Marder 1A2 SAM Roland II (VBC L Msl)

História e Desenvolvimento. 
Durante a Segunda Guerra Mundial, a indústria alemã destacou-se como uma das mais avançadas do mundo, mantendo-se na vanguarda do desenvolvimento tecnológico militar. Ao longo do conflito, foram concebidos e produzidos diversos modelos de carros de combate conhecidos como Panzer ou Panzerkampfwagen. Esses blindados, operando em conjunto com veículos especializados de reconhecimento etransporte de tropas, constituíram o principal instrumento da doutrina Blitzkrieg ("Guerra Relâmpago").  Com o término do conflito  a Alemanha foi submetida a um rigoroso processo de desmilitarização. Na porção ocidental do país, posteriormente constituída como República Federal da Alemanha, foi inicialmente vedada a criação de forças armadas próprias, mesmo para fins de autodefesa. Paralelamente, a poderosa indústria alemã, que durante a guerra havia desempenhado papel fundamental no esforço militar, foi redirecionada para a produção civil, contribuindo para a reconstrução econômica do país. Entretanto, a rápida deterioração das relações entre as potências ocidentais e a União Soviética transformou o território alemão em um dos principais pontos de tensão da nascente Guerra Fria. Localizada na linha de contato entre os países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e as nações integrantes do Pacto de Varsóvia, passou a desempenhar papel estratégico fundamental na defesa da Europa. Diante da crescente ameaça representada pelo poderio militar soviético, os governos  passaram a reconsiderar a política de desmilitarização . Tornava-se evidente a necessidade de fortalecer as defesas da região, o que levou à autorização para a recriação das forças armadas da República Federal da Alemanha. Assim, em  novembro de 1955, foram oficialmente estabelecidas as bases legais para a formação   estrutura militar alemã, composta pelo Deutsches Heer (Exército), pela Deutsche Marine (Marinha) e pela Deutsche Luftwaffe (Força Aérea). Imediatamente após foi iniciado um amplo programa de reequipamento , conduzido em estreita cooperação com os Estados Unidos, o exército receberia carros de combate dos modelos  M-41, M-47 e M-48.  Embora esses veículos representassem uma solução rápida e eficaz para a reconstrução das capacidades, logo se tornou evidente que apresentavam limitações diante dos modernos T-44, T-54, T-55, que equipavam as forças do Pacto de Varsóvia, que demonstravam desempenho superior  especialmente em poder de fogo e proteção. Naquele momento, entretanto, ainda não existia no Ocidente um carro de combate de nova geração capaz de atender plenamente às exigências impostas pelo novo cenário estratégico europeu. Embora programas promissores estivessem em desenvolvimento, como o norte-americano T-95, nenhum deles encontrava-se suficientemente maduro para entrar em produção em curto prazo. Essa realidade levou o governo alemão a retomar gradualmente sua capacidade de desenvolvimento no setor de defesa. A partir do final da década de 1950, foram iniciados diversos estudos destinados à criação de uma nova geração de veículos blindados, abrangendo carros de combate, viaturas de transporte de tropas e veículos especializados de apoio. Esses programas representariam o renascimento da indústria blindada alemã e lançariam as bases para o desenvolvimento de veículos blindados que, nas décadas seguintes, se tornaria referência mundial.

