História e Desenvolvimento.
Fundada em 16 de setembro de 1908, em Flint, Michigan, por William C. Durant, a General Motors Corporation (GM) consolidou-se como uma das maiores e mais influentes fabricantes de veículos do mundo, deixando um legado de inovação, diversificação e impacto global. Visionário e ex-fabricante de carruagens, Durant idealizou uma holding que unificasse diversas marcas automotivas sob uma única estrutura, promovendo sinergias e fortalecendo a competitividade no mercado. Essa visão estratégica, aliada ao empenho de milhares de trabalhadores, engenheiros e líderes, transformou a GM em um símbolo de progresso industrial e resiliência, moldando a história da indústria automotiva. Desde sua fundação, a GM adotou uma estratégia ousada de aquisições para diversificar seu portfólio e consolidar sua presença no mercado. Em 1908, a Buick Motor Company, fundada por David Dunbar Buick e já reconhecida por sua qualidade, foi a primeira a integrar a GM, trazendo consigo a expertise de Durant, que havia presidido a empresa. No mesmo ano, em 12 de novembro, a Oldsmobile Motor Vehicle Company, estabelecida em 1897, tornou-se a segunda marca do grupo, reforçando a posição da GM no cenário automotivo americano. Nos anos seguintes, a Oakland Motor Car Company, que mais tarde evoluiu para a Pontiac, e a Cadillac Automobile Company, adquirida em 1909 por US$ 5,5 milhões, enriqueceram o portfólio com veículos de luxo e inovação. Essas aquisições não apenas ampliaram a oferta de produtos, mas também refletiram o compromisso da GM em atender às necessidades de diferentes públicos, desde consumidores comuns até os mais exigentes. Em 1911, após divergências com acionistas que o levaram a deixar a GM, Durant fundou a Chevrolet Motor Company of Michigan, em parceria com o piloto e mecânico suíço Louis Chevrolet. A Chevrolet rapidamente conquistou o mercado com veículos acessíveis e confiáveis, e, em 1956, foi incorporada à GM, tornando-se uma das marcas mais emblemáticas da empresa. No mesmo ano, a GM criou a GMC, derivada da aquisição da Rapid Motor Vehicle Company, focada na produção de caminhonetes e caminhões leves. Esse segmento tornou-se um pilar estratégico, atendendo à crescente demanda por veículos comerciais robustos e versáteis. A visão da GM não se restringiu ao mercado automotivo. Em 1917, a empresa deu início à sua expansão global com operações comerciais no Canadá, marcando o começo de uma trajetória que alcançaria todos os continentes. Essa internacionalização foi impulsionada pela dedicação de equipes que adaptaram produtos e estratégias às realidades locais, conquistando a confiança de consumidores ao redor do mundo. Em 1919, a GM diversificou ainda mais suas atividades ao adquirir a Frigidaire Company, fabricante de refrigeradores, em uma incursão pioneira no setor não automotivo. Essa decisão, guiada por uma diretoria visionária, demonstrou a ambição de explorar novos horizontes e consolidar a GM como uma empresa de alcance multifacetado. A diretoria comercial da General Motors Corporation (GM) , guiada por uma visão estratégica, identificou o potencial para uma presença global significativa. A visão estratégica da General Motors Corporation (GM), aliada ao compromisso de seus líderes e colaboradores, impulsionou uma série de iniciativas que consolidaram sua presença global e reforçaram seu papel como uma das maiores fabricantes de veículos do mundo. Essas expansões, realizadas ao longo das décadas de 1920 e 1930, refletem não apenas a ambição da empresa, mas também o esforço coletivo de milhares de pessoas que transformaram desafios em oportunidades, conectando comunidades e promovendo o progresso em diferentes continentes.
