Engesa EE-9 Cascavel MK III

História e Desenvolvimento.

As primeiras experiências do Exército Brasileiro na operação de veículos blindados de combate com tração 6X6 teve início em 1942 com a celebração dos acordos Leand & Lease Act. Este acordo proporcionou a cessão de carros blindados, inicialmente com os T-17 Deerhound e posteriormente M-8 Greyhound, cabendo a este último a experiencia de operação em combate real durante a campanha da Itália na Segunda Guerra Mundial. Tanto a experiencia do emprego deste tipo de veiculo na Europa quando no Brasil pós-guerra tornaram este modelo de veiculo muito bem aceito entre as unidades mecanizadas brasileiras. Em fins da década de 1960 a obsolencia do conjunto mecânico dos M-8 levaria o Parque Regional de Motomecanização da Segunda Região Militar de São Paulo – PqRMM/2 a desenvolver um programa remotorização, trocando o motor original a gasolina por um nacional Mercedes Benz OM321. Os resultados positivos levariam a equipe de projetos do PqRMM/2 a ir além visando desenvolver o projeto de uma viatura blindada sobre rodas com tração 4X4. O processo de desenvolvimento, da maquete ao protótipo funcional, foi realizado entre o segundo semestre de 1968, e o primeiro semestre de 1970, este carro denominado VBB-1 (Viatura Blindada Brasileira 1), foi extremamente testado, nas mais severas condições, no entanto o interesse real do Exército Brasileiro estava focado na aquisição de um veículo 6X6, levando assim a equipe a retornar a prancheta de projetos.

Para atender os anseios do Exército Brasileiro, inicialmente considerou em estender a corriceria do protótipo do VBB-1 e transforma-lo em um 6X6, esta iniciativa, no entanto foi descartada partindo para o desenvolvimento de um novo veículo. Desta maneira a Diretoria de Motomecanizaçao definiu as especificações para o desenvolvimento de um veículo blindado de reconhecimento de reconhecimento com tração 6X6, dando início ao projeto VBB-2 (Viatura Blindada Brasileira 2), cabendo novamente ao PqRMM/2 sua execução. Com o projeto finalizado, principalmente na parte estrutural da carcaça foi acrescentada uma das torres do VBB-1 (baseada na torre original do T-17 Deerhound), armada com um canhao de 37mm. A partir deste momento a designação do veículo passou a ser Carro de Reconhecimento sobre Rodas, tendo sua configuração sofrido pequenas modificações, principalmente nas linhas básicas, até a construção do primeiro protótipo, em 1970.  Este modelo foi totalmente construído nas instalações do PqRMM/2. Mas, como era necessário estudar melhor à sua suspensão, foi adotado o sistema “boomerang” criado pela Engesa (Engenheiros Especializados S/A) a qual o aplicava em veículos civis das categorias ¼, ½ e 5 toneladas.
O principal calcanhar de Aquiles do projeto era representado pela carência de torres, desta maneira optou se por desenvolver uma nova com base nas torres do M-8 Greyhound, com a produção de oito unidades ficando a cargo da Companhia Siderúrgica Nacional, esta nova peça em relação a original apresentava um alongamento na parte traseira para assim abrigar o sistema de rádio, tinha ainda a previsão para receber um canhao de 37mm e uma metralhadora coaxial.30. Após testes práticos, elaborados pelo Exército Brasileiro e supervisionados pela equipe do PqRMM/2, foi decidido a construção de cinco veículos pre serie, sendo elevado para oito no ato da assinatura do contrato com a Engesa em 1971, com a produção começando no ano seguinte, sendo concluída em setembro de 1975. Estes veículos contavam com uma nova torre, uma versão modificada do modelo utilizado no carro de combate leve M-3 Stuart. Estes oito veículos foram submetidos a um intensivo programa de testes e avaliação, englobando 32.000 km de rodagem entre as cidades de São Paulo, Uruguaiana, e Alegrete, as provas consistiram em andar 24 horas por dia, parando apenas para a troca equipe e abastecimento, se avaliando os defeitos que iam surgindo ao longo deste processo. Depois de reparados e corrigidas as falhas, os blindados voltavam a campo.

