S-70A Black Hawk na Aviação Militar

História e Desenvolvimento.

No final da década de 1960, o Exército Americano – US Army emitiu especificações para o desenvolvimento de uma nova aeronave de asas rotativas com a finalidade de transporte e utilitária. Este processo recebeu o codinome de UTTAS (Utility Tatical Transport Aircraft System) e tinha por missão gerar um substituto para o lendário Bell 205, mais conhecido como UH-1 Huey, que representava o esteio da força de helicópteros das forças armadas americanas. Entre os requisitos exigidos estavam a maior capacidade de sobrevivência da célula e do grupo motriz em combate, exigindo também a criação de uma nova turbina que culminaria no projeto General Electric T700. Os requisitos da UTTAS para maior confiabilidade, sobrevivência e custos de ciclo de vida mais baixos resultaram em recursos inovadores, como motores duplos com desempenho melhorado a quente e alta altitude e um design modular, caixas de transmissão secas; subsistemas redundantes (hidráulicos, elétricos e de vôo) com alta tolerância a impactos de balística; blindagem para tripulantes e tropas, entre outros melhoramentos incorporados no projeto. Vale citar que a nova aeronave ainda deveria apresentar dimensões que possibilitasse o transporte a bordo do C-130 Hércules.

O Exército Americano – US Army ,divulgou seu pedido de propostas do processo UTTAS (Utility Tatical Transport Aircraft System) – RFP em janeiro de 1972, diversas empresas apresentaram seus projetos, os finalistas estavam representados pelo Sikorsky YUH-60A e Boeing-Vertol YUH-61A. Dois contratos de produção de protótipos foram firmados, com primeiro voo do modelo Sikorsky ocorrendo em 17 de outubro de 1974, logo em seguida mais duas células foram encomendadas. Todos os protótipos foram submetidos a um amplo programa de avaliação preliminar a partir de novembro de 1975, após este processo três protótipos foram entregues ao exército em março de 1976 para avaliação comparativa com seu rival o Boeing-Vertol YUH-61A, e novamente o modelo da Sikorsky saiu vencedor da disputa conquistando o primeiro contrato para fornecimento do modelo UH-60A em dezembro de 1976. As primeiras entregas ao Exército Americano tiveram início em outubro e 1978 com o modelo sendo declarado operativo em junho de 1979, com este modelo inicial do Balck Hawk se mantendo em produção até o ano de 1989.
Sua entrada em serviço demonstrou as excelentes qualidades da aeronave, levando o UH-60 a ser modificado para desempenho de novas missões e funções, incluindo a colocação de minas e a evacuação médica. Uma variante EH-60 foi desenvolvida para conduzir a guerra eletrônica e a aviação de operações especiais desenvolveu a variante MH-60 para apoiar suas missões. O aumento do peso bruto destas versões customizadas levaria o Exército Americano – US Army a solicitar melhorias no projeto, que levaria a atualização dos motores T700-GE-701C, adoção de uma caixa de câmbio mais robusta (ambos desenvolvidos para o SH-60B Seahawk). Esta alteração no grupo motopropulsor permitiu aumentar sua capacidade de elevação externa passando para 450 kg e 4.100 kg, um fator importante foi a incorporação de um novo sistema de controle de vôo automático (AFCS) que facilitava o controle de voo devido aos motores mais potentes que passavam a exigir mais atenção na condução da aeronave. Esta nova versão recebeu a designação de UH-60L Black Hawk, com sua produção em série sendo iniciada no ano de 1989.

