História e Desenvolvimento.
A trajetória da Curtiss Airplane and Motor Company está profundamente ligada aos primórdios da aviação. Nesse cenário emergiu a figura de Glenn Hammond Curtiss, fundador da companhia que se dedicariaà fabricação de aeronaves e motores aeronáuticos, destacando-se especialmente no desenvolvimento de hidroaviões e aeronaves de treinamento. Curtiss tornou-se amplamente reconhecido como o “pai dos hidroaviões”, título conquistado graças às importantes inovações que introduziu na aviação naval. Entre essas realizações destaca-se o NC-4, integrante de uma série de grandes hidroaviões projetados para operações de longo alcance. Em 1919, o NC-4 protagonizou um feito histórico ao realizar a primeira travessia aérea transatlântica com escalas, ligando Newfoundland, no Canadá, aos Açores e Lisboa. A missão demonstrou o potencial estratégico das aeronaves de grande autonomia e consolidou a reputação da Curtiss como uma das principais forças da indústria aeronáutica emergente Com a entrada dos Estados Unidos no conflito, a Curtiss tornou-se a principal fornecedora de aeronaves de treinamento. Nesse contexto destacou-se o célebre JN-4 Jenny, um biplano de dois lugares introduzido em 1915 que se tornaria uma das aeronaves mais emblemáticas da fase inicial da aviação militar. Equipado com o confiável OX-5, de aproximadamente 90 cv potência, o Jenny caracterizava-se por sua robustez estrutural e facilidade de pilotagem, qualidades essenciais para a formação de pilotos em larga escala. Mais de 6.000 exemplares foram produzidos durante a guerra, treinando milhares de aviadores dos Estados Unidos e do Canadá. Após o conflito, muitas dessas aeronaves foram vendidas como excedentes militares, desempenhando papel fundamental na popularização da aviação civil na década de 1920. Paralelamente, a empresa desenvolveu importantes hidroaviões militares, como o H-12 e H-16, utilizados em missões de patrulha marítima e combate antissubmarino tanto pela Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy) quanto pelo Serviço Aéreo Real (RNAS) Essas aeronaves desempenharam papel relevante na vigilância contra a força submarina alemã. Na década de 1920, já consolidada como uma das principais empresas aeronáuticas do mundo, a Curtiss ampliou significativamente seu escopo industrial. A companhia passou a investir de maneira intensiva em pesquisa e desenvolvimento, produzindo tanto aeronaves civis quanto militares, além de avançados motores aeronáuticos. Entre os projetos mais importantes desse período destacou-se o caça Curtiss P-1 Hawk, introduzido em 1925 para o Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC). Esta aeronave incorporava avanços significativos, incluindo maior uso de estruturas metálicas e motores mais potentes, características que anunciavam a transição para uma nova geração de caças. No campo da propulsão aeronáutica, a empresa também obteve grande destaque com o desenvolvimento do D-12, um V-12 refrigerado a líquido que se revelou notavelmente eficiente e aerodinamicamente vantajoso em comparação aos motores radiais predominantes da época. O desempenho desse motor foi amplamente demonstrado em competições internacionais, particularmente quando o hidroavião de corrida R3C, pilotado pelo então tenente Jimmy Doolittle, conquistou a vitória na Schneider Trophy de 1925.