A partir desta etapa inúmeras alterações foram implementadas, incluindo a troca da torre, incorporando se novamente uma peça derivada do M-8 Greyhound, com alongamentos laterais e traseiros. Essa versão foi sendo aprimorada gradativamente, culminando numa torre mais moderna, com visores laterais e baixo perfil. Aprovado nos testes, o projeto recebeu a nova designação de Carro de Reconhecimento Médio (CRM), permanecendo a sua base como padrão de produção seriada, neste estagio o blindado começou a despertar o interesse no mercado internacional. O CRM passou a ser denominado como EE-9 Cascavel, sendo o EE uma abreviatura de Engenheiros Especializados S/A , e o número 9 a representação de sua tonelagem e Cascavel por ser o nome de uma cobra venenosa brasileira. Além da encomenda brasileira, o modelo receberia seu primeiro grande contrato de exportação em 1976, com uma encomenda de 200 unidades, tendo como exigência básica que os carros fossem armados com canhoes de 90mm, o que foi sanado com a importação de torres e canhoes franceses, recebendo o batismo de EE-9 Cascavel MKII. O próximo cliente seria o Exército Chileno com 106 unidades vendidas, novamente a Líbia assinaria um novo contrato para o fornecimento de mais 200 carros agora equipados com torres nacionais e canhoes belgas Cockerill de 90mm, recebendo a denominação de Cascavel MKIII.
O batismo de fogo do Cascavel ocorreu em 1977 quando forças líbias confrontaram o exército egípcio, conquistando papel decisivo nesta batalha devido a sua mobilidade e velocidade, conseguindo chegar a frente de batalha na metade do tempo gasto pelos carros de combate russos T-62, este êxito na batalha serviu de ferramenta de propaganda internacional do modelo de carros de combate leve sobre rodas 6X¨6 da Engesa, levando a novas encomendas para o Iraque, Burma, Colômbia, Chipre, Congo, Equador, Gabão, Gana, Ira, Nigéria, Paraguai, Catar, Togo, Uruguai, Zimbabwe, Tunísia, Suriname e Burkina Faso. Ao todo foram produzidas 1.738 unidades dispostas em 4 versões, versões modernizadas estão ainda em uso em diversos países no mundo.

Emprego no Brasil.

A conclusão dos testes de campo com os oito carros pré-série em 1976, levou a formatação da versão final designada EE-9 Cascavel MKI, umas das principais diferenças visuais observada foi a evolução da torre do canhão que originalmente empregava um modelo alongado derivado da torre do M3 Stuart, e passou a incorporar uma nova estrutura baseada na torre do M-8 Greyhound, com alongamentos laterais e traseiros. Esta versão foi aprimorada gradativamente, culminando numa mais torre mais moderna, com visores laterais e baixo perfil. Nesta etapa deu se a formalização do primeiro contrato de produção, englobando a produção de mais 102 carros, totalizando 110 veículos, incluindo os oito protótipos iniciais. O novo carro blindado recebeu no Exército Brasileiro a designação de Carro de Reconhecimento Médio 6X6 (CRM). Devido a seu canhão de 37 mm, esta versão viria a receber entre as fileiras do Exército Brasileiro a denominação de Cascavel Magro. Este modelo inicial adotado pelo Exército Brasileiro possuía 6,20 m de comprimento, 2,64m de largura, 2,95m de altura, peso de 13,7 ton, velocidade máxima de 100km/h e autonomia de 750 km. Empregava um motor nacional Mercedes Benz OM 352A de seis cilindros em linha e 174hp. Possuía um nível de blindagem aceitável para as ameaças da época, sendo uma proteção frontal incluindo a torre de 16 mm e lateral de 8,5 mm.

A introdução do Cascavel MKI a partir de 1974, junto aos Regimentos de Cavalaria Mecanizada e Esquadrões de Cavalaria Blindada Exército Brasileiro, promoveu na força blindada um elevado salto quantitativo e qualitativo. Neste mesmo período o modelo começou a despertar o interesse de clientes internacionais, entre estes a Líbia que viria a encomendar 200 unidades, porém exigências contratuais demandavam que o blindado fosse equipado com canhões de 90 mm e torres de origem francesa. Esta nova configuração viria a gerar interesse do Exército Brasileiro verificando a significativa melhoria deste novo canhao de maior calibre. Contando com uma frota de cerca de 102 EE-9 Cascavel MK-I operacionais em seus regimentos de cavalaria mecanizada, o comando do Exército desenvolveu estudos visando implementar um programa de modernização tendo com principal foco a troca do antigo canhão de 37 mm, por uma arma de cano de 90 mm. Entre as opções de armamentos analisadas, optou-se pela adoção do canhao belga Cockerill de 90mm, que apresentava a melhor condição de custo benefício, também os requisitos técnicos favorecem este escolha. Sempre em busca da redução da dependência externa, a Engesa optou por comprar o projeto deste canhão, enviando engenheiros para aprender como fabricá-lo, bem como adquirir as máquinas necessárias para sua produção. Este processo envolvia também a substituição da torre, inicialmente pensou em se adotar a mesma torre usada nos carros destinados ao exército líbio, opção descartada em detrimento da adoção de uma torre de fabricação nacional.
As principais evoluções apresentadas nas versões designadas  Cascavel MKII e MKIII estavam baseadas a adoção do novo canhão CMI Defense Cockerill Mk2 de 90 mm nacionalizado pela Engesa torre reprojetada, novos sistemas diretores de tiro, telêmetro laser e comunicação. Assim desta maneira no início de 1977, oito veículos da versão Cascavel MKI pertencentes aos Regimentos de Cavalaria Mecanizada, foram encaminhados a Engesa para servirem de protótipo a um processo de atualização para a versão MKIII. Inicialmente a primeira mudança básica foi a substituição da torre original pela nacional destinada a acomodar o novo canhao de 90 mm, nascendo assim o Modelo M2 Serie 3 o qual seriam convertidas cerca de 60 unidades. Ao longo dos anos de produção seriada, novos melhoramentos foram incorporados, gerando os veículos Modelo 2 Serie 7 em 1980 com 07 unidades recebidas, Modelo 6 nas séries 3, 4 e 5 com 37 unidades adquiridas e finalmente o modelo 7 nas séries 8 e 9 com 215 unidades recebidas. Em meados da década de 1980 relegaram os EE-9 do primeiro lote para atividades de treinamento nas unidades do Exército Brasileiro, sendo que as últimos carros foram retiradas do serviço ativo no início da década de 1990.

O Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil adquiriu também seis unidades em 1977, por mais de 20 anos estes carros apesar de  suas limitações relativas à mobilidade (por ser uma viatura sobre rodas), poder de fogo, forma essenciais para a tarefa de servir como embrião da mentalidade de utilização de carro de combate para a Marinha, em fins da década de 1990 os EE-9 Cascavel foram  substituídos por novos blindados sob lagartas Sk105A2S Kürassier, mais indicados para operações de desembarque anfíbio. No Exército foram empregados com sucesso também em missões de Paz (Contingentes da ONU), em Angola - UNAVEM III e Moçambique - ONUMOZ entre os anos de 1995 e 1997 sendo imersos em uma situação real de conflito de longa duração. Aplicado como equipamento padrão de todos os Esquadrões e Regimento de Cavalaria Blindados, os quase 25 anos de operação geraram um cenário de alto índice de indisponibilidade, principalmente devido a não realização de manutenções de grande porte devido a falência de seu fabricante em 1990. Para reverter este quadro em 2001 foi iniciado um grande programa de repotenciamento e modernização pelo Arsenal de Guerra de São Paulo (AGSP) visando envolver 213 dos carros em pior estado de conservação, envolvendo completa desmontagem dos veículos, revisão estrutural, retificação e substituição de componentes, melhorias nos motores Detroit Diesel 6V-53N 6 cilindros, com 212HP de potência, e a troca de canbagens e sistemas rádios obsoletos por outros mais modernos e confiáveis. Este processo gerou uma sobrevida ao modelo visando assim cobrir o gap para a introdução de uma versão armada do Iveco Guarani 6X6.
Em meados de 2015 o Centro Tecnológico do Exército, do Arsenal de Guerra de São Paulo decidiu em conjunto com a empresa privada Equitron, de São Carlos desenvolver um projeto radical de modernização para os EE-9, visando também almejar o mercado internacional onde muitas nações ainda empregam o modelo. Inicialmente foi contratado a modernização de dez carros com o primeiro protótipo designado EE-9U (MX8), sendo apresentado em novembro de 2016. Este programa contempla a instalação de um novo motor Mercedes Benz MTU de gerenciamento eletrônico, inclusão de transmissão automática ZF Alemã, nova suspensão tipo boomerang, freios a disco, cabine com ar-condicionado, controle de tração 6x6 e maior capacidade de estocagem da munição do canhão 90 mm, adoção de acessórios digitais óticos como câmeras e visores diurno-noturno e um designador laser de tiro, sistema de giro eletro-hidráulico da torre que foi reprojetada e elevação do canhão. Este projeto pode possibilitar também o novo carro a operar com misseis antitanque, melhorando em muito sua capacidade de combate, a ideia e estender a vida útil dos carros até pelo menos o ano de 2030.

Em Escala:

Para representarmos o EE-9 Cascavel MK III "EB 25291 ¨", fizemos uso de um modelo em resina de fabricação artesanal na escala 1/35, como se trata de um modelo rustico, tivemos de aplicar diversas correções em scratch e também proceder a inclusão de detalhamentos oriundos de outros modelos. Empregamos decais fabricados pela Decals e Books presentes no Set " Forças Armadas do Brasil ".
O esquema  de cores  ( FS ) descrito abaixo representa o  padrão de pintura empregado em todos os carros de reconhecimento médios Engesa Cascavel MKIII Exército Brasileiro, desde seu recebimento até os dias atuais.


Bibliografia : 

- Blindados no Brasil - Um Longo e Arduo Aprendizado - Volume I , por Expedito Carlos Stephani Bastos
- Blindados no Brasil - Um Longo e Arduo Aprendizado - Volume II, por Expedito Carlos Stephani Bastos
- Modernização do Cascavel Defesa Net - http://www.defesanet.com.br/guarani/noticia/25920/Modernizacao-do-Cascavel/
- EE-9 Cascavel Wikipedia - https://pt.wikipedia.org/wiki/EE-9_Cascavel