Helibras HB350B B1 Esquilo na FAB

História e Desenvolvimento. 

O renascer da indústria de defesa francesa que fora dizimada pela ocupação alemã, viria começar a ocorrer logo após o término da Segunda Guerra Mundial, iria culminar em uma série de empresas e produtos de renome mundial, com grande destaque no segmento aeronáutico, onde destacamos a produção de aeronaves de asas rotativas. Além de grandes incentivos e investimentos por parte do governo francês, grande parte do know how foi transferido a partir da produção de aeronaves sob licença, com estes projetos sendo capitaneados pelas empresas Société Nationale de Constructions Aéronautiques du Sud-Quest  (SNCASE) e Société Nationale de Constructions Aéronautiques du Sud-Ouest  (SNCASO). Assim logo em pouco tempo a capacidade da indústria aeronáutica francesa se materializaria no desenvolvimento de diversos projetos nacionais. Desses, de longe o de maior sucesso foi o que culminou no Alouette II, um helicóptero projetado pela SNCASE, dotado de motor turbo eixo e que voou pela primeira vez em março de 1955. Este modelo e suas versões posteriores se manteriam em produção até o ano de 1975, levando os franceses a conquistar uma significativa parcela do mercado internacional de aeronaves de asas rotativas. Posteriormente a SNCASE e a SNCASO foram fundidas para formar a Sud Aviation, sendo logo em seguida também unida as empresas estatais Nord e SEREB, formando assim a Aérospatiale. Apesar da atuação da empresa em campos tão dispares como satélites, mísseis e jatos executivos, o desenvolvimento e a produção de helicópteros eram tidos por muitos como o sustentáculo financeiro da empresa. De fato, a empresa empenhou consideráveis recursos para desenvolver uma variada família de aeronaves de asas rotativas. Mas uma das maiores prioridades naquele cenário era a criação de um sucessor para os consagrados modelos Alouette II e III.

A primeira resposta veio na forma do Gazelle, um helicóptero desenvolvido em parceria com os ingleses. Mas o alto preço unitário desta aeronave viria a inibir o desejado sucesso comercial no mercado civil. Assim munidos da experiencia colhida com o Gazelle e visando assim atender as necessidades do mercado militar e civil os engenheiros da Aérospatiale iniciaram estudos visando o desenvolvimento de uma nova aeronave de asas rotativas, as premissas seriam definidas por exigentes especificações relatadas pelos potenciais usuários, com ênfase em reduzidos índices de ruído, vibrações e baixo custo operacional. Este estudo seria ainda balizado e orientado com a finalidade deste novo produto ser extremamente competitivo quando ao seu principal concorrente internacional o norte americano Bell 206 Jet Ranger. Assim o projeto final compreendia um helicóptero monoturboeixo com capacidade para receber cinco passageiros e tripulantes, empregando alta tecnologia em termos de avionica e ainda assim com custos de aquisição e operação significativamente mais baixos que o do Gazelle. Ao adaptar os processos de produção empregados na indústria automotiva, incluindo até o uso de componentes comuns em carros da linha Citroen e Renault, a Aérospastiale  lançou mão do novíssimo sistema Starflex para o rotor principal, resultando assim em um eficiente e econômico helicóptero e porte leve capaz de atender as múltiplas tarefas e missões típicas dos setores civil e militar. O primeiro protótipo da aeronave designado como AS350-001 que estava dotado de um motor Lycoming Avco LTS -101, realizou seu voo inaugural em 27 junho de 1974, sendo conduzido pelo piloto de testes Daniel Bernard Certain Bauchart. Em 14 de fevereiro de 1975, alçava voo uma segunda célula agora equipada com um motor francês Turbomeca Arriel 1A de melhor performance.
Após obter todas as certificações internacionais a versão destinada ao mercado civil denominada AS350B Écureuil (Esquilo) começou a ser entregue a operadores civis na Europa e Estados Unidos, obtendo também grande êxito em vendas de aeronaves AS-350 no segmento policial e aero médico. O sucesso observado do mercado civil e paramilitar, motivou Aérospatiale a desenvolver uma versão para o mercado militar, tendo como foco primordial o treinamento e conversão de pilotos, tendo como missões secundarias transporte VIP, ligação e observação, este modelo inicialmente passou a contar com os motores Turbomeca Arriel 1A e Turbomeca Arriel 1B, que apresentavam ligeira melhoria de desempenho frente a versão civil.  Os primeiros clientes militares do modelo foram as forças armadas francesas, onde as versões do AS350 começaram gradativamente a substituir os Aérospatiale Gazele sendo empregados para missões de treinamento. A estes foi seguido um contrato para o fornecimento de seis células iniciais na versão HB350 B1 que seriam montados no Brasil pela empresa Helibras, porém um dos maiores trunfos seria a aquisição de um grande número de células para serem empregados junto a Defence Helicopter Flying School (Escola de Voo de Helicópteros de Defesa), organização militar britânica que realiza a formação e treinamento de pilotos das três forças armadas inglesas, posteriormente versões básicas de treinamento seriam também fornecidas a Argentina,  Botswana, Austrália, Canadá, Chile, Gabão, Camboja, Paquistão e República Centro-Africana.