Em 1929, a empresa fundiu-se com a Wright Aeronautical, resultando na criação da Curtiss-Wright Corporation, com esta sendo herdeira direta do legado técnico dos pioneiros Orville Wright e Wilbur Wright. Nas décadas seguintes, a empresa consolidou-se como uma das principais forças da indústria aeronáutica norte-americana. Um exemplo emblemático dessa trajetória pode ser observado no desenvolvimento do Model 75, um moderno caça monomotor monoplano . O projeto surgiu no contexto de um ousado programa de planejamento estratégico da empresa, cujo objetivo era antecipar futuras necessidades operacionais dos militares. O primeiro protótipo do novo caça foi concluído em maio de 1934 e incorporava soluções estruturais consideradas avançadas para a época. A aeronave apresentava construção predominantemente metálica, mantendo superfícies de controle revestidas em tecido, prática ainda comum na transição tecnológica daquele período. O conjunto propulsor escolhido foi o motor radial experimental Wright XR-1670, capaz de desenvolver aproximadamente 900 hp (670 kW). No que se refere ao armamento, o protótipo estava equipado com duas metralhadoras de calibre 7,62 mm instaladas nas asas, complementadas por uma metralhadora de calibre 12,7 mm sincronizada para disparar através do arco da hélice. Como era característico de muitos caças do início da década de 1930, o projeto inicial ainda não incorporava blindagem para o piloto nem tanques de combustível auto-vedantes recursos que se tornariam padrão apenas alguns anos mais tarde, diante da experiência adquirida em conflitos reais. O primeiro voo do protótipo ocorreu em 6 de maio de 1935. Durante os ensaios iniciais, a aeronave demonstrou desempenho promissor, alcançando cerca de 452 km/h a 10.000 pés (aproximadamente 3.000 metros). Embora apresentasse limitações em altitudes elevadas decorrentes da ausência de um sistema de turbocompressor o projeto impressionou os avaliadores militares. Como resultado, em 1937 foi firmado um contrato para a produção de 210 exemplares da aeronave, agora oficialmente designada Curtiss P-36 Hawk. As primeiras unidades de série foram entregues em abril de 1938 ao 20th Pursuit Group, baseado em Barksdale Field, no estado da Louisiana. Ali iniciou-se o processo de conversão operacional de pilotos e a formação de quadros instrutores responsáveis por difundir o emprego da nova aeronave nas unidades de caça do Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC). Entretanto, a rápida evolução do cenário internacional alteraria significativamente os parâmetros de desempenho exigidos para aeronaves de combate. Os intensos combates aéreos decorrentes da Segunda Guerra Sino-Japonesa, iniciada com a invasão japonesa da China em 7 de julho de 1937, bem como a eclosão da Segunda Guerra Mundial na Europa em setembro de 1939, demonstraram que os caças de nova geração precisariam apresentar maior velocidade, melhor armamento e maior capacidade de sobrevivência em combate. A rápida evolução da aviação militar ao final da década de 1930 alterou profundamente os parâmetros de desempenho exigidos para aeronaves de caça.
A rápida evolução da aviação militar ao final da década de 1930 alterou profundamente os parâmetros de desempenho exigidos para aeronaves de caça. A experiência obtida nos primeiros combates da época demonstrava que os novos caças deveriam apresentar velocidades mais elevadas, maior razão de subida, armamento mais pesado e melhor capacidade de sobrevivência em combate. Exemplos emblemáticos dessa nova geração eram o alemão Messerschmitt Bf 109 e o japonês Mitsubishi A6M Zero, aeronaves que rapidamente se destacaram por sua elevada performance e eficácia operacional. Diante desse cenário, tornava-se cada vez mais evidente, que o então moderno P-36 Hawk dificilmente conseguiria competir em igualdade de condições com os novos padrões estabelecidos pela aviação de combate internacional. Embora representasse um avanço importante em relação aos biplanos que ainda equipavam muitas unidades no início da década de 1930, o P-36 já demonstrava limitações diante do ritmo acelerado da evolução tecnológica. Com o objetivo de superar essa deficiência, a equipe de engenharia buscou explorar ao máximo o potencial de desenvolvimento de seu projeto existente. A estratégia adotada consistia em aproveitar a célula básica do P-36 já comprovada estruturalmente como ponto de partida para uma nova aeronave dotada de maior potência e melhor desempenho, reduzindo assim os custos e o tempo de desenvolvimento. Nesse contexto, os engenheiros da empresa iniciaram estudos para combinar a estrutura do P-36 com um novo sistema de propulsão. A solução proposta consistia na adoção de um motor em linha refrigerado a líquido desenvolvido pela Allison Engine Company, especificamente o Allison V-1710, um moderno motor de doze cilindros em “V” que prometia maior potência e melhor desempenho aerodinâmico quando comparado aos motores radiais então utilizados. O projeto resultante recebeu a designação militar Curtiss XP-37. O programa avançou a ponto de se firmar um contrato para a produção de treze aeronaves de pré-série destinadas à avaliação operacional. No entanto, após sua entrega, os protótipos revelaram uma série de problemas técnicos significativos. As dificuldades estavam concentradas principalmente no grupo motopropulsor e em seus sistemas auxiliares, comprometendo a confiabilidade e o desempenho da aeronave. Em razão dessas limitações, o programa acabou sendo cancelado antes que pudesse atingir maturidade operacional. Determinada a encontrar uma solução viável, a Curtiss-Wright decidiu seguir uma abordagem mais conservadora. Mantendo a célula básica derivada do P-36, os engenheiros desenvolveram um novo projeto que abandonava as soluções mais complexas testadas no XP-37 e incorporava uma instalação mais eficiente do motor Allison V-1710, capaz de desenvolver aproximadamente 1.150 hp. Esse novo caça recebeu a designação Curtiss XP-40. O primeiro protótipo realizou seu voo inaugural em 14 de outubro de 1938, sendo pilotado pelo experiente piloto de testes da companhia, Edward Elliott. Apesar das expectativas depositadas no novo projeto, os resultados iniciais do programa de ensaios em voo foram decepcionantes.
