História e Desenvolvimento.
A trajetória da Westland Aircraft, uma das mais tradicionais empresas da indústria aeronáutica do Reino Unido, teve início em 1915, em pleno contexto da Primeira Guerra Mundial período marcado por acelerada evolução tecnológica e crescente demanda por meios aéreos militares. A empresa surgiu como uma divisão da Petters Limited, sediada em Yeovil, no condado de Somerset, especializada até então na produção de motores para a indústria metal-mecânica. Sua criação esteve diretamente associada à visão empreendedora dos irmãos William Petter, conhecido como “Teddy”, e Ernest Petter. Ainda em 1915, diante da crescente ameaça representada pelos submarinos alemães, o Almirantado Britânico contratou a recém-criada divisão para a produção de 12 unidades do Short Type 184 um biplano que se tornaria célebre por protagonizar o primeiro ataque aéreo bem-sucedido com torpedo contra um navio, durante a campanha dos Dardanelos. Em seguida, novos contratos foram firmados para a fabricação do Short Admiralty Type 166, reforçando o papel da empresa no esforço de guerra, especialmente em missões de patrulha marítima e reconhecimento no Canal da Mancha. O nome “Westland” surgiu de forma curiosa e quase afetiva, tendo sido sugerido por Agnes Petter, esposa de Teddy, durante a aquisição de um terreno em West Hendford, em Yeovil, destinado à expansão das instalações industriais. Com a intensificação do conflito e a crescente importância da aviação no campo de batalha tanto em missões de reconhecimento quanto em bombardeios e combates aéreos , a Westland ampliou significativamente sua capacidade produtiva. Entre 1916 e 1918, a empresa destacou-se pela fabricação sob licença de diversos modelos consagrados de outros fabricantes britânicos. Entre eles, o Sopwith 1½ Strutter, amplamente empregado na Frente Ocidental; os Airco DH.4 e Airco DH.9, projetados por Geoffrey de Havilland; o Airco DH.9A, versão aprimorada com propulsão norte-americana; e o Vickers Vimy, que posteriormente entraria para a história ao realizar o primeiro voo transatlântico sem escalas, em 1919. A produção desses modelos que totalizou mais de mil aeronaves proporcionou à Westland uma base sólida de conhecimento técnico e experiência industrial, permitindo à empresa dar seus primeiros passos como projetista independente. Em 1917, foi apresentado o Westland N.1B, desenvolvido para patrulhas navais, seguido, em 1918, pelos caças Westland Wagtail e o Weasel, que incorporavam lições aprendidas nos combates aéreos do conflito. Com o fim da guerra, marcado pelo Armistício de 1918, a indústria aeronáutica britânica enfrentou uma brusca retração na demanda militar. Muitas empresas encerraram suas atividades, mas a Westland demonstrou capacidade de adaptação ao redirecionar seus esforços para o emergente mercado civil, em um momento em que a aviação começava a se consolidar como meio de transporte e integração global. Nesse novo cenário, a empresa lançou aeronaves voltadas ao transporte e ao uso civil, como o Limousine, introduzido em 1920 para até quatro passageiros, e o Woodpigeon, de 1924, que se destacou em competições aéreas, incluindo a prestigiada Copa do Rei. Esses modelos simbolizaram a transição do fabricante para um novo ciclo de inovação, agora voltado não apenas ao campo militar, mas também ao desenvolvimento da aviação civil no período entre guerras.
