Lockheed F-80C Shooting Star

História e Desenvolvimento. 
A Lockheed Aircraft Corporation, empresa que conquistou notoriedade no mercado de aeronaves civis na década de 1930 teve sua gênese em 1912, quando Allan Lockheed e seu irmão Malcolm Lockheed fundaram uma pequena empresa de construção aeronáutica chamada Lockheed Aircraft Manufacturing Company. Se especializando na produção de pequenas aeronaves turísticas no estado da Califórnia. Apesar da tendencia no crescimento das vendas, este mercado seria duramente atingido pelo final da Primeira Guerra Mundial, quando uma grande oferta de aeronaves militares usadas afetaria as vendas de aeronaves novas, levando assim ao encerramento das atividades desta promissora empresa. O recomeço aconteceria a partir de 1926, quando os empresários, Allan Lockheed, John Northrop, Ken Kenneth Kay e Fred Keeler conseguiram fundos para formar a Lockheed Aircraft Company. Esta nova organização faria uso da mesma tecnologia originalmente desenvolvida para o Modelo S-1 para projetar o Modelo Vega. Em março de 1928, a empresa mudou-se para Burbank, na Califórnia, e no final do ano reportou vendas superiores a um milhão de dólares, chegando a produzir cinco aeronaves por semana. Em julho de 1929, o acionista majoritário Fred Keeler vendeu 87% do capital da Lockheed para a Detroit Aircraft Corporation, recebendo assim recursos para a melhoria de seus projetos e linha de produção, o que resultaria em sucessos comerciais como o Modelo 10 Electra e posteriormente sua versão alongada desenvolvida pelo líder de projetos Don Palmer com capacidade de transporte para 14 passageiros denominados como Modelo 14 Super Electra. A entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial em dezembro de 1941, levaria a Lockheed Aircraft Corporation passar a ser um fornecedor estratégico das forças armadas norte americanas. com a empresa passando a desenvolver aeronaves destinadas a missões de patrulha e guerra antissubmarino como os Lockheed A-28 Hudson, PV-1 Ventura e PV-2 Harpoon. Seu produto de combate de maior sucesso durante a Segunda Guerra Mundial seria o lendário caça bimotor Lockeed P-38 Lighting

Durante o transcorrer do conflito os  norte americanos cientes dos avanços alemães na tecnologia de propulsão a jato, decidiram empenhar esforços no desenvolvimento da primeira aeronave de caça a jato  norte americana operacional. Apesar da Bell Aircraft já ter iniciado os esforços no projeto que culminaram no XP-59 Airacomet, o comando da Força Aérea Americana (USAF) definiu por transferir este projeto para outra empresa, principalmente pelo fato da primeira empresa ja estar comprometida com contratos de fornecimento de aeronaves convencionais. Em 23 junho de 1943 foi celebrado junto a Lockheed Aircraft Corp um contrato para desenvolvimento do projeto designado L-140 que teria como líder  nos trabalhos o brilhante engenheiro aeronáutico Clarence L. "Kelly" Johnson, é curioso citar que este contrato exigia um protótipo totalmente funcional no prazo de 180 dias. Em 09 de novembro de 1943 foi concluído o primeiro protótipo designado como XP-80 Shooting Star, sendo levado a testes secretamente na base aérea de Muroc Dry Lake. diversas anomalias e falhas técnicas no motor, paralisaram as avaliações , sendo retomadas somente no dia 28 do mesmo mês com o recebimento de um novo motor inglês Haviiland H-1B Goblin. O primeiro voo ocorreu em 08 de janeiro de 1944 sendo conduzido pelo piloto de testes Tendo Milo Burcham, tendo a aeronave atingindo a velocidade de 806 km/h. Ocorre porem que incertezas quanto ao fluxo de fornecimento dos motores ingleses em virtude da guerra e da produção dos jatos Gloster Meteor, levara a Lockheed Aircraft a repensar o projeto sugerindo a adoção do motor americano. O propulsor a jato escolhido foi o da  General Eletric Whittle I-40, como este motor apresentava um tamanho maior quando comparado com o modelo original inglês, foi necessário redesenhar a fuselagem da aeronave,  nascendo assim a versão XP-80A com quatro aeronaves pré serie sendo encomendadas. O primeiro voo  desta nova versão ocorreu em  junho de 1944, sendo seguido por um exaustivo programa de testes, varios incidentes a acidentes permearam este processo, sendo perdidos oito aeronaves até agosto de 1945, vitimando em um deles o Major Richard I Bong, o maior ás norte americano da Segunda Guerra Mundial.
Para a produção em serie do modelo, foi decidido novamente alterar o motor a reação , optando agora pelo turbo jato Allison J-33. Um contrato de fornecimento de 4.930 unidades foi firmado com a USAF (Forca Aérea dos Estados Unidos), no entanto com a capitulação do Japão em agosto de 1945 este número foi reduzido para 671 unidades. Apesar de várias tentativas de dar solução aos problemas que assolaram o P-80A, nada menos que 61 desses caças foram perdidos até setembro de 1946. Muitos acidentes foram atribuídos a deficiente operação da aeronave, mas outros fatores eram de ordem material, principalmente no que dizia a respeito às primeiras versões do motor J33. Algumas deficiências foram resolvidas na segunda versão do modelo designada P-80B incorporava várias melhorias, entre elas novos e mais confiáveis assentos ejetáveis e adoção do sistema de injeção de agua e metanol no motor, sendo entregues 240 células entre 1947 e 1948. Prosseguindo em seu ciclo evolucionário , alçou voo em 1 de marco de 1948 o primeiro P-80C, versão dotada com o motor Allison J-33-23 com 2086kgf de empuxo, que lhe permitia atingir a velocidade de 928 km/h. Este novo modelo recebeu uma nova estrutura alar reforçada com a provisão para receber quatro cabides subalares com capacidade de carga útil de até 1.080 kg, sendo assim considerado o primeiro caca bombardeiro a jato americano, ao todo foram completados 799 unidades, , sendo seguidos por inúmeras conversões dos modelos P-80A e P-80B,

