North American AT-6B e AT-6C na FAB

História e Desenvolvimento.

Em fins de 1935 foi celebrado o primeiro contrato entre a USAAC e a empresa North American Aviation Corp para o fornecimento dos primeiros treinadores avançados BT-9, sendo seguindo por mais encomendas para as versões posteriores da aeronave. A Aviação Naval da Marinha Americana (USN) também adotaria o modelo em 1936 em sua versão navalizada NJ-1 com a aquisição de 40 aeronaves. Apesar de mostrar uma grande evolução face as aeronaves de treinamento em uso até então, em questão de poucos anos observou-se que o BT-9 se tornaria obsoleto rapidamente, devido do avanço tecnológico aeronáutico experimentado nesta década. Assim em 1937 o o United States Air Corp Army (Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos – USAAC) solicitou o desenvolvendo de uma nova aeronave de treinamento avançado, que deveria apresentar como premissas básicas um perfil de voo próximo as aeronaves de caça, trem de pouso retrátil e superfícies recobertas em alumínio ao invés do tradicional revestimento de tela.

Este contrato seria de grande vulto, principalmente devido ao prenuncio das hostilidades que avizinhavam na Europa, assim inúmeras empresas apresentaram propostas para a participação nesta concorrência. Entre estas estava a North American Aviation Corp que a partir da experiencia obtida na produção do BT-9, desenvolveu a versão BT-9D (NA-58) que diferia do modelo original por estar  equipada com um  novo motor radial Pratt & Whitney R-985-25 Wasp Jr, de 450 hp, apresentar um perfil maior e novo desenho com aperfeiçoamento nas asas, trem de pouso retrátil, novos sistemas de navegação e comunicação além de substituir a maioria de suas superfícies de tela substituídas por alumínio. Após apurada analise entre os concorrentes, o Comando da USAAC definiu como vencedor da concorrência o modelo da North American, que passara a ser designado como BT-14 (NA-26). O primeiro contrato de produção foi assinado em 1938 prevendo a aquisição de 251 aeronaves.
Com a designação militar de BC-1 (Basic Combat – Treinador Básico de Combate), o primeiro protótipo e aeronave pré-série alçou voo em 11 de fevereiro de 1938, e foi produzido nas versões BC-1, BC-1A e BC-2, envolvendo 36 aeronaves para o emprego em treinamento de voo por instrumentos. Logo o modelo conquistaria seu primeiro contrato de exportação, quando a Royal Air Force (RAF) encomendou 400 aeronaves que receberam a denominação local de Havard I. A Marinha Americana (USN) foi o próximo cliente no início de 1939, mediante a aquisição de 16 células do NA-26 e , ao todo seriam recebidas 77 aeronaves que de acordo com a configuração do motor empregado e receberam a designação de SNJ-1 ou SNJ-2.

Com a experiência operacional obtida após o início do emprego em missões de treinamento avançado, tanto a Marinha Americana quanto o Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos solicitaram a North American Aviation Corp uma série de aperfeiçoamentos no modelo original, focando principalmente na troca do motor original por um mais potente, sendo escolhido o Pratt & Whitney R-1340-45 de 600hp, este processo levaria a realocação da entrada de ar do motor, também exigia-se que o modelo passasse a apresentar sua  composição totalmente metálica, além de refinamentos aerodinâmicos como modificações no ângulo do leme de direção. Para o atendimento destas demandas surgiria uma nova versão designada pelo fabricante como NA-84, com as primeiras encomendas sendo firmadas na ordem de 83 aeronaves que foram distribuídas para a Guarda Aérea Nacional e para a reserva do Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos.
Nesse mesmo período o comando da USAAC promoveu uma reavaliação da categoria Basic Combat, resolvendo mudar tal sistemática para Advanced Trainer (treinador avançado) para tais aparelhos, ocasião em que o BC-1A foi designado AT-6. Neste processo foram encomendadas mais 85 aeronaves para treinamento de artilheiros e de tiro pelos pilotos, com os aviões sendo equipados com uma metralhadora .30 na traseira da cabine, com este novo contrato a frota de AT-6 passou a ser de 177 aviões.  O Aperfeiçoamento subsequente com a versão do motor Pratt & Whitney R-1340-49 iria gerar o AT-6B evolvendo contratos de fornecimento da ordem de 1549 aeronaves para o USAAC e 270 para a US Navy. Com a alta demanda na produção de aeronaves, a North América buscou aumentar sua capacidade industrial com a construção de uma nova planta na cidade de Dallas no estado do Texas, o que motivou seu nome de batismo como Texan, a próxima versão o AT-6C teria ainda 5.370 células construídas até meados de 1943.