O foco inicial desse esforço de reconstrução da indústria de defesa concentrou-se no desenvolvimento de um novo Main Battle Tank (MBT), cujas especificações começaram a ser definidas em 1956. A filosofia de projeto adotada pelos planejadores alemães privilegiava a mobilidade e a capacidade de sobrevivência no campo de batalha.  Após anos de desenvolvimento, testes e aperfeiçoamentos, o novo carro de combate foi oficialmente adotado pelo Exército Alemão (Deutsches Heer) sob a designação Leopard 1, com os primeiro sendo entregues em meados de 1965. Seus excelentes resultados levariam a adoção pela Itália, Bélgica, Países Baixos, Noruega, Dinamarca, Austrália, Canadá, Turquia e Grécia, O êxito alcançado pelo programa  levou o governo alemão a direcionar novos investimentos para a modernização de suas forças mecanizadas. Ao final da década de 1960, tornou-se evidente a necessidade de desenvolver um veículo blindado de nova geração destinado ao transporte e apoio de tropas mecanizadas, capaz de acompanhar os Leopard 1 nas operações de combate. Paralelamente, buscava-se criar uma plataforma que pudesse servir de base para futuras variantes especializadas de apoio, engenharia e comando, ampliando a padronização logística.   Os estudos para esse novo veículo haviam sido iniciados ainda no final da década de 1950, resultando na formação de um consórcio industrial envolvendo empresas alemãs e a fabricante suíça Mowag Motorwagenfabrik AG. Entre os principais participantes encontravam-se a Rheinstahl-Hanomag, Ruhrstahl, Witten-Annen e o escritório de projetos Büro Warnecke, que atuariam em estreita cooperação durante as fases iniciais do desenvolvimento. Com a definição dos requisitos operacionais, foi firmado um contrato para a construção dos primeiros protótipos do futuro veículo de combate de infantaria. As viaturas experimentais foram submetidas a extensivos programas de ensaios e avaliações de campo ao longo da primeira metade da década de 1960. Os resultados obtidos permitiram identificar diversos aspectos passíveis de aperfeiçoamento, levando à implementação de importantes modificações estruturais, mecânicas e ergonômicas. O processo evolutivo prosseguiu ao longo dos anos seguintes, culminando na encomenda de uma nova série de veículos de pré-produção destinados à validação das melhorias incorporadas ao projeto.  Nessa fase, a liderança do programa passou gradualmente para a empresa Henschel Werke, que manteve a colaboração com a empresa suíça Mowag Motorwagenfabrik AG e outros parceiros industriais envolvidos no desenvolvimento. Os novos veículos de avaliação começaram a ser entregues ao Exército Alemão (Deutsches Heer) em outubro de 1968, sendo imediatamente empregados em uma nova etapa de testes operacionais. As experiências obtidas durante esse período permitiram a realização dos últimos ajustes necessários antes da aprovação definitiva do projeto. Finalmente, em maio de 1969, o novo veículo recebeu oficialmente a designação Marder  palavra alemã utilizada para designar o mamífero conhecido como marta. Pouco depois, o projeto foi aprovado para produção em série, iniciando uma trajetória que transformaria o Marder em um dos veículos de combate de infantaria mais bem-sucedidos e longevos da história militar contemporânea, permanecendo em serviço por mais de cinco décadas. 
A versão inicial de produção do Marder 1 apresentava um projeto robusto e relativamente convencional para os padrões dos veículos de combate de infantaria da época. Seu arranjo interno foi concebido para maximizar a proteção da tripulação e a capacidade de transporte de tropas, mantendo elevados níveis de mobilidade tática. O posto do motorista encontrava-se localizado na parte frontal esquerda do casco, enquanto o compartimento do motor era instalado à sua direita, configuração que permitia a acomodação do compartimento de combate e da seção de transporte de tropas na porção central e traseira do veículo. O conjunto motopropulsor era composto pelo motor diesel MTU MB 833 Ea-500, de seis cilindros em configuração V e refrigeração líquida, capaz de desenvolver aproximadamente 600 hp (441 kW) a 2.200 rpm. Os radiadores do sistema de arrefecimento estavam posicionados na parte posterior do casco, em ambos os lados da rampa de desembarque. O motor era associado à transmissão automática Renk HSWL 194, incorporando ainda um avançado sistema hidrostático de direção e frenagem que transmitia potência às rodas motrizes instaladas na parte dianteira do veículo. A capacidade interna de combustível atingia 652 litros. Graças à eficiente relação entre potência e peso, apresentava excelente mobilidade para sua categoria. Nas versões posteriores, a velocidade máxima podia alcançar 75 km/h em rodovias, embora a instalação de módulos adicionais de blindagem reduzisse esse desempenho para cerca de 65 km/h. A proteção do veículo era garantida por um casco inteiramente construído em chapas de aço soldado, concebido para oferecer resistência contra estilhaços de artilharia, fragmentos de munição e disparos de armas automáticas de médio calibre. Em termos de  autodefesa, era equipado com uma metralhadora MG3 de calibre 7,62 mm . Além disso, podia receber equipamentos específicos de proteção NBQ (Nuclear, Biológica e Química), permitindo sua operação em ambientes contaminados. O compartimento de transporte possuía capacidade para acomodar até 10 soldados totalmente equipados, além dos membros da tripulação. O embarque e desembarque eram realizados por meio de uma ampla rampa traseira acionada hidraulicamente, complementada por escotilhas localizadas na parte superior. A mobilidade fora de estrada também constituía um dos pontos fortes do projeto. O Marder era capaz de transpor, sem preparação prévia, cursos d'água com profundidade de até 1,5 metro. Mediante a instalação de equipamentos específicos de preparação para vau profundo, essa capacidade podia ser ampliada para aproximadamente 2,5 metros. Com o desenvolvimento do final do projeto, em outubro de 1969 seriam celebrados contratos de produção com a Rheinstahl-Hanomag, Thyssen-Henschel e Krupp MaK.  Em 7 de maio de 1971, os primeiros exemplares de série do Marder 1 foram oficialmente entregues, passando a equipar os batalhões de infantaria mecanizada (Panzergrenadier), tornando-se um dos pilares da doutrina de combate combinada da Bundeswehr. Operando em estreita cooperação com os carros de combate Leopard 1, o Marder proporcionava proteção, mobilidade e poder de fogo às tropas embarcadas, consolidando uma capacidade mecanizada que se tornaria uma das mais respeitadas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) durante a Guerra Fria.

