KDF Type 166 Schwimmwagen


História e Desenvolvimento. 

No inicio da década de 1930, a indústria automotiva alemã tinha seu portfolio totalmente voltado para a produção de carros de luxo, e o alemão comum raramente podia comprar algo além de uma motocicleta. Como resultado, apenas um alemão de cinquenta possuía um carro. Em 1934 Adolf Hitler no anseio de fomentar a indústria nacional propôs em seu plano o desenvolvimento de um carro popular de baixo custo que fosse acessível a maioria da população, esta missão coube ao engenheiro Ferdinand Porsche, projeto denominado como “Volkswagen” (carro do povo). Segundo as exigências do líder alemão, o novo veículo deveria poder transportar dois adultos e três crianças a 100 km / h, sem usar mais de 7 litros de combustível por 100 km, o motor deveria ser refrigerado a ar para assim operar normalmente no rigoroso inferno alemão. O "Carro do Povo" estaria disponível para os cidadãos da Alemanha nazista através de um programa de poupança, ou Sparkarte (caderneta de descontos), apresentando um custo total de $ 990 Reichsmark. (um operário comum nesta época recebia em média $ 130 Reichsmark por mês). O projeto foi apresentado em 17 de janeiro de 1934, recebendo o primeiro contrato desenvolvimento junto ao governo alemão em 22 de junho do mesmo ano, os primeiros protótipos foram apresentados em 1936, com os primeiros carros de pré produção sendo completados no ano seguinte, atrasos no projetos e na tomada de decisões postergaram  a produção em série, sendo que o primeiro veiculo de produção em série foi entregue pelo fabricante somente em 15 de agosto de 1940.

No entanto, em 1939, com a inevitável eclosão de uma guerra na Europa, todos os recursos disponíveis foram destinados ao esforço de guerra alemão. A Volkswagen, anteriormente um grande instrumento de propaganda da capacidade tecnológica alemã, foi rapidamente integrada às ambições militares de Hitler. A produção foi interrompida após fabricação de poucas unidades, com a linha de produção sendo destinada a fabricação e de motores e componentes para veículos militares. Embora Adolf Hitler tenha discutido com Ferdinand Porsche a possibilidade de aplicação militar do Volkswagen em abril de 1934, só em janeiro de 1938 oficiais do alto escalão do Terceiro Reich se aproximaram formalmente da Porsche para projetar um veículo de transporte militar leve e de baixo custo. que poderia ser operado de forma confiável tanto na estrada quanto fora dela, mesmo nas condições mais extremas. Deveria ser produzido em larga escala e algumas fontes informam é que este veiculo fora projetado com uma baixa expectativa de vida útil, devendo ser trocado por um novo, esta característica previa um veículo leve, que leve que dois ou três soldados podiam levanta-lo para trocar um pneu, sem ajuda do macaco. As chapas finas da carroceria tinham aqueles relevos estampados para manter a estrutura com integridade visando suportar o esforço de operação em um ambiente fora de estrada, principalmente no futuro teatro de operações do Leste Europeu que era desprovido de uma estrutura rodoviária satisfatória. 
A equipe de Ferdinand Porsche começou a trabalhar no projeto imediatamente tendo como base a plataforma do Volkswagen, apresentando o primeiro protótipo apenas um mês após a solicitação, porém os primeiros testes apontaram que não seria não seria suficiente reforçar o chassi do veículo para lidar com as tensões que o uso militar. A fim de garantir a integridade estrutural e desempenho off-road adequado de um veículo de tração nas duas rodas com um motor FMCV de 1.000 cc, a Porshe subcontratou a Trutz, uma experiente construtora de carrocerias militares, com o objetivo de atender a especificação original que previa um peso máximo de 550 kg vazio e 950 carregado com quatro soldados e seus respectivos equipamentos. A versão final foi agora designada Type 62 submetida aos primeiros testes em novembro de 1938, e apesar de não dispor de tração nas quatro rodas como seus similares americanos, apresentou um aceitável desempenho em terrenos acidentados e para potencializar o modelo um acrescido um sistema de diferencial autoblocante seria incorporado, para assim compensar a falta da tração 4X4. Seu desenvolvimento continuou durante o ano de 1939, sendo que modelos de pré-produção foram testados em campo durante a invasão da Polônia, esta experiência motivou novas alterações no projeto entre elas a redução da velocidade mínima de 8km/h para 4km/h, permitindo assim o acompanhamento de soldados a pé e também melhorias em sua capacidade off road, através da montagem de novos eixos com cubos de redução de engrenagem, proporcionando o carro com mais torque, adoção de novos amortecedores, rodas de 16 polegadas e por fim um e um diferencial de deslizamento limitado. Todas estas alterações gerariam um novo modelo que foi rebatizado como Type 82.

