Classe Balao - Submarino de Frota

História e Desenvolvimento.
O aumento das tensões internacionais na Europa e na Ásia durante a década de 1930, impulsionado pela expansão da Alemanha, Itália e Japão, levou os Estados Unidos a iniciar um processo de modernização das suas forças armadas. O objetivo era preparar o país para um cenário internacional cada vez mais instável, no qual o poder naval teria papel fundamental. Entre as principais preocupações estava o rápido crescimento da Marinha Imperial Japonesa, considerada uma potencial ameaça aos interesses norte-americanos na região do Pacífico.  A arma submarina passou a assumir importância crescente nos planejamentos da Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy), e foi neste cenário estratégico que surgiu o conceito do “Submarino de Frota”, concebido para operar em estreita coordenação com as forças navais de superfície. Diferentemente dos submarinos empregados durante a Primeira Guerra Mundial, cuja atuação estava fortemente associada à guerra de corso e ao ataque ao tráfego mercante, os novos submarinos deveriam integrar o dispositivo principal da esquadra. Sua missão consistia em realizar reconhecimento avançado à frente da frota, identificando a composição, velocidade e direção dos agrupamentos inimigos, transmitindo essas informações ao comando naval e, quando oportuno, conduzindo ataques reduzindo o potencial de combate adversário antes do confronto entre as forças de superfície. Para atender a esta demanda, precisariam reunir características difíceis de combinar em um projeto: elevada velocidade em superfície, grande autonomia para operar em longas distâncias, robusto armamento de torpedos e condições adequadas para extensas patrulhas oceânicas. Estudos foram conduzidos, culminando no desenvolvimento da classe Tambor, considerada a primeira geração de submarinos de frota.  Após o ataque japonês a Pearl Harbor, em 1941, a destruição de grande parte da Frota do Pacífico tornou obsoleto o modelo de guerra naval baseado em grandes encouraçados. Com a falta de uma força de superfície capaz de enfrentar diretamente a marinha japonesa, os submarinos passaram a desempenhar um papel central na estratégia norte-americana. Durante a guerra, realizaram uma intensa campanha contra navios mercantes, petroleiros e transportes militares, enfraquecendo o abastecimento das forças japonesas e a sua economia. Essa ofensiva foi fundamental para o colapso do esforço de guerra do Japão, destacando-se os submarinos da classe Gato, que combinavam grande autonomia, poder de combate e confiabilidade operacional. Representavam uma evolução direta da classe Tambor, incorporando melhorias voltadas para aumentar a segurança, a resistência a danos e a eficiência em missões prolongadas. A principal mudança foi o aumento do comprimento do casco, permitindo a instalação de um compartimento estanque adicional e a divisão da sala de máquinas em dois setores independentes, o que reduzia o risco de perda total da propulsão em caso de avarias. Além disso, a profundidade de teste foi ampliada de 76 para 91 metros, aumentando a capacidade de evasão contra ataques antissubmarino.

