Agrale Marruá AM 4X4 Militar

História e Desenvolvimento.

Com o final da produção do Jeep Ford em 1983, os mercados civil e militar ficarão carentes de um veículo de custo acessível, com tração 4X4 e características para operação em qualquer terreno.  Neste período, o Toyota Bandeirante ainda não havia sido homologado pelo Exército Brasileiro, que viria a criar um interesse da Engesa por este nicho de mercado. Dentro deste contexto, nasceu o EE-12, um jipe 4X4 completamente desenvolvido no Brasil, usando componentes nacionais, agregando a vasta experiencia da empresa no setor de tração de veículos militares.  Apresentando inicialmente em 1984 o EE-12 e oferecido a partido do ano seguinte ao publico civil como Engesa 4, este novo veiculo tinha como crédito o exclusivo sistema de suspensão por molas helicoidais , barras oscilantes longitudinais e transversais que brindavam um excepcional curso de 225 mm, perfeito para transpor terrenos irregulares. De sobra proporcionava maciez de carro de passeio, a fim de se reduzir custos, a carroceria desenhada elo sistema de computador CadCam era produzida apenas com dobras e soldas, dispensando as caras ferramentas de estamparia. O chassi contava com longarinas tubulares em aço de alta resistência. A propulsão era garantida por um motor Chevrolet 151 de quatro cilindros e 2.470 cm3, igual ao da linha Opala oferecido em versões a álcool de 88 cv e gasolina de 85 cv. A transmissão era a Clark 240v, de cinco velocidades e redução total de 6,33:1, que, de certo modo compensava a falta da reduzida na caixa de transferência. 

A capacidade de subida de rampa chegava a 60% e a velocidade máxima era de 116 km/h na versão a álcool, e o consumo médio em estrada ficava em 5,2 km/litro de álcool. O jipe que pesava cerca de 1.500 kg, podia acomodar 500 kg de carga útil sobre os pneus 7-50x16, com comprimento de 3.590 mm de comprimento, tornado o Engesa 4 mais curto que o Fiat Uno. Um pacote de aprimoramentos foi implementado em 1988, de modo a tornar o 4X4 mais confortável e econômico. O fabricante aumentou o entre-eixos e o balanço traseiro em 100 mm, permitindo portas maiores e espaço adicional para a bagagem. Também neste processo o para-brisa foi ampliado e a tampa traseira e o painel foram redesenhados, a caixa de transferências foi representada ficando mais silenciosa. Para melhor desempenho global a transmissão foi encurtada e o diferencial foi alongado.  No início da década de 1990 a Engesa passou a sofrer com sérios problemas de ordem financeira, sendo provocada em face de altos investimentos com recursos próprios para o desenvolvimento do MBT EE-T1 Osório que infelizmente não logrou êxito em vendas e também por serio processo de inadimplência na ordem de US$ 200 milhões de dólares junto ao governo iraquiano, estes pontos levaria a falência da empresa no início da década de 1990, gerando um dívida de $ 1,5 bilhão, em valores atualizados, junto ao Banco do Brasil e ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em empréstimos não pagos. Como o governo era um dos principais credores da massa falida da empresa, ficou decidido que os ativos, peças de reposição e veículos deveriam ser incorporados ao Exército Brasileiro por autorização judicial.
O renascimento de projeto ocorreria por mãos de outra empresa, a Agrale S/A, uma montadora nacional fundada em 1962, quando iniciou a produção de componentes automotivos, derivando ao longo dos anos seu portfolio passando a produzir motores a diesel, motocicletas, caminhões leves e micro-ônibus. A partir de 1998 passou a produzir no Brasil os caminhões da empresa norte americana Internacional, obtendo assim know how para a produção em larga escala de veículos robustos. Esta experiencia seria agregada futuramente ao projeto de um jipe nacional 4X4, quando um grupo de ex-funcionários da Engesa, resolveu levar adiante o projeto do Modelo 4, projeto sobre o qual detinham os direitos, visando produzir este veiculo junto a empresa Columbus Comercial Importadora e Exportadora Ltda, organização privada dedicada a manutenção de blindados e caminhões da marca que ainda se encontravam em uso nas Forças Armadas Brasileiras. Os primeiros três protótipos foram construídos em conjunto com a Ceppe Equipamentos Ltda, no Arsenal de Guerra de São Paulo, em Barueri. A apresentação oficial foi realizada em fevereiro de 2003, seguida da fase de testes de homologação do Exército Brasileiro, visando assim substituir a médio prazo os já desgastados jipes Ford, Toyota Bandeirante e os próprios Engesa EE-12. Os resultados positivos levaram a introdução da Agrale S/A assumindo a posição de investidor no projeto, ficando assim responsável pela produção em série, neste mesmo período o projeto receberia o nome de batismo de Marruá, que significa em tupi guarani “novilho selvagem”.

