História e Desenvolvimento.
No final da década de 1930, o cenário internacional encontrava-se marcado por crescente instabilidade e por uma sucessão de crises que anunciavam a proximidade de um conflito de dimensões globais. Na Europa, o regime nacional-socialista alemão, sob a liderança de Adolf Hitler, adotava uma política externa abertamente revisionista, voltada à expansão territorial e à revisão das cláusulas impostas pelo Tratado de Versalhes de 1919. A anexação da Áustria (Anschluss), em março de 1938, e a subsequente ocupação da região dos Sudetos, na Tchecoslováquia, no mesmo ano, evidenciaram a fragilidade do sistema de segurança coletiva então vigente. A Política de Apaziguamento conduzida por potências como a Grã-Bretanha e a França, longe de conter o expansionismo alemão, acabou por reforçar a percepção de que o equilíbrio europeu estava em colapso. Simultaneamente, no Extremo Oriente, o Império do Japão consolidava sua trajetória expansionista. Após a invasão da Manchúria em 1931 e a criação do Estado fantoche de Manchukuo, o conflito sino-japonês, iniciado em 1937, ampliou a presença militar nipônica no continente asiático. A incapacidade da Liga das Nações de impor sanções efetivas ou de conter tais agressões demonstrava os limites institucionais do sistema internacional do período. A convergência dessas tensões regionais indicava que o mundo se aproximava, de forma cada vez mais evidente, de uma grande conflagração. Diante desse panorama, o governo dos Estados Unidos,, passou a reconhecer a necessidade de fortalecer suas capacidades militares, ainda que o país mantivesse formalmente uma postura de neutralidade. A partir de 1938, programas de modernização e expansão das forças armadas foram gradualmente implementados, com ênfase particular no poder naval. As rotas marítimas eram essenciais tanto para o comércio internacional quanto para a segurança estratégica do hemisfério ocidental, e sua proteção assumiu caráter prioritário. No Pacífico, a expansão da Marinha Imperial Japonesa, que ao longo da década incorporou meios navais de grande porte e elevado poder ofensivo. No Atlântico e no Mar do Norte, a Alemanha, investia na construção de uma força submarina significativa. Apesar das restrições impostas, os estaleiros alemães ampliaram progressivamente a produção de U-boats. Em 1939, estimava-se que cerca de 50 submarinos estivessem operacionais, número que cresceria substancialmente nos anos seguintes, com a introdução de modelos como o Tipo VII, amplamente empregado na futura Batalha do Atlântico. Essa força submarina constituía ameaça direta às linhas de abastecimento marítimo, cuja sobrevivência dependia de importações regulares de alimentos, combustíveis e matérias-primas provenientes, sobretudo, da América do Norte. A perspectiva de uma campanha sistemática de interdição marítima por meio de U-boats colocava em risco não apenas a economia britânica, mas sua própria capacidade de sustentar um esforço de guerra prolongado. No Mediterrâneo, a Regia Marina italiana, também desenvolvia uma frota submarina considerável, ampliando as preocupações estratégicas das potências aliadas. Nesse contexto, impunha-se às marinhas ocidentais o desafio de combinar eficiência operacional com capacidade de rápida expansão de seus meios navais, sem comprometer excessivamente recursos industriais e financeiros. Durante a década de 1930, os contratorpedeiros (destroyers) constituíam elemento central das estratégias navais. Projetados para alta velocidade e manobrabilidade, eram empregados na escolta de unidades capitais como encouraçados e porta-aviões e na proteção de comboios contra ataques de submarinos e embarcações torpedeiras. Entretanto, a urgência imposta pelo conflito evidenciou a necessidade de navios de escolta mais simples, econômicos e de rápida construção.
Nesse sentido, a Marinha Real Britânica (Royal Navy) já havia desenvolvido solução pragmática por meio das corvetas embarcações menores, de menor custo e concebidas prioritariamente para a escolta de comboios mercantes. A Classe Flower, com aproximadamente 267 unidades construídas entre 1939 e 1945, consolidou-se como um dos pilares da Batalha do Atlântico. Concebidas para rápida produção e custo reduzido, as corvetas ofereceram proteção antissubmarino e antiaérea aos comboios aliados em um momento crítico da guerra. Embora menos velozes e menos armadas que os contratorpedeiros convencionais, demonstraram notável eficácia na escolta de navios mercantes. O êxito dessa solução pragmática exerceu influência direta sobre outras marinhas aliadas. Nesse contexto, o corpo de engenharia naval da Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy) desenvolveu o conceito dos "Destroyer Escorts", contratorpedeiros de escolta projetados para aliar eficiência operacional a custos de construção e manutenção inferiores aos dos destróieres tradicionais. O objetivo estratégico era duplo: ampliar rapidamente o número de unidades disponíveis para a proteção de comboios em áreas costeiras e oceânicas e, ao mesmo tempo, liberar os contratorpedeiros de maior porte para missões de escolta de longo curso e para a defesa de forças-tarefa centradas em navios capitais, como os porta-aviões. Entre as diversas classes concebidas, destacou-se a Classe Cannon, considerada uma das mais bem-sucedidas do programa. Projetada para atender às exigências da guerra antissubmarino, apresentava equilíbrio entre autonomia, capacidade ofensiva e simplicidade construtiva. Para atender às demandas emergenciais do conflito, foram firmados, ao final de 1942, contratos com os estaleiros Dravo Corporation e Federal Shipbuilding & Drydock Company, prevendo a construção de 116 navios da classe. Do ponto de vista construtivo, os navios da Classe Cannon eram edificados em aço estrutural de espessura variável de 1/8” até 2” adotando sistema de construção predominantemente transversal, com reforço longitudinal como elemento principal de travamento estrutural. O casco era subdividido por 171 cavernas transversais, organizadas em 73 compartimentos estanques, e contava com convés corrido, característica que favorecia a integridade estrutural e a compartimentação em caso de avarias. Suas principais características técnicas incluíam deslocamento normal de aproximadamente 1.512 toneladas e deslocamento máximo em torno de 1.600 toneladas. O comprimento total era de 93,33 metros, com 90,0 metros entre perpendiculares; a boca máxima atingia 11,14 metros e o calado máximo era de 3,60 metros. Essas dimensões conferiam equilíbrio entre estabilidade, autonomia e capacidade de operação em mar aberto. O sistema de propulsão da Classe Cannon era baseado em uma configuração diesel-elétrica, projetada para garantir eficiência e confiabilidade. A propulsão era fornecida por quatro motores elétricos principais de corrente contínua, modelo QVDC-8145, fabricados pela Westinghouse, com excitação separada. Cada motor, com potência de 1.500 HP a 600 RPM, era disposto em pares por eixo, totalizando 3.000 HP, acionando duas hélices de três pás. Esses motores eram alimentados por dois dínamos principais por eixo, garantindo redundância e robustez operacional. A energia elétrica era gerada por quatro grupos de motores diesel-geradores General Motors, divididos em dois modelos: 8-268A (200 kW) e 3-268A (100 kW), que acionavam alternadores Westinghouse.