Em 1926, a Real Força Aérea (RAF), lançou a especificação M.26/27, com o objetivo de substituir os então obsoletos treinadores Airco DH.9A. Nesse competitivo processo seletivo, a Westland Aircraft apresentou o modelo Wapiti, um biplano robusto equipado com o motor Bristol Jupiter. Após rigorosos ensaios conduzidos em Martlesham Heath, em maio de 1927, o modelo foi declarado vencedor, garantindo à empresa um expressivo contrato para a produção de aproximadamente 500 aeronaves um marco que consolidou sua posição na indústria aeronáutica britânica do período entre guerras. À medida que as tensões internacionais se intensificavam ao longo da década de 1930, particularmente com a ascensão do regime nazista na Alemanha, a empresa passou por uma importante reestruturação. Em 1935, sob a liderança de William Petter, a Petters Limited foi reorganizada, separando formalmente suas atividades: a produção de motores permaneceu com a Petter Engines, enquanto o segmento aeronáutico passou a operar de forma independente sob a denominação Westland Aircraft Ltd., com sede em Yeovil. Durante a Segunda Guerra Mundial, este fabricante desempenhou papel relevante no esforço industrial aliado, desenvolvendo e produzindo aeronaves de grande importância operacional. Entre elas, destacou-se o Whirlwind, notável por seu elevado desempenho e por ser um dos primeiros caças britanicos a empregar armamento pesado de canhão. Outro modelo emblemático foi o Lysander, amplamente utilizado em missões de infiltração e extração de agentes em territórios ocupados, especialmente na Europa continental. Entretanto, assim como ocorrera no conflito anterior, grande parte da contribuição da empresa concentrou-se na produção sob licença de aeronaves concebidas por outros fabricantes. Nesse contexto, merece destaque a fabricação em larga escala do Supermarine Spitfire, cuja produção foi intensificada após a destruição da fábrica da Supermarine, em Southampton, durante a Batalha da Inglaterra. Entre 1940 e 1945, esta companhia se tornaria o maior produtor individual do Spitfire, evidenciando sua capacidade industrial e importância estratégica. Adicionalmente, sua equipe de engenharia contribuiu para o desenvolvimento da versão navalizada do caça, o Seafire, adaptada para operações embarcadas na Marinha Real (RN). Com o término da guerra, a empresa identificou precocemente o potencial das aeronaves de asas rotativas, que emergiam como uma nova fronteira da aviação. Nesse contexto, buscou estabelecer parcerias internacionais para absorção de tecnologia. O primeiro passo nessa direção foi a celebração de um acordo com a Sikorsky Aircraft, visando à produção sob licença do helicóptero S-51, que no Reino Unido recebeu a designação Westland WS-51 Dragonfly. O protótipo realizou seu voo inaugural em maio de 1948 e, após um abrangente programa de ensaios, foi aprovado para produção em série. A partir de meados da década de 1950, o modelo consolidou-se como o principal helicóptero em operação nas forças armadas britânicas. Paralelamente, obteve expressivo sucesso no mercado civil, contribuindo para posicionar definitivamente este fabricante como uma das principais fabricantes aeronáuticas no período pós-guerra.

No início da década de 1950, a Westland Aircraft Ltd. consolidava-se como um dos principais pilares da indústria aeronáutica do Reino Unido, impulsionada, em grande medida, pelo êxito do helicóptero WS-51 Dragonfly. No segmento militar, contratos firmados com a a força aérea e a marinha britânica para missões de busca e salvamento (SAR) e transporte consolidaram a reputação da empresa como fornecedora confiável de aeronaves de asas rotativas. O sucesso operacional e comercial do Dragonfly incentivou a companhia a avançar em direção a projetos mais ambiciosos, vislumbrando o desenvolvimento de um helicóptero de maior porte e capacidade de carga, apto a competir em um mercado internacional em rápida expansão. Esse novo empreendimento exigiu um planejamento criterioso, envolvendo estudos de viabilidade econômica, projeções de mercado e análises técnicas voltadas à ampliação da carga útil estimada em até 1.500 kg. Entretanto, o desenvolvimento de uma aeronave dessa categoria implicava elevados custos, incluindo a construção de protótipos, o desenvolvimento de ferramental especializado, a criação de gabaritos de montagem e a realização de extensos programas de ensaios em voo um desafio considerável para a economia britânica ainda em processo de recuperação no pós-guerra. Diante desse cenário, optou-se por adotar uma estratégia pragmática e já comprovada: estabelecer um novo acordo de licenciamento com a Sikorsky Aircraft. O modelo selecionado foi o S-55, uma aeronave de médio porte equipada com motor radial Wright R-1300 com 600hp, capaz de transportar até oito passageiros ou cargas significativas. O S-55 já havia demonstrado sua eficácia em operações reais durante a Guerra da Coreia, particularmente em missões de evacuação aeromédica. Após negociações iniciadas em 1950, o acordo