KDF Type 82 Kubelwagen na 1º ELO

História e Desenvolvimento. 

No inicio da década de 1930, a indústria automotiva alemã tinha seu portfolio totalmente voltado para a produção de carros de luxo, e o alemão comum raramente podia comprar algo além de uma motocicleta. Como resultado, apenas um alemão de cinquenta possuía um carro. Em 1934 Adolf Hitler no anseio de fomentar a indústria nacional propôs em seu plano o desenvolvimento de um carro popular de baixo custo que fosse acessível a maioria da população, esta missão coube ao engenheiro Ferdinand Porsche, projeto denominado como “Volkswagen”  (carro do povo). Segundo as exigências do líder alemão, o novo veículo deveria poder transportar dois adultos e três crianças a 100 km / h, sem usar mais de 7 litros de combustível por 100 km, o motor deveria ser refrigerado a ar para assim operar normalmente no rigoroso inferno alemão. O "Carro do Povo" estaria disponível para os cidadãos da Alemanha nazista através de um programa de poupança, ou Sparkarte (caderneta de descontos), apresentando um custo total de $ 990 Reichsmark. (um operário comum nesta época recebia em média $ 130 Reichsmark por mês). O projeto foi apresentado em 17 de janeiro de 1934, recebendo o primeiro contrato desenvolvimento junto ao governo alemão em 22 de junho do mesmo ano, os primeiros protótipos foram apresentados em 1936, com os primeiros carros de pré produção sendo completados no ano seguinte, atrasos no projetos e na tomada de decisões postergaram  a produção em série, sendo que o primeiro veiculo de produção em série foi entregue pelo fabricante somente em 15 de agosto de 1940.

No entanto, em 1939, com a inevitável eclosão de uma guerra na Europa, todos os recursos disponíveis foram destinados ao esforço de guerra alemão. A Volkswagen, anteriormente um grande instrumento de propaganda da capacidade tecnológica alemã, foi rapidamente integrada às ambições militares de Hitler. A produção foi interrompida após fabricação de poucas unidades, com a linha de produção sendo destinada a fabricação e de motores e componentes para veículos militares. Embora Adolf Hitler tenha discutido com Ferdinand Porsche a possibilidade de aplicação militar do Volkswagen em abril de 1934, só em janeiro de 1938 oficiais do alto escalão do Terceiro Reich se aproximaram formalmente da Porsche para projetar um veículo de transporte militar leve e de baixo custo. que poderia ser operado de forma confiável tanto na estrada quanto fora dela, mesmo nas condições mais extremas. Deveria ser produzido em larga escala e algumas fontes informam é que este veiculo fora projetado com uma baixa expectativa de vida útil, devendo ser trocado por um novo, esta característica previa um veículo leve, que leve que dois ou três soldados podiam levanta-lo para trocar um pneu, sem ajuda do macaco. As chapas finas da carroceria tinham aqueles relevos estampados para manter a estrutura com integridade visando suportar o esforço de operação em um ambiente fora de estrada, principalmente no futuro teatro de operações do Leste Europeu que era desprovido de uma estrutura rodoviária satisfatória. 
A equipe de Ferdinand Porsche começou a trabalhar no projeto imediatamente tendo como base a plataforma do Volkswagen, apresentando o primeiro protótipo apenas um mês após a solicitação, porém os primeiros testes apontaram que não seria não seria suficiente reforçar o chassi do veículo para lidar com as tensões que o uso militar. A fim de garantir a integridade estrutural e desempenho off-road adequado de um veículo de tração nas duas rodas com um motor FMCV de 1.000 cc, a Porshe subcontratou a Trutz, uma experiente construtora de carrocerias militares, com o objetivo de atender a especificação original que previa um peso máximo de 550 kg vazio e 950 carregado com quatro soldados e seus respectivos equipamentos. A versão final foi agora designada Type 62 submetida aos primeiros testes em novembro de 1938, e apesar de não dispor de tração nas quatro rodas como seus similares americanos, apresentou um aceitável desempenho em terrenos acidentados e para potencializar o modelo um acrescido um sistema de diferencial autoblocante seria incorporado, para assim compensar a falta da tração 4X4. Seu desenvolvimento continuou durante o ano de 1939, sendo que modelos de pré-produção foram testados em campo durante a invasão da Polônia, esta experiência motivou novas alterações no projeto entre elas a redução da velocidade mínima de 8km/h para 4km/h, permitindo assim o acompanhamento de soldados a pé e também melhorias em sua capacidade off road, através da montagem de novos eixos com cubos de redução de engrenagem, proporcionando o carro com mais torque, adoção de novos amortecedores, rodas de 16 polegadas e por fim um e um diferencial de deslizamento limitado. Todas estas alterações gerariam um novo modelo que foi rebatizado como Type 82.