Ao final década de 1980 a Aerospatiale, observando o grande êxito da comercialização de aeronaves AS-350 no segmento militar e policial, iniciou estudos para o desenvolvimento de uma versão mais adequada não só as missões básicas de treinamento e transporte, mas também com o potencial para desenvolver atividades mais especificas entre elas ataque leve, Combat SAR, patrulha marítima, ASM e ASW.  Partindo da célula padrão do AS-350 e AS-355, foram acrescidos reforços estruturais , blindagem para o grupo motriz e para os tripulantes (piso e assentos blindados), nova avionica embarcada mais adequada a missões de combate, preparação para instalação de sistemas de imageamento diurno e noturno, óculos de visão noturna (OVN/NVG) e dispositivos de defesa passiva, porém  uma das melhorias mais importantes foi a troca da motorização original por um novo motor Turbomeca Arriel 2B turboshaft com 847 hp. Como sistemas de armas a plataforma foi adequada para portar, um canhão automático de 20 mm Giat M621, pods com metralhadoras FN Herstal de 7,62 mm ou 12,7 mm, lançadores de foguetes não guiados ( 7 X 70 mm ou 12 X 68 mm), além de misseis anti tanque TOW BGM-71.
As versões monomotores desta nova aeronave receberam a designação de “Fennec”, sendo dispostas nos seguintes modelos:  AS350 L1/L2 Ecureuil – Versão Militarizada do AS350,  AS550 C2 Fennec – Versão Militarizada e armada com base no AS350 B2,  AS550 U2 Fennec – Versão Militarizada com base no AS350 B2 e  AS550 C3 Fennec – Versão Militarizada e armada com base no AS350 B3. As primeiras entregas tiveram início no final da década de 1980, envolvendo usuários como França, Argentina, Brasil, Colômbia, Argélia, Dinamarca, Emirados Árabes Unidos, Malásia, México, Singapura, Paquistao, Uberquistao e China (versão produzida localmente do Z-11). Se mantendo em produção ativa até os dias atuais a família de helicópteros agora produzida pela Airbus Helicopters acumula mais de 3.700 unidades entregues para o mercado civil forças de segurança e também mais de 40 forças armadas militares ao redor do mundo. Apesar do modelo já ter sido retirado do serviço ativo na Marinha Australiana  e na Escola de Pilotos Militares Britanica (Defence Helicopter Flying School), constantes programas de retrofit estrutural e modernizações garantem que esta família se manterá na ativa por mais 25 anos neste século.

Emprego no Brasil.
A carreira do Helibras Esquilo nas forças armadas brasileiras, tem inicio em  fins da década de 1970 quando  a Marinha do Brasil iniciou estudos para incremento de sua frota de helicópteros utilitários e que até então estava baseada no emprego dos Westlad Wasp e Bell Jet Ranger, em suma este processo seria um dos catalisadores da edificação de uma indústria nacional voltada a produção de aeronaves de asas rotativas. Umas das opções iniciais seria a construção sob licença na Embraer de helicópteros Westland Gazelle, infelizmente verificou se que esta possibilidade não se concretizaria, neste interim o Instituto de Fomento Industrial do CTA passou a estabelecer contatos com diversos fabricantes de helicópteros, solicitando-os a apresentar propostas para produção no Brasil. Entre as empresas interessadas a Aérospatiale, que inicialmente oferecia o AS-315B Lama, que depois seria descartado em função da escolha do modelo mais recente o AS-350 Écureuil. Com esta definição em abril de 1978 foi constituída a Helicópteros do Brasil S/A - Helibras , uma empresa formada com 45% de capital da Aérospatiale e 55% de capital brasileiro, tendo sua planta fabril se estabelecido na cidade de Itajubá em Minas Gerais. Assim podemos considerar que o Ministério da Marinha do Brasil foi um dos principais impulsionadores da iniciativa de estabelecimento da produção nacional de helicópteros, sendo assim um dos primeiros clientes de peso da Helibra. Este apoio seria concretizado, com a assinatura em 30 de março de 1979, de um contrato de fornecimento de seis  células do modelo Aerospatiale AS350B Écuriel, que no Brasil receberia a designação de HB-350B Esquilo.

