UH-50 EsquIIo Helibras HB350B B1

História e Desenvolvimento.
A derrota da França, iniciada com a ofensiva alemã em 10 de maio de 1940 e consolidada nas semanas seguintes, culminou na ocupação do país durante o conflito, representando um golpe devastador para sua outrora vigorosa indústria de defesa. Sob o controle do regime de Vichy e das autoridades de ocupação alemãs, a França foi relegada à condição de fornecedora subordinada de componentes e materiais destinados ao esforço industrial alemão, interrompendo o ciclo de inovação tecnológica que vinha sendo desenvolvido desde o final da década de 1920. Com o término do conflito, a reconstrução nacional tornou-se prioridade estratégica do governo francês. O setor aeronáutico, considerado essencial tanto para a defesa quanto para a soberania tecnológica, recebeu atenção especial no âmbito do processo de reindustrialização conduzido pelo Estado. Nesse contexto, foi implementada uma ampla política de nacionalizações e reorganização estrutural, que resultou na criação de duas grandes empresas estatais: a Société Nationale des Constructions Aéronautiques du Sud-Est e a Société Nationale des Constructions Aéronautiques du Sud-Ouest. Ambas nasceram da incorporação e fusão de diversas companhias privadas  muitas delas fragilizadas economicamente  em um esforço deliberado do governo para concentrar recursos técnicos  e humanos em polos regionais de pesquisa, desenvolvimento e produção. Essa política industrial visava não apenas restaurar a capacidade produtiva, mas também reposicionar a França como uma potência aeronáutica. Ao longo do final da década de 1940 e início dos anos 1950, a Société Nationale des Constructions Aéronautiques du Sud-Est e a Société Nationale des Constructions Aéronautiques du Sud-Ouest atuaram de forma complementar, tanto na produção de aeronaves de asas fixas quanto na introdução de tecnologias emergentes no campo das aeronaves de asas rotativas os helicópteros. Nesse segmento, o governo promoveu investimentos significativos em pesquisa e desenvolvimento, além de incentivar acordos de cooperação tecnológica e produção sob licença com empresas estrangeiras, especialmente norte-americanas e britânicas. Esse intercâmbio técnico permitiu à indústria assimilar rapidamente conceitos avançados de engenharia aeronáutica, criando as bases para o desenvolvimento de projetos nacionais. Um dos resultados mais expressivos desse processo foi o helicóptero Sud Aviation Alouette II, desenvolvido pela Société Nationale des Constructions Aéronautiques du Sud-Est e equipado com o motor turboeixo Turboméca Artouste  uma inovação que representava um salto qualitativo em termos de desempenho, confiabilidade e relação peso-potência. O Alouette II realizou seu primeiro voo em março de 1955, e sua entrada em serviço consolidou o país como um dos pioneiros na adoção de helicópteros turboeixo. Em 1º de março de 1957, no âmbito de um novo movimento de consolidação industrial promovido pelo Estado francês, a Société Nationale des Constructions Aéronautiques du Sud-Est e a Société Nationale des Constructions Aéronautiques du Sud-Ouest foram formalmente fundidas, dando origem à Sud Aviation. Esta  passou a centralizar a maior parte da produção aeronáutica, reunindo sob uma mesma estrutura administrativa programas civis e militares.