A produção em grande escala do Tipo 82 Kübelwagen teve início em fevereiro de 1940, após a fabricas da empresa estatal Volkswagen atingirem o status de plenamente operacionais, os veículos foram produzidos sem nenhuma alteração drástica no projeto, sofrendo apenas pequenas modificações, a maioria eliminando partes desnecessárias e reforçando algumas, que se mostraram desiguais para a tarefa. Em março de o Type 82 passou a contar com o novo motor VW Boxter 1.13 que inicialmente fora desenvolvido para a versão anfíbia o Type 166 Schwimmwagen,  e que  produzia mais torque e potência do que o motor original de 985 cc. Quando os militares alemães receberam os primeiros veículos, imediatamente os testaram em neve e gelo para testar sua capacidade de lidar com inverno europeu, surpreendendo até mesmos aqueles oficiais que inicialmente eram contra o desenvolvimento de um veiculo de tração nas duas rodas. O mais notável é que graças a sua parte inferior do chassi ser lisa e plana, o Kübelwagen se se impulsionava como um trenó motorizado, quando suas rodas afundavam na areia, na neve ou na lama, permitindo que ele acompanhasse os veículos com notável tenacidade.
O Type 82 Kübelwagen foi empregado em todos os fronts de batalha e seu motor refrigerado a ar teve grande destaque tanto no emprego no rigoroso inverno onde se mantinha operacional por não sofrer congelamento do liquido de arrefecimento dos carros tradicionais, bem como no deserto do norte da África, onde o calor extremo fazia os jeeps aliados frequente serem forçados interromper o trajeto devido a ebulição da água do radiador. Apesar da maciça campanha de bombardeio aliado as fabricas da Volkswagen os Type 82 se mantiverem em produção até os últimos dias antes a rendição alemã, sendo produzidos ao todo 50.435 unidades.

Emprego no Brasil. 

Em novembro de 1943 devido as características peculiares de projeto e motorização, os militares americanos também realizaram um programa de testes em vários Type 82 Kübelwagen que haviam sido capturados nas batalhas travadas no norte da África. Este processo de avaliação foi realizado no Campo de Provas do Exército Americano (US Army) em de Aberdeen (Maryland) resultou na publicação do Manual Técnico do Departamento de Guerra TM E9-803, 6 de junho de 1944 e foi destinado à distribuição após a invasão da Europa no Dia D aos militares dos EUA, que poderiam encontrar estes veículos abandonados, possivelmente por falta de combustível ou devido a pequenos problemas técnicos, e com a ajuda deste manual, poderiam ser colocados em operação como veículos adicionais tão necessários ao deslocamento, principalmente por unidades de paraquedistas. A análise feita em Aberdeen foi tão completa que incluiu informações técnicas para manutenção de campo, além de maneiras de lidar com temperaturas muito baixas. Ao mesmo tempo, outro Type 82 Kübelwagen que, também capturado no norte da África após a derrota das tropas de Erwin Rommel, havia sido dissecado na Grã-Bretanha por engenheiros da Humber Car Company, cujo relatório foi extremamente desfavorável e desdenhoso, e por isso o Type 82 não seria empregado pelas forças britânicas, nos mesmos moldes dos norte-americanos.