Paralelamente neste mesmo período, no final da década de 1970, ficava claro ao Ministério da Aeronáutica a necessidade de renovação e ampliação de sua frota de aeronaves de asas rotativas. Além de se contar com uma frota subdimensionada para cobrir áreas importantes do território nacional, era notório que a obsolescência prejudicava em muito os índices de disponibilidade de voo, principalmente nas tarefas dedicadas a formação e treinamento de pilotos de asas rotativas. Isto ocorria muito em função de problemas no fluxo de suprimento de peças de reposição para os já veteranos Bell 47D/G H-13, que já tinham sua produção descontinuada há alguns anos. Assim se fazia emergencial a necessidade de incorporar um novo vetor que pudesse realizar as tarefas de treinamento básico e avançado e complementar em missões operacionais os recém incorporados Bell UH-1H Huey. Apesar de contar com provável fornecedor nacional, o Ministério da Aeronáutica seguindo as normativas de licitação governamental, decidiu pela abertura de uma aberta para a aquisição novos vetores tendo como participantes empresas como a Boeing, Bell e a própria Helibras, no entanto devido a restrições orçamentarias este processo foi cancelado meses depois. No final de 1985 a FAB optou por devolver a Aérospatiale os SA330L Puma, essas aeronaves após algumas rodadas de negociações foram fornecidas como forma de pagamento para a aquisição de 10 AS332M Super Puma, 10 HB355 F2 Esquilo Bi e 30 células do modelo HB350 B Esquilo, estes últimos devendo ser montados na fabrica da Helibras na cidade de Itajubá em Minas Gerais. Vale salientar que esta versão era muito semelhante as aeronaves produzidas para a Marinha do Brasil, se diferenciando apenas pelo motor, sendo equipado com o Turbomeca Arriel 1B com potencial de 650hp.
Designados na Força Aérea Brasileira como UH-50, os Esquilos receberam as matriculas de FAB 8760 a 8789, e as primeiras aeronaves foram entregues 10 de outubro de 1986 ao  1º/11º GAv -  Esquadrão Gavião sediado na base aérea de  Santos (SP). Berço da aviação de asas rotativas esta unidade é a responsável por formar todos os pilotos de helicópteros da FAB. O UH-50 operou até julho de 1987 conjuntamente com os Bell H-13 e UH-1H na formação de pilotos da força. A partir daquele momento, coube o H-13 ser usado na fase de instrução básica e o UH-50 na avançada. A partir do final do ano de 1989 com desativação dos últimos Bell H-13 remanescentes, o Esquilo assumiu integralmente a formação destes pilotos fato que se mantém até hoje. Os UH-50 do 1º/11º GAv foram os responsáveis por formar o primeiro grupo  de pilotos do Exército Brasileiro em 1987 – 1988 e, também, os do 2º/8º GAv, Esquadrão Poti, sediado na Base Aérea de Recife, a segunda unidade a receber o UH-50 na Força Aérea Brasileira, grupo este dedicado a missão formar e treinar equipagens para as tarefas operacionais de Busca e Salvamento , Ligação e Observação, transporte aéreo e Operações Especiais. O plano original do Estado Maior da Aeronáutica (EMAer) era que duas unidades operacionais receberiam o UH-50 como equipamento base : o  1º/11º GAv e o 2º/8º GAv. Além dessas, as bases aéreas de Santa Cruz, Canoas e Anapolis e a Academia da Força Aérea (AFA) incorporariam duas células cada uma para assim cumprir missões de SAR em proveito de suas unidades de caça e instrução aérea. Já em 1987 o EMAer mudou de ideia em relação a distribuição das aeronaves as bases de Santa Cruz e  Canoas, que possuíam unidades de asas rotativas próximas, mantendo no entanto, os dois UH-50 em Anápolis e na AFA. Na prática, porém somente um helicóptero permaneceu operacional na BAAN e na AFA. Atualmente, somente a Academia da Força Aérea continua operando um Esquilo orgânico para apoiar as atividades dos dois grupos de instrução e do clube de voo a vela.