O modelo final homologado pelo Exército Brasileiro, atendia plenamente ao Requisito Técnico Básico (RTB) 063/94 destinado a concepção de veiculo classificado como VTNE ½ 4X4, destinado para o transporte de pessoal ou carga, podendo carregar 500 kg em qualquer terreno, podendo ainda dispor de um reboque militar com mais 250 kg. Basicamente destinava-se ao transporte de quatro homens com equipamento individual, sendo previsto ainda o emprego desta plataforma para o emprego de míssil anticarro, canhão sem recuo de 106 mm, metralhadora leve 7,62 mm tipo MAG ou .50 tipo Browning. Sua carroceria era construída toda em aço, com teto e portas em vinilona, janelas de enrolar, barra de proteção anticapotagem, para brisa rebatível com vidro basculante, reguláveis, e banco traseiro para passageiros. Dispunha de tampa traseira de abertura lateral que permite amplo acesso ao compartimento de carga. Seu painel de instrumentos possuía sistema de iluminação civil e militar no padrão da Otan. Estava equipado com um motor dianteiro MWM modelo 4,07 TCA a diesel, quatro cilindros em linha, 2,8 litros e 135 cavalos, dotado ainda com o cambio Eaton modelo FS 2305, manual de cinco marchas a frente e uma ré, caixa de transferência de fabricação própria e caixa de direção TRW, modelo TAS-2 com acionamento hidráulico. A suspensão dianteira e traseira era composta por barras oscilantes longitundinais e transversais, molas helicoidais e amortecedores de dupla ação. Seu sistema elétrico escolhido pertence ao tipo negativo à massa, 24 volts, capacitado a operar os rádios operados pelo Exército Brasileiro.
A versão final militar  foi apresentada oficialmente em 2003 na Feira Internacional de Defesa e Segurança (LAAD) no Rio de Janeiro despertando o interesse de outras nações, em novembro do ano seguinte foi disponibilizada uma primeira série de 100 unidades para uso civil; a menos da alteração do sistema elétrico (passou de 24 para 12 V) e da eliminação dos faroletes auxiliares e do para-brisas dianteiro basculante, todas as demais características da versão militar foram mantidas. O primeiro contrato militar com as Forças Armadas Brasileiras seria celebrado em 2005 prevendo a aquisição inicial de oito unidades do modelo Agrale Marrua AM2, com as primeiras entregas ocorrendo para o Exército Brasileiro em 10 de abril de 2006.

Emprego no Brasil.

