Chevrolet Engesa C10 - C14 - C15

História e Desenvolvimento. 

A General Motors do Brasil foi fundada em 1925, tendo suas primeiras instalações localizadas no bairro do Ipiranga na Cidade de São Paulo, em 1930 inaugura sua primeira linha de produção em série industrial, montando, picapes e caminhões leves com componentes importados dos Estados Unidos. A maturidade chegaria no início da década de 1960 com o primeiro carro produzido no Brasil e com a segunda geração de picapes e caminhões da Chevrolet, que chegou as revendas em 1964, quando a General Motors do Brasil apresentou uma linha totalmente renovada. Este novo portfolio compreendia as picapes C-14 de chassis curto, com 2,92 metros entre eixos, e a longa C-15 de 3,23 metros, além do caminhão C-65. Apresentada no Salão do Automóvel daquele ano com a denominação de fábrica C-1416 (plataforma do SUV Veraneio) , era inicialmente derivada da linha de picapes Chevrolet C14, que a substituíram a partir de março de 1964 a série Brasil 3100 que foi comercializada na década de 1950, sendo este o primeiro veículo utilitário leve a ser fabricado pela General Motors no país, graças ao incentivo do GEIA (Grupo Executivo da Indústria Automobilística) concedido no governo do presidente Juscelino Kubitschek.

As picapes médias C-14 e C-15 foram lançadas juntamente com a C-1416 (primeiro SUV produzido no Brasil, que futuramente receberia o nome de Veraneio), que se tornaria o maior sucesso desta plataforma apesar do câmbio de 3 marchas, em 1970 toda a linha sofreria uma face lift, com a sua parte frontal sendo reestilizada, recebendo uma nova e apenas dois faróis. Além da versão básica que apresentava uma capacidade de transporte de 1.200 kg, a versão cabine dupla dispunha de espaço para apenas 750 kg, muito pouco quando comparada com a capacidade da SUV que era de 500kg, acredita-se que este fato impactaria nas vendas da versão cabine dupla, pois neste período poucas unidades foram produzidas. Somente no início da década de 80, com a moda das picapes de luxo, as cabines duplas tiveram aumento de procura. Desde o seu lançamento, em 1964, até 1974, o motor principal era o 261 pol3 (4300cc) de 5 mancais, também conhecido como "Chevrolet Brasil", pois era utilizado no caminhão Chevrolet de mesmo nome. Foi o primeiro motor fabricado pela GM no Brasil e equipava a picape brasileira 3100, a "Marta Rocha", assim como a perua Amazonas. Como o seu antecessor, o importado 3100, tinha seis cilindros em linha, comando de válvulas no bloco e válvulas no cabeçote acionado por varetas. Mesmo com o motor 250 (4100cc) sendo fabricado durante a década de 70, o 261 continuou a ser utilizado, em virtude do maior torque (32 kgfm contra 27 kgfm). Essas picapes vinham com o câmbio de 3 (M-14, mais popular) ou 4 marchas (M-20, mais raro), com diferencial de 3,9:1.
Em 1974, face a pressão mercadológica oferecida pela nova Ford F-100, a General Motors iniciou um processo de reestilização, que tinha como marca principal a adição de uma nova grade e novos faróis, no entanto o processo não se limitou apenas a estética, pois o principal ponto de atenção se baseou na alteração do motor que passou a contar com 4.3 litros e 151 cv de potência que proporcionava  boa autonomia e também não sentia tanto quando a picape estava carregada. Uma nova suspensão também foi adotada e que oferecia bastante resistência e amortecimento, seu ponto de observação ainda estava por conta do sistema de freios a tambor nas quatro rodas que por isso requeria bastante atenção quando carregada. A Chevrolet C10 não foi lançada somente na versão de três passageiros, logo no ano de seu lançamento, também foi apresentada uma versão cabine dupla com duas portas que conseguia acomodar seis passageiros. O modelo C-10 chegou a oferecida em várias opções de motores. Entre eles o Chevrolet Brasil de 4300 cm3 (261 pol3) e o 2500 cm3 de quatro cilindros do Opala, além do Diesel Perkins de 3,9 litros lançado no fim dos anos de 1970.

