Toyota Bandeirante 4X4 Militar

História e Desenvolvimento.

A presença da montadora de automóveis japonesa Toyota no Brasil, tem início na década de 1950, quando os primeiros veículos da marca começaram a ser importados e montados pela empresa Alpagral Ltda. O sucesso comercial obitido em curto espaço de tempo levaria a empresa japonesa em 23 de janeiro de 1958 a inaugurar um escritório no centro da cidade de São Paulo, com o nome de Toyota do Brasil Indústria e Comércio Ltda visando assim preparar as bases para o atendimento direto do promissor mercado nacional . Onze meses depois, a empresa inicia as suas atividades como montadora de veículos, operando no regime de CKD (Completely Knocked Down) da linha de utilitários Land Cruiser, nome pelo qual seus jipes eram conhecidos no mundo. A expansão das vendas no mercado nacional levaria a inauguração de uma planta industrial maior, agora na cidade de São Bernardo do Campo, em novembro de 1962. Nesta oportunidade a Toyota substitui a linha Land Cruiser pelo Bandeirante que também estava sendo montado no sistema CKD, este novo utilitário estava equipado com um motor próprio seis-cilindros a gasolina, sendo disponibilizado com tração nas quatro rodas e disponível nas versões jipe e camioneta de carga e de uso misto.

Em maio de 1962 a linha Bandeirante passaria a ser fabricada no Brasil, abandonando o sistema CKD, passando a adotar o excelente motor Mercedes Benz OM-314 de 3.784 cm3 com 85 cv, que era emprestado do caminhão MB L-608D, esta decisão se materializaria no grande diferencial mercadológico do veículo. Nesta fase a produção da carroceria era terceirizada, ficando a cargo da  Brasinca, o teto de era oferecido como item opcional, assim como a capota de aço, vendida a partir de 1963, mesmo ano quem que seria iniciada a produção da versão picape. A robustez e promessa de durabilidade do veículo da montadora japonesa se refletia em seu slogan de marca “O Toyota Bandeirante foi construído para durar longos anos produzindo lucros para seu proprietário.” Esta frase, que constava do manual do proprietário, não chegou a ser desmentida pelos donos do carro, que tinha fama de poder rodar 1 milhão de quilômetros sem abrir o motor. Completando o conjunto motriz, havia uma transmissão mecânica de quatro marchas, uma caixa de transferência de duas velocidades, que tal como os eixos flutuantes também eram produzidos na fábrica em São Bernardo do Campo. Tal característica denotava a política de verticalização da montadora, que a exceção do motor, os principais componentes eram quase integralmente eram de produção própria.
Ao longo dos anos seguintes toda a família de utilitários do Toyota Bandeirante foram sofrendo pequenas melhorias em termos de acabamento e conjunto mecânico, as mudanças mais impactantes começaram a surgir na década de 1980 com a introdução da sincronização de todas as marchas, passando a dispor de uma segunda mais longa, para assim a primeira passou a ser incorporada no uso urbano do utilitário, que ganhou também uma caixa de transferência, à semelhança do concorrente Willys. Fora isto a família seguia fiel ao projeto original, este conservadorismo pode ser explicado por sua boa aceitação no mercado – pretendentes chegavam a enfrentar meses de fila. Algumas poucas concessões foram opções de chassis mais longos, além de leves alterações, tanto estéticas como mecânicas. Mas nada que mudasse significativamente sua síntese. A próxima evolução surgiria em 1983 com o lançamento da versão cabine dupla, complementando assim o catalogo composto por cinco outros utilitários , incluindo o jipe curto com teto de lona ou aço, a perua com teto de aço e as picapes curta e longa. Seu nascimento era uma resposta aos usuários que desejavam aliar a capacidade de transportar 1.100 kg de carga e até seis pessoas, sem abrir mão da robustez e mobilidade proporcionada pela tração total.