Assim como seus antecessores os navios da classe Gato utilizavam uma estrutura de casco parcialmente duplo. Essa configuração proporcionava maior reserva de flutuabilidade, melhor distribuição dos tanques de lastro e maior robustez estrutural, características particularmente importantes para operações prolongadas em mar aberto. Embora apresentassem um tempo de mergulho superior ao dos submarinos alemães e britânicos contemporâneos consequência direta de suas maiores dimensões e deslocamento compensavam essa limitação por meio de uma autonomia excepcional. Concebidos para operar nas vastas extensões do Oceano Pacífico, podiam realizar patrulhas de longa duração a milhares de quilômetros de suas bases, característica que se revelaria decisiva para o sucesso da campanha contra o Japão. Seu excelente desempenho levaria os estrategistas a considerar uma evolução do projeto.  Desta maneira sobre a supervisão do Capitão Andrew McKee e do Comandante Armand M. Morgan foi iniciado um programa que resultaria no desenvolvimento de uma nova geração de submarinos. O objetivo consistia em aumentar significativamente a resistência estrutural do casco de pressão, permitindo operações seguras em profundidades muito superiores às então praticadas. Para alcançar esse resultado, os engenheiros adotaram uma nova liga de aço de alta resistência à tração (High Tensile Steel), combinada com o aumento da espessura do casco resistente, que passou 14,3 mm para 22,2 mm. Essas alterações representaram um importante avanço tecnológico e permitiram elevar substancialmente os limites operacionais da futura classe. Os cálculos estruturais indicavam uma profundidade de teste de aproximadamente 140 metros e uma profundidade teórica de colapso próxima dos 270 metros, números muito superiores aos observados nas classes anteriores. Entretanto, algumas limitações técnicas impediram que esses valores fossem imediatamente explorados em sua totalidade. Entre elas destacava-se a insuficiente capacidade das bombas utilizadas nos sistemas de controle de lastro em grandes profundidades. Além disso, as exigências impostas pelo acelerado programa de construção naval não permitiam o desenvolvimento imediato de um novo sistema de bombeamento. Em consequência, o vice-almirante Edward L. Cochrane, então diretor do Bureau of Ships, determinou que a profundidade oficial de testes fosse inicialmente limitada a 120 metros, valor considerado adequado para garantir segurança operacional sem comprometer os cronogramas de produção. Essa limitação seria superada em 1944, quando uma nova bomba centrífuga desenvolvida pela empresa Gould foi introduzida na frota. O equipamento apresentava desempenho significativamente superior ao dos sistemas anteriormente empregados, permitindo explorar com maior segurança as capacidades estruturais do casco. Como resultado, a profundidade operacional efetiva dos submarinos foi ampliada, aumentando ainda mais sua capacidade de sobrevivência em combate. As avaliações preliminares do novo projeto revelaram resultados extremamente promissores.
Incorporariam uma série de aperfeiçoamentos diretamente influenciados pelas lições aprendidas durante os primeiros anos da Guerra do Pacífico. Entre as modificações mais visíveis destacava-se a redução das dimensões da vela e da torre de comando, medidas destinadas a diminuir a resistência aerodinâmica e hidrodinâmica da embarcação. Essas alterações seguiam uma tendência já observada nos submarinos da classe Gato, muitos dos quais passaram por programas de atualização semelhantes durante o conflito. Também foram introduzidos novos mastros retráteis e suportes de periscópio de perfil reduzido, conhecidos como periscope shears, contribuindo para uma silhueta menos pronunciada e para a melhoria do desempenho geral do submarino durante a navegação em superfície. No que se refere ao sistema de propulsão, manteve a arquitetura diesel-elétrica composto por 04 motores diesel, normalmente Fairbanks-Morse ou General Motors, nas configurações V10 ou V16 que alimentavam os motores elétricos General Electric, encarregados de transmitir potência aos dois eixos propulsores. Em navegação de superfície, os motores diesel alimentavam diretamente os geradores e recarregavam os bancos de baterias. Durante a imersão, os motores elétricos passavam a utilizar exclusivamente a energia armazenada, permitindo operações silenciosas e reduzindo as possibilidades de detecção pelo inimigo. Podiam transportar até 24 torpedos dos modelos Mk 14 e, posteriormente, Mk 18 e Mk 23, lançados por meio de 10 tubos de torpedo de 21 polegadas (533 mm). Destes, 06  estavam instalados na seção de proa e 04 na popa, permitindo ataques eficazes tanto em aproximações frontais quanto durante manobras evasivas após o lançamento. Entretanto, a experiência operacional demonstrou que uma parcela significativa dos alvos encontrados  era composta por embarcações de pequeno porte, como escunas, pesqueiros, embarcações de cabotagem e pequenos cargueiros. O emprego de torpedos contra esses objetivos frequentemente não se justificava, seja pelo elevado custo da munição, seja pela necessidade de preservar o estoque disponível para alvos de maior valor estratégico. Por essa razão, a artilharia de convés assumiu papel relevante, com os primeiros exemplares equipados com o canhão naval Mk 9 de 102 mm e posteriormente o Mk 17 de  127 mm. Uma característica curiosa desses sistemas de artilharia era a natureza removível de diversos componentes associados à pontaria e ao carregamento.  Para a defesa antiaérea, contavam inicialmente com um canhão automático Bofors de 40 mm, complementado por dois reparos duplos equipados com canhões automáticos Oerlikon de 20 mm, montados na vela e no convés. Embora permanecessem extremamente vulneráveis a ataques aéreos quando navegavam em superfície, esses armamentos forneciam uma capacidade defensiva razoável contra aeronaves que realizassem ataques de oportunidade ou missões de reconhecimento. Em diversas ocasiões,  conseguiram repelir ataques de aviões japoneses ou mesmo destruir aeronaves inimigas. 