A Sud Aviation herdou não apenas o know-how técnico e os projetos em desenvolvimento de suas antecessoras, mas também a ambição de inserir a França no seleto grupo de potências aeroespaciais. A Société Nationale des Constructions Aéronautiques du Sud-Est, por exemplo, já havia acumulado experiência relevante com aeronaves como o SNCASE SE.161 Languedoc, um avião comercial de médio porte, e o SNCASE Mistral, versão licenciada do britânico de Havilland Vampire. O êxito do  Alouette II pioneiro entre os helicópteros de produção equipados com motor turboeixo  abriu caminho para o desenvolvimento de uma aeronave ainda mais robusta, dotada de maior capacidade de carga e melhor desempenho em condições adversas. Assim surgiu o  Alouette III, designado SA 316 ou SA 319 em suas variantes, que realizou seu voo inaugural em 28 de fevereiro de 1959 e entrou em serviço em 1961. Projetado para atender à demanda por um helicóptero versátil, capaz de operar em ambientes extremos  como regiões de grande altitude e climas severos, o  Alouette III consolidou-se como um marco na aviação de asas rotativas, alcançando ampla difusão internacional tanto no meio civil quanto militar. Em 1965, foi estabelecida uma colaboração anglo-francesa com o objetivo de desenvolver um substituto para as versões militares do Alouette III. Dessa parceria emergiu o Gazelle, um helicóptero leve, ágil e tecnologicamente avançado, que viria a equipar as forças armadas da França e do Reino Unido. Apesar de seu sucesso no segmento militar, seu custo relativamente elevado limitou sua penetração no mercado civil internacional. Com base na experiência adquirida com o  Gazelle, a equipe de engenharia da Aérospatiale voltou-se para um novo desafio: conceber um helicóptero que combinasse inovação tecnológica com maior acessibilidade econômica. Para isso, foram conduzidas extensas pesquisas de mercado junto a operadores potenciais, que apontaram três requisitos fundamentais: baixos níveis de ruído e vibração, maior capacidade de transporte e custos operacionais reduzidos. Esses parâmetros seriam determinantes para posicionar a nova aeronave como uma alternativa competitiva ao seu principal rival no mercado, o Bell 206 JetRanger. O projeto resultante materializou-se em um helicóptero monoturbina com capacidade para até cinco ocupantes, incluindo piloto. Incorporando avanços em aviônica e soluções construtivas inovadoras, a aeronave foi concebida para apresentar custos de aquisição e manutenção significativamente inferiores aos do Gazelle. Inspirando-se em práticas da indústria automotiva, o fabricante integrou componentes derivados de fornecedores das marcas Citroën e Renault, além de adotar o inovador sistema Starflex para o rotor principal. Esse conjunto de soluções técnicas, aliado a uma arquitetura estrutural eficiente, conferiu à aeronave elevado desempenho com reduzido custo operacional, tornando-a particularmente adequada para uma ampla gama de missões civis e militares. O protótipo, designado AS350 Écureuil, realizou seu voo inaugural em 27 de junho de 1974, sob o comando do piloto de testes Daniel Bernard Equipado com o motor Lycoming Avco LTS-101, capaz de gerar aproximadamente 592 shp, o modelo demonstrou desde seus primeiros ensaios elevado grau de versatilidade e eficiência.
Após sua apresentação oficial, o  AS350 foi submetido a um abrangente e rigoroso programa de ensaios em voo, em consonância com as exigências técnicas e regulatórias que caracterizavam a indústria aeronáutica internacional da década de 1970  período marcado por forte evolução tecnológica e crescente padronização de certificações. Nessa fase inicial, foram identificadas limitações relacionadas à potência do motor de origem norte-americana então empregado, o que comprometia o desempenho em determinadas condições operacionais, especialmente em ambientes de alta temperatura e altitude. Diante desse cenário, a equipe de engenharia adotou uma solução estratégica ao optar pela substituição do propulsor original pelo motor francês Turbomeca Arriel 1B, capaz de desenvolver 641 shp e concebido especificamente para aplicações em helicópteros leves. Essa decisão revelou-se determinante para o êxito do programa, sendo validada com o voo inaugural do segundo protótipo, já equipado com o novo motor, realizado em 14 de fevereiro de 1975. A superioridade de desempenho do Arriel em relação aos motores da linha Lycoming  particularmente em cenários operacionais mais exigentes  levou à sua adoção definitiva na versão principal de produção, designada AS350B. Ao longo da campanha de ensaios, diversas melhorias de natureza técnica e operacional foram incorporadas, abrangendo desde ajustes aerodinâmicos até aperfeiçoamentos nos sistemas embarcados, culminando em uma configuração final plenamente adequada aos requisitos de mercado e certificação. Com vistas à homologação internacional, três células adicionais foram produzidas especificamente para os processos de certificação civil. Em 1977, após a obtenção das aprovações junto às autoridades aeronáuticas competentes, o modelo  então oficialmente denominado AS350B Écureuil  foi introduzido simultaneamente nos mercados europeu e norte-americano. Sua combinação de elevado desempenho, confiabilidade operacional e custos relativamente reduzidos contribuiu para rápida aceitação, especialmente entre operadores privados. A partir de 1978, consolidou sua presença no mercado internacional com a assinatura de contratos governamentais relevantes, destacando-se sua ampla adoção em missões de segurança pública e serviços aeromédicos. Esse sucesso no segmento civil e paramilitar incentivou o fabricante a explorar novas possibilidades no campo militar, levando ao desenvolvimento de uma variante voltada primordialmente para o treinamento e a conversão operacional de pilotos, sem prejuízo de funções secundárias como transporte leve, ligação e observação. Nesse contexto, surgiu o AS350 BB, concebido para atender, em particular, às demandas do mercado britânico e aos requisitos específicos da Força Aérea Real (RAF). Posteriormente, a família evoluiria para a designação moderna Airbus Helicopters H125, refletindo as mudanças corporativas no setor. Para satisfazer os parâmetros de desempenho exigidos no ambiente militar, o AS350 BB foi equipado com o motor Turbomeca Arriel 1D de 684 shp, proporcionando desempenho ligeiramente superior ao da versão civil. O modelo foi configurado com comandos duplos reforçados e sistemas simplificados, facilitando o processo de instrução de pilotos em formação. 

