Embraer Internacional A-1B AMX

História e Desenvolvimento.

Em meados da década de 1970, a Embraer já havia conquistado reconhecimento mundial e começava a avaliar a possibilidade de firmar parcerias com empresas estrangeiras a fim de viabilizar pesquisas e eventual transferência de tecnologia. A primeira relação com a indústria aeronáutica internacional havia sido materializada no ano de 1970 quando foi celebrado na cidade de Varese na Itália um contrato junto a empresa Aéronautica Machi Spa para o fornecimento e fabricação sob licença pela Embraer inicial de 112 células da versão MB-326GB. Apesar de não ser um processo de transferência de tecnologia, a produção do modelo nacional denominado EMB-326GB ou AT-26 Xavante lograria a empresa brasileiras as bases para o avanço a um novo patamar. Assim conforme avançava exitoso o projeto de implantação do Xavante na Força Aérea Brasileira, o corpo de projetos da Embraer empregou esforços e estudos para criação de uma versão monoplace  do EMB-326GB  especializada em missões de ataque. Recebendo a designação de AX o projeto foi apresentado a Aermachi, criadora do MB-326 original, onde o conceito foi bem recebido pelo projetista chefe Ermano Bazzocchi para a criação de uma nova aeronave ítalo brasileira que receberia a designação provisória de EMB-330 pela Embraer. Porém o estado maior da FAB não foi seduzido pela proposta que a seu parecer não atenderia as especificações desejadas. A equipe da Embraer chegaria a estudar algumas possíveis variantes do EMB-330, que, no entanto, também não avançaram ficando o estudo suspenso. No entanto as relações entre as duas empresas eram muito boas, os primeiros passos para uma parceira seriam dados em 1976 envolvendo estudos com e um projeto avançado de jato, porém mais umas ficando o projeto apenas na fase de intenções.

Esta relação seria, no entanto, retomada em 1979, quando da visita de uma equipe da empresa e da Força Aérea Brasileira a Itália, onde foi apresentado pela diretoria da Aermachi um requerimento emitido pela Aeronautica Militare Italiana (AMI) para o desenvolvimento de uma aeronave de ataque a jato que deveria substituir os modelos Fiat G.91Y/R e os Lockheed F-104G/S Starfighter. Ao analisar as especificações da nova aeronave ficou claro que elas eram muito similares as estipuladas pela FAB para o projeto AX, este fato gerava uma oportunidade para ambos os países, levando seus representantes a analisar uma possível parceria.  Posteriormente, com o objetivo de atender às necessidades da Força Aérea Italiana, foi concretizada uma associação entre a Aeritália (hoje Alenia) e a Macchi (hoje Aermacchi), dando origem em 1978 ao programa do caça subsônico AMX (A de Aeritália, M de Macchi e X de experimental). A Embraer responderia por 1/3 do programa e dos custos, sendo responsável pelas seções das asas, empenagem e os testes de fadiga da estrutura. A Aermacchi responderia pelos outros 2/3 e produziria a fuselagem, os sistemas de bordo, além de conduzir os testes estáticos e com armamentos. Após um período de suspensão dos trabalhos, em 1980, autoridades aeronáuticas brasileiras reafirmaram na Inglaterra, na feira de Farnborough daquele ano, a decisão de participar do programa italiano. A oficialização da participação brasileira aconteceu alguns meses depois, em 27 de março de 1981, mediante acordo assinado entre os dois países. 
Após alterações contratuais, a Embraer passou a reter 30% do programa e as companhias italianas, 70%. Coube à Embraer o desenvolvimento e a fabricação das asas, tomadas de ar do motor, estabilizadores horizontais, pilones subalares ("cabides de armas") e tanques de combustível. Além disso, a Empresa participou ativamente de todo o projeto dos sistemas de trem de pouso, navegação e ataque, comandos de voo e controle de armamentos. Dois protótipos de ensaio em voo e um de testes de fadiga foram construídos e colocados à prova no Brasil. O AMX foi concebido como avião monomotor, monoposto, especializado em missões de ataque, privilegiando robustez e confiabilidade para momentos de alta exposição, com longo alcance (compatível com as dimensões continentais de nosso país, incluindo tecnologia para reabastecimento em voo e a incorporação de sistemas avançados de computação, navegação e ataque, além de contramedidas eletrônicas. Contou, entre outras inovações da época, com um sistema de comandos de voo com augmentation system e operação HOTAS (Hands On Throttle And Stick) para navegação e ataque. Uma variante biposto foi desenvolvida em seguida visando tarefas de conversão operacional de pilotos para este tipo de aeronave (OCU). O primeiro mock up do projeto ficou pronto em 1982 e, quatro anos depois seria iniciada a construção quatro protótipos, sendo dois em cada país participante. O primeiro alçou voo em 15 de maio de 1984, com o piloto chefe de testes da Aeritalia, comandante Mario Quarantelli, porém tragicamente ocorreu um acidente no quinto voo vitimando o piloto, que apesar de conseguir se ejetar acabou falecendo em decorrência dos ferimentos. O programa seria retomado em novembro do mesmo ano com segundo protótipo. A célula brasileira o YA-1 FAB 4200 decolou nas instalações da Embraer em São José dos Campos em 16 de outubro de 1985 com o piloto de ensaios Luiz Fernando Cabral. O segundo protótipo brasileiro fez seu primeiro voo em 16 de dezembro de 1986.

