M-3 e M-3A1 Stuart (CCL)


História e Desenvolvimento.
Na primeira metade da década de 1930, o plano de reequipamento do governo nacional-socialista alemão encontrava-se em plena implementação, abrangendo não apenas a modernização de armamentos, mas também o desenvolvimento de novos conceitos e doutrinas militares. No campo de batalha, essas inovações seriam empregadas de forma sincronizada, integrando veículos, armamentos e carros de combate de última geração. Essa iniciativa culminaria na formulação do conceito da "Guerra Relâmpago" (Blitzkrieg), uma tática militar que enfatizava o emprego de forças altamente concentradas e de rápida mobilidade. A estratégia envolvia formações blindadas e unidades de infantaria motorizada ou mecanizada, operando em conjunto com artilharia, assalto aéreo e apoio aéreo aproximado. O objetivo principal era romper as linhas defensivas inimigas, desestabilizar suas forças e comprometer sua capacidade de resposta diante de uma frente de batalha em constante mutação, conduzindo-as, assim, a uma derrota rápida e decisiva. Um dos pilares fundamentais dessa tática baseava-se no desenvolvimento de novos carros de combate (como o Panzer II e III) que, ao entrarem em ação a partir de setembro de 1939, demonstraram superioridade em diversos aspectos em relação a seus equivalentes britânicos, soviéticos, norte-americanos e franceses. Apesar das restrições impostas à Alemanha pelo Tratado de Versalhes (assinado ao término da Primeira Guerra Mundial, em 1918), era evidente que o regime nazista avançava rapidamente em seu programa de rearmamento — um fato que não passou despercebido pelos serviços de inteligência dos Estados Unidos. Relatórios elaborados por esses serviços detalhavam o crescente potencial das forças armadas alemãs, incluindo projeções de aumento do efetivo militar e da produção de equipamentos por aquele hipotético inimigo. Neste contexto o desenvolvimento do M-3 Stuart remonta aos esforços de modernização dos tanques leves norte-americanos na década de 1930, impulsionados pelas observações dos conflitos na Europa e Ásia. Seu predecessor direto foi o Tanque Leve M2, introduzido em 1935, que evoluiu para variantes como o M2A4 em 1940. O M2A4 era armado com um canhão de 37 mm e apresentava uma suspensão de mola voluta vertical (VVSS), mas foi considerado obsoleto devido à armadura fina e ao armamento insuficiente para os padrões emergentes da guerra moderna. As lições aprendidas com a Guerra Civil Espanhola (1936–1939) e a invasão alemã da Polônia em 1939 destacaram a necessidade de tanques com armadura mais espessa, melhor suspensão e sistemas de recuo de canhão aprimorados. Em julho de 1940, o Exército dos Estados Unidos (US Army) iniciou o projeto de um novo tanque leve para substituir o M-1 e M-2A3 e M-2A4, incorporando essas melhorias. O M-3 foi concebido como uma evolução direta, mantendo a mobilidade do M-2A4, mas com proteções e poder de fogo superior

Essa iniciativa foi conduzida pelo Departamento de Artilharia do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army Ordnance Department), sediado em Fort Lee, Virgínia, e resultou no desenvolvimento dos projetos conceituais, que em julho de 1940 se materializariam no primeiro protótipo do M-3, construindo pelo Arsenal de Rock Island, em Illinois. O carro de combate leve M-3  foi concebido para priorizar mobilidade, com um peso de cerca de 12,7 toneladas, permitindo velocidades de até 58 km/h em estrada. Em termos de armadura possuía uma construção variando de 9,5 mm a 50,8 mm, com 38 mm na frente superior do casco, 44 mm na frente inferior e 51 mm no mantelete do canhão. A armadura era soldada ou rebitada, oferecendo proteção contra armas leves. Como armamento principal dispunha de uma arma de 37 mm M-5 (posteriormente M-6), com alcance efetivo de 1.000 metros, e até cinco metralhadoras Browning M-1919A4 de 7,62 mm para autodefesa (incluindo posições coaxiais, antiaéreas e de casco). Estava equipado inicialmente com um motor radial Continental W-670 a gasolina (250 hp) ou Guiberson T-1020 a diesel. O M-5 futuramente introduziria os modernos motores duplos Cadillac V8 com transmissão Hydra-Matic, reduzindo ruído e calor interno. Fazia uso do sistema de suspensão