Flakpanzer Gepard 1A2 no Brasil

História e Desenvolvimento.
A origem da família carros de combate Leopard remonta ao período pós-guerra, onde a Alemanha então dividida a entre as forças do Pacto de Varsóvia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte OTAN, representava a linha de frente no conflito da Guerra Fria, região esta que vivia enorme tensão. Nesta época a Alemanha Ocidental permaneceu completamente desmilitarizada, sendo proibida pela regulamentação aliada de constituir instituições militares. No entanto a necessidade de criar e reforçar as defesas frente a constante ameaça soviética, levaria a constituição em 12 de novembro de 1955 de uma nova estrutura das forças armadas alemães quer seriam compostas pelo Deutsches Heer (Exército Alemão), Deutsche Marine (Marinha Alemã) e a Deutsche Luftwaffe (Força Aérea Alemã). Em termos e recursos as novas forças armadas seriam imediatamente equipadas com sistemas de armas de origem norte americana. No segmento de blindados, os carros de combate médios fornecidos eram os modelos americanos M-47 e M-48 Paton, veículos que mesmo modernos, que já se mostravam inadequados as ameaças apresentadas pelas forças blindadas do Pacto de Varsóvia. O atendimento desta necessidade se materializaria a partir de 1956 com o desenvolvimento de um novo carro de combate de produção nacional, estudos e concorrências culminaram no projeto foi batizado pelo Deutsches Heer como Leopard I, e se tornaria o primeiro Main Battle Tank (carro principal de combate) totalmente alemão, desenvolvido e produzido do período pós-guerra.

As primeiras unidades foram entregues as unidades do Exército Alemão entre  1965 e  1966, o êxito na operação gerou contratos de exportação de centenas de unidades da versão inicial para Bélgica, Holanda, Noruega, Itália, Dinamarca, Austrália, Canada, Turquia e Grécia. O sucesso operacional abriria caminho para versões especializadas derivadas da plataforma do Leopard, assim em  setembro de 1965, o Ministério da Defesa da  Alemanha Ocidental autorizou o desenvolvimento de uma versão de artilharia antiaérea do Tanque Principal de Batalha Leopard, cuja produção seriada começara 18 dias antes. Devendo substituir o veículo norte-americano M42 – armado com dois canhões Bofors M-2A1, de 40 mm,  – a nova viatura deveria ter canhões de 30 mm guiados por sistema digital de controle de fogo, a fim de engajar alvos aéreos em manobras evasivas; peso de combate de 45.500 kg e máxima compatibilidade com os componentes originais do Leopard. Dois consórcios – um formado pela Rheinmetall/AEG Telefunken/Porsche e outro pela Oerlikon-Contraves/Siemens-Albis – responderam à concorrência, com o primeiro propondo o conceito de “grupo de batalha” (composto por viaturas equipadas separadamente com dispositivos de vigilância/identificação e outras com radar de controle de fogo/canhões, ambos os tipos sendo liderados por um veículo de comando) enquanto que o outro sugeriu que todos esses itens fossem reunidos em um só veículo autônomo, armado com canhões de 35 mm, calibre rejeitado em 1962, por não ser padrão daquele Exército. 
As duas propostas foram analisadas entre 1966 e 1970, o desenvolvimento da primeira – também conhecida como “Matador” – sendo oficialmente interrompido em junho daquele ano, enquanto que o conceito rival foi aperfeiçoado: inicialmente recebeu o radar de vigilância Siemens MPDR 12 acoplado a um identificador de contatos aliados/hostis. As modificações incorporadas aos protótipos “5 PFZ-A” durante o desenvolvimento foram tão amplas que resultaram na “segunda geração” deles, designada “5 PFZ-B”: radar de vigilância com capacidades aperfeiçoadas de supressão de interferências e de discriminação de alcance; radar Doppler de rastreio de alvos; habitáculo soldado da torreta usando placas de blindagem espaçadas nas seções frontal, traseira e superior; instalação de geradores auxiliares para os canhões antiaéreos, localizados no paiol de munições do Leopard original, isolado do chassis por paredes blindadas com painel de acesso e extintor de incêndio próprios; nova localização das baterias; proteção ao longo da lateral superior esquerda do chassis, cobrindo a saída do motor auxiliar e absorvedores de choque nas porções 2 e 6 do braço de suspensão. Tais protótipos foram testados entre 1971 e 1974, servindo de base para 12 exemplares de pré-série, com mais modificações: aumento do casco em 80 mm; reposicionamento da torreta em 20 mm; instalação de 12 absorvedores de choque e lagartas mais compridas.