Sua instrumentação foi adaptada aos padrões militares, incluindo sistemas de navegação e comunicação compatíveis com os requisitos operacionais da Força Aérea Real (RAF). Adicionalmente, a cabine apresentava excelente visibilidade  característica essencial para o treinamento  e a estrutura da aeronave recebeu reforços específicos, destinados a suportar o regime intensivo de operação típico das atividades de instrução, marcado por frequentes ciclos de decolagem e pouso. Dessa forma, o AS350 BB consolidou-se como uma plataforma eficiente e confiável no treinamento básico e avançado de asas rotativas. O  AS350 BB foi selecionado em 1979 pela DHFS (Defence Helicopter Flying School) para formar pilotos de helicóptero das forças armadas britânicas. Após sua introdução passaria a substituir helicópteros mais antigos, como o Westland SA341 Gazelle, em programas de treinamento, além de oferecer uma plataforma versátil para outras missões civis e militares no Reino Unido. Operado pela FB Heliservices (atual Cobham Helicopter Services), foi usado extensivamente na base aérea de  Shawbury. Seriam recebidas 38 células, designadas como  Squirrel HT1 (Helicopter Trainer 1) pela força aérea e Squirrel HT2 pela Marinha Real (Royal Navy). A partir da década de 2010, o Squirrel HT1/HT2 começou a ser substituído por helicópteros mais modernos, como o Airbus H135 Juno e o H145 Jupiter, no programa de treinamento UK Military Flying Training System - MFTS.  Esta versão despertaria também o interesse da Força Aérea Francesa (Armée de l’Air), que em 1979 celebrou um contrato para a aquisição de 30 células, a fim de serem empregadas em escolas de aviação, como a École de l’Air. Assim a aeronave seria uma peça-chave no treinamento de pilotos militares franceces, substituindo os SA341/SA342 Gazelle. Neste mesmo ano a Aviação Leve do Exército Francês (ALAT) celebraria um contrato para a compra de 40 células, sendo destinados a equipar a École de l’Aviation Légère, com unidades baseadas em Dax e Le Cannet-des-Maures. O AS350 BB foi amplamente utilizado  para a instrução de pilotos em voo básico, navegação e manobras táticas. Sua robustez e baixo custo de manutenção o tornaram ideal para o uso intensivo em escolas de aviação. Embora focado em treinamento, o AS350 BB ocasionalmente desempenhou papéis de ligação e transporte leve em unidades como o 1º Regimento de Helicópteros de Combate (1e RHC) ou o 9º Regimento de Suporte Aeromóvel (9e RSAM).  Em fevereiro de 1979, a Marinha do Brasil assinou um contrato, tornando-se assim o quarto operador militar da aeronave, com este acordo envolvendo a compra de seis células. A versatilidade e confiabilidade do AS350 Écureuil foram fatores chave para sua ampla adoção por operadores internacionais, tanto civis quanto militares, em diversos países. Sua lista de exportações militares envolve as forças armadas  da Argentina, Arábia Saudita, Austrália, Benin, Botsuana, Burquina Faso, Burundi, Camarões, Canadá, Chile, Gabão, Camboja, Paquistão e República Centro-Africana, onde ele foi empregado em missões de treinamento, transporte e apoio. No final da década de 1980, a família de helicópteros Aérospatiale AS350B e AS355B Écureuil,  consolidava-se como um êxito comercial notável. 