Neste mesmo período levado pelo bom desempenho aferido na operação do modelo C-14160 como ambulância, a General Motors do Brasil iniciou o desenvolvimento também de uma versão da C-10 para atuar como veículo de socorro médico, lançando assim o modelo C-1503, que por ser baseada na picape apresentava uma aérea útil mais espaçosa, que aumentava muito a capacidade de carga e após receber adaptações na parte traseiras, se transformava em uma espaçosa ambulância, maior até mesmo do que a Veraneio, que tinha entre-eixos mais curto. Os primeiros clientes deste novo modelo foram os governos estaduais entre eles principalmente o Estado do Rio de Janeiro, que adquiriu grande número delas na época, prestando bons serviços durante anos. O primeiro cliente militar foi a Infraero, empresa estatal subordinada ao Ministério da Aeronáutica, que passou a adquirir um grande lote do modelo C-1503 para dotar as unidades médicas dos principais aeroportos, logo em seguida a versão passou a ser encomendada para uso junto as unidades do Exército Brasileiro, Força Aérea Brasileira e Marinha do Brasil.
A Chevrolet C10 foi lançada e rapidamente se tornou líder de vendas no mercado nacional, conseguindo manter a Chevrolet à frente no segmento de pick-ups, considerada umas das principais já produzidas no Brasil. Mas o que derrubou a C10 foi a crise do petróleo, pois a pick-up utilizava gasolina como combustível e os motores a diesel sempre ofereceram melhor consumo e custo benefício.  Como forma de reagir aos consumidores, a Chevrolet resolveu aplicar alguns itens, como freios a disco, câmbio de quatro marchas, capacidade de carga de 1 mil quilos e vários outros itens que não conseguiram manter o fluxo de vendas da pick-up. Na época, a disputa era muito grande e a crise acabou conseguindo vencer a qualidade oferecida pela pick-up, sendo assim, a C10 foi descontinuada em 1981.

Emprego no Brasil. 

O lançamento da linha C10 para o mercado civil no ano de 1974, foi seguido com a aquisição de lotes de unidades para o Exército Brasileiro e para a Marinha do Brasil, sendo neste caso para o emprego das unidades do Corpo de Fuzileiros Navais, tratavam-se do mesmo modelo civil, não recebendo nenhuma modificação, sendo empregas em missões de transporte de carga e pessoal. Paralelamente a pedido do Comando do Exército Brasileiro, a empresa Engesa (Engenheiros Especializados S/A), passou a estudar uma modificação do projeto original da picape Chevrolet C-10, visando assim conferir ao modelo o perfil de emprego militar em um ambiente fora de estrada. Trabalhando sobre a plataforma original do veículo, a equipe de projetos partiu para o redesenho da suspensão, visando assim reforçar a mesma para evitar quebra ou fadiga em situações extremas, aliando ainda a tração 4X4 militarizada desenvolvida pela empresa, este sistema de tração logo chamou a atenção da equipe de projetos de General Motors, que mais tarde viria a homologar este kit 4X4 para uso em seus produtos. 

O protótipo final apresentado em 1975 para o Exército Brasileiro, apresentava um veículo muito semelhante aos grandes jipes utilitários americanos como o Kaiser Jeep M715. Dispunha de para-choque frontais e traseiros reforçados, com grade de proteção para os faróis, caçamba com piso reforçado, sistema elétrico de 24 volts, cabine aberta com cobertura de lona e para-brisa basculante (possibilitando o transporte aéreo nas aeronaves da FAB), dispunha também de um suporte para fixação de um galão removível de combustível que ficava entre os eixos, de fácil acesso. Neste período específico, havia a latente necessidade de renovação da frota dos veículos VTNE (Viatura de Transporte Não Especializado), que até então era composta pelos obsoletos carros americanos Dodge WC e M37 oriundos ainda dos acordos de Leand & Lease Act da Segunda Guerra Mundial, que atuavam nas fileiras do Exército Brasileiro em missões de carga, transporte de tropas, ambulância ou telecomunicações, que até então apresentavam alto índice de indisponibilidade devido a falta de peças de reposição.
Após a aprovação dos protótipos pelo Exército Brasileiro, decidiu-se proceder a aquisição dos modelos Chevrolet Engesa C-14 e C-15 VTNE  4×4 de 750 kg de carga (Viatura de Transporte Não Especializado), com destinação para tarefas de transporte de tropas e cargas e para porta morteiro com emprego das armas de 81 mm e 60 mm. Os primeiros veículos começaram a ser entregues em setembro de 1975, passando a ser distribuídos aos Batalhões de Infantaria Blindada e Infantaria leve, onde substituíram a contento os velhos carros americanos da marca Dodge. Vale salientar também que a aquisição destes novos modelos veio a complementar também os modelos 4X4 Rural Willys e Toyata Bandeirante que recentemente haviam entrado em serviço, trazendo ao Exército Brasileiro pela primeira vez a predominância de veículos utilitários produzidos no Brasil, reduzindo assim a dependência externa. Este fator contribuía não em termos de redução de custo, mas também para a melhoria da logística e simplificação da linha de suprimentos logística, em face da operação de outros veículos da General Motors do Brasil, como também para o fortalecimento da indústria nacional.