Finalmente, fevereiro de 1973 o Departamento de Munições do Ministério da Defesa alemão anunciou que o 5PFZ Tipo B seria encomendado e produzido para o Exército. A Krauss-Maffei AG (atual Krauss Maffei Wegman) seria a contratante principal, tendo como subcontratadas a Oerlikon-Contraves e Siemens AG. Além dos 20 exemplares de produção piloto, o contrato assinado em maio daquele ano cobria 122 outros da série B1, logo trocados por 195 outros do tipo B2 (com radar aperfeiçoado) e 225 B2L, com medidor de distância a laser, para alvos a até 5.100m. O Gepard pesa 47.5 toneladas, mede 7.68m de comprimento, 3.27m de largura e 3.29m de altura, (com a antena do radar de busca rebatida), possui velocidade máxima de 65 km/h e 550 km de alcance. O veículo possui dois motores: um MTU 838 Cam 500, multicombustível, de 10 cilindros, gerando 830 HP e outro auxiliar Daimler Benz OM 314, a diesel, gerando 90 HP para o acionamento dos canhões, complementado por dois geradores de 20 kVA cada. A sua blindagem tem apenas uma camada, com 70mm de espessura á frente, variando entre 20 e 30mm nas partes traseira e lateral. Os canhões KDA L/R04, pesando 562kg cada, medem 3.15 m, possuem cadência conjunta de 1.100 disparos/minuto, com os projéteis tendo velocidade inicial de 1.175m/segundo e alcance de 4 km. O projétil pesa 550 gramas, podendo ser dos tipos Alto Explosivo Incendiário (HEI), Perfurante de Blindagem Incendiário (API), além de traçante. Cada arma leva 320 munições antiaéreas (armazenadas no interior da torreta) e 20 projéteis perfurantes, estocados ao lado dos canhões. 
Ainda em 1973 o sistema foi designado oficialmente de “Gepard” e todos os exemplares foram entregues entre 1976 e 1980. Além da Alemanha, a Bélgica e a Holanda também adquiriram os Gepards, tendo operado 54 e 95 unidades, respectivamente. A partir de 1988, 206 dos Gepard alemães foram equipados com telêmetro e entre 1997 e 2000 147 deles foram submetidos a uma extensão de vida útil, a NDV, composta de novo computador digital, conexão com o sistema de defesa aérea e gerenciamento de batalha através de rádios SEM 93 e modificações para disparar munições do tipo HVFAPDS/FAPDS (Perfurante de Blindagem, Estabilizada por Aleta e Calço Descartável, de Alta Velocidade), com  até 1.400m/segundo de velocidade inicial, o que elevou o alcance e teto operacional dos canhões para 5000m e 3.500m respectivamente. O carro assim modificado foi designado Gepard 1A2, sendo previsto que permaneceria operacional até 2025. 

