Dassault Mirage IIIEBR Mordernizado

História e Desenvolvimento.

Em meados da década de 1950 as tensões provocadas pela Guerra Fria entre os blocos ocidental e oriental levaram as nações de ambos os lados a buscarem soluções de defesa contra possíveis ataques convencionais ou nucleares. O constante desenvolvimento de bombardeiros estratégicos (inclusive supersônicos), geraram a necessidade da criação de uma geração caças interceptadores de alta performance. A política francesa de independência na produção de itens de defesa estratégicos, levaria a Armée de l'Air (Força Aérea Francesa) em 1953 a encomendar um estudo para o desenvolvimento de um interceptador leve, devendo como parâmetro possuir a capacidade de operação e qualquer tempo (all-weather), potencial de ascensão a 18.000 metros em 6 minutos e atingir a velocidade de Mach 1.3 em voo horizontal. Imediatamente a empresa Dassault Aviation apresentou ao ministério de defesa francês, o projeto MD.550 Mystère-Delta, um pequeno e ágil caça, impulsionado por dois turbo reatores Armstrong Siddeley MD30R Viper, com pós-combustores, cada uma com um empuxo de 9.61kN (2,160lbf) e um motor-foguete de combustível líquido que provinha um empuxo adicional de 14.7kN. (3.300lbf).

O primeiro protótipo, o MD.550-01 com motores turbojatos Armstrong Siddeley Viper sem sem pós-combustores, efetuou seu primeiro voo no dia de 25 de junho de 1955 com um perfil de 20 minutos de missão, em um teto de 3000 pés. Como citado, durante os primeiros voos o protótipo não possuía sistema depós-combustão e nem foguetes, atingindo assim a uma velocidade insuficiente de Mach 0.95 durante os testes. Melhorias no projeto levaram em seguida o protótipo alterado a atingir a velocidade de Mach 1.3 sem o uso do motor-foguete e Mach 1.6 com o uso deste. Apesar de alcançar os parâmetros previstos em termos de desempenho, o modelo foi descartado, pois suas pequenas dimensões limitavam sua capacidade de transporte de misseis ar ar. Visando se manter na concorrência a Marcel  Dassault, resolveu alterar o projeto original, gerando um novo modelo de aeronave, que apresentava um peso bruto 30% superior ao seu antecessor com refinamentos de aerodinâmica. Estava equipado com um motor Snecma Atar 101G1 dotado de pós combustor, este novo modelo recebeu a designação Mirage III, tendo seu  primeiro voo realizado em 17 de novembro de 1956, exaustivos testes validaram o protótipo gerando uma encomenda de dez células pré-série da versão IIIA que diferia do anterior por contar com uma fuselagem  e área alar maior e um novo motor SNECMA Atar 09B.
A primeira variante de produção em série foi o caça interceptador Mirage IIIC, sendo visualmente similar ao IIIA, sendo distinguido por um exaustor mais longo do que o aplicado nas primeiras células produzidas. O primeiro contrato de produção em série para a Armée de l'Air englobava 95 unidades, que começaram a ser entregues a partir de 1961, a possibilidade do modelo poder portar armamentos ar terra, como bombas e foguetes levou o fabricante a estudar a criação de uma variante multimissão, que se concretizaria no Mirage IIIE que teve seu primeiro voo em outubro de 1961. Os melhoramentos desta versão contemplavam a instalação de uma suíte eletrônica mais moderna, maior capacidade de transporte de combustível, um radar navegação Doppler Marconi, sistemas de RWR, radar ar terra Thomson-CSF Cyrano II e um novo motor SNECMA Atar 09C. A versão definitiva Mirage IIIE foi finalizada janeiro de 1964 e mantinha as capacidades básicas de carregamento de carga do que o Mirage IIIC, porém, incorporava novos armamentos e sistemas (que incluíam pods de guerra eletrônica de fabricação francesa e lançadores de chaff/flare).

O primeiro Mirage IIIE de produção foi recebido em janeiro de 1964 pela Armée de l'Air, com o primeiro contrato abrangendo 183 células, que seriam seguidos por novas encomendas de aquisição, que totalizariam 410 unidades, entre elas 70 aeronaves na versão especializada em reconhecimento designada Mirage IIIR/RD, que seriam operados até fins da década de 1990. Os primeiros contratos de exportação em fins da década de 1960 foram tímidos, porém este cenário iria mudar após o batismo de fogo dos Mirages III israelenses durante a  Guerra dos Seis Dias em junho de 1967, onde se aferiu um desempenho superior frente aos caças da Jordânia, Síria e Egito, este desempenho chamou a atenção do mercado internacional de defesa, alavancando as exportações imediatamente, envolvendo ainda contratos para a produção sob licença. Além de participar de missões reais de combate no oriente médio, os Mirage III tiveram importante participação na Guerra Indo-Paquistanesa em 1971, Guerra das Fronteiras entre a África do Sul e Angola no período de 1978 a 1982 e na Guerra das Falklands – Malvinas em 1982.
Apesar de ter apresentado um desempenho excelente quando experimentado em missões de reais de combate como Guerra dos Seis Dias em 1967, Guerra Indo-Paquistanesa em 1971, Guerra das Fronteiras entre a África do Sul e Angola no período de 1978 a 1982 ou por fim Guerra das Falklands – Malvinas em 1982, o modelo começava a ficar obsoleto. Seu projeto pertencia a segunda geração de caças de combate e não dispunha dos avanços em aerodinâmica e eletrônica presentes na terceira geração. Apesar disto a plataforma possui potencial de desenvolvimento e modernização, algo já provado com as versões melhoradas como o israelense IAI Kfir e o Sul Africano Atlas Cheetah, isto abriu caminho para estudos de programas de modernização. As primeiras efetivações de up grades foram aplicadas junto as aeronaves suíças e paquistanesas, alongando assim a vida útil destas aeronaves com capacidades de combate próximas a nova geração de caças.