A rápida evolução da aviação militar ao final da década de 1930 alterou profundamente os parâmetros de desempenho exigidos para aeronaves de caça. A experiência obtida nos primeiros combates da época demonstrava que os novos caças deveriam apresentar velocidades mais elevadas, maior razão de subida, armamento mais pesado e melhor capacidade de sobrevivência em combate. Exemplos emblemáticos dessa nova geração eram o alemão Messerschmitt Bf 109 e o japonês Mitsubishi A6M Zero, aeronaves que rapidamente se destacaram por sua elevada performance e eficácia operacional. Diante desse cenário, tornava-se cada vez mais evidente, que o então moderno P-36 Hawk dificilmente conseguiria competir em igualdade de condições com os novos padrões estabelecidos pela aviação de combate internacional. Embora representasse um avanço importante em relação aos biplanos que ainda equipavam muitas unidades no início da década de 1930, o P-36 já demonstrava limitações diante do ritmo acelerado da evolução tecnológica. Com o objetivo de superar essa deficiência, a equipe de engenharia buscou explorar ao máximo o potencial de desenvolvimento de seu projeto existente. A estratégia adotada consistia em aproveitar a célula básica do P-36 já comprovada estruturalmente como ponto de partida para uma nova aeronave dotada de maior potência e melhor desempenho, reduzindo assim os custos e o tempo de desenvolvimento. Nesse contexto, os engenheiros da empresa iniciaram estudos para combinar a estrutura do P-36 com um novo sistema de propulsão. A solução proposta consistia na adoção de um motor em linha refrigerado a líquido desenvolvido pela Allison Engine Company, especificamente o Allison V-1710, um moderno motor de doze cilindros em “V” que prometia maior potência e melhor desempenho aerodinâmico quando comparado aos motores radiais então utilizados. O projeto resultante recebeu a designação militar Curtiss XP-37. O programa avançou a ponto de se firmar um contrato para a produção de treze aeronaves de pré-série destinadas à avaliação operacional. No entanto, após sua entrega, os protótipos revelaram uma série de problemas técnicos significativos. As dificuldades estavam concentradas principalmente no grupo motopropulsor e em seus sistemas auxiliares, comprometendo a confiabilidade e o desempenho da aeronave. Em razão dessas limitações, o programa acabou sendo cancelado antes que pudesse atingir maturidade operacional. Determinada a encontrar uma solução viável, a Curtiss-Wright decidiu seguir uma abordagem mais conservadora. Mantendo a célula básica derivada do P-36, os engenheiros desenvolveram um novo projeto que abandonava as soluções mais complexas testadas no XP-37 e incorporava uma instalação mais eficiente do motor Allison V-1710, capaz de desenvolver aproximadamente 1.150 hp. Esse novo caça recebeu a designação Curtiss XP-40. O primeiro protótipo realizou seu voo inaugural em 14 de outubro de 1938, sendo pilotado pelo experiente piloto de testes da companhia, Edward Elliott. Apesar das expectativas depositadas no novo projeto, os resultados iniciais do programa de ensaios em voo foram decepcionantes. O desempenho apresentado pela aeronave mostrou-se inferior ao esperado, gerando preocupações tanto na diretoria da empresa quanto entre os responsáveis pelo programa dentro do Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC). Para o projetista-chefe Don R. Berlin, o cenário era particularmente delicado, pois o futuro do projeto dependia diretamente de sua aceitação pelos militares. Diante da possibilidade de cancelamento, a equipe técnica da empresa iniciou um processo emergencial de revisão do projeto. Diversas modificações foram implementadas com o objetivo de melhorar o desempenho geral da aeronave, incluindo refinamentos aerodinâmicos, alterações no sistema de admissão do motor e melhorias estruturais destinadas a reduzir o arrasto e aumentar a eficiência em voo. Apesar desses esforços, persistia entre os avaliadores a percepção de que a nova aeronave continuava aquém do desempenho demonstrado pelos caças mais avançados então em serviço em outras forças aéreas. Quando comparado aos modernos caças alemães e japoneses, o projeto da Curtiss apresentava desvantagens perceptíveis tanto em velocidade quanto em manobrabilidade. Mesmo compreendendo as limitações deste novo modelo, o comando do Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC) se viu premido pela urgente necessidade de se reaparelhar sua arma aérea, levando este cenário a influenciar profundamente a decisão de aquisição desta nova aeronave. Aliado a esta importante motivação, estava o baixo custo de aquisição e operação, e a possibilidade de poder ser colocado em produção seriada, muito antes de qualquer aeronave