Começariam a  ingressar em serviço no Teatro de Operações do Pacífico em meados de 1943, onde tornaram-se protagonistas de uma ofensiva sistemática destinada a interromper o fluxo de matérias-primas, combustíveis, tropas e suprimentos que sustentavam o esforço de guerra japonês. Ao longo dos dois últimos anos da Segunda Guerra Mundial, participaram ativamente da destruição da marinha mercante japonesa, contribuindo de forma significativa para o progressivo colapso logístico do país. Além dos ataques contra cargueiros, petroleiros e navios de transporte, os Balao também obtiveram expressivos resultados contra unidades da Marinha Imperial Japonesa, sendo responsáveis pelo afundamento de numerosos navios de guerra, incluindo contratorpedeiros, cruzadores e embarcações auxiliares. Entre os episódios mais notáveis da história da classe destaca-se a ação conduzida pelo USS Archerfish (SS-311) em 29 de novembro de 1944. Durante uma patrulha nas águas próximas ao Japão, o submarino detectou e passou a acompanhar um grande alvo que navegava sem escolta adequada. Após uma perseguição que se estendeu por várias horas, o comandante Joseph F. Enright ordenou o ataque, lançando uma salva de torpedos Mk 14 que atingiu mortalmente o gigantesco porta-aviões japonês Shinano. Seu afundamento tornou-se um marco histórico, permanecendo até os dias atuais como o maior navio de guerra já destruído por um submarino em combate. A produção da classe Balao alcançou números impressionantes para os padrões da época. Ao todo, 108 submarinos foram incorporados à Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy) durante o conflito, formando a espinha dorsal da força submarina  nos anos finais da guerra. Entre eles, destacou-se o USS Tang (SS-306), considerado o submarino mais bem-sucedido da classe em termos de tonelagem afundada. Durante suas cinco patrulhas de combate, recebeu o crédito oficial pelo afundamento de 33 embarcações inimigas, totalizando aproximadamente 116.454 toneladas, desempenho que o colocou entre os submarinos mais eficazes da história naval norte-americana. Apesar da intensa atividade operacional, as perdas da classe Balao permaneceram relativamente reduzidas. Até o encerramento da Guerra do Pacífico, apenas 09 haviam sido perdidos em combate, representando cerca de 17% de todas as perdas sofridas pela força submarina norte-americana durante a Segunda Guerra Mundial. Com o término da guerra, em agosto de 1945, a produção planejada foi drasticamente reduzida, os 63 navios restantes foram cancelados, ainda assim 12 ja estágio avançado de construção foram concluídas e incorporadas ao serviço até setembro de 1948. Dois desses submarinos tiveram destinos particularmente singulares. O USS Turbot (SS-427) e o USS Ulua (SS-428) foram entregues em configuração incompleta e destinados exclusivamente a programas experimentais, contribuindo  para pesquisas relacionadas a novos armamentos, sistemas de propulsão, sensores e conceitos de projeto que influenciariam o desenvolvimento das futuras gerações de submarinos norte-americanos durante a Guerra Fria.