Em 1976 a versão C-14 porta morteiro foi adquirida em um pequeno lote pelo Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil e depois a versão utilitária pela Força Aérea Brasileira. O êxito da operação deste modelo no Exército e no Corpo de Fuzileiros Navais, motivou o desenvolvimento de uma novo veículo dedicado, que viria a surgir em 1981 através da parceria entre a Engesa e a Envemo, o novo modelo batizado EE-34, era baseado no projeto e plataforma dos Chevrolet C-10/C-15, novamente o conceito foi validado pelo comando do Exército brasileiro mediante a aprovação de dois contratos de produção, sendo um deles com a Envemo entre 1981 a 1985 com a entrega de 472 unidades e o outro com a Engesa entre 1983 a 1985 para a produção de 386 unidades que viriam a complementar os C-15 em uso. 
A Policia Militar do Estado de São Paulo ainda em 1977 passaria a incorporar algumas unidades do Chevrolet Engesa C-14 para emprego no 1º Batalhão de Polícia (1º B.P.) – Batalhão Tobias de Aguiar, sendo posteriormente empregados também pela ROTA (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar). Tradicional usuário do modelo C-1416 Veraneio, a Policia Militar de São Paulo também encomendou a General Motors uma versão para o transporte de tropas do Batalhão de Cheque, basicamente tratava-se de uma C-10 simplificada com cabine aberta com cobertura de lona e para-brisa basculante, desprovida de portas dianteiras e dotada com dois bancos traseiros na caçamba para até 8 policiais completamente equipados para as missões urbanas de pronta resposta. Já nas forças militares os três modelos em serviço começariam a ser substituídos a partir de meados da década de 1990 com a aquisição dos novos PX Montez, Toyota Bandeirante e Land Rover Defender.

Em Escala.

Para representarmos o Chevrolet - Engesa C-15 versão porta morteiro “EB21-1840”, empregamos um modelo em die cast da Salvat na escala 1/43, fizemos uso deste artificio por não existir um kit no mercado deste modelo. Para compormos o veículo empregado pelo Exército Brasileiro, desmontamos o carro e realizamos a retirada da cabine original em metal, alteramos os para-choques frontais e traseiros com a instalação de luzes e faróis de comboio no padrão militar, foram acrescidos também o para-brisa basculante confeccionado em scratch, lona da cabine dobrada pertencente a um modelo na escala 1/48 e por último um morteiro de 81 mm na mesma escala, após este processo remontamos o mesmo e fizemos a aplicação de decais confeccionados pela decais Eletric Products pertencentes ao set  "Exército Brasileiro  1942/1982".
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura do Exército Brasileiro em todos seus veículos militares desde a Segunda Guerra Mundial até a o final do ano de 1982, quando foram alteradas as cores de camuflagem e padronização de marcações nacionais e seriais, permanecendo nesta nova sistemática até a desativação dos últimos veículos na década de 1990.




Bibliografia : 

- Chevrolet Colection – C-10 editora Salvat
- Grandes Brasileiros: Engesa EE-34 – Chevrolet C-15 Revista Quatro Rodas 2012
- Manual Técnico – Exército Brasileiro 1976