de licenciamento foi formalizado em março de 1951, concedendo à Westland exclusividade para fabricar e comercializar o modelo em território europeu. Além disso, a empresa assumiu a responsabilidade de adaptar o projeto às necessidades locais, desenvolver processos industriais próprios e implementar a produção em série. O primeiro protótipo britânico, designado WS-55 Whirlwind e registrado sob a matrícula G-AMJT, realizou seu voo inaugural em 23 de agosto de 1953, representando um importante marco tecnológico para a indústria aeronáutica britânica. Pouco tempo depois, a aeronave assegurou seu primeiro contrato militar com a Marinha Real (RN), sendo destinada a missões de busca e salvamento. As primeiras unidades, denominadas Whirlwind HAR.1, foram entregues em janeiro de 1954 ao 848º Esquadrão Aéreo Naval, sendo rapidamente embarcadas em navios como o HMS Perseus, onde passaram a operar em cenários reais, como a Emergência Malaia. Contudo, a experiência operacional inicial revelou limitações importantes. Os motores radiais Pratt & Whitney R-1340 Wasp, mostraram-se insuficientes para atender plenamente às exigências das operações navais, especialmente em missões de maior alcance e sob condições adversas. Diante dessas restrições, identificou-se a necessidade de aprimorar o desempenho da aeronave por meio da adoção de um sistema de propulsão mais potente. Esse processo culminou no desenvolvimento da versão Whirlwind HAR.3, equipada com o motor Wright R-1300-3 Cyclone 7, capaz de gerar aproximadamente 800 shp um incremento substancial em relação à versão anterior.
Esse incremento de potência refletiu-se diretamente no desempenho operacional da aeronave, permitindo maior capacidade de carga da ordem de 1.500 kg , melhor comportamento em operações em altitude e maior confiabilidade em ambientes tropicais, onde calor e umidade impunham severas limitações aos meios aéreos. O primeiro protótipo da versão Whirlwind HAR.3 realizou seu voo inaugural em 1955, e seus resultados satisfatórios levaram a Marinha Real (RN) a formalizar, no ano seguinte, um contrato para a produção de 35 unidades, destinadas a esquadrões como o 848º e o 845º Naval Air Squadron. Essas aeronaves foram rapidamente incorporadas a cenários operacionais reais, com destaque para sua atuação na Emergência Malaia, onde desempenharam missões críticas de evacuação de feridos em áreas de selva densa, e na Crise de Suez, apoiando operações anfíbias em Port Said. Em 1957, a Royal Air Force também aderiu ao modelo, encomendando 71 unidades para emprego em esquadrões de transporte e apoio, como o 22º e o 110º Squadron, operando em regiões estratégicas como Chipre e Quênia, frequentemente em missões de caráter humanitário. Apesar dos avanços, persistia a ambição de desenvolver uma variante dedicada à guerra antissubmarino (ASW), embora tal objetivo fosse inicialmente limitado pela capacidade dos motores disponíveis. Para superar essa restrição, adotou-se o motor Alvis Leonides Major 750/1, de 14 cilindros e cerca de 900 hp, o que possibilitou o surgimento de novas versões especializadas. Nesse contexto, emergiram o Whirlwind HAR.5, voltado a missões de transporte e busca e salvamento, e o Whirlwind HAS.7, considerado o primeiro helicóptero britânico concebido especificamente para operações de guerra antissubmarino. Esta última variante apresentava autonomia de patrulha de aproximadamente 334 milhas a uma velocidade média de 86 mph, podendo ser equipada com sonar de mergulho para detecção de submarinos, além de armamentos como torpedos e cargas de profundidade. Paralelamente, o fabricante já vislumbrava uma nova etapa evolutiva, baseada na incorporação de motores turboeixo tecnologia que permitia a obtenção de elevada potência a partir de conjuntos motopropulsores mais compactos e eficientes. Essa transição representaria uma mudança significativa no projeto de helicópteros. O passo seguinte materializou-se com o desenvolvimento do Whirlwind Série 3, concebido para superar as limitações das versões anteriores, especialmente em operações navais de maior complexidade, como missões ASW e SAR em alto-mar. A principal inovação foi a adoção do motor General Electric T58, posteriormente substituído pelo Bristol Siddeley Gnome, com potência de 1.000 hp. O modelo incorporava melhorias estruturais relevantes, como reforços na fuselagem para resistir à corrosão em ambiente marítimo, sistemas de flutuação para pousos de emergência no mar e aviônicos aprimorados, incluindo rádios VHF/UHF para comunicações de longo alcance. Paralelamente à produção de novas células, foi desenvolvido um programa de modernização, com a introdução de kits que ao serem aplicados às aeronaves HAR.5 e HAS, resultavam na designação HAR.9. Esse conjunto de evoluções ilustra não apenas o contínuo aperfeiçoamento técnico do modelo, mas também a capacidade da indústria aeronáutica britânica de adaptar-se às exigências operacionais, consolidando o helicóptero como elemento indispensável nas operações navais modernas.