de melhor performance que poderia estar em desenvolvimento naquele momento. Desta maneira em 26 de abril de 1939, seria assinado o primeiro contrato para a produção de exemplares da versão Curtiss P-40B, com este modelo sendo popularmente chamado de "Tomahawk". As primeiras aeronaves de série começariam a ser entregues aos grupos de caça norte-americanos a partir de abril de 1940. Seu batismo de fogo ocorreria no final de 1941, junto a Força Aérea da República da China (ROCAF), quando caças pertencentes à esquadrilha "Tigres Voadores", pilotados por voluntários norte-americanos entrariam em combate pela primeira vez contra aeronaves japonesas. Apesar de performance inferior aos seus opositores, o líder do esquadrão o lendário Coronel Claire Chennault, treinaria seus pilotos a exaustão, conseguindo assim extrair ao máximo as poucas características positivas do Curtiss P-40B Tomahawk. Este processo resultaria durante toda a campanha na destruição de quase trezentas aeronaves inimigas contra a perda de apenas quatro caças Curtiss P-40B Tomahawk, em ocorrências de combates ar-ar. A Força Aérea Real (RAF) em 1940, se tornaria o segundo operador internacional desta família de aeronaves, com o governo britânico se valendo dos termos programa Leand & Lease Bill Act (Lei de Arrendamentos e Empréstimos), procedendo a encomenda de centenas de células das versões P-40B Tomahawk IIA e P-40C Tomahawk IIB. Seu batismo de fogo junto aos britânicos ocorreria a partir de agosto de 1942, quando empregados nas operações aérea na África do Norte, neste campo e batalha os embates ar-ar se dariam a média altura ou missões de ataque a solo. Este perfil de operação ajudaria a aeronave a melhorar seus resultados, tendo em vista seu sofrível desempenho em altas altitudes.

Neste contexto o 112º Esquadrão de Caças da Força Aérea Real (RAF) seria o pioneiro neste front de batalha, com suas aeronaves empregando o famoso esquema de nose art "Shark Mouth" (boca de tubarão), com estes sendo inspirados nos mesmos grafismos empregados nos caças pesados Me-110 Zerstörer alemães. A ausência de turbo compressores nos modelos P-40B e P-40C tornavam estas aeronaves nitidamente inferior também aos caças BF 109 e FW 190 em combate a altas altitudes. No intuito de sanar esta deficiência, a partir de 1941, seriam criadas as versões P-40D e P-40E, que passavam a contar com motores mais potentes, turbo compressores, armamento orgânico renovado e blindagem reforçada. Destas variantes iniciais, seriam produzidas mais 1.500 células, que apesar de todas as falhas de projeto, seriam notabilizadas por grandes resultados quando em serviço em teatros de operações como China, Burma, Leste Europeu, Pacífico Sul e Norte da África. O primeiro envolvimento em combate com os P-40E Warhawk do Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC), se daria durante o ataque e Pearl Harbour em 7 de dezembro de 1941, quando dois destes caças lograram êxito em decolar em meio ao bombardeio, chegando a abater vários aviões japoneses. No início da campanha do Pacífico, a maior parte das operações de interceptação e ataque executadas, seriam suportadas pelo binômio de caças P-40 Warhawk e P-39 Airacobra, atuando em conjunto com os F-4F Wildcat da aviação naval da Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy), contribuindo decisivamente assim para suportar a pressão japonesa durante o período crítico inicial do conflito. Já em serviço no exército, os P-40E Warhawks seriam operados por um total de 15 grupos de caça entre os anos de 1941 e 1945 e por algumas unidades de reconhecimento tático. Neste período, novas versões seriam desenvolvidas como o P-40K e P-40M que passariam a ser equipados com varia melhorias como motores mais potentes Allison 1710-73 (F4R) V-12, sistema de refrigeração válvula rotativa, adoção de radiadores e resfriadores em alumínio, carlingas sem moldura e maior capacidade de transporte de bombas. Além da Grã-Bretanha e China Nacionalista, os caças Curtiss P-40 Warhawk seriam cedidos nos termos do programa de ajuda militar Leand & Lease Act Bill (Lei de Arrendamentos e Empréstimos), a mais nações aliadas durante o conflito, como Austrália, Canada, Nova Zelândia, União Soviética e Brasil. O modelo passaria a ser substituído no Força Aérea do Exército dos Estados Unidos (USAAF)a partir do ano de 1944 pelos novos P-51 Mustang e P-47 Thunderbolt. Ao todo entre os anos de 1939 e 1944, seriam produzidas um total de 13.739 células, divididas em 12 versões distintas. Após o término do conflito estas aeronaves se manteriam em uso pelas forças aéreas do Egito, Brasil, Finlândia, França, Indonésia, Polônia, Holanda, África do Sul e Turquia, operando pelo menos até a segunda metade da década de 1950.
