Westland Wasp Serie 3 - HAS MK1


História e Desenvolvimento. 

A Saunders-Roe umas das mais importantes e pioneira fabricante de helicópteros europeia, nasceu em 1929 quando os investidores Alliott Verdon Roe  (fundador da Avro Aircraft) e e John Lord assumiram o controle acionário dos construtores de barcos S. E. Saunders. Inicialmente concentrou-se na produção de barcos voadores, mas nenhum foi produzido em quantidades muito grandes, produzindo também cascos e fuselagens cascos para o Blackburn Bluebird. Durante a Segunda Guerra Mundial, suas linhas de produção foram empregadas para a construção de modelos como o Supermarine Walrus e a Supermarine Sea Otters, atuando também na customização de fuselagens para os Consolidated Catalinha operados pela Royal Air Force. Logo após o termino do conflito a empresa voltou sua atenção para projetos mais ousados, entre eles em 1947 o caça SR.A / 1, um dos primeiros barcos voadores do mundo, e também o Princess, no entanto iniciativas que não avançaram além da fase de protótipos.  Em 1951, a Saunders-Roe assumiu os o controle da empresa também britanica Cierva Autogiro Company em Eastleigh, dando sequência ao projeto de uma aeronave de asas rotativas originalmente chamada de W-14 Skeeter.  Projeto este que levaria a empresa para um patamar de fornecedor estratégico para as forças armadas britânicas e alemãs. Em meados década seguinte a empresa inglesa Saunders Roe decidiu, com base na experiência adquirida com a produção do helicóptero Skeeter dar início ao novo projeto que visava inicialmente uma concorrência visando o possível fornecimento de aeronaves de asas rotativas para o exército britânico.

Este projeto receberia a designação interna de P.531, e após rápido desenvolvimento conceitual o primeiro protótipo operacional foi concluído em abril de 1958, tendo realizado o primeiro voo de testes em julho do mesmo ano. Após esta célula iniciar o programa de ensaios em voo, em agosto do ano seguinte um segundo protótipo seria produzido estando agora equipado com um motor turboeixo mais potente modelo Nimbus que era fabricado pela Bristol Siddeley. Ao ser avaliado em testes esta nova celular apresentaria resultados muito promissores o que levaria a uma nova liberação e fundos para a continuidade do desenvolvimento deste projeto. Porém no decorrer de 1959 a empresa Saunders Roe e todos seus projetos seriam adquiridos pela  Westland Aircraft Company, este processo levaria o projeto P.531 a seguir novos rumos. Pois neste mesmo período a nova empresa controladora estava engajada no desenvolvimento de uma aeronave militar leve de asas rotativas, visando assim atender a uma demanda sob consulta do comando do Exército Britânico (Royal Army) para a aquisição de modelo destinado ao emprego de tarefas de instrução, ligação e observação no campo de batalha. Paralelamente a Marinha Real (Royal Navy) também buscava um vetor no mesmo porte que deveria se capaz de realizar missões de guerra antissubmarino a partir de uma nova classe de fragatas que se encontravam em processo de incorporação. Visualizando uma grande oportunidade mercadológica a diretoria da Westland Aircraft Company apresentou ao governo britânico o projeto P.531 como a melhor solução para o atendimento das demandas das duas forças armadas.
Analises e avaliações  iniciais  realizadas no protótipos e projeto do P.531 foram realizadas por equipes de técnicos e especialistas do Ministério de Defesa do Reino Unido, levaram a solicitação para a Westland de um grande numero de mudanças e melhorias no projeto original, gerando assim a versão de pré produção denominada como P.531-2, que realizaria seu primeiro voo de avaliação em 09 de agosto de 1959. Ao focar os esforços na versão destinada ao Exército Britânico, possivelmente porque os requisitos técnicos poderiam ser satisfeitos mais rapidamente do que aqueles delineados pela Real Marinha Britânica (Royal Navy), a Westland deu forma ao helicóptero militar Scout recebendo a designação de P.531-2, alçando voo pela primeira vez em agosto de 1960.  E estava equipado com um novo motor Rolls-Royce Nimbus com 1.150 SHP de potência, sendo o modelo validado para operação após a aplicação um amplo programa de ensaios em voo. O modelo agora designado Westland Scout AH-MC-1, teve sua produção em série iniciada em outubro do mesmo ano, com as primeiras células de um contrato de 150 aeronaves, sendo entregues ao comando da aviação do exército em março de 1961. Finalizado este estágio a empresa voltou suas atenções ao desenvolvimento da versão solicitada pela Real Marinha Britânica (Royal Navy).  A versão embarcada designada como Westland Wasp, sofreu consequentes atrasos em seu desenvolvimento, em face de muitas exigências técnicas estipuladas pelo comando da aviação naval. Partindo com base na célula original de produção do Scout AH-MC-1, foram descartados os esquis do helicóptero, instalando em seu lugar um trem de pouso com quatro rodas e um cone de cauda dobrável. Alterações em sua estrutura foram implementadas para que a aeronave pudesse carregar dois torpedos leves MK44, também foram inclusos os sistemas de disparo do armamento e outras customizações para o emprego embarcado.