Em 1923, a GM marcou sua entrada no mercado europeu com a inauguração de sua primeira fábrica em Copenhague, Dinamarca, um passo significativo que ampliou seu alcance além da América do Norte. Em 1925, a empresa intensificou sua expansão com o início de operações orgânicas na Argentina, França e Alemanha, além da aquisição da renomada montadora britânica Vauxhall Motors. No mesmo ano, estabeleceu operações na Austrália, Japão e África do Sul, demonstrando uma visão ousada de alcançar mercados diversos. Em 1928, a GM deu um passo pioneiro ao entrar no mercado indiano, um território ainda pouco explorado pela indústria automotiva. Em 1929, a aquisição da alemã Opel fortaleceu sua posição na Europa, enquanto a incorporação da Yellow Coach Company, fabricante de ônibus escolares nos Estados Unidos, diversificou seu portfólio, atendendo às necessidades de transporte coletivo. Paralelamente, a GM reconheceu o potencial do mercado latino-americano, estabelecendo a General Motors do Brasil em 26 de janeiro de 1925. Inicialmente, a empresa operou em instalações alugadas no bairro do Ipiranga, em São Paulo, onde lançou seu primeiro produto no mercado brasileiro: um furgão utilitário leve. Produzido pelo sistema Completely Knocked Down (CKD), o veículo era montado localmente a partir de kits importados, compostos por chassis, motores, transmissões e outros componentes. Esse processo apresentava características distintas: Baixa agregação de componentes nacionais: Apenas algumas partes não metálicas da carroceria eram fabricadas no Brasil, refletindo as limitações industriais da época. Flexibilidade de entrega: Os veículos podiam ser fornecidos completos ou como chassis nus com capô, permitindo personalização por encarroçadores terceirizados. Essa abordagem permitiu à GM estabelecer uma presença inicial no Brasil, adaptando-se às condições do mercado e pavimentando o caminho para um crescimento sustentável. Desde o início, a empresa identificou oportunidades no setor militar, fornecendo caminhões leves ao Exército Brasileiro. Esses veículos, baseados em chassis de modelos comerciais, eram configurados com carrocerias padronizadas para uso militar, demonstrando a versatilidade da GM em atender às demandas das Forças Armadas. O sucesso crescente no mercado brasileiro incentivou investimentos significativos, culminando na construção de uma moderna planta fabril em São Caetano do Sul, na região metropolitana de São Paulo, concluída em outubro de 1929. Projetada para ampliar a capacidade produtiva, a fábrica reforçou o compromisso da GM com o desenvolvimento industrial do país. A partir de 1933, a General Motors do Brasil iniciou um novo ciclo de crescimento, expandindo sua influência não apenas no Brasil, mas também em outros mercados sul-americanos. Novos aportes na infraestrutura produtiva elevaram o índice de nacionalização, e, em 1940, cerca de 75% dos furgões e caminhões comercializados pela empresa possuíam carrocerias fabricadas localmente, com quase 90% de componentes básicos produzidos no Brasil. No portfólio da GM Brasil, a família de caminhões médios e leves GMC Flatbed Truck ganhou destaque, atendendo às necessidades de transporte comercial e militar. Com o início da Segunda Guerra Mundial, a subsidiária brasileira reorientou suas linhas de produção para apoiar o esforço bélico. A partir de 1941, a empresa fabricou reboques militares de duas rodas e componentes críticos para a matriz nos Estados Unidos. Em 1943 a GM Brasil passou a montar milhares de veículos militares fornecidos em estado semidesmontado, destinados às Forças Armadas Brasileiras.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial em 1945, a General Motors do Brasil (GM Brasil) retomou com vigor a produção de seu portfólio completo, abrangendo automóveis, utilitários e caminhões. Esse período marcou o início de uma nova fase para a empresa, impulsionada pela determinação de seus colaboradores e pela crescente demanda do mercado brasileiro. A década de 1950 foi especialmente transformadora, com políticas governamentais que incentivaram a nacionalização da indústria automotiva, promovendo o desenvolvimento econômico e industrial do país. Nesse contexto, a GM Brasil expandiu sua oferta com modelos como o caminhão leve Opel Blitz II Comercial, que atendia à necessidade de soluções de transporte confiáveis. Contudo, a dependência de componentes importados ainda limitava a integração com a economia local, desafiando a empresa a buscar maior autonomia produtiva. Em 1953, o governo federal implementou medidas decisivas para fortalecer a indústria automotiva nacional, incluindo: Restrição às importações: Limitação percentual na aquisição de componentes automotivos, permitindo apenas peças sem equivalentes nacionais Proibição de veículos montados: Veto à importação de veículos finalizados, incentivando a produção doméstica. Em 1956, a criação do Grupo Executivo da Indústria Automobilística (GEIA) consolidou esses esforços, oferecendo incentivos fiscais e financeiros para a consolidação de uma indústria automotiva brasileira. Essas políticas estimularam a GM Brasil a investir em inovação e nacionalização, pavimentando o caminho para sua maturidade empresarial na década de 1960. Um