Emprego na Força Aérea Brasileira.
No início da Segunda Guerra Mundial, o governo dos Estados Unidos passou a considerar com crescente preocupação a possibilidade de uma invasão do continente americano pelas potências do Eixo — Alemanha, Itália e Japão. A capitulação da França em junho de 1940 intensificou esses temores, especialmente diante da possibilidade de que a Alemanha nazista estabelecesse bases operacionais em territórios coloniais franceses, como as Ilhas Canárias e Dacar (atual Senegal). Nesse cenário, o Brasil emergiu como um ponto estratégico vulnerável devido à sua proximidade geográfica com o continente africano, que, após a campanha alemã no Norte da África iniciada em 1940, figurava nos planos expansionistas do Terceiro Reich. Além disso, as conquistas japonesas no Sudeste Asiático e no Pacífico Sul, incluindo a ocupação da Indochina em 1940 e das Filipinas em 1942, transformaram o Brasil no principal fornecedor de látex para os Aliados, uma matéria-prima essencial para a produção de borracha, utilizada em pneus, vedações e outros componentes críticos para a indústria bélica. A costa nordeste brasileira, particularmente nas cidades de Recife e Natal, adquiriu relevância estratégica por ser o ponto mais próximo entre os continentes americano e africano, facilitando o translado aéreo de tropas, veículos, suprimentos e aeronaves para os teatros de operações na Europa e no Norte da África, como a Operação Tocha de novembro de 1942. Diante dessas ameaças, o governo brasileiro, liderado pelo presidente Getúlio Vargas, intensificou a aproximação política e econômica com os Estados Unidos, resultando em uma série de acordos estratégicos. Um dos mais significativos foi a adesão do Brasil ao programa de ajuda militar Lend-Lease Act (Lei de Arrendamento e Empréstimo), promulgado pelo Congresso americano em março de 1941. Esse programa destinou ao Brasil uma linha de crédito inicial de US$ 100 milhões (equivalente a cerca de US$ 2 bilhões em valores ajustados para 2025), voltada para a aquisição de armamentos modernos, incluindo aeronaves, veículos blindados, carros de combate e navios. O objetivo principal era modernizar as Forças Armadas, que na época, enfrentavam obsolescência em equipamentos, armamentos e doutrina operacional militar. Estes recurso foram essenciais para capacitar o Brasil a enfrentar as ameaças representadas pelos submarinos alemães (U-boats) da Kriegsmarine e italianos da Regia Marina, que intensificaram ataques contra a navegação civil e militar ao longo do extenso litoral brasileiro. Entre 1942 e 1943, cerca de 20 navios mercantes brasileiros foram afundados, impactando o transporte de matérias-primas cruciais para os Estados Unidos. A modernização naval e aérea, impulsionada pelo programa, permitiu ao Brasil desempenhar um papel ativo na defesa do Atlântico Sul e na proteção das rotas marítimas aliadas. Neste período a recém-criada Força Aérea Brasileira (FAB), estabelecida em 20 de janeiro de 1941, enfrentava desafios significativos devido à obsolescência de sua frota. Composta por aeronaves ultrapassadas, a Aeronáutica carecia de equipamentos modernos, incluindo aviões de treinamento básico e avançado, essenciais para formar pilotos militares em quantidade e qualidade suficientes para atender às demandas de um conflito global.
