Gurgel X10 e X12 Militar

História e Desenvolvimento.

A  Gurgel Motores S/A foi fundada em 1 de setembro de 1969 pelo falecido engenheiro mecânico e eletricista João Augusto Conrado do Amaral Gurgel,  empreendedor visionário que sempre sonhou com o carro genuinamente brasileiro. Gurgel começou produzindo karts e minicarros para crianças no começo da década de 1960. O próximo passo seria o desenvolvimento de um veículo comercial leve, que seria batizado como Ipanema, e que sua primeira aparição pública em 1966 durante a quinta edição do Salão do Automóvel de São Paulo, anos antes mesmo da empresa ser fundada e ter sua produção iniciada. O novo modelo tratava se de veículo derivado originalmente do Macan Gurgel 1200: um buggy-utilitário criado por João Gurgel, na época em que era sócio da Macan Indústria e Comércio Ltda., uma concessionária Volkswagen que também fabricava pequenos veículos. O Ipanema estava montado sobre plataforma da Volkswagen  Kombi 1300 com motor traseiro refrigerado a ar, sendo encaroçado em um composto de fibra de vidro ou F.R.P (Fiberglass Reinforced Plastic). Sua produção em série teve início em 1969 sendo disponibilizado em quatro versões: Ipanema, Enseada, Augusta (mais luxuosa) e xavante (utilitário). Imediatamente o modelo por dispor da confiável mecânica da montadora alemã, o Gurgel Ipanema galgou rápido sucesso comercial no mercado brasileiro, curiosamente este êxito comercial nortearia os destinos da empresa, pois um rápida observação do emprego do modelo no ambiente rural apontou que o mesmo vinha sendo usado em larga escala em substituição aos jeeps, principalmente pelo fato do modelo resistir a corrosão da fibra. Este fato demonstraria a vocação para a produção de veículos fora de estrada, levando assim a empresa a encerrar a produção de buggies encarroçados sobre chassis do Volkswagen Fusca, para assim focar esforços e investimento no desenvolvimento de seus próprios veículos utilitários. A produção do Ipanema seria encerrada em meados do ano de 1971, totalizando mais de 1.000 unidades entregues.

Este novo direcionamento de mercado iria se materializar em fins de  1971 no modelo Xavante XT, que passava a empregar um percentual muito maior de componentes projetados e fabricados por Joao Amaral Gurgel, estes a suspensão e o chassis e carroceria que recebeu a denominação de Plasteel era composto de fibra de vidro em mantas, laminada sobre um chassi monobloco de tubos de aço de seção quadrada. Além de apresentar a imunidade a corrosão, a  carroceria de fibra de vidro foi, e é até hoje, um forte apelo de vendas nas regiões litorâneas, mais suscetíveis à ferrugem, o sistema Plasteel apresentava maior resistência a impactos , como o próprio empresário gostava de comprovar em diversas ocasiões onde frente a clientes e veículos de imprensa ele desferia marteladas reais em seus carros, que , vibravam na estrutura aparentemente incólume dos pobres automóveis, seguidas por fortes argumentos: “Experimente fazer isso em um carro comum”, dizia ele. Outro fator positivo era a robustez do Xavante quando empregado em ambientes fora de estrada, o que cada vez mais seduzia os consumidores de áreas rurais e litorâneas. O Xavante XT começou a ser produzido em 1971 (ano 1972) e foi o primeiro modelo voltado para o uso fora-de-estrada da Gurgel, com foco na concorrência com o Ford Jeep, possuía motorização Volkswagen 1300cc  refrigerado a ar que era derivado do Gurgel QT e fora remodelado para a atuação fora da estrada. Além disso, tinha carroceria monobloco em fibra com estrutura tubular integrada, motor traseiro, suspensão traseira independente por molas helicoidais e bancos anatômicos.
Curiosamente a versão militarizada do Xavante o Gurgel XT-72 foi o primeiro modelo da montadora a a ser submetido a testes por parte das Forças Armadas Brasileiras., pois foi confiando no desempenho off-road do Xavante que Gurgel ofereceu o modelo às Forças Armadas após os testes realizados junto ao exército se mostraram promissores. Já o mercado civil rapidamente aceitou bem o novo modelo, sendo o mesmo também adotado por governos estaduais e polícias militares alguns anos depois. Algumas versões traziam uma pá retrátil na porta. Todas traziam o estepe sobre o capô. A suspensão traseira já usava o sistema de semieixos com retorno limitado por coxins e cintas, além de molas helicoidais. Trazia ainda o Selectraction, alavancas de freio de mão que permitiam frear uma e outra roda motriz separadamente, anulando o efeito diferencial. Caso uma das rodas perdesse tração, era possível transferir toda a força para a outra. Simples, mas funcional. O sistema foi aplicado depois nos outros utilitários. O projeto evoluiu e ganhou novo design em 1974, com o lançamento do Xavante X-10, em linhas bem retilíneas. Gurgel conseguiu colocar também o modelo X-10 (e muitas versões subsequentes) no serviço militar e em autarquias e estatais. Com as restrições à importação de veículos a partir de 1976, a Gurgel ganhou grande impulso nas vendas, pois havia pouca concorrência para seus produtos. O aumento nas vendas proveria os recursos necessários para o estabelecimento da planta industrial de Rio Claro, estrutura esta que permitiria a montadora nacional a almejar voo mais altos, fato este que se concretizaria pois entre 1977 e 1978, a Gurgel foi o primeiro exportador na categoria veículos especiais e o segundo em produção e faturamento. Cerca de 25% da produção seguia para fora do Brasil. Eram fabricados 10 carros por dia, sendo o X12 o principal produto da linha de montagem.