O batismo de fogo do agora renomeado F-80C Shooting Star ocorreu na guerra da Coréia, no mês de setembro de 1950, quando aeronaves do 8th Fighter-Bomber Group foram empregadas em missões e ataque a solo.  Já em missões de combate ar ar os Lockheed F-80C foram responsáveis por várias vitórias aéreas contra aeronaves convencionais, como os  Yak-9s e Il-10s norte-coreanos. Em 8 de novembro de 1950, a primeira reivindicação americana por uma vitória aérea em um combate de jato versus jato foi feita quando o tenente Russell J. Brown, pilotando um F-80, reportou a derrubada de um caça MiG-15 (apesar dos soviéticos afirmarem que o aeronave sobreviveu ao ataque). Apesar das reivindicações iniciais de sucesso, o dia a dia do desenrolar do conflito demonstrou a inferioridade do caça da Lockheed frente aos caças russos, principalmente devido a sua velocidade inferior, isto levaria a rápida substituição do F-80C pelo novo North American F-86 Sabre no papel de superioridade aérea. Assim o modelo da Lockheed seria relegado a missões de treinamento e ataque a solo, sendo neste caso escoltados pelos Sabres, a versão de foto reconhecimento RF-80 no entanto permaneceu em atividade até o final do conflito. Nos Estados Unidos nesta mesma época os Lockheed F-80C foram transferidos para as unidades da Guarda Aérea Nacional
A única versão operacional na linha de frente restante foi o RF-80A/C de reconhecimento aéreo fotográfico, que se mantiveram na ativa até fins 1957, quando foram retirados do serviço ativo na USAF. Este processo gerou um lote excedente de células do F-80C em boas condições, que começaram a ser cedidos através dos termos do Programa de Assistência Militar (PAM) a nações alinhadas aos Estados Unidos, que buscavam substitutos para os já obsoletos caças P-47 Thunderbolt e P-51 Mustang. Entre os países beneficiados estavam o Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, Equador, México, Peru, República Dominicana e Uruguai, onde estiveram em serviço pelo menos até a primeira metade da década de 1970.