Em termos de desempenho, alcançavam velocidade máxima de aproximadamente 20,2 nós em regime de emergência, 19,2 nós sustentados, 17 nós a plena força contínua, 15 nós em regime padrão e cerca de 11 nós em velocidade econômica parâmetros compatíveis com sua função primordial de escolta. Além disso estes navios incorporariam recursos que garantiam adequada autonomia e eficiência operacional em missões prolongadas de escolta oceânica. Entre esses, destacava-se o sistema de destilação de baixa pressão, capaz de produzir aproximadamente 4.000 galões de água potável por dia, podendo alcançar até 5.000 galões em regime de emergência. Em operações de longa duração, especialmente na Batalha do Atlântico e no Pacífico, tal capacidade era fundamental para assegurar o abastecimento hídrico da tripulação, reduzindo a dependência de reabastecimentos frequentes e ampliando o raio de ação dos navios. Os paióis de munição foram projetados segundo critérios de segurança compatíveis com as exigências da guerra naval moderna. Adotava-se sistema de ventilação natural e forçada, em vez de refrigeração mecânica, solução que simplificava a manutenção sem comprometer a integridade do armamento armazenado. O arsenal típico incluía cargas de profundidade destinadas ao combate antissubmarino, torpedos e munições para canhões de emprego antiaéreo e de superfície, compondo um conjunto equilibrado para a missão primordial de escolta e defesa de comboios. No âmbito das comunicações, elemento vital para a coordenação tática em operações navais complexas, a Classe Cannon dispunha de um conjunto abrangente de equipamentos de rádio. Entre os transmissores empregados figuravam os modelos TBL-7, TDE e CRV 52093, destinados principalmente a comunicações em ondas curtas. Os receptores incluíam o CRV 46068, para ondas ultracurtas, além dos modelos RBE-1, RAO-2, RAL-6, RAK-6 e RBO, assegurando ampla capacidade de recepção em diferentes faixas de frequência. A comunicação visual, ainda indispensável em cenários de silêncio rádio ou em operações de curta distância, era garantida por dois holofotes de 12 polegadas, bandeiras de sinalização, lâmpadas Aldis e escote instalado na verga do mastro principal. Esse conjunto permitia comunicações seguras e redundantes com outras embarcações, aeronaves e bases terrestres, fator decisivo para a organização e proteção de comboios em áreas sujeitas à ação inimiga. No campo da detecção e navegação, incorporavam tecnologias consideradas avançadas para a época. Para a guerra antissubmarino, estavam equipadas com o sistema QCT-1, dispositivo análogo ao sonar, apto a detectar submarinos submersos por meio da emissão e recepção de pulsos acústicos. Na vigilância de superfície, utilizava-se o Radar SL, fabricado pela Western Electric & Co., com alcance aproximado de 60 milhas náuticas. Já a detecção de alvos aéreos era realizada pelo Radar SA, produzido pela RCA Manufacturing Co., cujo alcance podia atingir cerca de 375 milhas náuticas, ampliando consideravelmente a capacidade de alerta antecipado. A identificação de unidades amigas era assegurada pelo sistema IFF (Identification Friend or Foe) modelo BL-5, complementado por respondedor ABK-7, reduzindo o risco de engajamentos fratricidas em ambientes operacionais complexos. A navegação apoiava-se em uma agulha giroscópica mestre Arma MK X Mod. 0, instalada na Sala de Informações de Combate (CIC), com repetidoras distribuídas em pontos estratégicos do navio. Complementavam esse sistema um calculador e traçador de derrota (CTD), duas agulhas magnéticas uma padrão, localizada no tijupá, e outra de governo, no passadiço, um radiogoniômetro DP13 para determinação de marcações rádio e um ecobatímetro NJ-9, fabricado pela Submarine Signal Company, destinado à medição da profundidade sob a quilha.
Em termos de desempenho, alcançavam velocidade máxima de aproximadamente 20,2 nós em regime de emergência, 19,2 nós sustentados, 17 nós a plena força contínua, 15 nós em regime padrão e cerca de 11 nós em velocidade econômica parâmetros compatíveis com sua função primordial de escolta. Além disso estes navios incorporariam recursos que garantiam adequada autonomia e eficiência operacional em missões prolongadas de escolta oceânica. Entre esses, destacava-se o sistema de destilação de baixa pressão, capaz de produzir aproximadamente 4.000 galões de água potável por dia, podendo alcançar até 5.000 galões em regime de emergência. Em operações de longa duração, especialmente na Batalha do Atlântico e no Pacífico, tal capacidade era fundamental para assegurar o abastecimento hídrico da tripulação, reduzindo a dependência de reabastecimentos frequentes e ampliando o raio de ação dos navios. Os paióis de munição foram projetados segundo critérios de segurança compatíveis com as exigências da guerra naval moderna. Adotava-se sistema de ventilação natural e forçada, em vez de refrigeração mecânica, solução que simplificava a manutenção sem comprometer a integridade do armamento armazenado. O arsenal típico incluía cargas de profundidade destinadas ao combate antissubmarino, torpedos e munições para canhões de emprego antiaéreo e de superfície, compondo um conjunto equilibrado para a missão primordial de escolta e defesa de comboios. No âmbito das comunicações, elemento vital para a coordenação tática em operações navais complexas, a Classe Cannon dispunha de um conjunto abrangente de equipamentos de rádio. Entre os transmissores empregados figuravam os modelos TBL-7, TDE e CRV 52093, destinados principalmente a comunicações em ondas curtas. Os receptores incluíam o CRV 46068, para ondas ultracurtas, além dos modelos RBE-1, RAO-2, RAL-6, RAK-6 e RBO, assegurando ampla capacidade de recepção em diferentes faixas de frequência. A comunicação visual, ainda indispensável em cenários de silêncio rádio ou em operações de curta distância, era garantida por dois holofotes de 12 polegadas, bandeiras de sinalização, lâmpadas Aldis e escote instalado na verga do mastro principal. Esse conjunto permitia comunicações seguras e redundantes com outras embarcações, aeronaves e bases terrestres, fator decisivo para a organização e proteção de comboios em áreas sujeitas à ação inimiga. No campo da detecção e navegação, incorporavam tecnologias consideradas avançadas para a época. Para a guerra antissubmarino, estavam equipadas com o sistema QCT-1, dispositivo análogo ao sonar, apto a detectar submarinos submersos por meio da emissão e recepção de pulsos acústicos. Na vigilância de superfície, utilizava-se o Radar SL, fabricado pela Western Electric & Co., com alcance aproximado de 60 milhas náuticas. Já a detecção de alvos aéreos era realizada pelo Radar SA, produzido pela RCA Manufacturing Co., cujo alcance podia atingir cerca de 375 milhas náuticas, ampliando consideravelmente a capacidade de alerta antecipado. A identificação de unidades amigas era assegurada pelo sistema IFF (Identification Friend or Foe) modelo BL-5, complementado por respondedor ABK-7, reduzindo o risco de engajamentos fratricidas em ambientes operacionais complexos. A navegação apoiava-se em uma agulha giroscópica mestre Arma MK X Mod. 0, instalada na Sala de Informações de Combate (CIC), com repetidoras distribuídas em pontos estratégicos do navio. Complementavam esse sistema um calculador e traçador de derrota (CTD), duas agulhas