Seguindo o cronograma de implementação os primeiros oito Agrale Marrua AM2 foram entregues em 2006 no 3º Batalhão de Suprimentos, na cidade de Nova Santa Rita no Rio Grande do Sul, onde foram aceitos para operação e distribuídos as unidades de Grupo de Exploradores dos Pelotões de Cavalaria e Pelotões de Exploradores. A aplicação real em campo renderia a Agrale S/A a encomenda de mais 57 unidades do VTNE ½ 4X4 ao longo do ano seguinte a e despertaria o interesse da Marinha do Brasil, que tinha por intermédio do Corpo de Fuzileiros Navais o interesse em substituir as versões mais antigas dos Toyota Bandeirante que até então eram utilizados como veículo padrão para utilização como viatura de transporte em várias aplicações. Assim no início de 2008 seria homologada a versão Agrale 4X4 AM2-MB TNE, especificadamente customizada para o emprego junto ao Corpo de Fuzileiros Navais, contando com as características únicas, como a pintura especial que garante maior resistência à corrosão causada pelo mar e pneus especiais para uso em terreno arenoso. O veículo possui também motor MWM Diesel com injeção eletrônica e transporta seis ocupantes, dois na frente e quatro na parte traseira, com seus equipamentos individuais. O primeiro lote de 29 veículos destinados Marinha do Brasil começou a ser entregue em agosto de 2008, sendo seguidos por outros que iniciaram o processo de desativação das unidades mais antigas dos Toyota Bandeirante e Land Rover Defender.

Em 2010 o Exército Brasileiro começou a incorporar cada vez mais viaturas Agrale Marruá na configuração VTNE ½ 4X4, até o fim deste mesmo ano as encomendas da exército e marinha já atingiam a cifra de 200 unidades , o próximo cliente a adotar o modelo seria a Força Aérea Brasileira que passou a adotar a versão básica AM2, bem como uma variantes especializada com cabine dupla para emprego como carro socorro e bombeiro para emprego junto as bases aéreas. Em 2011 a  Agrale apresentou na LAAD  (Latin America Aerospace & Defence) a viatura militar Marruá AM 31 – VTNE 1,5 t 4X4. O novo modelo foi desenvolvido para atender às especificações militares na faixa de 1.500 kg podendo ainda rebocar 750 kg, para a qual não existia naquele período fornecimento atualmente, e ampliar a linha de viaturas da empresa, que inclui versões para o transporte de tropas, reconhecimento, guerra eletrônica, comando e controle, ambulância e outras aplicações. Esta versão tinha como principal diferencial a maior capacidade de carga: 1.500 kg na viatura, mais 1.500 kg tracionados em qualquer terreno. Muitos dos componentes são os mesmos empregados na versão básica, com suspensão de mola semi-eliptica com rate variável da classe Ford F-250, mantendo as características no desempenho fora de estrada da versão do jipe. Em 18 de novembro de 2013 a Portaria Nº 224-EME do Ministério da Defesa estabelecia a adoção da Viatura de Transporte Não Especializada, 1½ toneladas, 4×4, Categoria 2, Agrale MARRUÁ, Modelo AM 31 (VTNE 1½t, 4×4, VOP 2, Agrale Marruá AM 31.
Em consequência, por serem veículos versáteis, muito robustos, de fácil manutenção e baixo custo operacional, a atual família Agrale Marruá ganhou novas opções sendo hoje constituída de um jipe - VTNE ½ t 4x4 na nomenclatura militar - uma picape (VTNE ¾ t 4x4); uma viatura de reconhecimento, armada (VTL-Rec); uma viatura porta Shelter para Comando e Controle (VTNE ¾ 4x4 – VCC), além de ambulâncias de Simples Remoção e Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Vale citar também o desenvolvimento e adoção pelo exercito e corpo de fuzileiros navais da Viatura Tática Leve e Reconhecimento Marruá 4x4 AML, que tinha como finalidade substituir versões dos Bandeirante e Land Rover, esta versão possuía uma estrutura tubular de proteção com um reparo circular acoplado para emprego de uma metralhadora 7,62 mm, com opção de uso de uma segunda metralhadora que também poderia ser operada pelo chefe da viatura ao lado do motorista. Apresentava uma capacidade de munição da ordem e 4.000 tiros, dispunha de uma tripulação de três homens, podendo ainda levar uma gama variada de armamentos, inclusive misseis anticarro, possuindo ainda quatro lançadores de granadas fumiginas instaladas no para-choque dianteiro e um guincho elétrico. Esta nova viatura apresentava o mesmo desempenho fora de estrada da versão AM2, podendo também executar diversas funções de serviços gerais, quando não estão dedicadas as funções operacionais. Esta nova variante foi elaborada conforme os Requisitos Operacionais Básicos (ROB) nº 02/2003 e Requisitos Técnicos (RTB) nº 03/2003 do Exército Americano.