Emprego na Força Aérea Brasileira.
No início da segunda metade da década de 1950, a Força Aérea Brasileira estava equipada em suas unidades de primeira linha com os caças ingleses Gloster Meteor F-8 e TF-7. A formação de formação de pilotos de caça estava a cargo do o 2º Esquadrão do 2º Grupo de Aviação (2º/5º Gav.) Esquadrão  Joker , que concentrava as últimas células operacionais dos veteranos caças bombardeiro Republic F-47D Thunderbolt que eram empregados exaustivamente nesta tarefa. Porém em dezembro de 1957 o Ministério da Aeronáutica (MAer) decidiu pela prematura desativação de toda a frota de caças da Republic, este fato ocorreu em decorrência de inúmeros problemas técnicos que assolavam as aeronaves, como a fadiga estrutural das células e principalmente falta de peças de reposição (devido a descontinuidade de produção do modelo em 1945). Esta decisão criaria uma grave lacuna neste importante processo de formação de caçadores, como solução temporária algumas células as aeronaves de treinamento avançado North American AT-6G Texan foram transferidas para o 2º/5º Grupo de Aviação(2º/5º Gav.) Esquadrão  Joker , infelizmente este modelo não era adequado para as tarefas de formaçao adequada dos futuros pilotos de combate.. Com o objetivo de sanar esta deficiência o Ministério da Aeronáutica, fazendo uso dos termos do Programa de Assistência Militar (MAP), pleiteou junto ao governo americano a cessão de aeronaves de caça a jato usadas para proceder a substituição dos F-47D Thunderbolt.

Anteriormente o Departamento de Defesa Americano (DoD) definira o Lockheed F-80C como a plataforma padrão  que proveria a substituição dos  antigos caças da Republic P-47 Thunderbolt que sem encontravam em uso em vários países, como Chile, Brasil, Equador e Peru. Este processo de troca de frota de aeronaves de caça se daria através dos vantajosos termos do  programa de assistência militar  MAP (Military Assistence Program). Tal pedido do governo brasileiro, foi prontamente atendido através da liberação de 33 células do modelo Lockheed F-80C Shooting Star e 04 células da versão biplace T-33A Thunderbird.  As primeiras aeronaves recebidas em 10 de dezembro de 1956 eram da versão T-33A-1-LO e se destinavam a conversão dos pilotos para os caças Shooting Star. E neste papel as quatro células foram extensamente usadas até 1959, quando a FAB procedeu a aquisição de mais quatro aeronaves que foram transladadas ao Brasil por pilotos da USAF em 1960, sendo complementadas por mais duas unidades em 1962. Neste mesmo ano a missão dos Lockeheed T-33 no Brasil iria mudar, pois a empresa inglesa Gloster emitiu uma sucinta recomendação a todos os operadores dos jatos F-8 e TF-7  Meteor sobre restrições ao perfil de voo em função de possíveis desgastes ou fadiga estrutural nas células. Porém mesmo com  a adoção destas diretrizes pela FAB, em 1964 começaram a surgir pequenas rachaduras nas longarinas das asas de muitas aeronaves F-8 e TF-7. Apesar de todas os procedimento corretivos serem adotados este fato abreviava em muito a vida útil dos caças ingleses na FAB, e isto representava um grande golpe na capacidade ofensiva e defensiva do pais
O planejamento da Força Aérea Brasileira, previa a distribuição dos 29 F-80C para o 1º/4º Grupo de Aviação - Esquadrão Pacau , com sede na Base Aérea de Fortaleza. Tendo como missão principal a formação de pilotos de caça, substituindo assim os Republic F-47D Thunderbolt.  Porém antes mesmo dos F-80C serem enviados ao Brasil, foi acertada a entrega de um lote inicial de aviões Lockheed T-33 (versão biposta de treinamento) com vistas a formar um núcleo de instrutores no 1º/4º GAv, o que passou a ocorrer a partir de dezembro de 1956, com este processo sendo tutelado pela equipe do 102 Mobile Training Detachament da USAF.  Finalmente, no dia 13 de maio de 1958, deu-se a chegada do primeiro lote de caças Lockheed F-80C, na base aérea de Fortaleza, sendo transladados em voo por oficiais da USAF, esses 13 aviões, bem como outros 16 que chegariam no trimestre seguinte, eram oriundos de diversas unidades da Guarda Aérea Nacional. De fato algumas células eram veteranas da Guerra da Coreia. Os já designados F-80C receberam as matriculas de FAB 4200 a 4229 e no mesmo ano em conjunto com os T-33 deram inicio as atividades para a realização do curso operacional de piloto de caca dos oficiais recém-formados na então Escola de Aeronáutica. A adição deste novo vetor proporcionou enorme avanço no processo de formação, pois o emprego de um vetor a jato de alta performance, ao invés de uma aeronave a pistão, facilitava em muito a transição para as aeronaves de caca Gloster F-8 Meteor.