Na época do lançamento, não havia concorrente senão a picape Chevrolet 10 Cabine Dupla com tração 4X4 Engesa. Ainda assim, o modelo era desprovido de reduzida e oferecido apenas sob encomenda. Seu nome oficial de batismo era OJ55LP2BL, mas era conhecida como Toyota Cabine Dupla. Possuía um comprimento de 5,30 metros e o entre eixos de 3,36 metros que revelavam sua origem, a picape longa de quem emprestava o chassi, com pequenas alterações. A cabine lembrava o jipe teto de aço encurtado e a caçamba exclusiva desta versão tinha 1,80 metro de comprimento, 73 cm a menos que a picape longa. Os ângulos de entrada e saída ficavam em 42 e 22 graus respectivamente, suficientes no fora de estrada. O interior era dominado por bancos tipo 1/3 e 2/3 na dianteira e inteiriço na traseira, ambos revestidos com vinil. O painel simétrico apresentava porta luvas em formato idêntico ao quadro de instrumentos, já a posição de dirigir era memorável, com controles bem posicionados. O túnel central acomodava um trio de alavancas de mudanças, da tração 4x4 combinada com reduzida e freio de estacionamento. Novamente o sucesso seria imediato, com a empresa ampliando sua participação de mercado neste segmento. Seguindo a modernização da linha de caminhões Mercedes, em 1990 o OM314 cedeu lugar ao novo OM364 de 3.972 cm3, com a potencia saltando para 90 cv, oferecendo um torque máximo em menor rotação e consumo reduzido. A fixação do motor, bem como a captação de ar e o sistema de escape foram redesenhados. Nesta mesma ocasião a família passou adotar uma nova grade dianteira em plástico com faróis retangulares. Em 1994, o Bandeirante voltou às origens e recebeu um motor Toyota importado, uma evolução em relação ao OM-364, adotado desde o fim da década de 80. Mais potente que o Mercedes-Benz (96 cavalos a 3400 rpm, ante 90 cavalos a 2800 rpm).
Em 1996, para atender a limites mais restritos de emissão de gases, o motor Toyota 14B teve sua potência reduzida para 96 cv e torque de 24,4 mkgf. Em substituição aos antiquados tambores, os freios ganharam discos ventilados. A essa altura o mercado já estava aberto as importações, e novo modelos importados começaram a ameaçar a liderança da Toyota neste segmento. A principal preocupação da montadora era a linha Defender da Land Rover. Com a nova legislação de emissão de poluentes que passaria a vigorar a partir de 2002, verificou se que o motor aspirado do Bandeirante não mais se enquadrava nos limites previstos. Além disso, o peso de quatro décadas no mercado sem alterações significativas já se fazia sentir. Com isso o final da linha de utilitários da Toyota foi anunciado para novembro de 2001 . Em 43 anos foram produzidas 103.750 unidades, sem contar os Toyota que foram montados em sistema CKD, que não somaram 1.000 exemplares. Nesta mesma época estimava-se que 60% dos veículos produzidos ainda continuavam em operação no pais, prova indiscutível de sua resistência e durabilidade.

Emprego no Brasil.

Na segunda metade da década de 1950 o Exército Brasileiro estava em amplo processo de nacionalização de sua frota de veículos utilitários, buscando assim substituir uma grande parte dos  obsoletos Dodge WC-51, WC-53, WC-54, EC-56 e WC-57 que foram recebidos dos Estados Unidos nos termos do Leand & Lease Act durante a Segunda Guerra Mundial, e enfrentavam grande problemas de indisponibilidade e cujas peças de reposição eram cada dia mais difíceis de se encontrar no mercado devido a sua produção estar descontinuada há mais de 15 anos. As primeiras experiencias positivas se basearam na aquisição de versões dos F-85 & F-106 Rural Willys – Ford. Neste mesmo período a Toyota do Brasil Indústria e Comércio Ltda lançava sua linha de utilitários leves com tração 4x4, oque atraiu inicialmente a atenção do Exército, que celebrou os primeiros contratos de fornecimento das versões do jipe curto com teto de lona ou aço. Sendo seguidos por unidades do modelos perua com teto de aço e as picapes curta e longa, apesar de possuírem a eficiente tração 4x4 se tratavam apenas de veículos civis com poucas modificações, com exceção do jipe normal que passaria a complementar a frota dos Jipes 4X4 Willys e Ford recebidos nas décadas de 1940 e 1950.

Ao longo dos anos a Toyota passou a fornecer as mesmas versões para a Força Aérea Braseira e Marinha do Brasil ao longo das décadas de 1970 e 1980, na aeronáutica o modelo chegou a ser utilitário padrão presente nas bases aéreas e sedes administrativas. A primeira versão verdadeiramente militarizada surgiria em 1985, quando o Exército Brasileiro e o Corpo de Fuzileiros Navais abriram uma concorrência para o fornecimento de uma grande quantidade de jipes militares a serem fabricados ou montados no Brasil. A empresa Bernardini apresentou sua proposta com o projeto do jipe Xingu (inicialmente Vitória), na prática, tratava-se apenas de uma versão militarizada do Toyota Bandeirante, com bitola alargada e três comprimentos de chassi. Como observação do ponto de vista estrutural sua lataria era mais grossa, a pedido do exército a Toyota estampou chapas com um material reforçado. As alterações eram as usuais para o tipo de veículo: guincho mecânico produzido pela Biselli, acoplamento para reboque, para-brisa rebatível, santo antonio, faróis militares e suspensão reforçada. 
O projeto agradou as duas forças que celebraram contratos de fornecimento sendo o Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha Brasileira adquirindo 270 unidades, muitas das quais permanecem em serviço até os dias atuais, estes já estejam sendo substituídos gradativamente pelos novos Agrale Marruá militarizados. No Exército Brasileiro além da versão idêntica a adquirida pelo Corpo de Fuzileiros Navais, algumas dezenas de unidade foram fornecidas equipadas com para-brisa, basculante e recortado e suportes para fixação de peça de artilharia na parte traseira, versão esta produzida com a finalidade de substituir os antigos jipes M-151A1 & M-151C Ford Kaiser Mutt empregados como canhoneiros, armados com canhões sem recuo modelo M-40A1 de 106 mm. As primeiras entregas tiveram início em 1988, com as entregas dos primeiros lotes sendo divididas entre as duas forças. O desempenho em campo do novo modelo foi exemplar conquistando novos contratos e a produção em escala desses carros deu uma sobrevida à Bernardini mas não foi suficiente para sustentar seu parque industrial e logo após a entrega final a empresa infelizmente fecharia as portas em 2001.