Em plena crise do petróleo, Gurgel criou o carro elétrico Itaipu, concebido como modelo urbano de passageiros, sendo concebido como um minicarro urbano de dois lugares e evoluiu para uma caminhonete elétrica de design mais avançado que o da VW Kombi. O Itaipu E-400 furgão chegou a equipar frotas de companhias de eletricidade Brasil afora, mas as baterias de então, com muito peso e pouca capacidade de carga, não permitiam uma autonomia satisfatória. Em 1976 lançaria seu novo modelo o X-12 que manteve o desing básico do X-10 Xavante, porém com partes da estrutura em plástico reforçado com fibra de vidro, dando assim leveza ao conjunto, aliado à boa mecânica Volkswagen, fez do utilitário um sucesso em vendas da montadora. Contava com a confiável mecânica onde predominavam componentes Volkswagen, a começar pelo motor 1600 de carburador único com 60 cv brutos, ligado a tradicional transmissão de quatro marchas sincronizadas. Para melhorar o desempenho no fora de estrada, o novo X-12 usava uma redução no diferencial encurtada de 4,375:1, vinda do Fusca 1300. Enquanto a suspensão dianteira por barras de torção e a caixa de direção também eram itens de prateleira da VW, a sua suspensão traseira adotava um arranjo específico, com molas helicoidais, semieixos articulados e braços tensores longitudinais. Estes fatores mecânicos aliados a garantia contra a corrosão de 100 mil km e o fato de a carroceria não amassar com pequenos impactos foram pontos explorados pelas campanhas de marketing da empresa. O X-12 passaria por evoluções ao longo dos anos seguintes, passando a contar com teto rígido, nesta oportunidade o estilo do carro foi revisado, adquirindo contornos mais retilíneos. Os primeiros X-12 a álcool começaram a ser montados no final de 1979. No mesmo ano, junto com a opção de rodas esportivas aro 14, diversas melhorias foram implementadas na carroceria, que ficou maior e mais confortável e os faróis foram embutidos nos paralamas dianteiros.
Em 1980 o catalogo da empresa passou a apresentar a versão bombeiro, a RM (com teto rígido e meia capota) e a “ M “ de militar especialmente preparada para o uso das forças armadas. O quadro evolutivo continuou com a adoção de freios a disco na dianteira, suspensão reforçada e melhorias no acabamento no ano de 1981. Em 1983, a ventilação interna melhorou com o uso de uma claraboia no teto. O ano de 1985 também foi marcado por uma série de modificações no X-12 com o aprimoramento do estilo, ganhando assim novos para-choques, grades e lanternas, internamente recebeu melhorias no acabamento. Em 1988 o X-12 seria rebatizado como Tocantins, tendo como destaque a adoção da ignição eletrônica, novos faróis retangulares e grade com três elementos horizontais. A capota foi alongada em 200 mm para aumentar o espaço traseiro e por fim a suspensão ganhou barra estabilizadora dianteira e nova molas traseiras. Rápido moderno e arrojado, o X-12 foi o principal produto da Gurgel durante a maior parte de sua existência, tendo atingido a cifra de mais de 16.000 unidades entregues. No entanto no início da década de 1990 com a abertura do mercado o modelo encontrou obstáculos com a crescente pressão dos jipes importados. A este fator soma-se o fato da empresa entrar em um cenário de crise financeira e sem   conseguir financiamentos necessários para a expansão, a Gurgel ficou sem capital e passou a enfrentar dificuldades operacionais. Para agravar a situação, o empresário foi vitimado também por uma de suas próprias iniciativas: a redução nos impostos para carros abaixo de 1.000 cm3, que pleiteava, acabou beneficiando a concorrência. Em 1993 foi decretada a falência da empresa, sendo que os últimos veículos da marca produzidos foram nove unidades do X-12, encerrando assim a jornada daquela que foi a principal marca de automóveis do Brasil.