A ampla frota em operação dos modelos  AS350 e  AS355 exerceu efeitos positivos diretos sobre a cadeia logística global, favorecendo economias de escala na produção e distribuição de peças de reposição. Tal contexto contribuiu para a consolidação do modelo como uma solução economicamente eficiente e operacionalmente confiável, reforçando seu posicionamento estratégico junto a operadores civis e institucionais em diversos mercados. Neste cenário a empresa identificou uma oportunidade concreta de expansão no segmento militar, visando o desenvolvimento de versões especializadas. A proposta consistia em adaptar essas aeronaves para um espectro mais amplo de missões táticas, incluindo ataque ao solo, apoio aéreo aproximado, patrulha marítima, guerra antissubmarino (ASW), ataque antinavio (ASM) e operações de busca e salvamento em combate (Combat SAR). Para viabilizar essa iniciativa, foram selecionadas duas células, que passaram por um abrangente processo de militarização. As modificações introduzidas incluíram reforços estruturais, instalação de blindagem para proteção do grupo motriz e da tripulação (com especial atenção ao piso e aos assentos), além da integração de uma nova suíte aviônica orientada para o ambiente de combate. As aeronaves foram igualmente preparadas para operar com sistemas de imageamento diurno e noturno, compatíveis com o uso de óculos de visão noturna (NVG), bem como equipadas com dispositivos de autodefesa, incluindo contramedidas infravermelhas.  Um dos avanços  foi a adoção do motor Turbomeca Arriel 2B, com 847 shp, proporcionando ganhos substanciais de desempenho, sobretudo em cenários de maior exigência operacional. Em 1989, os protótipos dessas versões foram submetidos a uma rigorosa campanha de ensaios em voo, cujos resultados evidenciaram elevado potencial de emprego em diferentes perfis de missão. A partir de 1º de janeiro de 1990, promoveu-se uma reformulação em seu sistema de designação, passando a identificar as versões militares monomotoras como AS550 e as bimotores como  AS555. Essas variantes foram então apresentadas ao mercado internacional de defesa, despertando interesse imediato por parte de diversas forças armadas. No contexto das transformações industriais europeias, a fusão entre as divisões de helicópteros da Aérospatiale e da Messerschmitt-Bölkow-Blohm deu origem, em 1992, à European Aeronautic Defence and Space Company (EADS), posteriormente reestruturada como Airbus Helicopters. Nesse período este modelos receberam a designaçao comercial de Fennec, diferenciando-se da família civil Écureuil. As variantes incluíram, entre outras, o AS550 C2 , AS550 U2  e AS550 C3, cada qual configurada para atender a requisitos operacionais específicos. Ainda em 1990, foram celebrados os primeiros contratos de exportação, abrangendo países como França, Argentina, Brasil, Colômbia, Argélia, Dinamarca, Emirados Árabes Unidos, Malásia, México, Singapura, Paquistão, Uzbequistão e China, evidenciando a rápida aceitação internacional da plataforma. Posteriormente, no contexto de modernização e padronização de sua linha de produtos, a Airbus Helicopters passou a designar comercialmente a família como Airbus Helicopters H125. Mantida em produção contínua, a série acumula, até o presente, mais de 3.700 unidades entregues, atendendo não apenas ao mercado civil, mas também a forças de segurança e a mais de quarenta forças armadas ao redor do mundo.

Emprego na Força Aérea Brasileira.
