Embraer EMB314 A-29A Super Tucano

História e Desenvolvimento.

Em fins da década de 1980 a Empresa Brasileira de Aeronáutica - Embraer  conquistava renome mundial, não por sua linha de aeronaves comerciais leve mas também pelo treinadores militares EMB-312 Tucano que apresentava um desenho avançado para a época com várias características inovadoras que acabaram por se tornar padrão mundial para aeronaves de treinamento básico. O Tucano foi o primeiro avião de treinamento desenvolvido e produzido desde o início como turboélice, mas mantendo características operacionais das aeronaves a jato e por isso conquistou contratos de exportação para mais de 15 países. Este sucesso  encorajou a empresa a empreender novos passos na área de aeronaves de treinamento militar. Conhecedora do promissor mercado para aeronaves  de treinamento turboélice a Embraer iniciou estudos tendo como o base o T-27G1 Shorts Tucano que fora desenvolvido com customizações para a  Real Força Aérea Britânica (RAF), que representava a variante com maior potencia da família produzida. Estes estudos resultariam no lançamento do projeto conceitual EMB-312H, representando uma aeronave de maior porte e mais potente para emprego em missões de treinamento avançado. A oportunidade real ocorreria no inicio da década de 1990, quando o governo norte americano lançou o programa JPATS Joint Primary Aircraft Training System ( Sistema Conjunto de Treinamento de Aeronaves Primárias) que visava unificar o processo de treinamento dos pilotos militares de suas forças armadas, levando a empresa a construir um protótipo com a finalidade de participar desta concorrência. Apesar de não ter vencido este programa o envolvimento em uma processo deste nível traria muita experiencia a Embraer.

Uma nova oportunidade se descortinaria em  1993 com a iniciativa da OTAN (Organização do Tratato do Atlantico Norte) no lançamento do programa NFTC NATO Flight Training in Canada (Nucleo de Treinamento de Vôo da OTAN no Canadá), que visava concentrar a formação dos pilotos militares da OTAN no Canadá. Novamente a Embraer se mostrou presente apresentando uma proposta para desenvolvimento do EMB-312H, infelizmente a aeronave brasileira não logrou êxito em vencer esta concorrência. Neste mesmo ano a  Força Aérea Brasileira estava finalizando o processo de implantação do ambicioso projeto SIPAM/SIVAM (Sistema de Proteção e Vigilância da Amazônia), que deveria monitorar fiscalizar e proteger todo o trafego aéreo das regiões do norte do pais. Este sistema deveria ser composto por radares e sistemas fixos, móveis e aerotransportados e também por um braço armado que serviria para a interceptação de aeronaves hostis ou ilegais, apesar de nos estágios inicias de implantação este braço armado ser representado pelos Embraer AT-27 Tucano, era claro que a aeronave não atendia os requisitos mínimos de operação. Desta maneira havia uma lacuna a ser preenchida, e com base nesta demanda parâmetros foram traçados para o novo vetor, compreendendo grande autonomia, baixo custo de operação e moderna avionica e sistemas de comunicação devendo ser compatível com data kink presente nos novos  Embraer R-99A e R-99B. Em termos de capacidade ofensiva deveria apresentar no minimo 1.200 kg de carga útil dispostos em em cinco pontos subalares além de curiosamente dispor duas metralhadoras calibre .50 instaladas internamente nas asas.
Como a Embraer ja estava envolvida diretamente no programa SIPAM/SIVAM  com o fornecimento de aeronaves de sensoreamento remoto e alerta aéreo antecipado, foi concedida a ela prioridade na participação deste novo projeto. Assim em 18 de agosto de 1995 seria assinado um contrato no valor de US$ 50 milhões para o desenvolvimento de uma nova aeronave criando assim o Programa ALX (Aeronave de Ataque Leve). O acordo previa a aquisição de 100 células dispostas em duas versões  sendo uma monoposto para ataque e reconhecimento armado, dentro da tarefa de interdição; para ataque e cobertura, dentro da tarefa de apoio aéreo aproximado e para interceptação e destruição de aeronaves de baixo desempenho e biposto que além das mesmas atribuições do monoposto; para treinamento e para controle aéreo avançado, na tarefa de ligação e observação. O primeiro protótipo na configuração bisposto do agora nomeado EMB-314 Super Tucano e matriculado como YAT-29 FAB 5900, alçou voo em 28 de junho de 1999, nas instalações da empresa em São José dos Campos. A aeronave estava equipada com um propulsor, Pratt & Whitney PT6A-68/3 de 1.600 SHP  que em conjunto com uma hélice pentapá Hartzell, permitia que a aeronave atingisse à velocidade máxima de 590 km/h e alcance de 2.855 km (com tanques externos), com autonomia máxima de 8,4 horas. Possuía ainda uma blindagem protetora da cabine em kevlar, assento ejetável zero-zero, para brisa reforçado, Head Up Display (HUD), sistema Hands On Throttle and Sticks (HOTAS), sistema Onbord Oxigen Generation Systens (OBOGS) e Night Vision Google.