Emprego no Brasil.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Brasil passou a ter uma posição estratégica tanto no fornecimento de matérias primas quanto no estabelecimento de pontos bases aéreas e portos na região nordeste destinados ao envio de tropas, suprimentos e armas para os teatros de operações europeu e norte africano. Porém naquele período as forças armadas brasileiras ainda signatárias da doutrina militar francesa estavam equipadas com equipamentos obsoletos oriundos da Primeira Guerra Mundial, e se fazia necessário proceder uma ampla modernização de seus meios e doutrinas, esta necessidade começaria a ser sanada com a adesão do Brasil aos termos do Leand & Lease Act (Lei de Arrendamentos e Empréstimos), proporcionando ao pais acesso a modernos armamentos, aeronaves, veículos blindados e carros de combate.

Umas da primarias necessidades era dotar a recém-criada Força Aérea Brasileira de aeronaves modernas principalmente para as tarefas e treinamento tendo em vista que os modelos mais novos herdados da Aviação Naval e Aviação Militar como os NA BT-13 e NA 72 se apresentavam em quantidade inferior as demandas exigidas. Os contratos previam a entrega de grandes lotes de aeronaves de treinamento básico e avançado que seriam fornecidos em lotes, com o primeiro sendo recebido em de 1942, composto de seis células do modelo AT-6B, que foram seguidas por mais quatro em junho que receberam as matriculas FAB 01 a FAB 10 (que posteriormente receberam foram matriculados 1223 a 13432. O plano inicial era dotar o Agrupamento de Aviões de Adaptação (AAA) que estava sediado na Base Aérea de Fortaleza, tendo como missão como missão formar e adaptar os pilotos militares brasileiros as novas aeronaves táticas de origem norte americana. 
Apesar de serem aeronaves de treinamento avançado, os AT-6B seriam empregados em outras tarefas, pois neste período a Força Aérea Brasileira ainda não dispunha de vetores adequados para patrulha marítima (que estavam em processo de recebimento), assim paralelamente os Texans foram empregados em missões e patrulhamento, guerra antissubmarino e cobertura de comboios e defesa aérea no nordeste brasileiro. Apesar de não poderem infringir grandes estragos aos submersíveis alemães devido a sua baixa capacidade de transporte de bombas, somente a sua presença nas áreas de patrulha conseguia inibir as ações inimigas. Esta unidade de treinamento e conversão teve vida efêmera, sendo desativada em junho de 1942 e suas aeronaves distribuídas as bases aéreas de Belem, Natal, Recife e Salvador.

A partir de janeiro de 1943 começaram a ser recebidas as primeiras aeronaves AT-6C que até o final de novembro totalizariam 70 células e receberam as matriculas de FAB 1233 a 1302, posteriormente mais uma unidade seria entregue e passaria a ostentar a matricula FAB 1508, rapidamente estes aviões também foram distribuídos as bases aéreas localizadas no Nordeste a fim de complementar a dotação das mesmas, onde reforçaria a dotação dos AT-6B e NA-72 para atuação emergencial em missões de patrulha, controle de espaço aéreo. Também seriam empregados para voos de transição dos novos caças Curtiss P-40 Warhawk.  Com o recebimento de mais células agora do modelo AT-6D, a Força Aérea pode reorganizar sua frota ampliando a distribuição de todos os modelos também entre as bases aéreas do sul e do leste do pais, como os Grupamentos do Curso de Formação de Oficiais da Reserva (CPOR) instalados nas bases aéreas de Cumbica (Guarulhos -SP), Galeão (Rio  de Janeiro e Porto Alegre).
A partir da chegada de aeronaves especializadas em patrulha marítima e guerra antissubmarino  como os Lockheed PV-1 Ventura, A-28 Hudson, B-34 Harpon e B-25 Mitchel, os AT-6B/C começaram a ser focados exclusivamente em missões de treinamento avançado e conversão até o final do  conflito, mesmo sim o modelo detém a marca de ter realizado o maior número de missões de patrulhamento e cobertura de comboios durante a participação brasileira na Segunda Guerra Mundial. Após a guerra algumas poucas células remanescentes dos AT-6B e muitas dos AT-6B continuaram na ativa, sendo recomplementadas por novas aquisições de aeronaves T-6D e T-6G continuando assim a missão de treinamento avançado e conversão de pilotos.

Em Escala :

Para representarmos o AT-6B " FAB - 03 " empregamos o antigo kit da Monogram na escala 1/48, modelos que apresenta um nível mediano de detalhamento, porém de ampla facilidade de montagem. Para se configurar a versão “Bravo”, temos de descartar a parte traseira do canopy para a instalação a metralhadora traseira, configuração está empregada somente nos primeiros estágios do conflito. Fizemos uso de decais confeccionados pela FCM, presentes em diversos sets do fabricante.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o um dos dois padrões quando do recebimento das células, sendo que algumas vieram ostentando a pintura em verde oliva com as marcações e números seriais americanos, indicando provavelmente serem aeronaves retiradas das unidades ativas da USAAF. Após as revisões em âmbito de parque as células receberam somente um padrão básico de pintura que perdurou até sua desativação.



Bibliografia:

- Revista ASAS nº 60 " North American T-6 na FAB ( 1942 - 1963 ) - Aparecido Camazano Alamino
- História da Força Aérea Brasileira , Prof Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015  – Jackson Flores Jr