magnéticas uma padrão, localizada no tijupá, e outra de governo, no passadiço, um radiogoniômetro DP13 para determinação de marcações rádio e um ecobatímetro NJ-9, fabricado pela Submarine Signal Company, destinado à medição da profundidade sob a quilha.A manobrabilidade das unidades da Classe Cannon constituía atributo essencial para o cumprimento de missões de escolta em ambientes de elevada complexidade tática. Esse desempenho era assegurado por dois lemes compensados e conjugados, operados por sistema eletro-hidráulico automático, que proporcionava respostas rápidas e precisas às ordens de governo. Tal configuração permitia ajustes finos de rumo durante manobras evasivas, formações de comboio e operações antissubmarino, nas quais mudanças bruscas de direção frequentemente se faziam necessárias. No que se refere à fundeação, os navios eram equipados com dois ferros tipo Dunn, sistema Hall, com peso aproximado de 1.360 kg cada, talingados a duas amarras de sete quartéis. Esse conjunto assegurava firmeza e estabilidade tanto em portos quanto em fundeadouros avançados, onde muitas vezes as condições eram precárias ou sujeitas a variações climáticas significativas. A preocupação com a segurança da tripulação também se refletia na dotação de meios de salvamento. Cada navio dispunha de uma lancha motorizada a diesel com capacidade para 24 homens, quatro balsas de cortiça capazes de acomodar até 100 tripulantes e cinco redes flutuantes com capacidade total para 125 homens. Esses recursos garantiam alternativas eficazes de evacuação em caso de avarias graves ou abandono da embarcação, evidenciando o compromisso da Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy) com a preservação da vida humana em operações de alto risco. No campo do armamento, a Classe Cannon foi concebida com um conjunto equilibrado, apto a enfrentar ameaças aéreas, de superfície e submarinas. A bateria principal era composta por três canhões de 76,2 mm (3”/50), capazes de atingir alvos a distâncias superiores a 12.000 jardas, com alcance eficaz aproximado de 4.000 jardas. Esses armamentos desempenhavam dupla função, podendo engajar embarcações de superfície de pequeno e médio porte, além de prover defesa antiaérea de caráter complementar. A bateria secundária consistia em dois canhões de 40 mm, montados em reparo duplo, destinados primordialmente à defesa antiaérea de médio alcance. Complementando esse sistema, oito metralhadoras Oerlikon de 20 mm reforçavam a proteção contra aeronaves em voo rasante ou ataques a curta distância, compondo uma cortina defensiva eficaz contra ameaças aéreas típicas do período. Para ampliar sua capacidade ofensiva, especialmente contra navios de superfície e alvos estratégicos, as unidades dispunham ainda de um reparo triplo de tubos lança-torpedos de 21 polegadas (533 mm), aptos a disparar torpedos do tipo Bliss-Leavitt. Associado às cargas de profundidade e aos sistemas de detecção submarina já descritos, esse conjunto tornava a Classe Cannon uma plataforma versátil e eficiente no contexto da guerra naval moderna. O primeiro navio da classe, o USS Cannon (DE-99), foi comissionado em 26 de setembro de 1943, marcando o início de uma série de embarcações que desempenhariam papel significativo no esforço de guerra aliado. As seis primeiras unidades USS Cannon (DE-99), USS Christopher (DE-100), USS Alger (DE-101), USS Thomas (DE-102), USS Bostwick (DE-103) e USS Breeman (DE-104) foram rapidamente destinadas ao Oceano Atlântico, onde passaram a escoltar comboios mercantes em rotas estratégicas entre os Estados Unidos e a Europa. Essas missões revelaram-se fundamentais para a sustentação logística dos Aliados, sobretudo durante os momentos mais intensos da Batalha do Atlântico. A proteção eficaz das linhas de suprimento responsáveis pelo transporte de tropas, alimentos, combustíveis e equipamentos constituiu fator decisivo para a resistência britânica e, posteriormente, para a preparação das ofensivas aliadas no continente europeu.
Entre os episódios de maior destaque, sobressai a atuação do USS DE-189, agraciado com a Citação da Unidade Presidencial por suas operações antissubmarino realizadas entre fevereiro e março de 1944, ao largo das Bermudas e no Caribe. Em 1944, a classe foi incluída no programa Lend-Lease (Lei de Arrendamento e Empréstimo), uma iniciativa americana que fornecia equipamentos militares aos aliados. Nesse contexto, oito contratorpedeiros de escolta foram transferidos para a Marinha do Brasil, com o objetivo de reforçar a proteção de comboios mercantes. À medida que o conflito se aproximava do fim, a Classe Cannon continuou a demonstrar sua relevância, com seis navios comissionados diretamente para as Forças Francesas Livres, lideradas pelo General Charles de Gaulle, para apoiar as operações complementares à invasão da Normandia. O último navio da Classe Cannon, o USS Sutton (DE-771), foi lançado ao mar em 6 de agosto de 1944. Nesse momento, a ameaça de submarinos inimigos havia diminuído significativamente, tanto no Oceano Atlântico quanto no Pacífico, devido à superioridade naval aliada e à redução da capacidade operacional alemã e Japonesa. Com base nesse cenário, decidiu cancelar a construção dos 44 navios restantes da classe, encerrando a produção após a entrega de 72 unidades. Ao término da Segunda Guerra Mundial a grande maioria destes navios seria colocada na reserva da Marinha dos Estados Unidos (US Navy). Contudo, esses navios encontraram nova vida por meio do Programa de Defesa e Assistência Mútua (MDAP, Mutual Defense Assistance Program), instituído em 1949 para fortalecer as marinhas de nações aliadas durante a Guerra Fria. Sob esse programa, a Classe Cannon foi transferida para diversas forças navais ao redor do mundo, reforçando a cooperação militar internacional. Em 1950 seis navios seriam cedidos a Marinha da Real da Holanda (RNN), quatro para a Marinha da República da China - Taiwan (ROCN). Ao longo dos anos seguintes oito seriam transferidos a Marinha Nacional Francesa (Marine Nationale), dois para a Marinha da República da Coreia (ROK), quatro para a Marinha Helênica (ΠΝ), três para a Marinha Militar Italiana (Marina Militare), dois para a Força de Autodefesa Marítima do Japão (JMSDF), três para a Marinha de Guerra do Peru (MGP), cinco para a Marinha das Filipinas (PN), dois para a Armada Nacional do Uruguai e por fim um navio para a Marinha Real da Tailândia (RTN). A maioria dos navios da Classe Cannon transferidos permaneceu em serviço ativo até a segunda metade da década de 1960, quando começaram a ser gradualmente desativados devido ao avanço tecnológico e à introdução de embarcações mais modernas. Nos Estados Unidos, os últimos navios ainda em reserva foram retirados da lista ativa em 1973 e posteriormente sucateados, marcando o fim de sua operação sob a bandeira americana. Notavelmente, a Classe Cannon demonstrou uma longevidade excepcional em algumas marinhas estrangeiras. Em 2018, a Marinha das Filipinas descomissionou o BRP Rajah Humabon (PS-11, ex-USS Atherton DE-169), um dos últimos navios da classe ainda em operação. Surpreendentemente, o HTMS Pin Klao (DE-413, ex-USS Hemminger DE-746), operado pela Marinha Real da Tailândia, permanece em serviço ativo até o presente, em 2025, destacando a durabilidade e a adaptabilidade do projeto da Classe Cannon.