Desde a segunda metade da década de 1960, o Comando da Aviação Naval da Marinha do Brasil reconhecia que uma das principais limitações à plena operacionalidade de sua frota de helicópteros residia nas dificuldades logísticas relacionadas à manutenção e obtenção de peças sobressalentes. Diante desse cenário, começou a amadurecer a convicção de que a implantação de uma linha de produção nacional de aeronaves de asas rotativas seria a solução mais eficiente e estratégica a longo prazo. A viabilidade dessa iniciativa começou a se delinear a partir do surgimento da Embraer S.A., em 1969  marco do início da indústria aeronáutica moderna no país. Em 1973, o Instituto de Fomento Industrial (IFI), órgão do então Centro Técnico Aeroespacial (CTA), passou a estudar a criação de uma empresa nacional dedicada à produção e manutenção de helicópteros, buscando reduzir a dependência externa e fortalecer a capacidade tecnológica brasileira. Inicialmente, as atenções concentraram-se na Embraer, que avaliou a possibilidade de produzir sob licença o Aérospatiale–Westland Gazelle, contudo, estudos técnicos subsequentes demonstraram que a infraestrutura e os processos industriais da Embraer voltados essencialmente para aeronaves de asa fixa  não se mostravam adequados para a produção de helicópteros. Diante dessa constatação, o IFI/CTA, em conjunto com a Diretoria de Aeronáutica da Marinha (DAerM), iniciou contatos com diversos fabricantes internacionais, convidando-os a apresentar propostas de cooperação industrial e transferência de tecnologia. Entre as empresas consultadas, a francesa Aérospatiale destacou-se pela prontidão e interesse em estabelecer uma parceria estratégica com o Brasil. As tratativas iniciais envolveram a oferta de uma versão nacionalizada do AS315B Lama, conhecido por sua robustez e desempenho em missões de grande altitude. Entretanto, após avaliações conjuntas, decidiu-se pela adoção de um modelo mais moderno e versátil: o  AS350 Écureuil (Esquilo), recentemente introduzido no mercado e dotado de tecnologias de ponta para a época. As negociações avançaram rapidamente, envolvendo o Governo Federal, o Governo do Estado de Minas Gerais, a empresa Serviços Aerofotogramétricos Cruzeiro do Sul e a própria Aérospatiale. Esse processo culminou, em abril de 1978, na assinatura de um acordo que estabelecia a criação de uma empresa estatal de capital misto destinada à fabricação e manutenção de helicópteros. Assim, foi oficialmente constituída a Helicópteros do Brasil S.A. – Helibras, com uma estrutura acionária composta por 45% de capital da Aérospatiale e 55% de capital brasileiro, este último dividido entre a Companhia de Distritos Industriais de Minas Gerais (CDI-MG), a Serviços Aerofotogramétricos Cruzeiro do Sul e a Minas Gerais Participações S.A. (MGI). Dada a sua participação direta no processo de concepção e viabilização da empresa, era natural que a Marinha do Brasil figurasse entre os primeiros clientes da recém-criada Helibras. Em 30 de março de 1979, foi firmado o primeiro contrato de produção, prevendo a fabricação local de seis unidades do Aérospatiale AS350B Écureuil, que receberia no país a designação comercial de Helibras HB-350B Esquilo.

Paralelamente ao processo de estruturação da indústria nacional de helicópteros, na segunda metade da década de 1970, o Ministério da Aeronáutica (MAer) passou a reconhecer a necessidade urgente de renovar e ampliar sua frota de aeronaves de asas rotativas. O diagnóstico técnico elaborado à época apontava uma defasagem significativa tanto em quantidade quanto em desempenho operacional, sobretudo nas atividades de formação e treinamento de pilotos de helicópteros, essenciais para o fortalecimento da aviação militar. Além de contar com uma frota numericamente insuficiente para cobrir as vastas áreas do território nacional, a obsolescência dos equipamentos disponíveis comprometia gravemente os índices de disponibilidade e segurança de voo. Essa situação afetava diretamente a eficácia das missões de instrução, transporte e ligação, áreas em que o desempenho das aeronaves era considerado crítico. Grande parte dessas dificuldades decorria da escassez de peças de reposição e da interrupção da linha de produção dos modelos Bell 47D e Bell 47G (designados H-13 na FAB), que já se encontravam há anos fora de fabricação nos Estados Unidos. Diante desse quadro, tornou-se imperativo adotar um novo vetor de asas rotativas, capaz de desempenhar não apenas as funções de treinamento básico e avançado, mas também de apoio operacional complementar aos recentemente incorporados Bell UH-1H “Huey”, que constituíam a espinha dorsal das missões de transporte médio. Com esse objetivo, a Diretoria de Material Aeronáutico e Bélico (DIRMAB), em consonância com as normas de aquisição e licitação do