmo período encontrava-se em testes de aceitação a aeronave que havia se acidentado anteriormente em Lages (SC)  que fora reparada pelo PAMA AF.
Assim o C-35 pertencente ao Esquadrão de Transporte Especial, foi transferido para o 2º Grupo de Transporte em maio de 1957. Assim esta aeronave passou a ser a derradeira de sua espécie na Força Aérea Brasileira, tendo em vista que a outra célula fora desativada em março do mesmo ano. Ao realizar missões de ligação esta aeronave permaneceu no Campo dos Afonsos por dez meses, sendo transferida para o Centro de Tecnologia da Aeronáutica em março e 1958. Dispondo apenas de uma aeronave em dezembro de 1959 decidiu-se pela desativação do modelo, sendo o mesmo doado a Fundação Brasil Central, onde após receber a matricula PP-FBL permaneceu em uso junto a aquela organização.

Em Escala.

Para representarmos o UC-35 "FAB 2857" empregamos o kit Minicraft  na escala 1/48, como este modelo representa a versão V-35, temos de proceder em scratch a exclusão da última janela lateral dos dois lados da aeronave para assim podermos adequar a versão brasileira. O kit ainda possibilita montar a aeronave com o motor exposto em detalhe o que valoriza o resultado final. Como não existe um set de decais específico para este modelo, optamos por configurar as marcações com decais diversos oriundos de diversos sets confeccionados pela FCM, tendo somente a bolacha do Gabinete do Ministro da Aeronáutica sendo impressa artesanalmente.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o ultimo padrão de pintura empregado nas aeronaves entregues em 1950, tendo adotado este esquema de aeronaves de transporte de passageiros e VIP, após sofrerem as revisões em âmbito no Parque de Material dos Afonsos no Rio de Janeiro. Apesar de não existirem registros fotográficos claros, os UC-35 foram recebidos no padrão da Beechcraft para operadores civis, sendo em cor de metal natural com detalhes em vermelho ou azul, recebendo somente as marcações da FAB e suas respectivas matriculas militares.


Bibliografia : 

- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015  - Jckson Flores Jr
- Beechcraft Bonanza -  Wikipédia - http://en.wikipedia.org/wiki/Beechcraft_Bonanza
- História da Força Aérea Brasileira, Prof Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html