UC-64A Noorduyn Norseman na FAB

Historia e Desenvolvimento 

Assim no início do ano de 1934, Robert BC Noorduyn iniciaram as tratativas para o desenvolvimento, sendo que em termos de premissas básicas a aeronave deveria operar em todo tipo de ambiente, seja terrestre ou anfíbio. O design final da aeronave se assemelhava com os projetos holandeses da Fokker anteriores desenvolvidos anteriormente por  Noorduyn. Nascia assim um monomotor utilitário, com excelente capacidade para o transporte de carga e pessoal, apresentando configuração monoplano com asas altas, que visavam facilitar o embarque de passageiros e carga de todo o tipo. Para atender aos diversos ambientes operacionais o avião apresentava a capacidade de intercambiar o trem de pouso fixo com esquis ou flutuadores de acordo com a necessidade, sendo de fácil configuração para a tripulação ou equipe de solo. Estava dotado inicialmente com um motor radial a pistão Wright R-975-E3 Whirlwind de 450 hp, possuía sua estrutura principal composta por tubos de aço e madeira, asas totalmente construídas em madeira sendo recobertas com tecido (flaps e ailerons feitos com tubos de aço soldados). O primeiro voo ocorreu em 14 de novembro de 1935, apesar do excelente perfil operacional o motor adotado não apresentou o rendimento esperado, sendo assim o projeto submetido a estudos para troca do mesmo, e após várias análises optou-se pela escolha do Pratt & Whitney R-1340-NA-1 Wasp com 550 hp.
As primeiras entregas a operadores civis tiveram início em janeiro de 1936, quando um dos protótipos que já havia sido testado para operação com flutuadores foi vendido e entregue no dia 18 do mesmo mês a empresa canadense Dominion Skyways Ltd, sendo registrado com o prefixo "CF-AYO" e nome de batismo de  “Arcturus.” No verão de 1941, a produtora americana de filmes Warner Brothers alugou a esta mesma aeronave para assim participar das filmagens do longa metragem intitulado "Captains of the Clouds", estrelando James Cagney. A fotografia aérea principal ocorreu perto de North Bay, Ontario, com a CF-AYO carregando o registro temporário "CF-HGO". O  Noorduyn Norseman CF-AYO foi perdido em um acidente no Algonquin Park em 1952. Seus destroços atualmente estão em exibição no Canadian Bushplane Heritage Center. Apesar deste infortúnio o modelo imediatamente provou ser uma aeronave de desempenho e operação robusta e confiável, começando a conquistar boas vendas no mercado canadense e norte americano. A primeira versão foi designada como Norseman Mk I. A próxima aeronaves produzida e matriculada como "CF-BAU", recebeu algumas pequenas mudanças necessárias após os testes de certificação, e um novo motor SCR-1 Washer Pratt & Whitney R-1340 - avaliado de 420 a 450 hp, foi designado Norseman Mk II. Já as próximas três aeronaves de produção foram designadas como Norseman Mk III, recebendo as matriculas "CF-AZA", "CF-AZE" e "CF-AZS", sendo entregues para o MacKenzie Air Service, Edmonton, Alberta, Prospector Airways, Clarkson, Ontario e "CF-AZS" para Starrat Airways, Hudson, Ontario. 

