Chevrolet C-1416 - C-1410 Militar


História e Desenvolvimento.

A General Motors do Brasil foi fundada em 1925, tendo suas primeiras instalações localizadas no bairro do Ipiranga na Cidade de São Paulo, em 1930 inaugura sua primeira linha de produção em série industrial, montando, picapes e caminhões leves com componentes importados dos Estados Unidos. A maturidade chegaria no inicio da década de 1960 com o primeiro carro produzido no Brasil e com a segunda geração de picapes e caminhões da Chevrolet, que chegou as revendas em 1964, quando a General Motors do Brasil apresentou uma linha totalmente renovada. Este novo portfolio compreendia as picapes C-14 de chassis curto, com 2,92 metros entre eixos, e a longa C-15 de 3,23 metros, além do caminhão C-65. Apresentada no Salão do Automóvel daquele ano com a denominação de fábrica C-1416, era inicialmente derivada da linha de picapes Chevrolet C14, que a substituiu a partir de março de 1964 a série Brasil 3100 comercializada na década de 1950, sendo este o primeiro veículo utilitário leve a ser fabricado pela General Motors no país, graças ao incentivo do GEIA (Grupo Executivo da Indústria Automobilística) concedido no governo do presidente Juscelino Kubitschek.

A C-1416 era radicalmente diferente dos veículos em produção, e representou o primeiro utilitário esportivo (SUV) produzido pela Chevrolet do Brasil. Seu design foi desenvolvido pelo projetista Luther Stier, sendo inspirado na Chevrolet Suburban americana. Possuía inovadoras linhas retas que abusavam de vincos no capô, na lateral e na traseira inclinada, as usuais quinas arredondadas estavam presentes somente no para-brisa e no recorte das duas primeiras janelas laterais. O teto era mais baixo, transparecendo um visual compacto, porém apresentava dimensões imponentes com 5,16 metros de comprimento, 1,97 metros de largura e 1,73 metros de altura. Suas quatro portas facilitavam o acesso ao veículo e representavam um grande avanço, pois neste período os veículos similares dispunham apenas duas. O principal motivo do rápido sucesso comercial deste modelo foi seu emprego como viatura policial, e em alguns casos também, como ambulância, já que era o único veículo desse porte produzido no país. Por poder acomodar até nove pessoas a Veraneio logrou grande êxito no mercado civil.
O Modelo C-1416 dispunha da mesma motorização dos caminhões, das picapes e do utilitário Amazonas, o confiável motor GM de seis cilindros em linha, 4.3 litros (2.478 cm³ ou 261 polegadas) com 142 cavalos de potência bruta. Suas primeiras versões contavam com uma caixa de câmbio manual de apenas três marchas a frente e uma a ré, dispondo da alavanca de mudanças na coluna de direção. Entre as inovações de projeto estavam presentes o sistema de sincronização da primeira marcha (relações: 2,667:1 / 1,602:1 / 1:1 / ré 3,437:1) e suspensão dianteira independente e molas helicoidais nos dois eixos, que apesar do porte garantia um comportamento de carro de passeio, com extrema suavidade, e uma grande melhora na estabilidade. Apesar de não contar com o sistema de tração integral para uso fora de estrada como seus principais rivais na época como o Toyota Bandeirante e Rural Willys, a C-1416 dispunha como opcional de fábrica o modo de “tração positiva”, que nada mais era que o bloqueio de diferencial.

Em 1966 a General Motors do Brasil motivada pelo grande número de veículos vendidos ao governo, para uso das policias militar e civil, decidiu buscar mais um nicho governamental de mercado, mais especificadamente o da saúde com desenvolvimento de uma versão especialmente preparada para ambulância. O ponto de partida foi o modelo C-1416, manteve-se o mesmo conjunto mecânico original, apenas procedendo customizações na parte interna, com a instalação de uma maca padrão hospitalar de 1,98 metros por 0,58 metros, suporte e instalação para cilindro de oxigênio, divisória integral, armário para medicamentos e banco para assistente no interior, possuía ainda sistema de sirene com luz intermitente no teto e vidros traseiros translúcidos. O novo modelo designado como C-1410 conquistou nos primeiros meses, grandes contratos advindos de licitações de governos estaduais e municipais. Em 1969 a linha C-1416 recebeu seu primeiro “face lift’ que também foi aplicado no C-1410, basicamente mantinham-se os dois pares de faróis, com uma grande redesenhada com frisos cromados e sem a tradicional assinatura Chevrolet, pequenas alterações foram aplicadas no interior em termos de acabamento e quadro de instrumentos. A partir deste novo modelo oficialmente a C-1416 e C-1410 receberam o nome de batismo de Veraneio.
Em 1979 os modelos passara a contar com a mesmo motor a gasolina GM 4.1 seis cilindros  de 171 cv da linha Opala e diesel Perkins 4cc 4236 que equipava o modelo D-10, uma versão a álcool também seria lançada posteriormente. A partir de 1985, duas décadas depois de seu lançamento, a geração anterior de maior longevidade da Chevrolet chegava ao fim, sendo substituída pelas novas picapes da série 10 e 20. Esta nova linha estava baseada na gama de camionetes das séries C e K norte americanas da safra de 1983, que foram adaptadas para o mercado brasileiro. A produção desta nova linha se manteve até meados da década de 1990, quando a crise econômica motivou a queda na demanda por grandes utilitários. Ao todo foram produzidas quase 70.000 unidades da família Veraneio, sendo que destas 12.054 foram da versão ambulância.

Emprego no Brasil. 