marco significativo ocorreu em 1964, com o lançamento da segunda geração de picapes e caminhões da marca Chevrolet, apresentada no Salão do Automóvel de São Paulo. Essa linha renovada incluía as picapes C-14 (chassis curto, 2,92 metros de entre-eixos), C-15 (chassis longo, 3,23 metros) e o caminhão C-65. O destaque, porém, foi o C-1416, conhecido como Veraneio, que representou o primeiro utilitário esportivo (SUV) produzido pela Chevrolet do Brasil. Derivado da linha de picapes C-14, o Veraneio substituiu a série Brasil 3100, considerada o primeiro utilitário leve fabricado pela GM no país, beneficiado pelos incentivos do GEIA. Desenvolvido pelo projetista Luther Stier e inspirado na Chevrolet Suburban americana, o Veraneio introduziu um design inovador, com linhas retas, vincos marcantes no capô, laterais e traseira inclinada, e quinas arredondadas apenas no para-brisa e nas duas primeiras janelas laterais. Com um teto mais baixo, o veículo transmitia uma estética compacta, apesar de suas dimensões imponentes: 5,16 metros de comprimento, 1,97 metros de largura e 1,73 metros de altura. Suas quatro portas, uma novidade em relação aos concorrentes de duas portas, facilitavam o acesso, tornando-o prático e funcional. O Veraneio alcançou rápido sucesso comercial, sendo o único veículo de seu porte produzido no Brasil na época. Sua popularidade foi amplificada pelo uso como viatura policial, especialmente pelas Polícias Militares estaduais, o que lhe conferiu grande visibilidade. Essa associação, embora marcada por momentos históricos complexos, rendeu ao modelo os apelidos carinhosos de “Camburão” e “Veraneio Vascaína”, refletindo sua presença marcante nas ruas e na cultura brasileira.
Lançado em 1964, o Chevrolet C-1416, conhecido como Veraneio, representou um marco na indústria automotiva brasileira, combinando robustez, inovação e versatilidade. Equipado com o confiável motor General Motors de seis cilindros em linha, com 4,3 litros (4.278 cm³) e 142 cavalos de potência bruta, o mesmo utilizado nas picapes, caminhões leves e no utilitário Chevrolet Amazonas, o C-1416 oferecia desempenho sólido para suas diversas aplicações. Este motor, símbolo de durabilidade, era acoplado a uma caixa de câmbio manual de três marchas à frente e uma ré, com a alavanca posicionada na coluna de direção, uma característica típica da época que facilitava a operação. O projeto do C-1416 incorporava inovações notáveis para seu segmento. A suspensão dianteira independente e as molas helicoidais nos dois eixos proporcionavam uma dirigibilidade suave, semelhante à de um carro de passeio, apesar de suas dimensões imponentes. A sincronização da primeira marcha (relações: 2,667:1 / 1,602:1 / 1:1 / ré 3,437:1) melhorava a precisão nas trocas, enquanto a estabilidade era significativamente aprimorada, um diferencial em relação aos concorrentes. Embora não dispusesse de tração integral, como o Toyota Bandeirante e o Rural Willys F-85, o C-1416 oferecia como opcional o sistema de “tração positiva”, um bloqueio de diferencial que ampliava sua capacidade em terrenos irregulares, garantindo maior mobilidade em condições adversas. Em 1966, o C-1416 consolidou sua relevância no mercado público, com expressivas vendas destinadas ao uso como viatura policial, especialmente pelas Polícias Militares estaduais. Esse sucesso comercial, impulsionado pela confiança depositada no veículo por instituições governamentais, inspirou a diretoria da General Motors do Brasil a explorar novas oportunidades no segmento público. Além de fornecer veículos para empresas estatais, a empresa vislumbrou o potencial de desenvolver uma versão ambulância, aproveitando a versatilidade da plataforma C-1416. A versão ambulância, designada C-1410, preservava o conjunto mecânico do C-1416, mas adotava um acabamento externo mais funcional, priorizando a praticidade. Internamente, o veículo passou por extensas modificações para atender às exigências hospitalares: uma maca padrão de 1,98 m x 0,58 m, suporte para cilindro de oxigênio, divisória integral, armário para medicamentos e um banco para assistente foram cuidadosamente integrados. O modelo incluía ainda uma sirene com luz intermitente no teto e vidros traseiros translúcidos, garantindo privacidade e funcionalidade. Essas adaptações transformaram o C-1410 em uma solução ideal para serviços de emergência, atendendo às necessidades de espaço e eficiência demandadas por governos estaduais e municipais. Nos primeiros meses de sua introdução, o modelo conquistou significativos contratos em licitações públicas, refletindo sua capacidade de responder às expectativas de gestores e profissionais da saúde. Em 1969, a linha C-1416, incluindo o C-1410, recebeu seu primeiro facelift, trazendo refinamentos estéticos e funcionais. A grade frontal foi redesenhada, mantendo os dois pares de faróis originais, mas com novos frisos cromados que eliminavam a tradicional assinatura Chevrolet, conferindo um visual mais moderno. No interior, pequenas melhorias no acabamento incluíram um novo quadro de instrumentos, aprimorando a experiência do motorista. Essas mudanças, embora sutis, reforçaram o apelo do Veraneio, consolidando sua posição como um veículo icônico no Brasil.

