Dodge WC-62 e WC-63 Big Shot

História e Desenvolvimento. 

Fundada em 1914 a Dodge Motors Company, iniciou a produção de carros de passeio no mesmo ano, ganhando grande notoriedade de marca no mercado norte americano, este sucesso permitiu a empresa a iniciar esforços para o desenvolvimento de veículo utilitários leves, sendo os primeiros modelos baseados nas plataformas dos veículos comerciais de passageiros da linha de produtos da empresa, novamente esta nova linha de veículos obteve excelentes resultados comerciais, o que geraria o financiamento necessário para no início da década de 1930  o projeto e a produção de seus primeiros protótipos de caminhões militares dedicados, tratava-se inicialmente de carros de médio porte de meia tonelada apresentando tração 4X4 que passou a ser denominado  de série VC.

A produção em série em larga escala teve início em  fins de 1940, visando assim atender a demanda das forças armadas americanas que estavam então  empenhadas em um amplo programa de reequipamento, este processo levou a alteração na designação do veículo, que passou a ser WC , sendo a letra “ W “ para representar o ano do início da produção ( 1941 ) e "C" para classificação de meia tonelada, sendo que  o mesmo código "C", posteriormente foi mantido para a tonelada ¾ e 1 ½ tonelada 6×6. Vale ressaltar que as variantes especializadas desta família atingiram a cifra de 38 tipos, entre elas transporte de tropas, carga, ambulância, comando, estação móvel de comunicações, canhoneiro, oficina, reconhecimento, entre outros. Os caminhões WC ½ tonelada substituíram os caminhões 1940 VC-1 e VC-6 ½ton Dodge que também faziam parte da série G505. 79.771 dos caminhões de ½ tonelada foram produzidos no final de 1940-1942 sob contratos do Departamento de Guerra. Os modelos de WC 1 a 50 faziam parte da faixa de 1/2 tonelada e eram intercambiáveis a 80% em peças de serviço com os modelos de 3/4 toneladas posteriores.
O desenvolvimento da família de veículos 6X6 teve por origem, a alteração conceitual da composição de um pelotão armado do Exército Americano, que passou de 8 para 12 homens, e esta nova configuração não podia ser transportada pelos WC-51 4X4, desta maneira o Major General Courtney Hodges, que na época era o chefe da infantaria, sugeriu a Dodge o desenvolvimento de uma versão alongada visando assim comportar os 12 soldados necessários. Partindo da plataforma original da versão 4X4 e fazendo uso de muitos componentes da família WC-51 para assim obter além de uma redução de custos uma melhor otimização da linha de montagem, porém itens mais críticos  como suspensão e transmissão foram redimensionados, para assim suportar os novos esforços do veículo, sendo ainda incorporado um novo motor Dodge T-223 com 93 HP. 

A primeira versão de produção WC-62 iniciou sua produção seriada em fins de 1941, sendo seguida pela versão WC-63 que que diferia da primeira apenas por contar com um sistema de guincho elétrico Braden MU2 com capacidade de tração de até 3.409 kg Os primeiros veículos das duas versões começaram a ser distribuídos as unidades do Exército Americano de imediato, sendo alocados em todos os fronts sendo empregado primordialmente no transporte de tropas e carga . Porem em uso constante observou-se que a melhoria na manobrabilidade proporcionada pela tração 6X6,  não só na transposição de terrenos adversos , mas também em estradas normais fez com o que  modelo passasse a ser  adotado para o reboque de peças de artilharia anti tanque de 57 mm.
Ao longo da Segunda Guerra mundial foram construídas cerca de 43.000 unidades das versões WC-62 e WC-63, sendo produzidas pela Chrysler Corp e sua divisão Fargo na planta industrial de Dodge’s Mound Road Truck, na cidade de Detroit. A exemplo dos demais veículos de transporte, esta linha foi amplamente fornecida a nações aliadas durante o período do conflito para assim compor o esforço aliado frente as nações do Eixo. Logo no pós guerra os excedentes começaram a ser cedidas a nações alinhadas aos interesses americanos como Austria, Brasil,  Bélgica, Grécia, Irã, Nicarágua, Portugal e Suíça.

Emprego no Brasil. 

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Brasil passou a ter uma posição estratégica tanto no fornecimento de matérias primas quanto no estabelecimento de pontos estratégicos para montagem bases aéreas e operação de portos na região nordeste. Por representar o ponto mais próximo entre o continente americano e africano a costa brasileira seria fundamental no envio de tropas, veículos, suprimentos e aeronaves para emprego no teatro europeu. Como contrapartida e no intuito de se modernizar as forças armadas brasileiras que até então eram ainda signatárias da doutrina militar francesa estavam equipadas com equipamentos obsoletos oriundos da Primeira Guerra Mundial decidiu-se fornecer ao pais os meios e as doutrinas para uma ampla modernização , este processo se daria pela assinatura da adesão do Brasil  aos termos do Leand & Lease Bill Act (Lei de Arrendamentos e Empréstimos) ), que viria a criar uma linha inicial de crédito ao país da ordem de cem milhões de dólares, para a aquisição de material bélico, proporcionando ao pais acesso a modernos armamentos, aeronaves, veículos blindados e carros de combate.