O ALX Super Tucano foi idealizado para atender a rígidos requisitos operacionais e logísticos exigidos pela Força Aérea Brasileira, com vistas à sua operação. Os seguintes dados de confiabilidade foram considerados durante a fase de desenvolvimento;  probabilidade de executar a missão: 98,5 % (mínimo); falhas por cada 1 000 horas de voo: 150 (máximo); remoções do motor: 1 a cada 4 000 horas de voo (máximo) e paradas do motor: 1 a cada 40 000 horas de voo (máximo). O conceito norteador logístico foi de possibilitar a operação na Amazônia brasileira com o mínimo de infraestrutura, sendo que várias melhorias com relação ao projeto inicial foram adotadas pela Embraer, entre elas: abastecimento de combustível por pressão; capota do motor com painéis de acesso; OBOGS (sistema gerador de oxigênio de bordo); HSI (indicador de situação horizontal) executado na aeronave; extensão do overhaul (revisão geral e reparos) do motor; extensão da vida útil da aeronave; registro automático dos dados de voo;aAr condicionado com ciclo de ar; e acessibilidade garantida. O EMB-314 Super Tucano conta com moderna aviônica digital[9], painel composto por duas telas – com opção de uma terceira tela[10][11] – CMFD (Colored Multi-Function Display, tela multi-função em cores), um HUD (Head up Display, apresentação visível com a cabeça erguida) e um UFCP (Up-Front Control Panel, painel de entrada de dados à frente), além da tecnologia HOTAS (Hands on Throttle and Stick, mãos no manete e manche), que permite ao piloto conduzir todas as fases de voo sem retirar as mãos dos comandos da aeronave.luminação da cabina compatível com o emprego de NVG (Night Vision Goggles, óculos de visão noturna); sensor FLIR (Forward-Looking Infrared, infravermelho de visão à frente); sistema de navegação integrado INS/GPS; sistema de comunicações de rádio com criptografia de enlace de dados, que possibilita o envio e o recebimento de dados entre aeronaves e equipamentos em terra, em modo seguro.A cabina do piloto tem resistencia a projéteis de até 12,7 mm; duas metralhadoras de 12,7 mm instaladas internamente nas asas; cinco pontos para até 1 550 kg de cargas externas, capazes de reconhecer o tipo de armamento colocado nessas estações; provisões para amplo leque de armamentos alojados em pods, bombas convencionais e inteligentes, mísseis ar-superfície e ar-ar de curto alcance, podendo este, ser apontado pelo HMD (Helmet Mounted Display, sistema de apresentação instalado no capacete).
Após entrar em serviço a Força Aérea Brasileira, o Super Tucano passou a despertar a atenção de outros países que buscavam não só um treinador avançado, mas também uma aeronave especializada em missões de contra insurgência (COIN) .O primeiro contrato de exportação foi celebrado com a Colômbia em 2006 no valor de US$ 234 milhões para a aquisição de 25  A-29B, a este seguiram 12 células para o Chile, e na sequencia novas vendas para Equador, Angola, Burkina Faso, Mauritânia Indonésia, Republica Dominicana, Honduras.  O batismo de fogo do modelo se deu em 18 de janeiro de 2007, quando um esquadrão Força Aérea Colombiana lançou a primeira missão de combate de seu tipo, atacando as posições das FARC na selva com bombas Mark 82, empregando o sistema de pontaria CCIP (Continuamente Computed Impact Point), os excelentes resultados obtidos nesta e nas demais missões realizadas pelos Super Tucano a FAC contribuíram muito para construção da reputação da aeronave, refletindo em mais de 200 unidades já entregues e muitas mais em negociação para mais 15 potenciais clientes.

Emprego no Brasil.