A partir de 1969, os modelos C-1416 e C-1410 receberam oficialmente o nome comercial Chevrolet Veraneio, um batismo que marcou sua entrada definitiva no imaginário brasileiro. Com a capacidade de acomodar até nove passageiros, o Veraneio destacou-se não apenas como um utilitário robusto, mas também como um veículo de luxo no segmento de carros de passeio. Sua versatilidade e imponência conquistaram famílias, empresas e instituições, refletindo o talento dos engenheiros e trabalhadores da General Motors do Brasil que transformaram um projeto inovador em um ícone nacional. Em 1970, a GM lançou a versão “De Luxo”, elevando o Veraneio a um novo patamar de sofisticação. Essa edição trouxe acabamentos refinados, como apliques no painel imitando madeira de jacarandá, painéis de portas redesenhados, rádio AM/FM, porta-malas acarpetado, faixas laterais pintadas, garras nos para-choques e calotas integrais. A lista de opcionais incluía bancos dianteiros reclináveis, pintura metálica e revestimento de teto em vinil, oferecendo um nível de personalização que atendia aos consumidores mais exigentes. Esses detalhes, cuidadosamente planejados, transformaram o Veraneio em um símbolo de status, unindo conforto e funcionalidade em um único veículo. Em 1979, a linha Veraneio passou por uma significativa atualização mecânica. O modelo a gasolina foi equipado com o motor General Motors 4,1 litros, de seis cilindros e 171 cv, o mesmo utilizado no Chevrolet Opala, garantindo maior potência e confiabilidade. A versão a diesel adotou o motor Perkins 4.236, de quatro cilindros, já presente na picape D-10, valorizado por sua economia e durabilidade. Em 1980, uma versão a álcool foi introduzida, mas enfrentou desafios comerciais devido ao alto consumo de combustível, não alcançando o mesmo sucesso das demais motorizações. Após duas décadas de sucesso, a plataforma da família Veraneio, que incluía as picapes C-10, C-14 e C-15, tornou-se uma das mais longevas do portfólio da GM Brasil. Contudo, em 1985, sua concepção, embora robusta, já mostrava sinais de envelhecimento, demandando uma renovação. Respondendo a essa necessidade, a General Motors do Brasil lançou as novas picapes da Série 10 e 20, baseadas nas plataformas norte-americanas C/K (modelo 1983), adaptadas para o mercado brasileiro. Uma nova versão do Veraneio foi introduzida, preservando apenas o nome da geração anterior, mas trazendo design e tecnologias atualizados que reafirmaram sua relevância. A produção dessa nova linha continuou até meados da década de 1990, quando uma crise econômica impactou severamente o mercado brasileiro, reduzindo a demanda por grandes utilitários. Ao longo de sua história, foram produzidas cerca de 70.000 unidades da família Veraneio, das quais 12.054 eram da versão ambulância, um testemunho de sua importância em serviços essenciais. Para os motoristas, policiais, paramédicos e famílias que utilizaram o Veraneio, ele foi mais do que um veículo: foi um companheiro confiável em viagens, emergências e momentos de transformação do Brasil.
Emprego nas Forças Armadas Brasileiras.