do tipo VVSS (Vertical volute spring suspension) com rodas de estrada duplas e roda intermediária traseira, melhorando o contato com o solo e a tração em terrenos variados. Sua tripulação era composta por quatro membros (comandante, atirador, motorista e assistente de motorista), com visibilidade limitada em variantes iniciais devido à ausência de cúpula na torre. O veículo seria extensivamente testado em campo, levando ao estabelecimento de um certo grau de ceticismo por parte de um grupo de analistas mais críticos. Estes apontavam questionamentos sobre a real capacidade de proteção do veículo (em função de sua fina blindagem), bem como a real eficácia da arma de 37 mm frente a couraça dos carros de combate alemães de nova geração.  Apesar de suas limitações identificadas, como a vulnerabilidade a armamentos antitanque, a urgência de equipar as forças armadas norte-americanas e seus aliados prevaleceu sobre as ressalvas técnicas, levando à decisão de iniciar a produção em larga escala. Para atender à esta demanda, o Departamento de Ordenança do Exército contratou a Baldwin Locomotive Works e a American Locomotive Company (ALCO), além da American Car and Foundry Company, para a produção do M-3 a um custo unitário estimado de US$ 32.915,00. Essas empresas, originalmente especializadas na fabricação de locomotivas e equipamentos industriais, adaptaram suas linhas de montagem para a produção de veículos blindados para assim efetivamente cooperar com o esforço de guerra.
A produção do M-3 Stuart começou em março de 1941, liderada por três grandes fabricantes, com as primeiras entregas ao Exército dos Estados Unidos (US Army) ocorrendo três meses depois, se tornando o mais moderno carro de combate em uso naquele pais. Sua introdução coincidiu com a expansão das divisões blindadas norte-americanas, que se preparavam para o conflito global. O tanque foi rapidamente integrado a unidades de reconhecimento e apoio tático, destacando-se pela velocidade e confiabilidade. Neste momento o novo carro de combate leve, receberia o nome de batismo de M-3 'Stuart", em homenagem a James Ewell Brown “Jeb” Stuart, um renomado oficial das Forças Confederadas dos Estados Unidos. Este nome de batismo seria também adotado pela Grã-Bretanha, que logo se tornaria o primeiro cliente de exportação do modelo, com uma grande encomenda sendo firmada nos termos do programa de Leand & Lease Act Bill (Lei de Empréstimos e Arrendamentos). O batismo de fogo do M-3 Stuart ocorreu durante a Operação Crusader, uma ofensiva britânica no Norte da África, lançada entre 18 de novembro e 30 de dezembro de 1941, contra as forças do Eixo lideradas pelo general alemão Erwin Rommel. O M-3 Stuart, designado pelos britânicos como “Stuart I” (ou “Stuart II” para a variante a diesel),  sendo empregados pela 7ª Divisão Blindada, conhecida como “Ratos do Deserto”. Durante esta operação  o M-3 Stuart foi empregado em missões de reconhecimento e apoio à infantaria, aproveitando sua velocidade (58 km/h em estrada) para realizar manobras rápidas no deserto. Sua mobilidade foi um trunfo em terrenos abertos, permitindo flanquear posições inimigas e coletar informações estratégicas. Os Stuarts enfrentaram tanques alemães, como o Panzer III, e italianos, como o Fiat M13/40. No entanto, o canhão de 37 mm revelou-se ineficaz contra a armadura frontal dos tanques médios alemães, enquanto a armadura fina do M-3 (máximo de 50,8 mm) o tornava vulnerável a canhões antitanque, como o Pak 38 de 50 mm. Apesar das limitações, o M-3 Stuart foi elogiado pelos britânicos por sua confiabilidade mecânica e facilidade de manutenção. Sua velocidade permitiu operações de reconhecimento eficazes, mas as perdas foram significativas devido à superioridade dos tanques alemães em poder de fogo e proteção. Neste contexto a produção de exportação seria priorizada em detrimento as necessidades norte-americanas, muito em função de dotar o Exército Real (Royal Army) de uma capacidade numérica capaz de enfrentar as unidades blindadas do África Korps, pertencentes ao Exército Alemão (Wehrmacht), no teatro de operações da África do Norte. Ao todo seriam entregues aos britânicos um total 5.532 destes carros de combate, dispostos em diversas versões.