Emprego no Brasil.

Em fins da década de 1980, a Força Aérea Brasileira dispunha relativamente de uma frota nova de aeronaves supersônicas de segunda geração, estando composta por caças Marcel Dassault Mirage III EBR/DBR e Northrop F-5E/B Tiger II, dispostos em quatro unidades de caça de primeira linha. No entanto o alto uso destes vetores trouxeram como consequência a baixa disponibilidade de células ocasionada por acidentes ou desgaste prematuro, para reverter este cenário previu-se uma recomplementação de frota que se concretizaria em 1988 com a aquisição de um grande lote de caças usados F-5E/F Tiger II, este processo seria complementado com a negociação de um lote de células usadas do caça  Mirage IIIE/D oriundas dos estoques da Força Aérea Francesa, visando assim recompor a dotação inicial do modelo.

Ocorre, porém que os F-103E Mirage III foram desenvolvidos dentro da concepção das aeronaves de caça da segunda geração e se encontram neste período estavam muito defasados em termos de armamentos e sistema eletrônicos embarcados. Esta situação foi comprovada inúmeras vezes quando a FAB enfrentou caças franceses Mirage 2000 e americanos F-16C/D de quarta geração em exercícios multinacionais conjuntos. Inicialmente a Força Aérea Brasileira conduziu estudos visando a aplicação de um amplo programa de modernização, que tinha como principal objetivo a substituição do já ultrapassado radar Thomson-CSF Cyrano II além da implementação de uma eletrônica embarcada incluindo sistemas como HUD (Head Up Display) e RWR (Radar warning receiver). Infelizmente restrições orçamentárias abortaram este ousado projeto. Desta maneira o processo se limitaria a uma ampla revisão estrutural, modernização de sistemas de navegação e comunicação. Visualmente, a principal mudança foi a instalação de canards fixos pouco atrás das entradas de ar, fator este que trouxe ao modelo um significativo ganho de manobrabilidade e operação.
Ao todo treze células do F-103E e cinco do F-103D foram submetidas a este processo nas instalações da Dassault e no Parque de Aeronáutica de São Paulo, dentre as modificações planejadas, houve também em caráter experimental a adoção de uma sonda de reabastecimento em voo, esta iniciativa tinha por objetivo melhorar o raio de ação da aeronave em um país de dimensões continentais como o Brasil. O sistema incluindo a sonda eram pertencentes a um Mirage 50 que fora comodatada a FAB pela Dassault. Após a adaptação e instalação do sistema no F-103E FAB 4929, teve inicio um amplo programa de ensaios, com o primeiro voo de teste ocorrendo em 22 de abril de 1992 quando a aeronave foi reabastecida em voo junto a uma aeronave KC-130H Hercules FAB 2462 do 2º/1º GTT. Apesar dos resultados serem promissores em termos do ganho operacional com o incremento do alcance das aeronaves em um pais de dimensões continentais, o estudo foi interrompido e o equipamento retirado e devolvido ao fabricante.

Posteriormente novos melhoramentos seriam implementados como os sistemas de defesa passiva e ativa, com lançadores de chaff e flares, novos sistemas de comunicação e a inclusão do conceito CCIP (Constantly Computed Impact Point)o que o permitiu seu emprego também em missões de de ataque a solo e bombardeio, nesta mesma fase procedeu se modernização de seu sistemas de mísseis, abandonando os já ultrapassados Matra R530 em detrimento aos novos Python 3 israelenses, isto traria um novo alento a capacidade bélica das aeronaves que aliadas a técnicas de combate provaria que mesmo sendo caças de segunda geração poderiam ser oponentes de respeito quando conduzidos em exercícios de combate áreo contra aeronaves de geração mais recente, como o observado na operação Mistral I, quando os F-103E conseguiram inúmeras vitorias contra os Mirage 2000 Franceses.
A partir de 2001 a maioria das células estava muito próxima de seu limite operacional aconselhado pelo fabricante, não sendo economicamente recomendada a aplicação de nenhum processo de modernização que permitisse estender sua vida útil, a exemplo do que estava planejado para os Northrop F-5E Tiger II. Assim desta maneira as aeronaves remanescentes foram desativadas e dezembro de 2005, encerrando assim a carreira do Mirage IIIE/D na Força Aérea Brasileira.

Em Escala.

Para representarmos o F-103E “FAB 4927”, utilizamos o kit do fabricante Italeri (Nº 2674) na escala 1/48, sendo este um modelo de fácil montagem tendo como ponto negativo as linhas em alto relevo, para representarmos a versão modernizada tivemos de acrescer os canards confeccionados em plasticard, seguindo o gabarito fornecido. Empregamos decais confeccionados pela FCM presentes no set 48/09.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o segundo padrão de pintura que passou a ser aplicado a partir de 1982, as aeronaves modernizadas mantiveram o mesmo esquema com pequenas variações em termos de marcações, mantendo este padrão até a desativação das células em 2005.


Bibliografia :

Revista ASAS nº 03 Mirage III a Saga do Delta no Brasil , por Claudio Lucchesi
História da Força Aérea Brasileira, Prof Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
Aeronaves Militares Brasileiras 1916 / 2015  - Jackson Flores Jr
Dassault Mirage III - Wikipedia - http://pt.wikipedia.org/wiki/Dassault_Mirage_III