O programa de ensaios em voo do YAT-29 FAB 5900 foi finalizado no inicio do ano de 2004, recebendo da Força Aérea Brasileira a homologação final e a liberação para produção em série e inicio de operações. Apesar de ser desenvolvido para prover o braço armado para o SIPAM/SIVAM,, o A-29 Super Tucano tinha como principal missão substituir os treinadores avançados Embraer AT-26 Xavante, que se encontravam limiar de sua vida útil. Desta maneira o comando da FAB determinou que 2º/5º GAv, Esquadrão Joker, baseado em Natal - RN fosse a unidade precursora da introdução do binômio A-29A e A-29B Super Tucano na força aérea. Assim em março deste mesmo ano um seleto grupo composto por pilotos e mecânicos foi encaminhado para a Embraer para o treinamento de  instrutores e multiplicadores, com este programa se estendendo até junho. A primeira aeronave a ser incorporada foi o  primeiro protótipo do EMB-314B (PP-ZTF) que recebeu a designação operacional de  A-29B e matricula FAB 5900, e na semanas seguintes seriam entregues mais células agora também da versão A-29A. Durante um longo período os Super Tucano foram gradativamente substituindo os veteranos AT-26 Xavante no Curso de Formação de Pilotos de Caça (CFPC), porém caberia ainda ao 2º/5º GAv  ser o responsável pelo desenvolvimento da doutrina  operacional de ataque e interceptação da nova aeronave. Este processo seria muito importante no programa de implantação da aeronave como o vetor de ataque na região norte do pais nas regiões de fronteira,  nas novas unidades do 3º Grupo de Aviação , passando a substituir os AT-27 Tucano.

A introdução do Super Tucano no Curso de Formação de Pilotos de Caça (CFPC), veio a revolucionar este processo, pois marcou um salto de aeronave completamente  analógica com aviônica da década de 1970 para um vetor completamente digital. Seu pacote eletrônico composto por um sistema de transmissão e recepção de dados via datalink fornecido pelo rádio Rohde & Schwartz M3AR (Série 6000) com proteção eletrônica das comunicações, como salto, criptografia e compressão de frequências, sistema FLIR (Forward Looking Infrared) modelo AN/AAQ-22 Safire, sistema de alerta de radar RWR e um sistema de alerta de aproximação de míssil MAWS eram os mesmos empregados nas aeronaves de primeira linha como os  R-99 AEW, F-5EM e A-1M AMX. Através desse sistema de datalink o Super Tucano recebe dados do radar do R-99 permitindo uma maior consciência situacional além enviar em tempo real imagens que forem captadas pelo seu sistema FLIR .Desta maneira os cadetes já são formados neste novo patamar digital, facilitando em muito e reduzindo custos no processo de adaptação após formados e transferidos as unidades de primeira linha. Outra possibilidade importante é a integração com óculos de visão noturna  NVG ANVIS-9 da ITT garantindo uma total capacidade de operações noturnas ou com baixa visibilidade com segurança, algo completamente impossível de se sonhar com os AT-26.Todos esses sistemas são controlados de uma cabine especialmente feita para facilitar a vida do piloto, podendo ser considerada, também a mais moderna cabine de um avião turboélice em serviço atualmente. Nesta cabine há dois displays multifunção e um HUD.
O primeiro lote contratado compreendia 76 aeronaves, sendo 51 bipostos e 25 monopostos que foram distribuídos ao 2º/5º GAv Esquadrão Joker, 1º/3º GAv Esquadrão Escorpião, 2º/3º GAv  Esquadrão Grifo e 3º/3º Gav Esquadrão Flecha, havia previsão de uma opção de compra de mais 23 aeronaves, sendo esta exercida nos anos seguintes resultando na aquisição de  15 bipostos e 8 monopostos com ultima entrega sendo realizada em 2009. Como vetor de ataque o pacote de armamentos de disponível para o Super Tucano é bastante variado, chegando  a um total de 1500 kg de carga útil, tendo com arma orgânica FN Herstal M-3P calibre .50 (12,7 mm) com uma capacidade de 200 cartuchos e uma cadência de tiro na ordem de 1100 tiros por minuto para uso em missões de interceptação sendo integrado para emprego de misseis ar ar Piranha guiado por IR, de fabricação nacional, e cujo alcance chega a 10 km, que podem ser usados eficazmente contra helicópteros ou outros aviões (salientando que ainda esta opção na o foi efetivada). Para missões de ataque a solo podem ser usadas s MK-81 de 119 kg, bombas MK-82 de 227 kg, ou bombas guiadas a laser GBU-12, ou ainda casulos de foguetes de 70 mm Avibras SBAT-70 com 19 foguetes Todo este leque de armas são operadas com apoio  informações de navegação de monitoramento do alvo, incluindo aqui o ponto de impacto continuamente monitorado CCIP e o ponto de lançamento continuamente computado CCRP, o que aumenta, substancialmente a precisão do lançamento das armas. Para proteção da aeronave há um sistema de alerta de radar RWR e um sistema de alerta de aproximação de míssil MAWS. Há, ainda, um lançador de iscas tipo chaff e flares para despistar mísseis guiados a radar e a calor (IR).