Os primeiros UH-60L entraram sem serviço em 1990 e paralelamente a Sikorsky foi contrata para promover a atualização da frota de UH-60A para este novo padrão. O próximo salto evolutivo do projeto foi o desenvolvimento do modelo UH-60M aprovado em 2001, visando extender a vida útil do projeto até a década de 2020, através da incorporação de motores melhorados T700-GE-701D melhorados e instrumentação eletrônica de última geração, controles de vôo e controle de navegação. Em fevereiro de 2006 o Departamento de Defesa dos EUA aprovou a produção de um pequeno lote da nova variante, com as primeiras 22 células sendo entregues em julho de 2006.  Após uma avaliação operacional inicial, o Exército Americano aprovou a produção de um contrato adicional para a produção em cinco anos de 1.227, com as ultimas aeronaves sendo entregues até dezembro de 2007. Em março de 2009 mais 102 células foram encomendadas em um contrato no valor de US $ 1,3 bilhão, sendo estas aeronaves configuradas em versões especializadas, que seriam complementadas por um novo lote de 100 helicópteros em 2014.
O UH-60 Blackhawk teve seu batismo de fogo, durante a invasão de Granada em 1983, sendo novamente empregados na invasão do Panamá em 1989. Durante a Guerra do Golfo em 1991, o UH-60 participou da maior missão de assalto aéreo do Exército dos EUA. história com mais de 300 helicópteros envolvidos. O modelo teve destaca atuação na crise de Mogadíscio, na Somália em 1993, e foram muito usados nos Bálcãs e no Haiti nesta mesma década. Atualmente diversas variantes encontram se em produção já acumulando mais de 4.000 células entregues, e se mantem em serviço no Afeganistão, Áustria, Austrália, Bahrain, Brasil, Brunei, Chile, China, Colômbia, Egito, Israel , Japão, Jordânia, Malásia, México, Marrocos, Coreia do Sul, Filipinas, Arábia Saudita, Suécia, Taiwan, Tailândia, Tunísia, Turquia e Emirados Árabes.

Emprego no Brasil.

Em meados da década de 1980 o Exército Brasileiro se encontrava empenhado no audacioso plano de modernização de meios e doutrinas da força nacional, denominado FT-90 (Força Terrestre 90). Uma das vertentes deste projeto enfatizava a necessidade de se implantar uma aviação própria de asas rotativas, para com isso, propiciar um maior poder, mobilidade e flexibilidade à Força Terrestre, esta conscientização levou ao início de estudos doutrinários do emprego helicópteros de emprego geral e  transporte em proveito das forças de superfície. Os estudos culminaram na criação da Diretoria de Material de Aviação do Exército (DMAvEx) e do 1º Batalhão de Aviação do Exército (1º BAvEx) no ano de 1986. Fisicamente, a Aviação Militar passou a tomar forma com a instalação do 1º BAvEx na cidade de Taubaté no estado de São Paulo, em janeiro de 1988. Inicialmente a Aviação do Exército passou a ser equipada com aeronaves HB 350 L1, AS 550 A2 Fennec e SA-65 K Pantera fornecidas pelo consórcio Aeroespatiale – Helibras.