Antes mesmo do encerramento completo do processo de desmobilização, a Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy) já se encontrava empenhada em avaliar as profundas lições extraídas do conflito. Os resultados obtidos pelos modernos submarinos alemães do tipo XXI, capturados e estudados pelos Aliados nos últimos meses da guerra, demonstraram que o futuro da guerra submarina estaria centrado na capacidade de operar submerso por períodos cada vez mais longos, com maior velocidade e discrição. Essas conclusões levaram os estrategistas navais  a iniciar, no começo de 1946, um  programa destinado a modernizar sua frota de submarinos convencionais. Denominado Greater Underwater Propulsion Power Program (GUPPY)  Programa de Maior Potência de Propulsão Subaquática , o projeto tinha como objetivo aumentar significativamente a velocidade em imersão, a autonomia submersa, a manobrabilidade e a eficiência operacional. Inicialmente cogitou-se o desenvolvimento de uma classe inteiramente nova, porém  estudos conduzidos pelo Bureau of Ships concluíram que as classes Gato, Balao e Tench possuíam excelente potencial para modernização, permitindo incorporar os avanços tecnológicos desejados a custos consideravelmente menores e em prazos mais reduzidos. Em junho de 1946, o Chefe de Operações Navais aprovou formalmente o programa, cabendo ao Estaleiro Naval de Portsmouth conduzir os trabalhos de desenvolvimento. As modificações incluíam a instalação de baterias de maior capacidade, alterações hidrodinâmicas no casco, racionalização das superestruturas externas, modernização dos sensores e melhorias nos sistemas de propulsão e controle. Isso resultaria em uma nova classe,  capaz de operar de forma muito mais eficiente em imersão, aproximando-se, em vários aspectos do submersíveis alemães do final da guerra.  Entre os beneficiados pelo programa encontravam-se 55 submarinos da classe Balao, muitos dos quais permaneceriam em serviço ativo na Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy) até o início da década de 1970. Graças a essas modernizações, a classe continuou representando um importante componente da força submarina norte-americana durante os primeiros anos da Guerra Fria. Paralelamente, a política de assistência militar adotada por Washington transformou os submarinos excedentes em importantes instrumentos de aproximação diplomática e cooperação estratégica com países aliados. Entre o final da década de 1940 e o início dos anos 1970, 46  submarinos da classe Balao foram transferidos ou arrendados a diversas marinhas estrangeiras. Entre os principais beneficiários destacaram-se a Turquia, que recebeu 17 unidades; a Grécia, com 02 ; a Itália, com 03; a Holanda, com 02 ; a Espanha, com 05 ; a Venezuela, com 02; a Argentina, com 04 ; o Brasil, com 02; o Chile, com 02 ; o Peru, com 02 o Canadá, com 01; e Taiwan, que também recebeu uma embarcação. Dessa forma, mesmo após o término da Segunda Guerra Mundial, os submarinos da classe Balao continuaram desempenhando papel relevante na estrutura naval norte-americana. 

Emprego na Marinha do Brasil.