A célula matriculada "CF-BAU" seria modificado em 26 de junho de 1937 para se tornar o protótipo Norseman Mk IV, alimentado por um Pratt & Whitney Wasp S3H-1. O modelo designado como Mk IV tornou-se o modelo "definitivo", mas a produção poderia  ter sido descontinuada após a produção de um pequeno número de aeronaves,  futuro incerto este que seria alterado com o advento da Segunda Guerra Mundial que teve inicio em setembro de 1939. Apesar de ser desenvolvido como uma aeronave estritamente para emprego civil, o Noorduyn Norseman galgaria uma destacada carreira militar no conflito, tendo como seu primeiro operador não civil a Real Força Aérea Canadense (RCAF), mediante a encomenda de 38 exemplares da versão Norseman Mk IVWs para treinamento de rádio e navegação para o Commonwealth Air Training Plan. Seu próximo cliente militar seria o United States Air Corp Army (Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos), pois em 1941 o Coronel Bernt Balchen estava envolvido na estruturação de uma rota segura para o translado de aeronaves da América do Norte para a Europa. Por se tratar de um cenário inóspito, exigia-se avião robusto o suficiente para sobreviver nas duras condições do Ártico, e assim procedeu em fins de 1941 a avalição de seis MKIV que haviam sido desviados de uma encomenda da RCAF. Após ter sua operação recomendada, o comando da USAAC efetivou o primeiro pedido de uma versão especial designada como C-64A. As principais diferenças envolveram a montagem de dois tanques na fuselagem, elevando a capacidade de combustível padrão para 201 Imp. gal (914 l); um tanque de combustível de cabine adicional de 32 Imp. gal (145 l) também pode ser instalado. Essas mudanças resultaram em um aumento de 950 lb (431 kg) no peso carregado do padrão Mk IV.
 Ao longo da Segunda Guerra Mundial, os aviões Norseman da USAAC foram usados na América do Norte (principalmente no Alasca), bem como outros em teatros de guerra, incluindo a Europa. Três UC-64As foram utilizados pela Marinha dos EUA sob a designação JA-1. Seis hidroaviões C-64B foram usados pelo Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA, bem como por outras forças aéreas aliadas, que fizeram pedidos para 43 Norseman Mk IVs. A RCAF encomendou 34 aeronaves adicionais como Norseman Mk VI. Noorduyn era o único fabricante, mas quando a USAAF considerou encomendar um número maior de C-64As, a licença de produção de 600 pela Aeronca Aircraft Corp. (Middletown, Ohio) foi contemplada antes do contrato ser cancelado em 1943. O pós-guerra assistiu à operação deste modelo e suas variantes militares em países como Brasil, Canada, Costa Rica, Cuba, Tchecoslováquia, Egito, Honduras, Indonésia, Israel, Nova Zelândia, Noruega, Filipinas, Reino Unido e Suécia, sendo empregados em missões de transporte ou treinamento. Sua produção foi descontinuada em 19 de janeiro de 1959, quando a última célula foi encomendada por um operador civil, ao todo foram produzidas 903 aeronaves (MK I á MK V), sendo que em pleno século XXI diversas unidades ainda se encontram operacionais por empresas particulares atestando assim as qualidades deste modelo.

Emprego no Brasil. 

O Correio Aéreo Nacional (CAN) remonta sua origem em um serviço postal militar brasileiro iniciado em 1931, que detinha o objetivo principal integrar as diversas regiões do país, permitindo assim uma maior permitir a ação governamental em comunidades de difícil acesso possuindo relevante papel social. Este serviço entrou em operação no dia 12 de junho de 1931, com o nome de Correio Aéreo Militar, quando os tenentes do Exército, Casimiro Montenegro Filho e Nelson Freire Lavenère-Wanderley, a bordo do monomotor biplano Curtiss Fledgling matrícula K263 (apelidado carinhosamente de "Frankenstein"), transportaram uma mala postal com duas cartas, do Rio de Janeiro para São Paulo, e de lá retornando, com correspondência, no dia 15 de junho. Esta se tornaria a rota oficial para as aeronaves do CAM entre as duas cidades daí em diante, três vezes por semana. A partir da implantação dessa primeira linha, permitindo o treinamento de pilotos e mecânicos, três meses mais tarde iniciavam-se os estudos para a sua extensão até Goiás. A Aviação Militar passou a dispor de monomotores biplanos Waco em 1932, pouco antes e durante a Revolução Constitucionalista de 1932, período em que se intensificaram as atividades do CAN: foram assim implantadas as linhas até Goiás, Mato Grosso, Paraná e Bahia. Em 1935, as linhas do serviço alcançavam a Amazônia. No ano seguinte (1936), em janeiro, foi inaugurada a primeira linha internacional, entre as cidades do Rio de Janeiro e Assunção, no Paraguai. 