Ao longo da década de 1950, o Exército Brasileiro empreendeu um amplo e consistente esforço de modernização de sua frota de transporte, inserido em um contexto mais amplo de reorganização e fortalecimento de suas capacidades logísticas no período pós-Segunda Guerra Mundial. Esse movimento representou um marco relevante na evolução dos meios terrestres da Força e materializou-se, entre outras iniciativas, na aquisição de uma expressiva quantidade de caminhões Chevrolet Brasil 6400 e 6500, fabricados pela General Motors do Brasil (GM Brasil). A incorporação desses veículos ocorreu de forma célere, logo após a assinatura do contrato, beneficiando-se da reduzida necessidade de adaptações para fins de militarização. Na prática, tratava-se de versões comerciais provenientes diretamente da linha de produção, cuja robustez estrutural e confiabilidade mecânica atendiam plenamente às exigências operacionais do Exército. Essas qualidades não apenas supriram demandas imediatas de transporte e apoio logístico, como também lançaram as bases para uma relação de confiança e cooperação técnica duradoura entre a instituição militar e a indústria automotiva nacional. O êxito obtido com os caminhões 6400 e 6500 abriu caminho para a adoção de novos veículos derivados da mesma plataforma, entre os quais se destacou o Chevrolet Amazonas, lançado em 1959. Concebido para atender simultaneamente às necessidades do meio urbano e rural, o Amazonas compartilhava o conjunto mecânico dos caminhões que o antecederam, sendo equipado com um motor de seis cilindros em linha, com 4,3 litros (261 polegadas cúbicas) e potência de 142 cv, associado a um câmbio manual de três marchas. Sua notável versatilidade permitiu a adaptação a múltiplas funções, incluindo transporte de pessoal e emprego como ambulância, o que lhe conferiu ampla aceitação e sólida reputação no meio militar. Para soldados e oficiais que operavam o veículo, o Chevrolet Amazonas ultrapassava a condição de simples meio de transporte. Em muitas regiões afastadas dos grandes centros, ele simbolizava confiabilidade e presença institucional, viabilizando missões de ligação, apoio e assistência que contribuíam para integrar comunidades isoladas e reforçar a atuação do Exército em áreas remotas do território nacional. Em 1964, durante o Salão Internacional do Automóvel de São Paulo, a GM Brasil apresentou ao público o Chevrolet C-1416, posteriormente conhecido como Veraneio. Trata-se de um utilitário de grande porte que rapidamente se destacou no mercado civil por sua imponência, funcionalidade e ampla capacidade interna. Capaz de transportar até nove ocupantes e dotado de motorização robusta, o C-1416 despertou imediato interesse de órgãos governamentais ligados à segurança pública, que vislumbraram seu emprego tanto em operações urbanas quanto em missões no meio rural. Atenta a essa demanda emergente, a equipe de engenharia e projetos da General Motors do Brasil iniciou o desenvolvimento de uma versão especificamente adaptada às necessidades das forças policiais. Em 1965, foi apresentado o primeiro protótipo dessa configuração especial, que preservava a arquitetura básica do C-1416, mas introduzia alterações substanciais no compartimento traseiro. O porta-malas foi suprimido para dar lugar a um habitáculo reforçado destinado ao transporte de detidos, enquanto as duas últimas janelas laterais de vidro foram substituídas por chapas metálicas providas de aberturas para ventilação, conciliando segurança e funcionalidade operacional.
Surgia, assim, o emblemático “Camburão”, veículo que se tornaria presença constante nas ruas brasileiras nas décadas seguintes e acabaria por integrar o imaginário coletivo nacional, não apenas como viatura policial, mas também como elemento recorrente da cultura popular. Com o protótipo concluído, a diretoria comercial da GM Brasil lançou uma campanha estruturada para promover o C-1416 “Viatura Policial” junto às secretarias de segurança pública estaduais. O Governo do Estado de São Paulo foi o primeiro a adotar o modelo, firmando, em julho de 1965, um contrato para a aquisição de mais de cem unidades. Essa iniciativa marcou o início de uma parceria institucional duradoura entre a General Motors do Brasil e as forças de segurança estaduais, consolidando o papel da empresa como fornecedora de soluções veiculares adaptadas às necessidades do setor público brasileiro. A entrega das primeiras unidades do Chevrolet Veraneio C-1416, já configuradas como viaturas policiais, ocorreu ainda em 1965, passando a equipar, de imediato, unidades da Polícia Civil e da Polícia Militar. O desempenho demonstrado pelo veículo em operações reais foi amplamente reconhecido pelas corporações, refletindo não apenas a adequação técnica do projeto, mas também o empenho dos engenheiros, técnicos e operários da General Motors do Brasil, que souberam transformar uma proposta inovadora em um instrumento efetivo de apoio à segurança pública. No cotidiano operacional, o Veraneio rapidamente se destacou por um conjunto