Sua produção seria ampliada, e até meados da década de 1970, aproximadamente 2.400 veículos haviam sido entregues ao Exército Alemão (Deutsches Heer), consolidando o modelo como o principal veículo de combate de infantaria. Neste período os  carros de combate soviéticos passavam a apresentar níveis maiores de proteção blindada, tornando-se evidente a necessidade de ampliar sua capacidade anticarro. Neste  momento seria aplicada a integração de mísseis anticarro MILAN (Missile d'Infanterie Léger Antichar), com os testes de campo se mostrando promissores, demonstrando  ampliação da capacidade de engajamento de alvos a médias distâncias.  A partir de 1977 este sistema seria instalado em toda a frota, proporcionando às unidades Panzergrenadier. Em 1979 surgiu uma das mais importantes variantes o Marder 1A1, que incorporava melhorias destinadas a elevar sua eficácia operacional. Seu armamento principal era composto pelo canhão automático Rheinmetall MK 20 Rh202 de 20 mm, instalado em uma torre bipessoal totalmente giratória. Essa arma permitia o emprego de diferentes tipos de munição. Montada coaxialmente ao canhão encontrava-se uma metralhadora MG3 de calibre 7,62 mm, destinada ao engajamento de alvos de oportunidade e apoio aproximado à infantaria. Transportava cerca de 1.250 munições para o canhão de 20 mm e aproximadamente 5.000 cartuchos para a metralhadora.  A torre possuía capacidade de rotação de 360 graus, com elevação variando entre -17° e +65°, permitindo o engajamento eficaz de alvos terrestres e, em determinadas circunstâncias, aeronaves voando em baixa altitude. As versões posteriores incorporaram ainda uma segunda metralhadora MG3 instalada na parte traseira da torre, ampliando a capacidade de autodefesa e cobertura do setor posterior do veículo. Ao longo da década de 1980, diversos programas de modernização deram origem às variantes Marder 1A1(+), 1A1(-) e 1A1A, que receberam melhorias nos sistemas de observação, visão noturna, aquisição de alvos e alimentação de munição do canhão principal. Neste processo passou-se a estudar a utilização dessa plataforma como base para um sistema móvel de defesa antiaérea destinado a acompanhar as unidades blindadas e mecanizadas em operações de combate.  Diversas alternativas foram avaliadas, com  a opção recaindo sobre o sistema de mísseis superfície-ar de curto alcance Roland II, desenvolvido conjuntamente por França e Alemanha. O programa do míssil foi iniciado em 1963 entre as empresas Nord Aviation e Bölkow Entwicklungen KG, nascendo o consorcio Euromissile.  O primeiro lançamento guiado de um protótipo do Roland ocorreu em junho de 1968, quando um drone-alvo Nord Aviation CT-20 foi interceptado com sucesso.  Seria então instalado sobre um chassi  Marder 1A1, dando origem sistema autopropulsado de defesa antiaérea FlaRakPz 1 Roland. Essa configuração combinava a  mobilidade do veículo  com a capacidade de detectar, acompanhar e engajar aeronaves e helicópteros em baixa altitude, permitindo que acompanhasse os agrupamentos blindados durante operações ofensivas e defensivas. Entraria em serviço no início da década de 1980, tornando-se um dos principais meios de defesa antiaérea de curto alcance das forças terrestres alemãs. Apesar de suas capacidades avançadas para a época, o programa Roland enfrentou dificuldades comerciais ao longo de sua trajetória, sendo exportado somente para os Estados Unidos, Espanha, Brasil, Venezuela, Iraque, Catar e Nigéria.