Emprego no Brasil. 

A utilização de veículos militares leves com tração 4X4 para emprego em ambientes fora de estrada foi difundida durante a Segunda Guerra Mundial, quando as tropas passaram a contar com grande mobilidade no campo de batalha. O uso deste tipo de veículo em larga escala no Brasil  também se originou neste período, quando o pais ao se alinhar ao lado dos aliados no conflito passou a receber grandes quantidades de equipamentos militares nos termos do Programa Leand & Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), chegando a ser contemplando com a entrega de quase dois mil carros do modelo Jeep 4X4 dispostos nas marcas Ford, Bantam e Willys. Ao longo das duas décadas seguintes os jeeps de origem norte americana prestaram grande serviço as três forças armadas brasileiras, passando a ser gradativamente substituídos ao longo dos primeiros anos da década de 1960, por veículos da mesma família agora denominados nacionalmente como Jeeps 1/4 Ton CJ-5. que passaram a ser fabricados no Brasil pela Willys Overland do Brasil (WOB). A produção local destes novos carros leves melhoria em muito a cadeia de custos de manutenção do Exército Brasileiro que a esta altura era o principal operador militar dos Jeeps, o fato de toda a mecânica empregada ser comum com veículos do mercado civil em muito reduzia os custos de operação do modelo, levando também a alcançar índices de disponibilidade de frota se quer imaginados quando da operação de carros do mesmo tipo importados durante a Segunda Guerra Mundial. Este fato motivava cada vez mais o comando das três forças armadas a optar pela aquisição de material militar de produção nacional potencializando a fase inicial de montadoras estabelecidas no pais como a Ford, Willys Overland, Dodge entre outras.

No início da década de 1970 a Gurgel Motores S/A dava seus primeiros passos no mercado automotivo nacional, lançando o modelo X-10 Xavante, curiosamente o  modelo começou a conquistar clientes no segmento rural que passavam a empregar o veículo em substituição aos antigos Ford – Willys Jeep, as qualidades do carro no ambiente fora de estrada levariam a direção da empresa a almejar novas possibilidades, entre elas a possibilidade de passar a atuar no nicho de defesa oferecendo seu produtos as forças armadas brasileiras. Dentre os produtos da montadora o X-10 era oque mais se encaixa neste mercado, pois era um misto de bugie com jipe, mas suas aptidões off-roads o colocariam como um jipe facilmente. Assim sendo Joao Gurgel habilmente prepararia duas unidades para teste, originalmente a concepção dos carros em muito se assemelha aos jeeps , possuía com pára-brisa que poderia ser rebatido, capota de lona e a boa relação do chassis em relação ao solo, então basicamente foram adicionados itens militares como pás retrátil instaladas nas portas e galão de combustível suplementar. Apesar de não dispor de tração 4X4 como os o Toyota Bandeirante (versão brasileira do Land Cruiser com motor diesel Mercedes) e o Jeep Willys (posteriormente Ford), concorrentes naturais e com desempenho superior ao X-10, o jipe da Gurgel possuía tração traseira e  fazia uso da sistema Selectraction o que lhe concedia aceitável desempenho fora de estrada. Porém o maior trunfo a ser explorado pela montadora seria o menor custo de aquisição manutenção e consumo, outro fato que poderia pesar na decisão de aquisição seria o alto apelo nacionalista da marca, que representava o símbolo da indústria nacional.
Assim sendo os dois X-10 “militarizados” forma disponibilizados ao Exército Brasileiro para serem submetidos a testes de campo em Marambaia no início de 1974. Os militares aprovaram o carro no campo em ambiente fora de estrada, mas resistiam ao seu uso por causa do material, a fibra de vidro. Argumentavam que, caso uma explosão estilhaçasse a carroceria, os fragmentos alojados no corpo dos ocupantes não apareceriam nas radiografias dificultando assim o tratamento de feridos em combate. Porém como sempre João Amaral Gurgel resolveu o problema brilhantemente numa noite conversando com um amigo médico, a solução seria baseada na introdução de sulfato de bário na pintura da fibra de vidro, sendo esta substância originalmente empregada no contraste nas radiografias do estômago. Assim na reunião seguinte com o comando do Exército Brasileiro, João Gurgel levou como prova da solução o raio X de uma almofada com um pedaço de fibra de vidro, bem visível, em destaque, ganhando assim a simpatia do comando do Exército Brasileiro pelo projeto nacional, levando as tratativas iniciais para a aquisição das primeiras unidades. Desta forma após assinatura do contrato os primeiros X-10 militar começaram a ser entregues ao Exército Brasileiro a partir de 1975. Já em uso nas unidades militares rapidamente o modelo ganhou a confiança de seus motoristas, pois com bom ângulo de saída e ataque, o Xavante dificilmente raspava em algum lugar graças ao grande ângulo de entrada de 63º e de saída com 41º, e apesar de possuir tração 4X2 o uso do sistema Selectration era muito eficiente em atoleiros, pois freando uma das rodas que estivesse girando em falso a força era transmitida à outra, atolada, característica de todo diferencial, facilitando a saída do atoleiro. Esse sistema deixava o jipe mais econômico e prático, como possuía carroceria feita em fibra de vidro, o Xavante era ágil e vinha com motor 1600, que rendia 60cv de potência a 4.600rpm e torque de 12kgfm, que o levava de 0 à 100km/h em longos 38 segundos.