Já o primeiro combate do M-3 Stuart com tripulações norte-americanas ocorreu nas Filipinas, em dezembro de 1941, após o ataque japonês a Pearl Harbor, que marcou a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial. O 192º e o 194º Batalhões de Tanques, equipados com M-3 Stuarts, enfrentaram as forças japonesas durante a invasão das Filipinas. Os Stuarts foram usados em ações defensivas contra os tanques leves japoneses Type 95 Ha-Go, que possuíam armadura fina (12–16 mm) e um canhão de 37 mm semelhante. Esses confrontos representaram o primeiro combate tanque contra tanque envolvendo forças americanas na guerra. A falta de experiência das tripulações americanas em combate e as condições tropicais das Filipinas, como terrenos lamacentos, dificultaram as operações. A ausência de uma cúpula na torre nas primeiras unidades do M-3 limitava a visibilidade do comandante, comprometendo a eficácia tática. O M-3 Stuart desempenhou um papel importante, mas limitado, no Exército Vermelho, que no inicio do conflito dependia de tanques leves como o T-26 e o BT-7, que apresentavam armaduras finas e armamentos limitados.  O primeiro pedido soviético de M-3 Stuarts nos termos do programa Leand & Lease foi feito em outubro de 1941, com entregas começando no início de 1942. Ao todo, a União Soviética recebeu 1.676 unidades do M-3 Stuart entre 1941 e a primavera de 1943, tornando-se o segundo maior operador estrangeiro do tanque. A chegada do M3 Stuart foi vista como uma melhoria, especialmente em comparação com o tanque leve soviético T-60, que tinha uma armadura de 20–35 mm e um canhão de 20 mm. Para diferenciá-lo do tanque médio M-3 Lee/Grant, os soviéticos designaram o M3 Stuart como М3 лёгкий (M-3 Leve), enquanto o M3 Lee era chamado М3 средний (M-3 Médio). O tanque foi amplamente utilizado na Frente Oriental, com destaque em operações no Cáucaso, na Frente do Don e em batalhas como a de Stalingrado (1942–1943) e a Terceira Batalha de Kharkov (1943). A confiabilidade mecânica do M3 Stuart foi elogiada, mas a dependência de motores a gasolina (e, em menor escala, a diesel) criava desafios logísticos, já que o Exército Vermelho preferia tanques a diesel, como o T-34. Oficinas soviéticas adaptaram peças locais para reparos, mas a falta de componentes específicos limitava a manutenção. O tanque foi particularmente útil em operações de reconhecimento e apoio tático, onde sua velocidade compensava as limitações de armadura e armamento. No entanto, à medida que a União Soviética aumentava a produção de tanques mais avançados, como o T-34, o M-3 Stuart foi relegado a papéis secundários.