Entre 1984 e 1991, toda a frota de veículos Marder em serviço no Exército Alemão (Deutsches Heer) passou por um novo  programa de modernização, culminando na introdução da configuração Marder 1A2. Essa variante incorporou importantes aperfeiçoamentos técnicos destinados a elevar os índices de confiabilidade e disponibilidade operacional da frota. As melhorias incluíram modificações na suspensão, nos tanques de combustível, no sistema de arrefecimento do motor e nos equipamentos de proteção coletiva da tripulação. Paralelamente, foram introduzidos novos sistemas de observação e termovisão, ampliando significativamente a capacidade de operação noturna e em condições de baixa visibilidade. Como consequência da adoção desses equipamentos , os holofotes infravermelhos externos tornaram-se obsoletos e foram gradualmente removidos. Entretanto, a contínua evolução dos armamentos anticarro empregados pelas forças do Pacto de Varsóvia, especialmente a introdução de novas gerações de mísseis guiados e munições perfurantes de elevada capacidade, evidenciou a necessidade de um novo programa de modernização voltado para o aumento da proteção blindada. Em 1988 foi iniciado o mais ambicioso programa de atualização já realizado, resultando no  Marder 1A3. A empresa Thyssen-Henschel recebeu um contrato destinado à modernização de mais de duas mil viaturas pertencentes às versões Marder 1A1 e 1A2. Os primeiros exemplares foram entregues  em novembro de 1989, iniciando um processo que se estenderia pelos anos seguintes. A principal característica do era seu substancial incremento nos níveis de proteção balística. Novos módulos de blindagem passiva foram instalados nas laterais da viatura, na parte frontal do casco e em áreas sensíveis do compartimento de combate, elevando a resistência contra projéteis perfurantes e estilhaços de artilharia. Como resultado, o Marder 1A3 tornou-se uma das versões mais protegidas. Além dos reforços estruturais, foram implementadas melhorias ergonômicas destinadas a aumentar o conforto da tripulação e da tropa embarcada. Sistemas internos foram revisados e atualizados, enquanto diversos componentes mecânicos e elétricos receberam aperfeiçoamentos destinados a elevar a confiabilidade e facilitar a manutenção.  Durante as décadas de 1990 e 2000, o Marder 1A3 continuou a receber atualizações pontuais, assegurando sua permanência como um dos principais veículos de combate de infantaria das forças terrestres alemãs. Contudo, o avanço das tecnologias de proteção, mobilidade, sensores e sistemas digitais de comando e controle passou a exigir uma plataforma de nova geração. Essa necessidade levou ao desenvolvimento do Schützenpanzer Puma, que incorporava avançados sistemas eletrônicos, blindagem modular, elevado nível de automação e ampla capacidade de integração digital. Com a progressiva entrada em serviço do novo blindado,  em 2022 teve início o processo de retirada dos Marder das unidades de primeira linha, com estes sendo cedidos a países aliados  em condições favoráveis. Posteriormente, em decorrência do conflito desencadeado pela invasão russa da Ucrânia, o governo alemão autorizou a transferência de veículos Marder para as Forças Armadas Ucranianas. As primeiras entregas ocorreram em março de 2023, marcando o retorno operacional do veterano blindado a um cenário de guerra de alta intensidade.

Emprego no Exército Brasileiro.