Em 1995 o Brasil passou a participar da Missão de Observadores Militares Peru Equador (MOMEP), iniciativa de paz multinacional criada pela Organização das Nações Unidas, que tinha por objetivo solucionar o conflito fronteiriço entre Equador e Peru, que ocorreu no vale do Cenepa e na Cordilheira do Condor. Este processo visava ampliar a capacidade regional  de  resolução  de  conflitos  com  autonomia,  rompendo  com  a  tradição  da  região de  resolver  os  conflitos  através  de  arbitragem  externa  (Corte  Internacional  de  Justiça, Organização  das  Nações  Unidas,  Vaticano,  outros  países  extracontinentais). Foi determinada o deslocamento de um destacamento de quase duas centenas de militares brasileiros que em conjunto com oficiais das forçar armadas argentinas, chilenas e norte americanas, atuariam como observadores, oficiais e equipe de apoio, que deveria ainda incluir um grupo aéreo formado por aeronaves de asa fixa e asas rotativas. Neste período a Aviação do Exército era composta por helicópteros HB 350 L1 Esquilo, AS 550 A2 Fennec e SA-65 K Pantera, aeronaves de asas rotativas consideradas de pequeno e médio porte que eram indicados para o cumprimento das missões que deveriam ser executadas por este grupo aéreo multinacional.
Para se atender a esta demanda uma nova aeronave deveria ser adquirida, com este processo se consolidando com compra de 4 células do Sikorsky S-70A-36 Black Hawk através do programa FMS (Foreign Military Sales) do governo norte americano, com esta negociação sendo autorizada pelo Departamento de Defesa daquele país em julho e 1997. Após a formalização da venda, militares do Exército foram a Stratford, Connecticut, sede da Sikorsky, para realizar o curso da aeronave Black Hawk. Em novembro de 1997, os militares brasileiros, entre eles 10 pilotos, transladaram os quatro HM-2 (designação dada ao modelo pela aviação militar) matriculados EB 3001 a 3004 para a sede da MOMEP em Patuca no Equador. Na operação da ONU os HM-2 passaram a apoiar diretamente as ações da Coordenação Geral, bem como todas as atividades das Nações Unidas na região, incluindo fiscalização de dos pontos de fronteiras e da zona desmilitarizada, patrulha de fronteira, apoio logístico a pelotões e pontos de observação. Suas missões eram formadas por equipas mistas das quatro nacionalidades participantes da missão.

Umas das células o S-70A HM-2 EB-3004 sofreria um acidente em 13 de setembro de 1988, quando a aeronave ficou parcialmente destruída, deixando uma vítima fatal e cinco feridos. Após ser resgatada do local do acidente, esta  célula foi enviada aos Estados Unidos para recuperação nas instalações de Sikorsky Aircraft em novembro do mesmo ano, rapidamente a mesma aeronave foi reparada, voltando posteriormente a operar normalmente. Com o fim da MOMEP, em 30 de junho de 1999, os HM-2 Black Hawk foram transladados para o Brasil em agosto de 1999, quando passaram a integrar o 4º Esquadrão de Aviação do Exército (4º Esquad AvEx) baseado no Aeroporto de Ponta Pelada em Manaus no estado do Amazonas, onde passarão a exercer as missões de emprego geral, transporte de tropas, SAR, EVAM e apoio às operações especiais e às forças terrestres.
Coube ainda ao UH-60L Black Hawk, ser o primeiro vetor do Exército Brasileiro a dispor de capacidade de operação noturna, através do emprego de óculos de visão noturna (NVG) do modelo Litton Anvis-6, permitindo assim a operação diuturnamente, dando uma nova dimensão a Aviação do Exército. Posteriormente este sistema foi atualizado com a adoção dos novos óculos Anvis-9, também foram instalados radares meteorológicos melhorando assim suas condições de navegação no ambiente amazônico, visando ampliar também seu raio operacional em missões mais longas o modelo passou a ser equipado com até quatro tanques externos de combustível. 

Em Escala.  

Para representarmos o HM-2 Black Hawk  "EB 2004", empregamos um antigo kit da Minicraft  na escala 1/48, que apresenta mesma versão empregada no Brasil o UH-60L, não necessitando assim de nenhuma modificação, apenas para melhor detalharmos o modelo incluímos as duas metralhadoras laterais FN MAG 58M calibre 7.62mm. Fizemos uso de decais produzidos pela FCM que estão presentes no Set 48/13.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura tático das aeronaves de asas rotativas dos Exército Americano, inicialmente as mesmas receberam faixas brancas, aplicadas em três pontos da fuselagem e a inscrição MOMEP, posteriormente após o regresso ao Brasil estas marcações foram suprimidas.

Bibliografia :

- Sikorsky UH-60 Blackhawk, Wikipedia -http://en.wikipedia.org/wiki/Sikorsky_UH-60_Black_Hawk
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 – Jackson Flores
- Nas Asas da Aviação do Exército, Claudio Lucchesi e Roger Pascoal - Revista Asas  nº 15