Com a criação do Ministério da Aeronáutica em 20 de janeiro de 1941, pela fusão da antiga arma da Aviação Militar do Exército com a da Aviação Naval da Marinha, o Correio Aéreo foi transferido para este órgão e recebeu a denominação com que ficou conhecido: Correio Aéreo Nacional. A sua direção ficou afeta à Diretoria de Rotas Aéreas, cujo diretor foi o Brigadeiro Eduardo Gomes. A partir de então, em abril de 1943 as linhas foram estendidas até ao rio Tocantins e Belém do Pará, e desta última até Caiena, com escalas em Macapá e Oiapoque. Dentro da participação brasileira na Segunda Guerra Mundial a recém-criada Força Aérea Brasileira (FAB) seria reequipada mediante uma linha de crédito da ordem de cem milhões de dólares, para a aquisição de material bélico, proporcionando ao pais acesso a modernos meios e aeronaves, sendo estes fornecimentos dispostos nos termos do acordo de Leand Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos) celebrado anteriormente com o governo norte americano. Entre diversos modelos de aeronaves a serem cedidos desatacava-se em grande numero as aeronaves de transporte entre estes estavam 17 células novas de fábrica, dispostas na versão Noorduyn UC-64A Norseman que estavam equipadas com os mais potentes motores radiais Pratt & Whitney Wasp R-1340 Na-1 com 600 hp.
Quando de seu recebimento nas instalações fabris da Noorduyn Aircraft Limited na cidade de Ontario no Canada, as aeronaves UC-64A Norseman já portando marcações da Força Aérea Brasileira (FAB) e matriculadas como FAB 01 a FAB 17 foram transladas por aviadores americanos diretamente desde o Canadá até a base área da USAAC em Kelly Air Force Base localizada na cidade de San Antonio no estado do Texas, sendo dispostos em quatro lotes de quatro aviões cada, sendo o último com cinco aeronaves, entre julho de 1944 e março de 1945. Já nesta base os aviões eram inspecionados e oficialmente incorporados a FAB e entregues a pilotos brasileiros e de lá voavam até a Base Aérea no Campos dos Afonsos no Rio de Janeiro (RJ). Novamente este processo foi divididos em grupos, sendo os lotes divididos entre as aeronaves 44-35398 a 44-35401(FAB 01/04), 44-70324 a 4470327 (FAB O5/08), 44-70397 a 44-70400 (FAB O9/012) e 44-70475 a 44-70479 (FAB 13/13). Após seu recebimento no Brasil inicialmente as aeronaves ficaram subordinadas a Diretoria de Rotas Aéreas (DRA), organização esta criada em 1942 para gerir o Correio Aéreo Nacional. (CAN) e coordenar o tráfego aéreo em geral no território nacional.

Suas características originais de robustez e de decolagem e pousos curtos inerentes  de seu  projeto tornaram Noorduyn UC-64A Norseman a aeronave ideal para o emprego principal de se destinar a missões do CAN (Correio Aéreo Nacional), sendo assim destinados logicamente a operar em linhas do correio que faziam uso de aeródromos de pequena ou nenhuma infraestrutura  espalhados no interior do pais, mais notadamente na região amazônica e centro oeste. Estas aeronaves canadenses viriam a substituir os também monomotores UC-43 Beechcraft D-17A que atuavam nestas linhas, desde a época do Correio Aéreo Naval quando operavam na famosa Linha Tronco Norte. Normalmente estas aeronaves eram deslocadas para alguma base posicionada estrategicamente, por onde deveriam passar as linhas principais do CAN, dali cabia aos robustos UC-64A Norseman realizar a distribuição das malas postais pelo interior circunvizinho, cumprindo as linhas secundarias do Correio Aéreo Nacional, ajudando assim a completar a malha aeronáutica da região. Quando não estavam cumprindo as missões do CAN, estas aeronaves consideradas eram ferramentas fundamentais na execução de missões utilitárias, administrativas e socorro aéreo médico. Vale salientar que os UC-64A Norseman também passaram a atuar a partir de maio de 1945 em uma nova linha internacional, que ligava a região Centro-Oeste a Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia.
Além de estarem subordinadas a Diretoria de Rotas Aéreas (DRA), os Noorduyn UC-64A Norseman foram empregados pelo 1º Grupo de Transporte de Tropas (1º GTT) sendo também destacado como aeronave orgânica para a Base Aérea de Campo Grande, Base Aérea de Recife e Base Aérea de Natal. Ao fim da década de 1950 a Força Aérea Brasileira contava em seu inventario com novas aeronaves dedicadas as missões do Correio Aéreo Nacional, entre elas os Beechcraft C-45 com um perfil operacional superior aos UC-64A, determinaram a gradual retirada de serviço do modelo, até meados do ano de 1960 quando a última célula foi  enfim desativada. 

Em Escala.

Para representarmos o UC-64A Norseman "FAB 2795" utilizamos o modelo da Modelcraft na escala 1/48, apesar de ser fácil montagem e bom nível de acabamento, o mesmo é despojado de detalhamento interno, optamos por fazer em scratch alguns itens internos, como bancos de passageiros e carga. Como não existe no mercado um set de decais específico para o modelo nas cores da Força Aérea Brasileira, optamos por empregar decais oriundos de diversos sets produzidos pela FCM.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o segundo padrão de pintura adotado pelos Noorduyn UC-64A Norseman com faixas de alta visibilidade (day glo), inicialmente as aeronaves foram recebidas todas na cor de metal natural com as cores e marcações da FAB. Este segundo padrão foi mantido até a desativação do modelo em 1960.



Bibliografia :

- Aviação Militar Brasileira 191 - 1984 - Francisco C. Pereira Netto

- Noorduyn Norseman  - Wikipedia - http://en.wikipedia.org/wiki/Noorduyn_Norseman

- Aeronaves Militares Brasileiras 1916/ 2016 – Jackson Flores Jr

- História da Força Aérea Brasileira, Prof Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html