A trajetória da força submarina está diretamente relacionada ao processo de modernização pelo qual o país passou nas primeiras décadas do século XX. Naquele período, buscava-se consolidar sua posição no cenário internacional como uma nação em desenvolvimento, capaz de acompanhar os avanços tecnológicos e militares observados nas potências mundiais. Esse movimento envolveu profundas transformações econômicas e institucionais, nas quais o fortalecimento das Forças Armadas ocupava papel estratégico como instrumento de soberania. Dentro dessa perspectiva, a incorporação da arma submarina representava  a entrada do país em uma era marcada  pela modernização da guerra naval. Os submarinos, então uma das mais recentes e revolucionárias plataformas de combate, passaram a ser vistos como meios capazes de ampliar a capacidade de defesa de uma nação com extensa costa e importantes linhas de comunicação marítima. Esse processo teve seu primeiro marco em 1914, quando chegaram os primeiros submersíveis, pertencentes à denominada Classe F, classificados como submarinos costeiros de 370 toneladas, equipados com sistema de propulsão diesel-elétrico e armados com dois tubos lança-torpedos, destinados à defesa das áreas portuárias e do litoral. Sua operação  exigiu em julho de 1914, a criação de uma estrutura especializada, a Flotilha de Submersíveis, sediada na Ilha de Mocanguê Grande, em Niterói, tendo como seu primeiro comandante o Capitão de Fragata Filinto Perry, oficial que se tornaria uma das figuras fundamentais na consolidação da arma submarina . O desenvolvimento da força submarina prosseguiu ao longo das décadas seguintes. Em 1928, a flotilha recebeu um reforço significativo com a incorporação do Submarino-de-Esquadra Humaytá, uma embarcação italiana de maior porte projetada para operações oceânicas. Entretanto, o avanço tecnológico fez com que os submarinos da Classe F rapidamente se tornassem obsoletos. Após quase duas décadas de serviço, essas unidades foram retiradas de operação em 1933, deixando uma lacuna que somente seria preenchida alguns anos depois. Em 1937, foram incorporados 03 modernos navios italianos da classe Perla, que receberam a designação Classe T, em razão dos nomes atribuídos às embarcações: Tupy, Tymbira e Tamoyo. A Segunda Guerra Mundial representou um período de grande importância, embora não tenham realizado ataques contra unidades inimigas, seu emprego no Atlântico Sul esteve diretamente ligado ao esforço aliado de controle das rotas marítimas e combate à ameaça submarina representada pelas forças do Eixo. Durante o conflito,  foram empregados principalmente em missões de adestramento, patrulha, vigilância e treinamento de guerra antissubmarino.  Com o término da guerra, entretanto, tornou-se evidente que a força enfrentava um novo desafio.  A frota permanecia limitada  composta pelos  submarinos da Classe T e pelo antigo Humaytá, já apresentando sinais de desgaste e envelhecimento tecnológico. 

A renovação dessa capacidade ocorreria no contexto do estreitamento das relações estratégicas entre Brasil e Estados Unidos durante o período inicial da Guerra Fria. A cooperação militar estabelecida entre os dois países abriu novas possibilidades para a modernização das Forças Armadas Brasileiras, permitindo o acesso a equipamentos mais avançados e compatíveis com as novas exigências da guerra naval moderna. Dentro desse cenário, a Marinha do Brasil incorporou, em 18 de janeiro de 1957, dois submarinos norte-americanos da classe Gato: o S-14 Humaitá, ex-USS Muskallunge (SS-262), e o S-15 Riachuelo, ex-USS Paddle (SS-263). A chegada dessas embarcações representou um salto qualitativo significativo para a Força de Submarinos, substituindo os antigos modelos italianos da classe T e introduzindo uma nova geração de capacidades operacionais. Projetados originalmente para atuar no teatro do Pacífico durante a Segunda Guerra Mundial, os submarinos da classe Gato possuíam maior autonomia, melhor desempenho em operações oceânicas e sistemas eletrônicos muito mais avançados que seus antecessores. Entre seus principais equipamentos destacavam-se o Target Data Computer (TDC) Mk 3 Mod. 5, um computador eletromecânico de direção de tiro capaz de calcular soluções de ataque com maior precisão, e o sonar passivo JP-1, que ampliava significativamente a capacidade de detecção, acompanhamento e classificação de contatos inimigos sem revelar a posição do submarino. A