Um ambicioso programa de reequipamento foi implementado com o objetivo de fortalecer a defesa territorial do país, tanto em seu vasto território continental quanto em suas áreas ultramarinas. Esse esforço buscava garantir uma resposta eficaz às crescentes ameaças do conflito, que já se espalhava pela Europa e pelo Pacífico, exigindo do Brasil uma postura de prontidão para proteger seus interesses estratégicos. Nesse contexto inicial de envolvimento brasileiro na guerra, as aeronaves militares da recém-criada Força Aérea Brasileira (FAB), estabelecida oficialmente em 20 de janeiro de 1941, desempenhavam um papel essencial, mas ainda limitado. As missões se concentravam em voos de presença e patrulha ao longo do extenso litoral brasileiro, muitas vezes realizadas por monomotores como o North American AT-6B Texan e o Vought V-65B Corsair. Contudo, a aviação de caça da Aeronáutica enfrentava sérias limitações, operando com aeronaves como os Boeing F-4B e P-12, que, além de disponíveis em quantidades reduzidas, eram completamente obsoletos frente aos padrões tecnológicos da época. Essa defasagem colocava a Força Aérea Brasileira (FAB) em desvantagem significativa, tornando a modernização de sua frota uma prioridade inadiável. O programa de reequipamento foi planejado em fases, considerando as demandas emergenciais dos fronts europeu e pacífico, que absorviam grande parte da produção aeronáutica dos Estados Unidos e seus aliados. A primeira etapa priorizou a entrega de aeronaves de treinamento e conversão, fundamentais para a formação de um quadro de pilotos capacitados a atender às exigências operacionais de um conflito moderno. Em seguida, a aviação de patrulha marítima foi fortalecida, com o objetivo de proporcionar cobertura aérea aos comboios militares e civis que navegavam pelas costas brasileiras, vulneráveis a ataques de submarinos inimigos, como os U-boats alemães que operavam no Atlântico Sul. Essa abordagem escalonada, no entanto, postergava a aquisição de caças modernos diretamente das linhas de produção. A introdução de aeronaves de combate de ponta só se concretizaria mais tarde, com a entrega dos caças-bombardeiros Republic P-47D Thunderbolt, que equipariam o 1º Grupo de Aviação de Caça (1º GAvCa). Essas aeronaves desempenhariam um papel crucial nos céus da Itália, onde o Brasil se destacou como o único país sul-americano a enviar forças de combate ao teatro europeu da Segunda Guerra Mundial. Enquanto a chegada de caças novos de fábrica era aguardada, a Força Aérea Brasileira (FAB) recebeu, em 8 de março de 1942, um lote inicial de dez células do Curtiss-Wright P-36A Mohawk, provenientes de unidades de reserva ou treinamento do Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC). Apesar de serem consideradas modernas para os padrões brasileiros da época, essas aeronaves foram classificadas como “restritas para voo”, o que limitava severamente seu uso em operações de combate devido a questões de manutenção e desempenho.
Um marco significativo no processo de modernização ocorreu em abril de 1942, com a entrega de 06 células novas de fábrica do P-40E-1-CU Warhawk. Originalmente destinadas à Força Aérea Real (RAF), essas aeronaves foram redirecionadas para atender às necessidades urgentes da Força Aérea Brasileira (FAB). As células chegaram ao Brasil ostentando o padrão de camuflagem britânico, incluindo a icônica pintura “Shark Mouth” (boca de tubarão) na fuselagem, um detalhe que conferia um caráter distintivo e intimidador. Com matrículas originais ET-742, ET-778, ET-779, ET-780, ET-782 e ET-785, elas foram redesignadas no Brasil, inicialmente como “FAB 01 a 05” e, posteriormente, como “FAB 4020 a 4025”. Curiosamente existem um registro fotográfico de pelo menos uma célula deste modelo ostentando padrão de pintura do Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC). Estas aeronaves seriam destinadas a Base Aérea de Fortaleza, onde foram incorporadas ao Agrupamento de Aeronaves de Adaptação (AAA), unidade esta que fora criada em 4 de fevereiro de 1942, tendo com sua principal missão a adaptação dos militares brasileiros as aeronaves norte-americanas. Sob a tutela de instrutores norte-americanos, seriam ministrados cursos nessas e em outras aeronaves pertencentes à dotação, para assim atualizar o conhecimento técnico do pessoal brasileiro, auferindo-lhe melhor instrução sobre procedimentos e táticas de emprego que estavam sendo utilizados nos combates aéreos sobre a Europa e o Pacífico. Em novembro deste mesmo ano, um segundo lote de aeronaves de caça seria transferido composto por dez células do modelo P-40K-10CU, e