A estreia operacional do Westland Whirlwind Série 3 ocorreu em 1953, quando as primeiras unidades foram destacadas para o No. 155 Squadron da Força Aérea Real (RN), então sediado em Kuala Lumpur, sendo posteriormente redistribuídas para bases em Ipoh e Butterworth, na Malásia. Nesse ambiente operacional desafiador, marcado por densa vegetação, relevo complexo e clima severo, a aeronave revelou-se um vetor essencial em missões de transporte de tropas, evacuação aeromédica (MEDEVAC) e reabastecimento de destacamentos isolados funções até então desempenhadas com limitações por aeronaves de asa fixa ou por meios terrestres. Durante as operações na selva malaia, no contexto da Emergência Malaia, o Whirlwind destacou-se por sua capacidade de operar em zonas de pouso restritas e frequentemente improvisadas, realizando extrações e entregas de suprimentos, muitas vezes sob fogo inimigo. Em diversas ocasiões, os helicópteros operavam a partir de clareiras abertas manualmente, transportando feridos em condições meteorológicas adversas cenário que evidenciava tanto a robustez da aeronave quanto o elevado nível de habilidade das tripulações. O desempenho consistente nessas missões consolidou a confiança no emprego do helicóptero como meio de mobilidade vertical, conceito que viria a transformar profundamente a doutrina militar nas décadas seguintes. Pela primeira vez, o Royal Air Force Far East Command pôde integrar de forma sistemática helicópteros às operações terrestres, estabelecendo um modelo operacional que influenciaria futuras doutrinas da OTAN. O sucesso obtido na Malásia impulsionou a expansão do emprego do Whirlwind para outros teatros operacionais, incluindo o Chipre (1955–1959), o Quênia (1953–1955) e, posteriormente, a Crise de Suez, onde a aeronave participou da Operação Musketeer seu primeiro grande emprego em uma operação aerotransportada de caráter convencional. Produzida entre 1953 e 1966, a família Westland Whirlwind totalizou aproximadamente 400 células, sendo amplamente utilizada pela Força Aérea Real (RAF), que operou cerca de treze esquadrões equipados com o modelo, e pela Marinha Real (RN), que empregou a aeronave em aproximadamente vinte e dois esquadrões. Ao longo de sua evolução, foram desenvolvidas cerca de quinze variantes militares, incluindo os modelos Whirlwind HAS.7 e Whirlwind HAS.22, destinados a missões de guerra antissubmarino (ASW), podendo ser equipados com torpedos Mk 44 ou Mk 46, além de cargas de profundidade. Entretanto, foi no campo das missões de busca e salvamento (SAR) que o modelo alcançou maior notoriedade. A versão Whirlwind HAR.10, com 89 unidades empregadas em quatro esquadrões especializados da Força Aérea Real (RAF) tornou-se referência nesse tipo de operação, destacando-se pela confiabilidade e eficiência em cenários críticos. As últimas aeronaves da família foram retiradas do serviço ativo em meados de 1982, encerrando uma longa e bem-sucedida carreira operacional. Além do Reino Unido, o Whirlwind também foi operado por diversas nações, incluindo Brasil, Áustria, Brunei, França, Gana, Irã, Itália, Kuwait, Nigéria, Catar e Iugoslávia, consolidando sua relevância como um dos helicópteros mais versáteis e influentes de sua geração.
Emprego na Marinha do Brasil.