Os primeiros protótipos iniciaram os testes em 28 de outubro de 1962, sendo aprovados e liberados para a aquisição a partir de meados do ano seguinte. As primeiras células da versão HAS Mk1 contempladas no acordo inicial de compras, começaram a ser entregues em junho de 1963, sendo alocadas primeiramente junto ao 829º Naval Air Squadron  (Esquadrão Aéreo Naval) no início do ano de 1964. As encomendas inglesas destinadas a Royal Navy, desta versão naval atingiriam o patamar de 98 células entregues.  Conquanto as linhas do Westland Wasp fossem esteticamente desagradáveis, ele se mostrou extremamente eficiente em todas as tarefas que lhe foram atribuídas. O Wasp equipou as fragatas da classe Rothesay da Marinha Real e ainda todas da classe Leander, curiosamente além de poder portar como arma ofensiva até dois torpedos guiados  Mk 44 ou Mk 46 ou duas  cargas de profundidade Mark 44, o pequeno helicóptero foi preparado para receber ainda uma  bomba nuclear de profundidade WE.177 de 600 lb (272 kg) um rendimento ajustável de 0,5 a 10 quilotons, do tipo de fissão impulsionada. Apesar de ter entrado em serviço na década de 1960 os Westland Wasp somente receberiam seu batismo de fogo somente em 1982 durante a guerra das Falklands – Malvinas, quando três destes helicópteros que operavam embarcados em fragatas da Royal Navy (Marinha Real) cooperam no ataque que resultou no afundamento do submarino argentino ARA Santa Fé, na localidade de Grytviken nas proximidades da ilha  Geórgia do Sul. Durante este conflito os Westland Wasp desenvolveram toda sorte de trabalhos, bem como os Westland Scout que o exército britânico levara para aquelas ilhas.
Encerrado este conflito os Wasp bem como os helicopteros Scout, contabilizaram uma longa lista de bem-sucedidas missões em condições que eram frequentemente as mais diversas possíveis devido ao violento clima antártico do Atlântico Sul. Em 1987 iniciou-se um gradual programa de substituição da aeronaves pelas primeiras versões do Westland Lynx, com  a última célula deixando o serviço ativo em 1988 com descomissionamento da última fragata inglesa Type 12, encerrando assim uma carreira de 24 anos serviços prestados a Marinha Real Britânica. A alta confiabilidade e a flexibilidade do Wasp  resultaram em contratos de exportação, totalizando 142 células encomendadas e entregues para países como Africa do Sul, África do Sul, Nova Zelândia , Holanda, Indonésia, Malásia e Brasil. Sua produção foi encerrada em 1968 totalizando 240 aeronaves.

Emprego no Brasil. 