Em 1975 a Gurgel Motores, lançaria no mercado civil seu novo modelo o X-12 que manteve o desing básico do X-10 Xavante, porém com partes da estrutura em plástico reforçado com fibra de vidro, curiosamente a evolução deste modelo fora originada de um estudo solicitado pelo próprio Exército Brasileiro para uma versão melhorada do modelo anterior. O modelo militar original recebeu a designação de X-12M, sendo adquirido inicialmente em larga escala pelo exército, sendo seguido por contratos de compra para Marinha do Brasil, para emprego prioritário junto as unidades mecanizadas do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha (CFN). O modelo militar apresentava as dimensões de 3,28 m de comprimento, 1,60 m de largura com peso de 770 kg, possuindo para-brisas rebatível, gancho traseiro para reboque e guincho mecânico dianteiro. Estavam ainda equipados com rodas especiais e pneus lameiros para operação em terrenos moles ou fofos para poder operar com facilidade em qualquer tipo de terreno. Seu pequeno porte possibilitava transporte em aeronaves de carga da Força Aérea Brasileira, podendo ainda ser lançado em voo por aeronaves Lockheed C-130E/H Hercules. A próxima versão desenvolvida foi o X-12TR que passou a contar com teto rígido em fibra de vidro, e novamente a versão militar X-12TRM passou a ser adotada inicialmente pela Força Aérea Brasileira, sendo empregado para transporte e tracionar pequenas carretas lançadoras de foguete para calibração de estação de radar e medições meteorológicas. Curiosamente algumas unidades pertencentes aos Batalhões de Infantaria da Aeronáutica passaram a empregar metralhadoras fixas de 12,7 mm em seus modelos X-12M para unidades de defesa de bases aéreas ao redor do território nacional.
Durante mais de 20 anos os jipes X-10 e X-12 serviram não só as forças armadas e de segurança brasileiras, mas também em exércitos de outros oito países inclusive no Oriente Médio, África e América do Sul.  O Exército Brasileiro era seu principal cliente, possuindo maior frota de todos os operadores, chegando também a utilizar o X-15 e algumas unidades do X-20. O X-12 foi a base para o novo Gurgel Tocantins lançado em 1988, que a exemplo dos demais também dispunha de sua versão militar. O encerramento das atividades da Gurgel Motores S/A em 1994 não afetaria a disponibilidade da frota de X-12 das forças armadas brasileiras (tendo em vista que o X-10 havia sido retirado de serviço no início da década de 1990), muito em função do emprego da mecânica Volkswagen que era comum e proporcionava normalidade do fluxo de obtenção de peças de reposição. Sua gradual substituição no Exército Brasileiro e Corpo de Fuzileiros Navais teve início em fins da década de 1980 com o recebimento nos novos jipes e utilitários produzidos pela Toyota – Bernardini. Os últimos X-12 militares em serviço foram retirados no início dos anos 2000, com muitos exemplares adquiridos em leiloes por entusiastas e colecionadores.

Em Escala.

Para representarmos o Gurgel Tocantins X-12TRM  " EB 22-364 “,fizemos uso do modelo em die cast na escala 1/43 da Coleção Veículos de Serviço do Brasil  da Editora Altayai , procedendo a customização para a versão militar. Empregamos decais confeccionados pela decais Eletric Products pertencentes ao set  "Exército Brasileiro "Veículos Militares Brasileiros 1944 - 1982 ".
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura do Exército Brasileiro aplicado em todos seus veículos militares desde a Segunda Guerra Mundial até a o final do ano de 1982, quando foram alteradas com inclusão de um esquema de camuflagem tático de em dois tons, se mantendo este até sua gradativa desativação a até o início da década de 1990, salientamos que a Marinha do Brasil quanto a Força Aérea Brasileira empregaram outros padrões de pintura e suas unidades.


Bibliografia:

- Gurgel, o engenheiro que ousou sonhar - http://revistaautoesporte.globo.com
- Gurgel: o engenheiro que virou carro - https://quatrorodas.abril.com.br
- Veículos Militares Brasileiros – Roberto Pereira de Andrade e José S Fernandes
- Exército Brasileiro - http://www.exercito.gov.br