L-1111 & L1113 & L-1114 Mercedes Benz

História e Desenvolvimento. 

A origem da empresa ocorreu em 1924 quando as duas maiores rivais no setor de automóveis e caminhões  DMG (Daimeler Mercedes) e Benz & Cia, devido a necessidade de impulsionar a economia Alemã após a Primeira Guerra Mundial, selaram uma cooperação mútua, surgindo assim 1926 a empresa Daimler-Benz AG. Esta nova empresa produzira motores, automóveis e caminhões exigindo, segundo o acordo entre as partes, que a união entre as duas empresas perpetuasse até o ano 2000. Além dos automóveis e dos caminhões, fabricavam também barcos e aviões (militares e civis), tendo ampla participação no esforço de guerra alemão durante a Segunda Guerra Mundial. Com o término do conflito a empresa foi reconstruída em cooperação com os aliados, no intuito de prover a recuperação econômica do país.  Em meados da década de 1950 a Mercedes Benz iniciou sua participação no segmento de caminhões de pequeno porte, sua primeira investida neste novo nicho de mercado se deu com o o L-319, um modelo que apresentava um desenho de cabine avançada, uma solução para alguns problemas que possuía inúmeras vantagens, pois este formato permitia um espaço maior para a carga, sem a necessidade de se modificar o comprimento total do chassi, nem a distância entre eixos.  O êxito alcançado no mercado com este modelo denominado LP ou Pulman originou uma família de caminhões com as versões LP-315, LP-321, LP-326, LP-329 e LP-331. 

No inicio da década de 1950 a Mercedes Benz começou a estudar novos mercado, priorizando sua expansão para o continente americano, dentre estes planos planejava-se o estabelecimento de uma linha de produção de caminhões e futuramente chassis para ônibus no Brasil. Este projeto se concretizaria em 1956 com a inauguração da fábrica de São Bernardo do Campo, tendo como primeiro produto caminhão médio L 312, vulgo “Torpedo”, considerado o primeiro veículo comercial a diesel brasileiro. Em 1960, a marca participou da primeira edição do Salão do Automóvel. Um ano depois, deu-se início às exportações para o mercado latino-americano, com a venda de 550 unidades do ônibus O 321 para a Argentina. A exemplo da matriz os caminhões da família LP-315, LP-321, LP-326, LP-329 e LP-331, que também passariam a ser produzidas pela subsidiaria brasileira a partir de 1957. Já na Alemanha na década seguinte ocorria o lançamento da linha MB 1111 apresentava como novidade um projeto de cabine semiavançada com um novo design visual contemplando faróis redondos. Este novo modelo logo conquistaria a preferência dos consumidores, ajudando a consolidar a imagem da Mercedes Benz com uma marca sinônimo de confiança, estabilidade e baixo custo de manutenção. A produção do L-1111 (MB) teve inicio no Brasil em 1964 este modelo ajudou a construir a imagem da Mercedes-Benz no pais, se tornando um grande sucesso de vendas, acumulando uma venda de 39.000 unidades em seis anos de produção.
O MB L-1111 ou “Onze Onze” como era popularmente chamado, foi o grande precursor da cabine semiavançada da série AGL, que anos mais tarde faria muito sucesso o L-1113 “Onze Treze”. Em suma se tratava do modelo antigo com teto baixo que evoluiria entre 1970 e 1971 para a versão teto alto, que equipou outros modelos como L-1313, L-1513, 2013 (6X2), 2213 (6X4) e outros até fins da década de 1980. Os dois modelos iniciais foram os veículos mais representativos na trajetória da marca no Brasil, introduzindo entre outras inovações o sistema de suspensão por feixe semielíptico transversal secundado por amortecedores telescópicos. o que diz respeito ao trem de força o L-1111, vinha equipado com o motor Mercedes-Benz OM-321, o mesmo que equiparam os caminhões Cara-Chata LP-321, bem como, os ônibus de motor dianteiro LPO-321, e os monoblocos O-321 H e HL, esse motor trabalhava ainda com o sistema de injeção tipo indireta Bosch com aspiração natural – popular “maçarico” – e com seis cilindros em linha esse propulsor Mercedes-Benz gerava seus 110 cv de potência (DIN). No início o L-1111 foi oferecido nas versões L, LK e LS., sendo que a versão L era a única disponibilizada em três opções de distância entre eixos ( 3.600 mm / 4.200 mm / 4.823 mm). Havia ainda a versão L-1111/48 que era um veículo indicado ao transportador com interesse em implementar 3º eixo, adaptado por montadores credenciados pela Mercedes. Com exceção das versões L-1111/48 e LS-1111/36 com semirreboque e CMT de 18.300 kg, as demais versões do 1111 garantiam um PBT de 10,5 toneladas.