O advento da operação de aeronaves de asas rotativas para fins militares no Brasil representou um marco decisivo no processo de modernização das Forças Armadas, inserindo o país em uma tendência global de valorização do potencial estratégico dos helicópteros ao longo da década de 1950. Esse movimento teve início com a aquisição, pela Força Aérea Brasileira (FAB), de quatro unidades do Bell 47D1 designado militarmente como H-13D na primeira metade da década. Produzidas pela Bell Helicopter Company, essas aeronaves destacaram-se por sua versatilidade e confiabilidade, características já amplamente comprovadas em operações durante a Guerra da Coreia (1950–1953). O êxito operacional dessas aeronaves no âmbito da aeronáutica rapidamente despertou o interesse da Marinha do Brasil, que, desde o término da Segunda Guerra Mundial, em 1945, buscava reestruturar e revitalizar sua aviação naval. Tal iniciativa, entretanto, enfrentava limitações decorrentes da criação do Ministério da Aeronáutica, que havia centralizado as operações aéreas militares no país sob responsabilidade da Aeronáutica, restringindo, por conseguinte, a atuação das demais forças nesse domínio. Ciente das transformações em curso no cenário internacional e do impacto operacional proporcionado pelos helicópteros, a Marinha do Brasil iniciou um processo gradual e estratégico de reconstrução de sua capacidade aeronaval. Um passo fundamental nesse sentido ocorreu em 1952, com a criação da Diretoria de Aeronáutica da Marinha (DAerM), órgão responsável por estabelecer as bases doutrinárias e organizacionais para o emprego de aeronaves no ambiente naval. Assim esta diretoria assumiu a missão de estruturar o futuro braço aeronaval da Marinha do Brasil, delineando diretrizes para a utilização de helicópteros em missões de reconhecimento, transporte, apoio logístico e operações embarcadas, em consonância com práticas já adotadas por potências navais, como os Estados Unidos. Como desdobramento desse esforço, em 1955 foi criado o Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval (CIAAN), instalado no quilômetro 11 da Avenida Brasil, na cidade do Rio de Janeiro. Concebido como o núcleo formador da aviação naval brasileira, esta organização passou a concentrar a capacitação de pilotos, mecânicos e demais especialistas, constituindo-se no principal polo de desenvolvimento técnico e operacional da força aeronaval nascente. Sua criação representou um passo essencial para a consolidação de uma doutrina própria e para a formação de recursos humanos qualificados. O processo de modernização ganhou novo impulso em 1957, com a aquisição de 03 unidades do Bell 47J. Essa incorporação foi viabilizada por meio da Missão Naval Americana, no âmbito dos acordos de cooperação militar entre Brasil e Estados Unidos, que facilitaram não apenas a obtenção de equipamentos, mas também a transferência de conhecimento técnico e doutrinário. Ao traçar os planos de equipamento da recém ressuscitada Aviação Naval, as altas autoridades prontamente identificaram a necessidade de dispor de um helicóptero de maior porte do que os Bell 47 e os WS-51 em uso. Em face do cenário em que se deu o ressurgimento da Aviação Naval, agravado ainda pelo reduzidíssimo orçamento destinado à aquisição de material aeronáutico, as alternativas existentes eram bastante restritas.