A adoção do UH-50 Esquilo (que teve sua designação alterada posteriormente para H-50 em 2006), trouxe inúmeros benefícios a FAB,  entre estes na própria área de instrução básica, principalmente por se tratar de um vetor moderno tanto em termos de mecânica quando de avionica, que passou a facilitar a transição para as aeronaves de primeira linha de forma mais suave e rápida. Vale citar que o emprego do Esquilo na FAB, possibilitou a formação da doutrina de operações de combate com aeronaves de asas rotativas no Brasil, sejam em atividades de ataque, resgate ou missões de C-SAR (Combat SAR). Coube ainda dentro das operações do 2º/8º GAv Esquadrão Poti, o desenvolvimento e aprimoramento das missões de combate aéreo ar ar contra aeronaves de asa fixa, onde os H-50 eram empregados contra aeronaves de ataque leve, primeiramente contra os Neiva AT-25 Universal e depois contra os Embraer AT-27,Tucano, esta tática é parte do emprego do helicóptero como aeronave de escolta em missões C-SAR, que compunha o escopo de tarefas da unidade. Esta fundamentação da doutrina de missões especiais foi tão solidificada dentro do Esquadrão Poti, motivando o comando da Aeronáutica a reequipar a unidade com os novos helicópteros AH-2 Sabre (Mi-35M de fabricação russa), transformando assim esta unidade em um grupo de combate de primeira linha. O 2º/8º GAv voou com o H-50 Esquilo até 14 de dezembro de 2009, quando o grupo repassou seu ultimo esquilo para o 1º/11º GAv, totalizando 55 mil horas voadas com este modelo de helicóptero.
Atualmente além de desempenharem as missões de treinamento o esquadrão destaca em regime de rodízio células do modelo para atuarem como aeronaves orgânicas em missões de alerta 24 horas de buscas e salvamento em diversas unidades aéreas espalhadas pelo território nacional. Os helicópteros de instrução Helibras HB 350 FAB H-50 da FAB, estão atualmente concentrados no 1°/11° Grupo de Aviação, sediado em Natal. Ao longo dos anos ocorreram alguns acidentes que reduziram drasticamente a frota deste modelo na FAB, tirando de serviço os FAB 8760, 8761, 8762, 8763 ,8764, 8765 ,8766, 8767, 8770, 8771, 8773, 8774, 8776, 8780, 8781, 8782, 8783, e 8786. Um destes acidentes ocorridos em 6 de maio de 1999, em Santa Cruz das Palmeiras (SP) foi determinante para que o FAB 8772 ser tornasse o primeiro Esquilo a ser preservado na forma de monumento o que ocorreu na base aérea de Natal em 2011. Segundo estudos desenvolvidos, as 18 aeronaves remanescentes deverão ser modernizados nos mesmos moldes dos aparelhos da Aviação do Exército Brasileiro (AvEx), incluindo neste pacote a substituição dos instrumentos analógicos do painel de instrumentos por três telas multifuncionais coloridas de cristal líquido e instalação de piloto automático, que trabalha em dois eixos, instalação de sistemas de defesa passiva, retrofit da células e  os ajustes finos de motor e transmissão.

Em Escala.

Para representarmos o UH-50 " FAB 8773 " pertencente ao  2º/8º GAv Esquadrão Poti, empregamos o kit Heller /HTC na escala 1/48, (apesar que as dimensões do mesmo aparentam pertencer a escala 1/50) trata-se de um modelo básico desprovido de detalhamentos, porém de fácil montagem, para se representar a versão empregada pela FAB deve-se proceder a inclusão em scratch de antenas de rádio na parte frontal da aeronave . Empregamos decais originais do modelo que foram confeccionados pela FCM Decais.

O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o segundo padrão de pintura empregado nas aeronaves UH-50, sendo este implementado a partir do ano de 1994 que representa uma modificação do estilo Southest Asia. O novo esquema tático de camuflagem com marcações de baixa visibilidade passou a ser implementado nas células dos Esquilos a partir de março de 2013 com a entrega pelo PAMA Afonsos do H-50 matrícula 8783, sendo este o padrão aplicado nos demais vetores da Força Aérea Brasileira.


Bibliografia : 

- A Flecha de Poti - Revista Força Aérea - Nº 3 Action Editora
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 Jackson Flores Jr
- História da Força Aérea Brasileira, Professor Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- Sentando a Lenha em Maxaranguape - Revista Força Aérea - Nº 19 Action Editora