Um ano mais tarde, em 1965 a Mercedes-Benz lança a versão 4X4 tração total do 1111. A versão LA-1111 (4X4) foi à sucessora do Cara-Chata tração total LAP-321 (4X4), passando a ser oferecido nas versões LA, LAK e LAS. A versão LA-1111 era a única com duas opções de distância entre eixos, constituída pelos modelos: LA-1111/42 (4X4) – 4200 mm de entre eixo e LA-1111/48 (4X4) com entre eixo de 4830 mm. Todos os modelos 1111 com propulsão nas 4 rodas vinham equipados com o motor OM-321; caixa de marchas tipo DB modelo G-32, de cinco velocidades à frente e um à ré; embreagem do tipo monodisco a seco; eixo dianteiro e traseiro tipo DB – 322 com engrenagens hipóides; e como item opcional de fábrica a direção do tipo hidráulica. No interior da cabine os modelos Mercedes-Benz 1111 contavam com: Banco do motorista ajustável em três posições diferentes; Banco para dois ou mais acompanhantes; Para-brisa de uma só peça; amplas janelas laterais e visores traseiros que proporcionavam excelente visibilidade; Dois grandes espelhos retrovisores externos que asseguravam manobras fáceis e seguras; Isolamento completo entre a cabine e o compartimento do motor, por meio de revestimentos à prova de calor e som; Amplos estribos laterais permitiam entradas e saídas rápidas.
Em 1970 a empresa lançaria a nova versão MB L-1113, que vinha equipado com o novo motor diesel Mercedes Benz OM-352LA com injeção direta de 5,6 litros de cubagem, 6 cilindros em linha com potência de 130 cv. Este sistema (com o combustível sendo injetado diretamente na câmara de combustível) proporcionava um consumo bastante moderado, sendo este um diferencial competitivo no mercado civil, pois apresentava ainda mais vantagens perante os concorrentes como boa acessibilidade aos componentes mecânicos sob o capo. Seu peso máximo de transporte de 11 toneladas, de tamanho mediano, e era uma resposta as necessidades de transporte em curtas distancias e usos leves. A versão com adaptação de um terceiro eixo denominada L-1113/48 garantia ao veículo o peso bruto total de 18,5 toneladas proporcionaria um aumento na participação de mercado da Mercedes Bens no Brasil, a este modelo se seguiram outros de grande sucesso, porém cabe ao L-1113 o título de caminhão mais vendido no Brasil até os dias atuai, emplacando um total de 200.000 unidades comercializadas.

Emprego no Brasil. 

O plano de nacionalização de parte da frota de caminhões militares, que era composta ainda pelos antigos GMC CCKW, G-506 Corbitt e US6G Studebaker, teve início na década de 1960 com a aquisição de caminhões militarizados produzidos pela General Motors do Brasil e Fabrica Nacional de Motores (FNM), com. A Mercedes Benz passaria a compor o quadro de fornecedor das Forças Armadas Brasileiras a partir de 1960, quando a versão militarizada do modelo MB LP-321/331 com tração 4X2 começou a ser entregue ao Exército Brasileiro. Este processo visava fomentar a indústria e nacional e racionalizar a necessidade de aquisições de caminhões militares “puros” com tração 6X6 (que se concretizaria a partir de 1958 com recebimentos de veículos Reo M34 e M35). Apesar desta primeira versão do caminhão da Mercedes Benz não atender plenamente as exigências operacionais, o Exército Brasileiro voltaria seus olhos para empresa a partir de 1964 com o sucesso imediato no mercado civil da família de caminhões médios comerciais MB L-1111 e L-1112, recebendo inúmeros elogios de seus clientes principalmente quanto ao seu atributo de robustez.