Vislumbrando novos potenciais para a plataforma original e baseado em relatos colhidos em campo na invasão da Polônia, o brilhante designer Erwin Komenda, membro da equipe de Ferdinand Porsche, iniciou a pedido da Wehrmacht (Exército) desenvolvimento de uma versão anfíbia de fácil operação, onde, para se  fazer a transição do meio terrestre para o aquático bastava apenas o motorista manualmente abaixar o conjunto da hélice que ficava sobre o capo do motor traseiro quando nesta posição através de um sistema de acoplamento simples o eixo do virabrequim transferia a este conjunto todo o esforço motriz. A navegação era proporcionada pela operação do próprio volante, empregando as rodas dianteiras como leme. O primeiro protótipo designado como Type 128 Schwimmwagen (carro nadador)ficou pronto em 21 de setembro de 1940 , foi baseado na versão original do Kubelwagen , recebendo um chassi alongado através de processo de soldagem e amortecedores reforçados, testes operacionais, no entanto apresentaram inúmeras deficiências graves, entre elas baixa nível de rigidez e torção que ocasionavam quebras constantes na suspensão dianteira, como este nível de falha na podia ser aceito em um veículo anfíbio todo o projeto teve de ser revisto gerando assim uma nova versão a Type 166 Schwimmwagen que passaria a ser equipado também com um novo motor mais potente (VW 1.13)que logo seria também padronizado para os demais modelo da família Kubelwagen , que após exaustivos testes  foi aceita pelo alto comando alemão , autorizando assim sua construção em série.

A produção foi destinada à fábrica da Volkswagen em Fallersleben / Wolfsburg e as instalações da Porsche em Stuttgart, com a estrutura monobloco (ou melhor cascos) produzidos por Ambi Budd em Berlim, estas duas plantas industriais produziram entre os anos de 1941 e 1944 um total de 15.584 unidades, estando presente em todos os fronts da Segunda Guerra Mundial, detendo ainda o recorde de produção em larga escala de veículos anfíbios militares. Estima se que atualmente existem apenas 163 veículos conservados, sendo que somente 13 em condições operacionais, sendo um deles mantido por um entusiasta e colecionador brasileiro.

Emprego no Brasil. 

Em novembro de 1943 devido as características peculiares de projeto e motorização, os militares americanos também realizaram um programa de testes em vários Type 82 Kübelwagen que haviam sido capturados nas batalhas travadas no norte da África. Este processo de avaliação foi realizado no Campo de Provas do Exército Americano (US Army) em de Aberdeen (Maryland) resultou na publicação do Manual Técnico do Departamento de Guerra TM E9-803, 6 de junho de 1944 e foi destinado à distribuição após a invasão da Europa no Dia D aos militares dos EUA, que poderiam encontrar estes veículos abandonados, possivelmente por falta de combustível ou devido a pequenos problemas técnicos, e com a ajuda deste manual, poderiam ser colocados em operação como veículos adicionais tão necessários ao deslocamento, principalmente por unidades de paraquedistas. A análise feita em Aberdeen foi tão completa que incluiu informações técnicas para manutenção de campo, englobando também a verão anfíbia, o Type 166 Schwimmwagen.  Ao mesmo tempo, outro Type 82 Kübelwagen que, também capturado no norte da África após a derrota das tropas de Erwin Rommel, havia sido dissecado na Grã-Bretanha por engenheiros da Humber Car Company, cujo relatório foi extremamente desfavorável e desdenhoso, e por isso o Type 82 não seria empregado pelas forças britânicas, nos mesmos moldes dos norte-americanos.