de características que o diferenciavam das demais viaturas então em serviço. Sua capacidade de transporte, com espaço interno suficiente para até nove ocupantes, permitia o deslocamento de equipes completas ou a combinação de policiais e detidos, revelando-se especialmente eficaz em ações de patrulhamento ostensivo e em intervenções em áreas de maior complexidade. A robustez mecânica, assegurada pelo motor seis cilindros em linha de 4,3 litros, com 142 cv, aliada a uma estrutura reforçada, garantia confiabilidade em uma ampla variedade de cenários, desde o ambiente urbano mais denso até estradas de terra e vias rurais, enfrentando com segurança os desafios diários da atividade policial. Somava-se a isso a visibilidade proporcionada por seu porte imponente e pela pintura institucional, geralmente em tons de cinza ou azul, que reforçava a presença do Estado e atuava como fator de dissuasão e proteção. O êxito operacional do Veraneio não passou despercebido. Em pouco tempo, outros governos estaduais manifestaram interesse em modernizar suas frotas policiais com o novo modelo, o que levou a GM Brasil a celebrar contratos sucessivos com secretarias de segurança de diversas unidades da Federação. Em um intervalo de apenas cinco anos, o Chevrolet Veraneio consolidou-se como a principal viatura policial do país, tornando-se um símbolo do combate à criminalidade e do serviço público voltado à ordem e à proteção da sociedade. Sua estreita associação com a ROTA (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), unidade de elite da Polícia Militar do Estado de São Paulo, conferiu ao Veraneio um estatuto quase lendário. Popularmente conhecido como “Camburão”, o veículo passou a ocupar lugar de destaque no imaginário coletivo brasileiro, eternizado por sua presença em operações de alto risco e por sua recorrência nas memórias urbanas de diferentes gerações.

O sucesso alcançado pelo Veraneio no setor público, especialmente junto às Polícias Militares, incentivou a General Motors do Brasil a explorar novas possibilidades de emprego da plataforma. Esse movimento resultou, em 1966, no desenvolvimento da versão ambulância, designada C-1410. A escolha do Veraneio como base revelou-se natural, dadas suas dimensões generosas 5,16 m de comprimento, 1,97 m de largura e 1,73 m de altura e sua comprovada confiabilidade mecânica. Mantendo o mesmo conjunto motriz do C-1416, a GM Brasil promoveu adaptações específicas para o transporte de pacientes e equipamentos médicos, atendendo às exigências do serviço hospitalar e de emergência. O êxito extraordinário do Chevrolet C-1410 Veraneio nas frotas das Polícias Militares e Civis em todo o país, onde sua robustez e versatilidade tornaram-se referência, não tardou a chamar a atenção do Ministério do Exército em meados da década de 1960. Naquele contexto, o Exército Brasileiro encontrava-se engajado em um programa abrangente de modernização de seus veículos utilitários de médio e grande porte, com especial ênfase na atuação em ambientes urbanos, abrindo caminho para a incorporação de soluções já testadas e consagradas no âmbito da segurança pública. Naquele contexto, o Exército Brasileiro encontrava-se engajado em um programa abrangente de modernização de sua frota de veículos utilitários de médio e grande porte, com especial atenção às exigências das operações em ambiente urbano, cada vez mais frequentes em atividades administrativas, de policiamento e de apoio logístico. A capacidade do Chevrolet Veraneio de acomodar até nove ocupantes, aliada à sua reconhecida confiabilidade mecânica e a um desenho funcional e robusto, posicionava o modelo como uma alternativa particularmente adequada às necessidades emergentes das Forças Armadas. Até então, o Exército Brasileiro utilizava predominantemente veículos de produção nacional, como o Chevrolet Amazonas e a Rural Willys, esta última mais indicada para operações fora de estrada em razão de sua tração 4x4. Esses meios eram complementados por utilitários de origem norte-americana remanescentes da Segunda Guerra Mundial, a exemplo do Dodge WC-53 Carryall, veículos de inegável valor histórico, mas que já apresentavam crescentes desafios de manutenção e disponibilidade logística. Nesse cenário de transição, o Chevrolet Veraneio surgiu como uma solução moderna e racional, especialmente em sua versão básica destinada ao transporte orgânico de pessoal e na configuração policial, considerada particularmente promissora para o emprego pelos Batalhões de Polícia do Exército (BPE). A General Motors do Brasil promoveu, então, uma apresentação oficial das versões em avaliação, as quais foram prontamente validadas para uso operacional após análises técnicas e testes práticos. Em 1966, foi firmado um contrato entre o Ministério do Exército e a GM Brasil para a aquisição inicial de oitenta viaturas. Por se tratar de modelos já em plena produção, não se fez necessária uma customização significativa, restringindo-se as adaptações à aplicação da pintura padrão militar em verde-oliva.