Em meados da década de 1960, a Marinha do Brasil enfrentava grandes dificuldades na operação de frota de aeronaves de asas rotativas, apresentando índices de disponibilidade muito abaixo do recomendável. Este cenário se dava muito em função de problemas que afligiam os já ultrapassados grupos propulsores a pistão, não em face de sua natural obsolescência mas também devido a consequências geradas por uma ausência de oficinas homologadas no Brasil que pudessem realizar serviços de manutenção de maior complexabilidade, falta de peças de reposição para  motores  como os Pratt & Whitney R-1340-40 e os Alvis Leonildes 521/2 que já não estavam mais em produção há vários anos. Este cenário recomendava que obrigatoriamente por ventura as novas aeronaves a serem adquiridas deveriam ser dotadas de motores turboeixo, que além de apresentarem maior confiabilidade de operação podiam também ser facilmente empregadas em missões de guerra antissubmarino, muito em virtude da maior potência apresentada por esta nova tecnologia de motores que já havia sido padronizado mundialmente em helicópteros militares. Estudos então foram desenvolvidos visando a aquisição de uma moderna aeronave de asas rotativas de pequeno porte, seguindo a abertura de uma concorrência internacional para o fornecimento de até cinco células novas de fábrica. Uma das características mandatórias do processo fazia alusão ao porte do helicóptero pois ele deveria poder operar nos diminutos decks customizados de navio de guerra oriundos ainda da Segunda Guerra Mundial que originalmente não foram projetados para operar com este tipo de aeronave embarcada.

Após análise de diversos vetores existentes no mercado naquele período, a escolha recaiu sobre o modelo Wasp HAS MK1, de origem inglesa produzido pela Westland Aircraft Company, empresa com a qual a Marinha do Brasil possuía grande relação, desenvolvida durante o processo de implementação da aviação naval em meados da década de 1950. O contrato inicial previa a aquisição de três células novas de fábrica da versão de exportação do modelo HAS MK1 denominada Westland Wasp Série 3. Após a formalização do acordo foi despachado para o Reino Unido um pequeno contingente de oficiais e graduados pertencentes ao 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (HU-1). Lá eles realizaram cursos referentes a manutenção e operação da aeronave. As três células destinadas a Marinha Brasileira já estavam em fase de construção bastante avançada, com os aparelhos já na etapa de montagem nas instalações da empresa na cidade de Hayes no Reino Unido, quando os brasileiros chegaram na Inglaterra. A rapidez com que estes helicópteros foram finalizados se deu muito em conta de que eram as próximas da fila logo após a produção do terceiro lote de Westland Wasp HAS MK1 destinados a Marinha Britânica. Finalmente em março de 1966, os três helicópteros foram entregues formalmente aos representantes da Marinha do Brasil, recebendo as matriculas 7015, 7016 e 7017. Após inspeção as aeronaves foram desmontadas e enviadas por navio ao Brasil, de pronto uma célula foi montada ensaiada e novamente desmontada, para ser embarcada em C-130 Hércules da FAB a fim de participar da operação “Amizade”, um trabalho humanitário em prol das populações das províncias argentinas do Chaco e  Formosa duramente atingidas por uma enchente do rio Paraná, voando cerca de 25 horas nesta missão.
Por se tratar da mais nova aeronave da Marinha do Brasil e por ser o primeiro helicóptero com motor turboeixo a fase inicial das operações com o Wasp ou popularmente conhecido “Abelha”, foi revestida de certa mística. Somente os pilotos mais antigos e experientes do HI-1 tripulavam este modelo, cabendo aos mais novos a operação das demais aeronaves daquele esquadrão. No entanto este fato não impediu que 15 de julho de 1967 um acidente resultasse na perda total de material do SH-2 7016, gerando assim a necessidade de substituição por uma nova aeronave que era oriunda da Marinha Real (Royal Navy) que passaria a receber a mesma matrícula do helicóptero acidentado. Nos anos seguintes, os Wasp operaram a partir do convés do Nael Minas  A-11 Gerais e dos cruzadores Tamandaré C-12 e Barros C-11, e também a bordo dos navios hidrográficos Canopus H-22 e Sirius H-21 em substituição aos Kawasaki 47G-3B. A partir de 1973 recebimento dos navios contratorpedeiros americanos classe “Gearing FRAM I” e “Allen M. Sumner”, alterariam profundamente a vida operacional dos Wasp. Ao atender as necessidades do plano de reequipamento da Esquadra da Marinha que buscava navios de escolta dotados de convés de voo, a Marinha Americana transferiu seis destroieres equipados com hangares projetados para acomodar aeronaves Gyrodyne QH-50 DASH (Drone Anti Submarine Helicopter – Helicóptero Antissubmarino não Tripulado). Apesar deste programa não atingir as expectativas de seus idealizadores, as modificações realizadas nos navios deixaram como legado a possibilidade de operar helicópteros de pequeno porte embarcados. Isto no âmbito da marinha brasileira possibilitaria o adestramento da operação dos Wasp em missões embarcadas de maior duração, com o primeiro pouso realizado em 18 de abril de 1975 no convoo do contratorpedeiro D-26 Mariz Barros. 