incorporação desses meios permitiu  aprimorar suas doutrinas de emprego, passando de uma força voltada principalmente para a defesa costeira para uma capacidade submarina com maior alcance e flexibilidade operacional. A possibilidade de realizar ataques coordenados utilizando informações fornecidas pelos sensores embarcados representava uma evolução importante na guerra submarina brasileira. Como consequência natural desse processo de modernização, a estrutura administrativa e de formação de pessoal também passou por mudanças. Em 1963, a antiga Flotilha de Submarinos foi reorganizada e elevada à categoria de Força de Submarinos, enquanto a Escola de Submarinos passou a funcionar como uma organização militar independente dentro da estrutura do então Ministério da Marinha. Essas medidas demonstravam a crescente importância estratégica da arma submarina para a defesa marítima nacional. Apesar desses avanços tecnológicos e institucionais, a situação ainda apresentava limitações. A Marinha do Brasil contava com apenas dois submarinos operacionais, quantidade insuficiente para atender plenamente às necessidades de patrulha, treinamento, vigilância marítima e manutenção da presença estratégica no Atlântico Sul. Diante desse cenário, tornou-se necessário buscar novas soluções para ampliar a frota submarina brasileira, dando continuidade ao processo de modernização iniciado com os submarinos da classe Gato. Neste contexto seriam cedidos nos termos do  Programa de Assistência Militar (MAP), dois navios da classe Balao
O primeiro desses navios recebeu  a designação de Rio Grande do Sul  S-11, ex-USS Sand Lance (SS-381). Foi o terceiro navio da Armada brasileira a ostentar esse nome. Construído pelo Portsmouth Navy Yard,  foi lançado em 9 de outubro de 1943, sendo destinado ao teatro de operações do Pacífico. Com o encerramento do conflito foi  retirado do serviço ativo e posteriormente transferido para a Reserva da Frota do Pacífico, onde permaneceu armazenado aguardando eventual reutilização. Sua incorporação  ocorreu em 7 de setembro de 1963, na Base de Submarinos de Pearl Harbor, no Havaí, por meio do Aviso nº 1644 do Ministério da Marinha e da Ordem de Serviço nº 0047 do Estado-Maior da Armada.  Após a incorporação, iniciou-se o período de adaptação e treinamento da tripulação, necessário para a assimilação das características operacionais, envolvendo instrução técnica, familiarização com os sistemas embarcados e exercícios de navegação e combate, preparando as guarnições para a longa travessia até o Brasil. Em 23 de outubro, deixou Pearl Harbor, realizando escalas em San Diego, na Califórnia; Acapulco, no México; Balboa, no Panamá; La Guaira, na Venezuela; Trinidad e Tobago; e posteriormente Belém. A viagem prosseguiu com escalas em Fortaleza e Salvador, até a chegada ao Rio de Janeiro em 22 de dezembro, quando  atracou no cais da Base Almirante Castro e Silva (BACS), sede da Força de Submarinos. Neste momento seu canhão de convés seria retirado  nas instalações da antiga Fábrica de Munições da Marinha (FM). Esse armamento havia sido reinstalado durante o processo de transferência para atender a uma necessidade específica dentro do programa de assistência militar. A manutenção provisória dos canhões  permitiu elevar a cota de munição recebida destinada aos cruzadores Barroso C-11 e Tamandaré C-12, que utilizavam armamentos do mesmo calibre. Em novembro, durante a Operação UNITAS VI, ao efetuar uma penetração de cobertura, foi abalroado, na cota periscópica, pelo contratorpedeiro Pernambuco D-30 (o Fletcher), que se aproximava pela popa. O submarino foi manobrado imediatamente, em emergência, para cota de 120 pés. O periscópio de ataque, avariado na colisão, foi trocado, no mesmo mês. Em 1966 participou da Operação UNITAS VII, que na fase atlântica foi realizada entre os litorais da Argentina, Uruguai e Brasil. A Força-Tarefa brasileira era composta pelo Porta Aviões Minas Gerais  A 11 , pelos CT Pará D 27, Paraíba D 28, Paraná  D 29, e Pernambuco  D 30, pelo S Rio Grande do Sul - S 11, NTr Soares Dutra  G 22, NO Belmonte  G 24 e a Cv Imperial Marinheiro  V 15; a FT uruguaia era composta pelos CTE ROU Uruguai DE 1 (capitânia - CMG (ROU) H. Murdoch) e ROU Artigas  DE 2 e a FT norte-americana, pela FLM USS Leahy - DLG 16 (capitânia - CA (USN) C. J. Van Arsdall) , pelos DE USS Hammerberg - DE 1015 e Van Voorhis - DE 1028 e os S USS Chopper - SS 342 e Requin - SS 481.