O processo de implementação de uma capacidade de artilharia antiaérea moderna no pais teve sua origem em 4 de outubro de 1940, com a criação do 1º Grupo do 1º Regimento de Artilharia Antiaérea (1º G/1º RAAAé), na cidade do Rio de Janeiro. A unidade foi equipada com os  canhões alemães Flak 88 mm C/56 Modelo 18, operando em conjunto com preditores de tiro Carl Zeiss WIKOG 9SH e aparelhos de localização acústica Electroacoustic GmbH ELASCOPORTHOGNOM, representando um importante avanço tecnológico para a defesa antiaérea . A partir de 1942, no contexto da cooperação militar com os Estados Unidos, a artilharia antiaérea brasileira seria significativamente reforçada pelo recebimento de expressivas quantidades de canhões M-2A2 AA de 37 mm, M-3 AA de 76 mm e M-1A3 AA de 90 mm. Curiosamente, entretanto, não foram transferidos ao país sistemas antiaéreos autopropulsados, essa lacuna operacional perduraria ao longo das décadas seguintes.  A necessidade de se dispor de um sistema móvel de defesa antiaérea de baixa e média altitude permanecia evidente, sobretudo diante das dimensões continentais do território brasileiro e da crescente evolução dos meios aéreos de combate.  No início da década de 1970, seria implementado no âmbito do III Exército o chamado "Plano Impere", programa destinado a recuperar a operacionalidade de diversos veículos blindados que se encontravam fora de serviço. Entre as alternativas estudadas figurava a conversão de carros de combate M-4 Sherman e M-3 Stuart para funções especializadas de apoio e suporte. Nesse contexto, foi desenvolvido um protótipo de viatura blindada antiaérea baseado no carro leve M-3 Stuart. O veículo recebeu a instalação de um reparo quádruplo de metralhadoras M-55 Quadmount, e seus testes de campo apresentaram resultados bastante promissores, demonstrando boa mobilidade e razoável capacidade de engajamento contra alvos aéreos de baixa altitude. Todavia, por razões que não foram devidamente registradas na documentação disponível, o projeto não despertou o interesse do Alto-Comando do Exército, sendo posteriormente cancelado. O conceito de uma viatura antiaérea autopropulsada voltaria a ganhar relevância no final da década de 1970, quando o programa do Carro de Combate Leve Nacional MB-1,  passou a prever o desenvolvimento de uma família de veículos especializados derivados da mesma plataforma X-1A2, incluindo uma versão dedicada à defesa antiaérea.  Nascia assim o Projeto M.01.15, conduzido pelo Centro Tecnológico do Exército (CETEx) em parceria com a Bernardini S.A. O programa resultou na construção de 02 protótipos que receberam a designação de Viatura Blindada de Combate Antiaérea XM3D1 (VBC AAe). Como armamento principal, os veículos empregavam uma torre M-55 Quadmount modernizada, equipada com 04 metralhadoras Browning M-2HB calibre .50. Os protótipos foram submetidos a um extenso programa de avaliações técnicas e operacionais, demonstrando desempenho satisfatório em diversos aspectos. Entretanto, a rápida evolução da ameaça aérea durante aquele período, caracterizada pela crescente proliferação de aeronaves de ataque a jato de elevada velocidade, evidenciou as limitações do sistema. A baixa cadência de fogo efetiva, o alcance reduzido e a limitada capacidade destrutiva das metralhadoras  mostraram-se insuficientes para enfrentar aeronaves modernas a reação, comprometendo a viabilidade operacional do conceito. 

Diante desse cenário,  concluiu-se  que o sistema não atendia aos requisitos futuros da defesa antiaérea de baixa altitude, determinando o encerramento do Projeto XM3D1. A partir de meados da década de 1970, o sistema de defesa antiaéreo do brasileiro se mostrava complemente obsoleto contendo em suas filiares de antigos canhões Boffors de 40 mm, se fazendo necessário a implementação de sua substituição. Para o atendimento a esta demanda, entre os anos de 1977 e 1978 novos investimentos seriam feitos, envolvendo a aquisição do sistema suíço  Oerlikon de 35 mm, que posteriormente seriam integrados com o conjunto diretor de tiro de fabricação nacional EDT FILA, controlando os canhões de 40 mm C/70 Bofors e  Oerlikon 35 mm C/90. Apesar destes esforços o país não dispunha de um sistema de defesa área baseada em misseis terra-ar oque comprometia em muitos seus níveis de segurança.  