Entre os episódios de maior destaque, sobressai a atuação do USS DE-189, agraciado com a Citação da Unidade Presidencial por suas operações antissubmarino realizadas entre fevereiro e março de 1944, ao largo das Bermudas e no Caribe. Em 1944, a classe foi incluída no programa Lend-Lease (Lei de Arrendamento e Empréstimo), uma iniciativa americana que fornecia equipamentos militares aos aliados. Nesse contexto, oito contratorpedeiros de escolta foram transferidos para a Marinha do Brasil, com o objetivo de reforçar a proteção de comboios mercantes. À medida que o conflito se aproximava do fim, a Classe Cannon continuou a demonstrar sua relevância, com seis navios comissionados diretamente para as Forças Francesas Livres, lideradas pelo General Charles de Gaulle, para apoiar as operações complementares à invasão da Normandia. O último navio da Classe Cannon, o USS Sutton (DE-771), foi lançado ao mar em 6 de agosto de 1944. Nesse momento, a ameaça de submarinos inimigos havia diminuído significativamente, tanto no Oceano Atlântico quanto no Pacífico, devido à superioridade naval aliada e à redução da capacidade operacional alemã e Japonesa. Com base nesse cenário, decidiu cancelar a construção dos 44 navios restantes da classe, encerrando a produção após a entrega de 72 unidades. Ao término da Segunda Guerra Mundial a grande maioria destes navios seria colocada na reserva da Marinha dos Estados Unidos (US Navy). Contudo, esses navios encontraram nova vida por meio do Programa de Defesa e Assistência Mútua (MDAP, Mutual Defense Assistance Program), instituído em 1949 para fortalecer as marinhas de nações aliadas durante a Guerra Fria. Sob esse programa, a Classe Cannon foi transferida para diversas forças navais ao redor do mundo, reforçando a cooperação militar internacional. Em 1950 seis navios seriam cedidos a Marinha da Real da Holanda (RNN), quatro para a Marinha da República da China - Taiwan (ROCN). Ao longo dos anos seguintes oito seriam transferidos a Marinha Nacional Francesa (Marine Nationale), dois para a Marinha da República da Coreia (ROK), quatro para a Marinha Helênica (ΠΝ), três para a Marinha Militar Italiana (Marina Militare), dois para a Força de Autodefesa Marítima do Japão (JMSDF), três para a Marinha de Guerra do Peru (MGP), cinco para a Marinha das Filipinas (PN), dois para a Armada Nacional do Uruguai e por fim um navio para a Marinha Real da Tailândia (RTN). A maioria dos navios da Classe Cannon transferidos permaneceu em serviço ativo até a segunda metade da década de 1960, quando começaram a ser gradualmente desativados devido ao avanço tecnológico e à introdução de embarcações mais modernas. Nos Estados Unidos, os últimos navios ainda em reserva foram retirados da lista ativa em 1973 e posteriormente sucateados, marcando o fim de sua operação sob a bandeira americana. Notavelmente, a Classe Cannon demonstrou uma longevidade excepcional em algumas marinhas estrangeiras. Em 2018, a Marinha das Filipinas descomissionou o BRP Rajah Humabon (PS-11, ex-USS Atherton DE-169), um dos últimos navios da classe ainda em operação. Surpreendentemente, o HTMS Pin Klao (DE-413, ex-USS Hemminger DE-746), operado pela Marinha Real da Tailândia, permanece em serviço ativo até o presente, em 2025, destacando a durabilidade e a adaptabilidade do projeto da Classe Cannon. Emprego na Marinha do Brasil.
Com a capitulação da França em junho de 1940, intensificaram-se os temores norte-americanos quanto a uma possível invasão do hemisfério ocidental. A Alemanha nazista poderia utilizar bases em territórios coloniais franceses, como as Ilhas Canárias, Dacar (atual Senegal) e outras possessões na África Ocidental. Nesse cenário, o Brasil destacou-se como ponto vulnerável devido à sua proximidade geográfica com o continente africano o trecho mais estreito entre os dois continentes situa-se na costa nordeste brasileira. A campanha alemã no Norte da África (iniciada em 1940) e as conquistas japonesas no Sudeste Asiático e Pacífico Sul (incluindo a ocupação da Indochina em 1940 e das Filipinas em 1942) agravaram a situação. O Brasil tornou-se o principal fornecedor de látex (borracha natural) para os Aliados, matéria-prima crítica para a produção de pneus, vedações e outros componentes bélicos indispensáveis à indústria de guerra. A costa nordeste brasileira assumiu importância estratégica singular, servindo como ponto de apoio ideal para o estabelecimento de bases aéreas e portuárias. Essas instalações facilitaram o transporte de tropas, veículos, suprimentos e aeronaves rumo aos teatros de operações na Europa e no Norte da África, com destaque para a Operação Tocha (invasão aliada do Norte da África em novembro de 1942). Diante das ameaças crescentes, o governo brasileiro, sob a presidência de Getúlio Vargas, aprofundou a colaboração política, econômica e militar com os Estados Unidos. Um dos pilares dessa parceria foi a adesão do Brasil ao Lend-Lease Act (Lei de Empréstimo e Arrendamento), aprovada pelo Congresso americano em março de 1941. O programa visava fornecer assistência militar a nações aliadas, modernizando suas forças armadas para o enfrentamento do Eixo. No caso brasileiro, acordos sucessivos (inicialmente em outubro de 1941 e ampliados em março de 1942) garantiram créditos e suprimentos no valor total aproximado de US$ 200 milhões (com créditos iniciais na ordem de US$ 100 milhões mencionados em negociações preliminares). Esses recursos permitiram a aquisição de armamentos modernos, incluindo aeronaves, veículos blindados, tanques e equipamentos navais. Na época, as Forças Armadas Brasileiras apresentavam equipamentos obsoletos e doutrina operacional inadequada para um conflito de escala global. Um dos maiores desafios enfrentados pelo Brasil foi a guerra antissubmarino (ASW – Anti-Submarine Warfare). A partir de 1941, submarinos alemães (U-boats da Kriegsmarine) e, em menor escala, italianos intensificaram ataques à navegação mercante no Atlântico Sul, visando interromper o fluxo de matérias-primas essenciais para os Aliados. Os torpedeamentos de navios brasileiros ocorreram inicialmente no Caribe e na costa norte-americana, mas progrediram para o litoral brasileiro, com pico em 1942 especialmente após a declaração de guerra do Brasil à Alemanha e à Itália em 22 de agosto, motivada por afundamentos sucessivos (como os realizados pelo U-507 em agosto daquele ano, que causaram centenas de mortes). A Marinha dos Estados Unidos (U.S Navy) liderou operações aeronavais de proteção a comboios mercantes. A partir do final de 1942, a Força Aérea Brasileira (FAB) assumiu responsabilidades crescentes nessas missões, empregando aeronaves especializadas notadamente os bombardeiros leves Lockheed Hudson (designação A-28/A-28A no âmbito do Lend-Lease, dos quais o Brasil recebeu cerca de 27 a 28 unidades). Essas aeronaves realizaram patrulhas costeiras extensas e ataques diretos a submarinos, contribuindo significativamente para a neutralização da ameaça no Atlântico Sul. Nesta fase a Marinha do Brasil enfrentava desafios significativos para contribuir com o esforço de guerra aliado, particularmente na campanha de guerra antissubmarino (ASW, Anti-Submarine Warfare).