Em 1988, o primeiro AMX de fabricação seriada voou na Itália e a primeira entrega à FAB ocorreu em 17 de outubro de 1989. Apresentando um design básico convencional, o AMX foi desenvolvido com uma asa alta, com enflechamento de 27,5º no bordo de ataque, tendo sistema misto de comando de voo, com o leme e spoilers, flaps e estabilizadores acionados por um sistema de comando digital assistido por computador FBW (Fly By Wire) de dois canais. Já os ailerons e profundores respondem a um sistema hidráulico mecânico tradicional. Esta combinação visava entre outros aspectos aumentar a capacidade de sobrevivência da aeronave, pois na eventualidade do sistema FBW ficar inoperante devido a avarias de combate o piloto teria condições de regressar a sua base em segurança fazendo uso das superfícies moveis de comando hidráulico mecânico. A célula foi construída empregando em sua maior parte alumínio, com pequenas partes em aço e com emprego de composite de fibra plástica reforçada nos painéis de acesso, estrutura de cauda, aileronse duto de ar da turbina. Apresentava ainda o moderno conjunto e HUD combinado com consenti HOTAS (Hands On Throttle And Stick). No total a produção da versão monoplace atingiu 155 células, sendo 110 para a AMI e 45 para a FAB que foram entregues entre 1989 e 1999, diferenças básicas foram implementadas entre as versões, sendo a italiana desenvolvida para a execução de ataques num perfil “Lo-Lo-Lo” (voando baixo sobre o campo de batalha) de modo a sobreviver as sofisticadas defesas soviéticas com um raio de ação definido para apenas 335km, já a versão brasileira operaria em um cenário bem menos sofisticado de defesa aérea, sendo configurado para um perfil “Hi-Lo-Hi” (voando alto até próximo o campo de batalha, com voo baixo somente na fase de ataque), devendo atender a uma autonomia mínima de 965km o que representaria a necessidade de se operar com dois tanques de combustível extra subalares de 1.100 litros o que reduziria sua carga bélica útil.

Em 1986 foi definida a produção de uma variante biplace, que passaria a ser designada como AMX-T, este modelo teria como função básica o treinamento e conversão de pilotos, porém entretanto manteria sua completa capacidade de combate, tendo como limitante somente a redução no seu raio operacional, pois o tanque de combustível central foi eliminado para ceder espaço ao segundo tripulante. Foram produzidos três protótipos que alçaram voo entre 1989 e 1990, sendo dois italianos e um brasileiro. Além de representar um grande salto tecnológico para a Força Aérea Brasileira, o desenvolvimento do projeto AMX representou a Embraer uma oportunidade única para a absorção de know how que viria possibilitar a empresa o desenvolvimento futuro conceber e produzir aeronaves modernas dominando uma série de tecnologias críticas como o sistema Fly By Wire, e podemos afirmar que os jatos regionais ERJ-145/135 e os ERJ-170/190 possuem o DNA do projeto AMX. Ao todo foram produzidas 37 células biplaces, sendo 26 destinadas a Aeronautica Militare Italiana (AMI) e 11 para a Força Aérea Brasileira. No final de ano de 2002 a Embraer anunciou que havia assinado um contrato com a Força Aérea Venezuelana (FAV) para a compra de 12 unidades de uma versão melhorada do AMX-T que deveriam substituir os treinadores T-2D Buckeye na Aviação Militar, porém o governo de George Bush decidiu vetar a venda de aviões da Embraer, devido ao emprego de componentes norte americanos.

Emprego no Brasil.

As expectativas em função do emprego desta aeronave eram muito grandes na Força Aérea Brasileira, e para sua operação foi decidido criar uma unidade de primeira linha a fim de operar este novo vetor de ataque. Assim em abril de 1988 foi ativada no Rio de Janeiro na Base Aérea de Santa Cruz, o 1º/16º Grupo de Aviação que em homenagem aos veteranos do 1º Grupo de Aviação de Caça tombados em combate na Itália durante a Segunda Guerra Mundial, recebeu como código de chamada a palavra Adelphi. Assim o primeiro A-1A AMX matriculado como FAB 5500 foi entregue na Base Aérea de Santa Cruz no dia 13 de outubro de 1989, dando início assim ao processo de certificação da aeronave, com as aéreas com o novo vetor sendo iniciadas em julho de 1990. Após um amplo processo de formação de doutrina e treinamento de pessoal o esquadrão foi oficialmente declarado operacional em agosto do ano seguinte. Esta nova unidade apresentava como missão primária o ataque contra alvos de superfície, interdição do campo de batalha e apoio aéreo aproximado ás forças de superfície e como secundária o ataque aero estratégico, recuperando assim uma vital capacidade de ataque que fora perdida em meados de década de 1970 com a desativação dos Douglas A-26B/C Invader que foram as ultimas aeronaves especializadas neste tipo de missão operadas pela FAB, sendo que até o presente momento esta gama de tarefas era executada precariamente por treinadores a jato adaptados para missões de ataque a solo como os Lockheed AT-33A - TF-33A & T-33A e posteriormente pelos Embraer AT-26 Xavante.