Emprego no Exército Brasileiro.
Desde o início de sua era moderna, o Exército Brasileiro nunca contou em suas fileiras com sistemas de defesa antiaérea autopropulsado, a necessidade sempre se fez presente levando a projetos de desenvolvimento nacional como os  M3A1 e Bernardini XM3D/E Viatura de Combate Anti Aéreo na década de 1970, ou ainda a  aquisição de sistemas de mísseis Roland II montados no veiculo sob esteiras alemão Marder 1A2, iniciativas estas que não lograram êxito em dotar o exército com um sistema defesa viável antiaérea com real capacidade de emprego em todo o território nacional. Os antigos e já obsoletos canhões antiaéreos americanos Boffors de 40mm, fornecidos durante a Segunda Guerra Mundial só seriam substituídos em 1977 com a aquisição do sistema suíço de artilharia antiaérea Oerlikon de 35 mm, que  posteriormente foram integrados com o sistema diretor de tiro de fabricação nacional EDT FILA, controlando os canhões de 40 mm C/70 Bofors e canhões Oerlikon 35 mm C/90. Este último sistema seria ainda complementado com aquisição de misseis terra ar de curto alcance do tipo Manpad (Man-Portable Air-Defense Systems) russos Igla S na década de 1990. Mesmos estas iniciativas recentes ainda não traziam ao Exército Brasileiro uma real capacidade de defesa de ponto antiaérea, se tornando o principal "Calcanhar de Aquiles" da força terrestre brasileira naquele período

Ao longo da primeira década do século XXI , o Ministério da Defesa e o Exército Brasileiro  conduziram  um amplo processo de transformação e modernização das suas estruturas, equipamentos e veículos de combate blindados. No que tange à modernização dos Produtos de Defesa (PRODE), a aquisição da Viatura Blindada de Combate Carro de Combate (VBCCC) LEOPARD 1A5 BR  a partir de 2006, dotou os Regimentos de Carro de Combate (RCC) com um meio moderno e de elevada capacidade de sobrevivência frente aos demais meios blindados existentes na América do Sul, naquele período. Entretanto, a modernização das unidades blindadas não contemplaria, inicialmente as Baterias Antiaéreas (Bia AAAe) orgânicas das Brigadas Blindadas, ficando estas a cargo somente do emprego dos misseis antiaéreos (AAe) portáteis IGLA, oque reduzia em muito sua capacidade de proteção contra ataques aéreos, principalmente de helicópteros de ataque. A partir de 2012 estudos referentes a proteção do espaço aéreo durante a realização de eventos internacionais de grande relevância, que o pais sediaria brevemente , levaria o comando do Exército Brasileiro a buscar alternativas para o atendimento desta demanda especifica. Desta maneira a Diretoria de Material do Exército Brasileiro, emitiria em âmbito internacional uma solicitação de informação (ou RFI) para estruturar a sua capacidade de defesa antiaérea de ponto.
Dentre as propostas enviadas por diversas empresas de renome internacional, análises detalhadas apontavam  como mais viável em termos operacionais e financeiros, programa oferecido pela  alemã Krauss-Maffei Wegmann. Esta proposta englobava o fornecimento de um lote de 36 unidades de seu blindado de defesa aérea Flakpanzer Gepard 1A2. A plataforma estava dotada de dois canhões Oerlikon de 35 mm e  um sofisticado sistema de radar de direção e tiro. Como principal vantagem destacava-se que o sistema era montado sobre um chassi do carros de combate  Leopard I, o que facilita a manutenção e operação , pois o Exército Brasileiro já estava familiarizado com a mecânica desse modelo, já que em 2011 recebeu um lote de 240 carros de combate Leopard 1A5, ja operando também desde a década de 1990, a versão anterior deste carro de combate alemão. Este contrato foi orçado em US$ 50 milhões, incluindo além dos veículos, simuladores, treinamento, sobressalentes e ferramental para manutenção. O primeiro lote com 10 carros do sistema Flakpanzer Gepard 1A2 chegou no Brasil no dia 17 de maio de 2013, sendo disponibilizados a tempo para uso do  Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (COMDABRA) para o emprego na defesa antiaérea das estruturas estratégicas do pais, participando do esquema de segurança durante a Copa da Confederações realizadas no mesmo ano, participando também da Copa do Mundo em 2014 e das Olimpíadas do Rio de Janeiro em 2016.