A ameaça dos submarinos alemães (U-boats) e italianos no Atlântico Sul, intensificada após a entrada do Brasil no conflito em agosto de 1942, exigia uma frota naval moderna e equipada para proteger os comboios mercantes que transportavam matérias-primas essenciais, como látex, para os Estados Unidos. No entanto, a Marinha brasileira dispunha de recursos limitados, contando apenas com seis navios mineiros da Classe Carioca, construídos no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, na Ilha das Cobras, entre as décadas de 1930 e 1940. Esses navios, reclassificados como corvetas após o início do conflito, estavam equipados com sensores e radares adequados para detecção de submarinos, mas seu armamento um único canhão de 102 mm e lançadores de minas marítimas era insuficiente para enfrentar os modernos U-boats da Kriegsmarine alemã e os submarinos italianos da Regia Marina. A obsolescência da frota brasileira, tanto em termos de equipamentos quanto de doutrina operacional, demandava uma modernização urgente para que o país pudesse desempenhar um papel efetivo na defesa do Atlântico Sul. Assim dentro dos termos de cooperação, seria determinada a transferência de navios pertencentes a Marinha dos Estados Unidos (US Navy), sendo inclusos caça submarinos das Classes PC-461, SC-497 e por fim de oito contratorpedeiros de escolta da classe Cannon. A transferência dos contratorpedeiros de escolta da Classe Cannon representou um marco na modernização da Marinha do Brasil. Esses navios, projetados para missões de escolta costeira e combate antissubmarino, introduziram novos equipamentos, táticas e conceitos operacionais, tornando-se a espinha dorsal da esquadra brasileira durante o conflito. Equipados com sistemas de propulsão diesel-elétrica, que permitiam ajustes graduais de velocidade para acompanhar comboios, os navios da Classe Cannon eram extremamente manobráveis e versáteis, capazes de enfrentar submarinos tanto em operações submersas quanto na superfície. Seu armamento, que incluía canhões de 76,2 mm, metralhadoras antiaéreas Oerlikon de 20 mm e tubos lança-torpedos, conferia-lhes a capacidade de responder a ameaças aéreas, de superfície e submarinas. Em 1º de agosto de 1944, o Contratorpedeiro de Escolta Bertioga (Be-1), ex-USS Pennewill (DE-175), foi entregue à Marinha do Brasil em uma cerimônia realizada na Base Naval de Natal, Rio Grande do Norte, presidida pelo Vice-Almirante Jonas H. Ingram, comandante da Quarta Esquadra da US Navy. O navio foi oficialmente incorporado à Força Naval do Nordeste em 3 de agosto de 1944, por meio do Aviso Ministerial nº 1276, com sua Mostra de Armamento realizada no dia seguinte, 4 de agosto. Entre 21 de agosto de 1944 e 18 de setembro de 1945, o Bertioga desempenhou um papel crucial em missões de escolta de comboios, operações de caça antissubmarino e apoio ao serviço aéreo de evacuação de tropas americanas provenientes da Europa. Durante esse período, o navio navegou impressionantes 211.977,4 milhas náuticas e permaneceu 921,5 dias no mar, demonstrando sua robustez e confiabilidade. Após o término do conflito, o Bertioga continuou em serviço ativo. Em 29 de dezembro de 1946, por meio do Aviso Ministerial nº 1918, o navio foi incorporado à 2ª Flotilha de Contratorpedeiros da Esquadra, ao lado de outros navios da Classe Cannon. A partir de 1º de janeiro de 1963, passou a integrar o 1º Esquadrão de Contratorpedeiros de Escolta (DivCTE 11). Sua carreira na Marinha do Brasil chegou ao fim em 7 de fevereiro de 1964, quando o Aviso Ministerial nº 219 determinou sua baixa do Serviço Ativo da Armada. A Mostra de Desarmamento foi realizada em 22 de julho de 1964, no Porto do Rio de Janeiro, encerrando quase 20 anos de serviço.