A primeira aeronave foi entregue em 7 de maio de 1992 passando a fazer parte da dotação do 1º/16º Grupo e Aviação, Esquadrão Adelphi, onde iniciaram as missões de conversão operacional de pilotos, sendo também empregado em missões de ataque contra alvos de superfície, interdição do campo de batalha e apoio aéreo aproximado ás forças de superfície e como secundária o ataque aero estratégico. O AMX se tornaria ainda o primeiro avião da FAB a contar com uma suíte completa de sistemas passivos e ativos de autodefesa e o A-1B veio a facilitar a adaptação dos pilotos recém chegados aos esquadrões operacionais a superaram o imenso gap tecnológico existente entre os AT-26 Xavante empregados na formação de pilotos de caça e os novos A-1A. Desta maneira a aclimatação a moderna avionica embarcada representada por sistemas como RWR (Radar Warning Receiver), AECM (Active Eletronic Counter Measures – contramedidas eletrônicas ativas), CCIP e CCRP, HUD e HOTAS, foram rapidamente desmistificados pelo A-1B.
Em 15 de janeiro de 1998 o 3º/10º GAv Esquadrão Centauro, recebeu suas duas primeiras aeronaves A-1 sendo seguidas posteriormente por células da versão A-1B e no ano 2000 foi declarada operacional, em 2003 a unidade entrou para a história da FAB realizando a missão mais longa já realizada, quando os A-1A decolaram de Santa Maria e, com três reabastecimentos em voo apenas, sobrevoaram a região oeste do pais, a fronteira norte e pousaram na Base Aérea de Natal percorrendo mais de 6.500 km, demonstrando a capacidade de ataque estratégico  permitindo alcançar hipotéticos alvos em toda a América Latina. A terceira unidade a receber o A-1 foi o 1º/10º GAv Esquadrão Poker , também baseado em Santa Maria , recebendo a primeira aeronave em março de 1999 com sua dotação sendo completada em 2004 com a entrega de aeronaves A-1B. A missão principal desempenhada pelo Esquadrão Poker era o reconhecimento tático através do emprego inicial de pods fotográficos Gespi e Vicon com capacidade de reconhecimento Stand off e infravermelho e posteriormente foram adquiridos os modernos pods Recce Lite. Como esta unidade tem por missão também a realização de atividades SEAD (Supression Enemy Air Defense – supressão de defesa aérea inimiga) deve ser a primeira a receber os misseis nacionais anti radiação MAR-1. Quando em missão de reconhecimento as aeronaves empregam a designação de RA-1.

Todas as células recebidas foram distribuídas a quatro unidades operacionais da Força Aérea Brasileira, sendo três aeronaves para o 1º/16º GAv, quatro aeronaves para o 3º/10º GAv,  e  quatro para o 1º/10º GAv e finalmente  uma para Grupo de Ensaios em Voo baseado no Centro Tecnológico da Aeronáutica - CTA na cidade de São José dos Campos - SP para o emprego em tarefas de ensaio e homologação de sistemas de armas. Os pilotos de F-16 da Guarda Nacional Americana da USAF apelidaram o AMX da FAB como  "The Bee" (a abelha), após serem derrubados duas vezes em 1994 na Operação Tiger I em Natal, este fato gerou inúmeros pedidos para que pilotos americanos pudessem voar “de saco” em aeronaves A-1B para melhor conhecer a aeronanve.

Como os A-1A e A-1B foram produzidos e entregues em três lotes distintos e diversas mudanças foram inseridas no projeto durante a produção, resultando em um pesadelo logístico para a aquisição e gerenciamento de peças de reposição, aliado a esta dificuldade o alto índice de obsolescência dos componentes decorrentes de um projeto concebido há mais de 20 anos, determinou a necessidade de se implementar um programa de atualização e revitalização, que resultariam na contratação da Embraer em 2003 para a condução deste projeto. A primeira aeronave foi entregue para a fabricante em 2009.

Em Escala.

Para representarmos o AMX A-1B “FAB 5653” empregamos o excelente kit em resina da escala 1/48 da Duarte, modelo este que apresenta um excelente nível de detalhamento e injeção para kits em resina. Utilizamos tanques subalares originais e bombas burras MK-83 do set Aircraft Weapons A da Hasegawa. Fizemos uso de decais confeccionados pela FCM presentes no Set 48/08.

O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o segundo padrão de pintura empregado pelos A-1A e A-1B AMX, que passou a ser aplicado a parti de 2003, apresentando ao longo dos anos pequenas variações em termos de detalhes ao que tange na identificação das unidades.




Bibliografia :

Revista ASAS nº20  AMX na FAB – Claudio Luchesi e Carlos Felipe Operti
Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 – Jackson Flores
História da Força Aérea Brasileira , Prof Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html