As entregas tiveram início em abril de 1966, e os veículos, classificados à época como “Viaturas Operacionais Leves – Vtr Op até 1 ½ tonelada” — posteriormente reclassificados como Transporte de Pessoal TP 4x2, oito passageiros, foram distribuídos às unidades operativas, prioritariamente para o atendimento de tarefas administrativas e de apoio interno. Essa incorporação preencheu uma lacuna relevante no segmento de utilitários urbanos, permitindo a gradativa substituição de modelos já obsoletos, como os veteranos Chevrolet Amazonas. Paralelamente, possibilitou a realocação da frota de Rural Willys F-75 TNE ¾ ton 4x4 e F-85 TP 4x2 oito passageiros para regiões com menor infraestrutura viária, especialmente em áreas remotas do interior do país, onde sua robustez e aptidão fora de estrada poderiam ser melhor exploradas. A partir da segunda metade da década de 1960, o Exército Brasileiro identificou também no Chevrolet Veraneio C-1416 uma plataforma robusta e versátil para o atendimento às necessidades de transporte médico em operações militares. Com o objetivo de fortalecer a capacidade de atendimento pré-hospitalar, foi adquirida uma quantidade significativa de viaturas configuradas no padrão de ambulância. Essas unidades incorporavam um conjunto de equipamentos médicos já amplamente difundido no mercado civil, adequado às exigências de suporte básico de vida em situações de emergência. Entre os principais itens embarcados destacavam-se duas macas, fixadas ao assoalho ou às laterais do compartimento interno, garantindo estabilidade e segurança durante o transporte de pacientes; cilindros portáteis de oxigênio, acompanhados de máscaras faciais ou cânulas nasais, essenciais para o suporte respiratório; ressuscitadores manuais do tipo AMBU, empregados em casos de insuficiência ou parada respiratória; e bolsas e caixas organizadoras, devidamente fixadas ao interior do veículo, destinadas ao acondicionamento seguro de medicamentos e suprimentos médicos. Essa configuração consolidou o Veraneio como um elemento fundamental da logística médica do Exército Brasileiro, reforçando sua presença tanto em atividades rotineiras quanto em operações de maior complexidade, em consonância com o processo mais amplo de modernização e racionalização dos meios terrestres da Força. Essas viaturas receberam a designação oficial de "Transporte Especializado TE Ambulância 1/2 ton 4x2" e foram distribuídas às unidades operativas do Exército Brasileiro. As ambulâncias destinadas às operações de campo adotavam a pintura militar verde-oliva, com as tradicionais marcações de cruz vermelha, símbolo universal de assistência médica. Já as ambulâncias Veraneio alocadas aos hospitais militares do Exército Brasileiro receberam a pintura branca padrão, reforçando sua identificação em ambientes hospitalares.