O submarino Bahia S-12, ex-USS Plaice (SS-390), foi o quarto navio e o primeiro submarino da Marinha do Brasil a ostentar esse nome, uma homenagem ao Estado da Bahia. Sua incorporação representou mais uma etapa importante no processo de renovação da Força de Submarinos brasileira durante a Guerra Fria, consolidando a aproximação estratégica entre Brasil e Estados Unidos no campo da cooperação militar. Construído pelo Portsmouth Naval Shipyard, localizado em Kittery, no estado do Maine, o USS Plaice foi incorporado à Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy) em 12 de fevereiro de 1944, sendo imediatamente destinado ao teatro de operações do Pacífico, onde participou das operações contra o Império Japonês até o encerramento do conflito. Com o término da guerra, o USS Plaice foi retirado do serviço ativo. Em 1º de novembro de 1946, foi descomissionado e transferido para a reserva da Frota do Pacífico, permanecendo armazenado no Mare Island Naval Shipyard, em Vallejo, Califórnia. Dentro do esforço norte-americano de fortalecimento dos países aliados, o submarino foi selecionado para transferência à Marinha do Brasil por meio do Programa de Assistência Militar (MAP). Para isso, passou por um processo de recondicionamento e preparação operacional, incluindo a adaptação e treinamento da futura tripulação brasileira. O Bahia  S-12 foi oficialmente incorporado à Marinha do Brasil na Base de Submarinos de Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de setembro de 1963, em cerimônia conjunta com o submarino Rio Grande do Sul  S-11. A transferência foi formalizada pelos atos administrativos  que autorizavam a entrega dos dois navios ao Brasil, marcando a chegada de uma nova geração de submarinos. Após a conclusão do período de adestramento da tripulação brasileira, o Bahia iniciou sua viagem de traslado ao Brasil. O deslocamento incluiu escalas em diversos portos do Pacífico, América Central e Caribe, antes da chegada ao território brasileiro. Em 22 de dezembro de 1963, atracou no cais da Base Almirante Castro e Silva (BACS), no Rio de Janeiro, onde passou a integrar oficialmente a Força de Submarinos. Os dois navios passaram a constituir a chamada Classe Rio Grande do Sul, representando um importante salto qualitativo para a capacidade submarina brasileira. Um dos principais ganhos estava relacionado aos sistemas de detecção, permitindo maior capacidade de identificação de contatos sem a necessidade de exposição do periscópio.  Para isso possuíam um moderno sonar passivo JP 1; um sonar WCA; um telefone submarino UQC; 2 telefones submarinos de emergência BQC; um radar de superfície SJA; 1 transmissor-rádio TBL-6 e um TED; e os radioreceptores AN/URR-13, RAL-7, RAL-5, RBS-1, RBH-2 e RBO. Este conjunto de funcionalidades  e equipamentos permitia realizar aproximações e ataques utilizando apenas informações fornecidas pelo sonar  uma técnica conhecida como ataque sonar. 