O Contratorpedeiro de Escolta Beberibe (Be-2), ex-USS Herzog (DE-178), foi o segundo navio da Marinha do Brasil a ostentar esse nome, em homenagem ao rio pernambucano que lhe conferiu identidade histórica e regional. Construído pelo estaleiro Federal Shipbuilding & Drydock Company, em Newark, Nova Jersey, integrou o amplo programa de cooperação naval estabelecido entre Brasil e Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial. Sua transferência por empréstimo ocorreu em 1º de agosto de 1944, em cerimônia realizada na Base Naval de Natal, no Rio Grande do Norte — ponto estratégico para as operações aliadas no Atlântico Sul. Na ocasião, o comando foi assumido pelo Capitão-de-Corveta Mário Pinto de Oliveira, que conduziu o navio em suas primeiras missões operacionais. Incorporado à Força Naval do Nordeste, o Beberibe participou intensamente de escoltas de comboios e patrulhas antissubmarino até 18 de setembro de 1945, contribuindo para a proteção das rotas marítimas responsáveis pelo transporte de matérias-primas estratégicas, como o látex, indispensável à indústria bélica aliada. Com a reorganização da Esquadra Brasileira estabelecida pelo Decreto nº 8.273, de 4 de dezembro de 1945, o navio passou a integrar a 2ª Flotilha de Contratorpedeiros, ao lado de outras unidades da chamada Classe Bertioga denominação adotada no Brasil para os navios da Classe Cannon transferidos durante o conflito. Em 20 de julho de 1953, o Beberibe foi definitivamente incorporado ao patrimônio nacional no âmbito do Mutual Defense Assistance Program (MDAP), instrumento da política de cooperação militar do período da Guerra Fria. A padronização dos indicativos de casco promovida em 1955 resultou na redesignação do navio para D-19. Já no início da década de 1960, refletindo mudanças doutrinárias e operacionais, foi reclassificado como Aviso Oceânico. Nessa condição, teve seu armamento original removido incluindo os canhões de 76,2 mm e as metralhadoras Oerlikon de 20 mm e passou a ostentar o indicativo U-29. O Beberibe permaneceu em atividade até 1968, quando foi desativado e vendido para desmanche, encerrando quase vinte e quatro anos de serviços prestados à Marinha do Brasil em dois contextos históricos distintos: a guerra mundial e a consolidação estratégica do período pós-guerra. O Contratorpedeiro de Escolta Bracuí (Be-3), ex-USS Reybold (DE-177), também construído pelo estaleiro Federal Shipbuilding & Drydock Company, foi o primeiro navio da Marinha do Brasil a receber esse nome, evocando o rio Bracuí, no estado do Rio de Janeiro. Transferido por empréstimo em 15 de agosto de 1944, igualmente na Base Naval de Natal, teve como primeiro comandante o Capitão-de-Corveta Alberto Jorge Carvalhal. Assim como o Beberibe, o Bracuí integrou a Força Naval do Nordeste e participou de missões de escolta de comboios e patrulhamento antissubmarino até o encerramento das hostilidades, em setembro de 1945. Com a reestruturação da Esquadra determinada pelo Decreto nº 8.273, foi alocado à 2ª Flotilha de Contratorpedeiros, consolidando sua atuação no núcleo operacional da Marinha brasileira do pós-guerra. Em 1955, seu indicativo de casco foi alterado para D-23, acompanhando a nova padronização adotada pela Armada. No início da década de 1960, foi igualmente reclassificado como Aviso Oceânico, com a retirada do armamento principal e redesignação para U-23, refletindo sua nova função de apoio e presença naval. O Bracuí permaneceu em serviço até 1972, quando foi desativado e posteriormente vendido para desmanche, encerrando vinte e oito anos de operação.
O Contratorpedeiro de Escolta Beberibe (Be-2), ex-USS Herzog (DE-178), foi o segundo navio da Marinha do Brasil a ostentar esse nome, em homenagem ao rio pernambucano que lhe conferiu identidade histórica e regional. Construído pelo estaleiro Federal Shipbuilding & Drydock Company, em Newark, Nova Jersey, integrou o amplo programa de cooperação naval estabelecido entre Brasil e Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial. Sua transferência por empréstimo ocorreu em 1º de agosto de 1944, em cerimônia realizada na Base Naval de Natal, no Rio Grande do Norte — ponto estratégico para as operações aliadas no Atlântico Sul. Na ocasião, o comando foi assumido pelo Capitão-de-Corveta Mário Pinto de Oliveira, que conduziu o navio em suas primeiras missões operacionais. Incorporado à Força Naval do Nordeste, o Beberibe participou intensamente de escoltas de comboios e patrulhas antissubmarino até 18 de setembro de 1945, contribuindo para a proteção das rotas marítimas responsáveis pelo transporte de matérias-primas estratégicas, como o látex, indispensável à indústria bélica aliada. Com a reorganização da Esquadra Brasileira estabelecida pelo Decreto nº 8.273, de 4 de dezembro de 1945, o navio passou a integrar a 2ª Flotilha de Contratorpedeiros, ao lado de outras unidades da chamada Classe Bertioga denominação adotada no Brasil para os navios da Classe Cannon transferidos durante o conflito. Em 20 de julho de 1953, o Beberibe foi definitivamente incorporado ao patrimônio nacional no âmbito do Mutual Defense Assistance Program (MDAP), instrumento da política de cooperação militar do período da Guerra Fria. A padronização dos indicativos de casco promovida em 1955 resultou na redesignação do navio para D-19. Já no início da década de 1960, refletindo mudanças doutrinárias e operacionais, foi reclassificado como Aviso Oceânico. Nessa condição, teve seu armamento original removido incluindo os canhões de 76,2 mm e as metralhadoras Oerlikon de 20 mm e passou a ostentar o indicativo U-29. O Beberibe permaneceu em atividade até 1968, quando foi desativado e vendido para desmanche, encerrando quase vinte e quatro anos de serviços prestados à Marinha do Brasil em dois contextos históricos distintos: a guerra mundial e a consolidação estratégica do período pós-guerra. O Contratorpedeiro de Escolta Bracuí (Be-3), ex-USS Reybold (DE-177), também construído pelo estaleiro Federal Shipbuilding & Drydock Company, foi o primeiro navio da Marinha do Brasil a receber esse nome, evocando o rio Bracuí, no estado do Rio de Janeiro. Transferido por empréstimo em 15 de agosto de 1944, igualmente na Base Naval de Natal, teve como primeiro comandante o Capitão-de-Corveta Alberto Jorge Carvalhal. Assim como o Beberibe, o Bracuí integrou a Força Naval do Nordeste e participou de missões de escolta de comboios e patrulhamento antissubmarino até o encerramento das hostilidades, em setembro de 1945. Com a reestruturação da Esquadra determinada pelo Decreto nº 8.273, foi alocado à 2ª Flotilha de Contratorpedeiros, consolidando sua atuação no núcleo operacional da Marinha brasileira do pós-guerra. Em 1955, seu indicativo de casco foi alterado para D-23, acompanhando a nova padronização adotada pela Armada. No início da década de 1960, foi igualmente reclassificado como Aviso Oceânico, com a retirada do armamento principal e redesignação para U-23, refletindo sua nova função de apoio e presença naval. O Bracuí permaneceu em serviço até 1972, quando foi desativado e posteriormente vendido para desmanche, encerrando vinte e oito anos de operação.O Contratorpedeiro de Escolta Bauru (Be-4), ex-USS McAnn (DE-179), foi o primeiro navio da Marinha do Brasil a ostentar o nome em homenagem à cidade paulista de Bauru, então símbolo do dinamismo e da expansão ferroviária do interior brasileiro. Construído pelo estaleiro Federal Shipbuilding & Drydock Company, em Newark, Nova Jersey, integrou o conjunto de unidades transferidas ao Brasil no contexto da cooperação naval estabelecida durante a Segunda Guerra Mundial. Sua entrega ocorreu em 15 de agosto de 1944, na Base Naval de Natal, no Rio Grande do Norte, conforme o Aviso Ministerial nº 1326. O comando foi assumido pelo Capitão-de-Corveta Sylvio Borges de Souza Motta, responsável por conduzir a tripulação nas primeiras fases de adaptação operacional. Incorporado à Força Naval do Nordeste estrutura criada para coordenar as operações no Atlântico Sul , o Bauru destacou-se em missões de caça antissubmarino, escolta de comboios e apoio ao serviço aéreo de evacuação de tropas aliadas provenientes da Europa, particularmente entre agosto de 1944 e setembro de 1945. Encerrado o conflito, e com a dissolução da Força Naval do Nordeste, o navio passou a integrar a 2ª Flotilha de Contratorpedeiros e, posteriormente, o 2º Esquadrão de Contratorpedeiros, permanecendo como parte ativa do núcleo operacional da Esquadra brasileira. Em 5 de junho de 1964, foi reclassificado como Aviso Oceânico, transferido para o Esquadrão de Avisos Oceânicos e redesignado com o indicativo visual U-28, refletindo sua nova função de apoio e patrulhamento. Ao longo de 37 anos, 6 meses e 16 dias de serviço ativo, o Bauru percorreu 295.428,9 milhas náuticas e permaneceu 1.423 dias no mar números que atestam sua intensa atividade operacional. Diferentemente das demais unidades da Classe Bertioga, que foram desmontadas após a baixa, o Bauru recebeu destino singular. Preservado e restaurado em sua configuração típica da Segunda Guerra Mundial, tornou-se o primeiro navio-museu do país. Inaugurado em 21 de julho de 1982, na Marina da Glória, no Rio de Janeiro, passou a integrar, em 20 de janeiro de 1996, o Espaço Cultural da Marinha, onde permanece até os dias atuais como testemunho material da participação brasileira no conflito e da evolução da Marinha no século XX. Já o Contratorpedeiro de Escolta Baependi (Be-5), ex-USS Cannon (DE-99), foi o primeiro navio da Marinha do Brasil a homenagear a cidade mineira de Baependi. Construído pelo estaleiro Dravo Corporation, em Wilmington, Delaware, foi transferido por empréstimo e incorporado à Marinha do Brasil em 19 de dezembro de 1944, também na Base Naval de Natal. Seu primeiro comandante foi o Capitão-de-Corveta Raimundo da Costa, responsável por conduzir a embarcação nas operações finais da guerra. Integrado à Força Naval do Nordeste, o Baependi participou de missões de escolta e patrulhamento no Atlântico Sul, colaborando para a segurança das rotas marítimas estratégicas. Com a reorganização da Esquadra determinada pelo Decreto nº 8.273, de 4 de dezembro de 1945, passou a compor a 2ª Flotilha de Contratorpedeiros, consolidando sua presença no dispositivo naval do pós-guerra. Em 1955, no contexto da padronização dos indicativos de casco, recebeu nova designação numérica. Já em 1963, destacou-se durante a chamada Guerra da Lagosta, episódio de tensão diplomática entre Brasil e França envolvendo direitos de pesca na costa do Nordeste, demonstrando a versatilidade dessas antigas unidades de escolta em missões de presença e patrulhamento marítimo. Reclassificado como Aviso Oceânico em 1965, teve seu armamento original removido e passou a ostentar o indicativo visual U-27. Permaneceu em serviço até 1973, quando foi desativado e posteriormente vendido para desmanche, encerrando quase vinte e nove anos de atividade.
O Contratorpedeiro de Escolta Benevente (Be-6), ex-USS Christopher (DE-100), foi o primeiro navio da Marinha do Brasil a ostentar o nome em homenagem ao rio Benevente, no Espírito Santo. Construído pelo estaleiro Dravo Corporation, em Wilmington, Delaware, o Benevente foi transferido por empréstimo e incorporado à Marinha do Brasil em 19 de dezembro de 1944, na Base Naval de Natal, Rio Grande do Norte, recebendo o indicativo de casco Be-6. O comando inicial foi assumido pelo Capitão-de-Corveta Jorge Campello Maurício de Abreu. Subordinado à Força Naval do Nordeste por meio do Aviso do Estado-Maior da Armada nº 1.896, de 19 de dezembro de 1944, o Benevente integrou a Força-Tarefa 27, participando de operações de escolta de comboios e apoio ao transporte aéreo durante a Segunda Guerra Mundial. Após a dissolução da Força Naval do Nordeste, o navio tornou-se uma unidade solta, subordinada diretamente ao Estado-Maior da Armada. Pelo Aviso Ministerial nº 1.918, de 29 de dezembro de 1945, foi incorporado à 2ª Flotilha de Contratorpedeiros. Em 7 de fevereiro de 1964, foi reclassificado como Aviso Oceânico, recebendo o indicativo visual U-30, conforme o Aviso Ministerial nº 221 e a Ordem do Dia nº 0008/64 do Comando em Chefe da Esquadra. Durante seus quase 30 anos de serviço, o Benevente percorreu 265.846 milhas náuticas e permaneceu 1.132 dias no mar, destacando-se em missões de escolta e apoio logístico durante a guerra. Sua baixa do serviço ativo ocorreu em 22 de dezembro de 1974, conforme o Aviso Ministerial nº 1.394, de 5 de novembro de 1974, com a Mostra de Desarmamento realizada na mesma data. O Contratorpedeiro de Escolta Babitonga (Be-7), ex-USS Alger (DE-101), foi o primeiro navio da Marinha do Brasil a homenagear a Baía de Babitonga, em Santa Catarina. Construído pelo estaleiro Dravo Corporation, em Wilmington, Delaware, teve sua quilha batida em 2 de janeiro de 1943 e foi lançado ao mar em 8 de julho de 1943. Transferido por empréstimo, o Babitonga foi incorporado à Marinha do Brasil em 10 de março de 1945, na Base Naval de Natal, por meio do Aviso Ministerial nº 503A, com sua Mostra de Armamento realizada em 13 de março de 1945. Inicialmente, recebeu o indicativo de casco Be-7, posteriormente alterado para D-16 em 1955, conforme a padronização dos indicativos da Marinha. Subordinado à Força Naval do Nordeste pelo Aviso Ministerial nº 507, de 12 de março de 1945, o Babitonga participou de operações de escolta de comboios e apoio a transporte aéreo no final da Segunda Guerra Mundial. Com a criação do Grupamento Naval do Sul, pelo Aviso Ministerial nº 2.106, de 8 de setembro de 1967, o navio foi a ele incorporado. Durante seu serviço, percorreu 265.846 milhas náuticas e acumulou 1.132 dias no mar. O Babitonga foi desativado em 22 de dezembro de 1974, conforme o Aviso Ministerial nº 1.394, com sua Mostra de Desarmamento realizada na mesma data, sendo posteriormente vendido para desmanche. O Contratorpedeiro de Escolta Bocaina (Be-8), ex-USS Marts (DE-174), foi o primeiro navio da Marinha do Brasil a ostentar o nome em homenagem à serra, rio e vila de Bocaina, no litoral de São Paulo. Construído pelo estaleiro Federal Shipbuilding & Drydock Co., em Newark, Nova Jersey, o Bocaina foi transferido por empréstimo e incorporado à Marinha do Brasil em 20 de março de 1945, na Base Naval de Natal, recebendo o indicativo de casco Be-8. Em 1955, seu indicativo foi alterado para D-22, conforme a padronização da Marinha. No início da década de 1960, o navio foi reclassificado como Aviso Oceânico, com a remoção de seu armamento, e seu indicativo visual passou a ser U-32. O Bocaina participou de missões de escolta e patrulha no Atlântico Sul durante o final da Segunda Guerra Mundial, contribuindo para a segurança do transporte de matérias-primas vitais. Permaneceu em serviço até o início de 1975, quando foi retirado do serviço ativo e alienado para desmanche, encerrando cerca de 30 anos de operação.