Sendo considerado nas fases iniciais do conflito o principal carro de combate leve das forças aliadas, a grande quantidade de veículos em campo levaria a oportunidade de se aproveitar a possível comunalidade da plataforma, criando versões de serviço que fariam uso do mesmo fluxo logística de peças de reposição, facilitando ainda a manutenção em campo. Este cenário proporcionaria o campo para desenvolvimento de versões especializadas (viaturas novas ou modificadas), resultando na criação dos modelos M-3 e M-5 Command Tank (Carro Comando), T-8 Reconnaissance Vehicle – (Carro de Reconhecimento Leve sob Esteiras), M-5 Dozer (Veículo de Engenharia), M-8 e M-8A1 Scott (Obuseiro Autopropulsado de 75 mm), M-3 e M-3A1 Flame Gun (Lança Chamas), Stuart Race (versão britânica para reconhecimento). Estas versões especializadas começaram a entrar em serviço no início de 1942 e estima-se que um total de 2.450 veículos foram produzidos ou convertidos durante a Segunda Guerra Mundial. Estas versões especializadas proporcionaram um novo alento na contribuição da família de carros de combate blindados leves M-3 e M-5 Stuart no esforço de guerra aliado se desdobrando em diversas tarefas de apoio. Já durante a segunda fase da campanha do Pacífico, esses carros blindados leves dominariam o campo de batalha. pois quando operados por tripulações experientes, passariam a exercer superioridade perante qualquer blindado japonês, e seu perfil leve facilitava em muito seu deslocamento nas ilhas tropicais. Apesar de todas as modernizações implementadas no projeto, o veículo havia chegado ao limite de sua capacidade blindada, com seu projeto não permitindo a adoção de um canhão de maior calibre, com suas versões posteriores, passando a ser substituídas pelos novos carros de combate leves M-24 Chaffe. Sua produção seria encerrada em junho do ano de 1944, totalizando 13.859 unidades dispostas nas versões M-3, M-3A1 e M-3A3. Após o término da Segunda Guerra Mundial, os carros remanescentes agora presentes em unidades da reserva e da Guarda Nacional, seriam retirados do serviço ativo do Exército dos Estados Unidos (US Army), passando a compor o portfólio dos programas de ajuda militar. Assim passariam a ser cedidos aos milhares a nações amigas, como Austrália, Bélgica, Bolívia, Canada, Chile, China, Colômbia, Cuba, República Dominicana, Equador, El Salvador, França, Haiti, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Holanda, Nova Zelândia, Nicarágua, Filipinas, Polônia, Portugal Romênia, Rodésia do Sul, Turquia, Venezuela, Iugoslávia, Uruguai, Venezuela e por fim o Paraguai.

Emprego no Exército Brasileiro.
No início da Segunda Guerra Mundial, o governo norte-americano passou a considerar com extrema preocupação a possibilidade de uma invasão do continente americano pelas forças do Eixo (Alemanha, Itália e Japão). Essa ameaça tornou-se ainda mais evidente após a capitulação da França, em junho de 1940, pois, a partir desse momento, a Alemanha Nazista poderia estabelecer bases operacionais nas Ilhas Canárias, em Dacar e em outras colônias francesas, criando um ponto estratégico para uma eventual incursão militar no continente. Nesse contexto, o Brasil foi identificado como o local mais provável para o lançamento de uma ofensiva, devido à sua proximidade com o continente africano, que à época também figurava nos planos de expansão territorial alemã. Além disso, as conquistas japonesas no Sudeste Asiático e no Pacífico Sul transformaram o Brasil no principal fornecedor de látex para os Aliados, matéria-prima essencial para a produção de borracha, um insumo de extrema importância para a indústria bélica. Além dessas possíveis ameaças, a posição geográfica do litoral brasileiro mostrava-se estrategicamente vantajosa para o estabelecimento de bases aéreas e portos militares na região Nordeste, sobretudo na cidade de Recife, que se destacava como o ponto mais próximo entre os continentes americano e africano. Dessa forma, essa localidade poderia ser utilizada como uma ponte logística para o envio de tropas, suprimentos e aeronaves destinadas aos teatros de operações europeu e norte-africano. Diante desse cenário, observou-se, em um curto espaço de tempo, um movimento de aproximação política e econômica entre o Brasil e os Estados Unidos, resultando em investimentos estratégicos e acordos de cooperação militar. Entre essas iniciativas, destacou-se a adesão do Brasil ao programa de ajuda militar denominado Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), cujo