Visando ampliar ainda mais suas capacidades operacionais adequando às exigências da guerra submarina moderna, os dois navios da Classe Rio Grande do Sul foram submetidos a importantes processos de modernização realizados pelo Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ). Essas modificações buscavam melhorar principalmente o desempenho hidrodinâmico, a segurança da navegação e as condições de operação em imersão. O primeiro a receber essas alterações foi o S-12 Bahia, em 1966. O programa envolveu a substituição do tradicional cigarette deck  estrutura aberta característica dos primeiros submarinos de frota norte-americanos  por uma nova vela hidrodinâmica metálica, com desenho mais eficiente e adequado à navegação submersa. Também foi realizada a elevação do valvulão, reduzindo a possibilidade de entrada de água durante a navegação na superfície em condições adversas.  Essa modernização teve um significado especial, pois representou a primeira vez que uma reforma estrutural dessa magnitude em um "submarino de frota" era realizada fora dos Estados Unidos. Em 1968, o mesmo processo foi aplicado ao S-11 Rio Grande do Sul, que recebeu modificações semelhantes. Após essas intervenções, ambos os submarinos apresentavam uma aparência externa bastante próxima dos submarinos da classe Balao modernizados dentro do programa GUPPY (Greater Underwater Propulsion Power Program). Embora não tenham recebido todas as modificações internas desse programa, as alterações proporcionaram melhor comportamento hidrodinâmico, maior segurança operacional e uma significativa atualização visual e funcional. Durante os anos seguintes, os  desempenharam um papel fundamental na consolidação da moderna Força de Submarinos brasileira.  Além de suas missões de patrulha e adestramento, contribuíram para a formação de gerações de submarinistas e para o desenvolvimento das doutrinas de guerra submarina.  A partir de 1972, a incorporação de novos submarinos da família GUPPY II e GUPPY III, proporcionou meios mais modernos e com maiores capacidades operacionais. Essa renovação permitiu o início da substituição gradual dos veteranos submarinos da Classe Rio Grande do Sul. O primeiro a ser retirado de serviço foi o S-11 Rio Grande do Sul, que teve sua baixa decretada em 2 de maio, sendo submetido à cerimônia de Mostra de Desarmamento conforme o Aviso nº 0427. Ao longo de quase nove anos de serviço, acumulando aproximadamente 110.870 milhas navegadas, das quais 7.524 milhas em imersão, além de 686,5 dias de mar, 2.433 horas submerso e o lançamento de 20 torpedos em exercícios e adestramentos. Pouco tempo depois em 27 de março de 1973, o S-12 Bahia também receberia baixa, completando quase uma década de serviço, navegou cerca de 140.503 milhas, sendo 11.118 milhas em imersão, permaneceu 836 dias no mar, acumulou 2.863 horas submerso e realizou o lançamento de 32 torpedos . A retirada dos submarinos Bahia e Rio Grande do Sul marcou o fim de uma importante fase da história submarina brasileira.

Em Escala.
Para representar o submarino Classe Balao - Bahia  S12, fizemos uso do antigo kit da Revell na escala 1/180, sendo esta a única opção existente para esta classe de submarinos. Optamos por representar o navio quando do seu recebimento, portando inclusive  o canhão de 5 polegadas. Para sermos mais fiéis a representação do S12 Bahia, procedemos pequenas alterações em termos de antenas e sensores. Empregamos decais confeccionados sob encomenda pela Duarte Models.

O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão aplicado aos dois submarinos da classe Balao “Classe Rio Grande do Sul” recebidos em 1963. Durante a primeira fase de sua carreira mantiveram este padrão, somente após o processo modernização da vela seriam aplicadas alterações na sistemática de identificação de casco, mantendo este esquema até sua desativação no ano de 1972.  Fizemos uso de tintas produzidas pela Tom Colors.

Bibliografia : 
- Submarinos Classe Balao Wikipedia - https://en.wikipedia.org/wiki/Balao-class_submarine
- Submarinos Classe Gato Wikipedia – https://en.wikipedia.org/wiki/Gato-class_submarine
- Cem anos da Força de Submarinos – Marinha do Brasil
- Navios de Guerra Brasileiros – Poder Naval https://www.naval.com.br 
- Marinha do Brasil - https://www.marinha.mil.br/