logo em seguida um terceiro lote com dezessete unidades da variante P-40K-15CU e por fim dez aeronaves do modelo P-40M-5-CU. Logo em seguida os P-40E seriam transferidos para operação junto a Base Aérea de Natal, onde voariam ao lado de aeronaves AT-6, P-40K e P-40M, no Grupo Monoposto Monomotor (GMM). Esta unidade era composta por quatro esquadrilhas, sendo os veteranos P-40E Warhawks concentrados na primeira esquadrilha do grupo. Mesmo não dispondo de armamento adequado para combate contra submarinos, a presença de caças monomotores como os P-40E Warhawk, já era suficiente para inibir as atividades dos submarinos alemães e italianos em missões de torpedeamento no litoral brasileiro, pois estes submersíveis não possuíam meios para diferenciar distintos tipos de aeronaves a grandes distancias e altitudes. O agravamento do estado beligerante provocado pelo evoluir de torpedeamentos de navios mercantes brasileiros, levaria a urgência de realização de um grande número de surtidas de patrulha fazendo uso de todos os meios disponíveis no Grupo Monoposto Monomotor (GMM). Assim tão logo os novos pilotos fossem declarados como "habilitados" naquelas aeronaves, já passavam a ser escalados para a participação em longas e tediantes missões de patrulha nas regiões litorâneas do nordeste brasileiro. No entanto periodicamente, estes pilotos também exercitavam suas habilidades de tiro ar-terra no estande de exercício militar adjacente ao campo de pouso de Jardim de Angicos no estado do Rio Grade do Norte. A partir de 1943, os P-40E Warhawks passariam também a serem empregados pelo II Grupo Monoposto Monomotor, sediado na Base Aérea de Recife. O dia 17 de agosto de 1944, ) marcou um momento significativo com a extinção do Grupo Monoposto Monomotor (GMM) e a criação do 2º Grupo de Caça (2º GpCa), uma unidade destinada a concentrar todos os caças P-40 Warhawk em operação na cidade de Natal, Rio Grande do Norte. Essa nova organização foi a primeira a receber as modernas células do modelo P-40N, representando um avanço na capacitação para o pleno atendimento das demandas do conflito. Contudo, a permanência do 2º GpCa em Natal foi breve. Apenas um mês após sua criação, foi determinada a sua transferência para a Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, acompanhada de parte de sua equipe, equipamentos e aeronaves. Para preencher o vazio deixado em Natal, foi criado o 1º Grupo Misto de Aviação (1º GMA), uma unidade que combinava esquadrilhas de caças equipados com diferentes versões do P-40 incluindo os modelos P-40E, P-40K, P-40M e P-40N e bombardeiros B-25B e B-25J Mitchell. Essa estrutura, no entanto, também teve vida curta, pois pouco tempo depois, o 1º GMA foi substituído pelo 5º Grupo de Bombardeio Médio (5º GBM), e todas as células remanescentes da família P-40 foram transferidas para a Base Aérea de Santa Cruz, consolidando a presença desses caças no Rio de Janeiro. A transição dos veteranos P-40E, porém, não foi imediata. Antes da transferência, decidiu-se que essas aeronaves, intensamente utilizadas nas fases iniciais do conflito, passariam por uma revisão geral no Parque de Aeronáutica de São Paulo (PqAerSP). Para isso, foi formada uma comissão técnica encarregada de implementar um processo de manutenção extensiva, com o objetivo de prolongar a vida útil dessas células. Durante as inspeções, no entanto, foram identificados desgastes estruturais significativos, resultado do uso prolongado e intensivo em missões de patrulha e treinamento. Esses problemas culminaram na decisão de condenar quatro dessas aeronaves, declaradas inaptas para voo, evidenciando os limites impostos pela fadiga estrutural após anos de operação em condições exigentes. Com o término da Segunda Guerra Mundial em 1945, a Força Aérea Brasileira (FAB) iniciou um novo capítulo em sua história. O retorno ao Brasil da frota de caças-bombardeiros P-47D Thunderbolt, operada pelo 1º Grupo de Aviação de Caça (1º GAvCa) nos céus da Itália, marcou um momento de renovação. Esses aviões, que se destacaram em combate no teatro europeu, assumiram o papel principal como caças e aeronaves de ataque, aliviando a carga operacional das células remanescentes dos P-40. A chegada de mais dezenove células novas de fábrica do modelo P-47D-40 Thunderbolt, entregues no pós-guerra, reforçou ainda mais a capacidade da Força Aérea Brasileira (FAB), permitindo uma reorganização estratégica de sua frota. Nesse contexto, as células sobreviventes da família P-40 Warhawk foram transferidas para a região Sul do Brasil, passando a operar a partir da Base Aérea de Canoas, no Rio Grande do Sul.