A adoção do Chevrolet Veraneio pela Aeronáutica ocorreu de forma paralela ao seu emprego pelo Exército e pela Marinha, intensificando-se a partir da década de 1970. Nesse período, a Força Aérea Brasileira (FAB) adquiriu pelo menos trinta unidades da Veraneio em sua versão básica, destinadas a atuar como viaturas orgânicas em bases aéreas e parques de aeronáutica. Essas viaturas eram empregadas no transporte de pessoal, equipamentos e suprimentos, beneficiando-se do amplo espaço interno e da expressiva capacidade de carga do veículo, com 1.240 litros de volume no compartimento traseiro. Em consonância com a identidade visual da Força, a pintura adotada era, em geral, o azul característico. Além das viaturas orgânicas, a FAB incorporou cerca de vinte unidades da Veraneio na configuração policial, destinadas aos Batalhões da Polícia da Aeronáutica (PA). Popularmente conhecidas como “camburões”, essas viaturas desempenhavam papel central nas missões de segurança e patrulhamento das instalações aeronáuticas, incluindo bases aéreas e unidades administrativas. Equipadas com sirenes, sistemas de iluminação de emergência e, em alguns casos, reforços estruturais, essas Veraneios recebiam pintura em tons de cinza ou branco, ostentando identificação visual clara da Polícia da Aeronáutica. Complementarmente, um pequeno lote na versão ambulância foi incorporado para atendimento às demandas dos Hospitais da Aeronáutica, ampliando a capacidade de resposta médica da Força. A partir de 1970, a Marinha do Brasil também passou a reconhecer o valor do Veraneio como um meio versátil e confiável para suas atividades em terra. Nesse contexto, foram adquiridas noventa viaturas nas versões C-1410 e C-1416, configuradas como ambulâncias, destinadas ao apoio às bases navais, hospitais da Marinha e unidades do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN). Em 1971, a Marinha ampliou ainda mais sua frota com a aquisição de vinte viaturas na versão policial, destinadas às Capitanias dos Portos, onde passaram a ser empregadas em missões de fiscalização marítima, combate ao contrabando e repressão a infrações legais. Ao longo das décadas seguintes, as viaturas Chevrolet Veraneio cumpriram suas missões com reconhecida eficiência e confiabilidade no âmbito das três Forças Armadas brasileiras, contribuindo de forma direta para a segurança, o apoio logístico e o atendimento médico de militares e civis em situações de rotina e de emergência. Sua robustez estrutural, aliada à capacidade de adaptação a diferentes configurações e cenários operacionais, consolidou o Veraneio como um dos veículos utilitários mais emblemáticos da história militar brasileira. A partir de 1986, o Exército Brasileiro deu início a um novo programa de modernização de sua frota de veículos utilitários, marcando o começo da substituição gradual das Veraneio em serviço. Nesse processo, foram firmados contratos com a Chevrolet para o fornecimento de grandes lotes das novas séries C-10 e D-20 Veraneio, que incorporavam avanços tecnológicos, maior conforto operacional e maior versatilidade de emprego. A substituição priorizou as viaturas com mais de vinte anos de uso, obedecendo a um cronograma progressivo e racional. Esse processo de renovação estendeu-se até o final da década de 1980, quando as últimas unidades da primeira geração da Veraneio, em especial aquelas configuradas como ambulância, foram finalmente desativadas, encerrando um ciclo histórico marcado por décadas de serviço contínuo.
Em escala.
Para recriar com fidelidade a Chevrolet Veraneio C-1416 TE Ambulância, designada como “EB22-3516” e utilizada pelo Exército Brasileiro, optamos por um modelo em die-cast na escala 1/43, produzido pela Axio em parceria com a editora Altaya. Essa escolha foi motivada pela ausência de kits específicos deste veículo disponíveis no mercado. Inicialmente, desmontamos o modelo die-cast, preparando sua superfície para receber a pintura na tonalidade padrão “verde-oliva”, característica das viaturas operacionais do Exército Brasileiro. Para finalizar, aplicamos decais personalizados, confeccionados pela Decais Eletric Products, pertencentes ao conjunto “Exército Brasileiro 1942/1982”. Esses decais incluíram as marcações específicas, como a cruz vermelha e outras insígnias militares, que conferem autenticidade à representação da Veraneio Vtr Op - TE Ambulância.
O padrão de pintura adotado pelo Exército Brasileiro, conforme especificado no sistema de cores Federal Standard (FS), reflete a identidade visual e funcional de suas viaturas, incluindo ambulâncias, modelos utilitários e viaturas policiais. No caso das ambulâncias, o padrão de pintura foi cuidadosamente adaptado para atender às normas internacionais de identificação médica. A principal distinção residia nas dimensões da cruz vermelha, aplicada nas laterais, no teto e, quando necessário, na dianteira e traseira das viaturas. Já as viaturas utilitárias mantiveram, ao longo de todo o período de uso, a tonalidade característica “verde-oliva. A partir de 1983, essas viaturas receberam uma atualização significativa com a inclusão do novo brasão do Exército Brasileiro, um marco que refletiu a modernização da instituição e sua identidade visual.
Bibliografia :
- Primórdios da Motorização no Exército Brasileiro 1919-1940 - Expedito Carlos Stephani Bastos
- Chevrolet Veraneio 50 anos - www.novoguscar.blogspot.com.br/2014/11/historia-chevrolet-veraneio-50-anos.html
- Chevrolet Transporte e Comércio – Editora Salvat 2019
- General Motors do Brasil – www.generalmotors.com.br
- Manual Técnico - Exército Brasileiro 1976