Estas capacidades aliadas a uma célula desenvolvida para operar no ambiente amazônico e condições meteorológicas adversas, excelente relação de custo benefício, tornaram o A-29 Super Tucano a plataforma ideal para atendimento as demandas de ataque leve, interceptação e formação de pilotos de caça na Força Aérea Brasileira. Os esquadrões do 3º GAv realizam missões de interceptação e ataque, reconhecimento armado, reconhecimento visual, ligação, observação, C-SAR, controle aéreo aproximado, operações aéreas especiais com outros órgãos do Governo Brasileiro, como a Polícia Federal, atuando no combate a vôos ilícitos, principalmente de aeronaves de traficantes e contrabandistas, sendo responsáveis em caso de necessidade da aplicação da "Lei do Tiro de Destruição". Nesta missão os A-29 Super Tucano são frequentemente acionados para missões reais nas regioes norte e centro oeste, seja por controle terrestre ou pelos R-99A resultando ao longo dos anos em inúmeras apreensões de drogas, armas e contrabando, resultando inclusive em abates reais de aeronaves ilícitas. Nesses 16 anos de operação na FAB, o A-29 se fez presente em diversas operações de defesa do espaço aéreo, como nos grandes eventos ocorridos no Brasil, entre eles a Jornada Mundial da Juventude, a Copa das Confederações, a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos Rio 2016.
A ultima unidade a receber a aeronave foi A última unidade a receber o Super Tucano foi o Esquadrão de Demonstração Aéreo (EDA), Esquadrilha da Fumaça, vindo assim a substituir os T-27 Tucano que serviram por mais de 30 anos neste tarefa realizando 2.363 apresentações publicas. Numa cerimônia militar realizada na Base Aérea de Pirassunnga em 01 de outubro de 2012, foram recebidos oficialmente os A-29B (biplace) FAB 5964 e FAB 5965.  Serão recebidos um total de 4 A-29B para conversão operacional e 8 A-29A (monoplace), mas todas as aeronaves participarão das demonstrações. Estas células foram modificadas para tal missão sendo retirados equipamentos destinados as missões de ataque inclusive as metralhadoras e seus cofres de munição, visando assim aliviar o peso bruto da aeronave.No dia 3 de outubro em Pirassununga foi realizado o primeiro voo do A-29 pela Fumaça, o mesmo foi realizado pelo Tenente Coronel Esteves e pelo Capitão Marcelo Silva. O voo durou aproximadamente 45 minutos com objetivo de adaptação e ganho de experiência ao novo avião, porém o processo de conversão total foi realizado em 24 meses, visando a segurança e o conhecimento do envelope de voo da nova aeronave. As apresentações publicas foram retomadas somente a partir de 7 de setembro de 2014.

Em Escala.

Para representarmos o A-29A "FAB 5920" fizemos uso do kit em resina da Duarte na escala 1/48, modelo de excelente qualidade de acabamento e detalhamento, empregamos um set em resina da Eduard Brassin para representar os misseis ar ar Piranha. Empregamos decais confeccionados pela FCM presentes no set 48/07.

O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura tático empregado por todas as aeronaves de combate da Força Aérea Brasileira a partir de fins da década de 1990, apresentando as marcações em baixa visibilidade.


Bibliografia :

- Embraer EMB-314 Super Tucano - Wikipedia - http://pt.wikipedia.org/wiki/Embraer_EMB-314_Super_Tucano
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 – Jackson Flores
- Invader na FAB , Claudio Lucchesi e José R. Mendonça  - Revista Asas  nº 10
- O Braço Armado do Sivam - Por Silvio Potengy - Revista Força Aérea Nº 27
- Fechando a Porteira - Visitando o 3º/3º Gav - Por Roberto Klanin - Revista Força Aérea Nº 50