Os veículos restantes foram recebidos em diversos lotes entre os meses d maio de 2013 a setembro de 2014, totalizando 34 veículos operacionais e dois para instrução. A filial brasileira do fabricante a empresa Brasil Krauss-Maffei Wegmann, seria contratada pelo Ministério da Defesa para a implementação de  um programa de modernização das viaturas e simuladores, visando atualizar os sistemas sistema de tiro digital, visores termais estabilizados, data link a um centro de controle de defesa aérea/ monitoramento, sensores de velocidade da munição.  Este contrato previa ainda a realização de  revisões nos sistemas estruturais e mecânicos permitindo estender a vida útil do modelo até o ano de 2030. A primeira unidade modernizada do primeiro lote de oito carros contratados foi entregue em 9 de março de 2016. Em serviço no Exército Brasileiro os Flakpanzer Gepard 1A2 passaram a ser denominados como Veículo Blindado de Combate Antiaéreo (VBC AAe), sendo  distribuídos a Escola de Artilharia de Costa e Antiaérea , 11º Bateria de Artilharia Antiaérea Autopropulsada, 6º Brigada de Infantaria Blindada, 1º Brigada de Artilharia Antiaérea, 2º Grupo de Artilharia Antiaérea e 5ª Brigada Blindada. Nos dias 22 e 23 de junho de 2013, foram realizados no Centro de Avaliações do Exército, na restinga da Marambaia (RJ) os  primeiros tiros para testar o sistema, atuando contra alvos terrestres.
Apesar de muitas críticas internas do próprio Exército Brasileiro quanto a real efetividade de proteção contra as ameaças aéreas atuais , a aquisição do sistema Flakpanzer Gepard 1A2 veio a robustecer o sistema operacional de defesa antiaérea  para emprego em baixa altura até 3.000 metros. Com as unidades de blindadas brasileiras, recebendo proteção para suas operações em campo, com estes veículos sendo empregados  como parte orgânica das Brigadas Blindadas, as Baterias Antiaéreas Autopropulsadas (Bia AAAe AP) sendo compostas por quatro Seções de Artilharia Antiaérea (Seç AAAe), menor Unidade de Emprego de Artilharia Antiaérea (AAAe), sendo constituídas cada uma dessas Seções de Artilharia Antiaérea (Seç AAAe) por quatro Flakpanzer Gepard 1A2 . Cada veiculo deste é manuseado por um motorista e dois operadores, com seus canhões Oerlikon de 35 mm podendo disparar 1.100 tiros por minuto, com o alcance das armas atingindo 5 quilômetros de alcance.

Em Escala.
Para representarmos o Krauss Maffei Flakpanzer Gepard 1A2 em uso no Exército Brasileiro, empregamos o kit da Tamiya na escala 1/35, para compormos a versão brasileira, não há necessidade de se proceder qualquer alteração  em relação ao kit original. Não fizemos uso de decais para compor a marcações, pois até a presente data os Flakpanzer Gepard 1A2 do Exército Brasileiro não receberam qualquer tipo de identificação.
O esquema de cores descrito abaixo representa o padrão de pintura do Exército Alemão empregado em todos os veículos Flakpanzer Gepard 1A2 recebidos, sendo este esquema mantido apenas com a retirada das marcações e matriculas originais, salientando que até o presente momento não houve a implementação de mudanças, mesmo nos veículos modernizados.


Bibliografia :

- Gepard  - Wikipedia https://en.wikipedia.org/wiki/Flakpanzer_Gepard
- Blindados no Brasil - Um Longo e Árduo Aprendizado Volume II - Expedito Carlos Stephani Bastos
- Gepard 1A2 – Plano Brasil por Sergio Santana www.planobrazil.com