A versatilidade da plataforma Agrale abriria espaço para o desenvolvimento a partir do modelo AM20 base transportadora do avançado sistema de controle para a artilharia antiaérea, desenvolvido para o Exército Brasileiro pela OrbiSat e controlada pela Embraer Defesa e Segurança. O projeto, que contava com a parceria do Centro Tecnológico do Exército (CTEx), integra o Sistema de Defesa Antiaérea do Exército, abastecendo-o com informações capazes de contribuir para a tomada de decisões em inúmeras situações que envolvam questões de defesa e segurança. Este sistema funciona como uma base para o comando e controle das informações enviadas, em tempo real, pelo radar Saber M60, também produzido pela OrbiSat, e usado para vigilância aérea e terrestre de aviões a baixa altura, que rastreia alvos em um raio de até 60 quilômetros e a altitude de até cinco mil metros. Esta plataforma criaria uma família de veículos de voltados a atividades de comunicação e guerra eletrônica, apresentando diferentes configurações, como AM20 GE (Guerra Eletrônica), AM20 MAGE ( Medidas de Apoio de Guerra Eletrônica ) e AM20 VCC (Viatura Comando e Controle) - foi escolhido por suas características de robustez, durabilidade e facilidade de manutenção, além de poder ser utilizado em diferentes tipos de serviços e terrenos.
Atualmente a linha Agrale Marruá nos últimos 1doze anos se consolidou como a viatura padrão 4X4 nas modalidades 1½t 4×4 e ¾ t 4x4 nas forças armadas brasileiras, conquistando grande aceitação também no mercado internacional, estando o modelo presente nas forças armadas da Argentina, Equador, Chile, Namíbia, Gana e Paraguai. Vale citar que os 19 veículos do modelo AM20 VTNE ½ 4X4 pertencentes ao Exército Brasileiro, estiveram em operação no Haiti desde 2008, compondo as forças militares de pacificação da missão de paz da ONU (Organização das Nações Unidas) MINUSTAH. Em 2010 este contingente seria reforçado pela disponibilização de uma viatura Agrale Marruá Ambulância com “shelter” da Rontan, para ser utilizada nas ações que as nossas tropas estão desenvolvendo em Porto Príncipe.

Em Escala.

Para representarmos o Agrale Marruá AM20 MAGE (Medidas de Apoio de Guerra Eletrônica ), fizemos uso do modelo em die cast na escala 1/43 da Coleção Veículos de Serviço do Brasil Tempos da Planeta de Agostini, a versão original representa o modelo cabine dupla Marruá AM 150 CD CC ano 2006, para se representar a versão utilizada pelo Exército Brasileiro, tivemos de construir em scratch o “shelter”, fazendo uso de fotos e referências do veículo real. . Empregamos decais confeccionados pela Decals e Books pertencentes ao set  "Forças Armadas do Brasil 1/35”.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura do Exército Brasileiro aplicado em todos seus veículos militares a partir de 1983. Os únicos veículos do EB que receberam um esquema diferente deste foram os destinados ao contingente da MINUSTAH onde passaram a ostentar o padrão de pintura padrão das forças de paz das Nações Unidas. Já os veículos do Corpo de Fuzileiros Navais e Força Aérea Brasileira adotaram esquemas de pintura diferentes, pertinentes a suas funções ou padrão de cada força.

Bibliografia :

- Agrale Marruá, um legítimo 4X4 militar Made In Brasil - Expedito Carlos Stephani Bastos
- Agrale Marruá AM2 no Exército Brasileiro - Expedito Carlos Stephani Bastos
- Agrale Marruá Wikipédia - https://pt.wikipedia.org/wiki/Agrale_Marru%C3%A1
- Agrale S/A – www.agrale.com.br
- Viatura Tática de Reconhecimento Agrale  - Expedito Carlos Stephani Bastos