principal objetivo era promover a modernização das Forças Armadas Brasileiras. Os termos desse acordo garantiram ao Brasil uma linha inicial de crédito de US$ 100 milhões, destinada à aquisição de material bélico, possibilitando ao país o acesso a armamentos modernos, aeronaves, veículos blindados e carros de combate. Esses recursos revelaram-se essenciais para que o país pudesse enfrentar as ameaças impostas pelos ataques de submarinos alemães, que intensificavam os riscos à navegação civil, impactando o comércio exterior brasileiro com os Estados Unidos, responsável pelo transporte diário de matérias-primas destinadas à indústria de guerra norte-americana. A participação brasileira no esforço de guerra aliado logo se ampliaria. O então presidente Getúlio Vargas declarou que o Brasil não se limitaria ao fornecimento de materiais estratégicos aos Aliados e sinalizou a possibilidade de uma participação mais ativa no conflito, envolvendo o possível envio de tropas brasileiras para algum teatro de operações de relevância. O cronograma de recebimento de grande parte dos veículos destinados ao pais previstos neste acordo estava programado para ocorrer entre os meses de novembro e dezembro de 1941.  Como parte de uma estratégia de propaganda e para demonstrar o compromisso com a modernização militar, o Ministério da Guerra optou por adquirir um lote inicial de dez unidades do M-3 Stuart, custeado à vista, fora do cronograma principal do Lend-Lease Act. 

Essa compra foi realizada com rapidez para garantir que as viaturas estivessem disponíveis a tempo do desfile da Independência, em 7 de setembro de 1941, no Rio de Janeiro, então capital do Brasil. A introdução do carro de combate leve M-3 Stuart no Exército Brasileiro em 1941 marcou um ponto de inflexão na modernização das forças blindadas do país, desencadeando um novo ciclo operacional que rompeu com a doutrina militar francesa herdada da Primeira Guerra Mundial. Substituindo os obsoletos tanques leves italianos Fiat-Ansaldo CV3-35 e franceses Renault FT-17, o M3 Stuart trouxe avanços significativos em mobilidade, armamento e proteção, alinhando o Brasil com as táticas modernas de guerra blindada dos Aliados. O segundo lote composto por 20 carros, já constantes no processo do  Lend-Lease Act foi recebido em 21 de fevereiro de 1942, com mais 200 M-3 Stuart sendo recebidos até o final do mesmo ano. Logo que chegaram, estes carros de combate foram requisitados para a defesa do litoral nordestino, onde estavam sendo construídas enormes instalações militares americanas, visando o esforço aliado na África do Norte. Antes ainda, em março de 1942, o Exército Brasileiro transferiu para Recife (PE) as auto-metralhadoras Fiat/Ansaldo CV3-35 da EsMM e criou a Ala Moto-Mecanizada do 7º Regimento de Cavalaria Divisionário (7º RCD). Esses veículos, apesar de estarem então em operação há relativamente pouco tempo (desde 1938), pelo desgaste sofrido enquanto meios de instrução e falta de sobressalentes, tiveram pouca utilidade. Em 5 de outubro do mesmo ano, um contingente das recém-criadas 1ª e 2ª Companhias Independentes de Carros de Combate Leve foi embarcado no Rio de Janeiro, a bordo do vapor Araranguá, de propriedade do Lloyd Nacional, com destino a Recife (PE) e, lá chegando, receberam os M3 Stuart. Em seguida, as Companhias foram unificadas para constituir uma nova unidade: o 1º Batalhão de Carros de Combate (1º BCC) equipados com CCM M-3 Lee e CCL M-3 Stuart. Nessa época também foi criado o 2º BCC, com sede em Natal (RN), mas nem havia recebido seus carros de combate e foi, junto com o 1º BCC, transferido para a Região Sudeste. O avanço das tropas aliadas na África e na Europa deixava remota a ameaça de uma invasão do Brasil por tropas do Eixo. Em agosto de 1945, o Brasil tornou-se signatário do programa de reorganização militar com os Estados Unidos. Sob a denominação de Inter American Cooperation Program, o Exército Brasileiro passou a ter a organização e treinamento com os equipamentos recém recebidos, embora antes mesmo, durante a guerra, as unidades de carros de combate já tivessem sido implantadas segundo os padrões do US Army. Foi criada uma divisão motomecanizada, composta por seis batalhões, três de carros de combate (BCC) e três de carros de combate leve (BCCL). Os BCC eram operados pela Cavalaria e os BCCL pela Infantaria, e em comparação à unidade regular da doutrina vigente do US Army, em 1942, o BCC equivalia ao Medium Tank Battalion e o BCCL ao Light Tank Battalion.