Estudos seriam conduzidos junto ao adido militar naval em Washington nos Estados Unidos, visando a aquisição de aeronaves junto aquele governo, com preferência ao modelo Sikorsky S-55, que vinham ). No entanto, em vista da relação existente entre a Marinha do Brasil e a Westland, bem como o considerável prestígio pelo almirantado britânico durante as etapas de modernização do Navio-Aeródromo Ligeiro Minas Gerais, foi possível à Comissão Fiscal de Construção de Navios na Europa (CECNFE) acertar a aquisição de 03 helicópteros WS-55 Whirlwind Series 1, com a primeiro sendo entregue em outubro de 1960. Estas aeronaves foram entregues numa configuração que permitia o transporte de 10 soldados ou a instalação de seis macas, dispondo ainda de guincho igual àquele instalado nos seus pares militares do Reino Unido. Nesse mesmo período, o Minas Gerais (A-11) ainda se encontrava na Inglaterra, em fase final de provas de aceitação, operando com um grupo aéreo embarcado da Marinha Real (RN). Esse contexto proporcionou uma oportunidade singular para o desenvolvimento inicial da Aviação Naval brasileira. Em 19 de outubro de 1960, a Aviação Naval alcançou um marco histórico com a realização do primeiro pouso de um helicóptero a bordo de um porta aviões. Posteriormente, em 4 de novembro do mesmo ano, após a conclusão dos ensaios e aprovação para recebimento, duas outras aeronaves WS-55 juntaram-se ao primeiro exemplar, completando um grupo inicial de três helicópteros. No início de dezembro de 1960, essas aeronaves foram transferidas em voo para Rotterdam, nos Países Baixos, onde foram embarcadas no próprio NAeL Minas Gerais, que então se preparava para sua viagem inaugural ao Brasil. Designadas pela Marinha como HU-2W, essas aeronaves ficaram inicialmente subordinadas ao Destacamento Aéreo Embarcado. Com a criação do 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (EsqudHU-1), formalizada por aviso ministerial em junho de 1961, os helicópteros foram transferidos para a nova unidade, que passaria a concentrar as operações de asas rotativas da Aviação Naval. A incorporação destes representou um avanço significativo, ampliando consideravelmente o espectro de missões possíveis, sobretudo em função de sua maior capacidade de transporte e autonomia de voo em comparação aos helicópteros anteriormente operados. Em 1963, 02 aeronaves adicionais da mesma versão foram incorporadas, com o objetivo de recompor perdas operacionais e manter a disponibilidade da frota. Entretanto, na segunda metade da década de 1960, o comando da Aviação Naval passou a enfrentar crescentes dificuldades na operação de seus helicópteros mais antigos, em especial os HU-2W. Desde sua entrada em serviço, observou-se que o desempenho dessas aeronaves no Brasil não correspondia aos parâmetros verificados na Europa. Tal limitação estava diretamente associada ao motor radial Pratt & Whitney Wasp R-1340, cujo desempenho era significativamente afetado pelas elevadas temperaturas do clima tropical. Diante desse cenário, o fabricante. propôs a remotorização das células remanescentes com o motor Alvis Leonides Major, capaz de gerar aproximadamente 750 shp um incremento de cerca de 150 shp em relação ao motor original solução já adotada em aeronaves equivalentes em serviço no Reino Unido.

Contudo, restrições orçamentárias e fatores técnicos adicionais impediram a implementação dessa modernização. A questão voltaria à pauta no final de 1965, quando estudos conduzidos pelo Estado-Maior da Armada, em cooperação com a Diretoria de Aeronáutica da Marinha (DAerM), passaram a enfatizar a necessidade de transformar a Aviação Naval em uma força equipada exclusivamente com aeronaves de asas rotativas dotadas de motores turboeixo, mais adequadas às exigências operacionais e às condições ambientais brasileiras. Apesar das ambições que norteavam esse processo de modernização, a realidade orçamentária do país na década de 1960 impôs severas limitações à concretização desses planos. As análises técnicas e financeiras realizadas à época evidenciavam que a renovação do parque aeronáutico naval seria, inevitavelmente, um empreendimento de longo prazo, em função das recorrentes restrições de verbas enfrentadas pelo Ministério da Marinha. Ainda assim, em 1966, um passo decisivo foi dado quando a Westland Aircraft Ltd. apresentou uma proposta formal para o fornecimento de helicópteros do modelo Whirlwind Série 3, com custo unitário de US$ 253.100,00. Após intensas negociações bilaterais, firmou-se um contrato para a aquisição de 03 aeronaves novas de fábrica, complementado por um acordo adicional que previa a modernização e modificação dos dois últimos Whirlwind Série 1 (HU-2W) ainda em serviço ativo na Aviação Naval, ao custo de US$ 156.800,00 por unidade. Os três novos helicópteros foram transportados ao Brasil a bordo de navios da própria Marinha do Brasil e recebidos oficialmente no final de 1966. Inicialmente designados como SH-3 nomenclatura posteriormente ajustada para evitar confusão com outras designações internacionais , foram em seguida redesignados como UH-5, sendo incorporados ao 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral, sediado na Base Aeronaval de São Pedro da Aldeia, no estado do Rio de Janeiro. De acordo com o planejamento operacional, os UH-5 foram destinados prioritariamente às missões de transporte de carga e pessoal, além de operações embarcadas a bordo do NAeL Minas Gerais A-11. O batismo operacional dessas aeronaves ocorreu no final de fevereiro de 1967, quando um dos Whirlwind UH-5 foi embarcado no Minas Gerais, permanecendo a bordo por dezoito dias consecutivos como parte do Destacamento Aéreo Embarcado. Paralelamente, as duas outras aeronaves recém-incorporadas foram empregadas em missões humanitárias no então Estado da Guanabara, em resposta às severas enchentes que atingiram a região naquele ano. Nessas operações, os helicópteros da Marinha destacaram-se pela agilidade e eficiência no transporte de suprimentos e na evacuação de vítimas, evidenciando, já em seus primeiros meses de emprego, a relevância estratégica e social do HU-1. Com a intensificação do uso operacional, tornou-se rapidamente evidente para os pilotos do esquadrão que os Westland Whirlwind UH-5 carinhosamente apelidados de “Vaca” superavam de forma significativa seus antecessores da Série 1, tanto em desempenho quanto em confiabilidade e capacidade de carga.