Outra importante versão adquirida pelo Exército Brasileiro na década de 1990 era a versão utilitária da versão civil OJ55LP2BL cabine dupla, sendo entregues tanto na versão com cabine em aço, quanto com para-brisa rebatível e cabine em lona, sendo primeiramente destinados a equipar os Grupos de Exploradores dos Pelotões de Cavalaria Mecanizado e Pelotões de Exploradores. Neste período também consultas foram feitas junto a Toyota para o desenvolvimento de uma versão ambulância para emprego em qualquer terreno, nascendo assim com base na versão picape cabine longa uma nova versão militar que tinha por principal finalidade substituir as antigas ambulâncias Willys Ford F81 que se encontravam em serviço desde a década de 1970. As primeiras entregas desta nova variante que além de contar com a versão básica também compreendia uma versão melhor equipada destinada a missões de UTI móvel começaram em 1996 se estendendo até o ano 2000, sendo distribuídas a quase todas as unidades de batalha do Exército Brasileiro no território nacional. A versão cabine dupla foi empregada em um cenário real de combate durante a participação brasileira nas forças de paz da ONU durante a Primeira Missão de Verificação das Nações Unidas em Angola – UNAVEM I entre 1989 e 1991 e posteriormente na UNAVEM II entre 1991 e 1995, nesta segunda fase durante um confronto uma picape Bandeirante foi alvejada por disparos inimigos.
O envelhecimento da frota e o fato do encerramento da produção da linha de utilirarios da Toyota em 2001 , levou o Ministério da Defesa a considerar opções para a gradativa substituição dos mesmos, inicialmente priorizando as versões cabine dupla com capota de lona. Assim em 2002 seria celebrado junto a empresa inglesa Land Rover a compra de 750 unidades da versão Defender para distribuição entre as três forças armadas brasileiras, iniciando assim o processo de desativação da família Toyota.  No entanto as versões utilitárias continuam em operação realizando atividades administrativas e muitas das unidades da versão ambulância recebidas na década de 1990 foram submetidas a um processo de revitalização em nível de 4º Escalão da viatura e de seus componentes e acessórios, envolvendo manutenções nos sistemas de motorização e periféricos, embreagem, caixa de transmissão, freios, direção, suspensão, elétrico, manutenção do baú e funilaria e pintura, permitindo estender sua vida útil. Curioso é observar que todos os veículos remanescentes serão substituídos no curto prazo pela família de veículos 4x4 Agrale Marruá, incluindo os Defender que apesar de serem adquiridos para sucederem os Bandeirante acabarão sendo tirados de serviço no mesmo período que seu antecessor.

Em Escala.

Para representarmos a Vtr Op Toyota Bandeirante Cabine Dupla, fizemos uso do modelo em die cast na escala 1/43 da Coleção Veículos de Serviço do Brasil Tempos da Planeta de Agostini , procedendo a customização para a versão militar. Empregamos decais confeccionados pela decais Eletric Products pertencentes ao set  "Exército Brasileiro  1983 – 2003”.

O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura do Exército Brasileiro aplicado em todos seus veículos militares a partir de 1983. Os únicos veículos  do EB que receberam um esquema diferente deste foram os destinados ao contingente da UNAVEM I  e II onde passaram a ostentar o padrão de pintura padrão das forças de paz das Nações Unidas. Já os veículos do Corpo de Fuzileiros Navais e Força Aérea Brasileira adotaram esquemas de pintura diferentes.


Bibliografia :

- Grandes Brasileiros: Toyota Bandeirante – Sergio Berezovsky Quatro Rodas
- Veículos de Serviço do Brasil – Toyota Bandeirante – Editora Altaya
- Lexicar Brasil – Toyota  www.lexicar.com.br
- Toyota do Brasil – www.toyota.com.br