governo federal, decidiu promover uma concorrência internacional visando à aquisição de até 40 helicópteros leves destinados a tarefas de instrução, ligação e transporte. O processo atraiu propostas de importantes fabricantes, entre eles a Bell Helicopter Co., a Boeing Company e a recém-criada Helibras S.A. — que já operava em parceria com a francesa Aérospatiale. Entretanto, restrições orçamentárias impostas à pasta da Aeronáutica levariam ao cancelamento temporário do certame poucos meses após sua abertura, postergando a renovação da frota. Apenas no final de 1985, o Ministério da Aeronáutica retomaria as negociações, desta vez diretamente com a Aérospatiale, dentro de um acordo mais amplo de cooperação técnico-industrial. O plano previa a aquisição de dez helicópteros AS332M Super Puma, destinados a missões de transporte pesado, e dez helicópteros HB355F2 Esquilo Biturbina, configurados para tarefas de transporte leve e ligação. Durante o curso dessas negociações, surgiu a oportunidade de incluir, como parte do pagamento, a devolução dos seis CH-33 Puma anteriormente operados pela Força Aérea Brasileira (FAB), medida que liberaria espaço orçamentário para a compra adicional de trinta células do modelo HB-350B1 Esquilo. Essas aeronaves seriam montadas nas instalações da Helibras em Itajubá (MG), marcando mais um passo na consolidação da indústria brasileira de asas rotativas. A versão HB-350B1 Esquilo, escolhida, era semelhante àquela já operada pela Marinha do Brasil, diferindo principalmente na motorização: enquanto as aeronaves navais utilizavam o Turbomeca Arriel 1D, esta foi equipada com o Turbomeca Arriel 1B, capaz de desenvolver 650 hp de potência nominal, oferecendo desempenho otimizado para as condições tropicais brasileiras. 
Designados oficialmente como UH-50, os helicópteros Helibras HB-350B1 Esquilo representaram um marco importante na modernização da aviação de asas rotativas na  Força Aérea Brasileira (FAB). As aeronaves receberam as matrículas FAB 8760 a 8789, totalizando trinta unidades produzidas e montadas pela Helibras S.A. em Itajubá (MG). As primeiras entregas ocorreram em 10 de outubro de 1986, destinadas ao 1º/11º Grupo de Aviação – Esquadrão Gavião, sediado na Base Aérea de Santos (SP). O Esquadrão Gavião é tradicionalmente reconhecido como o berço da aviação de asas rotativas, sendo a unidade responsável pela formação de todos os pilotos de helicópteros da Força Aérea Brasileira (FAB). A chegada do UH-50 marcou o início de um período de transição operacional na unidade, substituindo progressivamente os veteranos Bell H-13H Sioux e complementando os Bell UH-1H Huey, já empregados nas fases avançadas de instrução. Durante o período de adaptação, entre o final de 1986 e julho de 1987, o Esquadrão Gavião operou simultaneamente os três modelos — H-13H, UH-1H e UH-50 — em um programa de transição gradual. Nessa fase, os H-13H permaneceram dedicados ao treinamento básico, enquanto o UH-50 assumia o treinamento avançado e missões complementares. A partir de 1989, com a desativação dos últimos H-13, o UH-50 passou a assumir integralmente a formação dos pilotos de helicóptero da Força Aérea Brasileira (FAB),, papel que continua a desempenhar até os dias atuais. Além da formação de pilotos da Aeronáutica, os UH-50 Esquilo do 1º/11º GAv – Esquadrão Gavião tiveram um papel histórico adicional: entre 1987 e 1988, foram utilizados para a instrução do primeiro grupo de pilotos de helicóptero do Exército Brasileiro, contribuindo de forma significativa para o desenvolvimento da aviação de asas rotativas também no âmbito do Comando de Aviação do Exército (CAvEx). A expansão do emprego operacional do Esquilo na Força Aérea Brasileira (FAB) seguiu com a entrega de novas aeronaves ao 2º/8º Grupo de Aviação – Esquadrão Poti, sediado na Base Aérea de Recife (PE). Nessa unidade, o UH-50 Esquilo passou a desempenhar missões de busca e salvamento (SAR – Search and Rescue), ligação e observação aérea, transporte leve de pessoal e carga e apoio a operações especiais. A versatilidade do modelo, aliada ao seu baixo custo operacional e à simplicidade de manutenção, consolidou-o rapidamente como um helicóptero utilitário multifuncional. O Estado-Maior da Aeronáutica (EMAer) havia originalmente planejado distribuir as aeronaves entre várias bases, incluindo Santa Cruz (RJ), Canoas (RS), Anápolis (GO) e a Academia da Força Aérea (AFA), em Pirassununga (SP), esta última com duas células dedicadas a missões de busca e salvamento (SAR). Contudo, uma revisão da diretiva em 1987 levou à concentração das aeronaves apenas na Base Aérea de Anápolis e na AFA, onde o modelo passou a cumprir missões de apoio às atividades dos grupos de instrução e do Clube de Voo a Vela, além de servir como aeronave de prontidão para emergências locais.