No ano seguinte, em 10 de fevereiro foi a vez do Sergipe (D-35), um dos contratorpedeiros da Classe Summer a receber pela primeira vez um helicóptero Wasp. Os resultados destas operações incentivaram o comando da Força Aeronaval a buscar o aumento da frota deste modelo. Visto que a Westland não produzia mais o Wasp, a Marinha do Brasil negociou em março 1977 a aquisição de mais sete unidades da versão HAS MK1 que pertenciam ao acervo da Marinha Real Britânica, que estavam sendo progressivamente desativadas em função do recebimento dos novos Westland Lynx. A primeira aeronave chegou ao Brasil em agosto do mesmo ano sendo transportada a bordo da Fragata Niteroi F-40, com as demais chegando ao Brasil em intervalos regulares até 1979, recebendo as matriculas 7036 a 7042. Ao contrários das primeiras unidades , os Wasp HAS MK1 chegaram estavam configurados para a operação dos novos torpedos MK46 e misseis ar-superfície AS-11 e AS-12. No entanto esta ultima capacidade de sistema de armas nunca foi explorada no Brasil, e em seu lugar foram empregados lançadores de foguetes de 37 mm SBAT-37/7. Apesar de seu pequeno porte, o que impedia a instalação e equipamentos de detecção autônoma de submarinos e navios, os agora designados SH-2 “Abelha” foram empregados em missões de ataque ASW e AS, sendo vetorados até seus alvos por seus navios, sendo armados com torpedos MK-44 ou MK-46, descortinava-se assim um novo horizonte para operações de guerra ASW na marinha. Neste período decidiu se concentrar exclusivamente os Wasp nas operações junto aos contratorpedeiros, deixando as missões de levantamento hidrográfico com os recém recebidos Helibras Esquilo.
O recebimento das primeiras células dos novos Westland/Aerospatiale HAS 21 Lynx a partir de 1978, determinaram a alteração da missão principal do modelo, passando o mesmo a ser focado em missões de transporte e ligação recebendo a designação de UH-2, passando a ser embarcados no porta aviões A-11 Minas Gerais onde operaram como guarda aeronaves. Porém coube ao modelo a honra de ser a primeira aeronave militar brasileira a voar na Antártida em 1983 durante a realização da missão Operantar I, operando a partir do navio de apoio oceanográfico H-42 Barão de Teffé. O desgaste e o atrito operacional reduziram a frota para três células, e após 25 anos o UH-2 Abelha encerrou sua carreira com a portaria Nº 0007 em 03 de outubro de 1990, oficializando a baixa das aeronaves 7016, 7039 e 7040, sendo as mesmas preservadas no Musal e no complexo aeronaval de São Pedro da Aldeia.

Em Escala.

Para representarmos o  SH-2 / UH-2  Wasp "7039"  empregamos o antigo  e raríssimo kit Fujimi na escala 1/48, sendo que este modelo apresenta um nível espartano no detalhamento , necessitando assim de uma aprimoramento em scratch tanto no interior quanto no grupo motriz . Fizemos uso de decais confeccionados pela  FCM presentes no Set 48/11, sendo esta edição há muito tempo descontinuada pelo fabricante.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o segundo padrão de pintura empregados nas aeronaves Westland Wasp HAS MK1, sendo adotado no fim da década de 1980, como derivação deste esquema temos as células que provisoriamente empregaram as marcações de alta visibilidade em vermelho, quando em operação Proantar (Programa Antártico Brasileiro).


Bibliografia :

- Westland Wasp -  Wikipédia - http://en.wikipedia.org/wiki/Westland_Wasp
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 - 2015 – Jackson Flores Jr
- Westland HAS MK-21 - Aviação Naval Brasileira - http://www.naval.com.br/anb/ANB-aeronaves/Westland_Wasp/Westland_Wasp.htm