Apresentada no mercado brasileiro no São do Automóvel de 1964 o novo utilitário modelo C-1416 da General Motors do Brasil, despertou de imediato grande interesse dos órgãos de segurança governamentais pela possibilidade de ser empregado como viatura policial. Atendo a esta nova demanda a equipe de projetistas da empresa apresentou logo no inicio de 1965 uma versão customizada para este emprego. Basicamente considerava-se o emprego do veículo original com grandes alterações em seu interior como a eliminação do porta malas para a instalação de um habitáculo para transporte de presos, substituição das duas últimas janelas de vidro por placas de ferro reforçado com orifícios para ventilação. O primeiro cliente governamental foi o Estado de São Paulo que já em 1965 adquiriu mais cem C-1416 na versão viatura policial a fim de reequipar as unidades da Policia Civil e Policia Militar, a este se seguiram outros estados, em uma questão de 5 anos a Veraneio passaria a ser o principal carro policial no País, chegando a representar durante gerações um símbolo no combate a marginalidade, principalmente por sua atuação junto a  ROTA (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), a polícia de elite de São Paulo.

A atuação dos C-1416 junto as policiais militares e civis em todo o Brasil, despertou o interesse do ministério do Exército que busca em meados da década de 1960 completar seu processo de renovação de frota e veículos utilitários de grande porte para emprego urbano. Sua frota neste período era remanescente veículos utilitários americanos da Segunda Guerra Mundial como os WC-53 Carryal, veículos nacionais como Chevrolet Amazonas e Rural Willys, sendo este último mais indicado para operações fora de estrada. Assim a opção de aquisição das SUV C-1416 se encaixa perfeitamente na nesta necessidade, pois substituiria os já desgastados WC-53 e complementaria os demais utilitários em serviço. O primeiro contrato de fornecimento foi firmado com a General Motors do Brasil em 1966 abrangendo inicialmente apenas a versão básica utilitária que diferia da versão civil apenas pela pintura padrão em verde oliva. Os primeiros carros começaram a ser distribuídos as unidades a partir de abril do mesmo ano.
Satisfeito com o emprego do C-1416 em missões utilitárias o Exercito Brasileiro definiu em 1967 pela aquisição de um lote de veículos configurados para uso como viatura policial, com a instalação de um habitáculo para transporte de presos a fim de serem distribuídos inicialmente aos Batalhões de Polícia do Exército (PE). Os primeiros carros foram recebidos no mesmo ano sendo inicialmente entregues para o 1º Batalhão de Polícia do Exército baseado no Rio de Janeiro, sendo até o fim de 1970 distribuídos a quase quarenta batalhões, pelotões e companhias da PE. Neste mesmo período o Ministério da Aeronáutica passa a adotar o C-1416 para uso como veículo utilitário de grande porte urbano padrão junto as bases aéreas e Comandos do Ar. Em 1968 o Ministério da Marinha também procede a aquisição do C-1416 em pequenos lotes para em funções administrativas da Marinha e do Corpo de Fuzileiros Navais.

Em função das qualidades operacionais e facilidade manutenção o Exército Brasileiro definiu em 1968 pela adoção do modelo Chevrolet C-1410 para o emprego como carro ambulância. Esta decisão visava atender a necessidade de renovação do parque de carros médicos do EB, pois em seu quadro ainda operavam quase uma centena dos antigos Dodge WC-51, que apesar de serem complementados por versões do socorro médico nos novos Rural Willys, eram veiculados projetados para operação em cenários off road em apoio a hospitais de campanha, não sendo indicados para emprego urbano. A exemplo das duas versões anteriores do C-1416 os veículos adquiridos pelo exército apesar da classificação militar em nada diferiam das versões civis de ambulância, recebendo apenas a cor padrão verde oliva com as marcações de socorro. Paralelamente tanto o Ministério da Aeronáutica , quanto o Ministério da Marinha procederam a aquisição de lotes do Chevrolet C-1410 para emprego em suas bases e unidades médicas.
Ao longo da década de 1970 novos lotes dos modelos C-1416 e C-1410 continuaram a ser recebidas nas três forças armadas, os veículos destinados ao exercito receberiam melhoramentos como dispositivos de quebra mato e proteção para os faróis dianteiros. Em 1985 a General Motors do Brasil em seu programa de renovação de portfolio retirando de linha este modelos, e lançando em seu lugar a nova família de utilitários D-20, que passava a contar com nova motorização diesel Perkins Q20B4, Maxion S4/S4T/S4T-Plus. Acompanhando esta tendência as forças armadas brasileiras passaram a adquirir as versões militarizadas da nova família, iniciando um gradativo processo de substituição das primeiras unidades dos modelos C-1416 e C-141 recebidos há 20 anos. Este processo perdurou até fins da década de 1980, sendo os veículos remanescentes leiloados juntamente com outros modelos desativados.

Em Escala.

Para representarmos o Chevrolet C-1410 Ambulância “EB22-3516”, empregamos um modelo em die cast da Altaya na escala 1/43, fizemos uso deste artificio por não existir um kit no mercado deste modelo. Para compormos o veículo empregado pelo Exército Brasileiro, desmontamos o carro e o preparamos para a pintura nas cores padrão, após este processo remontamos o mesmo e fizemos a aplicação de decais confeccionados pela decais Eletric Products pertencentes ao set  "Exército Brasileiro  1942/1982".
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura do Exército Brasileiro em suas ambulâncias, e modelos utilitários e policiais do C-1416 ao longo de sua carreira as únicas alterações neste esquema se limitaram as dimensões da cruz vermelha, nas versões utilitárias o verde oliva predominou em todo o período de emprego, recebendo apenas a alteração do brasão da força a partir de 1983.



Bibliografia : 

- Veículos do Brasil – Chevrolet Veraneio, Editora Altaya
- Chevrolet Veraneio – 50 anos, novoguscar.blogspot.com.br/2014/11/historia-chevrolet-veraneio-50-anos.html
- Manual Técnico – Exército Brasileiro 1976