Assim, a composição desses grupamento seria: Batalhão de Carros de Combate (BCC) – Cavalaria - Um Esquadrão de Comando e Serviços: composto por caminhões, ambulâncias, jipes, veículos meia-lagarta (recebidos após a guerra) e dois carros de combate médios para o comandante e o subcomandante do Batalhão; - Três Esquadrões de Carros de Combate Médios: formados por três pelotões, cada um equipado com cinco carros de combate médios, com mais dois carros utilizados pelo comandante e subcomandante do Esquadrão; - Um Esquadrão de Carros de Combate Leve: composto por três pelotões, cada um equipado com cinco carros de combate leves, com mais dois carros utilizados pelo comandante e subcomandante do Esquadrão. Total de carros de combate de um BCC: 53 carros de combate médios (o 1º BCC era equipado com M-4 Sherman e os 2º e 3º BCC com M-3A3/A5 Lee), e 17 carros de combate leve M-3/M-3A1 Stuart.  Batalhão de Carros de Combate Leve (BCCL) – Infantaria - Uma Companhia de Comando e Serviços: com vários jipes, caminhões, ambulâncias, um veículo meia-lagarta (recebido após a guerra) e dois carros de combate leves Stuart destinados ao comandante e ao subcomandante do Batalhão; - Três Companhias de Carros de Combate Leve: cada uma composta por três pelotões, equipados com cinco carros de combate leves M-3 e M-3A1 Stuart, com mais dois destinados ao comandante e ao subcomandante. Total de carros de combate de um BCCL: 54 carros de combate leves M-3 e M-3A1 Stuart . Os três BCC ficaram baseados no Estado do Rio de Janeiro, mas existia a intenção de enviar o 2º BCC para uma cidade no interior do Estado de São Paulo. Isso foi abandonado pela dificuldade em deslocar os CCM para o interior do Brasil. Deve-se observar que na época havia poucas estradas, e esses veículos, principalmente os M-3A3/A5 Lee, eram muito altos para transpor os vãos de túneis em muitas das ferrovias. Já os BCCL, cujos veículos não tinham as limitações dos CCM, foram aquartelados nos seguintes municípios: 1º BCCL: Pindamonhangaba (SP) – posteriormente, Campinas (SP); 2º BCCL: Cacapava (SP) – posteriormente, Santo Ângelo (RS); e 3º BCCL: Rio de Janeiro (RJ) – posteriormente, Santa Maria (RS). Até o término do conflito, o Exército Brasileiro viria a receber um total de 437 carros desta família, sendo sendo dispostos em várias versões, entre elas, M-3 Type 2 Stuart MK I, M-3 Type 4/5 Stuart MK I/II, M-3 Type 6/7 Stuart Hybrid, M-3 Type 8/9 Stuart Hybrid e  M-3A1 Stuart MK III/IV. A contínua chegada de mais Stuart possibilitou a formação de unidades de Cavalaria, tais como os cinco Regimentos de Reconhecimento Mecanizado (RRec Mec) e os sete Esquadrões de Reconhecimento Mecanizado (Esqd RecMec). Com o término do conflito mundial, os Stuart, assim como outros carros de combate, foram distribuídos em municípios das Regiões Sul e Sudeste, e um EsqRec Mec em Recife (PE). 