Junto as forças americanas mais notadamente junto ao corpo de paraquedistas, centenas de Type 82 Kübelwagen e Type 166 Schwimmwagen capturados ou simplesmente abandonados, foram postos em serviço seguindo as orientações do manual técnico TM E9-803 e repintados com as cores padrão do US Army para evitarem serem confundidos com veículos inimigos pelas tropas aliadas. Com a invasão da Europa pelas forças aliadas, e a pressão soviética no front leste levaram ao exército alemão a iniciar um processo e retirada, muitas vezes abandonando muitos equipamentos em campo. Nesta fase final do conflito a Força Expedicionária Brasileira se fazia presente no teatro italiano de operações desde meados de setembro de 1944 e iniciava sua campanha contra o exército alemão. Dispondo de treinamento ministrado exército americano e um vasto parque de material bélico fornecido nos termos do Leand & Lease Act Bill, as forças militares brasileiras logo entram em combate, tendo seu batismo de fogo ocorrido no dia 16 de setembro de 1944, quando o  6º Regimento de Infantaria efetuou o primeiro disparo de canhão e iniciou a campanha brasileira na Itália.
Em fins de 1944 a Itália já enfrentava mais de um ano da invasão das forças aliadas que se iniciaram pelos desembarques na costa da Sicília e Salerno, os grandes embates em terra contra os exércitos alemães e italianos, e as campanhas de bombardeio aéreo afetaram drasticamente infraestrutura de estradas e pontes do país, sendo fundamental o emprego de veículos anfíbios na transposição de rios e curso d’água. Quando do início da campanha da Força Expedicionária Brasileira na Itália, uma das constatações observadas era a dificuldade de mobilidade principalmente nas missões de  reconhecimento avançado terrestre e transporte leve, tudo isto devido a infraestrutura de ponte e viadutos completamente destruída pelos combates que antecederam a chegada de nossos efetivos. Apesar de ter sido bem equipada em termos de veículos a FEB recebeu apenas 5 unidades do anfíbio Ford Jeep GPA, uma quantidade completamente desproporcional quando comparado ao total de 985 jeeps convencionais fornecidos.

A carência de mais veículos anfíbios, dificultava as missões de reconhecimento avançado e apesar de serem solicitados mais unidade do Ford Jeep Gpa, os mesmos nunca foram entregues. Durante o avançar das tropas brasileiras no território italiano, soldados da Força Expedicionária Brasileira encontraram um Type 166 Schwimmwagen abandonado nas proximidades de Fornaci por efetivos do exército alemão que se encontravam em processo de retirada para a linha Gótica. Após rápida avaliação  do corpo de mecânicos de manutenção contatou-se que o Schwimmwagen estava em perfeitas condições mecânicas e estruturais, após sofrer pequenos reparos em sua mecânicas simples e robusta e ser abastecido, decidiu-se por sua  imediata  incorporação a força mecanizada, visando assim ajudar a diminuir a falta de veículos anfíbios.
Não existem muitos registros ou muitas fotografias sobre a operação deste modelo pelo Exército Brasileiro no front Italiano, mas acredita-se que devido sua robustez natural e facilidade de manutenção o mesmo este operacional até os últimos dias da campanha da FEB, sendo posteriormente descartado após o termino do conflito juntamente com outros veículos e materiais.

Em Escala.

Para representarmos o Schwimmwagen "Brasileiro" empregamos o kit da Tamiya na escala 1/35, modelo de fácil montagem, porém com carência de detalhamentos, não há necessidade de se proceder nenhuma alteração para compormos o veículo empregado pelas tropas brasileiras. Fizemos uso de decais produzidos pela Decals e Books, presentes como   complemento do livro " FEB na Segunda Guerra Mundial" de Luciano Barbosa Monteiro.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura empregado pelas forlas americanas após a captura do carro no front de batalha no norte da África (anteriormente especula-se que o mesmo se encontrava pintado com o esquema dos veículos do Afrika Corps).


Bibliografia: 

- "FEB na Segunda Guerra Mundial" de Luciano Barbosa Monteiro
- Volkswagen Schwimmwagen - Wikipédia - http://en.wikipedia.org/wiki/Volkswagen_Schwimmwagen
- VW Type 166 - http://www.gieldaklasykow.pl/volkswagen-typ-166-schwimmwagen-1944-niemcy/