Ainda durante a década de 1970, os Estados Unidos mantinham a posição de principal fornecedor de equipamentos militares para o Brasil, por intermédio do Programa de Assistência Militar (MAP). Esse mecanismo proporcionava  acesso a uma ampla gama de equipamentos, treinamento e apoio logístico em condições favoráveis, constituindo um dos pilares da cooperação militar entre os dois países. Entretanto, esse cenário favorável começou a se alterar a partir de 1977, com a posse do presidente Jimmy Carter. A nova administração passou a condicionar a continuidade dos programas de assistência militar e cooperação estratégica ao cumprimento de diretrizes relacionadas à política de direitos humanos pelos países beneficiários. Essa mudança de orientação provocou crescente desgaste nas relações bilaterais, particularmente no campo da cooperação militar. A reação do governo brasileiro foi imediata e contundente. Em comunicado oficial divulgado à época, rejeitou-se qualquer forma de condicionamento político à assistência militar estrangeira, afirmando que assuntos internos constituíam matéria de exclusiva competência do Estado brasileiro. O agravamento das divergências diplomáticas e a continuidade das pressões políticas decorrentes dessa nova postura norte-americana levariam o Brasil a denunciar, em abril de 1977, o Acordo Militar Brasil–Estados Unidos.  Como consequência imediata, perdeu-se o acesso privilegiado a linhas de financiamento, programas de treinamento e condições especiais para aquisição de equipamentos militares produzidos nos Estados Unidos.  Paradoxalmente, essa ruptura impulsionaria um amplo movimento de aproximação com a indústria de defesa europeia e ao longo dos anos seguintes seriam celebrados importantes contratos . como a aquisição dos caças  Dassault Mirage III, e as modernas fragatas britânicas da classe Niterói. No campo da defesa antiaérea, um dos exemplos mais relevantes desse novo cenário seria a incorporação dos mísseis britânicos Short Brothers GWS-20 Sea Cat pela Marinha do Brasil. O desempenho e a concepção desse sistema despertariam o interesse do Exército Brasileiro, que passaria a analisar alternativas semelhantes para dotar suas unidades de um  sistema de defesa antiaérea de ponto. 
Neste contexto, uma das maiores prioridades da defesa antiaérea nacional consistia em prover proteção eficaz à capital federal, Brasília (DF), mediante a implantação de um sistema de mísseis superfície-ar que complementasse o braço armado do Sistema de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (SISDACTA), atuando em conjunto com os interceptadores supersônicos F-103E Mirage III da Força Aérea Brasileira (FAB). Com esse objetivo, foram realizadas consultas junto às principais indústrias de defesa europeias em busca de uma solução adequada às necessidades operacionais da Força Terrestre. Entre as propostas apresentadas, destacou-se a do consórcio franco-alemão responsável pelo sistema Euromissile Roland II, uma moderna solução de defesa antiaérea de curto alcance montada sobre uma plataforma blindada sobre lagartas. O sistema era equipado com dois lançadores de mísseis superfície-ar para emprego em quaisquer condições meteorológicas, destinando-se à proteção de tropas e instalações estratégicas contra aeronaves voando em baixa e média altitude. O míssil Roland II possuía 2,4 metros de comprimento e peso total de 66,5 kg, sendo propulsionado por um motor-foguete de combustível sólido. Sua ogiva, de fragmentação e carga oca, continha aproximadamente 3,5 kg de explosivo e podia ser acionada por espoletas de impacto ou proximidade. Os mísseis eram armazenados em contêineres selados que serviam simultaneamente como tubos de lançamento. Cada veículo transportava dois mísseis prontos para disparo nos lançadores e outros oito no interior do casco, permitindo recarga automática em aproximadamente dez segundos. Projetado para enfrentar alvos voando a velocidades de até Mach 1,3, o Roland II apresentava envelope de engajamento compreendido entre 500 e 6.300 metros de distância, podendo interceptar aeronaves em altitudes variando de 20 a 5.500 metros. Seu sistema de aquisição e acompanhamento de alvos combinava recursos ópticos e radar, possibilitando a alternância entre ambos os modos durante as diferentes fases do combate. O conjunto incluía um radar de busca pulsado Doppler com alcance entre 15 e 18 quilômetros, responsável pela detecção inicial dos alvos. Após a aquisição, o acompanhamento poderia ser realizado tanto pelo radar quanto pelo sistema óptico, este último particularmente útil em operações diurnas contra alvos voando a muito baixa altitude ou em ambientes sujeitos a intensas contramedidas eletrônicas. Ao longo do processo de avaliação, o Exército Brasileiro examinou detalhadamente pelo menos três propostas internacionais para o atendimento dessa demanda. Ao final dos estudos, a escolha recairia sobre o sistema de mísseis superfície-ar Euromissile Roland II, prevendo-se inicialmente a aquisição de quatro baterias de lançamento e cinquenta mísseis. A decisão fundamentava-se principalmente em critérios técnicos e operacionais, uma vez que o sistema já se encontrava amplamente empregado por importantes forças armadas da OTAN, destacando-se a Alemanha Ocidental, com 43 veículos lançadores e 825 mísseis, e a França, com 39 veículos e 1.315 mísseis. Além disso, sua seleção pelo Exército dos Estados Unidos (U.S. Army) reforçava a credibilidade e a perspectiva de longo prazo do programa, tornando-o uma opção particularmente atraente para os planejadores militares brasileiros.

