Embraer EMB-312 T-27 Tucano

História e Desenvolvimento.
A gênese da criação da Embraer tem início em 1953, quando o Marechal-do-Ar, Casimiro Montenegro Filho, convidou o engenheiro aeroespacial e fundador da Focke-Wulf em Bremen, o alemão Henrich Focke e seus engenheiros, para compor a equipe do recém fundado Centro Tecnológico Aeroespacial (CTA), esta iniciativa criaria as primeiras expectativas para o estabelecimento de uma futura indústria aeronáutica nacional. Os anos seguintes começariam a criar um cenario propício para que estas expectativas se mostrassem possíveis de se realizar, pois neste período grande parte da frota de aeronaves de transporte leve da Força Aérea Brasileira, começava a enfrentar problemas de disponibilidade muito em face de degastes de uso e obsolescência, o que levaria a necessidade de substituição a médio prazo. No intuito de se fomentar esta possível iniciativa nacional, foi aprovado em 25 de junho de 1965, o projeto governamental IPD-6504, para a produção de uma aeronave que atendesse as necessidades do transporte aéreo comercial brasileiro, principalmente em pequenas cidades, visando a produção de um avião que se adaptasse à infraestrutura aeroportuária do país na época. O primeiro protótipo foi construído em três anos e quatro meses, realizando seu primeiro voo de demonstração em 22 de outubro de 1968, quatro dias depois o agora já designado YC-95 fez seu segundo voo. O próximo passo seria prover os meios necessários para a produção em série desta nova aeronave, assim em 19 de agosto de 1969, o Ministério da Aeronáutica recebeu do presidente da república a autorização para a criação de uma empresa aeronáutica de capital misto com controle estatal que receberia o nome de a Embraer – Empresa Brasileira de Aeronáutica S.A. Esta nova empresa seria inicialmente destinada a fabricação seriada do avião C-95, agora batizado de Bandeirante. No dia 2 de janeiro de 1970 a Embraer começou a operar assumindo a produção da aeronave que seria designada como EMB-100 Bandeirante, neste contexto os dois protótipos produzidos, passaram a ser alvo de estudos a fim de se implementar melhorias e ajustes no projeto e processo de produção. Os resultados deste programa se materializariam no terceiro protótipo, que receberia a matricula PP-ZCN, realizando seu primeiro voo no dia 29 de junho de 1970.  Apesar do bom desempenho, verificou-se que as condições e parâmetros de mercado original com as quais o projeto fora baseado, haviam evoluído, ou seja, sua capacidade de transporte de até oito passageiros, já não eram mais adequadas as novas demandas do mercado comercial. Esta mudança resultaria na criação de uma aeronave maior designada como Embraer EMB-110  Bandeirante, que passava a apresentar capacidade de até 12 lugares, que seria oferecida também ao mercado civil.