Na década seguinte, foram deslocados gradativamente para o Centro-Oeste e, na década de 1970, para Bayeux (PB), onde funcionou o 2º RRec Mec (que operaram CCL M-3 e M-3A1 Stuart). Apesar de nunca ter entrado em combate no Exército Brasileiro, os carros de combate da família M-3 Stuart, se fizeram presentes como agentes de dissuasão em vários momentos de crise políticas na vida nacional.  Entre estes o primeiro de destaque ocorrido em outubro de 1945, quando a fim de forçar o fim da ditadura Vargas, conhecida como “Estado Novo”, carros de combate M-3 Stuart dos 1º e 2º Batalhões de Carros de Combate (BCC), sob ordens do comandante da Divisão Motomecanizada , ocuparam as ruas do Rio de Janeiro. Em agosto de 1954, logo após o suicídio do presidente Getúlio Vargas , os M-3A1 do 6º Esquadrão de Reconhecimento Mecanizado (EsqRecMec), seriam acionados para reprimir manifestantes na cidade de Porto Alegre no estado do Rio Grande do Sul. Em novembro de 1955 os M-3 Stuart seriam novamente empregados quando do estabelecimento de garantia de condições, para que o recém-eleito presidente Juscelino Kubitschek fosse oficialmente empossado, assim carros de combate M-3A1 Stuart do 3º Esquadrão de Reconhecimento Mecanizado (EsqRecMec) foram colocados nas ruas do Rio de Janeiro. Entre setembro de 1957 e julho de 1962 os M-3 Stuart participariam de mais crises políticas internas, entre elas a “Caravana da Liberdade”, “Renúncia do Presidente Jânio Quadros”, movimento “Cadeia da Legalidade” e por fim o “Plano de Manutenção da Ordem Pública” em julho de 1962. Porém talvez o período mais importante de sua participação na História política do pais, ocorreria entre março e abril de 1964 durante os eventos resultantes da contra revolução deflagrada contra a ascensão da esquerda comunista, onde os M-3 Stuart seriam empregados em várias frentes, como São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Rio Grande do Sul.  O registro mais emblemático desta participação durante esta crise, caberia a um  M-3 Stuart pertencente ao 1º Batalhão de Carros de Combate Leve (BCCL), fotografado em posição de guarda junto a entrada do Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo (USP) em dezembro de 1968. Desde os primeiros anos de operação, os  M-3 e M-3A1 Stuart conquistariam a simpatia e preferência dos militares brasileiros,  mais notadamente por sua simplicidade de operação,  manutenção e por sua agilidade e velocidade, recebendo o apelido carinhoso de “Perereca”.  Em fins da década de 1960, a frota de carros de combate leves M-3 e M-3A1 Stuart completava quase vinte anos de operação no Exército Brasileiro, tendo a marca de ter sido o percursor dos modernos carros de combate a entrar em serviço na força terrestre nacional, sendo empregado inclusive em uma grande quantidade de viaturas. No entanto esta considerável frota já vinha há alguns anos apresentando índices críticos de disponibilidade, resultado este ocasionado principalmente por problemas de obtenção de peças de reposição no mercado internacional.