Este interesse seria potencializado no ano seguinte quando do lançamento da versão 4X4 tração total do 1111. A versão LA-1111 (4X4) foi à sucessora do Cara-Chata tração total LAP-321 (4X4), passando a ser oferecido nas versões LA, LAK e LAS com diversas opções de distancias entre eixos. Desta maneira no mesmo ano o Ministério do Exército encomendou a Mercedes Benz o desenvolvimento de um protótipo do MB M-1111 com tração 4X4. O veículo ficou pronto no mesmo ano e estava dotado com um novo e mais potente motor a diesel, o diesel OM-352 de 6 cilindros com 147 HP, dispunha de uma caixa de transmissão reprojetada MG-G-3-36. Em seu processo de militarização foram incluídos reforços estruturais, cabine e carroceira militar, para-choques especiais, faróis especiais e de comboio protegidos por grades, gancho hidráulico na traseira para reboque e com uma capacidade máxima de 21.650kg de carga na carroceria. Testes em campo realizados em parceria com o fabricante, atestaram as boas qualidades desta nova versão abrindo campo para a celebração de contratos de fornecimento em larga escala. Além deste modelo o exército viria a adquirir sucessivos lotes do modelo Mercedes 1113 para transporte geral.
O avançar da evolução da linha de caminhões civis da Mercedes Benz, também foi acompanhado por novos contratos de fornecimento ao Exército Brasileiro. Os primeiros contratos de exportação das versões militares foram celebrados junto a Exército Argentino a partir de 1967, com os primeiros modelos fornecidos pertencerem as versões MB-1114,  MB-1112, muito similares ao empregados no Brasil. Novamente os caminhões  militarizados da Mercedes Benz foram alvo de grande elogio dos militares daquele pais, gerando novos contratos nas versões MB 1514, MB 1614, MB 1620 para emprego em missões de transporte de tropas, transporte de cargas, socorro – guincho e veiculo oficina, sendo fornecidos em centenas de veículos, que segundo registros ainda se encontram em serviço em grande número, principalmente no Exército Argentino. Neste mesmo período lotes dos modelos MB L-1111, L1113 e L-1114 passaram a ser adquiridos pela Força Aérea Brasileira e Marinha para uso pelo Corpo de Fuzileiros Navais, nas versões de cisterna de agua, oficina e transporte.

Em 1971 a pedido do Exército Brasileiro a Mercedes Benz viria a desenvolver o modelo LG 1213, um veículo com características muitas próximas a versão 4X4, mas dotado de 3 eixos com tração 6X6 com um motor mais potente em suma, o LG-1213 era uma mistura de LA-1113, do qual emprestava o trem dianteiro motriz, com L-2213, que cedia o “bogie”. A caixa de transferência com saídas para 3 cardans era um misto das caixas dos citados “doadores”. O conjunto motriz trazia novidade sequer, com o bom e velho motor OM-352 aspirado com 130 Cv e a transmissão MB G-32 (depois G-36) de 5 velocidades sincronizadas. Este modelo receberia suntuosas encomendas, sendo destinado a diversas aplicações como transporte, oficina, cisterna, combustível suas qualidades podem ser atestadas pela existência ainda em serviço de 80 unidades que foram repontecializadas no ano de 1988.
Durante quase 45 anos os caminhões militares produzidos peças Mercedes Benz, representaram a espinha dorsal da frota de veículos do Exército Brasileiro, os modelos iniciais fabricados na década de 1970 e 1980, passaram a ser complementados e gradativamente substituídos por variantes da nova linha MB 1418 , 1618 a partir da década de 1990, porém algumas centenas de unidades ainda se encontram em operação devendo ser rapidamente substituídas pelos novos VW MAN e MB Atego / Axor / Atron.

Em Escala.

Para representarmos o Mercedes Benz LA/LAK 1111 4X4, empregamos como ponto de partida um modelo em die casta da coleção Caminhões de Outros Tempos da Editora Altaya na escala 1/43, como este representa o MB L-1213 civil, tivemos de proceder uma série de alterações em scrath para se representar a versão militarizada. A primeira etapa foi a redução do chassis, sendo seguida pela construção total e plast card da carroceria, adoção de para-choques reforçados, alteração do posicionamento do estepe, inclusão das grades proteção de lentes para os faróis e gancho mecânico de reboque traseiro, além de usar peças em resina para compor a carga, e  por fim fizemos a aplicação de decais confeccionados pela decais Eletric Products pertencentes ao set  "Exército Brasileiro  1942/1982".

O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura do Exército Brasileiro em todos seus veículos militares desde a Segunda Guerra Mundial até a o final do ano de 1982, quando foram alteradas com inclusão de um esquema de camuflagem em dois tons, se mantendo este até sua gradativa desativação a partir do ano de 2010.


Bibliografia : 

- Caminhões Brasileiros de Outros Tempos  – MB LP-321/331 , editora Altaya
- Veículos Militares Brasileiros – Roberto Pereira de Andrade e José S Fernandes
- Mercedes Benz L-1111 http://merce-denco.blogspot.com.br
- Manual Técnico – Exército Brasileiro 1976