A produção em série seria iniciada em fins do ano de 1972, com as primeiras unidades de um contrato 80 aeronaves sendo entregues a Força Aérea Brasileira a partir de fevereiro de 1973, já a primeira célula da versão civil com a matrícula PT-TBA seria entregue em 11 de abril do mesmo ano para empresa Tranbrasil. Esta primeira fase levaria a Embraer a criar a maturidade empresarial e industrial, que lhe serviria de base para estudos envolvendo uma futura ampliação de portifólio. Paralelamente nesta época o Ministério da Aeronáutica começava a buscar alternativas para a melhoria e consequente redução de custos de seu processo de formação de pilotos militares. Este processo naquele período, estava  baseado em três estágios, sendo o treinamento básico realizado com aeronaves Aerotec T-23 Uirapuru, o intermediário com os aviões Neiva T-25 Universal e o treinamento avançado ficando a cargos dos jatos Cessna T-37C. Infelizmente a operação da aeronave norte americana apresentava um alto custo operacional, além do que haviam recorrentes problemas de disponibilidade da frota, que era resultante de uma crônico processo de faltas de peças de reposiçao, o que tornava a operação do Cessna T-37C cada vez mais complexa. Face a esta dificuldade a direção da Academia da Força Aérea (AFA) iniciou a gradual substituição do Cessna T-37C nas tarefas de instrução avançada pelo Neiva T-25 Universal. Apesar de ser economicamente viável esta solução trazia problemas a qualidade de formação dos cadetes, pois a aeronave da Neiva apresentava um desempenho muito aquém do mínimo desejável para uma aeronave de treinamento avançado. Esta realidade seria agravada ainda nesta mesma década pelo início de operação no Brasil de aeronaves modernas de alta performance como os caças franceses Marcel Dassault Mirage IIIE e norte-americanos Northrop F-5E Tiger II, que apresentavam uma necessidade de formação mais complexa e qualitativa de seus futuros pilotos. A combinação destes fatores levaria o Ministério da Aeronáutica a buscar uma alternativa para a adequação a esta demanda, necessidade esta que não passaria despercebida aos olhos da Embraer.
Assim vislumbrando uma oportunidade de negócio, a Embraer passou a estudar as alternativas disponíveis para esse nicho. Na época, como possibilidades se resumir a aeronaves a jato ou aviões de propulsão convencional, adaptados com motorização turboélice. A opção por uma aeronave com esse tipo de propulsão logo se mostrou mais adequada, principalmente por ser um motor mais econômico, fator fundamental em um cenário de crise internacional do petróleo e da consequente alta nos preços dos combustíveis, que encarecia a hora de voo de treinamento. Como solução, em 1977, a Embraer apresentou como primeiras propostas do EMB 312 ao Ministério da Aeronáutica, que formalizou um acordo de desenvolvimento no final de 1978. O programa foi oficialmente iniciado em janeiro de 1979. No início do ano seguinte o projeto começou a tomar forma, sendo construídos inicialmente modelos em escala radio controlados para testes de voo aerodinâmicos, no final de 1979, um modelo em escala real foi construído com um cockpit para a avaliação de instrumentos de voo, com a definições fundamentadas partiu-se para a construção do primeiro protótipo que foi concluído em março do ano seguinte. Esta aeronave designada como YT-27 com a matricula FAB 1300 foi apresentada oficialmente em cerimônia de rollout no dia 19 de agosto de 1980 – data da comemoração dos 11 anos da Embraer, ocasião em que a aeronave efetuou seu primeiro voo oficial. O segundo protótipo voou pela primeira vez em 10 de dezembro de 1980, apresentando melhorias em relação a primeira aeronave, incluindo ainda a possibilidade de portar armamentos, esta aeronave foi pedida em agosto de 1982 durante um voo de teste, com os pilotos conseguindo se ejetar da aeronave em segurança. Um terceiro protótipo registrado com a matricula civil PP-ZDK realizou seu primeiro voo em 16 de agosto de 1982. No mês seguinte, o protótipo fez sua estreia internacional no Farnborough Airshow na Inglaterra, cruzando o Atlântico poucos dias depois de seu primeiro voo com auxílio de tanques suplementares de combustível e escalas técnicas.