A comprovada superioridade técnica e operacional dos Westland Whirlwind UH-5 possibilitou à Aviação Naval brasileira expandir de forma significativa seu espectro de atuação, consolidando-se como um instrumento multifuncional no âmbito da doutrina aeronaval. Essas aeronaves passaram a desempenhar uma ampla gama de missões, incluindo transporte de tropas e materiais, busca e salvamento (SAR) e apoio direto às operações anfíbias conduzidas pelo Corpo de Fuzileiros Navais (CFN). No contexto das operações anfíbias, os UH-5 destacaram-se por sua notável versatilidade, sendo capazes de realizar o desembarque de até dez militares completamente equipados capacidade que ampliou substancialmente o poder de projeção da Marinha do Brasil. Em exercícios de maior envergadura, como a Operação Dragão, voltados ao adestramento do CFN e à integração dos diversos meios navais e aéreos da Força, a presença dos Whirlwind UH-5 tornou-se constante e indispensável. Sob a responsabilidade do 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (EsqudHU-1) tradicionalmente conhecido como “Esquadrão Águia” , essas aeronaves desempenhavam papéis cruciais em cenários táticos complexos, seja no transporte de efetivos, no apoio logístico ou na evacuação aeromédica. A confiança depositada nos UH-5 consolidou-se não apenas por sua robustez estrutural, mas também pela segurança e precisão demonstradas em ambientes operacionais adversos. Além das missões militares e de treinamento, a expressiva capacidade de carga e o alcance operacional dos Whirlwind UH-5 levaram a Aviação Naval a empregá-los também em apoio a outras atividades estratégicas, como aquelas conduzidas pela Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN). Embora não operassem diretamente a partir dos conveses reduzidos das embarcações hidrográficas, sua capacidade de içamento e transporte de cargas externas revelou-se particularmente valiosa, permitindo o deslocamento de equipamentos e suprimentos para áreas remotas ou de difícil acesso. Entretanto, foi no campo humanitário que os UH-5 “Vaca” alcançaram maior visibilidade junto à sociedade brasileira. Empregados com frequência em missões de busca e salvamento e em operações de apoio a populações atingidas por desastres naturais, esses helicópteros tornaram-se sinônimo de eficiência, prontidão e solidariedade. Suas operações não se limitaram ao estado do Rio de Janeiro, sede do HU-1, estendendo-se frequentemente a outras regiões do país, como Santa Catarina e Espírito Santo, onde desempenharam papel decisivo em ações de resgate e assistência emergencial. Todavia, o elevado ritmo operacional e a complexidade das missões implicaram riscos significativos. O primeiro acidente grave ocorreu em julho de 1967, quando uma das aeronaves foi perdida durante uma operação de guarda aérea embarcada a bordo do NAeL Minas Gerais (A-11). Apesar desse revés, a capacidade do esquadrão foi recomposta no ano seguinte, com a incorporação de duas novas células Whirlwind Série 3, elevando a dotação do HU-1 para 04 aeronaves operacionais.