Na Base Aérea de Canoas, o 3º Grupo de Caça, então subordinado ao 3º Regimento de Aviação, passou a operar as células remanescentes desta família, e a manutenção da operacionalidade dessas aeronaves exigiu grande esforço logístico e técnico por parte dos oficiais, pilotos e especialistas em manutenção. Entre as aeronaves então em serviço destacava-se o veterano P-40E, matriculado como “FAB 4021”. Considerada inicialmente passível de recuperação e modernização, essa célula foi submetida a um longo e meticuloso processo de revisão nas oficinas do Parque de Aeronáutica de São Paulo (PqAerSP). O trabalho, conduzido com elevado rigor técnico, revelou-se particularmente complexo, exigindo quase cinco anos de intervenções estruturais e mecânicas destinadas a restaurar a integridade da aeronave. Somente no final de março de 1950 o “FAB 4021” foi finalmente reintegrado ao serviço ativo. Após a conclusão dos ensaios e verificações operacionais, a aeronave foi transladada em voo para a Base Aérea de Canoas, onde passou a integrar a dotação do 1º/14º Grupo de Aviação, unidade conhecida como Esquadrão Pampa. Essa designação havia sido adotada em 1947, quando o antigo 3º Grupo de Caça do 3º Regimento de Aviação foi reorganizado segundo a nova estrutura . Dentro da unidade, o “FAB 4021” foi incorporado à Esquadrilha Branca, uma das subdivisões operacionais do esquadrão. Durante esse período, o Esquadrão Pampa concentrou praticamente todas as aeronaves remanescentes da família P-40 ainda em serviço. Embora essas aeronaves continuassem a desempenhar missões de treinamento avançado, patrulha aérea e familiarização operacional, sua importância estratégica diminuía gradativamente diante da crescente predominância de aeronaves mais modernas, como o Republic P-47 Thunderbolt, que se tornara o principal vetor de caça da aviação brasileira no pós-guerra. O “FAB 4021” permaneceu em operação regular até agosto de 1953, quando, em conformidade com o calendário de manutenção preventiva de segundo nível, foi novamente encaminhado ao PqAerSP para uma revisão programada. Concluídos os reparos necessários, a aeronave retornou ao serviço ativo; contudo, sua carreira operacional já se aproximava do final. Em abril de 1954, inspeções técnicas mais aprofundadas revelaram danos estruturais críticos, entre eles nervuras de asas partidas e rachadas, indícios claros do desgaste acumulado ao longo de anos de emprego intensivo, tanto durante o período da guerra quanto no prolongado serviço pós-conflito. Diante desse quadro, e considerando os custos e a complexidade de uma nova recuperação estrutural, decidiu-se pela retirada definitiva da aeronave de serviço. A célula foi então encaminhada ao Núcleo do Parque de Aeronáutica de Porto Alegre (PqAerPA), onde foi desmontada para o aproveitamento de componentes e materiais destinados à manutenção de outras aeronaves ainda em operação. Em Escala.
Para representarmos o Curtiss P-40E-1-CU Warhawk "FAB 02“ quando em serviço pelo Agrupamento de Aeronaves de Adaptação (AAA) sediado na Base Aérea de Fortaleza durante o ano de 1942, fizemos uso do antigo kit produzido pela Arii Models na escala 1/48. Modelo este que apresenta qualidade razoável de injeção e montagem, apresentando como diferencial a possibilidade de expormos o motor Alison V-1710 em linha da aeronave, o que assim retratamos em nosso trabalho. Fizemos uso de decais confeccionados pela FCM Decals presentes no antigo set 48/02.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura tático empregado pela quase totalidade das aeronaves norte-americanas cedidas a Real Força Aérea (Royal Air Force) nos termos do programa Leand & Lease Bill Act (Lei de Arrendamentos e Empréstimos. Os P-40E brasileiros manteriam este padrão pelo menos até o ano de 1950, quando foram submetidos a uma grande revisão geral em âmbito de parque, deste processo apenas o P-40E "FAB 4021" emergiria passando a ostentar o esquema de pintura em metal natural dos demais modelos desta aeronave em uso pela Força Aérea Brasileira (FAB).
Bibliografia :
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 / 2015 - Jackson Flores Jr
- Curtiss P-40 Warfawk - Wikipedia - http://en.wikipedia.org/wiki/curtiss_P-40_warhawk
- História da Força Aérea Brasileira, Prof Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html