A introdução do Helibras UH-50 Esquilo — posteriormente redesignado H-50, a partir de 2006, conforme a nova padronização de nomenclatura da Força Aérea Brasileira (FAB) — representou um marco significativo na consolidação da aviação de asas rotativas no país. Sua adoção trouxe uma série de benefícios operacionais, logísticos e doutrinários, impactando diretamente tanto o processo de formação de pilotos quanto o desenvolvimento de novas táticas de emprego em combate. Do ponto de vista instrucional, o H-50 destacou-se por ser um helicóptero moderno, dotado de sistemas mecânicos e aviônicos avançados para a época. Essa modernização permitiu  otimizar a transição dos pilotos entre as fases básica e avançada de instrução, proporcionando uma adaptação mais suave e eficiente para o voo em aeronaves de maior complexidade tecnológica. Como resultado, houve uma redução expressiva nos custos operacionais e de manutenção, além da melhoria na qualidade e na segurança do treinamento. Além do papel formador, o UH-50/H-50 desempenhou um papel estratégico na estruturação da doutrina de operações de combate com helicópteros dentro da Força Aérea Brasileira (FAB). Sua introdução possibilitou o desenvolvimento de conceitos pioneiros de emprego tático de aeronaves de asas rotativas em operações de ataque, apoio aéreo aproximado, resgate em combate (C-SAR) e missões de escolta armada — um campo até então pouco explorado pela aviação nacional. No contexto do 2º/8º Grupo de Aviação – Esquadrão Poti, sediado na Base Aérea de Recife (PE), o H-50 tornou-se o vetor experimental para o aprimoramento de técnicas de combate dissimilar ar-ar entre aeronaves de asa rotativa e asa fixa. Nessas missões, os helicópteros Esquilo eram armados com casulos de metralhadoras FN Herstal calibre .50, sendo empregados em simulações de enfrentamento contra aeronaves de ataque leve, inicialmente os Neiva AT-25 Universal e, posteriormente, os Embraer AT-27 Tucano. Esses exercícios contribuíram decisivamente para a formação da doutrina de escolta e proteção de missões C-SAR (Combat Search and Rescue), consolidando o emprego de helicópteros em operações de resgate em ambiente hostil, com cobertura armada e coordenação integrada entre vetores de diferentes naturezas. Essa evolução conceitual foi um dos marcos mais relevantes da aviação de asas rotativas na FAB durante a década de 1990 e início dos anos 2000. O Esquadrão Poti, por sua vez, tornou-se o principal núcleo de desenvolvimento dessas doutrinas de missões especiais, e a proficiência alcançada por seus pilotos e equipes de manutenção levou o Comando da Aeronáutica (COMAER) a reequipar a unidade em 2006 com o helicóptero AH-2 Sabre (Mi-35M), de fabricação russa, transformando-a oficialmente em um grupo de combate de primeira linha. Com a chegada dos novos helicópteros de ataque, os H-50 Esquilo do Esquadrão Poti foram gradualmente desativados. O último voo operacional ocorreu em 14 de dezembro de 2009, encerrando uma digna trajetória de mais de cinquenta e cinco mil horas de voo acumuladas em missões de instrução, resgate e adestramento tático. As aeronaves remanescentes foram transferidas ao 1º/11º Grupo de Aviação – Esquadrão Gavião, encerrando um importante ciclo histórico para o modelo na aviação de combate brasileira.