O Contratorpedeiro de Escolta Benevente (Be-6), ex-USS Christopher (DE-100), foi o primeiro navio da Marinha do Brasil a ostentar o nome em homenagem ao rio Benevente, no Espírito Santo. Construído pelo estaleiro Dravo Corporation, em Wilmington, Delaware, o Benevente foi transferido por empréstimo e incorporado à Marinha do Brasil em 19 de dezembro de 1944, na Base Naval de Natal, Rio Grande do Norte, recebendo o indicativo de casco Be-6. O comando inicial foi assumido pelo Capitão-de-Corveta Jorge Campello Maurício de Abreu. Subordinado à Força Naval do Nordeste por meio do Aviso do Estado-Maior da Armada nº 1.896, de 19 de dezembro de 1944, o Benevente integrou a Força-Tarefa 27, participando de operações de escolta de comboios e apoio ao transporte aéreo durante a Segunda Guerra Mundial. Após a dissolução da Força Naval do Nordeste, o navio tornou-se uma unidade solta, subordinada diretamente ao Estado-Maior da Armada. Pelo Aviso Ministerial nº 1.918, de 29 de dezembro de 1945, foi incorporado à 2ª Flotilha de Contratorpedeiros. Em 7 de fevereiro de 1964, foi reclassificado como Aviso Oceânico, recebendo o indicativo visual U-30, conforme o Aviso Ministerial nº 221 e a Ordem do Dia nº 0008/64 do Comando em Chefe da Esquadra. Durante seus quase 30 anos de serviço, o Benevente percorreu 265.846 milhas náuticas e permaneceu 1.132 dias no mar, destacando-se em missões de escolta e apoio logístico durante a guerra. Sua baixa do serviço ativo ocorreu em 22 de dezembro de 1974, conforme o Aviso Ministerial nº 1.394, de 5 de novembro de 1974, com a Mostra de Desarmamento realizada na mesma data. O Contratorpedeiro de Escolta Babitonga (Be-7), ex-USS Alger (DE-101), foi o primeiro navio da Marinha do Brasil a homenagear a Baía de Babitonga, em Santa Catarina. Construído pelo estaleiro Dravo Corporation, em Wilmington, Delaware, teve sua quilha batida em 2 de janeiro de 1943 e foi lançado ao mar em 8 de julho de 1943. Transferido por empréstimo, o Babitonga foi incorporado à Marinha do Brasil em 10 de março de 1945, na Base Naval de Natal, por meio do Aviso Ministerial nº 503A, com sua Mostra de Armamento realizada em 13 de março de 1945. Inicialmente, recebeu o indicativo de casco Be-7, posteriormente alterado para D-16 em 1955, conforme a padronização dos indicativos da Marinha. Subordinado à Força Naval do Nordeste pelo Aviso Ministerial nº 507, de 12 de março de 1945, o Babitonga participou de operações de escolta de comboios e apoio a transporte aéreo no final da Segunda Guerra Mundial. Com a criação do Grupamento Naval do Sul, pelo Aviso Ministerial nº 2.106, de 8 de setembro de 1967, o navio foi a ele incorporado. Durante seu serviço, percorreu 265.846 milhas náuticas e acumulou 1.132 dias no mar. O Babitonga foi desativado em 22 de dezembro de 1974, conforme o Aviso Ministerial nº 1.394, com sua Mostra de Desarmamento realizada na mesma data, sendo posteriormente vendido para desmanche. O Contratorpedeiro de Escolta Bocaina (Be-8), ex-USS Marts (DE-174), foi o primeiro navio da Marinha do Brasil a ostentar o nome em homenagem à serra, rio e vila de Bocaina, no litoral de São Paulo. Construído pelo estaleiro Federal Shipbuilding & Drydock Co., em Newark, Nova Jersey, o Bocaina foi transferido por empréstimo e incorporado à Marinha do Brasil em 20 de março de 1945, na Base Naval de Natal, recebendo o indicativo de casco Be-8. Em 1955, seu indicativo foi alterado para D-22, conforme a padronização da Marinha. No início da década de 1960, o navio foi reclassificado como Aviso Oceânico, com a remoção de seu armamento, e seu indicativo visual passou a ser U-32. O Bocaina participou de missões de escolta e patrulha no Atlântico Sul durante o final da Segunda Guerra Mundial, contribuindo para a segurança do transporte de matérias-primas vitais. Permaneceu em serviço até o início de 1975, quando foi retirado do serviço ativo e alienado para desmanche, encerrando cerca de 30 anos de operação.Em Escala.
Para representar o Contratorpedeiro de Escolta Bertioga (D-18 Bauru) no período pós-guerra, foi utilizado o kit da Revell na escala 1/249, uma escolha incomum, mas significativa para modelistas que buscam precisão histórica. Este kit, originalmente projetado para representar navios da Classe Cannon, foi adaptado para retratar o Bertioga em sua configuração após 1945, quando o navio foi integrado à 2ª Flotilha de Contratorpedeiro. Para refletir a configuração pós-guerra foram realizadas pequenas alterações em scratch na estrutura da ilha do navio. Essas modificações incluíram ajustes na superestrutura para representar as mudanças feitas pela Marinha do Brasil, como possíveis reconfigurações nos sistemas de radar, antenas de comunicação e layout do passadiço, que diferiam da configuração original. Os decais, produzidos sob encomenda pela Special Signs na escala 1/249, foram essenciais para garantir a autenticidade visual do modelo.
No período pós-guerra, a Marinha do Brasil adotou um esquema de cores padrão para seus navios, incluindo o Bauru, que foi mantido até sua desativação em 1964. Esse padrão, baseado no sistema de cores Federal Standard (FS), refletia a necessidade de uniformidade estética e funcional, garantindo visibilidade, proteção contra intempéries e conformidade com as práticas navais internacionais da época. O esquema de cores incluía tons específicos para diferentes partes do navio, como casco, superestrutura e convés, projetados para combinar camuflagem residual de tempos de guerra com a estética de tempos de paz. Esse padrão foi aplicado ao Bauru a partir de sua incorporação à 2ª Flotilha de Contratorpedeiros em 1945 e mantido durante sua reclassificação como Aviso Oceânico em 1964.
Bibliografia :
- Cannon Class Destroyer Wikipedia - https://enacademic.com/dic.nsf/enwiki/2942971
- Navios de Guerra Brasileiros – Poder Naval https://www.naval.com.br
- Marinha do Brasil - https://www.marinha.mil.br/