Com este fato mais notadamente concentrado nos antigos e obsoletos motores pela falta de um fluxo adequado logístico de peças de reposição, mais notadamente aquelas destinadas aos antigos e obsoletos motores a gasolina Continental AOS 895-3 e Guiberson T-1020A , que haviam tido sua produção descontinuada há mais de vinte anos. Sua sobrevida operacional seria proporcionada pela implementação do Plano Impere”, que visava recuperar diversos veiculos, efetuando uma manutenção de 5º escalão dos carros de combate do III Exército. No M-3 Stuart seriam abrangidos itens críticos como trocas de anéis, pistões, guias de válvulas, mangueiras de alta pressão, substituição de lagartas , magnetos, bobinas, sistemas de rádio. E por fim revisão completa na parte elétrica, inclusive no sistema de disparo elétrico dos sponson gun do M-3 e impressões de novos manuais. O “Plano Impere” foi levado a efeito até o final da década de 1970, com uma cadência aproximada de 20 CCL ao ano, recuperando perto de 300 Stuart. Cinco M-3A1 reformados também foram doados para o Paraguai em outubro de 1978, seguindo por ferrovia até Foz do Iguaçu (PR). Em 1972, o Exército decidiu extinguir os BCCL transformando-os em Batalhões de Infantaria Blindada (BIB), adotando os VBTP M-113, transferindo os CCL para a Cavalaria. Na época, o 1º BCCL era a unidade que possuía a maior disponibilidade operacional de Stuart, e na cerimônia que marcou a partida desses carros para o PqRMM/3, todos foram rodando do quartel até a estação de Campinas onde foram embarcados em composições ferroviárias. Junto à extinção dos BCCL, os RRecMec e EsqdRecMec foram substituídos por Regimentos de Cavalaria Blindados (RCB), Regimentos de Cavalaria Mecanizados (RCMec) e Esquadrões de Cavalaria Mecanizados (EsqdC Mec), sendo que três RCB, muitos RCMec e EsqdCMec utilizaram por um curto período os derradeiros Stuart. A última unidade a operar os Stuart foi o 16º RCMec, de Bayeux (PB), ativado em 1971, recebendo 16 M-3A1 Stuart que foram usados até 1987. Porém, já na metade da década de 1970 a maioria dos Stuart estavam sendo recolhida pelo PqRMM/3. Lá passaram por uma triagem recebendo em suas laterais, as letras “A” ou “R”, pintadas de forma rústica Os que tinham a carroceria em melhor estado de conservação, independentemente de serem do modelo M-3 ou M-3A1, receberam a letra “A”, de aprovado, e foram transportados por ferrovia para ferrovia para o  Parque Regional de Motomecanização da 2º Região Militar (PqRMM/2), em São Paulo, para serem transformados nos novos carros de combates da família X1, desenvolvidos pela recém criada indústria nacional de blindados. Já os que ostentavam a letra “R”, de reprovado, tiveram como destino a descarga e venda como sucata. Embora isso significasse o fim dos M-3 e M-3A1 Stuart no Exército Brasileiro, com a construção de derivados, sua carreira, no entanto, ainda iria durar vários anos mais.

Em Escala.
Para representar o carro de combate leve M-3 Stuart com a matrícula “EB11-464”, foi utilizado o kit na escala 1/35 produzido pela Academy, reconhecido por sua qualidade e detalhamento. Contudo, é importante esclarecer que o kit é identificado na embalagem como M-3A1, mas, na realidade, corresponde à versão M-3 Type 6/7/8/9. Essa distinção é relevante, pois as versões Type 6/7/8/9 do M-3 Stuart apresentam diferenças específicas em relação ao M-3A1, como modificações no casco, torre e sistemas internos, introduzidas durante a produção para atender às exigências do Exército dos Estados Unidos (US Army). Para garantir a autenticidade histórica do modelo, foram utilizados decais produzidos pela Electric Products, pertencentes ao conjunto “Exército Brasileiro 1942–1982”. 
Os  carros de combate leve  M-3 e M-3A1 Stuart operados pelo Exército Brasileiro mantiveram durante tempo de seu emprego no Brasil,  o esquema de pintura original de fábrica, designado como “Vitrolack Cor 7043-P-12”, conforme o padrão do Exército dos Estados Unidos (US Army). Esse esquema, baseado no padrão Federal Standard (FS), consistia em uma tonalidade de verde oliva (Olive Drab).


Bibliografia :
- O Stuart no Brasil – Helio Higuchi, Reginaldo Bachi e Paulo R. Bastos Jr.
- M-3 Stuart Wikipedia - http://en.wikipedia.org/wiki/M3_Stuart
- Blindados no Brasil Volume I, por Expedito Carlos S. Bastos