O Embraer EMB-312 Tucano, designado como T-27, tinha desenho avançado para a época e possuía características inovadoras que acabaram por se tornar padrão mundial para aeronaves de treinamento básico. Foi o primeiro avião de treinamento desenvolvido e produzido desde o início como turboélice, mas mantendo características operacionais de aviões a jato. Além disso, e das outras aeronaves de treinamento do inventário da Força Aérea Brasileira, o Embraer EMB 312 não assentou possuía lado a lado, mas sim na configuração em tandem escalonados - onde instrutor e aluno se tumultuar no eixo longitudinal da aeronave, sendo o posto mais elevado, o que permitiu ao instrutor a visão frontal. Esta configuração, além de reduzir a área dianteira da aeronave, ainda permitiu melhor adaptação da cadete ao meio-dia de um caça. Outra característica inovadora foi a adoção de assentos ejetáveis. O Embraer EMB-312 Tucano foi o primeiro treinador básico turboélice a ser equipado com esse recurso de segurança. Os senhores da equipe ficavam abrigados sob uma grande capota transparente em peça única de plexiglass, produzida de forma a não gerar distorções óticas. O avião foi concebido para ser uma aeronave estável em baixas velocidades e altamente manobrável, especificações importantes para um avião de treinamento.  Além da missão principal de treinador, ainda poderia receber cargas externas em quatro pontos duros nas asas, permitindo o emprego em missões de treinamento armado, apoio aéreo e ataque solo. O primeiro protótipo, matriculado como YT-27 “FAB1300”, foi apresentado oficialmente em cerimônia de implantação e efetuou o primeiro voo no dia 19 de agosto de 1980 – data da comemoração dos 11 anos da Embraer. A aeronave logo despertaria o interesse internacional devido a sua performance e baixo custo operacional e assim várias nações passaram a testá-lo. As primeiras encomendas partiram de Honduras e do Egito. O Tucano foi produzido sob licença no Egito, para a força aérea daquele país e para o Iraque, transformando-se na primeira experiência da Embraer na montagem de aeronaves no exterior.
Logo em seguida a Real Força Aérea (Royal Air Force), lançaria uma concorrência internacional destinada a selecionar uma nova aeronave de treinamento, a fim de participar deste processo a Embraer estabeleceu parceria com a empresa irlandesa Short Brothers PLC. Partindo do projeto original, várias modificações e melhorias foram implementadas, nascendo assim o protótipo do Shorts Tucano, aeronave que lograria vitória nesta concorrência, proporcionando a Embraer uma inédita notoriedade internacional, e abertura da terceira linha de produção do modelo, agora na Irlanda do Norte. Ainda em 1991 mais um grande contrato seria firmado, agora com França, para o fornecimento de 80 aeronaves da versão Embraer EMB-312F, para o emprego junto a Força Aérea Francesa (Armée de L´Air), com as primeiras entregas sendo realizadas a partir de 1994. A produção em série seria encerrada dois anos mais tarde, totalizando 624 aeronaves entregues, para operação em Angola, Argentina, Brasil, Colômbia, Egito, França, Honduras, Irã, Iraque, Quênia, Kuwait, Mauritânia, Moçambique, Paraguai, Peru, Reino Unido e Venezuela. Muitas destas células ainda se mantem em operação sendo submetidas a inúmeros processos de modernização, o que indica que o treinador avançado da Embraer permanecerá na ativa por muitos anos ainda.

Emprego na Força Aérea Brasileira.
O Embraer EMB-312 T-27 Tucano foi concebido não só para substituir o Cessna T-37 na Academia da Força Aérea (AFA) na missão de treinamento avançado, mas também permitir a implementação de novas tecnologias de materiais e processos produtivos na jovem indústria aeroespacial nacional. Assim imbuído no interesse de fomentar este novo segmento industrial de defesa nacional, o governo federal brasileiro através do Ministério da Aeronáutica (MAer), formalizou em outubro de 1980 um contrato junto a Embraer S/A para a aquisição inicial de 118 aeronaves da versão de treinamento avançado, com mais 50 células como opção de compra. Um acordo de tal monta, proporcionaria a empresa os recursos necessários para o estabelecimento de uma linha de produção dedicada ao modelo na cidade de São José dos Campos, no interior do estado de São Paulo. As primeiras oito aeronaves EMB-312 T-27 Tucano  de produção destinadas a Força Aérea Brasileira, receberam as matriculas “FAB 1303 a 1310” e passaram a ser entregues a  partir de 29 de setembro de 1983 para a Academia de Força Aérea (AFA) na cidade de Pirassununga no interior do estado de  São Paulo. Após o término do período de aceitação, treinamento de instrutores as aeronaves já alocadas junto ao 1º Esquadrão de Instrução Aérea (1º EIA), passaram a gradativamente a substituir os veteranos Neiva T-25 Universal na fase de treinamento avançado, com as primeiras missões de treinamento com os cadetes sendo realizadas na nova aeronave a partir de 1 de julho de 1984. Do contrato inicial, 60 células seriam destinadas prioritariamente a Academia de Força Aérea (AFA), a entrega de maior parte deste programa permitiu a Força Aérea Brasileira, desativar sua frota de aeronaves de treinamento primário Aerotec T-23 Uirapuru, substituindo-os pelos Neiva T-25 Universal neste estágio de formação. O advento da aeronave na missão de treinamento avançado, trouxe uma enorme melhoria nos parâmetros de qualidade de formação dos novos pilotos, pois sua alta performance com características de comandos precisos, boa margem de manobra mesmo à baixa altitude, confiabilidade, visibilidade e capacidade de voo em diferentes condições climáticas. Estas melhorias reduziriam sensivelmente assim o tempo de adaptação dos cadetes para o emprego do jato Embraer AT-26 Xavante, vetor que seria empregado para a conclusão do processo de formação dos pilotos de caça.