Junto as forças americanas mais notadamente junto ao corpo de paraquedistas, centenas de Type 82 Kübelwagen capturados ou simplesmente abandonados, foram postos em serviço seguindo as orientações do manual técnico TM E9-803 e repintados com as cores padrão do US Army para evitarem serem confundidos com veículos inimigos pelas tropas aliadas. Aos veículos encontrados na Europa se somaram muitos trazidos do norte da África que foram capturados após a derrota do Africa Korps . Neste mesmo período as primeiras forças brasileiras começam a chegar no teatro de operações Italiano como parte do esforço do Brasil junto aos aliados na Segunda Guerra Mundial, além de 25.000 homens que compunham a Força Expedicionária Brasileira, foram enviadas ao front europeu duas unidades de aviação da Força Aérea Brasileira, sendo uma delas especificadamente dedicada missões de ligação e observação e regulagem de tiro de artilharia que fora criada a fim de atender a esta demanda em em 20 de julho de 1944, sendo denominada como 1º Esquadrilha de Ligação e Observação (1º ELO) que tinha como objetivo apoiar a unidade de Artilharia Divisionária da FEB.
A história do emprego do Kubelwagen Type 82 pelas forças militares Brasileiras tem início em fins de 1944, quando o  Aspirante-Aviador Joel Clapp, piloto de Piper Cub L-4 pertencente a 1ª Esquadrilha de Ligação e Observação da FAB encontrou na base área de San Giorgio (Pistoia) um exemplar do modelo que havia sido capturado por forças  americanas no Norte da África em meados 1943 e fora trazido até a Itália como troféu de guerra juntamente com outros equipamentos e veículos alemães. Impressionado com o estilo pouco habitual do Kubelwagen quando comparados aos jeeps empregados pela unidade, Joel decidiu solicitar ao comandante americano da base área que lhe cedesse o carro, oque prontamente lhe foi negado, entretanto após muita insistência por parte do brasileiro, o oficial da USAAF no melhor espirito de colaboração com seus novos aliados, decidiu doar o Kubelwagem para emprego como viatura de transporte daquela  unidade da Força Aérea Brasileira.

De acordo com relatos não oficiais, o Kubelwagen já havia sido anteriormente pintado no mesmo padrão dos demais veículos de transporte americano (provavelmente na cor verde oliva ou olive drab), e por isso receberia apenas retoques na pintura incluindo o mesmo emblema nacional aplicado as aeronaves Piper L-4H da ELO (círculo branco com a estrela da FAB dentro) e a identificação da unidade em branco na traseira com a pintura de uma bandeira do Brasil. Quando da realização de missões externas a base para o transporte dos pilotos as cidades vizinhas, o motorista amarrava uma bandeira brasileira de tecido na frente do veículo, para evitar acidentes frequentes que ocorriam com veículos alemães ou italianos capturados que podiam ser erroneamente alvo de fogo amigo, por isso a veemente necessidade de se identificar como um veículo capturado em uso pelos aliados. O veículo apresentava sérios problemas no sistema de freio e a ausência de peças de reposição alemãs não permitia que este defeito fosse solucionado por completo, sendo que muitas vezes era necessário chocar a lateral do carro contra edificações, fazendo o assim reduzir a velocidade por atrito, estas operações emergências trouxeram muitos amassados em sua lataria, lhe rendendo assim o apelido de “Caroço”.
Adorado por todos os pilotos e mecânicos da 1ª Esquadrilha de Ligação e Observação da FAB, o Kubelwagen “Caroço” esteve presente em toda a campanha da Itália, acompanhando o deslocamento da 1º ELO, entre as cidades de  Suviama, Porreta Terme, Montechio Emiglia, Piacenza, Portalbera e finalmente Bergamo, com o termino das hostilidades na Europa o mesmo foi abandonado na Itália  juntamente com demais equipamentos considerados em mau estado ou obsoletos.

Em Escala.

Para representarmos o Kubelwagem "Brasileiro" empregamos o kit da Tamiya na escala 1/35, modelo de fácil montagem, porém com carência de detalhamentos, não há necessidade de se proceder nenhuma alteração para compormos o veículo empregado. Fizemos uso de decais produzidos pela Decals e Books, presentes como   complemento do livro " FEB na Segunda Guerra Mundial" de Luciano Barbosa Monteiro, adicionamos também uma bandeira brasileira em tecido para cobrir o estepe localizado da parte frontal.

O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura empregado pelas forlas americanas após a captura do carro no front de batalha no norte da Africa (anteriormente especula-se que o mesmo se encontrava pintado com o esquema dos veículos do Afrika Corps).


Bibliografia :

- Livro "FEB na Segunda Guerra Mundial" de Luciano Barbosa Monteiro
Volkswagen Kübelwagen - Wikipédia http://pt.wikipedia.org/wiki/Volkswagen_K%C3%BCbelwagen
- Um jipe chamado Caroço: o Kübelwagen dos brasileiros na Itália - EXTRA