O intenso emprego operacional do Helibras H-50 Esquilo ao longo de mais de três décadas de serviço ativo inevitavelmente resultou em um processo de desgaste estrutural progressivo, consequência natural do elevado número de horas de voo acumuladas em missões de treinamento, busca e salvamento e apoio operacional. Ao longo dos anos, diversas aeronaves sofreram danos irreversíveis ou foram retiradas do serviço ativo devido a acidentes e limitações técnicas decorrentes da idade da frota. Entre as células desativadas encontram-se as de matrículas FAB 8760, 8761, 8762, 8763, 8764, 8765, 8766, 8767, 8770, 8771, 8773, 8774, 8776, 8780, 8781, 8782, 8783 e 8786, que foram gradualmente baixadas do inventário da Força Aérea Brasileira. Um dos episódios mais emblemáticos envolvendo o modelo ocorreu em 6 de maio de 1999, quando um UH-50 Esquilo (FAB 8772) acidentou-se nas proximidades de Santa Cruz das Palmeiras (SP). O evento marcaria um ponto simbólico na trajetória do tipo, uma vez que a aeronave acidentada seria preservada como monumento histórico, passando a integrar o acervo da Base Aérea de Natal (BANT) em 2011, como forma de homenagem à relevância do Esquilo na formação de gerações de pilotos de asas rotativas. Atualmente os H-50 Esquilo continuam desempenhando papel central no treinamento básico e avançado de pilotos de helicópteros, além de cumprirem funções secundárias de busca e salvamento (SAR). Parte das células opera em regime de rodízio, sendo destacadas temporariamente para missões de alerta 24 horas junto a outros esquadrões espalhados pelo território nacional, garantindo pronta resposta a emergências e apoio a operações de defesa civil. No ano de 2012, o Comando da Aeronáutica (COMAER) iniciou estudos para um programa de modernização das 18 células remanescentes do H-50, com o intuito de estender sua vida útil e atualizar seus sistemas. O projeto previa a adoção de novos painéis digitais com três telas multifuncionais coloridas, piloto automático de dois eixos, sistemas de autoproteção e alerta passiva, além de intervenções estruturais (retrofit) e melhorias no motor e transmissão. A proposta baseava-se na experiência do Exército Brasileiro (AvEx) com o programa de modernização dos helicópteros HA-1 Fennec e HB-350 Esquilo, de configuração similar. Entretanto, restrições orçamentárias e mudanças de prioridade estratégica levaram à suspensão do programa, com o Comando da Aeronáutica optando por redirecionar recursos para um projeto de substituição gradual da frota, em vez de investir na modernização de um modelo já considerado no limite de seu ciclo operacional. Este novo direcionamento tomou forma com o lançamento do Projeto TX-H, concebido para substituir progressivamente os H-50 Esquilo em uso no Esquadrão Gavião e em missões de instrução e resgate. Em 15 de setembro de 2022, foi assinado o contrato para a aquisição inicial de 12 helicópteros Helibras-Airbus H125, versão modernizada e mais potente da consagrada família Écureuil. A previsão de entrega das primeiras aeronaves a partir de 2025 marca o início de um processo de transição histórica, encerrando o ciclo de um dos helicópteros mais emblemáticos da aviação militar brasileira.

Em Escala.
Para representarmos o  Helibras UH-50 Esquilo "FAB 8773" pertencente ao  2º/8º GAv -  Esquadrão Poti, empregamos o kit Heller /HTC na escala 1/48, (apesar que as dimensões do mesmo aparentam pertencer a escala 1/50). Trata-se de um modelo básico desprovido de detalhamentos, porém de fácil montagem, para se representar a versão empregada pela Força Aérea Brasileira (FAB),  deve-se proceder a inclusão em scratch de antenas de rádio na parte frontal da aeronave . Empregamos decais originais do modelo que foram confeccionados pela FCM Decais.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o segundo padrão de pintura empregado nas aeronaves UH-50, sendo este implementado a partir do ano de 1994 que representa uma modificação do estilo "Southest Asia" com o qual as aeronaves foram recebidas inicialmente em 1984 . Um novo esquema tático de camuflagem com marcações de baixa visibilidade, passou a ser implementado nas células dos Esquilos a partir de março de 2013, após as células serem submetidas a um novo ciclo de revisão em âmbito de parque.  


Bibliografia : 
- A Flecha de Poti - Revista Força Aérea - Nº 3 Action Editora
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 Jackson Flores Jr
- História da Força Aérea Brasileira, Professor Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- Sentando a Lenha em Maxaranguape - Revista Força Aérea - Nº 19 Action Editora