Como esperado o advento da introdução da aeronave Embraer T-27 Tucano, trouxe melhorias significativas no processo de formação dos cadetes aviadores na Academia de Força Aérea (AFA), pois esta nova aeronave além de apresentar melhor performance que o Neiva T-25 Universal, pois a didática de instrução assumiu uma nova dimensão, uma vez que na aeronave da Embraer, o instrutor não fica lado  a lado do cadete, e sim atrás dele, sem qualquer contato visual, com a interação sendo possível somente através do sistema de comunicação entre os tripulantes, expondo assim o aluno em curso a situações de independência para a tomada de decisões críticas, qualidade muito requerida em pilotos da aviação de caça. A evolução proporcionada pelo novo vetor de treinamento resultou na melhor preparação dos futuros pilotos da aviação de caça, que seguiram sua formação junto aos jatos Embraer AT-26 Xavante. A cada mês mais células seria direcionadas a Pirassununga, pois das 118 aeronaves iniciais previstas em contrato, 60 células seriam priorizadas no cronograma de entrega para a Academia de Força Aérea (AFA). Esta decisão levaria o Ministério da Aeronáutica (MAer), em fins do ano de 1983 a decidir pela reativação de seu grupo de demonstração área, popularmente conhecido como “Esquadrilha da Fumaça” (organização que passaria a ser designada oficialmente a partir de 21 de outubro de 1982 como de Esquadrão de Demonstração Aérea – EDA com a operação de aeronaves Neiva T-25 Universal). Imbuída da importante missão de "realizar demonstrações aéreas a fim de difundir, em âmbito nacional e internacional, a imagem institucional da Força Aérea Brasileira” foi definido que esta unidade seria dotada com sete aeronaves equipadas com configuradas com dos pods dispensadores de fumaça branca nos cabides subalares, recebendo ainda um vistoso padrão de pintura de alta visibilidade nas cores vermelho e branco. A primeira exibição oficial ocorreu em 8 de dezembro de 1983 durante a cerimônia de formatura dos cadetes daquele ano. Entre os anos de 1983 e 2013, seriam realizadas pelo Esquadrão de Demonstração Aérea – EDA cerca de 2.363 demonstrações não só no Brasil, mas também na Europa, América do Norte e América Latina. Com o tempo, as aeronaves e as acrobacias mudaram. Embora com uma estrutura bastante diferenciada do início, a essência da Esquadrilha mantém preservado o espírito de arrojo e determinação do grupo, procurando resguardar, hoje, os princípios que lhe deram sustentação ao longo da sua existência.
O cronograma de entrega seria mantido, porém apesar da aeronave Embraer EMB-312 T-27 Tucano receber na Força Aérea Brasileira a alocação de 151 matriculas, seriam entregues oficialmente apenas 136 células da aeronave, pois quinze destas seriam retiradas das linhas de produção do fabricante e entregues a Força Aérea Argentina (FAA), como parte de um pacote comercial  celebrado com o governo brasileiro para a aquisição de um grande numero de aeronaves de treinamento básico (366 células ao todo) dos modelos  Aero Boero 115 e Aero Boero 180 que seriam a partir de 1990 distribuídas pelo Departamento de Aviação Civil (DAC) para equipar inúmeros aeroclubes situando pelo pais, a fim de serem empregados em missões de treinamento de pilotos civis e comerciais. Duas destas aeronaves também seriam destinadas a Academia de Força Aérea (AFA) para serem usadas junto ao Clube de Voo a Vela (CVV) em tarefas de reboque de planadores daquela unidade. Em 16 de novembro de 1996 um acidente ocorrido com o T-27 Tucano “FAB 1320” pertencente ao Esquadrão de Demonstração Aérea – EDA, na cidade de Santos – SP, acendeu um sinal de alerta que, somado a outros episódios estruturais, fez o fabricante constatar, em 1999, um problema de fadiga nas aeronaves. Era necessário um reforço estrutural nas asas de toda a frota. O problema não só cancelaria toda a agenda do Esquadrão de Demonstração Aérea – EDA por 21 meses, bem como afetaria a operacionalidade de todas as unidades da Força Aérea Brasileira que faziam uso do modelo da Embraer, visto que só poderiam voar as aeronaves sem qualquer mínimo indicio de fadiga estrutural. Somente no ano de 2001 a frota retomaria sua capacidade operacional plena, quando a maioria das aeronaves já haviam passado pelo processo de revisão e correção estrutural na fabrica da Embraer na cidade de São José dos Campos. Entre os muitos méritos da aeronave em serviço junto a Academia de Força Aérea (AFA) coube a mesmo ser a responsável pela formação da primeira, p aviadora militar brasileira em 2007 e a primeira instrutora da academia em 2020.