Dentre as plataformas intercambiáveis oferecidas pelo consórcio franco-alemão responsável pelo sistema Roland II, destacavam-se os veículos sobre lagartas franceses AMX-30 e os alemães Rheinstahl Marder 1A2, além da possibilidade de instalação em abrigos rebocados (shelters) para emprego estático. O contrato previa não apenas a aquisição dos sistemas de armas, mas também um amplo pacote de treinamento, incluindo equipamentos eletrônicos, simuladores e recursos destinados à instrução teórica e prática dos futuros operadores. Para atender aos requisitos operacionais definidos, foi selecionada a configuração baseada no veículo blindado de combate de infantaria alemão Rheinstahl Marder 1A2. Tratava-se de uma plataforma amplamente testada e comprovada em serviço, cuja robustez e confiabilidade já haviam sido reconhecidas internacionalmente. O próprio chassi do Marder havia servido de base para o desenvolvimento do carro de combate médio argentino TAM (Tanque Argentino Mediano), evidenciando sua versatilidade e potencial de crescimento. Na configuração Roland II, o veículo transportava dois mísseis montados externamente em lançadores posicionados sobre a torre, prontos para emprego imediato. O sistema era complementado por outros oito mísseis armazenados no interior do blindado, distribuídos em dois carregadores automáticos rotativos, permitindo rápida recarga e elevada cadência de engajamento em situações de combate. Com a formalização do contrato, o Brasil tornou-se o terceiro operador do sistema de mísseis superfície-ar (SAM) Roland II, que à época figurava entre os mais avançados sistemas de defesa antiaérea de curto alcance em serviço no mundo. Sua incorporação representaria um salto tecnológico sem precedentes para a Arma de Artilharia Antiaérea brasileira. Até então, a defesa antiaérea brasileira estava equipada com obsoletos canhões antiaéreos, que se mostravam inadequados diante da crescente sofisticação da aviação de combate moderna. A única exceção era representada por um reduzido número de sistemas suíços Oerlikon de 35 mm, que introduziam um padrão tecnológico significativamente mais avançado. Para fins de formação e adestramento, os simuladores, consoles eletrônicos e demais equipamentos de instrução seriam instalados na Escola de Artilharia de Costa e Antiaérea (EsACosAAe), no Rio de Janeiro. Deve-se destacar que os recursos de treinamento ocupavam uma área física considerável, reflexo da tecnologia disponível na época, anterior à disseminação dos microcomputadores. Dessa forma, previa-se que todo o processo inicial de qualificação dos operadores e equipes de manutenção fosse conduzido naquela instituição, incluindo a instrução teórica, o treinamento em simuladores e o emprego prático das viaturas e armamentos. Concluída a fase de formação, as baterias seriam posteriormente transferidas para Brasília, atendendo ao objetivo estratégico de prover uma capacidade moderna de defesa antiaérea para a capital federal. Os quatro veículos seriam declarados operacionais em 1979, recebendo a designação oficial de Viatura Blindada de Combate Leve Míssil Marder 1A2 – Sistema SAM Roland II (VBC L Msl Marder). Nos anos subsequentes, participariam de diversos exercícios e programas de adestramento, incluindo disparos reais de mísseis Roland II contra alvos aéreos remotamente pilotados, consolidando a doutrina nacional de emprego de sistemas de defesa antiaérea guiados por mísseis.