Fazendo parte deste pacote as primeiras unidades do modelo Dodge WC-62 e WC-63  Big Shot, começaram a ser recebidas no Brasil a partir de meados do ano de 1942, os contratos abrangiam a entrega de 137 unidades novas de fábrica, que foram recebidas pelos efetivos da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Itália, onde foram disponibilizados ao Exercito Brasileiro no porto da cidade de Nápoles em setembro de 1944, juntamente com a chegada do 1º Escalão. Com a disponibilização do total de efetivos das tropas no front os Dodge 6X6 foram distribuídos a Companhia de Manutenção Leve; 1º Divisão de Infantaria Expedicionária; 1º Companhia de Transmissões; Companhia do Quartel General; Companhia de Manutenção; 1º Batalhão de Saúde; 9º Batalhão de Engenharia; Pelotão de Transportes; Companhia de Canhões Anti carros; 1º Regimento de Infantaria; 6º   Regimento de Infantaria; 11º Regimento de Infantaria e Companhia de Intendência.
A 1ª etapa da campanha da FEB na Itália iniciou-se a partir de meados de setembro de 1944; onde a FEB em conjunto com 371º regimento afro-americano e outras unidades americanas menores (principalmente as de apoio da 1ª divisão blindada), formando a Task Force 45, liberando da ocupação alemã o Vale do rio Serchio (ao norte da cidade de Lucca, datando desta época suas primeiras vitórias ainda em setembro, com as tomadas de Massarosa, Camaiore e Monte Prano), e a maior parte da região de Gallicano-Barga, onde sofreu seus primeiros reveses, e nestes esforços os WC-62 e WC-63  Big Shot, contribuíram exaustivamente na realização destas missões em tarefas de transporte de tropas e carga. Seguindo o exemplo aplicado no Exército Americano os Dodges 6X6 da FEB passaram a ser empregados para tracionarem peças de artilharia leve e médias entre elas o canhão anticarro de 57 mm.

Após terem participado das campanhas de Montese, Castelnuovo di Vergato, Monte Castello, Camaiore, Monte Prano, Zochia, Colechio e Fornovo, os Dodge WC-62 e WC-63  Big Shot, se descolaram pela quase totalidade do front italiano, terminando a campanha em maio de 1945 na cidade de Susa. A partir deste ponto com termino do conflito as forças começaram a ser desmobilizadas e após este processo as tropas e equipamentos começaram a ser transportadas ao Brasil, entre estes estavam as unidades remanescentes dos Dodge 6X6. Estes carros chegaram ainda a tempo no Rio de Janeiro a tempo para participarem do desfile da Vitória, na Avenida Presidente Vargas na mesma cidade, em 18 de julho de 1945, onde e conjunto com os Pracinhas perfilaram ao publico as glorias da Força Expedicionária Brasileira.
Em serviço ativo nos pós-guerra Dodge WC-62 e WC-63  Big Shot, foram incorporados as unidades de infantaria motorizada e  as também as companhias de canhões anti carro (para tracionarem os canhões de 57mm). A partir de meados da década de 1960 os carros já apresentavam sinais de desgaste e sofriam com falta de peças e reposição (principalmente do motor a gasolina), iniciando assim um gradual processo de desativação, com os últimos carros sendo retirados do serviço ativo somente em fins da década de 1980, sendo então leiloados para entusiastas ou sucata.

Em Escala.

Para representarmos o WC-63 "FEB 330", pertencene ao 11º Regimento de Infantaria da Companhia Anti Carros empregamos o excelente kit da AFV Club, na escala 1/35, modelo este que prima pelo nível de detalhamento e possibilita também a montagem da versão WC-62 (sem o guincho elétrico frontal), incluímos em resina artefatos que simulam a carga em formato de caixas ou lonas de campanha. Fizemos uso de decais produzidos pela Decals e Books, presentes como   complemento do livro " FEB na Segunda Guerra Mundial" de Luciano Barbosa Monteiro.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura militar americano, presente em todos os veículos com marcações nacionais, empregados pelos efetivos da Força Expedicionária Brasileira na campanha de Itália de 1944 a 1945. Após seu recebimento no Brasil o padrão de pintura foi mantido, alterando-se apenas o padrão de matricula, seguindo este esquema até sua desativação.

Bibliografia :

- FEB na Segunda Guerra Mundial, por Luciano Barbosa Monteiro
- Dodges WC Series - http://en.wikipedia.org/wiki/Dodge_WC_series#WC51
- Standard Catalog of U.S. Military Vehicles, 1942
- Dodge 6X6 WC-63 da  FEB, por Expedito Stephani Bastos - http://www.ecsbdefesa.com.br/fts/Dodge.pdf