Em fins da década de 1990, o desenvolvimento de um novo vetor destinado a substituir as aeronaves de formação de pilotos de caça Embraer AT-26 Xavante, começaria a reescrever o destino dos treinadores Embraer T-27 Tucano na Força Aérea Brasileira. Desenvolvido também com a missão de prover o “braço armado” do Sistema de Vigilância da Amazônia (SIVAM), a nova aeronave designada Embraer A-29 Super Tucano, passaria a partir de 2005 a substituir os Embraer A-27 Tucano junto aos esquadrões do 3º Grupo de Aviação (3º GAv), permitindo assim que as células em melhor estado fossem revisadas e encaminhadas a Academia de Força Aérea (AFA) a fim de repor perdas operacionais ocorridas em quase trinta anos de operação da aeronave nas missões de treinamento e formação de pilotos, tendo em vista que neste período foram perdidas 30 células em acidentes, com mais pelo menos 10 aeronaves retiradas do serviço ativo por comprometimento estrutural. A partir do ano de 2021 teria inicio o programa de transição das aeronaves pertencentes ao Esquadrão de Demonstração Aérea – EDA, com as novas aeronaves A-29 Super Tucano sendo recebidas em 2013. Após um grande programa de treinamento e conversão operacional realizou-se em julho de 2015 o retorno das agendas de apresentações da unidade, com o primeiro evento ocorrendo durante Cerimônia Militar de Entrega de Espadins da Turma Jaguar na Academia da Força Aérea (AFA), em Pirassununga/SP.  O voo histórico no “Ninho das Águias” foi mais uma confirmação da forte ligação existente entre a Fumaça e os Cadetes, uma vez que a instituição foi criada para incentivá-los a confiarem em suas aptidões. O momento marcou a retomada das demonstrações após a conclusão do “Programa de Implantação da Aeronave A-29 Super Tucano no Esquadrão de Demonstração Aérea (EDA)". Em 2016 a Academia da Força Aérea (AFA), contava apenas com 35 células em condições de uso (com mais 30 armazenadas), porém apesar ser uma frota representativa, as aeronaves estavam completamente obsoletas em termos de aviônica, existindo um gap violento quando comparados as aeronaves A-29 Super Tucano ou mesmos os caças de primeira linha como os Northrop F-5EM e Embraer AMX A-1. Assim desta maneira o Ministério da Defesa lançou um edital em março de 2018, visando a abertura de uma concorrência prevendo a modernização de 50 células da aeronave Embraer T-27 Tucano. O programa previa um processo de atualização dos aviônicos, avaliado em R$ 42,5 milhões, deve trazer os cockpits para um padrão “glass cockpit”, onde os instrumentos analógicos serão substituídos por duas telas coloridas sensíveis ao toque, de no mínimo 6 polegadas e no máximo 10 polegadas, com as aeronaves ainda devendo receber sistemas atualizados de rádio e navegação por satélite. Duas aeronaves seriam usadas como protótipos e as outra 48 entrarão num cronograma de modernização.
A empresa Albatroz foi a vencedora da concorrência, com o primeiro protótipo sendo desenvolvido em parceria com a Força Aérea Brasileira junto as instalações do Parque de Material Aeronáutico de Lagoa Santa (PAMA LS). A primeira aeronave modernizada alçou voo 23 de outubro de 2020, com o agora designando Embraer T-27M FAB 1446, realizando um ensaio com cerca de duas horas de duração. Já o segundo protótipo o T-27M FAB 1426 realizou seu primeiro voo em 23 de abril de 2021, englobando significativas melhoras quando comparada com a primeira aeronave de ensaios, definindo assim os parâmetros para a modernização inicial de 42 células pertencentes ao Esquadrão de Instrução Aérea (1º EIA), com as aeronaves sendo entregues até dezembro de 2022. Em setembro de 2021 foi apresentando o novo padrão de pintura a ser adotado pelos Embraer T-27M Tucano, com a aeronave FAB 1383, ostentando um esquema de identidade visual. As novas cores apresentam um ar de atualidade, alinhada às alterações realizadas no processo de modernização. O novo design é inédito e utilizará tintas já empregadas pela FAB, como o branco, o laranja e o preto. Agrega-se, ainda, a questão da padronização, pois faz referência aos tons já existentes em outras aeronaves da Força Aérea.