No entanto, os VBC L Msl Marder apresentariam uma carreira relativamente efêmera, marcada por frequentes períodos de baixa disponibilidade. Tal situação decorria principalmente das dificuldades enfrentadas no fluxo de obtenção de peças de reposição, tanto para os veículos lançadores quanto, sobretudo, para os sofisticados componentes eletrônicos que integravam os sistemas de detecção, acompanhamento e orientação dos mísseis. Em consequência, ao longo dos anos, as viaturas foram gradualmente retiradas de suas funções operacionais e transferidas para a Escola de Artilharia de Costa e Antiaérea (EsACosAAe), no Rio de Janeiro, onde passaram a desempenhar funções predominantemente ligadas ao treinamento e à formação de pessoal. Nesse mesmo período, uma das viaturas foi perdida em um  acidente durante exercícios realizados no Campo de Provas da Marambaia, reduzindo  a já limitada frota disponível. Em meados da década de 1990, apenas um sistema Roland II sobre chassi Marder 1A2 permanecia em condições de operação. Os demais veículos haviam sido desativados e convertidos em fontes de peças de reposição, garantindo a continuidade das atividades de instrução e pesquisa. O último exemplar remanescente, juntamente com os simuladores, consoles de treinamento e sistemas eletrônicos de direção de tiro, seria posteriormente transferido para o Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Exército (IPD), onde permaneceria em uso até o final do ano de 2012. Quanto aos demais veículos, um exemplar seria preservado para fins históricos junto ao acervo do Museu Militar Conde de Linhares. Outro seria empregado, em 1998, como alvo estático durante exercícios realizados no Campo de Provas da Marambaia, sendo submetido a disparos dos recém-incorporados carros de combate Leopard 1A1. O objetivo desse ensaio consistia na avaliação da resistência balística de sua blindagem, considerada tecnicamente semelhante à empregada no carro de combate médio argentino TAM (Tanque Argentino Mediano), cuja capacidade militar era então acompanhada com atenção pelos planejadores estratégicos brasileiros. Historicamente, o sistema Roland II foi adquirido com a finalidade declarada de prover uma capacidade moderna de defesa antiaérea para a Capital Federal. Entretanto, nos meios especializados sempre circulou a hipótese de que a aquisição possuía um objetivo secundário não oficial: possibilitar estudos voltados ao desenvolvimento de uma solução nacional baseada em engenharia reversa. Embora inexistam registros oficiais que comprovem essa teoria, sabe-se que, em meados da década de 1980, o Centro Tecnológico do Exército (CTEx) conduziu experimentos visando adaptar temporariamente um sistema Roland II a um abrigo rebocado (shelter) nacional. Os resultados obtidos, contudo, revelaram limitações significativas de estabilidade durante as sequências de lançamento, levando ao encerramento do projeto ainda na fase de protótipo. Décadas mais tarde, no ano de 2024, um importante esforço de preservação histórica seria conduzido pelo Batalhão Central de Manutenção e Suprimento do Exército Brasileiro (BCMS). A unidade realizou a recuperação completa de um dos veículos lançadores Marder 1A2 Roland II, justamente o exemplar que havia permanecido em operação junto ao Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Exército. Os trabalhos envolveram a restauração do grupo motopropulsor, dos sistemas de transmissão, suspensão e tração, bem como a recuperação estrutural do veículo, devolvendo-lhe plenas condições de funcionamento.

Em Escala:
Para representarmos a Viatura Blindada de Combate Leve Msl Marder 1A2 – Sistema SAM Roland II "EB 24065” , empregamos como base o  modelo da Tamiya na escala 1/35 configurado com o míssil anticarro MILAN. Para representarmos a versão empregada no Exército Brasileiro, tivemos de  construir totalmente em scratch build a torre lançadora dos misseis terra ar Roland II , fazendo uso de plasticard e materiais diversos. Alterações significativas também tiveram de ser implementadas na parte traseira do veículo. Empregamos decais confeccionados pela Eletric Products presentes no set Exército Brasileiro 1983 – 2002.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura com os qual estes carros foram recebido em meados da década de 1970, com este perdurando até o ano de 1983, quando seria adotado o novo esquema tático de camuflagem em  dois tons, semelhante aos carros de combate médio Bernardini M-41C Caxias. Já o carro preservado junto ao Museu Militar Conde de Linhares receberia durante seu processo de restauração o esquema de pintura original. 
Bibliografia :
- Blndados no Brasil - Volume 01, Expedito Carlos Stephani Bastos
- Marder IFV Wikipedia -  https://en.wikipedia.org/wiki/Marder
- Mísseis no Exército Brasileiro - ww.ecsbdefesa.com.br/defesa/fts/MEB.pdf
- Artilharia Antiaérea sob lagartas no EB, por Expedito Carlos Stephani Bastos
- Exército Brasileiro recupera viatura histórica Marder com sistema Roland - www.defesaaereanaval.com.br/