O programa de modernização, que previa o envio das duas células remanescentes do modelo HU-2W à fabricante britânica para atualização, foi concluído em 1969, resultando na entrega de mais dois helicópteros UH-5 à Aviação Naval. Assim, entre 1969 e 1971, o 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (HU-1) atingiu seu auge operacional, dispondo de seis aeronaves UH-5 plenamente ativas. Durante a década de 1970, contudo, o intenso emprego e o desgaste natural decorrente das operações levaram a novas perdas. Em 1971, um UH-5 afundou após uma amerissagem forçada na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Outro acidente foi registrado em 1974, no estado de Santa Catarina, e um terceiro ocorreu nas proximidades da Base Aeronaval de São Pedro da Aldeia, após uma falha súbita de motor. No início de 1975, , restavam apenas três aeronaves UH-5 em condições plenas de operação. Essa limitação refletia o desgaste natural de uma frota que, desde o final da década de 1960, vinha sendo empregada de forma intensiva em missões navais, humanitárias e de treinamento. A situação agravou-se ainda mais em abril daquele mesmo ano, quando um dos helicópteros sofreu um acidente de média gravidade nas proximidades da cidade de Vitória (ES). Embora os danos na célula permitissem uma eventual recuperação, considerações de ordem econômica levaram à decisão de alienar a aeronave, destinando-a à venda como sucata para reaproveitamento de material metálico. Esse episódio reduziu drasticamente a capacidade operacional do esquadrão, que passou a manter apenas duas aeronaves em condições de voo, comprometendo a execução regular de missões. Diante desse quadro, o emprego dos Whirlwind tornou-se cada vez mais restrito, limitando-se a voos de instrução e apoio eventual até o início de 1982, quando os últimos exemplares remanescentes foram oficialmente retirados do serviço ativo. Apesar do encerramento de sua carreira militar, o ciclo operacional destas aeronaves no Brasil ainda teria um breve epílogo no setor civil. No ano seguinte, 1983, os dois UH-5 foram revisados, certificados para o voo e posteriormente alienados, sendo adquiridos pela empresa Táxi Aéreo Curitiba, onde receberam os prefixos PT-HQK e PT-HQL. Essas aeronaves foram empregadas em missões de transporte e apoio logístico, principalmente na região Sudeste, mas sua trajetória civil seria breve. Em 1984, o PT-HQK foi perdido em um acidente, resultando na perda total da célula. O exemplar remanescente, PT-HQL, continuou em operação até 1986, quando foi definitivamente desativado. Felizmente, a história reservaria um destino mais digno para essa última aeronave. Reconhecendo seu valor histórico como símbolo da introdução do helicóptero moderno na Aviação Naval Brasileira, o Ministério da Marinha promoveu sua recompra, destinando-a à preservação museológica. Após um cuidadoso processo de restauração, o Whirlwind foi incorporado ao acervo do Museu da Aviação Naval, sendo posteriormente instalado em exposição permanente na Base Aeronaval de São Pedro da Aldeia
Em Escala.
Infelizmente não existe no mercado um kit injetado para o helicóptero Westland Whirlwind Série 3, nos obrigando a fazer uso como base de partida de um modelo em Die Cast na escala 1/72 pertencente a versão HAR.10 de busca e salvamento da Força Aérea Real (Royal Air Force), produzido pela AmerCom Hobby. Para representarmos o Westland Whirlwind UH-5 “N-7026”, procedemos pequenas alterações e inclusão de detalhamentos em scratch build. Fizemos uso de decais avulsos retirados de diversos sets confeccionados pela FCM Decais.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o ultimo padrão de pintura empregado pelos Westland Whirlwind UH-5 Vaca nos anos finais de sua carreira, deferindo do esquema original em que foram recebidos em 1966 pela aplicação de marcações de alta visibilidade em vermelho que após intenso uso foram desbotando até aparentar uma coloração alaranjada.
Bibliografia :
- Westland Whirlwind – Wikipedia https://en.wikipedia.org/wiki/Westland_Whirlwind_(helicopter)
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 por Jackson Flores
- 100 anos da Aviação Naval – Marinha do Brasil
- Asas sob os Mares Aviação Naval , Prof Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br