Por ser um jato de primeira geração , as características de voo  do Lockheed F-80C cobravam de seu piloto o máximo de suas habilidades, para que fosse operado com eficiência. Da mesma forma, os trabalhos de manutenção preventivas e corretiva eram exigentes. Aliado ao fato de que quase todas as células já estarem bem usadas quando chegaram ao Brasil, a consequente média de disponibilidade diária da frota de caças F-80C era preocupante. No ano de 1963 este índice ficou em apenas 31,7%, para agravar esse quadro , houve ainda a perda três aeronaves antes do ano de  1960. Isso levou a aquisição de mais quatro células do Lockheed  F-80C para repor estas perdas, com estas aeronaves sendo recebidas em 7 de abril de 1960. Apesar de todas estas dificuldades um importante beneficio adicional foi colhido, pois quando do período de instrução ministrado pelos oficiais da USAF, muito das experiências obtidas na Guerra da Coreia foram repassadas pelos americanos aos instrutores do  1º/4º Grupo de Aviação, que por sua vez repassaram estes conhecimento para seus alunos. Além de ser empregado em missões de formação, os Lockheed F-80C foram empregados como vetores para a defesa área de toda a região nordeste do pais. Infelizmente problemas operacionais e técnicos elevaram em muito o índice de indisponibilidade das células, culminado na desativação total do modelo no ano de 1967, sendo os mesmos substituídos por novos lotes de Lockheed T-33 oriundos dos estoques da Forca Aérea Americana (USAF), que viriam a dar continuidade ao processo de formação de pilotos da Força Aérea Brasileira.
Com a desativação da frota de aeronaves Lockheed F-80C, foi decidido que uma das células, justamente o de matricula mais antiga (FAB 4200) fosse mantido em condições de voo para ser usados exclusivamente pelo comandante do esquadrão Pacau. Tendo um amplo estoque de peças de reposição para eventuais necessidades de manutenção, a aeronave foi preparada com um esquema especial de pintura, e se manteve operacional até o ano e 1973 quando foi desativada, infelizmente a aeronave se acidentou com perda total quando do translado para o Museu Aeroespacial, encerrando assim a carreira do modelo no pais.

Em Escala
Para representarmos o Lockheed F-80C “FAB 4200" empregamos o antigo kit da Monogram, que apesar de pertencer a uma geração anterior de modelos e dispor de detalhamento em alto relevo, nos traz a grata surpresa de possuir um nível de detalhamento, possibilitando expor a aeronave com seu grupo propulsor a mostra e o conjunto traseiro da cauda sobre um carrinho de suporte. Para se compor a versão operada pela Forca Aérea Brasileira e necessário alterar os tip tanks das asas pois os originais do modelo pertencem a versão F-80A/B. Optamos como solução o uso de peças confeccionadas em resina (cópias dos tanques do T-33 da Academy). Empregamos ainda decais confeccionados pela FCM presentes no Set 48/05.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o primeiro padrão de pintura empregado pelo 1º/4º Gav., sendo este o esquema empregado pela USAF, sendo adicionadas apenas as insígnias nacionais, emblema do esquadrão e matriculas. Ao longo de sua carreira as células ganharam marcações de alta visibilidade em vermelho junto as entradas da turbina. Somente o FAB 4200 teve um padrão de pintura diferente aplicado, recebendo a cor branca em sua totalidade com detalhes em vermelho.


Bibliografia :

- F-80C Shooting Star no Brasil - Revista ASAS nº 30 - Aparecido Camazano Alamino
- Aeronaves Miltares Brasileiras 1916 - 2015 Jackson Flores Jr
- Historia da Força Aérea Brasileia , Prof Rudnei Dias Cunha
- Lockhed P-80 Shooting Star - Wikipedia  http://en.wikipedia.org/wiki/Lockheed_P-80_Shooting_Star