Em Escala.
Para representarmos o Embraer EMB-312 T-27 Tucano “FAB 1427 " empregamos o kit em resina produzido pela De Lima Kits & Dumont Replicas Artesanais na escala 1/48, modelo este de excelente qualidade e bom nível de detalhamento. Fizemos usos de decais originais presentes no kit, com os quais se permitem configurar até quatro padrões de identificação empregados por estas aeronaves na   Força Aérea Brasileira.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o segundo padrão aplicado as aeronaves Embraer EMB-312 T-27 Tucano empregadas nas esquadrilhas Esquadrão de Instrução Aérea (1º EIA), pertencentes a Academia da Força Aérea (AFA), com este esquema tendo sido adotado no ano de 2001, substituindo o original quando do recebimento das aeronaves em 1983. Já as aeronaves do Esquadrão de Demonstração Aérea (EDA) empregaram dois esquemas de pintura ao longo de sua carreira, inicialmente um predominante vermelho com detalhes em branco, e posteriormente em 2012 receberam as cores da bandeira nacional.

 Bibliografia :

- História da Força Aérea Brasileira por :  Prof. Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.htm

- Centro Histórico Embraer – T-27 Tucano - http://www.centrohistoricoembraer.com.br

- Aeronaves Militares Brasileiras 1916/ 2016 – Jackson Flores Jr

- FAB vai modernizar 50 aeronaves T-27 Tucano - https://www.cavok.com.br